018

Point of view: Lalisa Manobal

Ver Jennie ajudando Chiquita a entender a tarefa de matemática foi algo incrível e triste para mim. Por um lado, fiquei feliz em saber que Chiquita estava melhorando sua forma de tratar a Jennie, mas, por outro, foi completamente doloroso. Fiquei tempo demais encarando ambas, e quando percebi, imaginei Sooah ali do lado da minha filha, e aquilo fez aquela bendita dor voltar.

Desde que comecei a me comunicar mais com a Jennie, tenho "esquecido" Sooah. Não a lembrava mais com frequência e nem tinha pensamentos do tipo "voltar a beber". Segundo a Mina, eu havia engordado bastante, já que voltei a comer as refeições nas horas certas. Ela estava orgulhosa de mim. Eu estava orgulhosa de mim, mas pelo visto, este orgulho durou pouco.

Sentada na beira de uma ponte, com uma garrafa de soju na mão, olhando aquele céu estrelado, tão lindo quanto o olhar de Sooah. Costumava dizer que via o mundo em seus olhos, somente as partes bonitas, obviamente.

A brisa fria batia contra meu corpo, arrepiando meus pelos e deixando minha pele gelada, já que não estava com nenhum casaco. Senti as lágrimas escorrerem sem rumo, algumas caindo na minha coxa, outras apenas ficando no meu maxilar ou na minha bochecha.

Por que existe a morte?

Por que as pessoas têm que morrer? Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido.

— Lisa? — escutei a voz de uma idosa ao meu lado, e ao virar-me, vi que era a avó de Sooah. Não tentei disfarçar minha tristeza, pois ela me conhecia bem.

— Oi... — deixei escapar.

— O que faz aqui? Espero que não esteja pensando na minha neta — sorri como resposta, vendo-a se escorar na ponte e olhar as estrelas junto comigo. — Acha que Sooah iria gostar de te ver assim, querida? Aposto que ela preferiria mil vezes ver você seguindo sua vida, do que ficar num luto eterno.

— Como você...

— Chiquita me contou — me interrompeu. — Acha que ela também se afastou de mim assim como você? Não, ela não fez isso. Sempre quando tem tempo vai lá tomar um café comigo, comer um bolinho e assistir um Dorama.

— Sério?

— Sim, sim. Vivo falando de como você e Sooah aprontavam. Lembro-me que no começo eu não aceitava o relacionamento de vocês, então ela fugia pra ir ficar com você — riu, apontando para mim.

Risada de idoso e de bebê para mim são as melhores de se escutar.

Acabei sorrindo, olhando para o céu novamente.

— Ellen é a cara de Sooah, ela ficaria feliz em saber disso... Também sinto sua falta, mas a vida é assim, Lisa. Tudo que nasce, morre, tem que morrer, e se ficarmos nesse luto eterno, Sooah nunca descansará em paz.

Devagar, senti a garrafa de soju ser pega e logo virada para o lago, onde a senhora jogou fora todo o líquido dentro da garrafa.

— Isso aqui acabará com você, querida. Chiquita também me contou o quanto sofre quando você bebe. Lembra que Sooah odiava álcool? Se ela estivesse aqui, você apanharia muito.

— É... Eu sei — sorri, olhando para minhas mãos e vendo meu dedo machucado, pois havia fechado a porta do carro nele sem querer.

— É melhor cuidar desse machucado, não acha? Pode inflamar. Quer ir lá em casa pra eu fazer um curativo?

— Não precisa, senhora Lee, estou bem.

— Bom, só tenha em mente uma coisa, cerveja não é a solução para os seus problemas, não quero te ver assim de novo. Por favor, siga sua vida. Sooah uma vez me disse que preferiria mil vezes que você achasse outra mulher do que vivesse o resto da vida sofrendo pela morte dela. Acho que foi um sinal, já que ela disse isso uma semana antes de falecer.

Não respondi, o soju já estava subindo a cabeça e a única coisa que eu sentia era tontura.

— Saia daí e vá para casa, suas filhas estão esperando por você. Agora eu já vou indo, se cuide, querida, e não enfie as caras na cachaça que nem um macho nojento, você não é um desses pais que só se importam com cerveja — falou e logo saiu, sem muita despedida.

