Succumberet

Jeon Jungkook

A noite na casa do Jungkook foi horrível, ele mal pregou os olhos a madrugada inteira, acordando e caindo no sono repetidamente, ouvindo sons estranhos pela casa e sentindo arrepios, não teve um único momento que não sentiu medo. Havia tido pesadelos e até mesmo uma paralisia do sono, o desespero e suor tomaram completamente seu corpo durante a madrugada. Sua noite baseou-se em dormir e acordar aos sustos, sendo perseguido em seus sonhos por cobras que se enrolavam em suas pernas e por uma silhueta escura e apavorante, completamente obscura se aproximando de si enquanto não conseguia se mover.

Estava com a face abatida quando acordou, deixando claro seu desgaste emocional a qualquer um, levantou-se de sua cama lentamente, caminhando em direção a sua cozinha para beber um copo de água e tentar se recuperar da noite assustadora. Suas mãos tremiam e suas pernas pareciam não responder aos seus comandos, nunca havia passado por uma noite tão conturbada quanto aquela, temia que houvesse mais pesadelos assombrosos como os que teve naquela madrugada. Quando chegou ao cômodo pegou um grande copo e o encheu, bebendo todo o líquido de uma vez, tentando aliviar a tensão de seus músculos. Quando terminou suspirou e olhou para o chão, vendo um gafanhoto perto de seu pé, fazendo-o franzir o cenho.

"Como um gafanhoto entrou no meu apartamento? Eu moro no quarto andar!"

Como os cômodos da kitinet que Jungkook eram interligados, ao virar-se deparou com a imagem de Taehyung escorado em sua bancada, o que o fez sobressaltar-se e levar a mão até o peito por conta do susto, vendo ele lhe encarar com um sorriso ladino. Mas algo chamou sua atenção, ao encará-lo com mais atenção notou suas grandiosas e volumosas asas negras estarem belamente expostas, tão lindas que era difícil não ficar hipnotizado com a beleza e grandeza delas. O torso do demônio estava nu, mostrando a pele alva e definida de seu peito e abdômen, se não fosse um ser do mal Jungkook juraria que sua aparência se assemelha a um anjo.

— Teve bons sonhos Jungkook? — Ele perguntou com um sorriso debochado, fazendo-o abrir a boca em choque.

— Foi você?! Você que fez aquilo? — Perguntou indignado. — Por que fez isso? Foi agonizante, sabia?

— Minha presença lhe causa isso — deu de ombros desinteressado. — Assim como em todos os mortais em um raio de mais ou menos um quilômetro, é como se anunciasse minha presença.

— Todos do meu prédio tiveram noites ruins? — Perguntou assustado, vendo Taehyung assentir.

— Eu consigo tornar tudo à minha volta perturbador e cheio de infortúnios — ele sorriu, mostrando que se divertia com isso. — É algo próprio da minha natureza.

— Você atrai coisas ruins.

— Eu não atraio coisas ruins, eu as trago comigo. Você esperava o quê de um demônio? Estas são as consequências da minha presença na terra — seu sorriso não diminuía, pelo contrário, apenas se ampliava.

— Você não pode fazer mal a nós, não é? — Perguntou receoso.

— Não podemos interferir na vida dos mortais sem a devida permissão de Lilith, mas não é como se eu seguisse as ordens dela de qualquer forma — ele riu, mas seu sorriso morreu quando ele direcionou o olhar para si logo em seguida. — Porém eu sou impedido por um contrato, posso fazer algumas coisas, mas apenas com permissão do mortal com quem foi feito o pacto.

— Você não terá essa permissão — seus olhos queimavam em convicção.

— É o quê veremos — se levantou caminhando em direção a Jungkook, que deu passos para trás com a aproximação repentina. — Ninguém... Absolutamente ninguém, já resistiu às minhas tentações. — Encurralando Jungkook entre seu corpo e a bancada, ele aproximou seus rostos. — Você não será uma exceção.

Os dedos de Jungkook passaram a apertar com força o mármore da bancada, sentindo uma onda de calor e excitação aflorando seus sentidos como um tiro, sabia que essas sensações estavam sendo causadas pelo demônio que sorria ladino olhando para seus olhos assustados. As mãos de Taehyung foram para sua cintura, puxando-o contra si em um movimento rápido, fazendo seu corpo ser pressionado com força contra o dele. Os olhos dos dois estavam focados em estudar cada traço um do outro, com as respirações próximas demais umas às outras seus hálitos se misturaram, os lábios se aproximaram com lentidão e tudo isso estava acontecendo pelo entorpecimento de Jungkook.

