Capítulo V

Quando Kaleb reparou que não estava mais tendo movimentação em cima dos prédios, estacionou o carro, ao mesmo tempo em que Edson já havia se levantado e pulado do prédio, aterrissando em frente à lateral do automóvel. Permitindo que o pai de Katie continuasse a dirigir, abriu a porta de trás e entrou. Os olhos de Edson, naquele momento, estavam em sua cor original, porém ainda exprimia a fúria em que estava sentindo, o que condizia no mesmo tom de voz em que ele rompeu o silêncio.

- Perdemos ela de vista. - o olhar de Kaleb não expressava raiva, preocupação ou susto. No entanto, estava pensativo. Mesmo que isso tivesse acontecido, ele não queria voltar atrás, então o respondeu.

- Não podemos desistir. Temos que seguir adiante. Talvez, ela não tenha ido muito longe.

- Talvez... - Edson sussurrou, mais para si do que para ele. - O que eu tenho certeza é que tenho que voltar. Já vai começar a coletiva e eu estou aqui. - quando notou o olhar de James, arqueou uma sobrancelha a ele.

- Desculpe, Edson. Mas dessa vez, estou com o pai de Katie. Não podemos desistir.

Kaleb deu um sorriso de canto, enquanto começou a dirigir novamente sem esperar o que fosse encontrar. Ele fazia de forma atenta, olhando pelas janelas da frente para ver se encontrava algo, como uma pista da mãe de Katie. Edson havia bufado de forma silenciosa, mas permaneceu em silêncio durante o resto da viagem.


Mais para frente, o cenário da rua foi mudando. Os prédios foram desaparecendo, assim alegando uma estrada deserta, acompanhada apenas das montanhas que, à medida que avançavam, pareciam estar se aproximando. Ao longe, eles avistaram apenas uma estrutura, a qual parecia ter sido colocada ali de propósito. Alta e toda coberta por vidro, aparentava mais uma redoma do que um prédio em si.

Naquele momento, Kaleb havia reduzido drasticamente a velocidade a que havia submetido, o que parecia querer chegar de forma silenciosa e furtiva no local. Estacionou o carro em um lugar afastado e saíram. Antes que alguém perguntasse se aquele era o local certo, avistaram, ao longe, uma jovem de cabelos negros. A mãe de Katie. Então, eles olharam entre si e foram se aproximando vagarosamente.

Antes que ela pudesse entrar, virou sua cabeça para trás numa maneira de verificar se ninguém a tinha mesmo seguido. Sem avistar alguém, entrou e sumiu dentro da estrutura. Portanto, logo após, eles correram em direção a redoma. Mesmo quando se aproximaram, não puderam ser notados, já que o vidro que a revestia era fosco, o que não permitia a visualização deles do lado de fora.

- Espere aqui. - assim que se aproximaram de uma das árvores que rodeavam o local, Edson pediu para Kaleb. Enquanto ele se escondia detrás do arbusto, James e Edson usaram da árvore para que pudessem ganhar impulso e subir em cima da redoma.

Em cima do local, eles puderam observar que o interior parecia mais um centro de treinamento de luta, além de uma espécie de laboratório. Havia pessoas vestidas de preto pisando em tatames colocados no chão, além de usufruírem de artefatos como sacos de pancada e halteres. Naquele momento, algumas delas estavam treinando e outras conversando. Além disso, a mãe de Katie estava ali conversando com alguém, o qual Edson o reconheceu de imediato assim que o visualizou.

- Você o conhece? - os olhos de Edson se arregalaram, o que James pôde perceber.

- É o diretor da escola que Katie frequentou. O que ele está fazendo aqui?


- Você foi seguida até aqui? - o homem de terno, em que Edson havia o identificado como o diretor, perguntava para a mãe de Katie.

- Sim, Senhor. Mas consegui despistá-los. - a postura dela era ereta e firme, enquanto falava de um jeito monótono. Ele pareceu arquear uma sobrancelha para ela, querendo confirmar se havia mesmo conseguido despistá-los. - Tenho certeza. - conseguiu transmitir sua confiança perante a conversa.

- Ótimo. Sua última missão foi concluída com sucesso? - a mãe de Katie assentiu, porém seus olhos esboçaram um pouco de preocupação, o que ele percebeu. - O que foi?

- Consegui matar Daryl e Steve, mas uma outra situação estava ocorrendo. Então, eles pensam que eu os ajudei e tive que ficar por um tempinho no castelo.

- Eles quem, Srta. Westwood? - então, começou a recitar todos os nomes e sobrenomes de cor para ele.


- Consegue ouvir alguma coisa? - os ouvidos de James e de Edson estavam atentos a fim de captar alguma coisa que fosse transmitida da conversa que rolava dentro da redoma. No entanto, foi em vão, portanto James rompeu o silêncio. Edson apenas balançou a cabeça em negação.

- Não consigo, mas me esperem no carro. Já irei.

Então, James assentiu e pulou de onde estava, aterrissando em frente à árvore. Kaleb continuava atrás dela, à espreita e preparado para algo que talvez fosse acontecer. Quando o visualizou, ele lhe explicou sobre a situação deles. Após, voltaram correndo para o carro.

