Capítulo XI [PARTE DOIS]







A P R I L


O BANHEIRO ERA UM ESPAÇO AMPLO, dividido em dois ambientes. No primeiro, um enorme balcão de mármore e um espelho de mesma extensão cobriam a parede. No outro, eu podia ver um longo corredor com seis cabines privativas de cada lado. Contrariando as minhas expectativas, não havia mau cheiro no ar ou atividades suspeitas acontecendo ali. Talvez o lugar se tornasse sombrio no mais tardar, mas, naquele momento, quando a luz matinal se infiltrava pelo vidro opaco do basculante, o banheiro parecia um bom esconderijo.

Enquanto o perigo desfilava para longe em sapatos ortopédicos brancos, eu e Hunter estávamos a sós e mais conscientes do que nunca da distância que separava nossos corpos. Mesmo de costas para Hunter, eu sabia que ele estava atrás de mim. Céus! Até de olhos fechados eu seria capaz de reconhecê-lo. Hunter me atraía como um ímã. Cada um de seus movimentos me puxava para perto, como se cordas invisíveis o ligassem a mim. Minha pele ardia por um pouco de contato e eu só queria conseguir disfarçar melhor.

Meu coração ainda batia acelerado contra a costela, ainda cambaleante por causa do susto. Aos poucos, eu senti as rédeas da situação voltarem para as minhas mãos, de onde nunca deveriam ter saído. Eu tentei me acalmar da melhor forma possível antes de encará-lo. Estávamos a sós naquele banheiro e não havia sequer um motivo razoável que justificasse toda agitação que eu estava sentindo. Fingi apreciar a pia de mármore uma última vez e me voltei para ele, sem aguentar mais um segundo daquele maldito suspense.

A primeira coisa que notei foi que, assim como os primeiros botões de seu uniforme, seus cabelos escuros estavam desalinhados. Tinha certeza que ele havia passado os dedos entre os fios na tentativa de se manter calmo. Observei seu pomo de adão descer por sua garganta rapidamente e seu maxilar saltar delicioso sob a pele. Para mim, Hunter era como um livro aberto. Eu conseguia interpretar cada linha de seu corpo tenso. Talvez por isso soasse tão absurda a ideia de me afastar: eu queria tudo aquilo, desde seus ombros largos à seus dedos calejados. Meu coração deu pulos no peito com o pensamento e eu soube que precisava ir embora imediatamente. Se ficasse, eu perderia a razão e a dignidade em uma tacada só.

Hunter umedeceu os lábios e me encarou. Seus olhos eram azuis selvagens, me devoravam com gosto. Eles passearam pelo meu rosto e se detiveram sobre a minha boca.

— Você está com ele?

Eu forcei uma risada. Precisava parabenizá-lo pelo maravilhoso senso de oportunidade. Naquele instante, meu relacionamento com Josh Halden era a última coisa que se passava pela minha cabeça. Eu não estava a fim de me tornar um prêmio nessa disputa de egos ridícula entre ele e Hunter. A resposta estava na ponta da língua, mas qualquer resquício de humor morreu assim que mirei o rosto dele novamente.

Eu estava brava, certo?

Qualquer palpitação no meio das minhas pernas definitivamente não era bem vinda agora.

Tentei desviar dele, mas Hunter aproveitou o momento para dar mais um passo à frente, me obrigando a recuar. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, fiquei a centímetros de ser pressionada contra o corpo dele. A parede atrás de mim era o apoio extra que minhas pernas não forneciam.

— Você está?

Ele irradiava calor e a minha cabeça estava girando com a fragrância masculina. Estávamos tão próximos que a respiração dele soprava alguns fios do meu cabelo para longe. Seu hálito quente fazia cócegas no meu pescoço e arrepiava minha pele. Nós ofegávamos. Era como se ele bebesse do meu fôlego.

A sensação era inebriante.

Hunter inclinou seu rosto para perto, até nossas testas se encontrarem. O contato fez minhas pálpebras pesarem. Eu não conseguia lembrar qual era a maldita resposta para sua pergunta.

