Kaeru: A simbologia do "Sapo" na cultura japonesa

Sapo dá sorte ou azar? Na cultura da Terra do Sol Nascente, os sapos tem um significado muito respeitado e positivo. Em japonês a palavra "Kaeru" (蛙/カエル) significa sapo/rã, homófona do verbo "voltar" (帰る). Ou seja, segundo a crença, o retorno de boas energias, riqueza e felicidade.

Acredita-se que a imagem do Kaeru garante proteção e estabilidade financeira. Dessa forma, ao carregar consigo um talismã do pequeno anuro, pode ser de madeira, porcelana ou metal, todo o dinheiro gasto voltará. Além de assegurar bom retorno na volta ao lar, após uma viagem, por exemplo. Pois, de acordo com a tradição, a figura do sapo quando nomeada como guardiã de algo ou alguém tem o poder de retornar tudo ao seu devido lugar de origem. O kaeru é tão estimado, que há até mesmo uma data em sua dedicação, 6 de junho.

O Kaeru também está extensamente associado à transformação, já que sofrem incríveis mutações para alcançar o destino em sua forma adulta. Assim como, símbolo de fertilidade e abundância, uma vez que os sapos põem grandes quantidades de ovos. Muitos japoneses carregam um pequeno Kaeru dentro da carteira ou da bolsa, outros têm em casa um em tamanho considerável, para garantir que não faltem energias positivas.

O Kaeru é tão estimado no Japão, que há até mesmo uma data em sua dedicação, 6 de junho. A data foi estabelecida em 1998, referindo-se ao coaxar dos sapos "kero" (6) e "kero" (6).

A Imagem do "Sapo" ao longo dos Séculos

O convívio harmonioso dos japoneses com os Kaeru está documentado desde tempos antigos. O Japão é um país abundante em margens de água e arrozais, o que proporcionou a propagação de sapos e rãs, que ganharam grande destaque ao serem responsáveis por eliminar insetos que prejudicavam as plantações de arroz, a base da economia agrícola do país.

O coaxar de alguns sapos se assemelham a verdadeiras canções, o que inspirou muitas poesias ao longo da história, que foram até mesmo mencionadas na mais antiga (Manyoushuu). Esse coaxar ficou conhecido como "Kajika Kaeru", e durante o Período Heian foi intensamente cobiçado por nobres, que os mantinham como seus "animais de estimação", cantando diariamente em seus jardins. Tal costume se alastrou no Período Edo, quando foram feitas gaiolas especiais para abriga-los.

A imagem dos Kaeru está incorporada em importantes artes e literaturas do antigo Japão. Na poesia , "Kaeru" é usado como palavra sazonal da Primavera, ligando-se à juventude e recomeço, já que os sapos começam a coaxar a partir desta temporada. Ainda assim, dentro da arte poética, outros nomes para designar sapos específicos como "Amagaeru" (sapo de árvore), "Hikigaeru" e "Kajika" foram amplamente usados para indicar o Verão. Assim como também consta no "Chōjū-Jinbutsu-Giga" ou, simplesmente "Chōjū Giga", famosos pergaminhos do século 13, considerados como legítimos Tesouros Nacionais. Alguns acreditam que estes pergaminhos tenham sido o ponto de partida do mangá moderno.

A figura do sapo é tão abrangente na cultura japonesa, que está também presente dentro do vasto mundo dos (Criaturas Sobrenaturais), como o "Oogama" (大蝦蟇/おおがま), um sapo gigante capaz de andar sobre duas pernas e até mesmo empunhar uma lança.

Santuários

A figura auspiciosa do sapo é usada como guardiã de muitos Santuários por todo o território nipônico. Dentre tantos, destaca-se o (Meoto Iwa), focado no casamento, harmonia conjugal e segurança no trânsito. Os sapos são considerados os mensageiros de "Sarutahiko Ōkami" (Grande Deus da terra), a divindade consagrada no local. Assim como em "Mizumiya-Jinja" (水宮神社 – Santuário da Água) ou, como também é conhecido, Kaeru Jinja (Santuário dos Sapos).

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