Capítulo 9
(ouvir a música com este começo de capítulo dá um toque demasiado cómico à coisa. peço desculpa)
- Eu quero respostas. – ordenei, assim que a porta do apartamento foi fechada.
- Asher! – Mia repreendeu-me, mas eu ignorei-a. – Eu sei que estás preocupado, mas o Declan está claramente com fome e precisa de descansar. Ele vai ficar onde?
Ficar. Só naquele momento percebi que as malas de viagem eram do meu irmão e que ele as tinha levado até ao meu apartamento porque planeava ficar connosco. Porque é que ele precisava de ficar numa cidade diferente? Ele tinha dezasseis anos, eu não poderia cuidar dele a esse ponto. Ele tinha que ir às aulas e acabar o secundário e ainda faltavam anos para isso acontecer. O meu cérebro começou a pensar em todas as opções possíveis e não cheguei a conclusão alguma. Mia percebeu que a minha respiração ficou mais pesada e obrigou-me a sentar-me no sofá, ao lado do meu irmão, e prometeu ir à cozinha buscar gelo para as feridas que Declan tinha no corpo.
- Asher? – olhei para o meu irmão, tão parecido comigo com exceção do azul dos seus olhos, que herdara do nosso pai, mas não disse nada. – Eles expulsaram-me.
- Eles...eles o quê? – sentei-me direito no sofá, sentindo raiva a trespassar todo o meu corpo. – Eles não podem fazer isso, tu és menor. Isso é negligência. – Declan encolheu os ombros. – Como é que isso aconteceu? – apontei para as suas feridas. – Não foram... - a única reação do meu irmão foi baixar a cabeça. – O pai?
Declan limitou-se a assentir e eu paralisei. Pela minha visão periférica, vi Mia parada à entrada da sala, também completamente paralisada com o que tinha acabado de ouvir. As minhas mãos começaram a tremer com a raiva que sentia. Eu sabia que os meus pais não iriam aceitar a revelação de Declan, mas nunca pensei que chegassem ao ponto de expulsar o filho de dezasseis anos de casa depois de lhe baterem. Não conseguia associar os pais carinhosos que conhecia às ações que devastaram o meu irmão, mas essa não era a minha preocupação. Declan tinha sido traído pelos pais e agora não tinha ninguém, para além do irmão mais velho que não o conseguia sustentar e os seus amigos. Ele tinha dezasseis anos.
- Não disse nada durante estes dias porque liguei à avó. Ela disse-me para eu vir para aqui durante uns dias para que ela conseguisse preparar a casa para mim. Ontem estive todo o dia a arrumar as coisas, enquanto os pais estavam no trabalho, e depois dormi em casa da Mary. – explicou-me tudo e eu limitei-me a olhar especado para o meu irmão mais novo.
Com dezasseis anos, depois de ter passado por tudo aquilo, ele conseguia olhar-me nos olhos e dizer-me tudo o que iria fazer como se já tivesse aceitado tudo. Contava-me o seu plano de forma tão madura que eu não o associei à sua idade. Sendo mais velho e querendo protegê-lo, sempre o imaginei como mais novo do que realmente era mas, naquele momento, não conseguia fazê-lo. Declan tinha dezasseis anos, mas depois de ter sido expulso de casa pelos pais, arranjou uma solução no espaço de um dia. A nossa avó materna que, apesar da filha aparentemente cruel que tinha, o acolheu com os seus braços. Permiti-me relaxar por um pouco, tentando fazer sentido do que estava a ouvir.
- E a escola? – questionei, sabendo que esse era um grande obstáculo.
- A avó disse que trataria de tudo. Ela estava tão irritada, Asher, devias tê-la ouvido. Acho que se ela me visse assim, explodiria.
- Com razão. – revirei os olhos, para conter a raiva. – O pai bateu-te, Declan. Não, ele não só te bateu, como te torturou e te expulsou de casa como se fosses um animal selvagem. Isso não se faz a um filho! – gritei e percebi que o meu irmão estremeceu.
- Ei. Calma. – Mia finalmente apareceu à minha frente, lançando-me um olhar sério. – Tens aqui gelo, Declan, onde te dói mais? – o meu irmão apontou para a zona da sobrancelha, que estava inchada. – Não sei se não vai ser preciso irmos a um hospital...
- Irmos? – questionou Declan, olhando para Mia, divertido.
- Claro! – exclamou a rapariga, soltando um sorriso. – Achas que eu vos ia deixar? Agora é que o Asher se vai fartar de mim. Não te vou largar.
- Obrigado. – agradeceu o mais novo, sorrindo-lhe suavemente. – Ainda bem que o Asher te tem aqui.
- Também acho. – revirei os olhos, bufando. Mia riu, entregando-me uma chávena com chá, do tabuleiro que tinha pousado na mesa de café. Para o Declan, tirou um prato com uma sandes e um copo de sumo de laranja. – Espero que gostes disto.
