Capítulo IV
Kaleb, acompanhado de James, bateu à porta do quarto de Edson. O pai de Katie havia contado para James o que havia acontecido no jantar, então, eles decidiram de forma unânime falar com ele. Após algum tempo, Edson abriu a porta, enquanto tentava arrumar seu cabelo e avistava os dois. Notando o olhar do pai de Katie, ele saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Depois, começou a caminhar para um canto isolado, enquanto eles o seguiam.
- Acredito que o motivo seja por causa do jantar de ontem. - Edson rompeu o silêncio, assim que havia parado de andar. Ele sussurrava, possivelmente para que ninguém pudesse escutar a conversa deles. Kaleb assentiu e logo pronunciou no mesmo tom que ele.
- Olha, eu não vim aqui te julgar. Mas você teve os seus motivos para ter agido daquele jeito e eu também tenho os meus. Não precisa ser vampiro para saber que ela estava agindo de forma estranha e que parecia hesitar em contar alguma coisa. Sem ofensas. - Edson abriu um sorriso, demonstrando que não havia se ofendido.
- Ela quem? - perguntou James, entrando na conversa no mesmo tom.
- A mãe de Katie. - prosseguiu Edson.
- Estão insinuando que ela esteja escondendo algo? - James arqueou a sobrancelha, enquanto Kaleb assentia em simultâneo a Edson. - Certo... e vocês têm alguma ideia do que possa ser?
- Só há uma maneira de descobrir. - pôde ser escutado a empolgação por parte do pai de Katie.
- Eu havia prometido para Katie que não iria fazer nada sem o seu consentimento e não pretendo descumprir.
- Vai realmente deixar eu e James na mão? - percebendo que Edson ia confirmar que sim, Kaleb prosseguiu. - Olha, você não precisa contar para ela que fez alguma coisa. Se descobrirmos algo, deixe que eu mesmo conte. Além disso, com essa divisão do reino, será melhor você ir escondido. E a mãe dela nem perceberá que é você. Fechado? - ele estendeu a mão para Edson. Pensativo e relutante, ele deixou se vencer, assim que havia apertado a mão dele. - Ótimo.
- Mas prometi também para ela que estaria na coletiva de imprensa de hoje. Se eu chegar atrasado, ela certamente irá desconfiar.
- Então, vamos logo. - Kaleb falou e James assentiu. Porém, os olhos dele aparentavam preocupação perante a situação de Edson. Ele, por sua vez, balançou levemente sua cabeça em afirmação, apesar de que, por dentro, sentia que traía a confiança de Katie, além de que havia um medo que o consumia.
Logo após a conversa deles, Edson caminhou de volta para o seu quarto para que pudesse se arrumar para a tarde que teria.
Kaleb e James esperavam Edson em frente à porta do quarto dele. Assim que ele saiu, dessa vez encapuzado por um casaco que vestia, eles rumaram em direção a saída do castelo.
Enquanto caminhavam, perceberam que a mãe de Katie, aquele momento, também estava indo na mesma direção que eles, carregando sua aljava e seu arco nas mãos. Portanto, ficaram um pouco atrás à espreita. Após um momento que ela saiu, eles fizeram o mesmo. Assim, notaram um carro branco, mais parecido com um táxi, estacionado em frente ao castelo.
Quando ela virou seu olhar para trás a fim de ver se alguém estava a seguindo, Edson e James, o qual carregou o pai de Katie por um de seus braços, se locomoveram com uma velocidade rápida para a lateral do castelo para que não fossem vistos. Assim que os olhos preocupados e suspeitos dela não avistaram nada, ela abriu a porta do passageiro e entrou.
- Fiquem aqui. Irei, de forma rápida, para o estacionamento pegar um carro para que possamos segui-la. - sabendo que a mãe de Katie poderia escutar, mesmo dentro do veículo, Edson falou em um sussurro muito baixo, que só James poderia ter ouvido pela sua proximidade.
Embora Kaleb não tenha conseguido escutar nada e, em um momento depois, Edson teria sumido repentinamente, nenhuma emoção era visível em seu rosto, pois confiava nele. Enquanto isso, James fixou seu olhar no carro, de forma atenta, como se estivesse tentando ver algo dele, o que conseguiu.
Quando o veículo onde a mãe de Katie estava deu sinal de que sumiu, um outro carro, Palio vermelho, havia aparecido em seu lugar. James rompeu o silêncio em que havia se estabelecido.
- Vamos. - então, eles começaram a correr em direção ao veículo.
