Apolítico
Contrário sou ao espírito destes tempos
Esforço-me por despolitizar meu existir,
Como alguém que extrai o fatal veneno
Que uma serpente inoculou em si…
Haveria, pois, de renegar ao bom senso,
E à busca de autonomia e consciência própria,
Para insistir em velhos e carcomidos preceitos
Que nos lançaram nesta luta inglória?
Que importa substituir a prata pela foice,
A cédula, pelo martelo e seus planos trienais?
Que importam as lutas quaisquer que fossem
Se tivermos de morrer para obter a paz?
Que diferença há se o regime que governa os homens
É a mesma humanidade quem o faz?
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