019
Point of view: Riracha Manobal
Minha mãe tomou café da manhã e voltou para o quarto, o que me preocupou, pois não quero que ela volte a beber. Tendo em mente as consequências que isso poderia ter, subi até o seu quarto para verificar o que estava acontecendo.
Bati na porta, mas não obtive resposta. Pensei que ela poderia estar dormindo, mas antes de sair de perto, ouvi um soluço alto. Preocupada, abri a porta e encontrei minha mãe sentada no chão, segurando uma garrafa de soju e olhando para um porta-retrato dela e minha mãe Sooah.
— Mãe — sussurrei, entrando no quarto. Agachei-me à sua frente e limpei suas lágrimas. — Quer um abraço?
— Por que sua mãe morreu, Chiquita? Por quê? — seus olhos úmidos encontraram os meus, e tive que conter meu choro.
— Eu não sei — murmurei, afastando seu cabelo do rosto. — Pense nisso como um novo começo. A mamãe está lá em cima cuidando de nós. Imagino que ela queira nos ver bem, e não sofrendo por sua partida. Eu sei que é difícil, eu sinto a sua dor... Eu perdi a minha mãe, mamãe — ofereci-lhe um sorriso triste. — Não adianta nos fecharmos uma pra outra, isso só nos machucará mais. Sua dor é minha dor. Juntas, podemos superá-la. Então, por favor, pare de beber e me dê um abraço sempre que se sentir triste ou sentir saudades da mamãe.
— Me dê um abraço, por favor... — ela pediu, entre soluços.
Inclinei-me com os braços abertos e a abracei, confortando-a com meu toque suave em suas costas, enquanto seu choro se intensificava. Ela realmente amava muito minha mãe, e o que mais me dói é saber que ela não consegue pensar em nada além de Lee Sooah Manobal.
— Estou aqui pro que você precisar, mamãe. Lembre-se de que sou sua filha. Nunca vou te abandonar e sempre vou te amar, independentemente do que aconteça — ela se afastou, assentindo e contendo o choro. — Eu te amo muito e só quero o seu melhor — segurei a garrafa de soju devagar, vendo-a seguir o movimento de minhas mãos. — Então, eu quero que pare de beber. Será melhor pra sua saúde. Vamos lá, não é tão difícil — ela negou.
— Isso me acalma e me impede de cometer suicídio. Não posso ficar sem...
— Lalisa Manobal, vamos conversar como adultas, mesmo eu não sendo uma. Soju não vai resolver seus problemas. Uma terapia vai. Então, substitua isso por uma sessão de terapia, que você vai melhorar.
— Está brava? — franzi o cenho. — Você só fala meu nome inteiro quando está brava comigo.
— É porque vou brigar com você daqui a pouco se não largar essa garrafa — levantei-me, já sem paciência. — Me dá! — estendi a mão. — Vamos, Lalisa, me dá! Eu virei a adulta aqui agora? — ela não respondeu. — Será que vou ter que chamar a Momo pra te dar outro tapa?
— Já acabou — se referiu ao líquido dentro da garrafa.
— Se acabou, me dê a garrafa, vou jogá-la fora e me livrar de todo o seu estoque.
Ela a escondeu ao lado do corpo. Perdi a paciência que ainda tinha e peguei a garrafa à força, recebendo seu olhar furioso e apenas o ignorando.
— Me devolve isso, Riracha — ela se levantou e ficou na minha frente, tentando pegar a garrafa, mas eu não deixei. — Eu sou sua mãe, você tem que obedecer. ME DEVOLVE ISSO, RIRACHA MANOBAL! — ela gritou.
— Tá gritando por quê? Eu tô falando com calma, não tem motivos pra você gritar — mantive minha voz no tom normal. — É minha mãe mesmo? Então, pare de beber e vá cuidar da sua filha recém-nascida e da sua filha de 14 anos.
Virei-me para sair, mas antes que pudesse ir embora, ouvi ela falar em um tom alto, quase gritando, com a voz embargada.
