Felling Good
Ergui o corpo da cadeira ouvindo os pequenos estalos da coluna, acabei franzindo o cenho com o barulho, o setor estava em um estado silencioso de dar calafrios e os sons de ossos não pareceram agradáveis pelo ambiente.
A verdade é que, absolutamente tudo, parecia me dar calafrios hoje.
As coisas em geral pareciam tenebrosas, como se fosse pular um enorme monstro dos cantos escuros.
Aniversário de casamento.
Aí estão duas coisas que eu nunca me habituei totalmente, aniversários, ficar velho não era agradável a ninguém, e a ideia de estar casado ainda parecia utópica. De certo modo o contexto era agradável, comemorar mais um ano de união, cooperação e felicidades. Eu era feliz, extremamente feliz.
Não havia o que reclamar, eu tinha um emprego bom, o qual sonhei desde criança, e ele não era apenas estável como estava em completa ascensão, um casamento agradável e cheio de companheirismo, três filhos carinhosos e inteligentes, em suas individualidades, melhores amigos presentes e tantas razões há mais para ser um cara feliz, e bem, eu era.
Meu casamento com Draco Malfoy-Potter, sempre foi algo intenso, afinal Draco era uma pessoa intensa, ele era como o mar, totalmente imprevisível, profundo e você não saberia dizer ao certo o que há nas profundezas nem com anos de estudo. Mas eu também sou alguém difícil, tenho certeza que se perguntarem a qualquer pessoa que convive comigo uma definição sobre mim a palavra que viria seria impulsivo, mesmo que eu prefira imprevisível, mas Draco diz que não sou uma pessoa impossível de prever e sim de controlar.
E como sempre, ele está certo.
Mas, ele também era.
Desde o começo fomos incontroláveis.
Duas pessoas levemente inconsequentes, curiosas e ambiciosas.
Eu tinha acabado de completar vinte e três anos, um novato na polícia, um fedelho tentando sustentar um filho de três anos e cheio de sonhos, um em especial: me tornar investigador. E quando precisa se estabilizar em um emprego novo você tende a aceitar qualquer tarefa, então fui bem inconsequente ao ir sem pestanejar quando o chefe do departamento me chamou para acompanhá-lo.
Com meus dois anos apenas de casa, nenhum dos meus colegas se deu o trabalho de me avisar o buraco que estava me metendo. E sendo honesto, no lugar deles eu também não faria isso. Só me atentei a tudo isso conforme fui andando pela enorme mansão e lembrando, que diferente de outros casos, ninguém tinha pulado da cadeira por esse.
O lugar era imponente, beirando o macabro, havia uma figura esguia e elegante no topo da escadaria, parecia avoado olhando um prancheta. Lembro claramente de devorá-lo com o olhar conforme ele descia os degraus, recebendo um cutucão de meu chefe. Fui apresentado à Draco Malfoy, e mal consegui formular meu nome quando apertei os dedos compridos contra minha palma.
Apesar do nosso primeiro encontro ter sido digno de novela, eu estava ali para trabalhar, e o motivo não era tão doce, ou sedutor, quanto o homem de cabelo loiro. O pai de Draco tinha sido assassinado, sem muitas pistas, e o criminoso ainda deixou o corpo na divisa do jardim da mansão com o terreno ao lado.
Os procedimentos padrões haviam sido feitos, como reconhecimento do corpo, levada ao IML, o teste forense, estávamos ali para pegar o testemunho dos funcionários e do próprio filho, enquanto esperávamos a autópsia.
Foi um dia infinito, sempre aparecia mais alguém, um faxineiro, alguém da cozinha, ou alguma pessoa contratada para uma função muito específica, como a mulher que cuidava da preservação dos jogos de cama, nunca recolhi tantos depoimentos na vida, e pela cara de meu chefe, nem ele. Cada segundo naquele lugar me mostrava o motivo de ninguém ter feito questão de vir.
