Capítulo VII

Assim que o jato preto havia aterrissado em um campo rodeado por árvores, Edson havia chegado à Itália. Então, ele se levantou de seu assento e a porta se abriu, portanto saiu, enquanto descia os degraus, e começou a caminhar para o castelo marrom de estatura média, onde vivem os Holst.

Quando se aproximou da porta, ele bateu. Após algum tempo, com mais batidas na porta, uma jovem alta e morena de cabelos cacheados e olhos castanhos havia a aberto. Entretanto, assim que viu que se tratava de Edson, ela arregalou os olhos.

- Antoine. - apesar de saber no fundo que não seria bem-vindo, Edson disse cordialmente. - Posso... - ela o interrompeu sem falar nada, pois a porta já havia sido fechada.

Embora tenha ficado frustrado, ele não queria desistir, já que naquele momento pensava em Katie. Então, Edson andou para trás, ao mesmo tempo em que olhava para cima em expectativas de que alguma janela estivesse aberta. Circulando o castelo com os seus olhos ainda atentos, ele encontrou uma nos fundos. Então, não sabendo que poderia ser uma armadilha, Edson andou até uma distância razoável e correu em um rápido movimento em direção a janela, o que fez com que ganhasse impulso e conseguisse subir, já que ela se localizava a uma boa altura do chão.

Então, assim que conseguiu entrar, ele arregalou os olhos. Notou que a janela que havia entrado se tratava da sala de reunião do lugar, a qual continha uma ampla mesa acompanhada por três cadeiras de madeira. Delas, estavam sentados Matteo, Demon e, no lugar de Bianca, uma pessoa alta e branca com cabelos negros e olhos verdes. Assim que eles viram a movimentação, Demon e a outra pessoa se aproximaram de Edson e cada um segurou um braço dele em um rápido movimento, ao mesmo tempo em que Matteo soltava uma leve risada irônica, possivelmente não acreditando no que via.

- Ora, ora, o que temos aqui. - ele começou a dizer, à medida em que se levantava. Embora eles estivessem o segurando, Edson permaneceu parado, enquanto o fitava como se estivesse analisando algo. - Você é muito cara de pau de vir aqui depois de tudo o que vocês fizeram. Então, não perderei meu tempo fazendo um julgamento com você. Podem já levá-lo para a sala de execução.

- Não, esperem. - assim que Matteo havia ordenado, eles começaram a levá-lo, portanto, quando um tom alto e eufórico pôde ser escutado de Edson, logo pararam ao mesmo tempo em que arquearam suas sobrancelhas. - Vim aqui com uma oferta de paz. - assim que terminou de dizer, risadas eram emitidas por eles, exceto Matteo que ainda arqueava sua sobrancelha.

- Oferta de paz? - ele começou a dizer em um tom enfurecido. - Realmente preciso listar as coisas erradas que vocês fizeram?

- Mas dessa vez é diferente. - Edson tentou dizer, porém foi em vão, já que ele continuou a falar.

- Primeiro, conseguiram capturar James de sua tortura e você havia escapado de sua punição. Inclusive, no festival, mataram a Bianca Holst e tentaram nos matar. - à medida em que dizia, Edson revirava os olhos sutilmente, ao mesmo tempo em que os olhos de Matteo já haviam tomado sua coloração vermelha, o qual falava mais enfurecido ainda. - Você acha que foi fácil achar uma nova integrante que estivesse à nossa altura? - a pessoa que segurava o braço de Edson havia arqueado uma sobrancelha a ele, possivelmente em uma verificação de se aquilo era um elogio ou não. - A propósito, conheça Lilian Holst. - Matteo indicou com sua cabeça a pessoa de cabelos negros.

Em resposta, Edson deu um sorriso de canto. Após, ele fez um gesto com os dedos indicadores que induzia que era para fazerem o que havia sido pedido: levar Edson para a sala de execução. Portanto, como uma forma de escape de adrenalina, os olhos dele se tornaram brancos, o que fez com que ele conseguisse se soltar deles, já que a sua força havia sido aumentada. Enquanto isso, Matteo, Demon e Lilian expressavam seus espantos com o que haviam acabado de presenciar.

- Olha, além de ter sido vocês quem nos atacaram durante o festival, eu sei que a gente fez essas outras coisas. Mas haviam sido necessárias na época. Então, a gente pede perdão. Mas me ouça. Dessa vez, realmente é diferente. - depois dos olhos de Edson terem voltado a sua cor original, ele começou a dizer, enquanto permanecia parado no mesmo lugar, possivelmente para mostrar que estava mesmo com uma oferta de paz.