— EU TENTEI! EU JURO QUE TENTEI. VOCÊ VIU QUE EU PASSEI A SEMANA SEM BEBER, COLOQUEI MINHA ALIMENTAÇÃO EM DIA, FIQUEI MAIS COM A SUA IRMÃ, ME APROXIMEI MAIS DE VOCÊ, TE LEVEI PRA ESCOLA, PRA AULA DE DANÇA, TE BUSQUEI NELA TAMBÉM, ATÉ FIZ UMA FESTA PRA VOCÊ. A SOOAH TINHA DESAPARECIDO DA MINHA MENTE, CHIQUITA! — sua voz já estava rouca, e eu não conseguia mais segurar o choro, minhas lágrimas escorriam sem parar. — ONTEM EU VI A JENNIE TE AJUDANDO NA TAREFA E DO NADA IMAGINEI A SOOAH ALI DO SEU LADO, SORRINDO E TE AJUDANDO NA MATÉRIA PREFERIDA DELA, E QUANDO EU VOLTEI PRO MUNDO REAL, PERCEBI QUE AQUILO ERA APENAS UMA ALUCINAÇÃO, ERA APENAS SAUDADES.
Escutei seus passos se aproximando e, quando percebi, a garrafa de soju já não estava mais em minha mão. Virei-me para ela, vendo-a segurar a garrafa com força.
— ESSA PORRA AQUI FAZ MAL PRA MINHA SAÚDE, MAS SEM ELA, EU TÔ MORTA. QUER FICAR SEM A SUA OUTRA MÃE TAMBÉM?
— SE VOCÊ QUER FALAR GRITANDO, VAMOS FALAR GRITANDO.
Escutei o choro de Ellen perto de nós, por canto de olho, vi Jennie com minha irmã no colo, Mina, Momo, Ahyeon e Chaeyoung.
— FALA, VAI! JOGA NA MINHA CARA QUE NÃO ME QUER AQUI QUE EU SAIO DESSA CASA AGORA MESMO E VOCÊ NÃO TERÁ QUE ATURAR UMA CACHACEIRA DEBAIXO DO MESMO TETO QUE VOCÊ.
— PARA DE FALAR ISSO, LALISA! EU NUNCA DESEJARIA SUA MORTE. VÊ SE CRESCE E ENXERGA QUE TUDO O QUE EU FAÇO É PRO SEU BEM, MAS VOCÊ IGNORA E FINGE QUE NÃO VÊ. PRESTA ATENÇÃO NO QUE VOCÊ SE TORNOU. TÁ ACHANDO QUE É A ÚNICA QUE SOFRE AQUI?
— NÃO, EU SEI QUE VOCÊ SOFRE TAMBÉM. MAS ENTENDA QUE CADA UM TEM O SEU JEITO DE LIDAR COM ESSE SOFRIMENTO. O MEU JEITO É BEBER ATÉ DESMAIAR.
— GRAÇAS A ISSO, VOCÊ PERDEU O CRESCIMENTO DA SUA FILHA MAIS NOVA.
— QUEM FOI QUE DISSE QUE EU QUERIA VER? O CHORO DESSA MERDINHA ECOA NA MINHA MENTE E ME DÁ DOR DE CABEÇA. EU NUNCA VOU AMAR ELA COMO MINHA FILHA, ELA MATOU A SUA MÃE, RI... — interrompi sua fala com um tapa muito forte em seu rosto, fazendo-o virar para o lado com o impacto.
— NÃO FALE ASSIM. ACHA QUE A MINHA MÃE GOSTARIA DE TE VER FALANDO DESSE JEITO DA FILHA QUE ELA TANTO SONHAVA EM TER? DA FILHA QUE ELA PASSAVA NOITES CONVERSANDO QUANDO ELA ERA APENAS UM EMBRIÃO? JÁ VAI FAZER QUASE UM ANO, LALISA. ACEITA QUE A LEE SOOAH, A MINHA MÃE, MORREU! — gritei entre lágrimas, sentindo que minha cabeça explodiria de dor.
Após minha última frase, ela jogou a garrafa com força no chão, ao meu lado, fazendo-me soltar um grito alto. Tremi por inteira quando a vi se aproximar e segurar meus dois braços com força, prendendo-me contra a parede. Aquilo estava acontecendo de novo...
— VOCÊ NÃO SABE A DOR QUE EU SINTO, ENTÃO CALA A SUA BOCA, PORRA!
