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Point of view: Narrador

Nove meses depois...

Dahyun estava com Jennie, pois Lisa não conseguir ficar no parto. A todo momento, ela se lembrava de Sooah, aqueles flashbacks inevitáveis. Chiquita estava na escola e nem sabia que Jennie já estava parindo, Ellen estava com Mina e Momo tentava tranquilizar sua amiga, que tremia mais do que um terremoto.

— Lalisa, deixa eu te explicar como funciona a ciência. A Jennie não vai morrer. O corpo dela não é o corpo da Sooah, ou seja, é diferente. Então, ela não vai morrer depois do parto porque está no sangue da família dela, entendeu?

— Cala a boca, sua idiota! Como você passou em ciências? Fez algo com o professor, não fez? — Lisa olhou para ela, vendo a garota fingir estar ofendida com seu comentário.

— Na verdade, era uma professora — falou enquanto assentia, batendo levemente nas costas de Lisa.

— Ah, sim — assentiu. — Espera, você se vendeu pra professora de ciências? — Lisa franziu o cenho, parando de tremer.

— Não! — respondeu, nervosa. — Se bem que não seria uma má ideia. Por que eu não fiz isso? Pouparia ter que estudar pra maldita recuperação. E não é por nada não, aquela professora era uma gostosa do caramba — cochichou as últimas três palavras, sorrindo maliciosamente em seguida.

— Dahyun também vai achar isso.

— Só que você não vai contar para ela porque você ama a sua melhor amiga, né? — perguntou com a voz trêmula e sorrindo nervosa.

— Claro — disse, sarcasticamente, com um sorriso malandro.

— Não gostei do seu tom de voz — cruzou os braços, olhando para frente e vendo que Dahyun estava vindo até elas com um sorriso enorme no rosto. — Não tire esse sorriso dela, caso contrário, sua morte está marcada, sua rapariga! — cochichou no ouvido da amiga, que riu mexendo em seus dedos.

— Dahyun — Lisa se levantou ao ver Dahyun em sua frente. — Como estão? — seu nervosismo era verídico, suas mãos voltaram a tremer e sua voz quase não saiu.

— A Jennie e o Jinwoo estão bem, fique tranquila. Inclusive, ela quer te ver, vai lá — pousou a mão no ombro de Lisa, acalmando a mulher com o toque e seu sorriso gentil.

— Obrigada! — sorriu de orelha a orelha, se curvando antes de sair correndo até a sala onde Jennie estava.

Point of view: Lalisa Manobal

Ao chegar no local, vi Jennie deitada na cama, já com Jinwoo em seu colo. Assim que seus olhos encontraram os meus, lágrimas escorreram por suas bochechas e um sorriso imenso surgiu em seus lindos lábios, mostrando suas gengivas. Aproximei-me, sentando em um banquinho ao lado, sentindo um líquido escorrer dos meus olhos.

— Ele é a sua cara — cochichei, olhando para o bebê com um brilho no olhar.

— Ele tem o seu nariz, olha só — sorriu, focando seus olhos na criança. — Tem o seu nariz, suas bochechas...

— E os seus olhinhos de gato — olhei para ela, sorrindo sem mostrar os dentes. Nos encaramos por alguns segundos antes de eu deixar um selinho demorado em seus lábios, aproveitando aquele momento e me tranquilizando mais em vê-la bem. — Eu fiquei com muito medo de te perder...

— Eu sei que ficou. Acha que não te vi chorando ontem? — franziu o cenho. — Não sei se sabe, mas eu estava bem acordada quando você sentou aqui e segurou minha mão, implorando pra que eu sobrevivesse. Também percebi sua voz embargada e suas lágrimas pingando na minha pele. Você rezou pra que eu não morresse — baixei a cabeça, envergonhada por ela ter ouvido tudo isso.

— Desculpa...

— Não precisa pedir desculpas, mas, meu amor, você precisa de um terapeuta. Tô te falando isso desde que comecei a trabalhar na sua casa.

— Prometo que vou procurar um, mas agora eu quero passar o maior tempo possível ao lado da minha noiva e do nosso mais novo filhinho.

— De qualquer forma, tenta não comparar o presente com o passado. Eu percebo que você faz isso. Querendo ou não, me machuca quando você está sorrindo e feliz, e do nada fecha a cara. Quando isso acontece, eu sei que você está imaginando a Sooah no meu lugar.

Suspirei, vendo que ela tinha razão. Eu me odiava tanto por isso, às vezes tinha vontade de dar um soco em minha própria cara por ficar imaginando essas coisas. Sooah é passado e Jennie é meu presente e futuro, não posso mais ficar pensando nela.

— Olha... Me perdoa por isso, eu juro que tento, tem vezes que eu até consigo. Mas é difícil, e eu sei que já tá ficando chato, só que de vez em quando é inevitável não lembrar.

— Lisa, não vamos falar disso agora. Da última vez, brigamos e eu não quero brigar com você — assenti. — Já avisou para Chiquita?

— Ainda não. Vou avisar agora. Na verdade, melhor não, ela vai inventar uma desculpa para sair da escola e vir aqui te ver. Eu conheço ela muito bem.

Point of view: Narrador

Chiquita e Ahyeon caminhavam até a casa de Lisa, ambas de mãos dadas e conversando sobre como a Chiquita odiava a professora de matemática. Ahyeon ria da raiva de sua namorada sentia contra a mulher, que segundo Chiquita, sua professora só dificultava mais sua vida.

— Eu juro que se aquela mulher não existisse, 99% dos problemas da minha vida seriam resolvidos. Pra que eu vou resolver os problemas de pessoas que eu nunca vi na vida e que mesmo assim trazem mais problemas pra mim do que eu mesma?