Sentia-se bêbado, louco para provar os lábios que agora estavam tão próximos aos seus.

— Já se sentiu tão quente como agora? — Taehyung perguntou com a voz mais grave que o normal, uma oitava mais baixa. — Sinta como minhas mãos se encaixam tão perfeitamente em sua cintura...

Taehyung ditava roucamente, resvalando seus lábios róseos e macios pelo os de Jungkook, que entreabriu os lábios em completa submissão e torpor, para suspirar com as sensações que estavam invadindo seu corpo a cada palavra dita pelo homem a sua frente. As grandes mãos de Taehyung subiram por sua cintura, adentrando sua camiseta larga que usava por cima de seus shorts de dormir, o demônio estava se deliciando com os suspiros e ofêgos que ele dava ao sentir seus toques dedilhando sua pele por debaixo do tecido. O corpo de Taehyung estava fervendo, podia sentir o calor emanando de seu corpo.

— Sinta como seu corpo reage aos meus estímulos... — Sussurrou se aproximando ainda mais, fazendo Jungkook sentir a dureza dele em contato com a sua, fazendo-o abrir os lábios para soltar uma lamúria.

A voz profunda invadia os tímpanos de Jungkook toda vez que Taehyung gemia para provocá-lo, deixando sua mente em completa atonia. Suas mãos subiram para os ombros nus do ser à sua frente quando sentiu um dos dígitos quentes circular a auréola de seu mamilo esquerdo, apertando a pele quente dele em profunda adoração. Sorrindo contra sua boca, Taehyung desceu seus lábios pela tez branca e imaculada de seu maxilar, afundando os dedos de sua mão direita nos fios de sua nuca. Puxando seus cabelos para trás, o demônio passou a deixar beijos molhados pela extensão de seu pescoço e clavícula, fazendo um gemido baixo e manhoso escapar dos lábios de Jungkook.

— Tão delicioso — Taehyung gemeu em seu pescoço. — Será um prazer imenso te destruir.

Os dois apenas se afundavam cada vez mais na bolha de prazer que se encontravam imersos, Jungkook sentia Taehyung esfregando a ereção contra a sua, fazendo-o inconscientemente erguer a perna, para que se sentisse melhor, tendo-a agarrada com força pelo demônio que moveu o próprio quadril, arrancando um gemido seu com o atrito. A intensidade dos lábios habilidosos no pescoço de Jungkook deixava-o fervendo e com a mente enevoada, a língua de Taehyung deixava um rastro molhado por onde passava, deliciando-se com o banquete que era seu pescoço branquinho e livre de qualquer marquinha. Quando Jungkook sentiu a pequena e gostosa dor do chupão, ele de repente recobrou seus sentidos.

Taehyung estava usando seu poder para fazê-lo ceder e se entregar.

— N-Não! — Com um pouco de força afastou o corpo de taehyung, mantendo uma distância "segura" dos dois. — Está tentando me fazer sucumbir ao sei lá o que que estivesse tentando fazer.

— Eu estava tentando fazer você se entregar a mim — passou a língua por entre os lábios, as orbes de Jungkook acompanharam o movimento do músculo rosado, louco para tomá-lo. — E estava conseguindo, você estava cedendo.

— Você está fazendo eu sentir coisas estranhas, ninguém fica do jeito que eu fiquei tão de repente — o acusou, vendo o sorriso de Taehyung se alargar. — Foi um pequeno descuido da minha parte dar abertura para você se aproximar, não vai se repetir.

— Pois irá. Entretanto, irei fazer com que sua mente fique completamente dispersa da realidade enquanto eu te afogo na luxúria, irei fazer você sentir tanto prazer que não vai ter tempo sequer de pensar em me afastar — ele disse com a voz rouca banhada em malícia.

