Capítulo XXVI


DISCLAIMER: Não foi por acaso que classifiquei essa história como indicada para maiores de 18 anos. Se cenas muito descritivas de sexo te incomodam ou te causam desconforto, pode ignorar esse capítulo que não fará uma diferença muito grande na história. 

Não escrevo esse aviso no intuito de evitar críticas a minha escrita, mas sim para dar um alerta geral mesmo. Não quero que vocês tenham contato com um material muito gráfico muito cedo. Adoro meus leitores, adoro receber as mensagens de vocês, mas me preocupo com o pessoal muito novo que tem acesso a essa historia. Enfim, se liguem !

Sem mais delongas::: o capítulo ✨



A P R I L


NUNCA HAVIA ANDADO DE MOTO na chuva antes. Nós não estávamos tão longe da minha casa quando as gotas geladas nos atingiram com força, arrancando uma gargalhada surpresa da minha boca — ou talvez tenha sido um grito, eu não sabia mais distinguir. O chão havia desaparecido diante dos meus olhos e o som repentino da água abafara meus ouvidos, transformando o mundo em um borrão de cores e ruídos.

Hunter guiou a moto até a pequena garagem do meu pai e estacionou do lado de fora, em uma parte coberta, iluminada por uma lâmpada solitária. Ele desceu da garupa e retirou o capacete, passando uma das mãos sobre os cabelos escuros:

— Eu não conseguia enxergar a pista — a cor havia sumido de seu rosto — Começou a chover e não dava para ver um palmo à frente do meu nariz.

Se nós conseguimos encontrar a garagem foi graças à tímida luz que guardava a entrada. A estrada de cascalho que ligava a propriedade aos vizinhos e ao resto do mundo tinha intervalos grandes demais entre os postes de iluminação. Até meu pai, que era familiarizado com o caminho, odiava dirigir por ali em noites chuvosas.

Deve ter sido uma experiência e tanto para Hunter dirigir com visibilidade quase nula, assombrado pela possibilidade de derrapar na lama.

— Você foi bem — meus dedos trabalhavam contra a correia no meu queixo — Agora precisamos correr até lá.

Apontei para os borrões de luz que brilhavam à distância. A chuva forte havia engolido a casa da mesma maneira que havia engolido nosso pequeno abrigo. Não existia nada nos arredores além do escuro das árvores e do contorno de paredes imponentes erguidas sob um teto iluminado.

Hunter segurou meu rosto entre os dedos e desfez o aperto do capacete:

— Apressadinha.

Em um clique, eu estava livre daquela casca de ovo horrorosa.

Meus olhos se estreitaram para o sorriso que crescia em seus lábios. Eu não queria pensar no estado do meu cabelo depois de receber tanto vento na cara.

— Você deve estar congelando — Hunter se aproximou — De novo.

Enquanto eu penteava os fios rebeldes com os dedos, ele me puxava para perto. Eu gostava disso. Mesmo depois de tudo que havia nos acontecido, nós continuávamos extasiados em nossa própria bolha de felicidade, confortáveis na presença um do outro. Não resisti ao convite: enlacei seus ombros e me afundei em seu abraço. A alça do capacete escorregou pelos meus dedos e se enroscou em meu pulso, pendendo sobre suas costas.

Meus olhos encaravam o cair de água insistente que castigava tudo que existia sob os céus. Se havia alguma parte de mim seca e protegida da chuva, eu estava prestes a sacrificá-la para chegar em casa.

— Bom — suspirei, decidida a ser otimista —, com essa chuva, duvido que meus pais tenham escutado o barulho do motor se aproximando.

Uma risada silenciosa reverberou pelo peito de Hunter.

Assim que ergui meu rosto para encará-lo, seus lábios cobriram os meus. Havia algo diferente naquele beijo. Era devagar, cheio de certeza. Fazia minhas bochechas esquentarem e roubava meu fôlego. De um minuto para o outro, o chão desapareceu debaixo dos meus pés e só me restava ele.

Me afastei de coração disparado.

A adrenalina que corria pelas minhas veias era equivalente a um salto de pára-quedas.

Dessa vez, com meus dedos agarrados tão firmes a sua jaqueta, ficou claro para mim: Hunter sabia como se entregar, eu não. Enquanto minhas emoções encontravam brechas na minha armadura para escapar, ele me invadia com ferocidade e devoção. Em seu beijo, transmitia cada sentimento arrebatador que existia em seu peito. Não hesitava nem por um segundo, pronto para mim. Hunter me tinha na segurança de seus braços, tudo que eu precisava fazer era confiar. Por mais assustador que fosse, eu estava disposta a aprender. Por ele, valia a pena.

— Um dia você vai ter que me explicar isso — seus olhos continuavam fechados e sua testa descansava contra a minha.

— Isso o quê?

Um sorriso relaxado crescia em seus lábios, inchados por causa do beijo, enquanto um rosa saudável voltava a colorir seu rosto.

— O lance da moto — ele me encarou, um azul tão limpo que me rasgava por dentro — Você já reclamou sobre isso antes. Eu sei que sua mãe é tranquila. Mas e seu pai? É bravo?

Muito — respondi, sem rodeios.

Bravo era um eufemismo.

Hunter ergueu uma de suas sobrancelhas escuras para mim. Ele provavelmente não o conhecia tanto quanto o resto dos meninos da banda, que frequentavam minha casa há mais tempo.

— Meu pai odeia motos, eu já te disse — disse baixo, desviando o rosto — Ele provavelmente odiaria você também.

A última parte não foi um exagero. Eu não queria descobrir o que aconteceria conosco caso fôssemos pegos subindo para o meu quarto.

— Por quê? — Hunter me segurou pelo queixo, exigindo minha atenção. Dessa vez, a malícia crepitava em seus olhos — Eu posso ser respeitoso.