Se ele quisesse, ele poderia me beijar.

O baixista deixou uma risada curta misturada com a respiração escapar e eu abri os olhos para encará-lo.

— Então acabe — Hunter murmurou pressionando os lábios deliciosamente macios contra os meus para se afastar, respirando descompassado — Acabe o que você tem com ele.

Sua voz era ofegante e obstinada, como se essas palavras fossem difíceis de pronunciar.

Eu franzi a testa, tentando entender por que Hunter me fitava com tanta expectativa. A julgar pela vulnerabilidade brutal cintilando em seus olhos azuis, ele havia atribuído diversos significados ao meu silêncio. Um pior que o outro. Toda vez que nos encontrávamos, cada espaço vago deixado pelas minhas atitudes era preenchido pelo cenário mais catastrófico possível. Nessa tentativa de antecipar meus movimentos, Hunter julgava rápido demais. As mãos dele me seguravam forte, como se eu pudesse evaporar a qualquer segundo, e eu não podia culpá-lo.

Puxando Hunter pelo pescoço, eu deixei um sorriso prepotente deslizar por meus lábios e igualei nossas alturas. Ele fitou meu sorriso com a calma artificial de um predador e esperou. A julgar pela expressão em seu rosto, uma porção de pensamentos obscenos passeava pela cabeça dele.

— Não quero conversar agora, se você não se importa — eu afundei meus dedos nos cabelos curtos de sua nuca, decidida. Todo resquício de indiferença se derreteu em desejo e restou em mim apenas a vontade fazê-lo arder no mesmo calor lânguido que eu.

Foi pensando nisso que juntei nossas bocas. Era um beijo quente e desesperado, que exigia tudo. Meu sangue vibrava em minhas veias enquanto eu o confortava da única maneira que conhecia. As mãos de Hunter se afundaram no meu quadril, prensando nossos corpos como um, e eu arfei. Seu membro ereto se avolumava contra minha coxa, superando até a mais generosa das expectativas. Eu ri satisfeita no interior de sua boca e o som o levou à loucura. Hunter passou a me beijar com fome, conduzindo nossos movimentos de uma forma tão bruta, urgente e desesperada que me faltava ar. Ele me queria e não deixava espaço para dúvidas.

Sem qualquer sinal de aviso, Campbell se afastou de mim e me suspendeu pelas pernas. Eu suspirei com a surpresa. Segurei em seus ombros largos, buscando por apoio, até que senti a pia de mármore se firmar embaixo de mim. A superfície era gelada contra a minha pele excitada e pulsante. Eu me encolhi com um resmungo de protesto e me inclinei para beijá-lo novamente, mas foi em vão.

Ignorando meu aparente desconforto, o baixista me segurou firme: uma mão na minha bunda, para me arrastar de volta para si, e a outra no meu joelho, me mantendo aberta. Eu gemi alto quando nossos corpos se encaixaram, minha saia embolada sobre a minha barriga. Hunter juntou a boca à minha em um beijo, me impedindo de fazer outros barulhos vergonhosamente altos. Algumas camadas de tecido a menos e eu estaria realizada. Era tão bom que eu arrastei meu quadril para frente, exigindo o máximo de contato. Eu queria senti-lo em toda sua extensão, mesmo vestidos.

Havia algo desesperado em seu beijo. Seus lábios, famintos sobre os meus, e o aperto possessivo na minha cintura ressaltavam a falta de controle. O garoto me reivindicava para si de todas as maneiras que conhecia, explorando meu corpo com luxúria.

Eu não queria pensar em como, em suas mãos, eu era um prêmio. Não quando a boca dele estava sobre a minha e, certamente, não quando aquela maravilhosa ereção latejava contra a minha pele sensível. Sofríamos da mais pura atração física, algo animal e primitivo, que corria embaixo da nossa pele. Nada mais.

Hunter parou aos poucos para tomar ar e se afastou minimamente. Eu o segurei próximo pela gola do uniforme.