Enquanto isso, Edson ainda tentava captar algum som proveniente da estrutura em que estava. Ele conseguiu, no entanto, seus olhos tiveram que se tornar brancos novamente.


Os olhos do diretor aparentaram preocupação, no entanto, manteve sua postura, que, à medida em que ela falava, absorvia todos os nomes para que pudesse guardá-los. Assim que a mãe de Katie terminou de falar, ele a respondeu.

- Olha, não deixe os seus sentimentos lhe atrapalharem nessa sua última missão.

- Qual seria essa missão, Senhor?

- Tudo isso aqui começou quando Katie Westwood veio para Transilvânia e conseguiu fortalecer a monarquia e a relação harmônica entre vampiros e humanos. Vampiros e humanos nunca poderão viver ou ficar juntos. Então, o seu objetivo seria matar sua própria filha, mas como sei que não conseguirá, o seu objetivo será matar o príncipe Edson.

Os olhos dela se arregalaram de forma sutil, porém logo se recompôs para que ele não pudesse perceber. Ao mesmo tempo, assentia para dizer que estava disposta a isso.


Naquele momento, Edson estava escutando tudo de forma atenta, portanto, assim que ouviu seu nome, raiva e preocupação passaram por seus olhos. Contrariando o seu desejo de ficar mais, lembrou-se da coletiva em que deveria estar, portanto, achando ter ouvido o suficiente, ele pulou dali e correu em direção onde o carro estava estacionado.

Quando entrou, Edson começou a dirigir de volta para o castelo com a máxima velocidade permitida que, embora estivesse com raiva e preocupado ainda, tinha uma missão a cumprir. Enquanto isso, ele contava a todos sobre o que tinha escutado e eles permaneciam atentos ao que era falado.


Várias perguntas haviam sido lançadas para Katie e seus olhos verificaram nenhum sinal de Edson. Portanto, sentia frustração. Ele havia prometido que estaria ali e nada dele aparecer.

Após algum tempo, ele, trajado de terno, apareceu correndo de forma sutil em direção a praça.

- Muito obrigado, Katie. - essa era a sua deixa, o sinal em que havia acabado a sua coletiva. Embora os jornalistas, os fotógrafos e as pessoas que estavam presentes ali estivessem saindo do local, os seus olhares voltaram para o príncipe que chegava. Notando isso, Katie virou seu rosto para trás e, avistando Edson, deu um sorriso fraco, o qual demonstrava sua frustração.

Querendo sair dali e não querendo chorar aquele momento, principalmente na frente de um público, ela não se aproximou dele e estava indo embora, enquanto Alexa a acompanhava.

- Katie... - percebendo isso e achando estranho aquela situação, Edson a chamou, embora, no fundo, ele soubesse que havia traído a confiança dela.

- Vou deixar vocês a sós. - Alexa se dirigiu à Katie. Assim que ela assentiu, prosseguiu sua caminhada, deixando-a para trás.

- Katie, me desculpe. Mesmo. - Edson havia se aproximado dela, no entanto, seus olhares não se encontraram. - Tentei chegar o mais rápido que pude. - teve um momento de silêncio. Ela engolia em seco numa tentativa de não chorar quando falasse.

- Edson... - ela se interrompeu, pois estava prestes a chorar. Percebendo isso, ele colocou suas duas mãos em seus ombros como uma forma de consolá-la. - Esperei e tinha esperanças de que você aparecesse até o final, mas você não apareceu...

- Eu sei, eu sei. Mais uma vez, me desculpe. - seus olhos amarelados exprimiam tristeza e compaixão para com ela.

- Por favor, só me diga que você não fez nada sem que eu soubesse. - o olhar de Katie, finalmente, havia encontrado o dele. Sem querer, Edson deixou transmitir sua preocupação, ao mesmo tempo em que um silêncio havia se estabelecido. À medida que passava o tempo, a quietude se tornava constrangedora, o que fez com que ela percebesse. Portanto, ela expressava ainda mais sua tristeza.

Balançando levemente sua cabeça em reprovação, Katie virou seu corpo para que pudesse ir embora, entretanto Edson pegou sua mão, à medida em que retornava a dizer. Àquela altura, apenas poucas pessoas e eles haviam restado na praça.

- Katie, por favor, só me escuta. - então, ele começou a contar a verdade do que havia acontecido. Assim que falava, os olhos dela expressavam várias emoções: de tristeza e desapontamento a incredulidade e preocupação.

Depois que ele terminou, ela se encheu de coragem para poder começar a falar.

- Olha, Edson. Agora é minha vez de me desculpar pelo que vou dizer. Mas para mim, essa história parece ser muito absurda, além de que você traiu minha confiança. No festival, ela havia nos ajudado, matando o Daryl e o Steve.

- Mas Katie, veja...

- Não, Edson, não. Acho melhor a gente dar um tempo em nossa relação. - Katie o interrompeu, visivelmente entristecida. Ela se soltou da mão dele e, enfim, conseguiu caminhar de volta para o castelo, dessa vez sozinha.

Enquanto ela andava, os olhos dele exprimiam tristeza pelo o que havia ocorrido. Ela sequer uma vez olhou para trás, o que fez com que essa emoção aumentasse. 

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