- Como que isso é possível? - Matteo havia ignorado novamente a fala dele e havia sussurrado mais para si do que para eles. - Katie Westwood não havia revertido o seu processo da perda de humanidade?

- Se eu contar, poderia me soltar e me escutar, por favor? - disse ele, já impaciente. Depois de ter permanecido com uma expressão pensativa, Matteo havia assentido e induzido para que os outros dois se afastassem de Edson. Então, prosseguiu e começou a contar o que Kaleb havia lhe falado, enquanto permaneciam com suas expressões atentas.

- Isso é mesmo raro. - tendo acreditado no que tinha sido dito, ele se convenceu e permitiu que Edson falasse o que ele tinha que falar. - Pode contar o que você ia falar primeiramente. - Edson assentiu e, então, prosseguiu a dizer.

- Há uma instituição que possui vampiros que caçam outros vampiros e que querem me matar. Então, eles capturaram Katie. Um dos vampiros é a mãe dela, Sophie Westwood. E ela havia sido dada como morta, então pode haver alguma possibilidade deles estarem manipulando isso. - assim que ele terminou de falar, Matteo arqueou a sobrancelha.

- Edson, essa história é totalmente absurda. Uma instituição que produz vampiros e que caçam pessoas da mesma espécie? Além disso, depois de tudo que vocês fizeram, deveriam morrer mesmo. - ele não deixou se abalar com isso, o que pôde ser verificado pela sua face inexpressiva.

- Esperem. - à medida em que Demon e a pessoa de cabelos negros se aproximavam novamente, Edson falava com um tom um pouco autoritário. - Eu sei que essa história é absurda, também não iria acreditar se alguém me contasse. Mas você consegue visualizar o passado das pessoas, então sabemos que pode ver o que eu vi. - ao mesmo tempo em que falava, Matteo arqueava sua sobrancelha e prestava atenção nele. - Se acreditar, por favor, nos ajude, pois precisaremos de todo o reforço que for possível. Sei que você desejaria a minha morte e a morte de Katie, mas isso vai além de uma questão pessoal e você sabe.

Deixando se convencer, Matteo havia suspirado profundamente e balançado a cabeça em afirmação. Então, ele fixou seu olhar em Edson e, à medida que um clarão aparecia os cegando, os olhos dele mudavam de cor.


Após algum tempo, o clarão havia sumido e Edson e Matteo estavam dentro da instituição enquanto invisíveis. Portanto, avistaram a mãe de Katie e o diretor conversando o que ele já havia escutado. Enquanto Matteo prestava atenção no que estava sendo falado, ao mesmo tempo em que olhava ao redor da instituição, ele pôde ver tudo o que Edson havia presenciado. Ele, por sua vez, havia saído dali e visto Kaleb e James correrem até o carro e o seu eu do passado em cima da estrutura de vidro, com os ouvidos atentos e os olhos esbranquiçados. Após Edson ter voltado para o lado de Matteo, a conversa havia terminado. Então, dando-se por satisfeito, um novo clarão apareceu e os cegou.


Quando havia desaparecido novamente, os olhos de Edson voltaram para o amarelo e Matteo se expressava surpreso e espantado ao mesmo tempo. Então, ele quebrou o silêncio, enquanto teria arqueado a sobrancelha.

- Então, acredita em mim agora? - ele apenas assentiu, não querendo demonstrar sua frustração na voz.

- Quem era aquele que conversava com Sophie Westwood?

- O diretor da escola em que Katie frequentou. Não sei o nome dele.

Após algum tempo em silêncio com Matteo pensativo, ele havia suspirado profundamente e, então, pronunciou com um tom firme em sua voz.

- Tem razão quando diz que isso vai além de uma questão pessoal. O que eles estão fazendo também é errado e como Holst, nós cuidamos disso. Então, iremos ajudar vocês apenas nesse quesito. Enfrentaremos eles, mas não cuidaremos de vocês.

- Então, quer dizer que vai nos dar reforços? - Edson sorriu de cúmplice.

- Em suma, sim. - após ter suspirado de forma profunda novamente, continuou a dizer. - Iremos sair amanhã à noite. - enquanto sua face era inexpressiva, Matteo havia estendido seu braço para ele, ao mesmo tempo que fitava os olhos de Edson. - Espero não me arrepender depois.