Atordoado com as palavras de Taehyung, Jungkook saiu de perto dele às pressas, não querendo demonstrar o quão afetado ficou com suas palavras ou como seu corpo se entregava facilmente as provocações dele, estava cedo e precisava sair para procurar emprego, se continuasse ali ele com certeza iria ceder. Assim que chegou até seu quarto, certificou-se de trancar a porta, mesmo sabendo que ela seria inútil caso o demônio quisesse realmente entrar lá dentro, mas isso aumentava — mesmo que minimamente — a sua sensação de segurança. Percebeu naquele momento a visível ereção em suas calças.

Céus, ele estava perdido.

Optando por um banho ele foi em direção ao banheiro de seu quarto, retirando suas roupas enquanto caminhava, jogando-as em qualquer lugar, apenas para quando entrasse no box deixasse a água gelada adornar sua derme quente sem perder tempo em ter que tirá-las e deixá-las no cesto. Mas a água fria não teve o efeito que desejava, pelo contrário, estava duro como uma pedra e estar dolorido era a prova que a água gelada havia sido completamente inútil. Ele precisava se livrar daquela ereção o mais rápido possível e não restando muitas opções, respirou fundo segurando a base de seu pênis e fechou os olhos.

— Minha avó de biquíni, minha vó tomando banho, minha avó depilando o suvaco...

E com esses pensamentos um tanto repulsivos sua ereção murchou em sua mão, fazendo-o rir descrente da maneira mais sem noção possível de não se masturbar, seus pensamentos o levavam para um lugar tão estranho que era óbvio que perderia o tesão. Ignorando totalmente o fato de que havia acabado de broxar pensando na sua avó nua, ele terminou de se banhar aproveitando a água fria para relaxar. Ao sair do chuveiro com uma toalha enrolada na cintura, caminhou até seu guarda roupa, buscou por uma roupa confortável e um um tanto formal.

Escolheu uma camisa social branca e uma calça jeans de lavagem clara, penteou seus cabelos e passou um pouco de perfume, conferindo suas roupas mais de uma vez no espelho para se certificar de que estava bem vestido. Quando se deu por satisfeito calçou suas amadas Timberland e pegou seu celular na cômoda ao lado da cama, antes de sair do quarto lembrou-se de algo, deu meia volta e caminhou até seu guarda roupa novamente pegando mais uma camisa, voltando a seguir seu caminho para fora do cômodo.

Ao voltar a sua sala de estar encontrou Taehyung sentado no sofá com o controle da TV na mão, ele estava sentado de maneira relaxada, suas asas não estavam mais à mostra. Estava distraído enquanto aumentava o volume da televisão, ele assistia um canal onde estava passando uma missa católica ao vivo, onde o padre estava naquele momento servindo a hóstia as pessoas. Jungkook franziu o cenho com a cena e ficou meio confuso, porque um demônio estava assistindo a missa? Inconscientemente começou a ir em direção a cena tão peculiar, ganhando a atenção de Taehyung, que sorriu ao vê-lo.

— Estava se masturbando pensando na sua avó? — Taehyung perguntou divertido.

— Não estava me masturbando.

— O que é muito esquisito — franziu o cenho. — Você é broxa ou algo do tipo? Por que não se masturbou?

— Por quê está assistindo uma missa? — Mudou de assunto. — Isso não te afeta?

— É engraçado os humanos pensarem que nós queimamos ao pisar na igreja ou que nos encolhemos ao ouvir o nome dele e essas coisas. Isso realmente nos causa um desconforto, mas não é algo que irá nos machucar de alguma maneira.

— Então... Cruzes e água benta não funcionam em você? — Jungkook perguntou inocentemente, fazendo-o rir.

— Não, apenas ele pode me machucar e não objetos criados por seres humanos, com alguma heresia profanada nele. As pessoas rezam e pedem auxílio ao criador, e ele nos repudia, é muita petulância de vocês acharem que podem nos deter de alguma forma — ele riu com escárnio. — Não sabem lidar nem mesmo com a mortalidade, quem dirá lidar conosco, seres imortais de força ilimitada. Vocês são extremamente presunçosos.

— Você não teme a Deus? Ele pode te destruir — Jungkook mudou de assunto, mesmo sabendo que sim, os humanos carregavam uma prepotência absurda.

— É claro que tememos, a "mãe" dos demônios é uma das crias dele, a primeira mulher nascida junto a Adão, Lilith. Ele criou a terra e a "mãe" dos demônios, nós somos uma criação dele, falhas, mas ainda sim, crias dele — revirou os olhos. — Ele tem o poder que nenhum demônio jamais terá, mas sei que ele não fará mal a mim.

