26

Hyunjin era muito mais bonito pessoalmente.

Ao menos havia sido isso o que Jake pensou quando o viu olhando para os lados como se procurasse algo naquele dia abafado, quando finalmente haviam concordado em se encontrar depois de meses de conversa.

Ele sabia o que Hyunjin procurava. E de todas as pessoas, Hyunjin procurava por Jake.

O lugar escolhido havia sido a estação rodoviária de Susaseum, alguns bons quilômetros de distância de Sunsuhan e cidade que possuía muito mais atividades para se fazer do que a pequena onde o Sim havia nascido.

Ele havia colocado na cabeça que procurar atividades em Susaseum seria mais fácil, mas na verdade desde aquela época ele já cultivava um medo se ser pego, ainda que não sentisse que estava fazendo algo errado.

Mas Hyunjin estava sorrindo e caminhou em sua direção com mais pressa quando o viu. Os cabelos esverdeados se bagunçaram um pouco e Jake não conseguiu nem se mexer, uma vez que seu coração se acelerou de um jeito irritante e seu corpo parou de responder aos seus estímulos; a única coisa que conseguiu fazer foi abraçá-lo de volta quando ele chegou perto, sentir o cheiro do perfume que ele ainda não conhecia e notar que os olhinhos ainda se fechavam quando ele sorria, assim como quando eram crianças.

— Ual, você está bem mais alto!

— Hyunjin, nós temos exatamente a mesma altura... — Jake riu e o outro garoto o acompanhou. Em algum momento ele se pegou observando demais o rosto do esverdeado, que em nenhum momento desviou o olhar e sorriu quando levantou o braço para deixar um carinho suave nos cabelos castanhos.

— Você é lindo.

Jake corou imediatamente, deixando que os olhos se desviassem e grudassem nos pés calçados com um par de allstars vermelhos. Aquela era a primeira vez que era elogiado daquela forma, e tudo com Hyunjin parecia tomar uma proporção gigante.

O Hwang riu de sua timidez e o puxou pelo pulso no momento seguinte.

— Vamos. Nós vamos ter um encontro hoje.

*

Escolheram uma cafeteria bonita, mas vazia, dentro do Shopping center de Susaseum. Havia sido uma escolha conjunta e eles ficaram felizes em constatar que, mesmo depois de tantos anos, eles continuavam tendo gostos parecidos.

Tanto que acabaram fazendo os mesmos pedidos e riram quando tiveram a mesma opinião sobre os pratos.

— Deus abençoe quem fez essa torta. — Jake gemeu de puro prazer após experimentar a primeira garfada. Hyunjin acompanhou a mesma cara de deleite e eles riram quando ambos tentaram roubar um pedaço da torta do outro.

— Sabe, — Hyunjin começou, quando eles já estavam terminando os copos de chá. — Eu fiquei me perguntando durante algum tempo que tipo de pessoa você poderia ter se tornado. Eu tive medo.

Jake franziu o cenho.

— Por quê?

— As pessoas mudam. — Respondeu. — Nós fomos muito próximos quando éramos crianças, mas a vida às vezes nos faz mudar de opinião sobre muitas coisas, e eu tive medo de que você não me aceitasse.

— E por que eu não te aceitaria? — Jake o observou, confuso. — Por você ser bi?

— Eu nem sei se sou bi mesmo. — Hyunjin riu. — Eu não acho que a minha sexualidade se resumiria à homens ou mulheres, mas eu tive muito medo sim do que você pensaria.

— Eu jamais julgaria você...

— Eu sei. — Ele sorriu e estendeu a mão até alcançar os dedos de Jake. — Hoje eu sei. Mas qualquer coisa sobre você mexia comigo. Te reencontrar deixou minha cabeça muito confusa...

Jake se sentia nervoso.

Falar sobre aquelas coisas pela internet era infinitamente mais fácil.

— Por quê?

— Você foi o meu primeiro amor. — Sorriu pequeno e mexeu o polegar para acariciar as costas das mãos de Jake. — Eu tive algumas experiências quando comecei a entender minha sexualidade, mas eu sempre me perguntava como as coisas teriam sido se nós nunca tivéssemos nos separado.

— Você é meu primeiro amor. — Jake soltou, ainda que fosse muito difícil encarar o outro. Ele observou as mãos juntas e as entrelaçou. — Eu não acho que tenha deixado de ser algum dia.

