Capítulo 19
Não estava pronto. Durante todos os meses que passei com a Mia, ela e Ava tinham referido os seus pais por volta de três vezes. Uma vez para explicar o apartamento, outra vez para explicar porque é que não passavam o Natal juntos e a última para me avisar que eles iriam passar um fim de semana no apartamento das gémeas e que queriam que eu os conhecesse. Não sabia nada acerca da relação das gémeas com os pais, nem nada sobre os pais propriamente ditos. Mia, no entanto, tinha-me garantido que os seus pais não eram nada como os meus em termos de mentalidade, por isso fiquei um pouco mais descansado.
Um pouco. Eu ia conhecer os pais da minha namorada e nunca tinha passado por isso, mas toda a gente me dizia que era embaraçoso. Jake tinha passado os últimos dias a fazer piadas com o meu nervosismo mas, ao mesmo tempo, tentava apoiar-me. Não tinha confessado a Mia quão nervoso estava em relação ao jantar com os seus pais, porque não queria que ela se preocupasse demasiado. Mas e se eles não gostassem de mim? E se olhassem para mim e vissem logo que eu não era bom o suficiente para a sua filha? Eu certamente não achava que fosse.
- Asher, vai correr tudo bem. Não te preocupes. O que é que vais vestir? – ri com a pergunta idiota do meu irmão mais novo, mas olhei para as três peças de roupa que tinha colocado na cama.
- Ainda não sei. Entre a camisa preta, azul clara e a camisola cor-de-vinho, qual é a melhor?
- Hm. Camisola, definitivamente. Vais parecer formal mas não muito formal, é o suficiente.
- Obrigado, Deke. – agradeci, suspirando, e ouvi o riso alegre do outro lado da linha.
- Já fizeste o mesmo por mim quando conheci os pais do Patrick, nem tens que agradecer. – imaginei o meu irmão a encolher os ombros e sorri.
- Deke?
- Eles vão adorar-te. Eu sei que elas não falam muito dos pais delas, mas ela também disse que foram eles que sugeriram o jantar, não foi? Ou seja, eles sabem de ti e querem conhecer-te. Não estejas nervoso, tanto a Mia como a Ava te adoram, por isso não vejo razão para os seus pais não gostarem de ti.
- Talvez tenhas razão. – respirei fundo, sentindo que os papéis se inverteram entre mim e o meu irmão. – Não te esqueças que te adoro.
- Também te adoro, Ash. Diverte-te.
Sequei o meu corpo com a toalha que tinha enrolada na cintura e vesti-me sem qualquer pressa. Ainda tinha bastante tempo para passar na loja e levar uma garrafa de vinho para o jantar, seguindo o conselho que Ava me tinha dado. Quando já estava vestido e a pensar no possível inferno por que iria passar na próxima hora, Jake e Miles entraram no meu quarto. Ambos tinham olhares brilhantes, completamente divertidos com o meu nervosismo no momento. No entanto, eles percebiam o meu lado. Nunca tinha tido uma namorada e muito menos conhecido os pais das raparigas com quem estive em anos passados. Para além disso, o que eu sentia pela Mia não me deixava não estar nervoso. Se os seus pais não gostassem de mim, eu não me sentiria confortável a forçar-me na sua família e, consequentemente, ficaria devastado por não ter Mia comigo.
Suspirei e ambos colocaram uma mão em cada um dos meus ombros. Jake começou a sua missão de domar o meu cabelo, e Miles limitou-se a sentar-se ao meu lado e a tentar dar-me argumentos que eu não conseguisse refutar. O que melhor aceitei (embora não totalmente) foi, coincidentemente, aquele que Declan também me tinha dado. Foram eles que me convidaram para jantar. Se eu fosse pai de duas raparigas incríveis como Ava e Mia e não gostasse do namorado de uma delas, não o quereria conhecer. No entanto, também existia a hipótese de eles me terem convidado por não gostarem de mim, e aí o que é que eu faria? Também não sabia.
