Capítulo VII
— Katie, — Ela ouviu uma voz suave e melodiosa a chamando. — Katie! — Sentiu leves solavancos, o que parecia que alguém estava a sacudindo. Então, ela abriu seus olhos e notou que havia adormecido no ombro de Edson. Katie havia perdido a noção de tempo e de espaço, mas quando olhou em volta, viu que estava dentro do avião, enquanto a mesma aeromoça de antes estava carregando um carrinho de lanches e a observava.
— Vão querer alguma coisa? — Disse ela, ao mesmo tempo que os mostrou um sorriso gentil. Assim que falou, o estômago de Katie começou a fazer barulho, o que avisava que ela não havia comido há mais ou menos um dia. Por instinto, colocou sua mão nele. Então, quando olhou para o carrinho, avistou que havia variedades de comidas, desde frutas a bolos.
— Não, obrigado. — Começou a dizer Edson, com a aeromoça ainda os olhando e sorrindo. — E você, Katie?
— Vou querer ovos mexidos com bacon e torradas e um suco de morango, por favor. — Então, a aeromoça apertou um botão da poltrona, de onde Katie estava sentada, e saiu uma bandeja. Ela pegou um prato onde continha o pedido dela e, assim que colocou o copo no seu lugar, encheu-o com a garrafa de suco. Sorte que o avião não estava turbulento. — Obrigada. — Katie agradeceu, ao mesmo tempo que a aeromoça foi atender outro passageiro.
Por fim, Katie pegou um garfo, que estava envolto por um plástico, e começou a comer pelos ovos mexidos. Depois, pegou uma torrada com a mão e deu uma mordida.
— Dormiu bem? — Perguntou Edson de forma gentil. Ela concordou com a cabeça, pois estava bebericando o seu suco. Então, ele voltou a observar a paisagem pela janela pequena do avião, enquanto Katie terminava de comer.
— Que horas são? — Katie perguntou, pois também estava sem noção de tempo.
— São nove horas da manhã. — Ela arregalou os olhos. Havia perdido completamente a noção do tempo. Olhou em volta mais uma vez e viu que algumas pessoas estavam dormindo, enquanto outras comendo e algumas fazendo outras coisas para relaxar, como lendo ou ouvindo música.
— Onde estamos?
— Estamos sobrevoando a divisa da Romênia com a Hungria. Estamos quase chegando ao nosso destino. — Assim que ouviu as suas últimas palavras, Katie começou a suar novamente e a pensar em monte de bobagens: como seriam os pais de Edson, se ia ser aceita, se ia se adaptar, se não causaria vergonha. Portanto, ela se levantou para pegar a sua mochila e abri-la para que pudesse pegar seu celular e seus fones de ouvido. Depois de ter fechado sua bolsa, Katie se sentou e colocou Shape of You, de Ed Sheeran, para relaxar.
— Senhores e Senhoras, passageiros. Por favor, apertem o cinto, vamos pousar. — Após meia hora aproximadamente, o piloto anunciou no megafone, quando Katie estava ouvindo Despacito de Luis Fonsi.
Ela apertou o cinto, quando quase todos os passageiros já haviam apertado, e sentiu uma leve mudança no comportamento do avião. Estava indo mais rápido para baixo.
— Senhores e Senhoras, passageiros, bem-vindos a Transilvânia. — Anunciou novamente o piloto. Katie sentiu o avião parado em terra firme e, quando olhou para Edson, viu que ele estava sorrindo.
Quando ela ia se levantar, ele colocou a mão no quadril dela em uma tentativa de pará-la.
— Deixe todo mundo descer primeiro. — Então, ela voltou a se sentar.
Quando todo mundo desceu, Katie se levantou e pegou a sua mochila. Depois de ter guardado o celular e os fones dentro dela, colocou-a nas costas, enquanto Edson já tinha se levantado. Por fim, foram para a saída.