Edson estava no banco do motorista, James estava ao seu lado e Kaleb atrás com o cinto de segurança colocado. Ele olhava para frente, enquanto dirigia com extrema atenção e estava determinado a seguir o outro carro. Então, assim que passavam pela ponte para entrar na cidade, ele perguntava sem sequer desviar os olhos.
- Vocês viram a placa do carro? - James assentiu e, embora não tivesse o olhado, Edson percebeu. Então, permaneceu atento aos números e letras que ele dizia, para tentar localizá-lo dentro da cidade.
Lembrando-se da cor em que havia visto, Edson conseguiu com êxito o seu feitio. Embora as ruas da cidade fossem estreitas, ele permaneceu com seus olhos fixos no outro automóvel. Percebendo que o carro ia virar para sair da Transilvânia, ele rotacionou o seu veículo para que pudesse permanecer o seguindo.
Assim que olharam pela janela, perceberam que estavam em uma região isolada, a qual era cercada por montanhas, ao horizonte, e por alguns prédios de estatura alta. Além disso, a rua havia sido alargada, onde continha apenas os dois veículos em perseguição. Portanto, em um momento mais a frente, a mãe de Katie havia virado seu rosto para trás e arregalou seus olhos, já que havia percebido o carro vermelho. O silêncio havia sido rompido por ela, em um tom alto e assustado.
- Não olhe e dirija mais rápido. - enquanto ela retirava uma flecha da aljava que carregava consigo, enquanto o arco permanecia repousado no banco ao seu lado, o motorista se tentou a olhar. Portanto, como um meio de assustá-lo, a cabeça dela, acompanhada de seus olhos vermelhos e caninos crescidos, apareceu para ele por entre os bancos da frente, ao mesmo tempo em que havia pronunciado novamente, dessa vez com um tom autoritário e amedrontador. - Não olhe e dirija mais rápido.
Então, o motorista, embora estivesse com medo, fez o que foi pedido. Seu olhar permaneceu fixo na rua em sua frente, enquanto tentava acelerar mais o carro. Ao mesmo tempo, ela havia se recomposto e voltado para a sua forma original. Abriu a janela da porta do passageiro do carro e, dispondo-se da flecha que estava segurando, utilizou de sua força e velocidade para arremessá-la em direção a uma das rodas do outro veículo.
Assim que Edson percebeu sua ação, ele virou, de forma brusca, o automóvel em que estava para que a flecha não atingisse a roda, mas sim o chão.
- Ela realmente tentou arremessar uma flecha? - Kaleb perguntou de forma retórica com os seus olhos assustados. O olhar compassivo de James encontrou o dele.
- Isso é o de menos. Agora, ela sabe que estamos a perseguindo. - uma voz com tom de raiva que vinha de Edson poderia ser ouvida.
Enquanto isso, um olhar de frustração poderia ser observado na mãe de Katie. Novamente, um tom autoritário poderia ser escutado dentro do carro branco.
- Acelere mais!
- Mas senhora... - tentou dizer o motorista em sua defesa. - Já estamos...
Impaciente com o seu discurso, os olhos dela se tornaram vermelhos novamente. Após isso, ela havia colocado os seus dois braços no pescoço dele. Com uma rotação, pôde ser ouvido um barulho de algo se partindo ou quebrando. O motorista, por sua vez, pendia sua cabeça para baixo com os olhos fechados, em sinal de que estava morto. Tirando o cinto dele, ela havia aberto a porta do motorista com certa dificuldade e o despejado dali, fazendo-o com que rolasse no asfalto da rua. Logo após, assumiu a posição de motorista, enquanto acelerava ainda mais o carro, o que fez com que passasse da marca dos 100 km.
No Palio vermelho, Edson observava o que ela fazia. No momento em que pôde ser verificado o motorista saindo do outro veículo, os olhos deles se arregalaram.
- Kaleb, segure firme. - Edson pisou no acelerador, fazendo com que o carro chegasse à marca aproximada de quilometragem do outro veículo. Com isso, apenas o corpo do pai de Katie se inclinou para trás, ao mesmo tempo em que uma pressão era submetida em sua caixa torácica, apesar do cinto de segurança. Ele tentou se segurar para que se mantivesse firme.
Enquanto isso, os olhos de Edson estavam se tornando brancos. Quando James olhou para ele, arregalou os seus de forma sutil, o que fez com ele não percebesse, já que estava prestando atenção a sua frente.
Achando tê-los despistado, a mãe de Katie observou, pelo retrovisor, o carro que se aproximava atrás de si. Então, ela estacionou o automóvel e saiu dele. Começou a correr de maneira muito veloz, aproximando-se de um dos prédios.