— Por quê? — Jungkook inclinou a cabeça, procurando seu olhar. Estava evidentemente curioso.

— Ele tem planos para mim, até me incluiu em suas previsões naquele livro velho. Eu irei causar um belo estrago na terra em breve.

— Você foi citado na bíblia? — Seu tom era de completo choque.

— Naquele monte de pergaminhos velhos e deteriorados, não naquele livro de histórias infantis que vocês escreveram e vendem por aí — sorriu, mostrando suas presas. — Na verdadeira bíblia há histórias que vocês mortais inocentes teriam pesadelos. Mas a melhor parte daqueles pergaminhos, é a parte onde meu nome é mencionado.

— Você é tão poderoso assim? — Perguntou preocupado de ter se amarrado a um demônio mais perigoso do que imaginava.

— Vou deixá-lo navegar por sua imaginação — deu de ombros, largando o controle da televisão.

— Você é tão poderoso quanto Lúcifer? — Jungkook perguntou inocentemente, mas se assustou quando a televisão desligou sozinha e as luzes falharam sobre a sua cabeça.

— Não repita esse nome — Taehyung disse sem encará-lo. As batidas do coração de Jungkook aceleraram, assustado com o que estava acontecendo com as luzes de sua casa.

— Você era um anjo? — Tentou mudar de assunto, a rápida mudança de humor do demônio o deixou curioso e receoso na mesma proporção. Mas ao contrário do que imaginou, Taehyung riu de sua pergunta.

— Todos já fomos os soldadinhos dele antes de cair — virou-se para encará-lo. — Embora eu tenha sido um dos primeiros a despencar.

— Eu tenho certeza que já li sobre você... Apenas não me recordo, as história dos anjos caídos são famosas entre nós.

— Possuo muitos nomes, talvez já tenha lido sobre mim, mas não reconheceu-me por meu nome, se não me falha a memória, Moisés escreveu sobre nosso encontro no Egito, muitos e muitos anos atrás — deu de ombros, como se aquela informação não fosse nada demais. — Mas ao contrário de um irmãozinho meu, não saio por aí anunciando-me, por isso muitos confundem meus feitos com os dele, fazendo-o ganhar fama em cima do meu nome. — Ele riu sem humor algum.

— Por que você não pode revelar seu nome? — Jungkook perguntou sem conseguir segurar a curiosidade, se ele era realmente tão importante, tinha certeza que havia informações sobre ele na internet.

— Eu disse que não podia? — Ergueu uma sobrancelha e Jungkook assentiu. — Eu menti, só não estava com vontade de lhe contar.

— Então pode me dizer seu nome verdadeiro? — Jungkook estava com medo de descobrir, mas queria muito saber, sua curiosidade falou mais alto.

Os olhos prateados e penetrantes de Taehyung lhe encararam com intensidade, fazendo-o se questionar se perguntar seu nome fora de fato uma de suas melhores ideias, pois talvez, ele não gostaria do que estava prestes a descobrir. Já leu sobre anjos caídos e muitas entidades demoníacas durante sua adolescência, por ser um garoto muito curioso e também por obrigação, tinha um dever a cumprir e seus pais nunca o deram escolha. Mas tinha medo, pois em quase todas as pesquisas mostravam que a interação com essas criaturas causavam o caos na mente e na vida da pessoa, destruindo-o de dentro para fora.

Temia que acontecesse isso com ele.

— Abaddon — Disse olhando fixamente para os olhos de Jungkook, que sentiu seu coração falhar ao reconhecer aquele nome. — Mas se não quiser problemas, é melhor não pronunciá-lo. — O demônio sorriu, achando seu horror divertido.

Jungkook definitivamente já ouvira falar de seu nome, não se lembrava exatamente todas as informações sobre ele, mas sabia que ele era o pior dos anjos caídos, o que o fez recuar, pois ele estava diante da própria morte e destruição. A expressão de Taehyung estava quase inexpressiva, havia apenas um pequeno curvar nos cantos de seus lábios, trazendo temor a Jungkook, mas se o contrato o protegia não tinha porque temer que o machucasse, porém, não significava que devia dormir tranquilo todas as noites sabendo que estava dividindo o teto com um dos cavaleiros do apocalipse. Respirou fundo e decidiu que iria pesquisar uma maneira de sair daquele contrato mais tarde, mas por enquanto, ele precisava focar-se em um emprego.