E bem, não eram poucos.
Lucius Malfoy era alguém de nome, estupidamente rico e com, pelo menos, uma lista de trinta pessoas que o matariam e mais cinquenta que teriam benefícios com sua morte, todos com dinheiro suficiente para impedir uma investigação ou até mesmo comprar sentenças. E essa lista apenas aumentava se fossemos um pouco brandos na busca, como funcionários demitidos, funcionários com os quais teve desentendimentos, e infelizmente esse último incluía pessoas da própria empresa e de outras. Digamos que ele não era alguém doce em vida.
Meu chefe fez a generosidade de me pôr no caso, eu era basicamente a frente.
Era uma enorme faca de dois gumes, poderia me dar prestígio ou ser o fim da minha carreira.
Se resolvido, a mídia toda iria ovacionar, por ter virado um caso público de crueldade, sem contar que, por ser uma investigação difícil, quase sem pistas, ganharia bons pontos na sede. Ao mesmo tempo que se isso viesse a ficar feio, se fosse realmente alguém de renome e dinheiro, eu poderia acabar igual a vítima.
Mas nunca fui alguém prudente, logo estava de cabeça no caso, doando minha vida para aquilo, passando horas a fio apenas vendo as filmagens de ruas próximas dali, buscando os antigos donos do terreno que faz divisa com a Mansão Malfoy.
Ginevra, minha melhor amiga, que Hermione nunca me escute falando isso, e mãe do meu filho, chegou bem perto de me tirar do escritório pela orelha, e quando digo "perto", quero dizer invadir a divisão policial em pleno expediente para me tirar de lá, depois de três dias em um plantão autodado.
Entendia suas motivações, inclusive apreciava as ações, mas tudo aquilo era mais forte que eu, cada mísera pista me deixava entretido por horas. Assim, meses depois, consegui não apenas achar o assassino como provar sua culpa.
Tom Marvolo Riddle, um homem de quarenta e cinco anos, segundo filho do maior sócio de Lucius.
Eles tiveram um caso por anos, encoberto por alguns funcionários muito específicos e antigos de ambas as mansões, disfarçando seus encontros sempre com negócios. Não foi difícil chegar nele como suspeito, mas foi quase impossível provar.
Porém Draco ajudou, conseguiu entrar no e-mail do pai, onde encontrou vários emails que comprovaram o romance, e logo tínhamos uma motivação e facilitação. Ambos já estavam acostumados em encontros suburbanos, então levar Lucius para um local desconhecido seria fácil até demais, e bem, haviam vários textos indicando sua eu troquei ódio por raiva, achei q cabia melhor raiva por Malfoy, que não apenas não assumia a relação de ambos como também se negava a finalizar o casamento com Narcissa.
Haviam problemas nisso, como o fato da maioria das pistas serem circunstânciais. Entretanto, minha maior preocupação era outra, um outro problema que chegou em mim, sem eu nem mesmo notar: minha aproximação com Draco.
Foi quase impossível de impedir, o loiro era alguém atrativo em todas as formas, desde as intelectuais às físicas. E quando juntamos todas as provas contra Tom, transamos sobre minha mesa na delegacia.
E como tudo sobre nós, foi intenso.
Não era o melhor lugar, nem a melhor situação, e estava bem longe de ser apropriado, mas mesmo assim, foi perfeito.
Com o encerramento do caso as coisas ficaram estranhas, não tínhamos razões para nos encontrar. Draco tinha um noiva de fachada, ainda fruto das ações problemáticas do pai, e eu tinha um filho, vindo de uma única noite de bebedeira, onde nem eu nem Gina mensuramos os estragos.
Tudo pareceu tão impossível na época, tão errado, Lucius havia sido morto por culpa do rancor de um amante escondido e Draco nunca faria isso comigo, com ou sem a morte do pai. Já eu, por minha vez, estava crescendo na delegacia, recebendo cada vez mais casos e era o favorito para a promoção do setor, James estava começando a ir para escolinha, e começar um romance conturbado e, obviamente, midiático não pareceu adequado.
