"Halloween Baby"
Parte 4
Tínhamos que andar devagar e em filinha para não fazer barulho. Obrigado universo por me colocar com quatro caçadores com vasta experiência em fazer infiltrações e caçar predadores. Se não eu já teria virado lanchinho depois do primeiro passo.
O Connor fez um sinal e todo mundo parou. Eu me estiquei, espiando ele e o Alexios trocarem sinais, apontando para um trecho fora da trilha que seguíamos. Eu tava começando a ficar nervosa, já tinha um tempo que a gente estava andando e não tínhamos achado ninguém ainda.
O caminho nos levou até uma casa, onde tinha um casal de velhinhos estripados na varanda. Eu nem preciso dizer que agarrei o braço do Shay com tanta força que tenho certeza que tava arranhando ele através do casaco.
Eu puxei o braço dele e balancei a cabeça quando eles tentaram ir na direção da casa. O Shay me olhou, apontando com a cabeça enquanto eu só balançava a minha negativamente. Ele apontou para uma janela e eu vi um vulto de andar levemente familiar que me fez os seguir.
Eu respirei aliviada depois que passamos os corpos e entramos na casa pela porta aberta. Haviam pinturas pedindo silencio, dizendo que eles podiam nos ouvir e outras coisas assustadoras. Dentro da casa estavam Haytham, Jacob, Lucas e Cris.
O Haytham fazia uma ronda pelas janelas, evitando o vidro no chão e as portas abertas. O resto do pessoal estava sentadinho no chão e o Jacob tinha a pior cara de tédio da história e, surpreendendo um total de zero pessoas, estava amordaçado.
A Hellen foi até a Cris, abraçando ela e se sentando ao seu lado enquanto o Connor e o Alexios iam para perto das janelas, vigiando e observando o Shay trocar olhares e gestos com o Haytham, como se perguntasse se estavam todos ali.
O Haytham fez que não e usou as mãos para fazer chifrinhos, uma de cada lado da cabeça. Eu os olhei com a expressão mais confusa da terra e o Shay riu antes de dizer, sem voz nenhuma, Eivor.
Eles trocaram mais alguns sinais antes de se sentarem e aguardarem. Não demorou até o Eivor aparecer, com um sorriso gigantesco e fazer um sinal para o seguirmos.
Uma cachoeira! O barulho era muito alto e isso me deixou tão feliz. Eu apontei para uma parte mais alta, que parecia ser algum tipo de plataforma e nós escalamos até lá.
— Pronto, podemos falar agora. — eu ri quando o Jacob aproveitou para soltar a mordaça e dar um berro. — O que aconteceu?
— O casal. Nós acordamos em frente a casa. — o Haytham se aproximou um pouco mais, esticando as mãos e as limpando na água antes de fazer uma conchinha e beber um pouco. — A esposa já estava morta e o homem gritou. Nós nos escondemos atrás das árvores e vimos a criatura. Eu a reconheci do filme. Nos escondemos na casa depois que ela se afastou indo atrás de um bando de pássaros. E eu amordacei o Jacob quando ele ameaçou tentar falar.
— E agora? — o Lucas espiou, apontando para baixo. Uma coisa passou como um vulto perto da lagoa, sumindo logo depois na floresta.
— Bem, para passar para a próxima fase, temos que matar essas coisas. — o Shay mostrou com cuidado o mapa, mantendo-o a salvo da água. — No mapa tem um local marcado, acho que podemos encontrar o que precisamos lá.
— E o que nos espera na próxima fase? — a Cris me encarou e eu dei ombros.
— Num faço ideia, infelizmente. As coisas só estão indo ladeira abaixo pelo jeito. — é, ninguém ficou muito feliz com a informação. — Mas acho que o melhor a fazer é sair dessa, onde não dá nem pra falar direito, e ir para uma onde eu posso xingar o Satanás que vamos enfrentar pelo menos.
Os meninos riram e nós começamos a nos preparar. Tomamos água, tiramos os sapatos, conferimos as roupas e descemos a cachoeira.
O Connor e o Eivor tomaram a frente do caminho, nos guiando com cuidado pelas trilhas. Vez ou outra, nós víamos vultos passando e tínhamos que parar, nos escondendo atrás das árvores no ponto mais oposto de onde a coisa tinha passado.