Dei as costas, mas não cheguei a ir muito longe. Ele aproximou sua boca do meu ouvido e disse baixo:

— Prometo que farei o mínimo de barulho possível quando estiver fodendo a garotinha dele hoje à noite.

Suas mãos me agarraram pela cintura e me puxaram de encontro ao seu peito. Não me orgulhei do arfar alto e ganancioso que escapou dos meus lábios ao sentir sua rigidez pressionada contra minha bunda. Lutei para me desvencilhar de seu toque enquanto ainda me restava algum senso de dignidade.

— Você é depravado.

Me soltei, praticamente fugi, antes que a ideia de me entregar ali mesmo se tornasse tentadora demais. Todo aquele desejo reprimido confundia minha cabeça e me deixava estressada.

— Uma das minhas muitas qualidades.

— Você é prestativo também?

Hunter inclinou a cabeça para o lado sem entender.

— Aproveita e guarda isso — empurrei o capacete contra o estômago dele.

A risada masculina atravessou meus ouvidos como música.

Merda.

Se não chegássemos ao meu quarto logo, eu correria um sério risco de perder a calcinha para seu próximo sorriso.



Nós fomos direto para a entrada dos fundos. Deixamos nossos calçados sujos de lama do lado de fora, no alpendre, e subimos pela escada interna da cozinha na total escuridão. Eu tomei a frente, tropeçando nos degraus, e Hunter me seguiu de perto.

Assim que fechei a porta do meu quarto atrás de nós, as mãos dele deslizaram pelas minhas coxas.

— Machucou? — sua voz soava abafada contra meu pescoço.

Eu agarrei sua camiseta em punhados, distraída pelo caminho perigoso que seus lábios trilhavam. Levei vários segundos para entender a pergunta. No último lance de escadas, eu havia conseguido a proeza de cair para frente, de joelhos contra a escada de madeira. Tive tanta pressa em subir que engatinhei pelos degraus até recuperar o equilíbrio.

— Não. Eu estou bem.

Hunter esfregava suas mãos na minha bunda, de cima para baixo. Minha saia estava arregaçada, fora do caminho enquanto ele pressionava a frente de seus jeans contra a minha calcinha. Eu estava quente, latejando entre as pernas.

— Bom — ele me beliscou — Eu amo ver seu traseiro para cima.

Antes que eu pudesse responder, Hunter desceu um tapa ardido na minha bunda. Um grito ficou preso na minha garganta, assim como meu fôlego. Sufoquei um gemido excitado quando suas mãos grandes cobriram minhas nádegas, massageando a pele aquecida.

— Isso — rugiu em aprovação, olhos atentos a minha boca entreaberta — Vamos manter o barulho no mínimo, sim? Acha que consegue fazer isso?

Hunter fazia isso de propósito: descobria o que me excitava e usava isso contra mim.

Por Deus.

Como ele era bom nisso.

Você — meu desafio se perdeu entre meus suspiros — Acha que consegue?

Cravei minhas unhas em sua jaqueta enquanto Hunter se aventurava pelo meu decote, descendo sua língua pela alça do meu sutiã. Assim que sua boca subiu, eu lhe ofereci meu pescoço. Suas mãos se embrenharam no meu cabelo e um puxão delicioso enviou arrepios por todo meu corpo.

Que se foda. Cansei de ser paciente. Havia uma parte de mim desesperada, clamando por atenção e ele não podia esquecer isso.

Engatei uma perna em sua cintura e esfreguei minha calcinha úmida sobre sua rigidez. Hunter me segurou junto a ele e suas mãos me deram sustentação. Tinha um sorriso travesso que me deixou com vontade de mordê-lo.

— Não pode esperar até a cama, princesa?

Eu juntei nossos lábios em um beijo desesperado. Nós tropeçamos em nossos próprios pés em nosso caminho até a cama. Me deitei sobre a colcha pesada e Hunter se afastou, subindo a camiseta pelos ombros em um movimento apressado. A jaqueta de couro estava em algum lugar no chão do quarto.

Finalmente, seus olhos famintos cravaram em mim.

— Eu quero ver.

Hesitei.

Por um momento, eu tinha esquecido o motivo disso tudo. O par de piercings, onde eles estavam. Eu queria mostrá-los, mas meu lado paranóico falava mais alto.

— Eu preciso ir ao banheiro.

A julgar pelas suas sobrancelhas encrespadas, aquela não era a resposta que Hunter estava esperando. Assisti seus ombros largos recuarem e me darem espaço o suficiente para que eu me levantasse e saísse da cama.

Assim o fiz.

Antes mesmo de ouvir o som da porta batendo, eu estava livre da minha blusa.

Sozinha no banheiro, eu me aproximei da bancada de mármore que sustentava a pia. Queria checar se estava tudo bem com meus mamilos ou se deveria visitar o pronto socorro nas próximas horas. Desde que pesquisei no Google tudo que poderia dar errado com um piercing, as imagens horrendas de inflamações não saíram da minha cabeça. Demoraria alguns dias até eu aceitar que o furo se cicatrizaria bem e que nada ruim aconteceria de uma hora para outra.

Observei o espelho pendurado à parede, satisfeita com a imagem que encontrei refletida na superfície. A iluminação quente banhava minha pele e acompanhava cada curva do meu corpo. Meus cabelos estavam úmidos graças à chuva e as maçãs do meu rosto coradas depois de uma sessão de amassos. Mais abaixo, através do sutiã escuro de renda transparente, eu observei meus seios e as pequenas peças de titânio que atravessavam meus mamilos.

Nada de sangue.

Nenhum motivo para pânico.

Levei as mãos até o fecho do sutiã nas minhas costas e o lampejo de manchas arroxeadas me chamou atenção. A peça de renda delicada desceu pelos meus ombros e atingiu o chão. Com o rosto endurecido pela lembrança, examinei os hematomas no formato de mãos fechadas em meus pulsos.