Resolvemos deixar isso morrer, distância era o ideal, a coisa mais sensata a se fazer.
E funcionou, pelo menos por um tempo, nossa tentativa de maturidade funcionou durante exatos três meses.
Depois disso, trocavamos mensagens pelas maiores trivialidades. Eu comecei, mandei um foto de um cachorro de pelo branco escovado. "Parece com você", dizia a legenda, e ele prontamente respondeu, "Não há nada em minha vida que possa representar de forma gráfica seu cabelo em formato de tufão". E eu poderia tatuar esse mero diálogo.
Qualquer coisa virava uma conversa extensa, e me peguei novamente absorto na infinidade que era Draco.
Não teve jeito, estávamos entregues um ao outro, e não importava se iria virar notícia, se eu iria perder minha promoção, se minha vida viraria de ponta cabeça, pois ela já havia virado, minha vida ficou a mercê de Draco, ele sabia e eu deixava, pois sabia que para ele as coisas eram iguais.
Draco conseguia me levar ao céu, enquanto me arrastava para o inferno.
Não estávamos ao todo errados quando imaginamos que seria um desastre, porque foi, por muito tempo foi. James odiou Draco, chorava sempre que o loiro tentava uma aproximação, Gina tentava ajudar, mas só piorava a situação quando o pingo de gente pedia socorro a mãe pois "O monstro loiro queria o pegar", por semanas tive que consolar o Malfoy e dizer a ele que não era um monstro, em uma dessas vezes, James viu ele chorando e pediu desculpas, ele falou mais precisamente, "Papai fica triste quando você chora, não fica triste, tio.", e depois abraçou Draco, que tinha estampado na testa sua confusão, foi uma cena tão linda que eu quis chorar junto deles, as duas coisas mais preciosas da minha vida se abraçando e chorando, isso despertou em mim o maior instinto protetor.
E ainda me odeio por não ter fotografado o momento, mesmo sabendo que seria espancado por registrar Draco chorando.
Quando finalmente conseguimos resolver os problemas internos, que envolviam Narcissa surtando com nosso relacionamento, pois segundo ela, Draco não poderia ser igual ao pai. Talvez ela tenha desenvolvido uma espécie de trauma, um medo, de que talvez eu matasse seu filho também, o que definitivamente não era um sentimento bom para se começar algo com a sogra, fora isso tínhamos a relação complicada de Draco com os Weasley, eu não sabia, mas o pai de Rony já havia sido funcionário dos Malfoy, e a situação não terminou bem, e com isso eu quero dizer um processo de dois anos por danos morais.
Mas Draco não era seu pai, e no fim conseguimos contornar as adversidades iniciais.
Pelo menos até o jornal descobrir, aí as coisas pioraram muito, de novo. Fomos perseguidos, acusados e as pessoas ao nosso redor, acuadas. Foram tempos horríveis, sem nenhuma paz, só de lembrar tenho vontade de fechar os olhos e suspirar.
Mas passou, e acho que a onda de realidade só chegou quando Draco pousou um papel em minha mesa, tínhamos acabado de ir morar juntos e nosso escritório ainda parecia uma versão abandonada de um escritório de advocacia.
- O que é isso?
- Todos os passos necessários para adoção.
Foi com essas palavras que eu descobri uma característica curiosa sobre ele, Malfoy era alguém de atitude, ele tomava decisões, pesava elas e depois desse dois meros prosseguimentos, elas eram efetivadas, sem mas. E nesse momento, ele queria muito uma filha. E uma em especial.
Lily.
Era uma criança peralta com sete anos, cujo um casal de aristocratas tinha devolvido ao orfanato depois que ela quebrou uma relíquia dentro de casa.
