Capítulo 20 (último)
- Gosto de ti. – afirmou o pai das gémeas e eu olhei para ele, chocado. – Preciso de o dizer. Mesmo não tendo que o fazer, já fizeste tanto pelas nossas meninas.
- Claro que tinha. – respondi apenas, encolhendo os ombros.
- Não tinhas. – retorquiu. – Pela Mia...sim. Mas pela Ava? Namorares com uma delas não significa automaticamente que tens que cuidar da outra também.
- A Ava é importante para mim também. – garanti, olhando para a irmã dos olhos azuis. Ela sorriu-me.
- E por isso é que nós gostamos de ti, Asher. – foi a vez de a mãe deles falar, sorrindo-me abertamente. – Nós todos sabemos que a Mia não é a pessoa mais fácil de lidar... - senti a rapariga em questão apertar-me a mão; apertei com mais força. – Mas já estão juntos há tantos meses, pelo que me foi dito, e parecem gostar mesmo um do outro. Por isso, nós estamos felizes.
Sorri apenas, não sabendo bem o que responder àquilo. Sim, podia ser difícil manter Mia focada em mim, ela podia ter um gosto musical horroroso, mas não era difícil lidar com ela. Aliás, entre nós os dois, eu diria que ela acabava por ter mais paciência que eu. Eu fazia tudo o que fazia porque gostava verdadeiramente dela e, apesar de ter apreciado o elogio da mãe, não pude evitar ficar ofendido pela maneira como ela falou de Mia. Não gostei da forma como um insulto a ela foi infiltrado num elogio a mim, mas não comentei nada. Mia não mostrou ter ficado triste, embora eu notasse que ela ficou, então não me pronunciei. Definitivamente não seria eu a iniciar a conversa que eu achava que eles deveriam ter.
O jantar foi extremamente pacifico, algo que eu achei estranho tendo em conta todas as personalidades daquela família, mas percebi rapidamente que eles estavam a fazer um esforço por eu estar lá. Muitas vezes via um dos cinco a abrir a boca e a arrepender-se rapidamente, o que me fez questionar sobre o que se passaria numa refeição normal daquela família. Novamente não me pronunciei, no entanto, porque na realidade só queria que aquilo tudo acabasse para eu voltar para casa. Queria levar Mia comigo mas o fim de semana ainda não acabara, por isso teria que ser um pouco mais paciente até poder tê-la só para mim. Não havia problema; era a sua família e, apesar de tudo o que Mia sentia, eu também percebia que ela estava feliz por estar perto deles.
Quando terminámos todos de comer, ofereci-me para ajudar a levantar a mesa e a lavar a louça. Mia disse para eu não me dar ao trabalho, mas eu insisti e acabei na cozinha com as gémeas, trabalhando em equipa. As irmãs falavam em tons sussurrados, embora soubessem que eu ouvia de qualquer forma, de como tudo estava a correr. Não me parecera que Ava tivesse contado toda a sua história com Nate, mas mordi o lábio para não dizer nada. Mia mostrou ter a minha opinião quando repreendeu Ava; aparentemente o Steve tinha comentado que ainda falava com ele esporadicamente, não sabendo como a relação acabara.
- O que é que achas, Asher? – Ava virou a conversa para mim e eu arregalei os olhos, sentindo-me exposto. Ambas riram e eu recuperei rapidamente, revirando os olhos.
- Não sei o contexto. – encolhi os ombros, lavando outro prato. – Porque é que o vosso irmão ainda fala com ele?
- Eles são do mesmo grupo de amigos, por assim dizer. O Steve acha que ele é boa pessoa. – Mia contextualizou-me, num tom seco. – Pobre coitado.
- Hm. – assenti, rindo um pouco. – Então tens que lhe dizer, Ava. Nem que seja só a ele, mas eu não me sentiria bem se continuasse a falar com um ex-namorado do Deke depois de eles terminarem, porque não sabia o que ele tinha feito ao meu irmão. E o Steve parece ser igualmente protetor nesse aspeto.
