Capítulo I

Era tarde de inverno em uma cidade isolada ao norte dos Estados Unidos. Estava nevando, um dos climas mais típicos do Alasca, e essa é ela, em uma das ruas vazias pouco iluminadas pelo sol que ainda aparecia por entre as nuvens. Dentro do carro, dirigia em direção a escola, mas não para uma normal como você deve estar pensando e, sim, para uma onde são ensinados a caçar vampiros. Isso mesmo que você leu, VAMPIROS.

Ela e sua família se mudaram para o Alasca não para terem condições melhores de vida, mas para cumprirem com a tradição e, também, para vingarem a morte de sua mãe, morta por toxinas de sangue de vampiro.

Pelas ruas vazias, chegou meia hora antes do planejado. Por enquanto, viu uma de suas amigas sentada na escadaria perto do portão principal.

— Oi, Claire. — Dirigiu-se a ela, tirando os fones de ouvido e guardando em seu casaco para poder se concentrar melhor.

— Ei, senta aqui. — Disse, dando leves tapas próximo a ela para conduzi-la onde deve se sentar. — Preparada para o seu segundo ano?

— Para ser sincera, nem um pouco. Às vezes, acho que nasci na família errada. Mas se for para vingar a morte de minha mãe, que seja! — Deu de ombros, sentindo-se um pouco desconfiada sobre sua reação.

— Eu também, às vezes. Mas vejamos pelo lado bom: temos oportunidades que outra pessoa jamais sonhou em ter, como usar adagas e conhecer vampiros, e até talvez, nos apaixonarmos por um deles. — Claire deu uma piscadela para ela, o que fez com que desse uma cotovelada em seu braço.

— Você está louca? É proibido namorar, é contra as regras da escola, se descobrem, nós seremos banidas, e se nossos pais descobrem, nos matam. — Enquanto dizia com tom alto e eufórico, vinha na direção delas uma menina alta, magra e loira, com maquiagem pesada que poderia ser enxergada a quilômetros de distância. Enquanto subia as escadas, pisou na mão dela que, por consequência, ficou roxa.

— Cuidado por onde pisa, Mary. — Por instinto, tirou sua mão e ficou abanando e a exercitando.

— Ah, desculpa, não vi você sentada aí. — Disse, com um sorriso debochado. Após isso, o rosto dela que era branco se tornava vermelho de raiva, que Claire teve que a segurar para que não fizesse nada de inusitado.

— Por que ela te odeia tanto? — Perguntou, após ela estar mais calma.

— É uma longa história que prefiro não comentar.

— Por falar em longas histórias, sobre namorar vampiros... — Claire falou, dando um sorriso debochado.

— Agora não, Claire. — Revirou os olhos. Após a conversa delas, o sinal soou. Então, elas se levantaram e seguiram para a arena, onde começariam o primeiro período do dia.


Seguiram pelo corredor, onde havia uma multidão de alunos, todos seguindo para suas arenas.

Ao contrário das outras escolas, a escola Caçadores de Sangue não tinha armários, pois não precisavam levar nenhum pertence escolar, os materiais eram fornecidos pela própria instituição, e não havia salas de aula, estudavam ao ar livre, onde eram organizados em períodos, sendo vespertino e noturno.

Claire abriu a porta e entraram, onde a professora pontual já estava na arena.

— Boa tarde, alunos! — Berrou ela. — Bem-vindos de volta e vamos começar a primeira aula do dia. — Após, todos começaram a bater palmas, exceto Katie, que estava absorta em seus pensamentos: Por que ela tem que gritar? Só somos em 10 alunos, não entendo. Ah, é, infelizmente, a Mary está na mesma turma que eu, a filhinha rica do papai.

— Hoje, iremos começar com um teste para vermos se vocês se lembram das aulas do ano passado. Estarão três objetos em cima de cada mesa, em frente a uma imagem de um vampiro. Seus objetivos é selecionar um objeto que vocês poderão se defender contra ele. — Ela esperou para ver se alguém levantava a mão para lhe fazer alguma pergunta. — Sim, Tommy, esse exercício constará para a nota. — Como ela já sabia o que ele ia perguntar, respondeu sem sequer ouvi-lo antes. Portanto, alguns riram baixinho. — Bem, mais alguma pergunta? — Todos ficaram em silêncio. — Tudo bem, então. Sentem-se nas arquibancadas. Daqui a pouco, irei chamar um por um.

Nesse período em que iam se sentar, a professora organizava tudo para que o teste fosse bem sucedido. Ela arrumava cada mesa em frente a imagem e posicionava cada objeto em seu respectivo lugar.

