014

Point of view: Jennie Kim

— Parabéns, Chiquita! — desejei, sorrindo gentilmente, e pela primeira vez vi aquela garota sorrindo para mim.

— Meninas, sabem a razão da mudança repentina da minha mãe? Ela tá legal, isso me preocupa bastante — falou, arrancando risadas nossas.

— Momo e eu conversamos com ela ontem, talvez tenha sido isso. Fizemos ela ficar na real sobre as filhas maravilhosas que ela tem.

— De qualquer forma, é melhor verificar se ela tá com febre. Hoje ela me abraçou. Me abraçou — Momo apontou para si mesma, falando indignada.

Percebi os olhos desconfiados de Chiquita sobre mim, acabei ficando um pouco desconfortável e ofereci um sorriso, ela não retribuiu, apenas olhou para seu tio que estava se despedindo de sua mãe.

— Vou dar tchau pro meu tio, já volto — observamos a garota sair de perto de nós.

— Por que ela te olhou daquele jeito, Jen? — perguntou Jisoo, franzindo o cenho. Dei de ombros, não sabendo o que responder.

— Inclusive, o que você tá fazendo aqui, Kim Jisoo? A Dahyun é minha namorada, a Jennie trabalha aqui, e você?

— Lisa disse que poderíamos trazer acompanhantes — Chaeyoung falou, encarando Momo com firmeza. Abri um pequeno sorriso e olhei para Dahyun, que estava cutucando Jisoo. — Algum problema, Hirai?

— A barraqueira sou eu, meu amor, baixa a bola — falou e no mesmo instante olhei para minha irmã, pude perceber seu rosto avermelhando de ciúmes e não consegui conter a risada.

Dahyun limpou a garganta, cruzando os braços e recebendo o olhar de todas nós. Seus olhos estavam em Momo, matando-a apenas com isso. Sua namorada engoliu seco enquanto voltava a olhar na cara de Chae.

— Acho que vou tomar um ar, tá calor aqui, né? — perguntou, suando frio e sorrindo nervosa.

— Onde você tá sentindo calor num frio de 9 graus, doida?

— Quer saber onde eu tô sentindo calor? — sorriu maliciosamente, o que fez Dahyun agarrar seus fios curtos e puxar brutalmente para os fundos da mansão. — Aí, aí, aí, aí, desculpa, amor, desculpa — choramingava enquanto era puxada.

Começamos a rir vendo a cena. Dahyun, apesar de parecer uma criança atentada, era muito ciumenta. Momo provavelmente vai apanhar muito mesmo, já que brincou demais com a paciência da minha irmã hoje, e ainda vem e chama a Chaeyoung de amor, o que só piorou.

— Você acha melhor enterrar ela no cemitério ou jogar o corpo no mar? A gente pode enterrar no quintal da casa dela — Jisoo sugeriu, observando o casal pela porta de vidro.

— Acha que ela vai morrer? — perguntou a loira.

— Ah, com certeza. Existe dúvidas sobre isso ainda? — franziu o cenho, olhando para Chaeyoung.

Enquanto conversavam, meus olhos focaram na mesa, onde Chiquita, Lalisa e Ellen se encontravam. Vi Lalisa pegar Ellen no colo e seus olhos brilharem ao encarar o pequeno rosto. Chiquita segurava o choro e eu podia perceber de longe.

Era visível o quanto Lalisa estava se esforçando para ser uma mãe melhor. Desde ontem, nos aproximamos mais e percebi que ela realmente não é tão dura e rude quanto aparenta ser. Senti-me confortável para ser eu mesma perto dela, sem me preocupar com as formalidades nem nada.

Agora é só torcer para que no dia seguinte ela esteja igual hoje e ontem. Suas filhas não merecem uma mãe irresponsável e cachaceira.

[...]

Lalisa foi colocar Chiquita e Ellen para dormir e me pediu para esperá-la. Estou muito feliz em ver a Chiquita sorrindo de orelha a orelha, isso aquece meu coração. Ellen também parecia estar mais feliz no colo de sua mãe, já que eu escutava a gargalhada da pequena de vez em quando.

Enquanto eu terminava de arrumar algumas coisas que estavam jogadas por cima da mesa, senti um arrepio após uma brisa bem fria entrar pela porta dos fundos.

