Capítulo 3


- Como é que não consegues perceber isto?

- Asher, nem toda a gente é tão magicamente inteligente quanto tu. Ajuda-me sem seres um idiota. – revirei os olhos e voltei a reler o parágrafo que Jake não estava a entender.

Estávamos há duas horas na mesma explanada, a ler o mesmo artigo, para eu explicar sempre as mesmas coisas. Jake não tinha dificuldades, aliás, era praticamente o contrário disso. A verdade é que, naquele dia, nenhum de nós os dois estava muito focado. No dia anterior, Mia não tinha aparecido nas aulas e era sábado, portanto nada me garantia que a fosse ver outra vez. Eu não tinha necessidade de a ver, não era isso, mas aquela ferida no seu braço estava a preocupar-me.

Suspirei e voltei a tentar explicar o que estava explícito no artigo a Jake. Não sabia o que se passava com ele, mas sabia que haveria de estar relacionado com o facto de o seu namorado ontem ter ido a uma festa qualquer e ainda não lhe ter dito nada. Procurei não aterrorizar muito o meu amigo com isso, mas eu achava que a situação era normal. Pobre rapaz, devia estar a sofrer de uma ressaca enorme, nem se lembrou de falar com o seu namorado. Sorri ao meu amigo, com uma expressão divertida, mas ele limitou-se a dar-me um murro no braço e obrigar-me a focar-me no trabalho em mãos.

- Eu não sou o único dos dois que não está concentrado. Asher...conta coisas.

Ri com a expressão. Conta coisas era aquilo que, desde os nossos doze ou treze anos, dizíamos um ao outro quando desconfiávamos que o outro não nos estava a contar algo. A primeira pessoa que nos disse isso foi o pai de Jake e ficou como a nossa coisa. Mas, a verdade, é que eu não tinha coisas para contar. Não estava pronto para lhe falar de Mia, porque sabia o que iria acontecer. Jake iria exagerar tudo o que eu lhe dissesse e achar que eu já estava apaixonado pela rapariga – era o que ele fazia, essa era a sua coisa. A minha era rir-me da cara dele sempre que ele me aparecia com problemas amorosos, algo que já não acontecia tão frequentemente no último ano, desde que Miles apareceu e me roubou do prazer de ver o meu melhor amigo sofrer.

- Não há coisas para contar. Agora, presta atenção que eu só vou repetir isto mais uma vez. – ele semicerrou os olhos mas deixou-me desviar o assunto, até porque ele precisava mais da explicação que eu.

Dez minutos depois, ele já tinha percebido todo o documento, mas eu certifiquei-me de ele apontou tudo para que dali a algumas horas, quando ele já se tivesse esquecido de tudo, não me fosse chatear mais uma vez. Pedi mais um chá ao empregado, quando ele veio limpar a nossa mesa, e Jake pediu um café. Sorrimos educadamente e contei até dez na minha cabeça, até que o meu amigo decidisse voltar a si mesmo a chatear-me com o assunto que tínhamos abandonado por alguns minutos.

- De certeza que não há coisas para contar?

- Sim.

- Então porque é que aquela rapariga está a olhar tão fixamente para ti?

Olhei para ele com uma expressão confusa, até ele forçar a minha cara a virar-se. Por dois segundos, pensei que fosse a Mia, mas algo na rapariga que estava a olhar para mim estava diferente. Tentei pensar o que era, até encontrar os olhos da pessoa em questão e ser confrontado com uma cor clara que, devido à distância entre nós, me parecia avelã. Não era a Mia, de certeza, mas em tudo o resto ambas eram iguais. Até que olhei um pouco mais para a esquerda e a vi. Ri com a ironia da confusão de Jake, porque ele de certeza que iria pensar que a desconhecida assustadoramente parecida com a Mia era a coisa que eu não queria contar. Mal ele sabia.