- Está ótimo, obrigado.
Observei a forma como os olhos negros de Mia brilhavam ao cuidar do meu irmão e apanhei-me a sorrir. Tentei não desviar o olhar quando os nossos se encontraram e ela me apanhou em flagrante, lançando depois um sorriso maior. Revirei os olhos mas bebi do meu chá, respirando fundo ao sentir o líquido quente na minha garganta. Se a Mia não estivesse connosco, eu já teria ligado aos meus pais e requerido explicações, mas ela estava a manter-me calmo. Não podia ser tão instintivo, tinha que pensar no que lhes iria dizer. Se lhes ligasse naquele momento, iria gritar com eles e insultá-los de todas as formas. Não que não o fosse fazer depois, mas se me acalmasse seria mais subtil.
Mia e Declan tornaram-se amigos rapidamente, na verdade, tal como eu imaginei que aconteceria. Eles tinham personalidades parecidas, cativantes, portanto era só natural que acabassem a gostar um do outro, apesar da diferença de idades. Tanto Mia como Declan eram incrivelmente simpáticos, menos para mim, e aparentemente tinham algumas coisas em comum. Ao ouvi-los conversar, bebendo o meu chá, tentei esquecer por momentos o porquê de o meu irmão estar em minha casa e de Mia estar a falar com ele, e imaginei que apenas os tinha apresentado porque ambos eram pessoas com um grande papel na minha vida. A influência que Mia tinha em mim estava a tornar-se ridícula. Como é que eu conseguia estar tão calmo?
- Queres mais chá, Asher? Acho que ainda deixei um bocadinho na cozinha. – olhei-a atentamente, tentando interpretar as suas palavras, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
- Não, obrigado. – ela assentiu, voltando a preocupar-se com as feridas do meu irmão.
- Vamos precisar de desinfetar isto. Asher? – olhei para ela. – Tens alguma caixa de primeiros-socorros ou algo do género? – assenti e apontei para a casa de banho. Percebi que a estava a frustrar, mas tinha medo de ser rude para ela.
- Vais ficar no meu quarto. – anunciei ao meu irmão, quando ficámos sozinhos. Ele abriu a boca para refutar, mas eu não deixei. – Eu durmo no sofá. Não vamos discutir isto.
- Eu não vim para aqui para tu estares desconfortável.
- Vieste para cá para eu cuidar de ti e é isso que eu vou fazer. – disse apenas e observei a forma como a expressão do meu irmão mais novo suavizou. – És meu irmão e apesar da péssima desculpa para pais que temos, eu não sou como eles.
- Eu sei que não. És melhor. – sorriu-me, a medo, e eu suspirei. – Obrigado, Asher.
- Não agradeças, idiota. Nunca agradeças a ninguém por fazerem o que é suposto.
- És o melhor. – por momentos, pensei que tivesse sido o meu irmão a falar, mas a voz era demasiado suave e feminina para ter sido. Virei-me para Mia, que me sorria com um brilho incrível no olhar.
Encolhi os ombros, não respondendo. Mia apareceu à nossa frente mais uma vez e pediu ao meu irmão para tirar a t-shirt que ele tinha vestida. Fechei os olhos para tentar controlar a raiva quando vi todas as nódoas negras que o meu pai tinha causado no meu irmão. Eu sabia que Declan não estava a contar pormenores e por enquanto não iria pedi-los, mas não conseguia entender que tipo de pais faria aquilo a um filho. Pais que toda a minha vida tinham sido carinhosos, nunca tinham deixado que nos faltasse nada, e nunca nos tinham maltratado. No entanto, assim que um dos seus filhos admitiu ser algo que eles não entendiam, todo o laço familiar que os ligava a Declan foi esquecido. Como é que era possível?
De vez em quando, Declan fazia expressões que mostravam claramente a sua dor, mas Mia mandava-lo calar, o que me fazia rir. Ela não o fazia de maneira rude, como talvez eu o faria se fosse eu no lugar dela. Ele respirava rápido sempre que algo lhe causava dor e, consequentemente, eu sentia a sua dor. A raiva crescia em mim a cada vez que ele estremecia e que Mia parecia quase chorar ao tentar ajudar o meu irmão. Não queria ver nenhum dos dois naquele estado. Saber que os meus pais eram os culpados daquilo causava uma raiva descomunal dentro de mim. As minhas mãos tremiam e eu fechei-as em punhos, respirando fundo contando até dez. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, novo, dez. Naquele momento, odiei os meus pais e, sinceramente, tinha quase a certeza de que tão cedo não iria deixar de os odiar.
- Acho que por agora está tudo. Vai pondo gelo na cabeça, isso ainda está bastante inchado. – aconselhou Mia, com voz fraca. – Estou a precisar de ouvir música, estou demasiado deprimida.