Point of view: Riracha Manobal

— Eu sou meio cega, então fiquem atentas caso eu passe pela Lisa — Momo falou, enquanto dirigia.

Chaeyoung, Ahyeon, Jennie, Momo e eu saímos de casa para procurar minha mãe. Fomos até o meu tio e ela não estava lá. Fomos ao cemitério e não encontramos nenhum sinal dela. Agora estamos andando pelas ruas altas e com pontes, torcendo para não encontrar apenas o seu cadáver.

— Ei — Ahyeon chamou, recebendo meu olhar e logo pegando minha mão. Senti ela acariciar levemente minha pele, oferecendo-me um sorriso gentil e positivo. — Vai dar tudo certo, ok? — sussurrou antes de deixar um selar em minha bochecha. — Vamos pensar positivamente, tudo bem?

Assenti, suspirando pesadamente e voltando a prestar atenção nas ruas. Ahyeon não parou de acariciar minha mão, e ao perceber que eu tremia minha perna, levou sua mão livre até ela e começou a apertá-la levemente, fazendo-me parar de tremê-la.

— Momo, pare o carro! Eu acho que vi a Lalisa — Jennie falou, recebendo a atenção de todas nós.

Momo estacionou no acostamento o mais rápido que pôde, e não demorou para que Jennie abrisse a porta e saísse do carro apressadamente. Fiz o mesmo, sendo acompanhada das meninas.

— MÃE! — gritei ao ver minha mãe deitada no chão, com um corte na testa e uma garrafa de soju. Corri até ela e me agachei, chorando enquanto começava a tocá-la para ver se estava consciente. — Mãe, fala comigo, por favor! — implorei pegando sua mão. — Acorda, mãe!! — minha voz meio rouca e meu choro descontrolado.

O medo de perdê-la me consumiu, Jennie estava ao meu lado, tentando ajudar minha mãe a acordar, mas ela não se mexia, não dava nenhum sinal de que estava viva, e confesso que isso foi o suficiente para que eu achasse que havia perdido-a para sempre.

— Sooah... sai da minha cabeça — murmurou com a voz confusa e arrastada. — Eu só quero ser feliz, porra — começou a chorar, e aquilo para mim foi o fim.

— Ela deve ter caído e batido a testa nessa pedra. Está com sangue, olha — Momo falou, enquanto se aproximava de nós.

— Pra onde vamos levá-la? Pro hospital ou pra casa?

— Não há remédio para gente bêbada, Chaeyoung — Jennie falou e eu concordei. — Vamos levá-la para casa, eu pego um Uber, podem ir no carro.

Não falamos nada, apenas fizemos o que Jennie mandou. Eu ainda tinha a imagem da minha mãe deitada no chão, machucada e cheirando a soju.

[...]

As meninas me ajudaram a colocar minha mãe na banheira. Confesso que nunca me imaginei dando banho na minha própria mãe, mas é isso que está acontecendo. Ela estava com o corpo mole, porém, tinha consciência.

— Por que você é assim, Lalisa? — perguntei, enquanto a ajudava no banho. — Amanhã teremos uma conversa séria.

— Eu tenho medo de você... — murmurou quase como se estivesse falando em uma língua fictícia, pois saiu tudo confuso. — Obrigada por cuidar de mim...

— Não precisa agradecer. Você é minha mãe, nunca vou te deixar sozinha, mesmo que queira. Espero que isso não se repita, dona Lalisa. Você realmente me deixou muito brava.

— Eu te amo, não fique brava comigo — sua voz arrastada junto com sua birra me fez rir. — Prometo que vou ser a melhor mãe do mundo.

— Não prometa nada se não tem certeza se vai conseguir cumprir. As promessas são feitas por pessoas que sempre as quebram, então eu não acredito nisso, mamãe.

— Minha filhinha está crescendo — sorriu. — Eu vou dormir...

— Não, na banheira, não, mãe. MÃE! — a sacudi, mas ela já tinha capotado. Acabei rindo da situação, teria que chamar as meninas para me ajudarem novamente.

Por que as pessoas bêbadas dormem tão rápido?

Não gostei muito do capítulo, mas enfim, é isso. Escrevi com sono, só pra deixar claro, então se ficou ruim, é culpa do sono.

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