— Por que você odeia tanto ela, sendo que ela só está fazendo o trabalho dela? — perguntou, abraçando o braço da namorada e deitando sua cabeça em seu ombro.

— Aquela vagabunda já me mandou trezentas mil vezes pra diretoria. Eu juro que na próxima eu mato aquela vaca do caralho.

— Amor, ela te mandou pra diretoria porque você desrespeitou ela e não fez nada na aula dela. Você é a errada, não adianta negar.

— Tá do lado dela agora? — se afastou de Ahyeon, parando de andar e olhando para ela. — Sabia que ela foi uma puta homofóbica?

— Homofóbica?

— Sim, ela descobriu que eu tenho três mães, por mais que uma esteja morta. E também descobriu que todas à minha volta são sapatonas e que eu namoro a presidente do segundo ano do ensino médio.

— Não tô entendendo a parte em que ela é homofóbica.

— Aquela vaca zerou a minha prova. Ela deu a desculpa de que eu derrubei meu lápis de propósito pra colar do "coleguinha" — fez aspas e uma cara debochada. — Que coleguinha é esse que faz prova no chão? — se exaltou.

— Ela foi homofóbica?

— Foi. Sabe por quê? Aquela filha da mãe teve a cara de pau de falar bem assim: "Além de sapatona, é desprovida de inteligência também" — revirou os olhos e tentou imitar a voz da professora. — Juro que processo essa quenga.

— Já falou pra sua mãe?

— Ela fez isso hoje. Vou falar pra Momo primeiro, minha mãe é medrosa, ela não mata nem barata. Se eu falar pra Momo que a professora de matemática chamou nós sáficas de burras... — riu. — Nem te conto o que vai acontecer com ela.

O celular de Chiquita tocou, mostrando que sua mãe estava ligando. Sem pensar duas vezes, ela atendeu, escutando as palavras da mulher atentamente, ignorando a parte em que Lisa falou para ela tomar um banho e trocar de roupa porque Momo e Dahyun estavam indo buscá-la.

— Meu irmão nasceu, caralho! — exclamou, correndo até o lugar onde ficavam alguns táxis estacionados.

Ahyeon seguiu-a, sem entender nada.

— A Jennie está bem? — Ahyeon perguntou, após entrarem no táxi, vendo Chiquita assentir, feliz.

— Eu vou ensinar o Jinwoo a jogar bola, jogar videogame, dançar, e vou manter ele longe da minha mãe quando for fazer isso. Não posso deixar o pequeno Jin se traumatizar com "Mais uma vez".

Ahyeon riu da careta que Chiquita fez por ter se lembrado de sua mãe dizendo tais palavras.

[...]

Ahyeon e Lisa ficaram do lado de fora conversando, enquanto Chiquita foi ver sua mãe. A garota estava mais feliz que Lisa, pois agora teria mais uma criança para jogar basquete. Ellen e Jinwoo eram seu porto seguro agora.

— Mamãe — falou feliz e sorrindo, se aproximando de Jennie que sorria também. — Como está? Sente dor? Deve estar tudo dolorido lá embaixo, né?

— Chiquita!

— Desculpa — sussurrou, ficando ao lado da cama e arrancando uma risada de Jennie. — Mas está doendo?

— Um pouquinho.

— Ainda bem que dedo não engravida — falou, dando de ombros e se sentando no banquinho, recebendo um leve tapa de Jennie. — Tô mentindo? — arqueou as sobrancelhas e Jennie negou.

— Com a Lisa você não fala essas coisas, né? — semicerrou os olhos.

— Não sou boba. Se eu falar essas coisas perto dela, ela arranca minhas cordas vocais e adeus sonho de ser idol.

— Capaz. Ela não faria isso... No máximo deixaria você de castigo — Chiquita olhou para ela desconfiada. — Tá, a sua mãe faria isso. E se ela cogitasse a ideia de que você perdeu a virgindade, ela arranca os seus dedos e os da Ahyeon.

— O que não pode com dedo, a gente faz com a língua.

— Chiquita! — Jennie tentou repreender, mas acabou gargalhando com a fala de sua filha.

— Mas se ela achar ruim, o problema é dela. Eu sei muito bem que ela perdeu com 14 anos, e o pior é pessoa com quem ela perdeu...

— Você sabe com quem foi? — assentiu. — Com quem?

— Com a professora de dança dela.

— O quê? — arregalou os olhos, desacreditada.

— Pois é, menina! Ela me contou isso na maior tranquilidade do mundo, como se aquilo nem fosse pedofilia.

— Não acredito que sua mãe fez isso. E conhecendo aquela safada, deve ter sido ideia dela.

— Com certeza. Posso pegar ele? — apontou para Jinwoo, que olhava Chiquita com brilho nos olhos.

— Claro que pode.

Chiquita olhava para o pequeno ser nos seus braços com amor em seu olhar. Seu irmãozinho, frágil e delicado, parecia tão pequeno em comparação com o mundo imenso ao seu redor. Ela o segurava com cuidado, acariciando levemente sua pequena mãozinha.

Com olhos cheios de lágrimas, ela acariciou a bochecha macia do bebê, sorrindo enquanto ele olhava para ela. Era incrível como algo tão pequeno podia causar uma revolução tão grande em suas vidas. Chiquita sabia que a partir daquele momento, ela seria não apenas uma irmã mais velha, mas também uma protetora, uma guerreira disposta a lutar por aquele serzinho indefeso.

Agora ela tinha dois pequenos seres para proteger desse grande mundo e de todas as pessoas ruins que existem nele.

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