— Mary, sua vez! — Gritou, após se sentar com uma prancheta e uma caneta apoiadas em seu colo para anotar as respostas dos alunos.

Na vez dela, ela escolheu a adaga. Nas vezes dos outros, alguns escolheram o alho, e outros, a água benta.

— Katie, sua vez! — Gritou, que por conseguinte, ela levou um susto. Era a vez dela, a penúltima aluna a ser chamada.

Katie desceu as escadas cuidadosamente, com receio de cair pelo seu estado de nervosismo. Apesar de ser uma aluna aplicada, que sempre tira boas notas, o público não era para ela, ao contrário de Mary, que se dá bem com a popularidade, e de Claire, que não liga para o que as pessoas pensam sobre ela. Chegou lá, com as mãos escorregadias de suor, e escolheu a adaga também. Depois, voltou para o seu lugar quase que correndo.

— Você se saiu bem. — Disse Claire, mostrando-lhe um sinal de positivo, após Katie se sentar.

— Você também. — Sorriu, retribuindo a autoconfiança que lhe dera.

Depois que o último aluno fez o teste, o sinal soou e se encaminharam para o refeitório.


Chegando ao destino, Katie e Claire pegaram suas bandejas e foram para a fila, atrás dos outros alunos que já estavam ali.

— Pizza de queijo com alho, por favor. — Disse à atendente com um sorriso gentil. Ela colocou junto a um prato com talheres de plástico. — Obrigada.

— Para mim o de sempre. — Falou Claire, que logo após, a atendente colocou um bolo de cenoura com cobertura de chocolate junto a um guardanapo. — Você acha que vai tirar uma boa nota no teste? — Dirigiu-se à Katie, enquanto caminhavam para se sentarem em uma das mesas do refeitório.

— Sim, a resposta era a adaga mesmo. — Depois, sentaram-se.

— Eu escolhi o alho, porque eu lembrava que alguns vampiros eram alérgicos ou tinham medo. Você acha que vou tirar a média, pelo menos? — Disse Claire, com expectativas de ter ficado na média ou tirado zero.

— Calma, você ficou na média. Quem escolheu a água benta que tirou zero. — Katie falou, na tentativa de acalmá-la.

— Ufa! — Exclamou aliviada, após dar uma mordida em seu bolo.

Sorriu junto, contente por Claire ter ficado na média. Logo após a conversa delas, comiam em silêncio. Depois de Claire ter terminado seu bolo, levantaram para jogarem as coisas fora, deixando um pedaço de pizza em seu prato.

Nesse momento, Mary passou perto dela e deu um tapa embaixo de sua bandeja. Assim, Katie se desequilibrou e a deixou cair, ao mesmo tempo que a pizza voava e caía em cima de seu cabelo de coloração castanha, o que fez com que escorresse todo o queijo derretido. Logo após, ela correu para o banheiro, com os olhos cabisbaixos em sinal de vergonha pelo ocorrido. Enquanto corria, percebia de relance que Mary sorria e que Claire estava a seguindo, com o propósito de ajudá-la.

Quando chegou ao banheiro, Katie abriu a torneira para lavar seu rosto, enquanto Claire fechava a porta atrás dela. Voltou a fechar a torneira e se olhou no espelho, choramingando silenciosamente.

— Deixe-me ajudar. — Assim que falou, Claire foi ao bebedouro e voltou com um copo na mão. Encheu-o com água, depois de abaixar a cabeça dela, e jogou em seu cabelo, à medida que tentava tirar o queijo.

— Obrigada. — Katie disse, dando um sorriso tímido.

— Não precisa agradecer, isso é o que as amigas fazem. — Falou, enquanto esfregava o cabelo dela com a água. Após, uma menina saiu do banheiro e riu da vergonha de Katie, ao mesmo tempo que soou o sinal, o que anunciava o segundo período.

— Calma, não ligue para ela e relaxa, a gente só vai chegar alguns minutos atrasada. — Disse Claire, tentando acalmá-la. — Esse processo está sendo um pouco difícil, esse queijo gruda muito. — Falou, pegando uma mecha de cabelo.

Após o trabalho árduo com o cabelo dela, Claire pegou um pente de sua bolsa transversal e começou a escová-lo.

— Pronto. — Disse, após cinco minutos, tentando arrumá-lo. — Só ficou com um pouco do cheiro. — Então, Katie pegou uma mecha e a cheirou, franzindo seu nariz. — Vamos? — Falou, enquanto guardava a escova na bolsa.

— Vamos e, de novo, muito obrigada. — Disse mais animada.

Em seguida, correram para a arena, onde começariam o segundo período.