Hyunjin observou os dedos entrelaçados e sorriu. Faziam alguns meses que conversavam e aquele tipo de declaração não era uma novidade. Mas era a primeira vez que eles falavam aquilo em voz alta e estando tão próximos.

Era a primeira vez que ele conhecia a timidez de Jake e sentia seu cheiro, observava o rosto corado de perto e podia tocá-lo.

Aquilo era muito mais intenso que frases digitadas atrás de uma tela. Aquilo era real.

— Jake. — Ele chamou, e o outro garoto tomou um susto quando o viu tão próximo. Hyunjin havia apoiado o corpo sobre a mesa do café, inclinando-se em sua direção para segurar seu queixo de uma forma que deixasse seus olhos na altura para que se olhassem. — Você já beijou alguém?

Jake Sim estava tão nervoso que suas mãos suavam e seu corpo todo tremia. Ele ficou com medo de falar e acabar gaguejando, então apenas assentiu em um movimento mecânico que fez Hyunjin rir.

— Você disse que eu sou seu primeiro amor. — Hyunjin era mais experiente, Jake sabia. Isso era escrito na forma que ele falava consigo e como seus olhos continuavam bem fundo nos seus. — Posso ser seu primeiro beijo também?

Jake não negou; como poderia?

Então ele assentiu uma vez só. Não precisava de uma segunda vez.

Hyunjin deixou que o corpo chegasse mais perto até que os lábios estivessem timidamente juntos. Ele sentiu a textura de Jake e riu quando sentiu o corpo alheio retesar pelo nervosismo. Ele acariciou o rosto macio, sentindo o outro amolecer da tensão para só então aprofundar o beijo.

Aquele contato foi só dos dois, naquela cafeteria vazia em um sábado quente.

Existia um carinho surreal e a existência de um amor adolescente que, na verdade, se tratava de um amor infantil que havia sobrevivido e retornado de um jeito diferente.

De um jeito que faria Jake entregar muitas primeiras vezes à Hwang Hyunjin.

Inclusive a primeira vez que quebrou o coração de alguém.

*

Jake Sim não entendia por que havia sonhado com aquilo mais uma vez.

Seu primeiro beijo era uma memória que evitava, pois havia sido uma experiência doce que soou ilusória demais quando tudo acabou. Não existia uma desculpa para o que havia feito — aquela era uma culpa que o acompanhava há sete anos e ele simplesmente não tinha mais o que fazer além de tentar esquecer.

Entretanto, algo dentro dele associava aqueles sonhos a tudo que havia acontecido no sábado.

Já se passavam das nove da noite quando Jake finalmente pegou no celular outra vez. Ele teria rapidamente respondido as mensagens preocupadas de Soojin, se não tivesse visto uma nova conversa em aberto. Era uma frase curta, mas fez o coração do garoto acelerar como se tivesse corrido uma maratona inteira.

Park Sunghoon [17:36]:

| Me avise quando chegar em casa.

Ele observou a frase por alguns segundos. Ainda que tivesse tido a oportunidade de salvar aquele número depois de terem formado o grupo da atlética, Sunghoon e Jake jamais haviam conversado pelo KakaoTalk antes.

Aquela era a primeira vez que tinham qualquer contato que não fosse presencial, e por algum motivo aquela perspectiva fazia a barriga de Jake se revirar. Já havia tido contatos como aqueles antes... e sabia como acabava.

Mas, ainda que tivesse medo, respondeu.

Eu já cheguei. |

Desculpe a demora, é aniversário do meu irmão. |

Park Sunghoon [21:22]:

| Eu não sabia que você tinha um irmão.

| Dê meus parabéns à ele.

| Que bom que você chegou bem ^^

Você [21:23]:

Hm |

Ficou preocupado, é? |

Park Sunghoon [21:23]:

| Fiquei.

| Eu vou começar a te cobrar por todas as vezes que você tem me deixado preocupado com você.

| Eu sou um Gângster insensível, lembra?

Demorou um tempo até que Jake conseguisse responder àquelas mensagens. O coração estava acelerado demais e ele não conseguia raciocinar direito ao saber que Sunghoon havia se preocupado com ele o suficiente para mandar uma mensagem.

O suficiente para admitir que era por aquele motivo que havia tentado qualquer contato.