— Vista-se, nós vamos sair. Você vai me ajudar a arrumar um emprego — entregou a camisa a ele e tentou manter-se firme, não podia gaguejar e denunciar seu medo a ele.

Embora muito provavelmente, o demônio pudesse sentir a adrenalina em seu corpo, seu medo era quase palpável.

— As pessoas não podem me ver, a não ser que eu queira. Não preciso de roupas.

— Mas eu vejo — parou para encará-lo com seriedade. Era um alento e um tormento que Taehyung fosse tão bonito, pois isso dispersava um pouco de seu pavor, mas o deixava à mercê das tentações dele. — Vista-se, não quero andar com um homem semi-nu.

— Por quê? Eu tiro sua concentração?

— Tira e você sabe disso. Agora se veste!

Observando-o rir, Jungkook caminhou até a cozinha para preparar seu café da manhã, tendo como opção um pão dormido, algumas bolachas, chá e um pouco de pó de café que daria para fazer apenas uma caneca e se duvidasse ficaria extremamente fraco. Suspirando derrotado fez duas xícaras de chá e entregou uma delas a Taehyung, que franziu o cenho em sua direção, mas aceitou de bom grado. Jungkook precisava urgentemente de um emprego para poder se estabilizar em casa, ou então passaria fome em breve. Após terminar seu café pegou suas chaves e sua mochila, onde estava sua carteira, documentos e currículos.

Apagou as luzes e tirou todos os eletrodomésticos da tomada para não gastar mais energia que o necessário, deixando somente a geladeira ligada, para não estragar o pouco de comida que tinha. Saiu de seu apartamento sendo seguido por Taehyung, que parecia um tanto animado com a ideia de finalmente sair de sua casa por um momento, talvez ele não subisse muito para a terra, Jungkook pensou, mas também se perguntou porque ele não aproveitou que estava dormindo para sair um pouco. Deixou esses pensamentos de lado e seguiram até o centro de Seul, caminhando por vários minutos, conversando sobre o emprego que buscava.

No caminho Jungkook conversava com Taehyung com o celular no ouvido, pois ele não estava visível aos outros e não queria parecer um louco que falava com as vozes da sua cabeça. O demônio iria "convencer" um cara de uma grande empresa a olhar seu currículo, não iria obrigá-lo a lhe empregar, mas sim a lhe dar uma chance, pois o trabalho era muito bom e certamente o salário salvaria sua vida. Mas aquilo não agradou Taehyung que queria simplesmente obrigar o cara a colocar toda a empresa, dinheiro e bens no nome de Jungkook, que definitivamente não aceitou.

Taehyung fez o que Jungkook pediu, revirando os olhos ele usou um tipo de controle mental em seu empregador, obrigando-o a lhe dar uma chance. Jungkook seria informado a noite se estava ou não qualificado para a vaga e se poderia fazer a entrevista formal, então um pouco mais feliz pela possibilidade de conseguir um emprego ele passou a fazer seu caminho até um banco. Precisava retirar um dinheiro que tinha guardado para tentar pagar o agiota que lhe perseguia — mesmo que aquela quantia não pagasse nem mesmo 10% do que devia a ele —, mas agora que ele não voltaria a incomodá-lo, poderia usar aquele dinheiro guardado para comprar algumas coisas importantes para sua casa.

Enquanto caminhavam até o banco, observou como Taehyung olhava tudo em volta com um sorriso um tanto suspeito nos rosto, Jungkook definitivamente estranhou a forma como ele parecia "animado" demais para quem estava aborrecido consigo alguns minutos atrás, mas resolveu ignorar, já ele não podia machucar ninguém sem sua permissão. Quando chegou ao banco pediu para o demônio o esperar do lado de fora, dinheiro era algo que ele precisava muito, então não queria correr o risco de se sentir tentado e acabar ouvindo os conselhos turvos dele, acabando por fazer algo que se arrependesse muito mais tarde.

(...)