- É mais. – Mia disse, e eu limitei-me a olhar para Ava. – Pronto, o Asher está comigo. Conta ao Steve. Os pais não precisam de saber, mas ele precisa.
Ava pausou durante uns minutos e, depois, assentiu apenas. Sequei as minhas mãos e coloquei uma no seu ombro, apertando um pouco como segurança. As suas expressões suavizaram e ela sorriu um pouco, voltando a assentir. Eu sabia que lhe iria custar; o Nate ainda era um assunto bastante sensível para a mais alta das irmãs. Quase tão sensível como o nariz do rapaz ainda deveria estar, mesmo passado todo este tempo. Inconscientemente, olhei para Mia, imaginando uma rapariga tão pequena a partir o nariz daquele rapaz. Comecei a rir, abanando a cabeça. Ela olhou-me confusa por uns segundos, mas depois encolheu os ombros e continuou a ajudar-me até estar tudo arrumado.
- Vamos para o meu quarto? – perguntou, entrelaçando os seus braços na minha cintura.
- De certeza que os teus pais concordam? – questionei, rindo, enquanto tirava uma madeixa da frente da sua cara.
- Eles não vão dormir aqui, Asher. Achas? – olhei-a, confuso. – Não há espaço. Ontem dormiram mas não resultou muito bem, então vão para casa de um dos meus tios.
- Hm. – assenti, processando a informação. – Então significa que não há problema?
- Alguma vez houve problema em tu passares a noite, Ash? Deixa de ser idiota. – ri, beijando a sua testa suavemente. Ela fechou os olhos e sorriu. – Cheiras a detergente.
- Desculpa. – revirei os olhos, mas ela não deixou que eu me afastasse. – És terrível.
- És o melhor. – voltou a abraçar-me, apertando-me nos seus braços. Conseguia respirar por pouco, na verdade.
Beijei os seus cabelos e senti-a a sorrir contra o meu peito. Ouvia, de longe, Ava a chamar o seu irmão mais velho e, depois disso, ouvi uma porta a fechar. Paralisei por uns segundos, com medo do que iria acontecer. Steve podia fazer muito mais que partir o nariz de Nate; se Mia, tão pequena e aparentemente fraca como era, conseguiu fazer aquilo, nem queria imaginar o que um rapaz com tantos músculos e treino como Steve conseguiria fazer. Nate merecia, no entanto, então no momento só me preocupei com o facto de os pais delas possivelmente descobrirem se eles falassem demasiado alto.
Mia afastou-se finalmente de mim, mas agarrou a minha mão. Sorriu-me, depois de me piscar o olho, e puxou-me para fora da divisão da cozinha. Apaguei as luzes pelo caminho e não resisti porque, afinal, ela podia partir o meu nariz. Ri baixinho com o pensamento e olhei de relance para a sala de estar, onde os pais estavam a ver televisão, relaxados. Entrei no quarto da minha namorada e deixei-me rir alto quando ela trancou automaticamente a porta. Observei a forma relaxada como ela pulou para me beijar nos lábios e, depois, atirou os seus sapatos para um canto do quarto e se virou de costas para mim, mostrando claramente que queria que eu tirasse o seu vestido. Obedeci-lhe, beijando o seu ombro no final.
- Vais vestir o pijama? – perguntei, quando ela caminhou até à sua cama.
- Sim, e tu vais vestir o teu.
- Não, não vou. Quando os seus pais se despedirem, não quero tornar óbvio que vou passar a noite com a sua filha. – ela revirou os olhos, visivelmente desagradada com a ideia.
- Eles não vão querer saber.
- Qualquer pai iria querer saber, Mia. – um pensamento vago dos meus pais e de como eles só queriam saber do que não era importante trespassou-me, mas ignorei-o assim que apareceu.
- Eles já me apanharam com rapazes em posições muito mais comprometedoras do que apenas de pijama, Asher. Acredita.
- Vou ignorar tudo o que disseste porque não quero imaginar isso. – ela riu alto e eu revirei os meus olhos, sentando-me ao seu lado na cama. Ela tinha vestido apenas uma t-shirt que eu diria que era de Steve, porque era de uma academia de polícias.