Caminhei até ela, fechando com a chave a porta de vidro. Por ela, observei o céu estrelado e a lua brilhante, iluminando parte do quintal com sua luz chamativa.

— O que está fazendo? — perguntou Lalisa.

Dei um pulo para trás ao escutar sua voz. Senti meu corpo cair levemente para trás quando pisei em uma bola de basquete que estava jogada pela sala. Antes que eu pudesse cair no chão, senti os braços de Lalisa em minhas costas, segurando-me a tempo.

Nossos olhos se encontraram por segundos, e durante essa troca, intercalei meu olhar entre seus olhos, admirando-os com vontade. Podia ter certeza que minhas pupilas dilatavam. Não era segredo nem para mim nem para minhas irmãs que eu havia me apaixonado por Lalisa no teatro, mas eu não pensei que o desejo de receber seu toque seria tão intenso assim.

Enquanto seus braços me envolviam, senti meu coração disparar, não apenas pelo susto, mas também pela proximidade repentina com Lalisa. Nossos rostos estavam tão próximos agora, nossas respirações se misturando no ar, nossos olhos não rompendo aquela troca de olhares. Por um momento, o tempo pareceu congelar, e eu quis continuar em seus braços para sempre.

— Você tá bem? — perguntou, sem mudar a posição, sua voz sussurrando, permanecendo nossa troca de olhar.

— Sim... — minha voz saiu mais como um assopro do que como uma resposta.

— Tem certeza que não torceu o pé quando pisou? Não está doendo? — ao escutar suas palavras, senti a dor em meu tornozelo.

Por um segundo, senti raiva dela por ter tocado nesse assunto, pois até então, eu não sentia dor nenhuma.

Coloquei os pés no chão, mas minhas tentativas de me libertar dos braços de Lalisa foram em vão por conta da dor forte que senti. Surpreendi-me quando ela me pegou no colo, seus braços fortes envolvendo meu corpo frágil.

Sua preocupação era evidente em cada movimento enquanto me levava até o sofá. Cada passo dela era delicado, como se quisesse evitar causar mais desconforto. Enquanto me acomodava no sofá, pude sentir o toque suave de suas mãos, transmitindo conforto e tranquilidade. Seus olhos permaneciam fixos em mim, fazendo-me esquecer momentaneamente a dor física.

É ridículo, mas me senti segura em seus braços, como se todo o peso do mundo tivesse sido retirado de meus ombros.

— Vou pegar um gelo, já volto.

Não demorou para que ela voltasse, entregando-me o gelo para que eu colocasse no meu tornozelo. Ela se sentou ao meu lado. Olhei-a surpresa quando suas mãos envolveram minhas pernas com delicadeza, colocando-as em seu colo.

— Me dê o gelo — fiz o que mandou. Logo ela começou a colocá-lo levemente no meu tornozelo, enquanto eu a encarava surpresa com o ato. — A Chiquita deve ter ido jogar basquete ontem e deixou a bola jogada pela sala, me desculpe por isso.

— Ela joga basquete?

— Sim — sorriu. — Na verdade, jogamos. Foi eu quem a ensinou tudo que sabe hoje. Jogar basquete, jogar videogame, dançar, andar de skate...

— Ela faz tudo isso? — interrompi sua fala, recebendo seu olhar confuso. — Não que eu ache que ela não seja capaz, mas... — arqueeou as sobrancelhas, me deixando nervosa. — É muita coisa pra uma adolescente, não é? — sorri amarelo. — Fico imaginando de onde ela tira tempo pra fazer essas coisas.

— Ela faz aula de dança, anda de skate nas férias quando vamos pra praia, joga basquete normalmente aos domingos ou quando não tem aula e joga videogame quando termina as tarefas. É assim desde os seus cinco anos.

— Uh, então ela é bem experiente, né? — assenti. — Lalisa... você tem algum vídeo dançando?

— Por que quer saber? — perguntou, voltando a se concentrar em cuidar do meu ferimento.

— Me bateu uma curiosidade em ver como dança, sabe? — negou. — Você pode me mostrar algum?

— Não me filmava dançando, então não tenho nenhum — assenti. — Obrigada por me ajudar! Estou me saindo bem com minhas filhas, né?

— Você está se saindo bem com todo mundo. Ainda bem que me escutou e resolveu chamar seu pai, vi o brilho nos olhos de Chiquita ao ver o avô.