Taehyung/Abaddon

Quando Jungkook entrou no banco o demônio passou a observar ao seu redor, vendo diversas pessoas andando de um lado para o outro, respirou fundo, sentindo o cheiro de toda a impureza daquele seres. O mundo havia ficado repleto de pecados, maldades e pessoas mal intencionadas, um prato cheio para um demônio, que se alimentava de cada uma dessas impurezas. Coisas como essa deixavam seus poderes e sua influência mais fortes, ele precisava tirar proveito daquilo, mesmo que estivesse limitado a um contrato. Passando os olhos por todos os mortais ao seu redor ele viu algo interessante, uma mulher estava olhando a vitrine de uma loja, ela possuía uma aura obscura, o que o fez sorrir, mostrando suas presas.

Perfeito.

Ele fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, sentindo como seus poderes de manifestavam fora do inferno, senti-o em seu sangue, ossos e músculos, fazendo-o sorrir. Embora não fosse tão forte quanto no inferno, era extremamente poderoso, se não tivesse as algemas do pacto, poderia invocar suas criaturas e jogar todos os humanos no raio de cinco quilômetros dentro de seu abismo, de uma só vez. Disfarçou-se de mortal, deixando suas íris castanhas e escondendo suas presas, quando voltou a abrir os olhos todos podiam lhe ver, suas asas estavam escondidas, ele vestia a camisa de Jungkook e sua calça preta, estava descalço, mas isso não era um detalhe que iria lhe atrapalhar. Seguiu em direção a mulher que distraidamente olhava um par de alianças.

— Bom dia — ele lançou um sorriso "amigável", seu melhor poder era a manipulação.

— Oh, bom dia — Ela respondeu surpresa, olhando-o de cima a baixo. Apesar de parecer humano, sua beleza não era mortal, como o ser imortal que era seus traços eram diferentes, já que ele foi esculpido pelas mãos do próprio criador.

— Por quê está com esta expressão tristonha? — Um brilho rápido passou pelos olhos do demônio, hipnotizando-a.

— Eu queria comprar um par de alianças para meu namorado. Mas não tenho dinheiro para comprá-las — ela franziu o cenho logo em seguida, estranhando sua sinceridade abrupta.

— Por quê simplesmente não as pega? — A moça lhe encarou, ainda com um vinco em sua testa. — Você com certeza fará um uso melhor delas, são tão lindas, seu parceiro certamente irá gostar.

— Não posso... Não seria o certo — evidentemente ela estava em dúvida sobre isso.

— Ele irá esperar por você? — O demônio disse a sentença, ao ver a insegurança cobrindo-a como um véu. Aquilo a deixou pálida e seu rosto contorceu-se em medo, Taehyung sorriu ao ver a tensão em sua expressão — Ele já não está cansado de promessas? Certamente não te esperará mais.

Taehyung estava a alguns centímetros dela, aproximando-se devagar, pronto para afundá-la ainda mais, a névoa sobre a cabeça da mulher ficou ainda mais densa, tornando-se tão grande quanto ela própria. Ele só poderia tocar em outros humanos se eles estivessem vulneráveis, permitindo sua aproximação através dos sentimentos negativos, precisava que estivessem abalados. Sorriu ao notar que ela já estava completamente tomada pelo medo e pelas incertezas, por isso estendeu sua mão e tocou em sua cabeça, sentindo sua alma se entregar ao pecado e as tentações que Taehyung trazia. Ele sorriu, afastando-se dela, escondeu novamente sua presença e viu o momento em que ela entrou na loja.

E a partir daquele momento uma enorme confusão se instaurou, após a mulher pegar as alianças e colocar em sua bolsa o alarme disparou, ela fazia tudo de maneira inexpressiva, com uma vontade mórbida de causar o mal. Ela pareceu acordar do transe e ficar extremamente confusa, mas isso só fez o demônio rir, pois ela queria e ele apenas a instigou, livrando-a das travas de seu bom senso. O pulso da mulher foi segurado por funcionários da loja e a polícia foi acionada por ter sido pega no flagra furtando a joalheria. Gritando desesperadamente para que a soltasse, ela direcionou seu olhar para Taehyung, ficando pálida com a visão que teve.