Eu senti nojo de ter sido tocada daquele jeito. Raiva. Tive que bloquear o rosto de Milo da minha memória para não estragar a noite de uma vez por todas — não podia deixar isso entrar na minha cabeça. Não agora que Hunter me esperava sobre os lençóis. Nós estávamos bem longe do pub, na proteção da minha casa, juntos e seguros.

Deixei a água corrente lavar meus pulsos e respirei fundo.

Eu precisava voltar para Hunter. Ele era meu remédio. Ele me faria me esquecer.

Olhei ao redor uma última vez, sem saber o que procurar entre as prateleiras repletas de vidros de perfume e toalhas bem dobradas.

Merda.

Quase esqueci.

Puxei uma gaveta, buscando uma tesoura de manicure. Quando consegui me livrar da maldita unha quebrada, a porta se abriu em um rompante e eu cobri meus seios como pude.

— Hunter? — o seu nome escapou da minha garganta como um som estrangulado — O que você está fazendo aqui?

Para minha surpresa, ele passou por mim sem sequer olhar na minha direção. As calças dele encontraram o piso, assim como suas boxers. Nu em toda sua glória, Hunter entrou no box e girou a torneira de água quente.

— O quê? — perguntou sobre o ombro — Eu fiquei entediado lá fora.

Eu não estava respirando.

O vapor começava a embaçar o vidro, mas minha visão de seu corpo era perfeita. Ele abriu o tubo de sabonete líquido e eu tive que ser muito forte para não descer os olhos pelo seu abdômen.

— Tudo bem se eu usar seu chuveiro? — pediu — Eu realmente preciso de um banho.

Hunter Campbell coberto de espuma no meu chuveiro. Cabelos escurecidos grudados em sua testa, um sorriso convencido brincando em seus lábios e gotas de água salpicadas por sua pele.

Jamais conseguiria entrar naquele banheiro sem que a imagem invadisse meus pensamentos.

— April? — ele chamou — Está esperando por um convite?

O tom desafiador em sua voz não passou despercebido.

Tudo bem. Se eu consegui sustentar o suspense até o momento, não faria mal algum torturá-lo um pouco mais.

Ajeitando minhas mãos sobre meus seios, eu avancei em direção ao box e parei em frente à porta. Hunter me observava em silêncio, cheio de interesse. Deixou seu lugar embaixo do chuveiro e se aproximou da barreira envidraçada que nos separava. Gotas de água pingavam de seu cabelo escurecido, acompanhavam seu maxilar rígido e desciam pelo seu peito. Seus olhos azuis devoravam cada centímetro da minha pele exposta.

Ele não me tocava, mas seu calor estava em toda parte.

— Você disse que queria ver — observei seu rosto por entre os cílios, deixando minha cabeça pender suavemente para trás — O que acha de assistir?

Hunter mantinha a respiração sob controle, tão perto que embaçava o vidro.

Um sorriso sujo cresceu em meus lábios enquanto eu soltava meus seios devagar e os apertava de leve, do jeito que ele gostava de fazer. Hunter me observou massagear o par com o maxilar apertado em uma linha rígida. Minhas mãos deslizaram pelo meu abdômen e seus olhos azuis não perderam um segundo do espetáculo: desde meus mamilos intumescidos aos meus seios livres, que balançaram quando me aventurei a me tocar debaixo da saia.

Gemi baixinho ao pressionar a pele sensível sob o pano úmido.

— Mas que droga, April — ele rugiu, passando uma das mãos pelos cabelos escuros. Parecia estar em conflito consigo mesmo, confuso entre continuar a assistir e babar ou se intrometer de uma vez e acabar com a brincadeira.

Enfiei os meus dedos entre as coxas e usei dois dedos para me acariciar por cima da calcinha. Comecei vagarosamente e aumentei o ritmo aos poucos. Hunter me observava através da barreira de vidro, seus músculos cada vez mais tensos.

Eu me sentia puta gostosa quando ele me encarava assim.

Sob seu olhar faminto, arrastei o tecido para o lado e dei início a uma série de movimentos circulares. Era demais para mim. Sufoquei um gemido, empurrando meu quadril de encontro às minhas mãos. A essa altura, eu não conseguia mais conter os sons que escapavam da minha boca.

Nunca disse seu nome, mas atrás do vidro ele se movia como se eu o chamasse. Puxou a maçaneta da porta na direção errada em puro desespero.

— Não — eu sorria, tentando segurar o vidro no lugar — Você só observa.

Hunter me encarou tão sério que, por um momento, acreditei que ele me obedeceria e continuaria a observar quietinho. No entanto, no segundo seguinte, suas mãos estavam na minha cintura e me puxavam para dentro do box.

— Quem sabe outro dia — seus dedos travaram uma pequena batalha contra o zíper da minha saia e desceram a peça até meus pés com pressa.

Em uma velocidade impressionante, o tecido atingiu o chão do banheiro e ele fechou a porta do chuveiro como se pudesse nos isolar do resto do mundo.

— Você não sabe brincar — eu não conseguia parar de sorrir.

Meu coração pulava no peito e cada batida vigorosa era uma confirmação do que eu já sabia: eu estava exatamente onde deveria estar.

— E você joga sujo — disse contra meus lábios, me tomando para si. Não resisti ao seu abraço, nem ao cheiro de sabonete em sua pele. Ele enfiou a mão na minha calcinha, cheio de posse e eu estremeci por inteiro — Minha — grunhiu baixinho, deslizando dois dedos para dentro de mim. Eu me contorci em seus braços enquanto ele massageava meu clitóris e me masturbava em um ritmo mais intenso do que eu podia agüentar.