- Pronto, acho que estás decente. Se eles não gostarem de ti é porque vão ter medo de a Mia namorar com alguém tão atraente. – revirei os olhos, deixando-me sorrir.
Despedi-me deles e, antes de ligar o carro, mandei uma mensagem a Mia que deveria chegar nos próximos quinze minutos. Ela respondeu-me, transparecendo o seu entusiasmo natural como fazia em todas as mensagens, com um número considerável de pontos de exclamação. Sorri para o ecrã do meu telemóvel e, pelo caminho, parei numa loja para comprar uma garrafa do vinho que Ava me tinha dito que era o preferido da sua mãe. Pensámos que,se eu levasse o vinho preferido do seu pai, iria parecer demasiado desesperado, e Ava tinha-me descansado com a afirmação de que a sua mãe iria estar mais preocupada em tentar sufocar-me num dos seus abraços a reparar na marca do vinho.
Imaginei a família da minha namorada. Depois da bomba que Mia tinha lançado em mim, recorri a Ava para me contar tudo o que devia saber antes de entrar no seu apartamento. O seu pai era um homem sério, aparentemente, mas não demasiado – Ava tinha-me dito que ele era mais parecido com o seu irmão mais velho. Mia nunca me tinha dito que tinha um irmão mais velho e eu fiquei incrivelmente frustrado com ela pela falta de informação. Enquanto eu preferia que ela não soubesse todos os problemas da minha família, a dela não parecia merecer os segredos. Ava explicara que Mia nunca fora exatamente próxima a nenhum dos pais, apesar de ser uma cópia exata da sua mãe. Imaginei uma senhora igual às gémeas, mas não consegui decidir a cor dos olhos.
Respirei fundo cinco vezes antes de ganhar coragem de sair do carro. Olhei para as janelas do apartamento das gémeas e vi que as luzes do quarto de Mia estavam acesas. Perguntei-me porque é que ela não estava com a família, mas abanei a cabeça para parar de pensar e toquei à campainha. Ouvi o som da porta a abrir-se e contei os segundos até chegar à porta do apartamento, para passar o tempo. Olhei para as minhas mãos e, felizmente, não pareciam muito suadas. Se havia alguma coisa que eu sabia fazer, era esconder o meu nervosismo – até porque eram raras as vezes que me sentia tão nervoso como naquele momento.
- Ash, olá! – foi Ava que me abriu a porta, com um sorriso enorme. Abracei-a suavemente e ela apertou a minha mão, antes de me largar. – A Mia está no quarto, queres ir chamá-la?
- Acho que devia conhecer os vossos pais primeiro, não? – Ava encolheu os ombros e eu limitei-me a rir, abanando a minha cabeça.
- Mãe, pai! – Ava gritou e eu fiz uma careta. – O Asher chegou. – e fiquei nervoso outra vez.
Da sala de estar saiu uma senhora igual à Ava, com os mesmos olhos azuis brilhantes, mas apenas com mais rugas provenientes da idade. Sorri inconscientemente, ao observar todas as parecenças.
- Tu és o Asher? Oh, tu és muito giro! A Mia realmente se excedeu. – levantei as sobrancelhas, um pouco incrédulo com o comentário da mais velha, mas permiti-me rir. – Joanne. Este é o meu marido, Peter.
- Prazer em conhecer-vos. – estiquei a mão à mãe primeiro, mas ela usou-a para me apertar nos seus braços. – Oh.
- Calculei que já estivesses habituado, com aquela como tua namorada. – riu ao comentar, apontando com o olhar para atrás de mim. Virei-me e sorri ao ver Mia, que revirou os olhos para a sua mãe.
- Já ouvi falar bastante de ti. As minhas filhas adoram-te. – proferiu o pai e, ao olhar para ele, consegui finalmente perceber de onde é que aqueles olhos de ónix de Mia vinham. Sorri-lhe educadamente e aceitei a mão que ele me esticou. – Para ambas gostarem de alguma coisa, é porque é bastante bom.
- Dizes isso como se nós estivéssemos sempre a discordar, pai. – Ava revirou os olhos e eu ri um pouco.