Ao lado da desconhecida, estava a Mia. Os seus cabelos compridos baloiçavam graças ao vento e à forma como ela abanava a cabeça ao ouvir música a partir de uns auriculares enormes e brilhantes que me ofuscavam. E eu estava longe. Ambas estavam sentadas na fonte grande no centro da praça onde nos encontrávamos e eu revirei os olhos, voltando a focar-me no meu melhor amigo. Grande erro, porque ele notou que eu perdi mais tempo a observar a "outra" rapariga que aquela que ele notou primeiro. Entretanto, antes que ele pudesse falar, foi interrompido pela chegada do empregado do café que colocou os nossos pedidos na mesa e recebeu o nosso dinheiro.

- Não! – apontei a colher que vinha com a minha chávena à cara dele. – Não vais fazer nada. Vais ficar sentado, beber o teu café e ficar calado.

- Isso não é fazer nada. – infantilmente, colocou a língua de fora, e eu respirei fundo. Devia apresentá-lo à Mia, ela ia adorá-lo. – Quem são?

- Não sei. – encolheu os ombros, tentando ser convincente com a minha meia mentira. (Não fui.) – Só conheço uma delas, partilhamos algumas aulas.

- Como se chama?

- Mia. – voltei a encolher os ombros, bebendo mais um pouco do meu chá. Ele continuou a olhar para mim, fixamente. – Queres que eu diga o quê? Falámos pela primeira vez há dois ou três dias e nessa primeira vez ela atirou uma caneta à minha cara. Não fiquei com boa impressão.

- Hm. Achas que eu vou acreditar que essa primeira impressão não mudou já?

- O Miles respondeu. – apontei para o telemóvel do meu amigo, cujo ecrã agora estava iluminado por uma notificação. Jake murmurou sons de irritação, mas pegou no dispositivo de qualquer maneira. – Ganhei. – coloquei a língua de fora, rindo, antes de beber um pouco mais do meu chá.

Inconscientemente, olhei para o sítio onde as raparigas tinham estado sentadas. Tentei não ficar desiludido quando perceber que elas já não lá estavam e que fui distraído pelo chato do meu melhor amigo. No entanto, a voz que tem ficado presa no meu cérebro nos últimos dias voltou a arranjar maneira até aos meus ouvidos mas, daquela vez, com uma música que conseguiu fazer-me não controlar o meu riso.

- Tight jeans, double D's, making me go... - o melhor de tudo foi que ela assobiou tal como na música, e conseguiu fazê-lo na perfeição. – All the people in the street... Asher!

- Olá, Mia. – com o som do nome que tínhamos acabado de referir, Jake levantou a olhar do telemóvel. – 30H!3? Acho que estás a regredir.

- Regredir? Vais mentir se vais dizer que esta música não foi um dos hinos da nossa infância.

- Não ia dizer nada. – encolhi os ombros e bebi mais um pouco do meu chá. Já estava a ficar frio, por ter perdido tanto tempo a olhar para ela.

- Olá! Eu sou a Ava. – a rapariga que andava ao lado da minha colega esticou-me a mão. Aceitei o seu gesto e apertei-a. – Já ouvi falar muito de ti.

- Já? – observei Mia, que corou um pouco, mas encolheu os ombros. – Bem...sou o Asher, e este é Jake, meu amigo.

- Amigo? Sou quase pai dele. – levantou-se e cumprimentou cada uma das raparigas com dois beijos na bochecha. Revirei os olhos, porque ele tinha que me fazer parecer ainda mais antissocial do que era. – Não posso dizer que também ouvi falar de ti, Mia, porque o Asher não é muito de falar, sabes?

- Sei. – concordou, a rir, e eu voltei a revirar os olhos. – Ah, esta é a minha irmã gémea, caso não tenha dado para entender ainda.

Aquilo fazia muito sentido. Embora eu estivesse sentado, dava para entender que elas eram praticamente idênticas, excetuando a cor dos olhos e uns centímetros que faziam Mia a mais baixa das duas. Isso e as feridas que cobriam, ainda, o braço da que me era mais próxima. Observei-a atentamente, encontrando algumas nódoas negras pequenas nas suas pernas. A preocupação que tinha sentido ao encontrar a primeira ferida e ao perceber que ela tinha faltado às aulas voltou a preencher-me, mas a sua irmã, Ava, quando notou que eu estava a olhar fixamente para as mesmas nódoas negras, começou a rir.

