Princesa Hase: A lenda da cinderela japonesa part 01.

Muitos e muitos anos atrás viviam em Nara, a antiga capital do Japão, um sábio ministro imperial, o Príncipe Toyonari Fujiwara e sua esposa, Murasaki hime (Princesa Violeta), uma mulher de origem nobre, gentil, e exuberante beleza. Toyonari e a bela Violeta casaram quando ainda muito jovens ​​por suas respectivas famílias, de acordo com o tradicional costume nipônico, e viveram juntos e felizes desde então.

Tinham, no entanto, um motivo de grande tristeza, com o passar dos anos nenhuma criança nasceu. Isso os tornara muito infelizes, pois tanto ansiavam por um filho que cresceria para alegrar sua velhice, perpetuando o nome do Clã e seus ritos ancestrais. Na esperança de ver atendido seu desejo, o casal buscou ajuda no Templo de Kwannon (deusa da misericórdia). Até que, suas preces foram atendidas - nasceu uma linda menina que chamaram "Hase-Hime". A criança crescera em graça e beleza, porém, nem tudo aconteceu como o zeloso casal planejara. E a jovem Hase teria que aprender uma amarga lição da vida. A história da Princesa Hase, em muito se assemelha a outro famoso conto conhecido mundialmente, Cinderela.

Nessa época, o príncipe e sua adorável esposa, depois de muito tempo de consulta e de muito pensar, decidiram fazer uma peregrinação ao templo de "Hase-no-Kwannon" (Deusa da Misericórdia de Hase). O casal acreditava que, de acordo com a tradição de sua religião, a Mãe da Misericórdia, Kwannon, atenderia as orações dos mortais na forma que mais precisassem.

Certamente, depois de todos estes anos de oração, pensaram, a deusa viria a eles na forma de um filho amado, em resposta à sua peregrinação especial, pois essa era a maior necessidade de suas vidas. Pois tinham tudo o que esta vida poderia dar-lhes, mas era tudo tão nada, porque o grito de seus corações permanecia insatisfeito, até então.

Crentes, o príncipe Toyonari e sua esposa iniciaram sua peregrinação rumo ao templo de Kwannon em Hase, e lá ficaram por um longo tempo. Todos os dias, faziam ofertas com incensos e oravam a Kwannon, a Mãe Celestial, a conceder-lhes o desejo de toda suas vidas. Até que, certo dia, suas preces foram ouvidas.

A filha da princesa Murasaki finalmente nasceu, e grandiosa foi a alegria de seu coração. Ao apresentar a tão desejada criança a seu marido, ambos decidiram nomeá-la Hase-Hime, ou, Princesa Hase, pois a linda menina fora concebida com as bênçãos da deusa Kwannon do templo de Hase.

Os dois criaram-na com muito amor e carinho, a vida de Hase parecia um conto de fadas, e a criança cresceu em força e beleza.

Tudo parecia maravilhoso para a pequena princesa Hase, até que o tempo fugaz cessou repentinamente. Quando tinha apenas cinco anos de idade, sua mãe caiu gravemente doente, tendo seu tempo interrompido neste mundo. Um pouco antes de dar seu último suspiro, chamou a princesa, e acariciando gentilmente a cabeça de sua tão amada filha, disse-lhe:

"Hase, você sabe que sua mãe não pode viver por muito mais tempo? Apesar de minha morte, deve crescer como uma boa menina. Faça o seu melhor para não dar problemas ao seu pai ou qualquer outro membro da família. Talvez ele se case novamente um dia e alguém preencherá meu lugar deixado. Se isso acontecer, prometa não chorar por mim, mas olhar para a segunda esposa como sua verdadeira mãe, seja obediente e uma boa filha a seu pai. Lembre-se que já é uma menina crescida, deve respeitar seus superiores, e ser gentil com todos aqueles que estão abaixo de você. Não se esqueça disso. Eu morro com a esperança de que vai crescer como modelo de uma grande mulher".

Hase-Hime ouviu em uma atitude de respeito, enquanto sua mãe falava, e prometeu fazer tudo o que lhe foi dito. E assim, Hase-Hime cresceu como sua mãe tinha desejado, uma boa e obediente princesa, embora ainda muito jovem para mensurar quão grande seria a sua perda.