- E não estão? – perguntei, inconscientemente. Quase me arrependi, mas depois ouvi os risos altos e profundos dos pais das gémeas e deixei-me relaxar.
- Asher, vem comigo. Ainda tens o nosso irmão para conhecer. – Mia caminhou até mim e agarrou a minha mão, com um sorriso suave. Deixei que ela me puxasse, depois de lançar um olhar arrependido aos seus pais; eles riram.
- Pensei que só fosse conhecer os teus pais, Mia. – comentei baixinho, mas ela ignorou-me. – O teu irmão é muito protetor?
- Eh, um pouco. – encolheu os ombros. – Ele é polícia, por isso é um pouco mais protetor do que eu gostaria, mas passei a última hora a convencê-lo de que és o melhor.
- Vamos ver se resultou, então. – beijei a sua testa e limitei-me a observar enquanto ela empurrava a porta.
Na cama, naquele dia com lençóis rosa, estava um rapaz que parecia demasiado grande para aquele quarto. Imediatamente notei nas parecenças com Mia, nomeadamente os olhos, e na forma como ele descansava no colchão. Embora Mia fosse uma exata cópia da sua mãe, tanto de personalidade como de aparência, nas pequenas coisas ela era mais parecida com os homens da sua família. Ava parecera-me mais parecida com o seu pai, apenas pela maneira como ele me cumprimentou, e talvez fosse também mais idêntica ao seu irmão mais velho, mas era óbvio que Mia e o homem à minha frente eram mais próximos. Perguntei-me porque é que ela nunca me falou dele e suspirei inaudivelmente, sentindo-me mal comigo mesmo. E se ela não me contara porque achava que eu não me iria preocupar?
- Sou o Steve. És o Asher? – assenti, deixando que ele se levantasse antes de esticar a minha mão. – Nesta família não apertamos mãos, nós abraçamo-nos. – ignorou a minha mão e abraçou-me, fazendo-me perder o ar por uns segundos. – Aprendi isso com esta, ironicamente. Quem diria que seria a mais nova a mudar as regras da família?
Ri um pouco, imaginando uma pequena Mia a implantar regras aos seus irmãos e aos seus pais. Embora Ava e Mia fossem gémeas, a partir de Ava eu já sabia que Mia sempre fora tratada como a mais nova pelos seus pais. Talvez essa fosse parte da razão pela qual ela não gostava de falar da família, mas obriguei-me a perguntar-lhe quando a sua família já não estivesse na cidade. Não deveria ser fácil ter uma irmã da mesma idade, a passar pelas mesmas situações que nós, mas ser tratada de maneira diferente. Olhei para Mia, sorrindo-lhe, mas o seu sorriso não parecia tão brilhante como quando estávamos apenas os dois. Ela parecia gostar do irmão, então estava um pouco confuso com toda a dinâmica familiar.
- Dir-te-ia para não magoares a minha irmã, mas do que ela me contou, acho que devia agradecer-te por cuidares tão bem dela e da Ava. – sorriu-me e eu apreciei a forma como o seu sorriso me parecia familiar, sendo tão parecido com o das gémeas.
- Não tens que agradecer. – afirmei, honestamente. – A Ava é quase como se fosse minha irmã...por muito esquisito que isso possa soar.
- Não soa. – Steve encolheu os ombros, rindo. – Tens um irmão mais novo, Mia disse-me?
- Sim, tem dezassete anos. – assenti ao falar, sorrindo ao pensar em como Declan me ajudou nas últimas horas. – Ele adora-as, na realidade.
- E nós adoramos o Deke. – Mia interveio, sorrindo finalmente. Deixei as minhas expressões suavizarem e sorri-lhe de volta, um pouco mais abertamente. – Steve, vai ajudar os pais. Precisas de aprender a cozinhar.
- Ei! Eu sei cozinhar. – o mais velho cruzou os braços, e eu notei em como os seus músculos apertavam contra o tecido da camisa; senti-me muito pequeno.
- Fazer arroz não conta como saber cozinhar, Steve. – revirou os olhos e eu contive-me para não rir. – Adeus, chama-me quando o jantar estiver pronto.