- Kaleb, consegue assumir o carro? - o silêncio foi quebrado pelo Edson, enquanto observava a ação da fuga do outro carro e a subida dela em um dos prédios. Embora estivesse um pouco enjoado pela velocidade em que havia sido submetido, ele assentiu de leve.
Então, Edson também estacionou o carro e eles saíram. Enquanto Kaleb assumia o posto de motorista, os dois começaram a correr na mesma velocidade que a mãe de Katie estava.
Quando Edson e James se aproximaram da lateral de um dos prédios, utilizaram do corrimão da escada de incêndio que continha para que pudessem ganhar impulso e subir para a cobertura. Enquanto isso, Kaleb já havia colocado o cinto e estava dirigindo, olhando para a parte de cima dos prédios para que pudesse ser guiado para onde quer que eles estivessem indo.
Logo após que subiram, retornaram a correr na mesma velocidade em que iniciaram, no intuito de seguir a mãe de Katie. À medida que corriam, ganhavam impulso para que pudessem saltar por entre os prédios. Enquanto estava sendo seguida, ela olhava para trás para verificar sua situação. Apesar de estar correndo, Edson rompeu o silêncio que estava, após alguns metros de distância.
- Você não consegue hipnotizá-la daqui?
- Só dá para hipnotizar olhando nos olhos. - James o respondeu sem demonstrar nenhum sinal de fraqueza ou falta de ar, embora estivesse correndo a uma velocidade surpreendente.
- Não podemos perdê-la de vista. Volte para o carro, darei um jeito. - James assentiu.
Então, ele havia parado de correr e pulou do prédio, aterrissando em cima do carro em movimento e em pé, o que fez um leve barulho. Permaneceu assim por um curto período, enquanto, em meio a locomoção do veículo, havia aberto a porta do passageiro e entrado no carro, assim fechando a porta.
Enquanto isso, em cima do prédio, os olhos de Edson, novamente, se tornavam esbranquiçados, o que fez com que ele adquirisse mais velocidade em sua corrida. À medida em que corria mais rápido, ele se aproximava mais perto dela, portanto, em um momento mais tarde, pulou em um mergulho para pegá-la pelo pé, entretanto, no exato momento que fez isso, ela pulou do prédio e sumiu, sem deixar nenhum rastro. Naquele instante, apenas a fúria era visível na expressão de Edson.
Na praça central da cidade, Katie estava vestida para a sua coletiva de imprensa. De sua pele, era possível ver o suor e a tensão que emanava dela, mesmo se a pessoa que a observasse não fosse um vampiro. Pelo pedido dela, Alexa estava lá em sua companhia como um ponto de apoio. Embora tivesse uma multidão de jornalistas e fotógrafos a sua frente, seus olhos estavam atentos e procuravam por uma pessoa em específico. No entanto, era um pouco difícil de ver quem ela estava procurando. A praça estava rodeada por alguns habitantes curiosos e que queriam ver o que estava acontecendo.
Assim que se aproximou do palanque, dispôs-se do microfone próximo a boca dela e o primeiro jornalista rompeu o silêncio para iniciar a sua pergunta.
- E, então, você ainda continua humana? - Katie assentiu.
- Como que isso é possível? Quase toda a população da Transilvânia viu a sua transformação no dia de seu aniversário. - outro jornalista perguntou.
- Um plano havia sido bolado. - sua voz reverberou por todo o local. Ela engoliu em seco antes de prosseguir. - Eu usei um anel com uma joia branca incrustada. Como a maioria deve saber, é a pedra da ressurreição. Eu realmente morri, mas, pelo anel, sobrevivi e ainda continuo humana. - à medida que ela dizia, mostrava o seu dedo indicador levantado com o anel que havia se referido.
- Mas como que você ainda continuou humana? Edson havia te mordido e você havia tomado sangue. - quando ela ouviu o nome dele ser pronunciado, seus olhos, que já estavam atentos, continuaram a procurá-lo, já que ainda não havia o encontrado. Portanto, em um momento, Katie ficou um pouco distante, mas logo se recompôs e quebrou o silêncio constrangedor que havia se formado.
- Tudo isso fazia parte do plano. Mas agora, eu envelheço mais devagar, pois ele havia me injetado toxinas quando me mordeu...
Mais e mais perguntas eram jogadas para ela. À medida em que estavam sendo feitas, não havia nenhum sinal de Edson, portanto Katie permaneceu preocupada com várias perguntas rondando sua cabeça, o que fez com que ficasse ainda mais distante.
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