Capítulo XII
Enquanto Katie olhava pela janela, avistava as ruas movimentadas tanto de pessoas quanto de carros. Além disso, notava que as casas eram pequenas e feitas, em sua maioria, de madeira, com telhas triangulares. Os comércios estavam abertos acompanhados pelos postes com as luzes acesas. Apesar das ruas serem movimentadas, as estradas eram estreitas.
Assim que ela se despertou de seus devaneios, olhou para o carro e percebeu que James estava a olhando pelo canto de seus olhos, porém, quando ele notou que Katie estava o observando, tentou disfarçar, enquanto sorria e corava levemente. Ela sorriu com ele, depois voltou sua atenção para a janela. Apesar de tê-la capturado, James foi gentil, então não sabia o que pensar sobre ele.
Após alguns minutos, Katie observou que estavam se aproximando de uma cabana vermelha, a qual ficava isolada da cidade. Quando o carro foi estacionado em sua frente, Nathaniel desligou a chave da ignição e a pegou para que pudesse colocar no bolso de seu casaco. Depois de ter aberto a porta do motorista, ele saiu, enquanto os outros também se retiravam aos poucos.
— Lar doce lar. — Dizia o de cabelos castanhos, ao mesmo tempo que segurava o seu notebook.
— Então, é aqui onde eles moram? — Katie fez uma pergunta retórica em pensamento.
Assim que fechou a porta do motorista, Nathaniel abriu a porta de onde Katie estava e a pegou pelo braço de forma indelicada.
— Cuide dela, Daryl. — Ela notou que o de cabelos negros e olhos azuis se aproximou, o que fez Nathaniel entregá-la.
Assim que se aproximaram da porta da cabana, Daryl a abriu. Quando entraram, Katie apenas viu várias cadeiras espalhadas e duas mesas, onde, em cima de uma delas, existia uma corda.
— Fique aí. — Daryl ordenava, enquanto a jogava no chão perto de uma mesa.
— Ai. — Katie soltou um gemido de dor mentalmente, ao mesmo tempo que sua expressão ficou dolorida.
Após, Daryl pegou a corda e amarrou os pulsos de Katie em uma das pernas da mesa de forma que ficassem atados juntos. Por fim, ele saiu dali.
Olhando em volta, Katie notou que a cabana possuía poucas janelas e que a pintura das paredes era escura, o que facilitava a escuridão do lugar.
— Ótimo. Além de ficar presa, vou morrer asfixiada em um local escuro. — Ela pensou, enquanto demonstrava um sorriso irônico. Como não havia nada para fazer, Katie adormeceu sem saber o que a esperava.
James estava sentado na cabana, ao mesmo tempo que a observava dormir a uma distância razoável. Enquanto isso, ele se relembrava da época em que ainda era humano, o que fazia cinco séculos aproximadamente. Naquele momento, a cabeça de Katie pendia para baixo em sinal de que estava mesmo dormindo.
Após, ele se aproximou dela de forma cuidadosa. Enquanto a observava, via que Katie parecia mesmo uma princesa, não por causa de suas vestimentas e acessórios, mas pelos seus trejeitos. Quando James se virou, assim que se levantou para ir em direção a saída, esbarrou em uma cadeira, o que causou um ruído.
— Droga, você tinha que fazer barulho agora? — Ele fez uma pergunta retórica em pensamento. Quando se virou para olhá-la, percebeu que seus olhos estavam se abrindo.
— James? — Katie chamava, enquanto apertava seus olhos em uma tentativa de enxergar algo no escuro.
— Sorte que ela não era vampira. — James pensou, ao mesmo tempo que sorriu. Silêncio.
— James, é você? — Katie tentou chamá-lo novamente, dessa vez em um tom mais alto.
Ele não a respondeu, pois não queria que ela pensasse que gostasse dela, apesar de tê-la capturado. Portanto, James apenas se locomoveu de forma rápida para a saída e fechou a porta silenciosamente.
— Acorda. — Katie ouvia uma voz melodiosa e irritada ao mesmo tempo, à medida que sentia solavancos abruptos. Quando abriu seus olhos, viu uma pessoa alta com seus cabelos loiros penteados e alinhados perfeitamente. Nathaniel. — Até que enfim, — Disse ainda irritado. — coma. — Assim que falou, jogou uma bandeja em frente à Katie, a qual continha um prato com um bolo de laranja.
— Como que eu vou fazer isso com minhas mãos atadas? — Ela falou em um tom mais alto e irritado em uma tentativa de finalmente enfrentá-lo.
— Como é que é? — Quando Nathaniel ouviu, parou e se virou para ela, enquanto estava caminhando para a saída. — Pode repetir, por favor? — Ele perguntou em um tom irônico, ao mesmo tempo que demonstrou um sorriso brincalhão no rosto.