Beijei-a suavemente, mas ela não queria algo suave, porque me puxou mais para ela até eu me deitar sobre o seu corpo. Ri contra a sua pele mas beijei o seu pescoço de qualquer forma, não fazendo nada brusco para que ela reagisse alto. As suas pernas envolveram a minha cintura e eu senti a sua pele quente contra a zona acima do meu cinto; estremeci. Beijei o seu queixo e, de seguida, novamente os seus lábios. Olhei direitamente nos seus olhos negros, pensando na primeira vez que tinha olhado para eles e em como fiquei automaticamente preso na cor escura. Ela sorriu-me delicadamente, não sabendo aquilo em que eu estava a pensar, e eu sorri de volta. Senti-me um pouco desamparado quando ela fechou os seus olhos de prazer, porque tinha ficado sem o objetivo da minha apreciação, mas não me importei.
Foquei-me em tocar-lhe como conseguia. Não estávamos apressados, mas havia em Mia uma necessidade que eu já não sentia há bastante tempo. Era a mesma necessidade que eu sentia quando tudo corria mal na minha família, e não gostava da ideia de ela sentir algo parecido com o que eu senti. Não queria intrometer-me nos seus assuntos familiares, no entanto, então contentei-me com aquilo que ela decidira contar-me antes de jantarmos. Suspirei contra a sua pele, apertando-a contra mim. Olhei para o espaço entre nós, quase inexistente, e queria avançar, mas o medo de que os seus pais percebessem sobrepôs-se à minha necessidade pelo seu corpo.
- Asher. – olhei para ela. – Porque não?
- Porque os teus pais estão a cinco metros de nós, Mia. – ela revirou os olhos. – Sou eu que não quero, e não quero saber se eles já te viram com outros rapazes, mas comigo não vão ver.
- E é por isto que és o melhor. – sussurrou, com um sorriso nos lábios. – Eles adoram-te, Ash.
- E vão continuar a adorar se depender de mim. – afirmei, fazendo-a rir. – Eles aprovarem é importante para ti, eu consigo ver.
- Claro que é. – confessou, respirando fundo. – Eu sei que tu não és como os meus ex-namorados, Ash.
- Ainda bem. – afirmei, com uma expressão séria. Ela aumentou o seu sorriso. – Sinceramente, não percebo porque é que alguém te ignoraria pela tua família. Soa-me tão estúpido.
- Os meus pais são...importantes na nossa terra, só isso. – revirei os olhos. – Sabes que eu te adoro, certo? – assenti, rindo um pouco. Ela deitou a cabeça no meu ombro; naquela posição, uma música surgiu no meu cérebro. Queria bater contra a parede.
- You're insecure.
- Ash?
- Don't know what for.
- Oh, porra. Estás a cantar One Direction? – levantou a sua cabeça, com os olhos brilhantes. Encolhi os ombros.
- You're turning heads when you walk through the door.
- Não acredito que isto está a acontecer... - murmurou, abanando a cabeça, mas depois pulou para fora da cama.
Correu até às suas colunas e, depois de escolher um álbum (eu sabia qual era), ouvi a música que eu estava a cantar ecoar pelo quarto. A voz do Liam Payne surgiu, embora eu achasse que a minha era muito melhor para a situação que era. Mia riu alto quando me apanhou a acompanhar e eu revirei os olhos, odiando a forma como eu sabia a letra sem pensar. Ela puxou-me para fora da cama e obrigou-me a dançar com ela, cantando alto a letra. Com todos os movimentos idiotas que ela fez, apanhei-me a acompanhá-la no seu riso. O meu riso grave contrastava com o seu riso altamente agudo, mas sentia que se completavam.