Hunter plantou um beijo no topo dos meus seios e circundou um mamilo com a língua. Eu me agarrei aos seus cabelos à medida que sua boca descia pelo meu corpo. Quando ele parou, ajoelhado contra o piso, eu me derreti junto à parede fria:

— Tem certeza? — murmurei um pouco zonza, observando minha calcinha ser puxada até o chão. Não devia ser a posição mais confortável do mundo para ele — Aqui?

Em resposta, o calor de sua respiração fez cócegas na minha boceta. Hunter me abriu com os dedos, assoprando suavemente o ponto mais sensível que conseguiu encontrar. Puxei seus cabelos e o sorriso safado se alargou em seus lábios. Filho da puta. Eu estava me derretendo em suas mãos. Antes que eu pudesse xingá-lo, Hunter afundou o rosto entre minhas coxas e me abocanhou inteira. Um grito abandonou meus lábios enquanto ele me chupava, agarrando meu joelho para me manter aberta.

Espasmos atravessavam meu corpo e uma camada de suor se acumulava sobre a minha pele. Eu não sabia se esse era o efeito de ter sua boca na minha boceta ou se era uma resposta ao conjunto de todas as coisas, mas meu orgasmo se aproximava rápido até demais. Hunter deve ter sentido isso, porque passou meu joelho por cima de seu ombro e espalhou beijos pelo interior da minha coxa.

— Eu senti falta disso — sua voz era um sussurro contra minha carne — Você sentiu falta disso?

— Sim — arfei trêmula, garganta arranhada depois de tanto esforço.

— Diga mais alto.

O comando soava limpo e claro aos meus ouvidos. Seus dentes se arrastaram pela minha pele e eu dei um pulinho, tremendo um pouco:

— Sim.

— Ótimo — ele brincava com a minha entrada — Agora, peça por favor.

Não tive tempo de responder algo esperto: sua língua macia girou sobre meu clitóris e seus dedos voltaram a me foder sem dó. Meus olhos se reviraram nas órbitas e eu ofeguei, rebolando contra sua mão.

— Desgraçado.

— O que disse? — Hunter sorria sem fôlego — Se você quer gozar, é só pedir, amor.

Dessa vez, ele me penetrava com dois dedos enquanto seu polegar brincava com a tensão deliciosa acumulada no meu clitóris. Eram muitos estímulos. O polegar foi substituído por sua língua quente. Hunter passou a alternar entre tremer e girar a língua sobre o meu clitóris.

— Por favor.

As palavras saíram dos meus lábios em uma rapidez que feriu meu orgulho. Meu corpo inteiro me traía. Eu subia e descia meu quadril em seus dedos, desesperada por mais contato. Hunter respirava na minha boceta, satisfeito em me torturar com o movimento incansável de sua língua.

Porra.

Meus olhos mal se agüentavam abertos de tanto prazer.

Eu desci uma mão para meu clitóris e substituí seus dedos, que voaram para baixo. Ele envolveu seu membro ereto e começou a se acariciar. Meu queixo caiu para a visão. Hunter se masturbava com a boca enterrada na minha boceta, tomando velocidade entre as lambidas e provocações. Não demorou muito até que os tremores voltassem a percorrer meu corpo. Eu estava tão perto que poderia chorar. Um gemido contínuo escapou dos meus lábios e eu não conseguia parar, agarrada às suas costas.

Quando alcancei o clímax, eu senti tudo de uma vez: os fogos de artifício, os espasmos de prazer. Meu próprio coração tropeçava entre as batidas e mal conseguia acompanhar o próprio ritmo.

Naquele momento, eu poderia gritar que Hunter tinha razão: eu senti falta daquilo. Ninguém mais conseguia me devastar daquele jeito. Tão certo quanto respirar, aquela emoção pertencia a ele.

Permanecemos assim por uma infinidade de tempo. Eu me apoiava à parede fria, tremendo um pouco. Soltei o ar lentamente ao sentir seus dedos deslizarem para fora uma última vez.

Ainda muito mole para raciocinar, observei Hunter se levantar com dificuldade.

— Depois eu que sou a trapaceira — reclamei só de implicância.

Uma careta de dor atravessou seu rosto ao firmar os pés no chão. Hunter deveria estar com os joelhos doloridos depois de se curvar por tanto tempo.

— Chega de vingança — disse — Cada um teve o que mereceu.

Eu o puxei para meus braços com uma risada silenciosa. Ele aceitou o convite, ansioso para um beijo. Depois de um segundo incidente, entendi que o raspar da ponta da sua ereção na minha barriga não era acidental.

— Amor — meu sorriso ficou ainda maior, tocando a cabecinha inchada e úmida com a ponta dos dedos —, acho que eu negligenciei você.

De olhos fechados, Hunter apertou as sobrancelhas.

— Nada de palavras mais de quatro sílabas, April — pediu — Meu sangue desceu todo para o pau. Não consigo pensar.

Eu iniciei uma provocação sutil, espalhando lubrificação natural.

— Você não precisa pensar — eu tinha minha boca colada a sua — Eu faço isso por você.

Minhas unhas se arrastaram de seu abdômen definido até sua virilha, brincando com a área sensível. Ele estremeceu e eu sorri em meio ao beijo, envolvendo seu membro rígido com a mão. Comecei a acariciá-lo devagar e Hunter ofegou desarmado. Duro no meio das pernas, vibrando sob o meu toque. Desci meu punho fechado por todo seu comprimento e seu beijo se tornou voraz.

Ele estava perto, sua glande brilhava dilatada, expelindo lubrificação.

— Tem preservativo aqui? — perguntou de olhos cerrados, sua testa contra a minha.

— No quarto.

Testei uma velocidade diferente, estimulando da ponta até a base:

— Você gosta?

Hunter grunhiu, seus dedos cobriram os meus em teimosia. Parecia furioso. Movimentou seu quadril de encontro a minha mão, fodendo meu punho.