Assim que desceu os últimos degraus da escada, Katie sentiu um Flash nela. Quando olhou de onde tinha vindo, percebeu que havia fotógrafos paparazzi tirando fotos dele, que já havia descido. Olhando em volta pelo aeroporto, ela paralisou. Havia centenas de pessoas aglomeradas entre si, atrás de linhas, junto a seguranças, enquanto algumas erguiam cartazes que diziam Nós amamos o Edson, Viva a Realeza, e outras com celulares na mão também tirando foto dele. Katie percebeu que seu rosto ardia de tão corada por estar muito envergonhada.
Quando Edson percebeu que ela não estava se movendo (e, talvez, nem respirando), ele foi para perto dela e ofereceu o braço para incentivá-la a prosseguir. Então, Katie aceitou, assim que colocou o seu braço em volta do dele. Após, começaram a caminhar pela multidão enquanto dois guarda-costas iam atrás deles.
— Acostume-se, pois essa será a sua nova realidade. — Sussurrou Edson ao ouvido dela.
— Minha nova realidade? — Ela pensou. Doía só de pensar que antes Katie não era quase ninguém e, quase do dia para a noite, ela iria se tornar uma princesa e seria popular.
— Te amo, Edson. — Gritou uma menina em uma língua que Katie não conhecia. Quando Edson ouviu, ele apenas acenou para ela e depois para todos. Assim que Katie observava mais de perto, notava que algumas pessoas eram parecidas com o Edson e outras parecidas com ela, portanto ficava um pouco mais aliviada por isso.
Caminhando mais para frente, o clima começava a ficar diferente. Havia também dezenas de pessoas aglomeradas, porém, ao contrário das outras, erguiam cartazes que diziam Viva a Democracia, Direitos Iguais para Todos, e que os vaiavam, à medida que Katie e Edson ultrapassavam por eles. Ela viu que uma menina tentou se aproximar dele com raiva, mas foi impedida pelos guardas, antes que pudesse fazer alguma coisa. Viu também os quatro rapazes daquele mesmo dia.
Ao final do trajeto, Katie ficou aliviada e muito feliz, querendo pular de felicidade, por aquilo ter acabado. Entretanto, percebeu que isso só era o começo e que continuaria se ela se tornasse princesa. Por fim, avistou uma limusine preta, estacionada bem na frente do aeroporto, com um chofer próximo a porta aberta do carona.
— Senhorita, posso guardar sua bolsa? — Ofereceu, após terem caminhado para o carro.
— Não, tudo bem. Obrigada. — Então, eles entraram no carro. Enquanto o chofer fechava a porta e ia para o banco do motorista, Katie se sentava perto da janela e Edson, ao seu lado. Ao mesmo tempo que ele colocava a chave na ignição, Katie tirava a mochila das costas e a colocava em seu colo.
Dentro da limusine, havia duas poltronas de seis lugares, uma de frente para outra. Além disso, havia uma mesinha central com várias comidas e taças com líquido vermelho, que supôs que fosse sangue. Os copos estavam todos presos para que, quando o carro andasse, não caíssem no chão. Ao longo do trajeto, Katie observava as ruas pela janela e Edson bebericava uma das taças.
Quase vinte minutos depois, enquanto passavam por uma ponte que levava até o destino, Katie avistou pela janela um castelo branco, antigo e desgastado pela ação do tempo, mas bem conservado. Assim que estacionou, o chofer foi abrir a porta de trás para que saíssem. Então, depois, voltou para o seu lugar e levou o carro para guardá-lo. Katie ficou parada, enquanto olhava a dimensão do castelo.
— Não hesite agora. — Falou Edson, quando a ofereceu o braço novamente. Então, ela colocou a mochila nas costas e tomou coragem, ao mesmo tempo que aceitou seu braço.
Eles andaram para o portão principal e subiram dois lances de escada. Edson o abriu para que pudessem entrar e Katie viu que dentro era o salão principal. O salão era enorme e branco como a parte de fora do castelo. Além disso, continha uma escadaria larga que levava ao segundo andar e um lustre suspenso no teto.
— Mãe, pai. — Disse Edson, ao mesmo tempo que tirou o seu braço de Katie e quase correu ao encontro deles.
— Filho. — Disseram em uníssono.