Você [21:26]:

Você anda em gangue, mas eu não te acho mais tão insensível. |

Agora eu até acredito que você tem um coração. |

Obrigado... |

Depois daquela conversa, o chat deles não parou de ser movimentado. Jake acordou na segunda-feira com uma mensagem de boa noite que não havia sido lida por ter caído no sono, mas ele respondeu com um pedido desculpas e um bom dia.

Entretanto, assim como o chat dos dois nunca parou, Jake havia voltado a sonhar frequentemente com Hyunjin como se algo o tentasse avisar que a realidade era amarga e que não existia nenhum mundo paralelo para o qual ele pudesse fugir.

***

Daehwi subiu com pressa as escadas que davam até o terraço do colégio. Ele não olhou ao redor quando abriu a porta meio sem jeito e tropeçou um pouco conforme os olhos ficavam nublados pelo choro que nunca acabava.

Ele tinha vergonha de falar com os amigos e não queria mais incomodá-los com a sua dor, afinal, eles aviam lhe avisado que aquilo acabaria daquele jeito. Era humilhante e ele se sentia um farto para Somi e Minho, por isso passou a evitá-los quando não conseguia mais fingir que estava tudo bem.

Então o terraço havia lhe parecido uma boa saída quando notou que não conseguiria segurar o choro ao encontrar os dois na primeira segunda após todo o desastre do fim de semana.

Ainda era recente demais e um coração partido não se remendava em dois dias.

Daehwi caminhou com pressa até um dos cantos mais afastados e se apoiou na parede, escorregando até o chão para se encolher abraçando as próprias pernas e se permitindo chorar um pouco na solidão que aquele lugar lhe proporcionava.

— Eu sei que não é da minha conta... — Aquela voz era desconhecida e Daehwi assustou-se quando a ouviu. O garoto estava em pé, apoiado na mesma parede à poucos metros de distância. — Mas você não está nada bem, não é?

— Eu- — Daehwi o olhou com os olhos cheios e abriu e fechou a boca diversas vezes. Ele não esperava que mais alguém estivesse ali para ver seu estado decadente além de si mesmo, por isso travou no lugar e pensou em fugir, mas tudo que conseguiu fazer foi cair em um choro culposo mais uma vez, abraçando o próprio corpo enquanto tremia pelos soluços que já não conseguia mais controlar.

— Ei! — O outro garoto se aproximou até se abaixar para alcançar a altura que Daehwi possuía quando encolhido daquele jeito. — Calma. Você quer conversar?

O que chorava apenas se encolheu mais, tentando controlar as lágrimas antes de abrir a boca para negar, mas o garoto tirou um pacote de lenços de papel do bolso da calça e colocou entre suas mãos.

— Você quer que eu busque água para você?

— N-não precisa. — Negou. — Eu só não achei que teria mais alguém aqui, então...

— Veio chorar sozinho. — Daehwi encarou o outro garoto e assentiu, envergonhado antes de abrir o pacote de lenços e tirar um para deixar seu rosto mais apresentável.

— Me desculpe...

— Por que você está se desculpando? Tá tudo bem você estar chateado. — O outro garoto se sentou ao seu lado e cruzou as pernas como um índio. — Você quer falar sobre o que aconteceu?

— Eu não acho que você mereça ouvir algo assim. — Daehwi riu, sem graça. — Você nem me conhece, não tem que ouvir minhas lamentações sobre corações partidos.

O garoto o olhou e sorriu.

— Eu me sinto bem em ser útil e gosto de ouvir sobre os sentimentos das pessoas, mesmo quando eles não são tão bons. — Ele estendeu o mindinho em sua direção. — Eu não vou contar nada para ninguém. Sou quieto, juro.

Daehwi sorriu.

— Isso nem passou pela minha cabeça...

— Então?

— Eu me apaixonei por um cara muito mais velho. — Daehwi tentou avaliar se o fato de ter se apaixonado por um garoto seria uma questão para o outro, mas ele permaneceu tão tranquilo quando antes. — Eu tentei me declarar, mas deu tudo muito errado... meus amigos já haviam me avisado que não ia funcionar e agora eu estou com vergonha de falar sobre isso com eles.

— Mas os amigos não servem exatamente para te apoiar quando você está mal?

— Eu me sinto um fardo para eles.

O garoto observou as lágrimas de Daehwi escorrendo aos montes e seu coração doeu um pouco; ninguém é ruim demais para merecer sofrer sozinho e sem ninguém. Ainda mais quando se trata de um coração partido.

Então ele estendeu o próprio telefone da direção do moreno.