— Se eu te comer do jeito que eu quero — sua respiração entrecortada fazia o interior das minhas coxas palpitar —, vou gozar assim que sentir essa sua bocetinha se apertar ao redor do meu pau.

Foda-se.

Eu aceitaria qualquer coisa se ele pedisse com aquela voz. Juntei nossos lábios com sede, mas Hunter não me deu a chance de aprofundar o beijo.

— Me deixa esporrar nos seus peitos — roçou seu nariz contra o meu, seu corpo trêmulo — Depois vamos pra sua cama e continuamos lá.

Abri os olhos em interesse e um princípio de rubor esquentou minhas bochechas. Justo quando eu começava a acreditar que não sentia vergonha de mais nada, Hunter conseguia se superar nas propostas indecentes.

Minha pele ardia em curiosidade e excitação.

Nós nunca tínhamos feito isso.

— A noite toda? — perguntei.

Meus joelhos fraquejaram frente ao seu olhar penetrante. Eu estava no chão antes mesmo de ouvir sua promessa:

— A noite toda.

As mãos dele assumiram meus movimentos rítmicos ao redor de seu pau. Ele tinha o lábio inferior preso entre os dentes e o som alto de sua respiração fazia minha pele vibrar. Meus joelhos doíam contra o chão, mas não o suficiente para me distrair daquela visão pornográfica.

A diversão acabou mais cedo do que eu imaginava. Tirei meus cabelos do caminho bem a tempo de assistir o líquido morno jorrar sobre o meu colo. O gozo escorreu entre meus seios e eu tomei cuidado para que não pegasse nos meus mamilos — não estava curiosa para descobrir o que aconteceria caso o sêmen entrasse em contato com um piercing ainda não cicatrizado.

Hunter me puxou para cima e capturou minha boca em um beijo faminto. Debaixo do chuveiro, a água escorria livremente por nossos corpos. Quando nos separamos, meus pulmões imploravam por ar.

— Desculpa — tinha os olhos baixos, concentrados em limpar algo no meu queixo.

Ele me mostrou a gota perolada em seu polegar. Um resquício de porra deveria ter respingado ali durante a ejaculação. Abri um sorriso e aproximei minha boca de sua mão e seus músculos enrijeceram sob meu toque. Sem medo, desci os lábios pelo seu dedo e girei a língua, saboreando o gosto.

— Não é tão ruim.

Hunter me encarava desnorteado. Demorou vários segundos para reagir, colando seu corpo ao meu:

— Não é tão ruim — repetiu, segurando meu rosto com suavidade para sussurrar no meu ouvido: — O que não é tão ruim, princesa?

A rouquidão pós-sexo em sua voz me deixava com um puta tesão. Suas mãos desceram pelo meu pescoço e meus olhos se fecharam sob a firmeza de seus dedos.

— O gosto. — Uma risada curta me escapou com naturalidade — Eu não tenho muito o que comparar, então não fique se achando.

— Como assim?

— Você foi o primeiro.

O banheiro ficou muito quieto por um momento. Cheguei a pensar que ele não tinha me escutado, mas sua atenção estava presa a mim.

— Não sou uma máquina de sexo, Hunter. — Estreitei os olhos, meio contrariada por ter que me explicar.

Eu tinha dezessete anos, porra.

Só namorei sério uma vez, antes de me envolver com Hunter.

Experimentei sexo, tive outros parceiros. Nada tão intenso quanto o que senti essa noite. Nenhum deles chegou tão longe a ponto de me ter gritando obscenidades contra a parede. Nenhum deles havia feito sexo oral em mim também — o que era um ponto meio importante a se considerar —, mas eu sabia que Hunter tinha mais do que isso a seu favor. Tinha seus olhos, sua risada gostosa. Era tudo tão diferente, tão novo. Não podia olhar para seu corpo sem me sentir nervosa, sem surgir a vontade de tocá-lo ou acompanhar a curva do seu sorriso com a língua.

Puta merda, ele fazia sexo oral parecer a coisa mais deliciosa do mundo.

— Nunca senti vontade de chupar alguém antes — admiti com todas as letras. — Nunca tinha provado o gosto de alguém na minha língua. Só o meu, na sua boca.

— Só o seu, na minha boca — ele repetiu como se fosse a coisa mais erótica do mundo.

Havia algo indescritível em seus olhos, tão intenso que me fez estremecer. Eu imaginei que a primeira coisa que um cara faria ao ouvir uma coisa dessas fosse implorar por um boquete, mas Hunter não fez isso.

Ao invés de insistir no assunto, ele se inclinou para mim e roçou nossos lábios de leve. Um selinho no canto da minha boca e meu autocontrole foi para o espaço. Eu investi tudo naquele beijo, me pendurando em seu pescoço e afundando minhas mãos em seus cabelos.

A água lavava o suor e o cheiro de sexo das nossas peles. Nós estávamos extasiados, ansiosos para chegar na cama. Eu sorria o tempo todo, de coração leve no peito.

Nunca pensei que ele pudesse me fazer tão feliz.



Recostado à parede do box, Hunter esperava que eu terminasse meu banho. Ele me assistia tão quieto quanto conseguia. De vez em quando nossas risadas quebravam o silêncio do banheiro e suas mãos serpenteavam pelas minhas curvas — eu deveria ter adivinhado que a situação evoluiria rapidamente a partir dali.

O que começou com um carinho gostoso, difícil de resistir, terminou com minhas mãos pressionadas contra as paredes do box, sustentando o meu peso. Gotas de água castigavam meus ombros e meus pés mal se firmavam no chão enquanto seus dedos me fodiam. Não havia gentileza na maneira como ele me tomava. Hunter me segurava pelo queixo e se deliciava com cada som que escapava da minha boca, deslizando sua ereção contra as minhas nádegas. Eu deixei que seus dedos se afundassem em mim mais algumas vezes, choramingando baixinho, mas assim que seu polegar brincou com meu clitóris, eu gritei e minha mão empurrou seu rosto para longe:

— É sério, Campbell — resmunguei. — Você me fez molhar o cabelo, agora eu preciso lavar.

