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Point of view: Riracha Manobal

Acordei no meio da noite com um barulho irritante, mas ao qual já estava acostumada. Levantei-me meio tonta e sonolenta, caminhando em passos lentos até o quarto da minha mãe, onde estava o berço da minha irmã mais nova, Ellen. Abri a porta com cuidado, aproximando-me de seu berço e já escutando o choro ficar mais alto, devido à proximidade.

— A maninha tá aqui, fica tranquila, bebê — sussurrei, pegando-a no colo, começando a afagar levemente suas costas enquanto a balançava um pouco, dando um leve selar em sua bochecha antes de sair do quarto da minha mãe, deixando-a dormir tranquilamente.

Desci as escadas, caminhando até a cozinha para fazer seu leite e tentar fazê-la dormir novamente. Acendi a luz e fui preparar o que eu queria enquanto a tinha no meu colo, observando tudo o que eu fazia com atenção.

Não é a primeira vez que isso acontece, sempre tenho que acalmá-la no meio da noite, pois a mesma coisa se repete desde que ela nasceu: minha mãe bebe a noite inteira, cai na cama que nem uma pedra e hiberna até meio dia. Eu praticamente sou a mãe da Ellen, pois faço tudo que minha mãe deveria fazer.

— Dada — ela falava, com sua voz manhosa, enquanto pegava uma mecha do meu cabelo e colocava em sua boca. Minha mãe não acompanhou Ellen falando 'dada' pela primeira vez, e imagino que ela nem saiba disso.

— Por que você sempre acorda no meio da noite, precisa descansar para bagunçar o dia inteiro, sabia? — perguntei, enquanto esperava o leite esquentar, tendo seus grunhidos como resposta. Ela não estava ligando para o que eu falava, apenas queria comer meu cabelo. — Isso não é comida, Ellen!

— Dada — ela disse, exibindo um sorriso com alguns dentinhos de leite começando a aparecer, esteticamente lindo e perfeito.

— Não tem como ficar brava com você — afirmei, deixando um selar longo em sua bochecha, recebendo uma risada perfeita e gostosa de ouvir.

Peguei seu leite e subi para o meu quarto, com o objetivo de fazê-la pegar no sono, o que não era difícil, pois apenas deixá-la agarrada ao meu pijama, sentindo o meu cheiro, a fazia dormir tranquilamente. Fechei a porta do meu quarto e deitei-me em minha cama, ajudando-a a beber seu leite. Enquanto isso, recebi uma notificação em meu celular, vendo que era da minha melhor amiga, Ahyeon. Ela me mandou um meme no Instagram, o que não era muita novidade para mim.

Digitei com uma mão: "Ainda não foi dormir? Está tarde." Aguardei até que ela respondesse, e me surpreendi ao receber uma ligação de seu número, mas não hesitei em atender.

— Oi, Ahyeon... — falei, com a voz sonolenta o suficiente para que ela percebesse.

— A Ellen acordou no meio da noite de novo?

— É...

— E sua mãe, ela não está aí? É o dever dela cuidar da Ellen, já que é a mãe dela.

— O quarto dela fede a cachaça, acha mesmo que vai acordar no meio da noite pra cuidar da filha que ela olha com desgosto? — falei com minha voz rouca, demonstrando minha irritação com a pergunta tola.

— Desculpa...

— Foi mal, enfim, por que está acordada às quatro da manhã? Pelo o que eu te conheço, era pra estar no seu décimo sono.

— Meus vizinhos estão no quebra—quebra de novo. Não aguento mais, escuta só — ela parou de falar, permitindo que eu ouvisse barulhos como se fossem palmas e gemidos altos. — Nunca mais vou morar em apartamento, cruzes — sua garganta emitiu um som de nojo, o que me fez rir.

— Por que não vem dormir aqui? Claro, se sua mãe deixar. Acho que seria melhor do que ficar aí sozinha durante a noite.

A mãe dela era médica e o pai morava em outra cidade, sua irmã, Chaeyoung, tinha sua própria casa, o que resultava na Ahyeon ficando sozinha a noite inteira, exceto pelos dias em que sua mãe não está de plantão.

— Vou ver com ela, espero que deixe. Não aguento mais esse inferno de apartamento — ela soltou um grito, arrancando um sorriso de mim. — Enfim, vou te deixar descansar, amanhã nos vemos, boa noite!

— Não precisa. Eu perdi o sono depois que a Ellen acordou, a não ser que você queira dormir, aí você...

— Dormir com esses gansos em cima de mim? Não rola, não, meu amor — sua voz tinha um tom de deboche, o que tornou sua fala ainda mais engraçada.

— Você é tão idiota — eu ri.

A verdade é que nós já confessamos nossos sentimentos uma para outra, mas decidimos continuar apenas com a amizade, pois além de não querer estragá-la, ainda somos muito novas para tentar o amor. Sem contar que normalmente temos rotinas muito diferentes, só nos vemos na escola e olhe lá, já que ela está em uma sala diferente da minha.

Passamos o resto da noite conversando, nem percebi quando Ellen dormiu, suas pequenas mãos segurando a blusa do meu pijama, enquanto seu nariz inalava o cheiro agradável do amaciante. Acabei dormindo no meio da ligação enquanto ouvia Ahyeon falar alegremente do livro que estava lendo, e então só acordei quando um choro manhoso invadiu os meus ouvidos.

Alcancei meu celular para ver o horário e percebi que já passava das duas da tarde. Levantei-me sem pressa, pegando Ellen no colo e indo verificar se minha mãe havia acordado. Eu precisava fazer minha higiene pessoal, e não dava para fazer com a minha irmã no meu colo.

Dirigi-me ao quarto da minha mãe, não encontrando ninguém lá. Decidi então descer até a sala, onde vi Momo e Chaeyoung sentadas no sofá, assistindo algo na televisão. Aproximei-me delas enquanto ainda estavam distraídas e, ao perceberem minha presença, deram um pulo e soltaram um grito fino, o que me fez rir da reação delas.

— Bom dia para vocês também! Cadê minha mãe? Preciso que ela fique com a Ellen enquanto eu escovo os dentes.

— Saiu — respondeu Momo, voltando a prestar atenção no filme.

— O quê? Como assim, pra onde ela foi? — perguntei, surpresa, ansiosa pela resposta.

— A gente também não entendeu. Assim que chegamos, ela falou que iria sair pra comprar cerveja e que não tinha hora pra voltar. Isso faz umas três horas, mais ou menos — explicou Chaeyoung, encarando-me com uma expressão preocupada.

Desde que minha mãe Sooah morreu, Lisa nunca saiu de casa sem ser obrigada. E quando saía, era no máximo por uma hora e meia. As cervejas nunca foram desculpas, pois nossos empregados sempre recebiam ordens para repor o estoque assim que estivesse acabando. Ou seja, algo muito estranho estava acontecendo.

— Tentaram ligar para ela?

— Sim, mas ela desligou aquele maldito celular. Não atende por nada, sempre cai na caixa postal.

— Por que você não tenta? — sugeriu Momo. — A gente fica com a Ellen, relaxa — sorri em forma de agradecimento, entregando a bebê para Chaeyoung, já que eu não confiava minha vida nas mãos de Momo, quem dirá a de minha irmã.

Subi correndo até meu quarto, em busca do meu celular que havia ficado em cima da cama. Rolei a tela até encontrar o número da minha mãe e comecei a ligar sem parar, mas sempre caía na caixa postal. Que ódio!

— Onde você foi, mãe? — perguntei em voz alta, observando sua foto de perfil e seu último visto, que havia sido antes das oito da manhã.

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