— Me passa o seu número. — Daehwi encarou o telefone esticado em sua direção, totalmente confuso com a atitude repentina. — Sempre que você se sentir um fardo para os seus amigos mais próximos, você pode me mandar uma mensagem, ou até me ligar. Eu vou atender.

— Por que você está fazendo isso?

O garoto sem nome sorriu pequeno.

— Sabe, todo mundo enfrenta os próprios problemas. — Ele encarou o céu. — Eu mesmo não falo muito sobre os meus por que tenho muito medo de incomodar as pessoas. Eu não tenho problemas realmente importantes, meu irmão tem problemas muito piores que os meus e, sabe, eu prefiro que ele lide só com os próprios fantasmas.

— É muito ruim que você sinta que não pode falar sobre si mesmo com os outros...

Mas você está se sentindo exatamente assim agora.

Daehwi o observou mais um pouco. Ele tinha um rosto bonito e simpático, o uniforme era muito bem ajustado ao corpo e ele tinha um cheiro fraco de perfume; como nunca havia visto aquele garoto por ali antes?

Ele desbloqueou a tela do celular dele.

— Eu te passo o meu número se você me prometer que vai falar comigo sobre os seus problemas também.

Eles se olharam por alguns segundos e o outro garoto sorriu.

— Tudo bem.

Então o que estava com o telefone digitou o número, salvando com o próprio nome logo em seguida. Ele entrou no KakaoTalk e mandou um "oi" para si mesmo antes de devolveu o telefone para o dono.

— Lee Daehwi. — O garoto leu. — É um nome muito bonito.

O garoto sorriu e abaixou a cabeça, sem graça pelo elogio.

— Você sorriu. — O garoto comentou, contente. — É um bom começo. Espero que sorria mais daqui em diante. É horrível te ver chorar.

— E como eu salvo seu contato? — Daehwi disse, sorrindo fraco enquanto permanecia um pouco constrangido.

Jeongin. — Respondeu. — Yang Jeongin.

O Lee então estendeu a mão pequena na direção do outro.

— Obrigada por ter falado comigo, Jeongin. — Ele sorria. — É um prazer conhecer você.

Jeongin segurou a mão estendida em sua direção e retribuiu o sorriso.

— O prazer é meu.

***

O dia havia sido tão corrido naquela segunda-feira que Jake sequer havia almoçado. Existiam matérias para serem estudadas, trabalhos para serem escritos e alguns desenhos largados pela metade, necessitando de conclusão para que fossem finalmente entregues.

A semana do interuni cobraria seu preço e ele sabia.

Não havia conseguido pegar em um único livro no fim de semana pelo clima ruim que continuava em casa, então havia deixado tudo para aquela segunda que já o deixava exausto.

E toda a ansiedade não se resumia apenas à matéria acumulada e as provas que estavam chegando.

Aquele era o primeiro dia de Jake no psicólogo.

Propício, já que ele tinha muita coisa para colocar pra fora depois do desastre que havia sido seu fim de semana. E algo que o angustiava era o fato de ter que enfrentar aquele primeiro dia sozinho, já que Jeonghan havia pegado uma gripe bizarra depois da festa e Soojin estava totalmente atolada com suas provas que também estavam chegando.

Então, quando as aulas do dia finalmente acabaram, ele ainda tinha mais uma hora livre até que a consulta chegasse. Ele não precisaria sair do campus, uma vez que o atendimento ocorreria dentro da clínica escola que ficava ali mesmo na universidade, por isso ele se permitiu caminhar até o refeitório para almoçar.

Já eram quase três da tarde, muitas horas haviam se passado desde o meio dia e por isso o ambiente estava quase vazio. Ele comprou um salgado - que era a única coisa comercializada naquele horário - e um chá verde antes de deixar o refeitório para se acomodar no jardim.

No dia anterior Jake havia pensado em desistir por que não sentia vontade de conversar com ninguém. No Domingo ele até pensou na possibilidade de mentir quando Soojin perguntou sobre a consulta, mas não o fez por que já havia batido a cota de pecados para um único fim de semana.

A ligação estava meio ruim já que as chuvas não deram trégua durante o dia todo, mas ainda assim a melhor amiga insistiu em lhe ligar até que ele atendesse e lhe explicasse por que estava pensando em desistir.

— Eu não acho que vá conseguir falar alguma coisa.

A linha ficou muda durante longos segundos.