— Isso mesmo que você ouviu. — Katie viu que ele se aproximava dela.
— Por acaso, — Nathaniel começou a falar, enquanto se abaixava para ficar à sua altura. — você não tem medo de mim, não é? — À medida que falava em um tom intimidador, fitava os olhos dela.
— Que bom que você sabe. — Katie disse com o seu tom firme e sarcástico ao mesmo tempo, enquanto o imitava e o mostrava um sorriso irônico. Ela viu que os olhos azuis de Nathaniel estavam se tornando verdes. — Você sabe que não vai sair ileso, sabe? — Assim que ouviu um riso estrondoso por parte dele, deu um sorriso torto.
Naquele momento, James se aproximava da cabana para que pudesse vê-la. No entanto, enquanto chegava perto, seus ouvidos captavam a conversa que ocorria dentro do local. Então, ele ficou ao lado da cabana encostado na parede a fim de continuar ouvindo.
— Não é você quem eu quero. — Nathaniel a deu tapas nas bochechas, o que a fez virar o rosto. — Você é apenas minha isca. — Após dizer, ele a encarou de forma assustadora, à medida que colocava seus rostos a pouco centímetros. — Agora, você tem medo de mim. — Enquanto arqueava a sobrancelha, Nathaniel franzia o nariz, o que parecia querer sentir o cheiro dela.
— Ainda não. — Katie disse firme, assim que o demonstrou um sorriso debochado. Ouvindo isso, os olhos dele se tornavam verdes, ao mesmo tempo que arrancava o colar do pescoço dela. — Devolva-me. — Katie ordenou, enquanto puxava a corda da perna da mesa para tentar se soltar. Nathaniel apenas balançou a cabeça em negação.
— Ficará comigo, até você aprender a se comportar. — Enquanto ele se levantava, os olhos dele voltavam à cor original. — Agora, coma. — Então, Nathaniel se encaminhou para a saída.
Após ter saído, ele fechou a porta de forma abrupta. Embora Katie estivesse com fome antes, não quis comer, pois havia perdido seu apetite. Quando Nathaniel estava do lado de fora da cabana, ele jogou o colar de Katie na grama. Depois, começou a caminhar para que pudesse sair dali.
Enquanto James o perdia de vista, ele se aproximava da porta de entrada. Por ter visto o colar de Katie caído, ele o pegou e guardou consigo para que pudesse devolvê-lo depois. Por fim, começou a caminhar sem rumo.
Edson, Claire e o pai de Katie estavam na biblioteca do castelo para que pudessem discutir sobre o plano de salvar a Katie. Eles estavam reunidos em volta de uma de suas mesas redondas, onde havia um mapa da cidade.
— Muito bem. — Começou a dizer o pai dela, enquanto segurava um lápis na mão. — Edson, alguma ideia para onde eles poderiam tê-la levado? — Seus olhos em expectativas fitavam os de Edson.
— Sim. Eles a levaram para a parte isolada da cidade, exatamente aqui. — Ele apontou, no mapa, o local exato de onde ela estaria. Quando o pai de Katie viu, desenhou um círculo em volta do lugar.
Naquele momento, James havia chegado a uma parte de fora do castelo, o que o fez conseguir escutar a conversa que ocorria dentro do local em que eles estavam.
— Como você sabe? — Claire perguntou ao Edson, ao mesmo tempo que arqueou a sobrancelha, enquanto sua expressão permanecia confusa. Quando ele ouviu, suspirou profundamente, assim que se lembrou da época em que era amigo deles e que andavam juntos.
— É uma longa história. — Disse em uma tentativa de desviar seu pensamento para outra coisa.
Quando James ouviu Edson dizer, ele deu um sorriso de canto, enquanto também se lembrava. Embora eles estivessem de lados opostos, eram e ainda são bons amigos desde a época em que Edson andava junto com o seu grupo.
— Muito bem. Para resgatá-la, precisamos saber os pontos fracos de quem estamos lidando. Poderia descrevê-los, Edson? — Assim que falou, o pai de Katie prontificou seu lápis em uma folha de papel posta na mesa.
— São vampiros que sugam o sangue de suas vítimas até a morte. — À medida que Edson falava, ele escrevia as mesmas palavras com exatidão. — São um dos quartetos mais antigos que existem. — Depois, o pai de Katie escreveu uma lista de coisas que poderiam ser usadas contra eles.
— Precisamos de alho e estacas de madeira. — Por fim, disse meio sem jeito, enquanto fitava os olhos de Edson. — Irei providenciar os materiais, mas precisaremos de um automóvel. Iremos sair hoje à noite.
— Pode deixar essa parte comigo. — Ele sorriu.