Não muito tempo depois da morte de sua primeira esposa, o príncipe Toyonari casou-se novamente. Sua nova mulher, a Princesa Terute, também vinha de nobre origem e enlace, e Toyonari a levou, junto com o filho, para morarem em seu palacete. O pedido da Princesa Murasaki seria posto à prova, pois a princesa Terute se mostrara uma mulher má com um coração perverso e invejoso em relação à menina que não era sua.

"Hase-Hime, depois do jantar você vai terminar suas lições. Ajude os criados a lavar os pratos, limpar o chão, engomar as roupas e logo em seguida deve se retirar a seus aposentos. Vá para a cama, pois, terá mais que aprender amanhã." Princesa Terute presunçosamente ordenava.

Confusa, Hase-Hime respondeu: "Mas mãe, eu já ajudei a limpar o chão."

"Bem, deve fazê-lo novamente e não chamar-me de mãe! Você não é minha filha."

No entanto, Hase-Hime respondia a cada indelicadeza com paciência e obediência, assim como sua mãe havia lhe ensinado, de modo que sua madrasta não teria motivos para queixar-se contra ela. Com a morte de sua mãe, foi deixado a jovem Hime, o desejo de tornar-se uma mulher forte e gentil. Então, Hase-Hime, resignadamente, obedecia. A menina esfregava o chão pela segunda vez, limpava os pratos, engomava as roupas e logo em seguida, retirava-se para seu quarto.

Sozinha em seus aposentos se distanciava de toda sua dor, envolvendo-se em poesia e música. Era um alento para a jovem ser capaz de gravar seus pensamentos e orações nas artes. Quando a temerosa madrasta esquecia sua existência, Hase-Hime passava horas praticando o koto "tradicional harpa japonesa", e no aperfeiçoamento de seus versos poéticos. Uma capacidade que a fez destacar-se rapidamente. Aos doze anos de idade, boatos de suas grandes performances alcançou o mais real dos lugares, o Palácio Imperial.

Foi na primavera, durante o Hanami, o Festival das Flores de cerejeira, quando houve uma grande festa na corte. A madrasta, sonhando em ter mais poder, escoltou pessoalmente Hase Hime até o Castelo. Estando lá, foram surpreendidas com o esplendor da nobre arquitetura. Músicos tocavam nos pátios ricamente ornados, e o brilho do sol reluzia em tudo de uma maneira que nunca tinham imaginado ser possível.

Princesa Hase: A lenda da Cinderela japonesa

O Imperador desfrutando da temporada no local ordenou que Hase tocasse para ele e sua comitiva, e que Terute, sua madrasta, a acompanhasse na flauta.

Hase-Hime tinha impressionante talento com a música e, embora tão jovem, muitas vezes surpreendia seus mestres. Nessa ocasião solene não foi diferente, ela tocou perfeitamente a harpa japonesa. Porém, Terute, uma mulher preguiçosa e vaidosa, que nunca se dava ao trabalho de praticar qualquer arte, falhou em seu acompanhamento e teve que solicitar a uma das damas que tomasse seu lugar.

Esta foi uma grande humilhação para a megera, a madrasta furiosa, sentiu inveja ao pensar que tinha falhado onde sua enteada havia sido bem sucedida. Para piorar a situação, o Imperador passou a enviar belos presentes para a jovem Hime, em recompensa a seu talento e a bela apresentação executada no Palácio.

Havia também outra razão pela qual Terute odiava cada vez mais a filha do Príncipe Toyonari, nas profundezas de seu coração não parava de dizer:

"Se Hase-Hime não estivesse aqui, meu filho teria todo o amor e atenção de seu padrasto."

Sem conseguir se controlar, permitiu que este pensamento ímpio continuasse a crescer e transformar-se em um terrível desejo de tirar a vida de sua enteada.

Então, um dia, secretamente ordenou a um de seus criados, misturar veneno em um pouco de suco doce. O licor envenenado, Terute colocou dentro de uma garrafa e, em outra garrafa semelhante, derramou um pouco do liquido bom. Então, pacientemente esperou uma oportunidade para executar seu plano maléfico.