Inconscientemente, continuei a cantar com ela, rodopiando-a várias vezes. Por vezes, a t-shirt que ela estava a usar levantava e eu via o seu corpo até ao seu estômago, mas ela não queria saber. Mia dançava e ria alto, mostrando-se mais realmente feliz pela primeira vez naquela noite. Fiz uma nota mental para cantar músicas da boyband sempre que a visse minimamente triste, porque era óbvio que a banda a conseguia animar. Isso misturado com o facto de ter sido eu a cantar, pela primeira vez, uma música pop, e eu tinha criado a Mia mais feliz que alguma vez tinha visto. Queria ter o telemóvel na minha mente, para lhe tirar uma fotografia, mas não a ia largar para o ia buscar, então esforcei-me para gravar cada detalhe seu no meu cérebro.
- Baby, you light up my world like nobody else. – sussurrei ao seu ouvido, acompanhando a voz do Harry Styles. – The way that you flip your hair gets me overwhelmed. – beijei o seu pescoço. – Eu sei que o Niall é o teu preferido, mas este é um bom solo.
- Eu adoro todos igualmente! – protestou, e eu ri alto.
- Tens vinte e um anos.
- E quando tiver cinquenta vou continuar a adorar todos igualmente, qual é o teu ponto? – ri alto, deitando a cabeça para trás. – Estás a gozar comigo, não estás?
- Nunca. – beijei a sua testa, ainda rindo. – Sabes que eu te adoro.
- Só não sei que sou bonita, não é?
- E é isso que te torna ainda mais bonita. – concluí, ainda rindo.
eu acho seriamente que este é o meu final preferido, de todos os que já escrevi
já reli isto imensas vezes e nunca consigo ler sem começar a rir tanto como ri quando o escrevi. espero que vos tenha feito rir também!!
eu sei que nos últimos capítulos não houve muito Deke, o nosso bebé, mas garanto que, agora, ele está bem. gosto de pensar que sim, pelo menos. a nossa mia e o nosso ash evoluiram tanto - ao ponto de ser ele a cantar as músicas, ONE DIRECTION acima de tudo. eu imagino-me muito bem no lugar da mia, a ficar em extase por o ash ter começado a cantar esta música
bem...falando noutros assuntos, espero que tenham adorado a história acima de tudo! eu adoro-vos de coração e espero que, apesar de pequenina, se tenham apaixonado por cada personagem da mesma forma que eu me apaixonei quando a escrevi. estas personagens são tão lindas, tão queridas, e fazia os meus dias vir aqui reler e editar os capítulos para vocês. gosto de pensar que a sua magia foi maior assim, a ser revivida por mim aos poucos, em vez de publicar assim que tivesse tudo publicado (o que seria ridículo, btw, porque acabei de escrever isto numa semana e meia, that's how nice it was)
RELEMBRO QUE TENHO UMA PLAYLIST NO SPOTIFY DA CAIR E LEVANTAR, vão ao meu perfil (cataarinasilva? acho eu? idk) se a quiserem ouvir, eu cá gosto muito de ir ouvir a soundtrack das vidas dos nosso meninos
agora, para terminar, um apelo:
embora a história não tenha sido focada no Declan, queria salientar a importância de situações como a sua. O nosso Deke teve o Ash, é verdade, e teve toda uma outra família de amigos a apoiá-lo, mas há quem não tenha. O mínimo que podemos fazer é tentar que o mundo seja cada vez melhor, educar pessoas para que estas situações sejam cada vez menos regulares. Ainda estamos longe disso, é verdade, mas eu acredito que lá chegaremos. Homofobia é algo grave, não é liberdade de expressão nem devia ser pensada como tal. Homofobia é a negação da existência de alguém, de muitos alguéns, que importam como qualquer outra pessoa.
O mínimo que posso esperar é que a minha história tenha servido para isto, para alertar à existência destas coisas - e de todas as outras, porque não precisa de ser a este ponto para ser grave! Homofobia (e qualquer outro tipo de -fobia), mesmo em forma de "piadas" que parecem inócuas, não o é!
Assim termino a Cair e Levantar, adoro-vos <3
nota de junho de 2020: a nossa Ava ganhou uma história só dela! chama-se Devagar se vai ao Longe e está no meu perfil e tem o bónus de incluir os nossos lindos mia e ash. se estiverem interessados na vida da Ava depois daquele-cujo-nome-não-merece-ser-dito, leiam! passa-se 5 anos deopis desta história <3
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