— Por que você parou? — perguntei sem fôlego, embriagada por seu gosto. Meu autocontrole havia ido pelos ares no momento em que nossas peles se encontraram.

Ele abriu os olhos escurecidos de desejo para me fitar com seriedade.

— Eu realmente preciso daquela resposta.

O baixista engoliu em seco, me encarando com suas íris ridiculamente azuis. Eu me senti despencar.

Hunter, você não pode sentir ciúmes de mim.

— E se eu estivesse? — foi o que eu murmurei, cruzando os braços e tentando retomar alguma postura.

Ele me olhou e eu percebi que minha camisa estava completamente escancarada, expondo meu sutiã de renda. Consertei minha saia, sentindo meu rosto esquentar. Talvez assim Hunter não tivesse tantos problemas em se concentrar.

— Você não estaria aqui comigo, com certeza.

A voz dele era mais clara dessa vez, firme como uma resolução.

Aquilo flutuou no ar durante alguns segundos enquanto eu pensava.

Senti as mãos do Campbell segurarem meu rosto com delicadeza, me forçando a encará-lo. O polegar dele roçou contra a minha bochecha, igualzinho aquele dia que ele ajeitou a correia do capacete. Tinha um semblante calmo em seu rosto, quase esperançoso, e fitava a minha boca como se planejasse o próximo beijo. O baixista juntou nossos lábios com um carinho imensurável e então sorriu, se afastando.

— Bom, eu não trouxe nenhum preservativo e, a não ser que você ande com pacotes de camisinha escondidos nessa sua calcinha... — o garoto examinou a minha saia, arqueando uma das sobrancelhas de um jeito esperto — O que eu acho bastante improvável...

Eu o fulminei com um olhar e o interrompi antes que ele tivesse a chance de dizer algo mais estúpido:

— Só me beija.

Nós conseguiríamos fazer isso. Apenas alguns beijos inofensivos e nada mais. Eu acreditava no meu autocontrole.

Campbell sorriu abertamente e eu senti o gosto de Trident invadir minha boca. Meu novo chiclete favorito. Eu aprofundei o beijo enfurecida, tomando cuidado para manter as mãos dele longe de certos lugares. Por mais tentador que fosse, eu não queria correr riscos. Em um breve acesso de estupidez, eu arqueei as costas e o puxei para perto. Seu membro roçou em mim, alcançando partes delicadas, e eu vi estrelas. Aqui vai uma confissão: talvez não se tratasse de um movimento tão acidental assim. O jeito como minhas pernas se enroscaram em seu quadril deixava claro que eu estava desesperada por mais.

Hunter ameaçou quebrar o beijo, mas dessa vez eu o segurei com mais força. Ele riu contra meus lábios.

— Calma, princesa — ele depositou um selinho no meu nariz, conseguindo aflorar uma mistura de dois sentimentos dentro de mim: raiva e tesão. Eu odiava aquele garoto. — Eu posso pensar em uma ou duas coisas divertidas para fazermos.

Observei sem entender quando ele arrastou uma cadeira velha até a pia de mármore. Na época em que aquele banheiro funcionava eu havia me sentado ali inúmeras vezes, mexendo no celular enquanto minhas amigas retocavam suas maquiagens.

Quando Hunter se sentou na cadeira em frente as minhas pernas, eu parei de respirar. Meu sangue fervilhava sob a minha pele. Mais uma vez, o baixista me puxou até o limite da bancada, minhas pernas abertas e a ponta dos meus pés pairando sobre cada lado do assento. Meu rosto ardia de vergonha. Ele roçou os lábios na pele um pouco acima do meu joelho, suas pupilas hipnotizantes escuras de luxúria. Minha respiração estava pesada em expectativa e meu coração acelerado, quase perdendo o compasso.