Eu não fazia ideia do que Hunter pretendia com aquilo.

Porra. Eu estava tremendo dos pés à cabeça, encharcada em mais de um sentido. Ou ele buscava uma porcaria de um preservativo e me comia direito ou ele esperava até o fim do meu banho, porque eu não aguentava mais.

Quando não obtive resposta, abri o frasco do shampoo e me preparei para os dez minutos mais longos da minha vida. O arrependimento surgiu de imediato. Qualquer pessoa teria prioridades mais urgentes ao se deparar com um exemplar fenomenal de homem debaixo de seu chuveiro, mas não eu! Não, April Wright não faria isso! Ela jamais havia ignorado suas obrigações capilares na vida e não mudaria isso por causa de um pau reluzente.

Santo Deus.

Às vezes a vaidade podia ser a ruína de uma garota.

Eu estava me sentindo muito burra até suas mãos se juntarem às minhas, espalhando shampoo pelo meu cabelo. Hunter embrenhou seus dedos entre os fios pesados e massageou meu couro cabeludo em movimentos circulares. Nenhuma palavra foi necessária: meus olhos se fecharam e eu deixei que ele se aproximasse, cabeça tombada para trás.

Os vidros do box estavam embaçados e o vapor flutuava pelo ar como nuvens. Debaixo do chuveiro, Hunter me ajudou a enxaguar a espuma. A água corrente lavou o excesso de shampoo e seu peito se moveu em um suspiro de contentamento. Inspirava o aroma de frutas vermelhas direto da raiz, seus lábios pressionados na minha testa.

Por um minuto inteiro, eu acreditei que ele fosse meu.



Nós saímos do chuveiro quente e nos enrolamos em toalhas brancas e felpudas, cada um concentrado em recuperar o seu próprio calor. O frio era uma cortesia do meu banheiro sempre gelado. Eu me embrulhei no tecido com cuidado para não enroscar algum fio solto nos piercings — não doeu durante o banho, mas ainda estava sensível.

Enquanto Hunter recolhia suas roupas do piso frio, eu secava meus cabelos em silêncio. Ele se sentou na beirada da minha banheira e não consegui ignorar o tamanho da ereção escondida debaixo da toalha.

Meu coração martelava no peito. Como ele conseguia permanecer tão calmo? Quanto mais eu me enxugava, mais preocupante se tornava minha situação.

Assim que terminei de pentear meus cabelos, Hunter me encarou de cima a baixo:

— Já acabou?

A maciez da toalha queimava minha pele.

— Já.

— Só você, April — ele suspirou pesadamente e se levantou, a toalha branca pendurada em seu quadril por um triz — Só você para me fazer esperar desse jeito.

Quando suas mãos pousaram na minha cintura, não tive escolha a não ser me aproximar. O volume pontudo cutucou meu estômago e minha respiração travou na garganta. Precisei me controlar para não descer os olhos pelo seu abdômen.

— Viu só? — disse sonsa, mas meu sorriso trêmulo me entregava — Eu te fiz um favor. Aprender a esperar te deixou até mais modesto.

— Sim, sim — devolveu um sorrisinho debochado — Que bela lição eu aprendi. Nunca mais vou pedir para que você escolha entre mim e o seu cabelo de novo. Deus me livre de interromper seu ritual de beleza. O que eu estava pensando?

Ele afastou uma mecha castanha do meu rosto, que pegava fogo com a lembrança, e o brilho divertido em seu olhar me fez corar ainda mais intensamente. Merda. Se eu tive aquela reação desproporcional no chuveiro, foi porque estava frustrada por não tê-lo duro dentro de mim — parte da culpa era dele, por me provocar tanto.

Não sei de onde tirei forças, mas resisti bravamente enquanto seus dentes se arrastavam pelo meu queixo.

— Zombe o quanto quiser — disse — Você sabe o que dizem: é difícil quebrar um hábito.

Hunter riu contra minha pele, nariz afundado no meu pescoço:

— É mesmo?

— Sim.

O calor de seu hálito fez meus pelos se eriçarem. Eu tinha as mãos espalmadas contra seu peito e acompanhava o ritmo de sua respiração pesada quando ele ergueu o rosto, olhos cravados nos meus:

— Eu tenho uma porrada de hábitos ruins, April — sua voz era rouca — Largaria todos eles por você.

De coração disparado, eu despenquei entre as fissuras escuras e as diferentes tonalidades de azul. Era loucura. Eu podia jurar que havia um saco de borboletas em meu estômago. Elas agitavam suas asas e faziam cócegas no meu interior.

— Você sabe disso, não é? — seus dedos afundaram no meu decote, afrouxando o aperto da toalha ao meu redor.

Meus braços cederam e o tecido felpudo deslizou pelo meu corpo, caindo aos nossos pés. Hunter recuou um passo e me encarou como se me visse nua pela primeira vez. Por vários segundos, devorou a pele exposta em encostar um dedo. Meu peito subia e descia descompassado. Ele pegou meus seios com cuidado e os pesou em suas mãos, testando a maciez e o tamanho. Cada um de seus movimentos era suave, deixava um rastro de fogo por onde passava.

— Eu sou viciado nisso.

Nenhum de nós queria quebrar aquela tensão deliciosa, mas algo nas suas palavras me fez parar.

— Vai mesmo trocar um hábito ruim por outro?

Hunter sorriu em resposta, abaixando sua cabeça para alcançar meus olhos.

— Não precisa ser tão literal o tempo todo — murmurou baixo, descendo até o meu ouvido: — Você é boa para mim, April.

A toalha dele atingiu o chão.

Tão boa — repetiu.

