005
Point of view: Park Ahyeon
A Chiquita não me atende nem responde às minhas mensagens, e isso está me deixando muito preocupada. A última vez que conversamos foi para que eu pudesse acalmá-la, já que sua irmã está no hospital. Já tentei todas as formas de contato, até liguei para Lisa, mas nada. Nada. Nenhuma resposta.
Escutei a porta de casa ser aberta, na esperança de que fosse minha irmã, corri para lá, encontrando-a com um semblante preocupado, assim como eu.
— Você tem notícias da Ellen? A Chiquita não me atende nem me responde. A Lisa piorou, se bobear ela nem olha o celular — a segui até a cozinha.
— Calma, Ahyeon, eu passei lá no hospital para levar algo pra Chiquita comer — observei-a colocar um bolo de laranja na mesa — e elas estão esperando o resultado do exame. Fique tranquila — ela virou para mim -, as três estão melhores. Parece que foi só um susto.
— E por que a Chiquita não me atendeu? Você perguntou a ela?
Chaeyoung esticou levemente os lábios, pousando sua mão na minha bochecha e fazendo-me aliviar minha expressão preocupada. Senti seu polegar acariciar minha pele lentamente, enquanto seus olhos estavam sobre os meus.
— O celular dela descarregou — ela afirmou, me deixando mais tranquila. — Estou orgulhosa de você, resolveu me escutar em vez de escutar a mamãe.
— É, depois de quase perder a única pessoa da minha idade que presta, eu finalmente aceitei que o amor entre mulheres é algo normal — falei, afastando-me dela e indo até a geladeira.
— Estão namorando?
— Decidimos continuar só na amizade. Concordamos que ainda está muito cedo pra um relacionamento amoroso, sem contar que na escola é proibido — peguei uma garrafa de leite e um copo, voltando para a mesa. — Pega o achocolatado, por favor — pedi, e ela logo pegou.
— Que bom que não se afastaram, e se tudo der certo e o destino realmente for legal, vocês ainda vão casar — ela se sentou na cadeira em minha frente, começando a partir o bolo. — O cuidado e amor que vocês têm uma com a outra é lindo, espero um dia encontrar alguém assim.
— Você vai me buscar hoje? — ela assentiu, comendo um pedaço do bolo e me olhando. — Pode me levar na casa da Chiquita?
— Claro. Vou aproveitar e ter uma conversa com a Lisa. Come logo, senão vai se atrasar.
Point of view: Lalisa Manobal
Chegamos em casa por volta das oito e descobrimos que a Ellen só estava com uma gripe. O médico passou alguns remédios, que já compramos. Mas ele também deixou claro que se ela tivesse mais febres com frequência, poderia ser asma, então qualquer coisa suspeita que ela sentisse, era para levarmos ao hospital.
Chiquita entrou na casa, segurando Ellen acordada em seu colo, com um semblante acabado. Eu sabia que ela estava cansada, mas não pude deixar de encará-la por um tempo, vendo-a balançar sua irmã de um lado para o outro, tentando fazê-la dormir. Aproximei-me delas, esticando meus braços para pegar Ellen, o que foi algo inacreditável para Chiquita.
— Pode ir descansar. Vou ligar pra sua escola e avisar o porquê da sua ausência. Você já fez muito hoje. Vai dormir, eu fico com a Ellen. Não se esqueça de avisar à Ahyeon que está tudo bem.
— Tem certeza? Eu posso ficar com ela sem problemas algum — seus olhos exibiam preocupação, enquanto ainda receava deixá-la comigo.
— Eu sou a mãe, meu dever é cuidar dela. Pode ir, confia em mim. Descanse bastante, quando acordar podemos sair para comer alguma coisa.
— Mãe, você está bem? — ela arqueou a sobrancelha, ainda sem me entregar Ellen, o que estava me deixando irritada.
— Riracha, eu sei que é difícil acreditar que estou pedindo para ficar com ela, mas sabe o que aconteceu com ela hoje? Aconteceu o mesmo com você, eu quase te perdi. Então, por favor, vai descansar e deixa que eu cuido dela.
— Se ela começar a chorar, pegue alguma roupa minha e dê pra ela. Meu cheiro a acalma — recebi a criança em meus braços enquanto Chiquita falava. — Não coloque mais de duas colheres de leite em pó, aquela mamadeira é pequena.
— Eu já entendi. Já tive uma filha antes dela.
— Desculpa! — ela ficou meio sem jeito. — É... Eu vou subir. Cuidado com ela, por favor. Não se esqueça que bebês precisam de três vezes mais atenção.
— Pode deixar — sorri, vendo-a se afastar contra a sua vontade, já que olhava para trás a cada segundo. — Filha — a chamei e ela parou, mas não olhou para mim. Aproximei-me dela e fiquei em sua frente, encarando seu rosto por um bom tempo. — Durma bem, eu te amo — com uma mão, puxei sua cabeça para perto e assim deixei um selar demorado no topo de sua cabeça.
Ao afastar-me, percebi seus olhos cheios de lágrimas e seu semblante surpreso. Não consegui evitar de sorrir ao vê-la emocionada com simples palavras que significaram muito para ela. Uma lágrima escorreu pela sua bochecha, caindo em seu lábio inferior, já que ela estava boquiaberta. Surpreendi-me quando seus braços envolveram minha cintura e sua cabeça pousou em meu ombro. Senti meus olhos umedecerem com aquilo e uma dor emocional me atingir fortemente.
Ela ameaçou me soltar ao perceber que eu não retribuí o abraço, mas antes que ela pudesse se afastar, com meu braço livre a puxei novamente, deixando-a surpresa, mas logo retribuindo aquele ato significativo para nós. Minha mão em sua nuca acariciava seus fios negros, adentrando com meus dedos entre eles, permitindo-lhe sentir o carinho que tanto desejava.
— Eu também te amo, mamãe... — sua voz estava embargada, e aquilo me deixou emocionada demais. Dei-lhe mais um selar antes de me afastar, limpando um vestígio de lágrima que traçava caminhos molhados em sua bochecha carnuda, assim como a minha. — Obrigada por isso!
— Isso o quê?
— Por retribuir o meu abraço. Faça isso mais vezes, eu preciso disso todos os dias, só não tenho coragem de pedir — uma lágrima solitária escorreu de seu lindo olho, caindo no chão.
Fiquei em silêncio, não sabendo o que dizer, me culpando internamente por não pensar na minha filha. Ela sorriu falsamente e saiu, subindo as escadas em direção ao seu quarto.
Fui até o sofá e me sentei, observando o pequeno porta-retrato que tinha na sala. Eu, Chiquita e Sooah estávamos felizes naquela época, lembro-me que foi a primeira vez de Chiquita na praia, nunca me esquecerei do brilho em seu olhar ao ver o mar.
— Me sinto uma péssima mãe. Eu sou uma péssima mãe, né? — perguntei, olhando para Ellen, acabei sorrindo ao reparar que ela comia uma mecha do meu cabelo. — Por que você tem que ficar tão parecida com a Sooah? — ela murmurou em resposta. — Ela estava tão ansiosa para te conhecer...
E novamente, aquela dor me atingiu com brutalidade, as lembranças de nossas brigas bestas consumiram a minha mente como sempre, e normalmente, quando isso acontece, eu bebo, bebo até não saber meu nome, mas não vou fazer isso. Tentarei mudar a partir de agora, minhas filhas não merecem uma mãe cachaceira que está pouco se fodendo para vida.
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