— Ahyeon, fica aqui, a Lisa está bêbada e fora de si, ela vai te bater, deixe que a gente resolva isso — ouvi Chaeyoung dizer.
— Eu não tô nem aí para essa cachaceira do caralho — após sua fala, vi minha namorada entrar no quarto e puxar o corpo de Lisa para trás. Como ela estava bêbada, caiu no chão facilmente. Ahyeon veio até mim e pousou as mãos em minhas bochechas. — Eu tô aqui agora, meu amor, vai ficar tudo bem, não vou deixar ela encostar um dedo em você, ok? — perguntou, limpando minhas lágrimas. Assenti, recebendo um beijo seu em seguida.
— QUE MERDA É ESSA, RIRACHA? EU POR ACASO DEIXEI VOCÊ NAMORAR? POR QUE NÃO ME FALOU NADA? — vi minha mãe se aproximar, arregalei os olhos, com medo de ela fazer alguma coisa com Ahyeon.
— Deixa que eu resolvo isso — falou e não deixou que eu fizesse nada. Virou-se para minha mãe e a encarou nos olhos. — Sabe por que...
— NÃO TÔ FALANDO COM VOCÊ, EU TÔ FALANDO COM A MINHA FILHA — interrompeu Ahyeon.
— ANTES DE CHAMAR ELA DE FILHA, TRATE-A COMO UMA FILHA, SUA DESGRAÇADA! — gritou, ficando frente a frente com minha mãe. — ELA IA TE CONTAR, MAS VOCÊ SAIU PRA BEBER QUE NEM UMA LOUCA E AINDA TENTOU SE MATAR. VOCÊ TEM OLHOS, LALISA, APRENDE A USÁ-LOS E PELO MENOS TENTA ENXERGAR O ESTRAGO QUE VOCÊ TÁ FAZENDO NA SAÚDE MENTAL DA SUA FILHA, PORRA!
Lisa cerrou o punho, fazendo-me arregalar os olhos.
Momo entrou no quarto junto com Chaeyoung e Jennie, que já não estava com Ellen. Jennie foi até minha mãe e tentou acalmá-la para que ela não batesse em Ahyeon. Chae e Momo nos tiraram de lá e nos levaram para a sala, onde Mina estava sentada no sofá junto com Ellen.
— Vou pegar uma água pra vocês — Mina falou, levantando-se.
Minha cunhada estendeu os braços para pegar Ellen no colo. Ela começou a balançá-la para tentar acalmá-la. Ahyeon me abraçava de lado, enquanto minha cabeça descansava em seu ombro e meus olhos liberavam ainda mais lágrimas. Senti os dedos dela acariciarem a parte do meu braço que minha mãe apertou.
— Vai ficar tudo bem, meu amor.
— Você e Ellen podem dormir na minha casa, se quiser — Chaeyoung sugeriu, e apenas assenti. — Momo, vem aqui rapidinho.
Ambas saíram do local. Alguns segundos após isso, ouvimos o barulho de algo quebrando e minha mãe gritando:
— ME MATA PELO AMOR DE DEUS, JENNIE! EU NÃO AGUENTO MAIS ESSA MERDA. EU QUERO VER A MINHA ESPOSA, PORRA!
Creio que Jennie estava falando com a voz calma, já que não escutei nada do que ela disse para tentar acalmar minha mãe.
Ouvir aquilo causou um aperto tão grande, e percebendo isso, Ahyeon se afastou de mim e me fez olhar para ela. Surpreendi-me quando ela tapou meus ouvidos com suas mãos para eu não escutar a gritaria lá de cima, e sussurrou: "eu não vou deixar ela te machucar novamente, fique calma, estou aqui com você e para te proteger, meu amor". Logo após, deixou um selar demorado em meus lábios, permitindo-me sentir seus lábios molhados e aquele frio na barriga inevitável.
Ela colou nossas testas e permaneceu daquele jeito, ainda tapando meus ouvidos. Eu a amo tanto... Espero que não a perca com o tempo ou que ela não conheça ninguém mais interessante que eu.
Todas as pessoas que querem arregaçar a cara da Lisa, deixem seus nomes aqui!!!
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