- Posso te garantir que não vai. - então, Edson apertou a mão dele, enquanto se expressava de forma mais confiante, com o seu sorriso no rosto ainda.


Katie abriu os seus olhos. Olhando em volta do local em que estava, ela pôde perceber que estava deitada em uma cama improvisada e, em volta, havia grades a prendendo. Dentre elas, tinha uma porta com uma fechadura, a qual estava trancada. Assim que ela se levantou, dirigiu-se em direção as grades. À medida em que se aproximava, o homem que o identificaram como o diretor, fazia o mesmo, enquanto andava com passos lentos e determinados.

- Vejo que acordou. - ele começou a dizer em um tom um pouco mais alto, à medida em que andava. - Não deve ser muito bom ficar presa, não acha? - Katie o olhava atentamente, enquanto se enchia de raiva e frustração ao mesmo tempo, novamente se culpando por não ter acreditado em Edson.

- Por que você me prendeu aqui? E por que você quer matar o Edson? - ela jogava perguntas, demonstrando sua ira. - A gente não te fez nada. - àquela altura, o diretor já havia se aproximado perto o suficiente dela. Quando a ouviu, deu um sorriso de canto.

- Não se engane. Vocês já me fizeram muitas coisas, mesmo que indiretamente. - era visível uma expressão mista de confusão e dúvidas no rosto dela.

- Se você está falando daquela vez que eu havia escondido o Edson na...

- Não seja tola. - ele disse de maneira ríspida, ao mesmo tempo que a interrompeu. - Você realmente não sabe, pelo visto. - ela balançou a cabeça levemente em negação. - Tudo bem, vou te contar. - então, à medida em que foi dizendo, ele havia se afastado dali, enquanto Katie permanecia em pé com suas mãos apoiadas na grade. O semblante do diretor era pensativo e ele havia entrelaçado seus dedos, assim que havia começado a caminhar para lá e para cá. - Quando você veio para Transilvânia, selou o seu namoro oficialmente com o Edson e promoveu a relação harmônica entre vampiros e humanos. - embora ele não tivesse visto, ela assentiu, ao mesmo tempo em que o diretor prosseguia. - Isso fez com que minha filha me desobedecesse e também infringisse a primeira e principal regra no mundo dos caçadores de vampiro, a qual você deve saber muito bem.

- Nunca namore ou tenha relação com um vampiro. - Katie o respondeu, o que fez com que ele abrisse um sorriso.

- Então, Mary namorou com um vampiro. Mas ele a traiu e, quando ela descobriu, foi tirar satisfação e, sem querer, ele a matou. - embora Katie e Mary tivessem alguma rivalidade na época, ela se encheu de compaixão para com ele, onde lhe demonstrou por meio de seus olhos.

- Sinto muito pela sua perda, apesar de que se fosse o contrário, ela ficaria feliz pela minha morte. - Katie falou em um tom entristecido. Quando o diretor ouviu, parou de andar e foi em direção a ela, com os seus olhos, ao mesmo tempo marejados, irados.

- Você nunca soube o real motivo dela ter agido daquele jeito com você, soube? - ele a perguntou, enquanto fitava os olhos dela.

- Bom, eu sei que ela fazia aquelas coisas, porque se eu fizesse algo contra, poderia ser expulsa. No final das contas, acabei sendo mesmo.

- Então, você não sabe. - Katie assentiu novamente em negação. - Ela sentia inveja de você. Tentava se igualar. Você leva uma vida perfeita: tira boas notas, possui uma família famosa e bem sucedida, namora um vampiro que por incrível que pareça a ama e ainda é princesa. Por isso que ela foi namorar um vampiro e acabou sendo morta, embora eu tivesse contrariado. - enquanto o diretor dizia, Katie permanecia atenta, entretanto seus olhos estavam distantes. Ela nunca havia parado para pensar nisso e, agora que foi falado, concordava com ele.

- Sinto muito. - pôde ser ouvido um tom de tristeza em sua voz, embora aquilo fosse a única coisa que ela pensava em dizer no momento. Ele deu um sorriso.

- Só sinta muito depois que eu matar o Edson e acabar com essa harmonia entre os dois mundos. - assim que ela ouviu, segurou as grades novamente, ao mesmo tempo em que sentia uma raiva crescendo dentro de si.

- Você sabe que não sairá impune. Isso aqui vai contra todas as regras do mundo dos vampiros.

- Quem disse que eu ligo para as regras? E por falar em vampiros. - então, eles ouviram um som de porta se abrindo.

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