- Não te preocupes mesmo. Aquela mais perto do joelho foi quando ela tinha os pés molhados de ter acabado de tomar banho e conseguiu escorregar até bater no canto da cama. Aquela mais perto do tornozelo foi quando eu lhe bati por dizer que a Beyoncé é melhor que a Rihanna.

- É verdade! – Mia reforçou e Ava ignorou-a, revirando os olhos. Jake olhou para mim, confuso, mas eu limitei-me a encolher os ombros e a rir.

- Não vamos ter esta discussão outra vez, Mia. – as irmãs bufaram uma para a outra e eu terminei o meu chá. Jake ofereceu as cadeiras que restavam na nossa mesa para elas se sentarem. – Oh. Obrigada.

A Mia sentou-se ao meu lado e, ao tirar finalmente os auriculares da sua cabeça, eu espreitei para a playlist do seu telemóvel. Era tudo o que eu e Jake ouviríamos quando estávamos aborrecidos, não por prazer ou porque queríamos. No entanto, encolhi os ombros, não querendo acabar com nódoas negras também. Mia olhou para mim a observar o seu telemóvel e soltou um sorriso aberto, compondo-se na cadeira. Desviei o meu olhar do seu tão poderoso e foquei-me na conversa que o meu melhor amigo estava a ter com Ava. Era algo sobre uma disciplina que eles tinham em comum, portanto não me preocupei muito.

- Já fizeste aquele trabalho que tínhamos para terça feira? – virei-me para Mia quando a minha atenção foi chamada e assenti. Claro que já tinha feito. – Queres...queres ajudar-me?

- Precisas de ajuda com quê? – conseguia sentir o olhar forte do Jake em mim, mas ignorei. Ela tirou um caderno pequeno da sua mochila e abriu-o, mostrando-me uma página cheia de rascunhos.

- Com isto tudo. – apontou para o início da página, que continha a palavra PERGUNTAS como título, soltei um riso breve. – Não gozes comigo.

- Não estou. – encolhi os ombros e tirei o caderno das suas mãos. – Pede algo quente, as tuas mãos estão frias. – antes que ela pudesse reagir ao meu pequeno gesto, observei tudo o que ela tinha escrito. – Bem...isto parece-me minimamente fácil. Preferes que eu te explique ou que escreva para tu leres depois?

- Ambos, por favor. – revirei os olhos, mas acabei por assenti, começando a explicar o melhor que conseguia. Entretanto, a minha atenção foi perturbada por ela, que voltou a começar a cantar. – L-O-V-E is just another word I never learned to pronounce...


o Asher é tão querido para a Mia, estou ansiosa para que vejam realmente quão querido ele é

obrigada a quem anda a ler esta história, fico muito feliz por ver que as pessoas ainda gostam do que eu escrevo!!

a verdade é que eu vou para a universidade (estou tão crescida.......) na segunda feira, mas estão com sorte, porque eu já acabei a história - é o meu novo recorde!! 12 ou 13 dias, se não me engano! claro que tem menos capítulos que a CAUI mas proooonto, gostei muito de ter personagens no meu cérebro outra vez

a outra verdade é que apesar de masher???ashia???wtf??? ser o casal da história, há algo muito importante que eu retrato apesar da leveza da Cair e Levantar e é nisso que eu quero que se foquem, quando chegar a hora - ainda faltam uns capítulos tho, por enquanto aproveitem a fofura (a fofura não acaba, na realidade, mas eu vou ficar triste se quando a história acabar só quiserem saber do casal e não das coisas que acontecem a personagens-ainda-por-ser-apresentadas-mas-que-eu-adoro)

ANYWAY, (porque é que eu me prolongo sempre nestas coisas?) ESPERO QUE ESTEJAM A GOSTAR tanto como eu gosto de vocês!!! e bom início de ano letivo, daqui a 3 meses já estão de férias outra vez, amores ;)


OH, em relação à música: ....é uma jam

btw, já acabei também a playlist - duh - chama-se Cair e Levantar e o meu user no spotify é cataarinasilva, eu punha aqui o url mas acho que não dá??? portanto espero que encontrem - qualquer coisinha, peçam por pm ou nos comentários tbh

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