- Desculpa. – Mia revirou os olhos para o pedido do meu irmão e pegou no seu telemóvel. – Que música vais pôr?
- Oh, não. – comentei, abrindo finalmente os olhos. – Por favor, não ponhas Justin Bieber outra vez.
- Por quem me tomas, Asher Miller?
Mia ligou o telemóvel às colunas que Miles tinha comprado para o nosso apartamento e sorriu. Segundos depois, a batida inicial de uma música das The Pussycat Dolls estava a ecoar pelo apartamento. Quase grunhi para ela, mas o meu irmão achou incrivelmente engraçado, portanto não tive coragem de reclamar com ela. Ela sorriu para mim, colocando a língua de fora, e eu revirei os olhos. Começou a cantar com o ritmo perfeito, quase nunca se enganando na letra. A certa altura, puxou o meu irmão do sofá e obrigou-o a dançar com ela. Deke foi praticamente obrigado a rir alto, porque ela estava a obrigá-lo a rodopiar como se não fosse quase vinte centímetros mais baixa que ele. Com dezasseis, ele já era incrivelmente alto. Quase do meu tamanho.
- Deves achar-te muito melhor que nós para não estares a dançar, Asher. – limitei-me a levantar uma sobrancelha e ela revirou os olhos. Segundos depois, a porta abriu-se e Jake e Miles entraram.
Antes que eles pudessem notar nas feridas de Declan e que era ele que estava aqui, Mia tinha corrido até eles e puxado os seus braços consigo, para dançarem também. Jake olhou para Deke e semicerrou os olhos, mas foi interrompido pelo riso alto de Miles, quando Mia falhou miseravelmente na sua tentativa de o fazer rodopiar também. Todos os rapazes estavam completamente presos na forma como Mia era cativante e eu apanhei-me a sorrir, ainda sentado no sofá com os braços cruzados. Ela berrava a letra e, a certa altura, o casal e o meu irmão juntaram-se a ela.
- When I grow up, I wanna be famous, I wanna be a star, I wanna be in movies. – gritaram em coro, fazendo-me rir alto. – When I grow up, I wanna see the world, drive nice cars, I wanna have groupies.
- Vocês são vergonhosos. Não vos conheço. – Mia aproximou-se de mim e eu sabia que ela estava a planear tentar puxar-me para fora do meu sofá, mas tropeçou na carpete e acabou a cair em cima de mim. Soltei uma gargalhada, segurando-a facilmente nos meus braços. – És terrível. Ainda te magoas a sério.
- E tu és o melhor porque não deixas que eu o faça. – sorriu-me e eu senti-me corar, mas ela não aparentou notar.
A música terminou ao seu tempo e coube a Declan retirar o telemóvel de Mia das colunas. Quando confrontados com o silêncio, tanto Miles como Jake se focaram no meu irmão mais novo. Observaram todo o seu corpo, analisando cada detalhe, desde à forma como ele estava seminu por ter estado a colocar gelo nas nódoas negras, à forma como a sua cara estava inchada e cheia de feridas. No entanto, eu sabia que nada do que eles pudessem pensar iria chegar sequer perto do que tinha acontecido na realidade. Porquê? Porque Jake conhecia os meus pais quase tão bem como eu e nem eu tinha previsto aquilo.
- O que porra aconteceu, Deke? – perguntou Jake.
pronto, aqui está...a verdadeira história por dentro da Cair e Levantar. apesar de o Asher e a Mia serem os meus bebés (como se não fosse mais velhos que eu né) e eu os adorar e à sua história, a mensagem que eu quero mesmo passar tem a ver com o Declan e a maneira que eu arranjei de a contar foi através do Asher, O Melhor Irmão Mais Velho de Todo o Universo.
embora o capítulo tenha sido um bocadinho mais triste que o costume - dói-me o coração a imaginar o meu Declan a sofrer e ele nem é real -, espero que o carisma da Mia tinha ajudado a recuperar o ambiente. Pussycat dolls nunca falham am i right? a mia diz que estou
espero que tenham gostado!! eu cá deveria estar a estudar neste momento mas pensei epá se não estou a ser produtiva mais vale publicar mais um capítulo e pronto, foi isso
agora estou no youtube a ouvir a don't cha porque entretanto a música já avançou e estes malditos algoritmos sabem que eu não quero parar de ouvir esta banda......
btw, muito obrigada por continuarem a ler <3 somos muito pouquinhos nesta história mas eu não quero saber, espero que esses pouquinhos estejam a aproveitar porque é isso que é preciso!! já lá vai o tempo em que eu reclamava por não ter votos/comentários/leituras...tenho vindo a perceber que a popularidade é diretamente inversa à qualidade das minhas coisas lmaooo
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