Os olhos de Taehyung estavam em seu prata mais cintilante, sua face contorcida em um sorriso tenebroso, amando ver o desespero estampado em seu rosto. Ele havia assumido sua verdadeira forma em frente a mulher, apenas para enlouquecê-la, pois somente ela conseguia lhe ver daquela forma. Sua verdadeira forma era a mesma que ele usava no inferno, a mesma descrita na bíblia, tão normal para seus irmãos, mas perturbadora aos olhos dos humanos. A mulher começou a gritar e a se debater ainda mais, sentindo o medo em sua verdadeira essência, várias pessoas tentaram segurá-la enquanto Taehyung ditou silenciosamente uma ordem a ela, fazendo-a arregalar os olhos e gritar ainda mais.

O sorriso de Taehyung se desfez, enojado, mostrando-a toda sua aversão por pessoas sujas como ela.

(...)

Jeon Jungkook

Jungkook havia terminado de fazer o saque de sua poupança, sorrindo satisfeito ao notar que os pequenos trabalhos temporários que fez o ajudou muito, aquele dinheiro era para o agiota, mas por conta de seu pacto, ele não o incomodaria mais. Quando saiu do banco viu uma comoção, diversas pessoas estavam em volta da entrada de uma joalheria, curiosos e comentando sobre o que estava acontecendo lá dentro. Mas o quê estranhou foi ver Taehyung ali no meio, ele estava sorrindo e isso o assustou, o que o fez caminhar às pressas até a comoção e paralisou diante da cena, assustando com o que presenciou. Viu policiais prenderem uma mulher, que estava gritando e tentando agressivamente se soltar deles, pedindo para que eles olhassem para o lado de fora, porque ele estava lá.

Disse que o diabo havia mandado ela fazer aquilo.

Jungkook arregalou os olhos quando entendeu o que aconteceu e olhou para o demônio que estava ao seu lado, vendo-o lhe encarar e sorrir de maneira ladina, gostando de ver o pavor em seus olhos. Jungkook o segurou pelo braço e o puxou para longe dali, não sabia o quê tinha acontecido, mas sabia que era culpa dele, culpando-se por não ter sido diligente, pois não devia ter deixado Taehyung sozinho sabendo que ele poderia causar mal a alguém. Fazendo silenciosamente o caminho para casa, eles estavam cada um perdidos em seus próprios pensamentos, Jungkook estava com uma face banhada em culpa, martirizando-se por ter sido tolo e deixado um demônio a solta nas ruas, enquanto o demônio sorria grandiosamente.

Quando chegaram em casa, Jungkook fechou a porta e cruzou os braços, vendo Taehyung caminhar até o sofá e se sentar com uma expressão completamente relaxada. Seu sorriso ainda não havia sumido ou diminuído, parecia extremamente satisfeito com suas ações e isso deixava-o com medo do que ele havia feito, encontrou a mulher completamente fora de si, o que ele poderia ter feito para deixá-la naquele estado? Jungkook notou apenas pelo sorriso satisfeito dele que algo bom não era. Aquela mulher certamente seria internada, gritando dizendo que viu o diabo, a tratariam como uma psicótica e a trancariam em um hospício.

— O quê você fez? Disse que não podia fazer nada com os mortais sem a minha permissão! — Jungkook perguntou ao se aproximar.

— Eu não poderia machucá-los sem sua permissão, isso não quer dizer que eu não possa induzir eles a fazerem isso por si próprios — disse fazendo pouco caso, enfurecendo Jungkook.

— Você viu o estado que a deixou? Ela será internada por culpa sua! — Taehyung riu alto. — Você a induziu a fazer algo ruim, não foi? Você fez suas ideias ficarem deturpadas!

— Não, Jungkook — virou-se para encará-lo. — Aquela mulher já estava condenada, eu apenas apressei o processo de enviá-la ao inferno.

— Como assim condenada?

— Ela já estava destinada ao sofrimento eterno, eu apenas fui clemente e poupei que ela fizesse mais vítimas — disse com uma falsa feição inocente.

— Pare de se fazer de sonso! — Irritou-se, vendo o demônio erguer uma de suas sobrancelhas, parecendo se divertir com sua fúria. — Isso não é uma coisa que você deveria interferir! Podia deixá-la viver sua vida em paz até que fosse "condenada ao inferno" ou sei lá o que. — Disse fazendo aspas com as mãos

— Então está dizendo que eu deveria ter deixado-a em paz? — Riu, vendo a expressão de Jungkook se fechar, mostrando que sua resposta era óbvia. — Mesmo que ela matasse mais alguém?

— O que? — Jungkook estava confuso.