Eles se cumprimentaram. Edson deu um aperto de mão em seu pai e dois beijos de cada lado na bochecha da mãe. Enquanto isso, Katie observava que o pai era branco, possuía olhos amarelos e um cabelo de topete castanho. Ele aparentava ser novo e vestia uma farda das cores da bandeira da Romênia e uma calça social preta. Já a mãe também era branca, porém tinha olhos azuis e um cabelo ondulado vermelho. Além disso, aparentava ser um pouco mais velha e vestia um vestido tomara-que-caia longo e preto, digno de uma rainha.
— Mãe, pai. Quero que conheçam uma pessoa. — Anunciou ele. Então, ela caminhou para seu lado. — Minha namorada, Katie.
— Majestade. — Disse. Sem saber o que fazer, fez uma reverência. Katie percebeu que os pais de Edson esboçaram risos, portanto ela ficou envergonhada.
— Não precisava fazer isso, Katie. — Disse a mãe de Edson com um sorriso gentil. — Sinta-se em casa.
— Vai ser bem difícil eu me sentir em casa. — Ela pensou, enquanto sorria.
— Filho, — Começou a dizer o pai dele. — você disse que ela é sua namorada? Mas vocês têm que namorar oficialmente. Como eu e sua mãe fizemos, não é, amor? — Dirigiu-se a ela e a depositou um selinho na boca.
— Eu sei, pai. — Suspirou Edson. — Pretendo que esse evento seja para daqui a dois dias. — Katie viu as expressões arregaladas dos pais dele. — Eu sei que está muito em cima, mas se der, que seja.
— Tudo bem, — Disse a mãe de Edson, ao mesmo tempo que suspirou. — irei me comunicar com o organizador de eventos, depois me comunico com você. — Katie viu um sorriso e um olhar iluminado por parte de Edson.
— Obrigado, mãe. — Depositou-lhe um beijo na bochecha.
— De nada. Por enquanto, ela terá hoje e amanhã para poder se preparar para o grande evento.
— O quê?! — Katie pensou, enquanto percebia que havia feito uma expressão assustada. Quando acordou de seus pensamentos, ela notou uma mão em suas costas que tentava acalmá-la.
— Alexa, venha aqui, por favor. — Chamou a mãe de Edson com sua voz suave e firme. Então, apareceu uma jovem, que não aparentava ter mais de vinte anos, com seus cabelos cacheados e olhos castanhos, a qual usava um vestido azul com avental branco. — Por favor, mostre-a seu quarto e cuide dela.
— Sim, Majestade. — Falava Alexa, ao mesmo tempo que pegava a mão de Katie e fazia uma reverência. Após, elas se retiraram. Katie apenas acenou para Edson, que a retribuiu, pois Alexa havia quase a puxado.
— Qual o seu nome? — Alexa começou a dizer, enquanto subiam os degraus da escadaria, que levava para o segundo andar.
— Katie. — Respondeu em uma tentativa de ser gentil e educada.
— Que nome bonito. — Sorriu. — O meu é Alexa.
— Obrigada, o seu também é.
— Obrigada. — Elas chegaram ao andar de cima e viraram para a direita. — Não ligue caso eu fale muito, pois não se é todo dia que se encontra uma pessoa da mesma espécie que a sua. — Quando falou as últimas palavras, não havia notado que a mão de Alexa era quente igual a sua, pois estava acostumada com as mãos frias de Edson.
— Só tinha você de humana antes de mim? — Ela balançou a cabeça em negação.
— Não, temos o cozinheiro que é humano. — Percebeu que Katie havia feito uma expressão confusa. — Eles o contrataram para mim e para as visitas, tanto de reuniões quanto de famílias. Bem, chegamos. — Haviam parado em frente a uma porta. Então, Alexa girou a maçaneta.
Quando adentraram, notaram que o quarto era espaçoso. Havia uma cama de casal duplex com cortinas em volta, uma escrivaninha e uma mesa, onde continha maquiagens e bijuterias, com um espelho em frente e uma poltrona de couro preta reclinável. Além do quarto, havia outros cômodos embutidos, o que fez Katie notar duas portas uma de frente para a outra, já que estavam em paredes opostas. Por fim, tinha uma varanda ampla e larga, a qual estava coberta por uma cortina lilás.