O casal cometeu o erro de tentar fazer Draco pegar o caso, estavam sendo processados pela instituição por maus tratos. E céus, ele surtou, estava vendo a hora de prender meu próprio namorado depois de um homicídio. Mas isso não foi preciso, eles perderam a causa e nós adotamos Lily.
Casamos também, pois união estável não era suficiente depois do histórico traumático da criança, e nem podemos culpar o orfanato por "dificultar" para gente.
Lily gostou mais do sobrenome Malfoy, e isso fez Draco me infernizar por semanas, mas no fim, a criança quis usar ambos os nossos nomes, Lily Malfoy-Potter, pois assim como no nosso casamento, meu sobrenome viria depois. Óbvio.
Três anos depois, foi minha vez de ser impulsivo.
Depois de passar meses atrás de uma gangue, conseguimos prender o chefe e imobilizar o resto, pelo menos os da sede, o que já tornava o resto do trabalho mais fácil.
Enquanto fazíamos uma vistoria no local, ouvi um choro infantil e segui, tinha uma mulher no chão, respirando por pouco e o possível filho chorava a sacudindo de leve, não sabia o que havia acontecido, mas pelo rádio avisei onde estava e que precisava de reforço, nem que fosse emocional.
Astoria, era o nome da mulher, ela morreu a caminho do hospital, hemorragia interna, causada por muitos chutes em seu tronco, ninguém sabia muito dela, nem quem estava no local, nem a papelada, descobrimos o seu nome pois a criança não parava de chamá-la.
Scorpius era a criança, tinha cabelos loiros, lisos e longos, passando dos ombros, era tão magrinho que parecia que ia quebrar. Eu simplesmente não consegui ver ele chorando de soluçar e não ativar o modo pai. Consolei ele, cuidei dele. E quando dei por mim, havia enviado toda uma papelada ao meu chefe, assumindo a guarda provisória, e enquanto ele surtava, eu levava Scorpius nos braços para casa.
Assim que Draco abriu a porta, sua única reação ao ver o garotinho encolhido nos meus braços foi arquear a sobrancelha loira de forma elegante e abrir caminho. O que me provava que sim, eu podia amar ele mais do que já amava.
James surtou, mas de empolgação, ele sempre quis ter um irmão e mesmo eu falando que nada era certo, ele começou a gritar pelo apartamento que teria um irmão mais novo. Lily já ficou fitando o garoto como se ele fosse uma especial de obra de arte e só a lembrança me deixa com um sorriso bobo nos lábios.
Assim que fizemos Scorpius comer muito mais do que deve ser o saudável, e dormir, um desespero me subiu. Draco ficou a maior parte do tempo calado, às vezes ele e Scorpius simplesmente se encaravam intensamente por minutos, até abaixarem o olhar e voltarem a comer, parecia ser uma ligação perigosamente adorável.
Sendo realista, eles se pareciam, e aquilo, mais os olhares, me deram calafrios. Não que eu realmente desconfiasse de Draco, mas tudo estava me dando calafrios. Me sentia uma criança que fez besteira esperando o pai descobrir e dar um sermão. Porém meu marido só falou uma coisa quando saímos do quarto de hóspedes, onde Scorpius dormia, "acho bom você dar um jeito dele virar meu filho, legalmente falando."
E virou de costas.
Meses se passaram e pouco descobrimos sobre Astoria, ela era uma garota de programa, ninguém sabia quem era o pai de Scorpius, mas achamos a casa dela e lá tinha documentos, roupas e muitas fotos dele bebê. E o quartinho de Scorpius me fez chorar tanto, ao ponto de meu chefe me consolar, o que foi humilhante, mas mesmo assim, eu estava devastado.
Conseguir a guarda dele foi mais fácil que imaginávamos, mas algo entre o imponente Draco Malfoy exigindo a guarda, já termos dois filhos e o fato dele já estar morando conosco deve ter facilitado. Mas realmente não importava, não quando Scorpius estava em segurança em casa. Nossa casa.