— Nós demônios sentimos quando uma pessoa é ruim, uma névoa escura cerca essas pessoas, algumas já nascem com ela, outras as desenvolvem durante a vida — disse olhando em seus olhos, sua expressão estava neutra. — Se você mata pessoas ela é mais densa.

— Ela era uma assassina? — Piscou atordoado.

— Ela trabalha em uma clínica clandestina de aborto — Jungkook arregalou os olhos. — Enganava mulheres desesperadas e dizia ser médica, fazia procedimentos perigosos e matou mais pessoas do que eu possa contar nos dedos, fora o fato de que aparentemente, ela contratou alguém para matar a suposta amante de seu namorado.

— Meu Deus... — Arregalou os olhos.

— Ainda não acabou — sorriu, voltando a se divertir com sua incredulidade. — Ela é infiel, trai o namorado com vários homens, inclusive ela tinha a mesma intenção quando eu me aproximei. — Seu rosto se contorceu em nojo. — Hipócrita não acha? Queria matar a amante do namorado sendo que ela fazia coisa pior.

— Como sabe de tudo isso? — Perguntou confuso.

— Quando os humanos ficam vulneráveis, é fácil acessar sua memória e até mesmo possuir seu corpo. Vi todos os seus pecados e atitudes ruins apenas em tocar nela — disse sorrindo. — É assim que sabemos como manipular suas emoções e levá-los a cometer os piores atos, acha que eu a manipulei para cometer um crime? Não, apenas fiz com que ela fizesse o que queria, sem ter o medo a impedindo. Aquilo era um desejo dela, não a fiz uma ladra ou uma assassina, apenas a deixei desinibida.

— Mas o quê você fez com ela? Ela estava em um estado deplorável.

— O namorado dela era rico e ela queria se casar com ele. Mas ele não havia lhe pedido em noivado justamente por estar em dúvida sobre ela, da índole dela, já que ela escondia com o que trabalhava e se mostrava uma mulher extremamente problemática. Então ela mesma queria comprar as alianças e tentar convencê-lo a fazer a união, mas não possuía dinheiro para isso — Taehyung sorriu grandemente. — Aí eu dei um empurrãozinho. Ela estava olhando as alianças na vitrine, fiz ela ir até lá pegar.

— Você fez ela roubar — constatou o óbvio.

— Sim.

— Mas isso não explica o porquê de ela estar naquele estado — Jungkook cruzou os braços ao que Taehyung se levantou.

— Ela me viu em minha verdadeira forma — Ele sorriu se aproximando. — A forma que eu uso no inferno ou quando quero usar meus poderes no limite. Isso a enlouqueceu, até porque... — Aproximou seu rosto até chegar no ouvido esquerdo de Jungkook, fazendo-o paralisar. — Meu verdadeiro rosto não é tão bonito quanto este.

Jungkook se arrepiou com a voz grossa em seu ouvido e rapidamente se afastou, pois agora entendeu a gravidade do que havia feito. Taehyung era um dos demônios mais temidos, um dos cavaleiros do apocalipse, não entendia porque pensou por um único segundo que ele não tentaria algo ruim contra as pessoas à sua volta, se somente sua presença já era capaz de fazer humanos ter pesadelos e distúrbios do sono, sua forma demoníaca deveria ser o suficiente para tirar a sanidade de alguém. O sorriso de Taehyung deixava claro que ele se divertiu com sua reação e esse mesmo sorriso estava em seu rosto quando o vira na frente da joalheria. Ele se diverte com o sofrimento dos outros.

— Você disse que apressou sua ida ao inferno... — Jungkook começou receoso. — Como?

— Eu pedi para ela fazer algo hoje a noite, algo que levará sua alma diretamente para o inferno. Onde ela será torturada todos os dias e sofrerá pela eternidade.

— O quê você pediu para ela fazer? — Seu tom era temeroso.

— Hoje a meia noite ela irá cometer suicídio. Para pagar com sua vida, todas as outras que ela tirou ou destruiu por conta de sua própria ganância.

~❤️~

O rascunho antigo estava me dando gastura... Meu deus, como eu tive coragem de postar aquilo?

Enfim, reaproveitei bastante coisa, mudei outras e será assim nos próximos capítulos também.

Espero que vocês tenham gostado, vejo vocês no próximo capítulo!

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