— Foi difícil pra mim, mas acho que consigo disfarçar o meu desconforto — ela largou o gelo, começando a fazer uma leve massagem no local, provavelmente tentando saber se eu sentiria muita dor, mas não senti quase nada.

— Você conseguiu muito bem. Fiquei sabendo que abraçou a Momo hoje — falei, sorrindo, vendo-a corar. — Todo mundo está estranhando sua mudança, até eu.

— Por quê? Eu era assim antigamente, não sei porquê elas ficaram tão surpresas.

— Bom, tem muitas razões. Uma delas: você tá fazendo massagem na babá da sua filha — seus olhos arregalados focaram em mim, percebendo o que fazia.

— Desculpa, Jennie! — gaguejou. — Eu não queria ser invasiva — levantou com cuidado para não me machucar. — Você só deu mal jeito, nada sério, mas é melhor repousar por enquanto.

— Por que está tão nervosa? Não disse que estava desconfortável com isso — falei, sorrindo, percebendo suas bochechas coradas.

— É que eu não costumo ser tão aberta e carinhosa com os meus funcionários, ah não ser a Mina, ela é como se fosse minha irmã mais nova.

Pode me tratar como sua namorada, não vou me importar.

— Tá tudo bem, não se preocupe em ser tão formal comigo. Prefiro ter uma relação amigável com você, e não profissional.

Assentiu, mas percebi que suas mãos tremiam um pouco. Ela aparentava ser séria, rude, cruel, mas na verdade, é apenas uma pequena mulher fofa e tímida. Desde ontem percebi que qualquer contato físico que temos, faz ela corar e ficar nervosa. Mesmo tentando me tratar como funcionária, às vezes me tratava como se nos conhecêssemos há anos, e quando percebia, ficava muito nervosa e gaguejava, o que prova que ela é apenas um "neném". Aos meus olhos, ela age como um.

— Se quiser, pode dormir aqui. Já está tarde e bem frio.

— Não precisa, eu pego um táxi — sorri, tentando me levantar, sentindo a dor em meu pé, mas apenas ignorei. Ela se preocupou e estendeu a mão para me ajudar, porém não peguei-as. — Estou bem, não se preocupe.

— Não vai encontrar táxi nesse bairro. Venha, eu te levo até o quarto de hóspedes.

— Não...

— Jennie, eu sou sua chefe, você tem que me obedecer — engrossou a voz. Assenti, encarando no fundo dos seus olhos. — Vem!

Segurei sua mão e ela colocou meu braço atrás de seu pescoço, segurando minha cintura e me guiando até o quarto. Eu conseguia andar, mas o seu toque era tão bom...

— Obrigada! — agradeci enquanto ela me ajudava a sentar na cama. — Acho que a Chiquita não vai gostar de saber que dormi aqui.

— Você vai dormir no quarto de hóspedes, não na minha cama — foi até o guarda-roupa, pegando alguns cobertores. — Ela não tem que dar palpite e nem sentir ciúmes.

— Eu só não quero que vocês briguem de novo.

— Não vamos — afirmou. — Vou pegar uma roupa confortável para você, tudo bem? — assenti, vendo-a sair do quarto.

Suspirei quando estive sozinha, repensando sobre estar agindo assim com a Lalisa. Provavelmente quebrarei meu coração me iludindo com coisas simples. Ela mudou da manhã para tarde, isso é fato, mas não tenho certeza se seus sentimentos também.

Está muito cedo para tentar me aproximar romanticamente dela, então creio que será melhor eu tratá-la como chefe. Além de eu não querer quebrar a cara futuramente, preciso desse emprego e não posso arriscar ser despedida caso ela descubra que sou apaixonada por ela.

Já ajudei no que precisava. Conversei com ela sobre seu emprego, sobre voltar a viver uma vida de verdade, conversei sobre se aproximar de suas filhas, fazer programas para as três saírem juntas, sobre acompanhar Chiquita nas apresentações de dança sempre e sem ser obrigada a ir, sobre dar mais amor e carinho para Ellen, mais atenção para sua filha mais velha... Já fiz ela cair na real sobre se perder no mundo da cachaça, então agora esperarei até que ela tome uma iniciativa quanto a nós, e se isso acontecer vou ficar muito feliz, mas se não acontecer, continuarei vivendo.

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