As mãos de Hunter percorreram o interior das minhas pernas e eu arqueei meu corpo. Seus dedos contornaram minhas coxas debaixo da saia, brincando com o elástico da calcinha, e desceram para acariciar minha excitação sobre o tecido. Estava vergonhosamente encharcada. Hunter sorriu em aprovação. Ele esfregou seu dedão sobre o pano mais uma vez, testando a umidade com uma massagem circular. Um gemido sôfrego escapou por meus lábios e eu me segurei à pia como se pudesse cair. Descontei o máximo que podia naquele aperto, meus dedos quase brancos contra o mármore.

Filho da...

Hunter não me deixou sequer terminar a frase. Ele me repreendeu com um estalar de língua e recebi uma segunda carícia como penitência, dessa vez mais demorada. Eu olhei para baixo, entreabrindo os lábios em uma súplica silenciosa. Hunter entendeu a mensagem na hora. Eu ergui meu quadril e o baixista depositou um beijo rápido sobre minha pele antes de descer a calcinha até os meus joelhos e retirá-la. A peça se transformou em uma bolinha de tecido na palma da mão dele. Hunter a enfiou no bolso da calça e sorriu como um moleque:

— Isso fica para mim.

Decidi deixar a repreensão para mais tarde. Naquele momento, meu corpo estava prestes a entrar em ebulição sob as mãos de Hunter.

Eu abri um sorriso implicante e ele copiou o gesto com o dobro de malícia. Aquela talvez tenha sido a visão mais erótica que eu já tive entre minhas pernas. Minha carne latejou em resposta, se derretendo de prazer. Hunter iniciou uma trilha de beijos até o alto das minhas coxas e meus músculos se retesaram sob a boca dele — o baixista teve que segurar minhas pernas firmemente, aproveitando para apertá-las quando tinha vontade. Seus dedos roçaram na minha pele sensível sem nenhum tecido para atrapalhar e eu afundei uma das minhas mãos em seus cabelos escuros, respirando alto. Nada parecia refrear os sons que saíam da minha boca. Acho que eu sussurrava o nome dele.

Por longos segundos, os ombros de Hunter enrijeceram. Seu rosto inteiro estava tenso, o maxilar destacado como uma linha reta. Ele puxou uma lufada de ar:

— Puta que pariu, April — ele ralhou — Você está escorregadia — como que para provar seu ponto, Hunter acariciou minha entrada. Eu me derreti mais um pouco em seus dedos e ele riu, soprando minha entrada. Um grunhido escapou por meus lábios. Seus olhos se alimentavam de cada reação mínima do meu corpo, que tremia de prazer. Percebi que ele me observava esperando por algo. Eu balancei meu queixo em um movimento positivo, dando minha permissão para que a tortura continuasse. Seu polegar recomeçou os estímulos lentos, massageando meu botão inchado e espalhando lubrificação natural por toda minha buceta. Eu rebolei meu quadril contra sua mão, deixando escapar algumas lamúrias baixas.

— Será ainda melhor quando eu foder você — ele prometeu.

Eu ofeguei ouvindo aquela palavra.

Sim, por favor.

A voz dele guiou meus pensamentos confusos para caminhos luxuriosos. Escutar a palavra "foder" saindo da boca dele era como música para os meus ouvidos. Céus. Se só a respiração dele entre minhas pernas já me servia de estímulo, então aquela transa prometia ser espetacular.

Sem nenhum aviso, Hunter me tomou por inteira com a boca. Eu arquejei alto, segurando o cabelo dele com uma das mãos. Um dedo me provocava para cima e para baixo, enquanto sua língua brincava com o meu clitóris. Eram movimentos vagarosos e suaves, que me deixavam louca por mais. Um gemido sôfrego escapou da minha garganta quando ele me penetrou com um dedo e depois inseriu outro. A essa altura Hunter alternava entre sugar minha pele e me provocar. Uma onda de prazer tomou conta do meu corpo suado e ele acelerou o ritmo, como se soubesse o que estava por vir.

— Hunter.

Minha voz se parecia mais com uma súplica do que com um aviso.

