Capítulo VI
— Katie, acorde. — Ela ouviu uma voz masculina e melodiosa chamá-la. Então, ao mesmo tempo que abriu seus olhos, Katie sentiu que estavam em terra firme. — Chegamos. — Assim que Edson falou, ela olhou pela janela e viu que haviam aterrissado em um campo rodeado por árvores.
Quando Katie tirou o cinto, eles se levantaram e saíram do jato. Edson lhe ofereceu o braço e ela aceitou. Então, começaram a caminhar.
Assim que se aproximaram, avistaram um castelo marrom de estatura média, onde, em frente dele, existia um jardim. Quando chegaram à entrada, depois de terem subido os degraus da escada, ele bateu à porta.
Enquanto se abria, Katie se desprendeu do braço dele, porém Edson pegou sua mão. Depois, apareceu uma jovem alta e morena, com seus cabelos lisos e olhos castanhos. Vestida por um vestido vermelho longo, ela fez uma expressão surpresa assim que o avistou.
— Edson. Não esperava encontrá-lo por aqui. — Disse em um tom indiferente e em uma língua que Katie não conhecia.
— Ela só fala italiano e é controlada pelos Holst. — Edson disse ao ouvido de Katie. — Antoine. Eu também não, mas é necessário. — Quando ele falou em italiano, Katie fez uma expressão surpresa. — Podemos entrar?
— Não posso deixá-los. — Edson fixou o seu olhar nela, o que fez os olhos de Antoine mudarem de tom, do claro para o escuro.
— Podemos entrar? — Repetiu as mesmas palavras em italiano, enquanto demonstrava um sorriso debochado.
— Podem, entrem. — Assim que ela disse, estendeu seu braço e deu espaço da entrada.
— Obrigado. — Então, Edson e Katie adentraram. Ela notou que as paredes eram pintadas de marrom e que haviam dois corredores largos de cada lado, além de uma escadaria em frente à porta que levava a outros dois corredores de mesma largura. — Leve-nos para a sala de execução. — Antoine assentiu.
— Sigam-me.
Então, eles subiram os degraus da escadaria. Quando chegaram ao topo, viraram para a esquerda e andaram por um corredor com paredes amarronzadas e semi escuro, o qual era iluminado por uma única lâmpada que pendia no teto. Após, eles se aproximaram do destino.
— Aqui é a sala que deseja. — Antoine abriu a porta.
— Obrigado. — Ele a demonstrou um sorriso gentil. — Quando você voltar, não se lembrará de nada do que aconteceu.
— Não me lembrarei de nada. — Assim que falou para si mesma, Edson estalou os dedos de forma disfarçada, o que fez ela se despertar de seu transe.
Então, Katie e Edson adentraram no cômodo. Portanto, avistaram uma sala ampla com uma janela grande e um altar contendo três tronos.
— James. — Katie disse em um sussurro e, então, percebeu todos os olhares nela.
— Katie. — Disse James, dando-lhe um sorriso sincero.
— Ora, ora. — Assim que se levantou, uma pessoa alta e branca, com cabelos cacheados loiros e olhos amarelos, começou a dizer. — Quem nós vemos aqui. Vossa Alteza. — Dirigiu-se a ele em um tom debochado e sarcástico. — Que surpresa vê-lo por aqui.
— Matteo. — Disse Edson, com o seu olhar fixo nele.
— Veio pegar a sua punição? Ah, vejo que trouxe companhia. — Matteo havia olhado para Katie. — Katie Westwood, filha de Kaleb Westwood e Sophie Westwood, a família de caçadores mais bem sucedida e famosa. Sinto muito pela sua mãe. — Deu-lhe um sorriso sarcástico. — Comece a execução, Bianca. — Assim que ordenou em um tom frio e autoritário, ele voltou a se sentar.
— Sim, Matteo. — Sentada em seu trono, uma jovem alta e branca, com cabelos negros e olhos vermelhos, disse. Fixando seu olhar em James, ele se contorceu, com sua expressão em dor.
— Não. — Katie disse em um tom alto e eufórico. Portanto, soltou sua mão de Edson e correu, colocando-se em frente a ele. Bianca bufou, enquanto desviava o seu olhar, já que se desconcentrou por perceber que não fazia dor nela.
— O colar dela contém verbena. — Ela falou depois de ter percebido.