— Legal, né? — Perguntou Alexa. Katie concordou com a cabeça, enquanto tirava a mochila de suas costas e a colocava perto da cama. — Venha, você vai ter que tomar um banho para começar o seu dia. — Então, Alexa abriu a porta do lado esquerdo, o que revelou um banheiro. Portanto, Katie a seguiu. — Qual a temperatura da água que você prefere?
— Não tão quente, nem tão fria. — Assim, Alexa abriu a torneira da banheira e ajustou a temperatura da água com uma espécie de termômetro. Então, Katie colocou a mão com cuidado.
— Está boa? — Katie concordou com a cabeça, enquanto sorria.
Ela tirou as roupas que usava e entrou na banheira para que pudesse se sentar. Era uma sensação estranha e relaxante ao mesmo tempo. Viu que Alexa havia pegado um frasco, o qual continha pó verde, da estante. Mesmo sem nunca ter visto, supôs que fossem sais de banho. Ela o abriu e jogou uma quantidade razoável na água, o que fez Katie se relaxar mais. Após algum tempo, notou que começava a formar espuma.
— Vou deixar você sozinha, tudo bem? — Alexa dizia, enquanto fechava o frasco e o guardava.
— Sim, obrigada. — Katie agradeceu.
Então, tirou a xuxinha que ainda prendia seu cabelo e mergulhou sua cabeça, portanto percebeu que apenas a camada superior havia se tornado espuma. Após, voltou para a superfície e começou a brincar com ela em uma tentativa de relaxar e esquecer por um momento que, daqui a dois dias, Katie se tornaria princesa.
Supondo que já estaria bom, ela se levantou. Depois de ter colocado o roupão e enrolado a toalha em seu cabelo, Katie se encaminhou para o seu novo quarto e viu que Alexa estava atrás da poltrona. Deduzindo, ela se sentou, enquanto se observava no espelho. Por fim, Alexa pegou a toalha e começou a esfregar o cabelo de Katie para enxugá-lo.
— De onde você veio? — Alexa perguntou.
— Do Alasca. — Alexa abriu uma gaveta e pegou um secador de cabelo para que pudesse ligá-lo na tomada.
— Nossa, lá deve ser muito frio. Talvez, você deva demorar a se acostumar com o calor. — Apertou um botão que ligava o secador. — Sou daqui da Romênia, só que de outra cidade. Conhece Sibiu? — Katie balançava a cabeça em negação, ao mesmo tempo que sentia o ar soprando em seu cabelo e orelha. — Você devia conhecer, lá é muito bonito. — Falava, enquanto passava o aparelho por todo o cabelo de Katie para secá-lo. Após algum tempo, ela guardou o secador e pegou uma escova da mesma gaveta.
— Quantos anos você tem? — Katie perguntou, enquanto Alexa penteava os fios de seu cabelo.
— Sou dois anos mais velha, ou seja, tenho 18 anos. — Disse, assim que guardou a escova e fechou a gaveta. Alexa se aproximou da porta do lado direito e girou a maçaneta. Portanto, um closet foi revelado.
Katie se levantou da poltrona e se direcionou para o cômodo. O closet era espaçoso e continha armários e prateleiras brancos, que mostravam vestidos de cores restritas, vermelho e preto, com exceção de alguns que eram azuis ou roxos escuros, além de saltos altos, os quais combinavam com os tons das roupas.
— Experimente esse. — Disse Alexa, após tirar um vestido azul envolto por uma capa de plástico protetora.
— Perfeito. — Katie pensou, enquanto passava a mão nele. — Preciso de privacidade. — Disse envergonhada, sem saber como se dirigir. No entanto, Alexa assentiu. Então, retirou-se do quarto e fechou a porta.
Katie tirou o roupão e, então, a capa de plástico. Após ter colocado o cabide no lugar, trajou o vestido. Por não saber como que se andava de salto alto, não escolheu nenhum dos sapatos, assim ela saiu do cômodo.
— Perfeito! — Alexa exclamou, enquanto batia palmas de felicidade. — Você não escolheu nenhum sapato. — Depois, disse automaticamente, quando percebeu que Katie estava descalça.
— Eu não sei... — Assim que ia começar a falar, foi interrompida por terem ouvido batidas à porta.
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