Quase gritei quando ele chupou meu clitóris. Era leve como um beijo, mas o cretino sabia o que fazia. Seus dedos acariciavam minha carne, entrando e saindo. Eram tantos estímulos que eu estava prestes a explodir de prazer. Minha pele estava sensível ao toque e a língua dele havia encontrado o exato ponto em que toda minha tensão se acumulava. Faltava pouco. Eu estava cada vez mais próxima de atingir o limite, encharcada contra a mão dele. Arfei alto puxando o cabelo dele para mim e a outra mão de Hunter apertou minha coxa. A velocidade de suas carícias faziam minha cabeça girar em uma espiral de prazer. Eu olhei para baixo no meio de um gemido e encontrei seus olhos azuis presos em mim, transbordando desejo. Meu corpo inteiro estremeceu e uma sensação indescritível tomou conta de cada uma das minhas células. Eu me desfiz quente e molhada para ele.

A exaustão me atingiu no segundo seguinte. Eu me sentia mole, dormente de um jeito bom. Minha respiração errática era o único som dentro daquele banheiro. Hunter ainda me provou mais algumas vezes, como se qualquer gota gasta fosse um desperdício. Foi vergonhosamente fácil para ele me arrancar um orgasmo. Depois dessa, eu não conseguiria mais negar o quão excitada ele me deixava e o quão sedenta estive por esse momento.

— Posso não ler a sua mente, mas sei ler o seu corpo — ele murmurou baixo ao se afastar. Eu não sabia se devia ter ouvido aquilo ou não.

Meu coração tentava se acalmar, mas algo me dizia que perto de Hunter isso seria difícil. Principalmente, depois de gemer o nome dele como uma desesperada.

Depois que a letargia deixou minhas veias, eu senti meu corpo reanimar. Quando voltei a encarar Hunter, ele tinha uma expressão contemplativa no rosto, seus olhos nublados de desejo. Desci preguiçosamente da pia, deslizando mole como um macarrão até ficar de pé, me segurando em seus ombros.

Hunter não falou nada e eu também não. Sentei-me em seu colo sem me importar em pedir, posicionando as pernas uma de cada lado do corpo dele. Subi minhas mãos até seu pescoço e fiz um carinho em seu cabelo escuro, tudo isso sem deixar de encará-lo. Eu sorri antes de fechar os olhos. Meus lábios se abriram sobre os dele, aprofundando um beijo quente e lento. Os dedos de Hunter subiram por minha coluna e eu senti com cuidado a parte dele que precisava de mim com mais urgência, cavalgando gostoso e sem pressa. Ele grunhiu, me segurando com mais firmeza. Eu rebolei contra a excitação dele tentando achar um ritmo que o agradasse, e isso só o fez me segurar com mais força, o corpo tenso debaixo de mim.

— April — Campbell quebrou o beijo, mas eu não conseguia ouvi-lo. Minha mente ainda estava enevoada. A voz dele soava a quilômetros de distância.

Hm? — afundei o rosto no pescoço dele sentindo o cheiro de sabonete que se concentrava ali.

— Uma vez não está bom não? — ele estava duro, tentando não gemer e me afastava suavemente. O rosto dele gritava desespero.

Eu sorri.

— Só quero retribuir o favor.

Inclinei-me para tomar os lábios dele, mas Hunter me segurou gentilmente.

— Linda, você vai ter outras oportunidades para fazer isso. Mas aqui não.

Fiz uma expressão emburrada, prestes a argumentar.

— É sério. Essa cadeira vai ceder com o nosso peso.

Eu me levantei e pelo canto do olho observei-o suspirar em alívio.

O próximo a se pôr de pé foi Hunter, ajeitando a calça para o volume ficar menos evidente.

— Acho que já podemos sair.

Eu não tinha relógio, mas sabia que nós havíamos passado um bom tempo ali.

— Acho que sim.