Levantando sua mão, Bianca fez um gesto e jogou Katie em uma parede a uma distância razoável. Assim que bateu sua cabeça, ela fez uma expressão dolorida.
— Katie. — Edson disse em um tom alto e eufórico, ao mesmo tempo que se aproximou dela em um rápido movimento.
Estendendo seu braço, Bianca arrancou o colar dela, que, à medida que puxava seu braço de volta, o objeto se aproximava. Assim que chegou perto, ela o pegou no ar.
— Muito bem, Bianca. — Disse Matteo, enquanto a demonstrava um sorriso amigável. — E você, Edson, terá o que merece. Demon. — Assim que ele falou, um rapaz, com cabelos negros e olhos azuis, havia assentido. Então, ele fixou seu olhar em Edson, o que fez os olhos dele mudarem de cor para um tom esbranquiçado.
— Edson, lute. — Katie queria gritar, porém ela apenas conseguiu falar em um tom suave e calmo.
— Katie, não dá para aguentar, estou perdendo a humanidade. — Quando ele disse as últimas palavras, ela arregalou os olhos.
Apesar de estar fraca, com a sua expressão dolorida, Katie se levantou, cambaleando, e se colocou na frente de Edson, o que fez ela sentir os olhos dela mudarem de cor e, consequentemente, uma sensação agonizante.
— Não, pare. — Matteo fez um gesto, induzindo que Demon fizesse o seu pedido. — Ela terá uma sensação pior.
Então, Katie arregalou os olhos, enquanto Matteo fixava os seus nos dela. Portanto, ela os sentiu novamente mudarem de tom. Quando olhou ao seu redor, apenas viu um clarão a cegando.
Após alguns minutos, quando Katie olhou em volta, notou que o clarão havia sumido e que estava em uma sala de estar no Alasca. À medida que olhava ao redor, ela percebia que tinham balões roxos e pretos nas paredes e, na mesa, havia um bolo com uma vela de número um e outra de número quatro. Então, deduziu que estivesse em seu aniversário de quatorze anos.
Assim que se percebeu, ela olhou para as suas roupas e notou que estava com as mesmas. No entanto, quando passou sua mão por um dos balões, ela o atravessou como se Katie estivesse invisível ali.
— Pai. — Uma voz feminina, a qual reconhecia e que vinha da cozinha, havia falado. Aproximando-se, Katie arregalou seus olhos, assim que viu que aquela voz vinha dela mesma próximo à bancada. Ela vestia um vestido florido, que havia ganhado de seu aniversário. — Será que a mamãe e a Claire vão vir? — Ela perguntou ao seu pai. Naquele momento, ele enchia alguns copos descartáveis roxos com Guaraná.
— Claro que sim, meu amor. — Ele a deu um beijo na bochecha. Assim que ouviram batidas à porta, Katie notou que os olhos dela se iluminaram.
— Deixa que eu atendo. — Disse ela, enquanto se dirigia para o local.
Quando se aproximou, abriu a porta. Então, elas avistaram uma pessoa alta e branca, com seus cabelos negros e olhos castanhos.
— Mamãe. — Disseram em uníssono. Entretanto, enquanto a Katie mais nova havia falado em tom de alegria, ela havia falado em tristeza e começado a chorar.
— Katie. — disse Sophie, assim que adentrou e fechou a porta. — Feliz aniversário, meu amor. — Elas se deram um abraço. — Trouxe um presente. — Então, a mãe de Katie lhe revelou, de suas costas, um embrulho branco com bolinhas pretas envolto por um laço de fita branco.
— Obrigada, mãe. Não precisava. — Deu-lhe um sorriso tímido. Quando estendeu o presente, ela o pegou e se dirigiu para o sofá.
— Oi, amor. — Kaleb deu um selinho na boca de Sophie.
Assim que a Katie mais nova se aproximou do móvel, ela se sentou e tirou o fino laço. Após, rasgou o embrulho, revelando uma caixa preta. Quando a abriu, ela percebeu um pingente de coração com uma face inexpressiva, enquanto a Katie invisível havia arregalado seus olhos. O colar delas.
— Gostou, filha? — A mãe de Katie lhe perguntou, após ter se aproximado do sofá e se sentado ao seu lado.