- Tens uma paciência de santo, amigo. – colocou uma mão no meu ombro, rindo, antes de sair da divisão e fechar a porta.
Assim que a porta fechou, Mia abraçou-me. Os meus braços envolveram o seu corpo quase que automaticamente e depositei os meus lábios nos seus cabelos. Ela suspirou e eu deixei que ela me agarrasse durante mais uns segundos, mas depois tive que a afastar. Olhei diretamente nos seus olhos negros, tentando perceber alguma coisa do que se estava a passar. Tentei decifrar o preto dos seus olhos, mas nada.
- O que é que se passa? – perguntei, então.
- Nada, porque é que havia de se passar alguma coisa? Não se passa nada. – levantei uma sobrancelha. De longe, consegui ouvir uma música alta nas colunas da sala de estar.
- Porque é que os teus pais estão a ouvir Spice Girls? Não me digas que isto de é de família...
- Eu posso ter herdado o meu lindo gosto musical do meu pai. – olhei para ela, incrédulo. – Sim, Asher, do meu pai. If you wanna be my lover, you got to get with my friends.
- Eu não acredito... - murmurei para mim próprio, mas ela começou a rir alto. – Agora vais-me dizer o que se passa?
- Nada, Asher! Eu só não queria que conhecesses a minha família. – senti um aperto no peito, mas tentei que a minha expressão não mudasse. – Não, não é por tua causa! Claro que não é por tua causa, és idiota? É por causa deles.
- Estou confuso, Mia. – disse apenas, não largando as suas mãos.
- Tu vais achar que eu sou idiota... - murmurou, baixando a cabeça, mas eu peguei no seu queixo e obriguei-a a olhar para mim. – Toda a gente que conhece a minha família acaba a gostar mais deles do que de mim, e eu não queria que isso acontecesse contigo, porque tu és a melhor coisa que me aconteceu e não queria perder-te.
- Mia...eu conheço a Ava há tanto tempo como te conheço, por quem é que eu te iria trocar?
- Não é isso, Asher! – exclamou, exasperada. Coloquei a minha mão na sua bochecha para a acalmar, e resultou. – Todos os rapazes que eu já apresentei à minha família, depois de os conhecerem, passaram a querer estar mais tempo com os meus pais do que comigo. Sabes quão ridícula é que me senti? Até os meus namorados achavam que eu não era boa o suficiente para a minha família.
- Tu és mais que boa o suficiente. Cala-te. – revirei os olhos e abracei-a com mais força. Ela suspirou.
olá olá olá
espero que estejam todos bem e que, se for o vosso caso, as férias estejam quase quase aí!!
well, eu era para ter publicado este capítulo ontem (porque já acabei as aulas e lembrei-me que já não publicava há imenso tempo) mas dei por mim a ver que eram tipo onze da noite e depois fiquei bué naaahhh já é tarde. então, pronto, aqui está
espero que o asher vos tenha parecido tão fofinho como o imaginei, todo nervosinho por conhecer a família da sua namorada. e por falar na família, que tal?
só falta UM capítulo - espero que adorem o final como eu, eu rio tanto sempre que leio aquilo...) - portaaanto aproveitem este enquanto dura ;)
ficam já alguns agradecimentos: tenho pouquinhos leitores aqui, mas gosto muito muito de vocês, porque acompanham a história mesmo quando eu demoro a publicar, mesmo para receberem um capítulo de 2000 e poucas palavras. adoro-vos por isso <3
prometo que este verão vou tentar escrever outra destas histórias, levezinhas mas importantes, porque tenho a cabeça CHEIA de ideias de cenas fofas e queridas. tenho algumas ideias que gostava mesmo de escrever para encher o meu cérebro de fluff outra vez, vamos ver no que dá <3
well, eu estou aqui para procrastinar, porque ainda tenho um trabalho para entregar/fazer e ainda só vou tipo a meio e quero entregá-lo na quinta...oh well, quem precisa de semiótica quando se tem o asher e a mia?
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