Katie abriu a porta silenciosamente, esbaforida e com receio da professora não deixá-las entrar.

— Posso saber o porquê de vocês duas chegarem atrasadas? — Gritou, após a tentativa fracassada delas de andarem em silêncio na ponta dos pés. Katie tomou um susto e quase deu um pulo, então correram para os seus assentos.

— Você vai me explicar, Katie. — Disse, segurando o braço dela e fazendo-a parar.

— Não foi nada, professora. Eu e a Claire fomos ao banheiro e ficamos quase presas lá. — Disse, quando olhou para Mary que já estava sentada. Assim que ela viu Katie, deu um sorriso.

A professora arqueou a sobrancelha, verificando se Katie estava falando a verdade ou se estava mentindo para proteger alguém, no caso, a si.

— Tudo bem, então. — Falou, depois de se acalmar. — Pode se sentar e não volte a chegar atrasada de novo, porque se chegar três vezes, já sabe.

— Sei sim, vou ser suspensa, graças a Mary. — Pensou, enquanto ia para o seu assento.

— Bem alunos, como vocês devem se recordar, aula passada vocês fizeram um teste e eu já corrigi. Irei mostrar os resultados para vocês. — Depois de ter gritado, pegou um controle remoto de sua cadeira e apertou um botão. Quando o apertou, desceu uma tela plana na frente deles. Depois, ela apertou outro botão que aparecia as fotos com os nomes deles, ao lado das notas. Assim que apareceu, Katie viu que ela e a Mary tiraram dez e os demais alunos tiraram cinco, com exceção de três que tiraram zero.

— Parabéns, meninas. Vocês fecharam o teste. — Após, os demais alunos bateram palmas, mais especificamente para Mary. — Tudo bem, agora basta. — Assim, as palmas cessaram tão rápido quanto começaram.

— Como alguns de vocês se lembram das aulas do ano passado, a adaga de madeira era muito eficiente na defesa, pois todos os vampiros morrem ao estancá-la em seu coração, portanto, quem escolheu tirou dez. O alho, apenas alguns são alérgicos ou têm medo, portanto, já que eu não especifiquei, os que escolheram ficaram na média. Já quem escolheu a água benta, ao contrário dos que muitos falam, é um mito, pois não causa nenhum efeito, então, zeraram a prova. — Depois dela explicar os motivos, todos saíram dos seus assentos e foram para o centro da arena.

— Antes de irem embora, eu tenho um recado para dar a vocês. — Apesar dos alunos estarem perto dela, ela continuava a gritar com um tom um pouco mais baixo do que antes. — Amanhã, chegará um novo aluno na nossa turma. Espero que vocês o recebam com respeito. Agora, podem ir, estão liberados. — Após o seu anúncio, saíram da arena, com Claire acompanhando Katie.

— Como será que é esse garoto novo? — Fez-lhe uma pergunta retórica, enquanto caminhavam para o portão principal. — Será que ele é alto, moreno, baixo? — Perguntou novamente, sonhadora.

— Não sei, eu só sei que quando chegar em casa, vou ao banheiro tomar um banho para tirar esse cheiro do meu cabelo. — Katie respondeu, querendo demonstrar que não estava interessada no assunto.

— Hum... mas se fosse um vampiro, garanto que você ficaria apaixonada por ele. — Claire falou com um sorriso debochado.

— Quê? — Disse espantada, ao mesmo tempo que ficava vermelha, após chegarem ao destino.

— Tchau! — Claire correu para pegar o seu ônibus que estava parado no ponto, antes que Katie pudesse pegá-la.


Katie pegou as chaves do seu carro e o ligou. Quando abriu a porta, entrou e colocou o cinto para que pudesse dirigir para a sua casa.

Eram seis horas da noite e as ruas estavam vazias com poucos postes com as luzes acesas e com poucos comércios abertos, portanto dirigia com medo, pois pensava que algo de ruim poderia acontecer.

Assim que dirigiu perto da padaria que frequentava regularmente, avistou uma imagem de uma sombra que parecia ser uma pessoa. Quando a olhou de novo, ela havia sumido.

Poucos quilômetros a frente, avistou-a de novo e pensando ser um ser vivo e não querendo atropelá-lo, conduziu o volante na direção oposta, mas derrapou e pensou que ia bater perto de um poste.

Porém, quase ao bater, veio uma pessoa repentina e parou o carro com uma de suas mãos. No impacto, desmaiou, mas antes conseguiu vê-la: era alta, branca e seus olhos eram castanhos dourados, mais para o amarelo. Katie desacordou com a cabeça no volante, amortecida pelo airbag.

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