— É só o primeiro dia. Você não precisa contar sobre sua vida toda, Jakey. — Soojin suspirou. — A pessoa que vai te atender não é o padre dong. Você não é obrigado a falar nada que não queira.

E quem me garante que minha mãe não vai ficar sabendo?

A garota riu.

A ética profissional. Se eles falarem algo, você pode processá-los e tirar um bom dinheiro disso. — Ele quase conseguia ouvir seu sorriso tranquilizador. — Ninguém vai contar seus segredos pra ninguém.

Então ele estava ali, em um canto afastado do jardim enquanto terminava de comer seu salgado frio de fim de dia. Ele tentava não pensar na mãe, por que ainda dóia, mas não conseguia evitar pensar em como havia destruído o aniversário do irmão mais novo.

— Não te vi hoje. — Aquela voz havia se tornado inconfundível e já fazia algum tempo que o efeito dela sobre Jake havia mudado sem que ele percebesse. Antes o timbre de Sunghoon fazia com que ele quisesse rezar e pedir perdão a Deus por tantos pensamentos pecaminosos de uma única vez.

Mas hoje tudo que Jake sentia era um frio na barriga. Depois, ele passava um bom tempo tentando se convencer de que ele não era familiar.

Ele olhou na direção da voz e sorriu pequeno quando viu o tatuado se sentar no espaço vago ao seu lado. Ele usava uma camisa branca e Jake até pensou em fazer uma piada pela ausência do preto, mas tudo o que ele fez foi dar de ombros.

— Estou atolado de matéria acumulada. Nem saí para almoçar hoje, emendei os dois turnos na biblioteca.

— E cáculo?

— É o menor dos meus problemas. — Ele riu. — Você já ensinou mais gente antes?

— Não. — Sunghoon deu de ombros. — Eu só ensino meninos que acham que eu faço parte de uma gangue.

— Isso é muita gente...

Sunghoon o encarou de uma maneira séria e Jake riu baixo.

— Você está esperando a Soojin? — Questionou. — Vocês sempre acabam indo embora bem rápido depois dos turnos... — Jake ameaçou responder e Sunghoon cruzou os braços. — Sim, eu prestei atenção. Não, eu não sou um Stalker. Tem como você responder a minha pergunta?

O mais velho riu alto e deu de ombros.

— A Soo está estudando na biblioteca e eu tenho um... compromisso... — Ele travou um pouco e Sunghoon viu seu sorriso murchar. Quando mais novo já havia desejado inúmeras vezes não ser tão observador, mas, por sempre perceber tudo, ele havia desenvolvido o incrível dom de guardar segredos.

Mas Jake segurou as próprias mãos e apertou até que as juntas dos dedos ficassem brancas, e ainda que Sunghoon fosse muito bom em ficar quieto, naquele momento ele apenas não quis.

— Você quer uma carona?

Jake o olhou confuso e franziu as sobrancelhas.

— Para ir até esse lugar. Você parece tenso...

— Ah. — Ele sorriu fraco. — Não. É um lugar aqui na faculdade mesmo.

Sunghoon continuou observando como ele mordia a boca e como os dedos continuaram se apertando uns nos outros. Desde que teve um contato mais próximo com Jake, o tatuado notou algumas características muito pontuais no mais velho:

1. Ele usava máscaras;

2. Ele se esforçava ao máximo para não demonstrar emoções negativas ou que pudessem causar interpretações adversas.

3. Ele constantemente sentia medo.

E era aquele medo que ele não conseguia esconder naquele momento. E o sentimento era carregado pelo silêncio e fazia com que Sunghoon se desligasse do fato de ser silencioso para mais uma vez questionar algo.

— Você quer falar alguma coisa?

E Jake travou. Ele olhou para as próprias mãos e mordeu a boca mais uma vez antes de finalmente falar.

— Você já ficou receoso em ir sozinho para algum lugar?

Então Sunghoon se lembrou.

Ele se lembrou da primeira noite sozinho nos dormitórios da Seuta-bae, se lembrou de quando teve que entrar dentro daquele quarto com o padrastro sem mais ninguém, da primeira vez que teve que ir desacompanhado até a escola por que a mãe não pôde levá-lo (e ele sabia que era por que o padrasto não a deixava sair)... ele se lembrou do dia que teve que caminhar até o hospital sem nenhuma companhia depois de apanhar tanto.

E o Park não respondeu. Era pessoal demais.

A única coisa que ele fez foi dizer:

Quer que eu vá com você?

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