Sem saber o que fazer, arrumei minha saia da melhor maneira possível e abotoei a camisa do uniforme. Procurei meu reflexo no espelho sobre a pia. O suor havia deixado a raiz do meu cabelo escura, enquanto meu rosto estava corado, como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. A roupa amassada seria algo difícil de explicar, mas eu daria um jeito.

Fitei Campbell, que agora espiava o lado de fora. Como se percebesse que eu o fulminava, ele virou para mim com curiosidade.

— Você vai devolver a minha calcinha? — eu inquiri.

Os lábios de Hunter se curvaram em um sorriso levado. Ele me puxou para si e me beijou de leve, para no fim sussurrar próximo ao meu ouvido:

— De jeito nenhum.

Seria romântico se ele não estivesse duro contra a minha coxa. E se o assunto não envolvesse minha calcinha.

Desvencilhei-me de Hunter revirando os olhos. Ele deu uma risada curta, como se me provocar fosse o melhor hobbie do mundo.

— Fique bem aí — ele murmurou.

O garoto andou até a porta e passou metade do corpo para fora, espiando o corredor. Tirando nós dois, o andar parecia vazio. Ou, pelo menos, soava vazio.

— Hunter?

Shhh.

Poucos segundos depois, ele voltou para o banheiro.

— Você pode ir agora.

— Obrigada — eu agradeci de forma condescendente.

— Não há que.

Fiz menção de sair, dando uma boa olhada nos arredores, mas parei ao perceber que ele não me seguia. Quando voltei o corpo para dentro, percebi que Hunter estava entretido com sua visão privilegiada da minha bunda. Ele desviou o olhar da minha saia para me fitar nos olhos.

— Não vai sair?

— Não. Tenho que cuidar disso — ele apontou para as próprias calças, e eu ri.

Nós nos encaramos por vários segundos e eu não consegui pensar em nenhuma despedida decente. Uma barreira invisível ameaçava se erguer silenciosamente entre nós e ambos hesitávamos em deixar o momento acabar. Quando eu estava prestes a me dar por vencida, Hunter me surpreendeu.

Em um rompante de coragem, ele quebrou a distância entre nós e me envolveu com seus braços uma última vez, roubando um beijo de tirar o fôlego. Eu queria mais daquilo. Estava faminta por qualquer prazer que Campbell pudesse me proporcionar. Quando nos separamos, a respiração dele estava tão errática quanto a minha, talvez mais. Eu demorei para abrir os olhos, tentando memorizar a sensação de tê-lo tão próximo, soltando vagarosamente a camisa dele. Eu os abri novamente e encontrei duas pupilas escuras que ameaçavam me engolir:

— Vai.

Sem querer prolongar o momento mais uma vez, eu desapareci no vão entre o armário e a porta, o deixando para trás.





Duas coisas aconteceram assim que eu consegui sair do banheiro em segurança. Uma foi avistar Jackie no topo da escadaria a minha frente, distraída. Outra foi ver Muriel, a infame inspetora, dona de um poderoso apito cruzando o corredor.

Sinceramente, eu não sabia qual dos dois encontros seria pior. O mínimo que pude fazer foi mudar minha direção sutilmente para direita, tentando não deixar evidências que levassem a Hunter. Eu não queria que qualquer uma das delas pensasse que eu havia acabado de sair do banheiro interditado.

Assim que a mulher me viu, ela levou o apito à boca e fez uma corridinha para me alcançar. Era uma cena um bastante caricata. Veja bem: Muriel, com seus um e sessenta e dois, não chegava a ser exatamente uma figura que impusesse medo. Ela apitava com a face vermelha e suada, apertando o passo como se estivesse em uma perseguição policial.

No topo da escada, Jackie perdeu um dos degraus e quase caiu. Ela arregalou os olhos, finalmente percebendo minha presença no corredor. O apito castigou nossos ouvidos novamente e eu me virei para Muriel, a inspetora.

— O que você estava fazendo aqui, menina?

Todas as minhas possíveis respostas sumiram em um passe de mágica. As palavras evaporaram junto com a minha coragem. Os olhos de Muriel seguiram até a passagem do banheiro, selada com o armário, e torci para não estar escrito na minha testa de pecadora.