Antes que eu pudesse reagir, Hunter me tomou pelos lábios. Um beijo lento, que exigia tudo de mim. Retribuí necessitada, guiada pela ferocidade do meu próprio desejo. Deixei escapar um gritinho quando suas mãos agarraram minha bunda e ergueram meu quadril. Mais um impulso e engatei minhas pernas à sua cintura, sustentada por seus braços.

— Eu te fiz uma promessa — seus olhos faiscaram para mim — Lembra-se disso?

Eu queria Hunter.

Queria tanto que não sabia como agir a maior parte do tempo. Tanto que não cabia em mim.

— A noite toda — entoei em um sussurro, pronta para lhe roubar um beijo.

Não precisei afastar minha boca da sua para adivinhar para onde iríamos. Hunter atravessou o meu quarto escuro guiado apenas pela luz suave que entrava pelas janelas e minhas costas encontram os lençóis suntuosos da cama de casal.

O olhar em seu rosto poderia parar meu coração.

— Espera — pedi.

Por muito pouco não me esqueci do preservativo. Acendi a luz do abajur sobre a pequena cômoda da cabeceira e empinei meu corpo para alcançar a segunda gaveta.

Assim que consegui pescar a embalagem quadrada, Hunter desferiu um tapão na minha bunda. Puta que pariu. Se ele continuasse desse jeito, a marca dos seus cinco dedos ficaria permanentemente carimbada no meu traseiro.

O ardor ainda não tinha passado quando ouvi o próximo estalo.

— Você faz isso de propósito — resmungou impaciente e agarrou minhas nádegas, me puxando com tudo para cima — Só pode.

Minhas costas bateram contra seu peito e seus lábios cobriram os meus. Eu estava tão concentrada no beijo que não ofereci resistência quando Hunter encaixou nossos corpos de lado. Dei passagem para sua língua quente e provei sua saliva com fome. Meu Deus. Isso nunca deixava de ser delicioso. Ele sorria na minha boca, o tipo de sorriso safado que fazia minha boceta se contorcer. Não entendi o que estava acontecendo até sentir o deslizar de sua rigidez sobre mim.

— Puta que pariu — arfei, sem forças para corresponder o beijo.

Hunter não me penetrava. Ele firmava suas mãos em meu quadril enquanto seu membro ereto roçava livremente sobre minha umidade. Sem atrito, nenhuma peça de roupa para nos separar. A ponta de seu cabecinha molhada pulsou contra minha entrada e um grito desesperado escapou do fundo da minha garganta.

Enterrei o rosto no travesseiro e uma risada satisfeita atravessou meus ouvidos:

— April, você está escorregadia — ele experimentava minha pele e descia pancadas curtas no ponto inchado entre minhas pernas — Ouviu isso? Esse som?

Minha carne latejava sob seu toque. Mal conseguia respirar. Seus dedos untados em lubrificação natural espalharam o líquido viscoso no interior das minhas coxas.

— Você gosta de lado? — sua voz era áspera — Eu acho que você gosta.

Mais uma carícia longa e eu ergui meu quadril sobre a cama, agarrando os lençóis em punhados.

O desgraçado riu.

— Só veste a porra do preservativo, Campbell — quase rugi ao empurrar o pacotinho em seu peito — Eu não acredito em coito interrompido.

Hunter obedeceu à minha ordem sem discutir. Ouvi o rasgar da embalagem e me ajoelhei sobre os lençóis desarrumados, esperando ansiosa.

Uma vez que terminou de desenrolar o látex até a base, ele me segurou pela nuca e se aproximou para um beijo. Dedos afundados no meu cabelo, eu permiti que Hunter se inclinasse sobre o meu corpo até minhas costas encontrarem o colchão. Um puxão firme e eu afastei as pernas, pronta para recebê-lo.

— Você é tão linda, April — ele raspou o nariz no meu.

Meu sorriso se desfez em um gemido. Hunter afundou sua glande dilatada na minha entrada e escorregou toda sua extensão para dentro de uma vez só.

Engasguei com o ar, unhas cravadas nas suas costas.

Tão obediente — sua voz soava distante, abafada.

Em um movimento vigoroso, deslizou sua ereção para fora e voltou a enterrá-la fundo dentro de mim. Minhas pernas tremiam enquanto ele reivindicava cada centímetro da minha boceta. Hunter mordeu meu queixo de leve e desceu seu nariz pelo meu pescoço, torcendo meu cabelo entre os dedos.

Não conseguia formar um pensamento coerente.

O peso de seu corpo me mantinha parada, à mercê de suas investidas. Eu estava adorando isso. Tinha esquecido como era bom senti-lo em cima de mim. O calor de sua pele, os músculos tensionados.

— Que boceta deliciosa.

Hunter acelerou o ritmo como se tivesse perdido o controle. Afastou o tronco e apoiou as mãos contra a cama, provando um novo ângulo. Rugiu em aprovação, estocando cada vez mais fundo.

Sem pensar muito, alcancei seus dedos e os guiei até meu pescoço:

— Me enforca — pedi.

Era culpa dele. Não teria esse desejo se ele não me segurasse tanto por ali.

Hunter hesitou por um segundo inteiro antes de fechar uma das mãos ao redor da minha garganta. Tinha as sobrancelhas franzidas e examinava cada mínima reação do meu corpo como se estivesse com medo de me machucar. Em um primeiro momento, não me apertou e nem depositou seu peso sobre mim, apenas segurou meu pescoço contra os lençóis.

— Você me deixa esporrar nos seus peitos e depois levanta esse rabo para mim como uma cachorra — sua respiração continuava pesada e constante — Agora quer que eu te enforque também?

Assim que se sentiu mais confiante, recomeçou os movimentos e passou a meter com força. Meus olhos se fecharam para a pressão deliciosa de seus dedos afundados na minha pele. Eu recebia suas investidas, resistindo aos impulsos firmes de seu quadril.