E a vida seguiu.
Conseguimos chegar bem perto da "família do comercial de margarina". James estudava em um internato no interior de Londres voltado para esportes, por escolha dele, e já estava com 19 anos. Lily quis fazer escola musical e era a única que morava no mesmo estado que nós. Já Scorpius preferiu uma escola Francesa, ele morava com a avó Narcissa e vinha passar as férias, às vezes trazendo-a junto para minha infelicidade, mesmo estando treze anos juntos, ela não aprendeu a lidar bem, ou talvez ela só goste muito de tirar com minha cara.
Honestamente a segunda opção é a mais válida, afinal o sadismo dos Malfoy conseguia ser impressionante.
Era quase assustador ver que se passaram treze anos juntos, com tantas histórias que eu poderia passar horas recordando sem enjoar, mergulhar ainda mais fundo na minha bolha de nostalgia.
Porém, se fosse ser franco, não me sentia completamente empolgado com nosso aniversário de casamento, e a culpa disso era do loiro insano o qual me casei.
Draco era alguém curioso de natureza, e mesmo gostando de estabilidade, odiava rotina. Viver com ele era uma doce montanha russa, onde você não poderia se assustar quando ele te fizesse propostas insanas durante o café da manhã.
Há cerca de sete meses atrás, definimos em conjunto que práticas de dominação e submissão não era algo que daria certo conosco, a fórmula para aquilo dar certo era simples, um manda, o outro obedece, ou um manda e o outro faz birra porém obedece, um brat, por assim dizer. Entretanto, nem eu nem Draco gostamos muito da ideia de sermos mandados, passamos a vida recebendo ordens e seguindo elas, sempre sedendo, não tínhamos forças para retrucar, mas agora adultos e com a vida feita não trariamos como opção essa submissão, chegamos a sugerir uma terceira parte, um submisso nosso.
Mas a ideia de alguém dentro do relacionamento nunca funcionou por três razões simples, a primeira é que somos ciumentos, nada insano porém com certeza desagradável. A segunda era porque manter o sexo separado do romance não durava muito conosco, criar uma divisão bem nítida se provou mais difícil que imaginamos, às vezes estava próximo de uma cena marcada e nós só queríamos fazer amor gostosinho o que não seria exatamente um problema, se não tivesse uma terceira parte a mercê apenas do sexo. Entretanto, o principal fator era o terceiro, as pessoas não conseguem se manter apenas na prática da coisa, nem as culpo, Draco era alguém extremamente envolvente e apaixonante, ele diz que esse fato era recíproco, as pessoas se apaixonavam por nós.
Em suma, depois de três pessoas basicamente implorando um trisal resolvemos que éramos monogâmicos e encerramos todo esse problema.
Mesmo que às vezes ainda usemos de algumas práticas como spanking, voyeurismo, sufocamento, entre outras, ficou determinado que seriam apenas fetiches a parte, nada de frentes definidas e frequência nas cavernas.
Na realidade essa decisão não me afetou sexualmente, eu faria amor com Draco o resto da vida, apenas olho no olho e lamúrias ao pé do ouvido, mas sabia perfeitamente que para o outro não era assim que aconteceria. O loiro era alguém internamente agitado e mesmo com os anos juntos e eu lhe dizendo o quanto o amava, Draco sentia uma necessidade de se provar, se fazer alguém aberto a mudanças, até certo ponto era admirável, quando se tratava na vida em sociedade, não na nossa cama.
Ali eu não queria um Draco maleável, eu gostaria de um Draco honesto.
E é bem difícil conseguir isso quando ele se vê como um grande vilão, alguém pagando os pecados que não são seus. E mesmo os anos de terapia não fizeram ele abandonar totalmente essa mentalidade. Fora o sentimento de culpa que carregava, eu sabia que uma pequena parte de Draco acreditava ainda ser prejudicial para mim e nossa família, como se a qualquer momento um jornalista fosse pular com uma manchete horrenda, ela estragaria a vida de nossos filhos, minha carreira e sua empresa.