Após, o pai de Katie enrolou o mapa e o pegou. Quando eles saíram da biblioteca, Edson fechou a porta e caminhou para o seu quarto. Assim que James ouviu que eles estavam saindo, ele seguiu de volta para a cabana a fim de devolver o colar de Katie e deixá-la informada.
Enquanto isso, Edson adentrava em seu cômodo e se dirigia para o closet. Quando entrou, ele trocou sua roupa da coroação, inclusive pegou sua jaqueta para que pudesse colocá-la. Naquele momento, não era hora de ser príncipe, mas de ser apenas ele.
Quando James entrou na cabana, aproximava-se de Katie cuidadosamente, enquanto seguia seu olhar confuso, preocupado e amedrontado ao mesmo tempo. Aos poucos, ele chegava próximo a ela e se abaixava para ficar a sua altura.
— Vim te avisar que seu namorado, seu pai e sua amiga virão resgatá-la. — Disse com um tom suave em uma tentativa de manter contato com ela.
— Como você sabe disso? — Katie o perguntou com sua expressão confusa.
— Eu estava na hora. — Assim que falou, James a demonstrou um sorriso gentil.
— Você o quê?! — Fez uma pergunta retórica, enquanto arregalava seus olhos.
— Eu realmente não deveria ter aberto a minha boca. — James pensou, como se estivesse irritado consigo mesmo. — Agora, ela vai ficar mais confusa ainda. — Sorriu de forma preocupada.
— E por que acha que devo confiar em você? — Quando James se sentou, mostrou sua mão fechada. Portanto, assim que a abriu, os olhos de Katie se arregalaram, pois ele havia a revelado um pingente de coração, o qual continha verbena. — Meu colar. — Ela exclamou em um sussurro muito baixo. Com James se aproximando mais, colocou o colar em volta do pescoço dela, enquanto sorria. — Obrigada. — Katie sorriu em agradecimento.
— Disponha. — Ele disse, ao mesmo tempo que se afastou um pouco.
— Mas como você sabia? — Ela arqueou a sobrancelha.
— Como disse, estava na hora. — James a demonstrou um sorriso brincalhão.
— Você é confuso, sabia? — Katie o fez uma pergunta retórica em um tom amigável e brincalhão ao mesmo tempo.
— Sabia. — Disse, assim que sorriu levemente. — Mas você não sabe minha história. — Quando falou, ficou distante e pensativo, enquanto percebia que os olhos dela procuravam pelos seus.
— Sou toda ouvidos. — Katie dava um sorriso amigável, ao mesmo tempo que o olhava, o que dizia que estava mesmo prestando atenção e que estava interessada em sua história.
— Tudo bem. — Quando James suspirou levemente, começou a dizer. — Cinco séculos atrás, — A expressão de Katie ficou espantada. — eu era um soldado recrutado da Romênia e estava na guerra chamada Guerra dos Oitenta Anos. O Nathaniel e o Daryl estavam comigo, pois eles haviam sido recrutados na mesma época que a minha. Percebi que seus olhos eram de uma cor diferente, que nunca havia visto. Além disso, eles eram fortes e nunca estavam machucados ou sangrando e queria ser como eles, pois tinha medo de perder a vida. — James sorriu de forma pensativa. — Na época, não se tinha um conhecimento aprofundado sobre os vampiros. Então, fui conversar com eles e disseram que iam pensar no meu caso. Na guerra, fui acertado, portanto fiquei oscilando entre a vida e a morte, e só lembrava de ter acordado assim do jeito que sou agora. Aos poucos, as lembranças foram voltando e tive que me juntar a eles. Você entende, agora, Katie? — Quando James falou, pegou as mãos de Katie, o que o fez sentir seu toque quente. Naquele momento, a expressão dela estava pasma e assustada. — Não posso abandoná-los, porque eles me salvaram da morte, apesar de estar condenado para sempre. Isso seria considerado traição.
— M-mas, — Katie começou a dizer de forma envergonhada, enquanto parecia escolher as palavras certas. — você não iria abandoná-los. — Ela deu um sorriso tímido. — Você poderia vir conosco e viver livremente no castelo.
— Eu seria seu cúmplice. — James a demonstrou um sorriso envergonhado. — Iria contar sobre vocês para eles e...
— Nós estaríamos preparados. — Katie o interrompeu e sorriu em uma tentativa de encorajá-lo. — Por favor, só pense um pouco nisso.
— Irei pensar. — Ele soltou suas mãos e deu um beijo em sua bochecha, portanto percebeu a expressão arregalada dela pelo seu ato.
Após ter se levantado, James saiu da cabana em um rápido movimento. Por fim, fechou a porta de forma silenciosa.
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