Esta não demorou a apresentar-se, foi durante o Festival dos meninos no quinto dia de maio. Nesse dia, Hase-Hime brincava com seu irmão mais novo. Todos os seus brinquedos de guerreiros e heróis, como o boneco de Kintaro "O menino de ouro", estavam espalhados pelo chão, e ela contava-lhe histórias maravilhosas sobre cada um deles. Ambos estavam se divertindo e rindo alegremente com seus camareiros, quando sua madrasta entrou com uma bandeja contendo duas garrafas de suco de uva acompanhadas de deliciosas iguarias.

"Vocês dois parecem felizes! Disse a Princesa Terute com um sorriso irônico. Para comemorar, eu trouxe um pouco de suco doce e alguns bolos deliciosos de arroz para os meus bons filhos".

E ela encheu dois copos de diferentes garrafas...

Terute havia marcado cuidadosamente a garrafa envenenada, mas estava nervosa ao entrar no quarto, deixando derramar o líquido e, inconscientemente, entregou o cálice envenenado para o seu próprio filho.

Sem perceber a troca, esperou observando ansiosamente a pequena princesa, mas para sua surpresa o rosto da jovem não mudava de expressão. De repente, o menino começou a gritar e jogou-se no chão, dobrando-se de dor. Sua mãe desesperada correu a socorrer, tomando a precaução de entornar os dois pequenos frascos de suco que ela havia trazido para a sala. Os criados correram a levar o menino até o médico, mas nada poderia salvá-lo, a criança morreu dentro de uma hora nos braços de sua mãe.

Assim, na tentativa de acabar com a vida de sua enteada, a mãe foi punida com a perda de seu próprio filho. Mas, em vez de culpar a si mesma, começou a odiar Hase-Hime mais do que nunca. Na amargura e miséria de seu próprio coração, esperava ansiosamente por uma nova oportunidade para concluir sua maldade.

Quando Hase-Hime completou treze anos, já era mencionada como uma poetisa de grande mérito. Esta era uma realização muito cultivada na época, e tida em alta estima pelas mulheres do Japão antigo.

Por esse tempo, era período das chuvas em Nara, e os estragos das inundações eram relatados todos os dias. O rio Tatsuta, que corria pelos jardins do Palácio Imperial, transbordou além de suas margens, e o rugido das correntes de água correndo ao longo de um estreito leito, perturbava dia e noite o Imperador. O resultado foi um distúrbio nervoso grave. Um edital foi enviado para todos os templos budistas ordenando aos sacerdotes que oferecessem orações contínuas ao céu para cessar o barulhento dilúvio. Mas isso de nada adiantou.

No reino, corria a fama de Hase nos círculos sociais da corte e não demorou que comparassem seu talento a lendária Ono-no-Komachi. Diziam que há muito tempo, a talentosa donzela-poetisa, havia movido o céu rezando em verso, fazendo cair chuva sobre a terra sofrida com a seca e fome.

Os ministros do Imperador começaram a cogitar sobre o feito, e na possibilidade da talentosa Hase também escrever um poema ofertando-o aos céus, e quem sabe, cessar o barulho da tormentosa enchente, acalmando a causa da doença. O que o Tribunal especulou, finalmente chegou aos ouvidos do próprio Imperador, que enviou uma ordem convocando o ministro Príncipe Toyonari para o rito.

Grande, em verdade foi o medo e espanto de Hase-Hime, quando seu pai disse-lhe o que era exigido dela. Pesado, na verdade, era o dever que foi colocado sobre seus jovens ombros, o de salvar a vida do Imperador pelo mérito de seus versos.

Finalmente, passado um tempo, chegou o dia, seu poema fora concluído. Ele foi escrito em um folheto de papel fortemente salpicado de ouro em pó. Então, junto a seu pai, atendentes e alguns dos funcionários do Tribunal do Império, Hime rumou até a torrente que ruge. Diante da furiosa corrente, elevou o seu coração ao céu, leu o poema que havia composto em voz alta, levantando-o para as alturas em suas mãos esperançosas.

Continua...

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