E todas as paranóias dele me preocupavam, pois Malfoy era especialista em fazer grandes saltos quando sente que sua mente está o traindo, quando fizemos cinco anos de casados, estávamos brigando muito, ele passou uma semana estranho, calado e sem responder direito, nem continuando as discussões, então no dia do aniversário, ele apareceu com uma chave, era do nosso apartamento novo, o qual moramos até hoje. Tive um pequeno surto por ser demais, porém ele me convenceu, e não teve aniversário melhor do que pintar o lugar com meu marido.
Minha cabeça continuava a rodar nos últimos acontecimentos, eu sabia que ele estava aprontando, treze anos juntos conseguem ser extremamente efetivos, então quando ele fechou o notebook rapidamente quando cheguei perto, quando uma encomenda chegou em casa e ele correu para atender, eu saquei que Draco estava aprontando, porém minha maior pista foi quando, hoje pela manhã, recebi uma ligação sobre a finalização de um caso, avisei que chegaria tarde, e ele nem resmungou, fez birra, nada.
Obviamente ele estava aprontando, e já não estava disfarçando.
Ele nunca abriria mão de um dia comigo no nosso aniversário, ele basicamente assinou sua sentença de culpa.
Toquei a maçaneta quase temeroso, eu poderia encontrar uma nova decoração, uma festa, nossos filhos ou qualquer outra coisa, meu homem era imprevisível.
Mas nem minhas maiores desconfianças e toda minha imaginação me prepararam para a penumbra arroxeada com fumaça amena que me banhou assim que abri a porta, nada poderia me preparar para a imagem de Draco Malfoy-Potter de saltos extremamente altos de couro, uma espécie de saia plissada com uma fenda que deixava amostra um short curto que mostrava a polpa das nádegas, além disso ele usava um pequeno cropped e seus fios loiros presos em um coque desleixado, ou melhor, que era para aparecer desleixado, pois Draco nunca pareceria assim, tudo ficava estupidamente elegante nele.
Inferno, nunca pensei que precisava ver Draco de saia, até fitá-lo em uma.
Ele estava com a mão enroscada em uma barra de ferro no meio da sala, e eu nem queria pensar como ela havia parado ali, me olhando entrar com um ar arteiro no olhar, quase brincalhão, como se soubesse exatamente minha reação ao vê-lo assim, e talvez soubesse, talvez tivesse cogitado cada pensamento meu.
- Draco? - praticamente ofeguei ao chamá-lo, minha cabeça tardando a raciocinar com o corpo lindo dele banhado pela luz violeta e a leve fumaça.
- Chegou mais cedo do que imaginei... - Ele murmurou e fez uma careta.
- O que é tudo isso? - Coloquei a bolsa no sofá e dei mais alguns passos na sua direção.
- Senta na cadeira, Potter. - ditou autoritário e indicou bom a cabeça.
Engoli seco, e quase joguei a cabeça para o lado vendo ele andar rebolando em direção ao som de casa, um pecado de salto. Quis gemer só com a cena e meu baixo ventre formigou em expectativa.
Com um comando de voz ele iniciou a música, já posicionado no poste, mordi os lábios nervoso, e quando a voz grave de um homem ecoou, parte de mim quis rasgar a roupa dele no mesmo instante que suas costas ondularam no metal, e a outra parte quis rir, pois a música era Felling Good cantada por Michael, no dia que ele me pediu em casamento estávamos em uma balada e tocava a mesma música, só que na versão Pussycat Doll.
Sempre tão minucioso em suas escolhas.
As mãos esguias seguraram a barra e ele jogou o corpo, girando de forma elegante. Vi sua coluna encostar no chão em um movimento sensual, e depois jogou as pernas para trás, dando uma cambalhota. Ele voltou para a barra em um meio giro de joelhos, e meus olhos pareciam hipnotizados pela fluidez dos movimentos.