"Eu acabei de ter um orgasmo, um oferecimento de Hunter Campbell, Bastardos S.A.".

Merda, um bastardo com talento.

Nesse momento, os passos propositalmente pesados de Jackie chamaram a atenção de Muriel.

— Muriel! Nós estávamos pensando em você — a garota morena se pôs do meu lado casualmente — Precisam de você na sala dos professores. O sinal deve tocar a qualquer segundo.

E o sinal tocou mesmo. Era a hora da saída. A mulher estreitou os olhos, nem um pouco convencida.

— Vocês duas. Chispem daqui.





Qualquer minuto a partir de agora.

— PUTA MERDA! Você estava no banheiro dando para algum cara! Meu Deus. Você precisa me contar tudo.

A porta do prédio mal havia fechado atrás de nós e a morena já estava gritando. Do lado de fora, o sol castigava cada resquício de sombra, queimando desde o alto do céu até o asfalto quente. Fazia um dia bonito e atípico, nem parecia que estávamos prestes a entrar no outono.

— Não faz essa cara pra mim, April. Você estava lá dentro com um macho. Aquele é o lugar em que as pessoas vão para se comer.

Eu preferia morrer a contar qualquer coisa.

Nós caminhávamos por uma passagem coberta que interligava um edifício ao outro. Era um corredor vazado para o jardim, feito de pilastras altas unidas no teto por arcos. Ninguém andava por ali depois que o sinal tocava.

— Jesus, Jackie — desviei os olhos do piso pedra para fitá-la — Não aconteceu nada.

— Como assim não aconteceu nada? — sua voz se esganiçou com um desespero irônico — Desperdiçou sua chance, vai ter que voltar pra escola das piranhas.

Uma gargalhada escapou da minha garganta.

— Jacqueline Foster! — adverti com meu rosto roxo de vergonha.

— Vai ser pior se eu descobrir sozinha...

Nós ouvimos o barulho da porta do pavilhão se abrindo. Eu escondi meu rosto entre as mãos, achando abrigo atrás de uma pilastra. Jackie ficou em silêncio por um longo tempo. Tempo o suficiente para que eu abrisse um dos olhos para espiar.

— EU NÃO ACREDITO, APRIL. ELE É SÓ UMA CRIANÇA!

Virei confusa, procurando o que Jackie tinha visto.

Saía do prédio de dois andares um menino da banda com o estojo de clarinete atravessado nas costas, o rosto marcado por espinhas. Ele ajeitou os óculos de armação metálica assim que nos viu. O garoto nem precisou sorrir — de algum modo eu já sabia que usava aparelho nos dentes. Parecia estar na oitava série.

— Isso é deturpado até para mim — a morena retorceu os lábios como se tivesse provado de algo azedo.

— Para com isso, não foi ele.

— Ainda bem... — ela suspirou aliviada, mais para si do que para mim. Jackie se virou para o menino: — Mantenha seu clarinete longe das minhas amigas, ok?

O garoto nos encarou assustado por trás das lentes grossas, fugindo em passos largos. Ele evitou passar por nós, preferindo contornar o prédio pela grama como um gato assustado.

— Cala a boca, pelo amor de Deus — murmurei por debaixo da respiração, preocupada com quem pudesse nos ouvir.

— Não vai me contar quem foi?

— Não.

Ótimo — ela empinou o nariz — Eu descobrirei sozinha.

Eu sorri.

— Boa sorte com isso.






N/A: O tão esperado capítulo do banheiro...

Mal posso esperar pra ver as reações de vocês, suas safadinhas. Por favor, não guardem nada kkkkk

Confesso que dei algumas risadas revisando esse capítulo porque acho que eu tinha uns 17 anos quando escrevi kdjlfj Segurança em primeiro lugar.

Não esqueçam de espiar as redes sociais da história. Vamos surtar juntas.


Beijins

Barbara

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