Ryūjin: A lenda do rei dragão das águas no japão.

Ryūjin, "O Rei Dragão da Água e do Mar" é um lendário dragão (Ryuu), a divindade tutelar do mar na mitologia japonesa. Este dragão marinho simboliza todo o poder do oceano, e é capaz de se transformar em outras formas, inclusive a humana. Ryūjin ou Ryōjin, é também conhecido como "Owatatsumi Kami e Watatsumi Sanjin" (Três deuses Watatsumis) que regem o superior, médio e os mares inferiores. Segundo o Kojiki (Registros do Japão antigo), todos criados através das purificações cerimoniais do "Progenitor Divino" Izanagi, depois de voltar de Yomi "o submundo".

Os Três deuses Watatsumis: Origens

De acordo com os antigos escritos do Kojiki, quando Izanami, a esposa de Izanagi, morre dando à luz a "Kagutsuchi" o deus do fogo, destruindo sua cria e várias divindades, incluindo o dragão da água "Kuraokami". Izanagi desce então ao submundo, em uma tentativa inútil de trazer Izanami de volta à vida. Após ser derrotado em seu intento, retorna ao mundo e sofre purificações rituais para livrar-se da sujeira infernal. Ao banhar-se, Izanagi cria várias divindades  (incluindo os três  Watatsumis). As três figuras mitológicas passam a governar diferentes lâminas d'água, que são o superior, médio e mares inferiores.

Ryūgū: A Moradia do Rei Dragão

Ryūjin vive em seu palácio "Ryūgū", nas profundezas do mar, que, segundo o Man'yōshū (a mais antiga antologia em verso compilado no século 8°), a nobre edificação tem muitos andares, é toda construída de coral vermelho e branco, guardada por serpentes dragões, e cheia de tesouros, especialmente as joias da maré (kanju e manju), que controlam o fluxo e refluxo das águas dos mares. Peixes e outros seres marinhos servem no reino de Ryūjin como seus vassalos.

No lado norte do palácio há uma sala de inverno, onde a neve cai o tempo todo. No lado leste fica o Salão de Primavera onde as borboletas visitam as flores de cerejeira, enquanto o rouxinol canta. No lado sul do palácio é o Salão de Verão, onde grilos piam na noite quente. Finalmente, no lado ocidental está o Salão de Outono em que as árvores brilham em cores reluzentes. Para um ser humano, um dia neste reino é como 100 anos na terra.

Ryūjin com seu poder controla qualquer criatura que nade no mar (inclusive os homens) e pode mover as águas do oceano como desejar. Habitantes do fundo dos oceanos como: tartarugas marinhas, peixes e medusas são frequentemente descritos como servos de Ryujin.  As mensagens a divindade são entregues por Wani, um monstro marinho, por vezes, semelhante a um crocodilo, outras, um dragão, mas que costuma se apresentar aos homens em forma de ondas violentas.

Ryujin é o pai da bela Otohime, também conhecida como Toyotama-hime (Princesa Toyotama), que se casou com um humano, o príncipe Hoori. Jimmu. O primeiro Imperador do Japão,  dizem ter ser neto de Otohime e Hoori. Assim, Ryujin é dito ser um dos antepassados da dinastia imperial japonesa.

Otohime e seu reino subaquático também são protagonistas de uma das mais famosas lendas da tradição japonesa: a de Urashima Taro, além de muitas outras que fazem parte do rico folclore da "Terra do Sol Nascente"

Ryūjin: Lendas

De acordo com uma antiga lenda, a Imperatriz Jingū foi capaz de realizar seu ataque e conquistar o reino coreano de Silla, com a ajuda do poder das "Joias da maré" de um Ryujin. Ao enfrentar a frota marinha coreana, Jingū jogou a kanju (joia-maré vazante) no mar, e a maré recuou. A frota coreana ficou encalhada, e os homens saíram de seus navios. Jingū então jogou a manju (joia-maré fluindo) e a água subiu provocando um maremoto, afogando os soldados adversários. A onda levou a frota japonesa para a costa, para o porto e para a vitória. Um festival anual, chamado Gion Matsuri, realizado no Santuário Yasaka celebra esta lenda.

Outra lenda envolvendo Ryūjin narra a história sobre como a água-viva perdeu seus ossos no reino do mar. De acordo com esse conto, Ryūjin queria comer o figado de um macaco (em algumas versões da história, para tentar curar uma doença dita incurável), e enviou a água-viva para tirá-lo. Mas, o macaco conseguiu esgueirar-se para longe da água-viva, dizendo-lhe que tinha colocado o fígado em um frasco na floresta e ofereceu-se para ir buscá-lo, desaparecendo na mata. À medida que a água-viva percebeu ter sido enganada, temerosa voltou e relatou ao Rei Dragão o que tinha acontecido. Ryūjin ficou tão irritado que bateu a água-viva até que seus ossos fossem esmagados contra as pedras.

Ryūjin: O Dragão no Xintoísmo

"Ryūjin Shinko" (deus dragão da fé) é uma forma representada na crença religiosa do "Shintō"('Panteão dos deuses'), que adora os dragões como kami da água (espíritos). Devido a sua característica como um kami da água, o dragão Ryujin também está relacionado com a agricultura dos povos desde a antiguidade. Rituais agrícolas e orações para chuva são realizadas nos rios, pântanos, lagos e águas mais profundas que são classificadas como as moradas do Ryōjin.

Também, como kami da água, Ryujin esta conectado com o kami do trovão, que traz chuva e iluminação, acredita-se que um tornado ocorre quando o dragão Kami sobe ao céu. Frequentemente pescadores vão rezar ao kami dragão para uma pesca abundante e mar calmo. Eles realizam festivais para o Deus Dragão Ryōjin e celebram o kami do mar e o kami do dragão do palácio. Estas festas são chamadas "Isomatsuri", Festival da praia e "Shiomatsuri", Festival da maré. Na esperança de acalmar o dragão serpente marinho e desta forma garantir boa comida, boa pesca por séculos.

Fim

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