— Sim. É muito bonito. — Enquanto Katie dizia meio sem jeito, ela pegava o colar da caixa. — Mas por que você me deu isso, mamãe?
— Para te proteger das coisas ruins que há no mundo.
— Vampiros. — A outra Katie havia pensado e sorrido.
Assim que pegou o colar de sua mão, Sophie afastou o cabelo de sua filha e o colocou em seu pescoço.
— Fica muito bonito em você. — Ela deu um sorriso tímido para sua mãe.
— Obrigada, mamãe. — Deram um abraço. Depois de terem ouvido outras batidas à porta, disse novamente. — Deixa que eu atendo.
Então, após ter guardado a caixa do presente, ela se levantou e se dirigiu novamente para a porta principal. Assim que se aproximou, ela a abriu e viu Claire com seus cabelos negros naturais trajando um vestido roxo estampado.
— Oi, Katie. Feliz aniversário. — Enquanto dizia, Claire havia estendido um embrulho roxo com um laço de fita preto.
— Obrigada, Claire. — Ela pegou o presente. — Não precisava. — Então, deu-lhe um sorriso tímido e um abraço, o qual foi retribuído.
— Pode entrar, Claire. — Kaleb falou, enquanto estava próximo à caixa de som. — Sinta-se em casa. — Ele apertou um botão, o que fez tocar Focus, de Ariana Grande.
— Obrigada, Sr. Westwood. — Claire disse, ao mesmo tempo que lhe demonstrou um sorriso tímido. Então, ela adentrou e fechou a porta.
— Oi, Claire. — Sophie falou após tê-la notado e se levantado do sofá.
— Oi, Sra. Westwood.
— Não precisa de formalidades, pode me chamar de Sophie. — Ela lhe demonstrou um sorriso gentil. Então, Claire assentiu e retribuiu seu sorriso.
— Venha, Claire. — Após ter colocado o embrulho dela na bancada da cozinha, a Katie mais nova falou. Ao mesmo tempo, havia começado a tocar Footloose de Kenny Loggins. — Vamos dançar. — Ela pegou uma das mãos de Claire e a conduziu para próximo à caixa de som.
Assim que a soltou, começaram a se remexer, ao mesmo tempo que levantavam os braços e os sacudiam. Elas inventavam novas coreografias e haviam dançado três músicas até se cansarem.
Após algum tempo, o pai de Katie, ao mesmo tempo que segurava uma caixa de fósforos, foi para perto da mesa, onde continha o bolo.
— Venha, Katie. — Chamou ele. — Vamos cantar parabéns. — Assim que a caixa de som foi desligada, Claire e Sophie se aproximaram da mesa e Katie foi para trás do bolo.
Kaleb abriu a caixa de fósforos e pegou um deles. Assim que o riscou, acendeu as duas velas. Após, começaram a cantar, enquanto batiam palmas, com suas expressões felizes.
— Parabéns para você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.
— Faça um pedido, Katie. — Disse Sophie.
— Quero que esse momento dure para sempre. — As duas Katie pensaram juntas, pois a invisível ainda se lembrava. Elas sorriram simultaneamente, enquanto a que fazia aniversário mantinha seu olhar fechado.
— Já fez? — Assim que abriu seus olhos, a mãe dela havia lhe perguntado. Ela balançou a cabeça em confirmação. — Então, pode assoprar. — Fez o que foi pedido. Após algum tempo, ouviram batidas à porta. — Deixa que eu atendo. — Portanto, ela se dirigiu para o local.
Assim que se aproximou, Sophie abriu a porta e avistou uma pessoa alta e branca, com seus cabelos loiros e olhos azuis. Nathaniel. Portanto, tanto a mãe de Katie quanto a Katie invisível arregalaram seus olhos.
— O que você quer, Nathaniel? — Ela lhe perguntou depois de ter saído e fechado a porta. Naquele momento, Katie havia atravessado a parede para poder ouvi-los.
— Vim comemorar o aniversário de sua filha. — Ele a demonstrou um sorriso sarcástico. — Posso entrar? — Sophie se posicionou em frente à porta.
— Enquanto eu estiver viva, você nunca irá encostar um dedo em minha filha. — Nathaniel arqueou uma sobrancelha.
Após, ele envolveu suas mãos na cintura dela em um rápido movimento e deu um beijo prolongado.