Esse lugar num chega nunca! Eu já estava com os pés doendo de tanto andar pelo meio do mato. Eu tava cansada, suja e suada. Quero meu Bureau de volta.
Os meninos pararam, fazendo um sinal antes de apontar para algo. Um galpão abandonado no meio da floresta. Nem um pouco assustador, 'magina.
Connor, Shay e Eivor tomaram a frente, entrando no galpão. O chão tava que é areia pura, o que faz sentido pro filme. Nos dividimos em duplinhas e nos espalhamos, procurando pelas coisas que deveriam nos ajudar.
Eu, obviamente, fiquei com o Jacob, porque o Haytham não aguentava mais os exageros dele e já tava ameaçando fazer um shibari* nele.
— O que estamos procurando? — o Jacob sussurrou bem, bem baixinho.
— Vamos saber quando achar. — eu respondi enquanto nós descíamos para um porão ou coisa assim. — Hm. Isso parece com o porão do filme, mas o galpão não tá no filme.
O Jacob olhou ao redor e eu nem precisava o ouvir para saber que ele estava se arrependendo amargamente por não ter assistido a sessão cinema com a gente naquela noite.
Eu olhei ao redor, era quase o mesmo cenário do filme, com o quadro branco, os livros, os treco eletrônico que eu não sei o nome e os aparelhos auditivos. Opa, isso é importante.
Eu peguei os aparelhos e olhei ao redor, tentando ver o que mais poderia ser útil. Necas.
Eu fiz um sinal pro Jacob e nós subimos. Mas antes, só para garantir. Eu parei na escada, examinando todos os degraus e vendo o prego, tentando o empurrar mais para baixo. Por sorte, o Jacob viu o que eu queria fazer e me ajudou com a kukri.
Nós subimos e encontramos o resto do pessoal. O Connor e o Eivor tinham encontrado cordas e outros equipamentos para armadilhas. O Lucas e a Cris tinham encontrado um megafone. A Kass, a Hellen, o Haytham e o Alexios tinham voltado com algumas munições e o Shay com um rifle de sniper e uma escopeta.
Eu mostrei os aparelhos auditivos e apontei para a direção de onde tínhamos vindo.
— E então, qual o plano? — o Jacob se largou no chão, encarando o pessoal e ignorando o olhar feio de todo mundo pra ele. — Que? Tô falando baixinho.
— Não é pra falar. — eu o encarei com uma expressão irritada antes de voltar a olhar para as telas onde as imagens das câmeras externas passavam. — Certo, essas coisas tem armaduras muito fodas. Mas são sensíveis ao som. Muito sensíveis.
— Entendi. Temos que usar o som para quebrar as armaduras. — Haytham se sentou no chão, assim como o Shay, tirando os casacos e os usando para abafar o som enquanto carregavam as armas. Sim, eles sabem carregar essas armas, aprenderam né. — Assim como o fim do filme. Eu vi como eles abrem a armadura na cabeça.
Eu concordei com um aceno e todos se sentaram em uma rodinha, trocando estratégias. Enquanto isso eu estava encarando as telas. Impressão minha ou tá meio fácil demais? Não teve perseguição, não teve coisa pulando na nossa cara e tentando matar a gente. Tô achando muito fácil.
Uma mãozona apertou meu ombro, fazendo eu me virar. Connor me encarou com aquela carinha confusa de cachorro pidão.
— Fácil demais. — eu falei sem fazer som. Ele concordou com um aceno, voltando seus olhos para os monitores e apontando para algo.
Um vulto passou nas árvores, em outro monitor folhas farfalharam. Insira aqui o meme do 'olha o bicho vindo'.
O Connor se voltou para o pessoal, fazendo um gesto e eles se espalharam. Bem, quase todos. Eu, a Hellen e a Cris ficamos com o Jacob de babá. Não que nesse universo fosse adiantar de algo, mas enfim.
Lembra que eu disse que tava fácil demais? Então... Não demorou para os bichos aparecerem, correndo por uma trilha aberta. Um deles foi ricocheteado para fora da trilha por uma das armadilhas dos meninos enquanto os outros dois seguiam em direção aos barulhos criados pelo Eivor e o Lucas.