Uma. Duas. Três. Quatro.

Porra.

Contei nove.

Me perdi na décima, embevecida prazer. De repente, a pressão na minha garganta foi embora por completo e sua mão abandonou meu pescoço.

— Você está bem? — sua voz áspera se suavizou.

Quando não respondi, Hunter fez menção de escorregar seu membro para fora, mas eu o segurei entre as pernas.

— Não pare — choraminguei, apertando sua rigidez dentro de mim.

Um som abafado, quase dolorido, escapou da garganta de Hunter. Por pouco, ele não despencou em cima de mim e me esmagou com seu peso.

— Faz isso de novo — pediu ensandecido, braços apoiados um de cada lado do meu corpo.

Contraí meu ventre ao redor de seu pau e Hunter enfiou seu rosto na curva do meu pescoço. Arrastou os dentes na minha pele e estocou fundo, resfolegando como um animal.

Ao invés de aguardar pela próxima instrução, aproveitei seu momento de fraqueza e empurrei seus ombros para trás. Ele me obedeceu confuso, recuando até as costas atingirem a cama.

Quando inverti nossas posições e montei seu quadril, um brilho de admiração cintilou em seus olhos azuis. Hunter encarava meu corpo suado e meus seios empinados como se fossem seu presente de natal adiantado.

— Eu teria adorado te comer de quatro hoje, mas isso é tão melhor — ele sorria obsceno, seus cabelos escuros desalinhados sobre os travesseiros — April Wright me convidou para sua cama e me teve preso contra a cabeceira.

O par de mãos masculinas contornou meus seios e os segurou com delicadeza sob meu olhar atento. Ele entendeu meu pedido silencioso para tomar cuidado, mas depositou um apertão levado mesmo assim.

— Cala a boca — rugi, atirando suas costas sobre os travesseiros empilhados.

Ergui meu quadril sobre o dele e forcei minha entrada úmida contra a sua glande dilatada. Desci vagarosamente, envolvendo centímetro por centímetro. O sorriso de Hunter falhou e seus olhos azuis perderam o foco. Meu interior cedia e se moldava ao redor de seu pau. O alívio me fez derreter. Nós gememos alto, inebriados pela sensação. Dei início a um rebolar suave sobre seu músculo rígido, testando sua carne como se o fizesse pela primeira vez. Hunter mal conseguia sustentar seu próprio peso. Desmoronou sobre a cama, jogando sua cabeça para trás, dedos agarrados às minhas coxas.

— Meu Deus, April.

Espalmei minhas mãos sobre seu peito e cavalguei livremente sobre sua ereção. Meus seios oscilavam e lamúrias baixas escapavam por entre meus lábios enquanto eu intensificava o movimento de vai e vem.

Embaixo de mim, Hunter lutava para se recompor: seu corpo era um conjunto de linhas tensas e músculos definidos à minha disposição. Ele se apoiou nos cotovelos e se sentou sobre os lençóis desarrumados. Me puxou para si sem delicadeza alguma. Posicionou seu polegar entre as minhas coxas e massageou meu clitóris.

As carícias arrancavam gemidos de aprovação do fundo da minha garganta.

— É gostoso? — Hunter sorria, cabelos da testa suados — Fala comigo, princesa.

Pressionou no lugar certo e sufoquei um grito, me agarrando aos seus ombros. Um tremor violento atravessou meu corpo. Subia e descia minha boceta por toda sua extensão, escorregando no lubrificante natural.

— Hunter, eu não aguento — eu ofegava contra os seus lábios.

Ele grunhiu.

— Aguenta, sim.

Me segurou pelas nádegas e elevou o quadril, se enterrando em mim com força. Suas mãos me mantiveram quieta enquanto seu membro rijo me fodia, roçando sua virilha no meu ponto inchado. Aos poucos, ele me liberou de seu aperto e eu passei a rebolar, recebendo cada uma de suas investidas com um gemido.

— Hunter — chamei suplicante.

Ele precisava estar sentindo o mesmo que eu. Era tão bom que eu poderia chorar. Meus músculos se contraíram ao redor de seu pau enquanto um nó delicioso se formava sobre o meu ventre. Eu poderia morrer se ele parasse.

Hunter não respondeu as minhas lamúrias baixas. Ao invés disso, ele empurrou seus lábios contra os meus e sua língua invadiu minha boca. Eu correspondi sem fôlego. Deixei que os movimentos precisos de seu quadril me guiassem até um longo orgasmo.

O êxtase me invadiu em ondas. Quando deixei um grito escapar, Hunter me calou com um beijo. Ele gozou depois de algumas estocadas firmes, se enterrando em mim.

Meu corpo caiu sobre o dele e ficamos entrelaçados em um abraço por vários minutos. Eu me sentia exausta até a última célula, mas segura e satisfeita em seu abraço. Atrás das portas fechadas, nós tínhamos construído uma realidade à parte: nada existia além das nossas respirações irregulares e do barulho da chuva golpeando as janelas do meu quarto.

Eu desejei poder continuar assim para sempre.




Nota da autora (25/11/21): ATRASEI, MAS POR BONS MOTIVOS!!! 

Vocês acabaram de ler 19 páginas de sexo wribell. Tudo isso culpa de April e Hunter, eu juro. Impossível ser sucinta quando esses personagens são tão intensos.

Oficialmente, esse capítulo não deveria existir -- eu queria pular essas cenas de sexo porque não acrescentam muito na história --, mas a capitulo anterior me deixou com muita saudade de escrever # eles.

No próximo capítulo, eles irão conversar sobre umas coisas e vamos ver o que rola.

Será que esse shipp conhecerá paz?

Qualquer comentário construtivo ou crítica estou aceitando!! Vocês sempre me ajudam muito quando me atentam para detalhes assim. Enfim, qualquer erro me avisem tbm!

Beijinhos,

B.

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