— Você ainda se lembra disso? Nós éramos um casal. — Ele disse em um tom gentil.
— Ainda bem que você disse certo, éramos. — Ela passou a língua em seus lábios, parecendo tirar um gosto horrível que tinha ficado em sua boca. — E preferia não ter lembrado. — Então, Sophie ergueu sua mão e deu nele um tapa no rosto. A expressão de Nathaniel, naquele momento, era de dor. — Isso por ter me beijado. — Os olhos dele se tornaram verdes.
— Sua cretina. — Katie invisível e sua mãe arregalaram seus olhos.
À medida que Nathaniel crescia seus caninos, havia pegado o pescoço dela em um rápido movimento e o mordido, o que fez ela começar a gritar.
— Não. — Katie falou em um tom alto e eufórico e estendeu sua mão. Ao mesmo tempo, começou a chorar novamente.
Assim que se afastou, Nathaniel viu que Sophie havia caído no chão, ao mesmo tempo que escorria sangue de seu pescoço.
— Sophie. — Kaleb saiu de casa e falou. Os seus olhos encontraram pelos dele, portanto fez uma expressão assustada, por ter visto os caninos crescidos de Nathaniel com líquido vermelho e os olhos verdes dele. Após, Nathaniel sumiu em um rápido movimento.
Voltando sua atenção para a sua esposa, Kaleb se abaixou e pegou a mão dela. Sem saber o que fazer, acariciou o cabelo da mãe de Katie.
— Pai. — A Katie mais nova havia saído de casa com Claire, com sua expressão confusa. — Mãe. — Disse em um tom alto e eufórico e começou a chorar. Quando seu pai a viu, deram um abraço em trio numa tentativa de confortá-la.
Olhando em volta, a Katie invisível apenas viu o clarão a cegando novamente, portanto fechou seus olhos, enquanto as poucas lágrimas ainda escorriam por eles.
Quando Katie olhou em volta, ela percebeu que o clarão havia sumido e que estava de volta à sala de execução na Itália. Assim que se percebeu, ainda escorriam lágrimas pelo seu rosto.
— Então, como se sente? — Matteo disse, enquanto se sentava novamente. — Nada? Creio que ficou sem palavras. — Ele a demonstrou um sorriso debochado. — Demon. — Viu que ele balançou a cabeça em confirmação.
Então, Demon fixou o seu olhar nela. Os olhos de Katie mudavam de cor, enquanto ela sentia uma sensação agonizante.
— Somente quando for necessário. — Lembrou-se do que seu pai lhe falou.
Então, pegou a adaga do bolso de sua calça e a jogou, o que fez acertá-la no ombro dele. Assim, ele se desconcentrou, ao mesmo tempo que soltou um gemido de dor.
— Suba em mim. — Em um rápido movimento, Edson se posicionou a frente dela. Enquanto isso, Matteo apertou um botão vermelho de sua cadeira, o qual soava os alarmes. Katie assentiu e subiu em suas costas, à medida que envolvia os seus braços no pescoço dele e suas pernas na cintura.
— Vocês não vão sair daqui impunes. — Matteo gritou.
James e Edson, com Katie, saíram do local em um rápido movimento. Quando passaram por uma janela, James parou de se locomover e a abriu.
— Temos que sair por aqui, senão eles vão nos pegar. — Edson assentiu e olhou para ela.
Quando balançou a cabeça em confirmação, James pulou e, em seguida, foi a vez de Edson, enquanto Katie fechava seus olhos. Assim que os abriu, ela percebeu que aterrissaram em pé.
— Estão todos bem? — Edson os perguntou, enquanto Katie descia de suas costas. James balançou a cabeça em confirmação.
— Não, eu perdi meu colar. — James lhe deu um sorriso gentil. Então, ele estendeu seu braço e abriu sua mão, revelando um pingente de coração. O colar dela. — Obrigada novamente. — Katie se virou e, assim que afastou o cabelo dela, ele o colocou. Quando viu a sobrancelha arqueada de Edson, ela prosseguiu. — É uma longa história.
Após alguns minutos em silêncio, Edson começou a dizer.
— Katie, o que você viu?
— Eu vi a morte de... — Assim que ia completar a frase, Katie sentiu uma tontura pelo impacto da batida na cabeça, o que a fez desmaiar.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top