Eu estava vigiando o pessoal pelas câmeras. Por elas eu vi o Haytham explodir a cabeça de um dos bichos e de onde estávamos, ouvi o tiro do Shay e vi bicho cair quebrando uma câmera. Eu esperei, vendo o pessoal fazer o mesmo, procurando pelo último bicho.
E advinha onde ele tava?
— Não tá faltando um? — o Jacob falou não tão baixo e eu dei um pescotapa nele. — Quê? Já não matou to-
Um barulho muito alto veio da parte de cima. Eu sinalizei para as meninas se esconderem enquanto o Jacob pegava o revólver, que eu não sei por quê estava com ele.
— Eu vou tentar atrair ele, tenta atirar. — eu olhei ao redor, vendo o microfone sobre a mesa e os outros equipamentos. Hm, o que acontece se eu botar esses coisos tudo no máximo? Eu saí virando os botões na maior pressa que eu tinha e de cantinho de olho espiando as câmeras.
— Pronto? — eu peguei o microfone, vendo o Jacob concordar com um aceno e preparando meu pulmão. Eu dei um berro fora do microfone. Deu nem dois segundos pro bicho pular no porão, ignorando as escadas e se voltar pra mim. — Dá certo por favor.
Eu gritei no microfone e tenho certeza que todo mundo ouviu, por que soou alto pra desgrama. Não era bem o que eu tinha em mente, mas a cabeça do bicho se abriu toda, então acho que deu certo.
O Jacob descarregou o revólver na cabeça do troço, o atrasando um pouco, mas não o matou. Eita fudeu. Eu gritei de novo pra ver se desnorteava a coisa, mas aparentemente só serviu pra ela abrir a cabeça e prestar atenção em mim. Morri.
Quase. Eu ouvi um tiro e então um monte de sangue respingou na minha cara antes que a coisa caísse no chão.
— Eca. — eu tentei limpar o meu rosto, o que não deu muito certo. — Porcaria.
— Deixa eu ajudar. — o Jacob se aproximou, tirando um lenço de algum lugar da sua roupa e me ajudando.
— Vocês estão bem? — Shay saltou da escada, verificando se o bicho estava morto antes de se aproximar e examinar todo mundo rapidamente.
— Sim. Obrigado. — eu olhei através do Jacob para ele antes de ouvir os outros se aproximarem. — Okay, agora a gente já pode falar e ir embora... Mesmo que eu esteja achando isso meio fácil.
— Fácil? — eu ri ao ouvir a Hellen e a Cris falarem ao mesmo tempo. — Como assim fácil?
— Ah, eu não sei explicar. Não teve algo que nos fizesse torar os neurônios. — eu olhei ao redor encontrando o Haytham e o encarando, esperando que ele meio que me apoiasse.
— Mas nem todo filme de terror tem coisas complexas e quebra-cabeças. Alguns são apenas perseguições, um psicopata ou uma criatura sobrenatural. — a Cris me encarou e eu concordei com um aceno.
— Okay. Mas e esse final? O bicho não morre assim no filme. — eu desviei da criatura enquanto subíamos para o galpão.
— Faz sentido sim. A senhorita usou de sua inteligência instintiva, sabia que ele abriria a cabeça ao ouvir o som e isso o deixaria vulnerável. — o Haytham exibiu um pequeno e quase invisível sorriso, se aproximando de mim. — Precisa ter mais confiança em suas habilidades.
Eu sorri para ele antes de começarmos a olhar ao redor, procurando pela nossa saída. De repente, um ruído alto fez todo mundo dar um salto e se virar para olhar. A porta de entrada do galpão se fechou, sozinha. Ah, que ótimo.
Uma porta menor se abriu, exibindo aquele corredor que eu não aguentava mais.
— Olha, depois disso eu espero que nunca mais alguém me obrigue a fazer exercícios, ouviram. — os meninos concordaram com um murmúrio resmungão e ouvi as meninas e o Lucas rirem. — Ótimo. Agora vamos apressar o passo e ver quem nós vamos encontrar no final desse corredor eterno.
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