Cada movimento seguia com graciosidade as batidas da música, em sincronia à voz, eu podia ouvir o som da sola da bota se chocando ao chão e entre si, conforme ele dançava, e até mesmo isso parecia fazer parte da apresentação. Talvez fizesse, eu não fazia ideia, apenas conseguia admirar.
Ele jogou a perna, fazendo um movimento de pêndulo, e usando o impulso virou o corpo em outro semi giro. Quase não pude acompanhar quando colou o tronco no metal, cantarolando de forma sensual o trecho da música. Suas mãos se firmaram na barra, e com um impulso das pernas vejo ele ir ao ar e depois rodopiar ficando preso no alto apenas com o encaixe da coxa com a barriga. Em um ato rápido ele desmanchou a pose e saltou para o chão, ficando de joelhos, bem na parte alta da música.
Conforme o homem cantarolava o som vocálico, ele intensificava a coreografia no chão, chutando o ar, rolando, batendo cabelo, cada ato dissipava um pouco da fumaça e fazia feixes de luz roxa chegarem em mim.
Quando o som desce, se tornando um instrumental grave, ele sustenta a perna no alto, praticamente colada na cabeça, e céus, eu não sabia que Draco era tão flexível. Ele continuou os passos sensuais, seguindo as notas, e voltando para próximo do poste, apoiando as palmas e fazendo um movimento de onda com o corpo todo até estar sentado em uma espécie de cadeira invisível. Em um pequeno impulso, seu corpo ficou reto e ele girou no ar, voltando a brincar com as perna erguidas ao nada, na maioria das vezes ficando de costas para mim. Quase não conseguia acompanhar os giros e passos que ele fazia, me mantendo hipnotizado em seu corpo e no ritmo.
Ele voltou ao chão, em passos intensos para acompanhar a música. Seu corpo se curvava, esticava, se jogava e parecia leve conforme ele ia dominando o espaço. Draco ficou em pé, e rodeou o poste, antes de o segurar com firmeza e se pôr no alto, escutei o "tuc" do som oco das botas batendo quando ele jogou ambas as pernas para trás e depois para frente, fazendo-as se tocar.
Draco trançou as pernas em um alicate, esticou o tronco ficando reto sobre o ferro, uma perfeita linha. Seu corpo girava de leve, apenas por conta da barra, suas mãos seguraram o ferro abaixo da cabeça, e em um único movimento ele soltou o corpo, que deu um solavanco arriscado, caindo alguns centímetros e por fim parando quando ele trançou as pernas, ficando sentado de ponta cabeça no pole.
Demorei alguns segundos para raciocinar que havia terminado, esperei alguns segundos para ver se ele sairia da pose final. O tecido da saia descia conforme a gravidade deixava o pequeno short a mostra, e o peito de Draco subia e descia de forma suave.
Lambi os lábios em desejo. Quis lamber o corpo, morder cada parte, foder com ele apoiado ali, mil coisas passaram pela minha cabeça.
- Eu consigo ficar exatos dez minutos assim. - falou suave abrindo a boca de forma sugestiva, seus cabelos balançavam com uma leve brisa provavelmente vinda da máquina de fumaça.
- Você só pode estar brincando. - levantei da cadeira, sentindo meu pau duro roçar no tecido da cueca, sendo apertado pela calça.
- Não se faça de rogado. - abriu a boca.
Abri a fivela do cinto, e em apenas dois passos longos já estava a centímetros de distância de Draco, que umideceu os lábios.
Tirei o membro da boxe, e comecei uma masturbação vagarosa enquanto finalmente ficava quase de corpo colado na barra, em consequência, quase colado em Draco. Continuei os movimentos roçando a glande em seus lábios, ele iniciou uma espécie de beijo no local, sugando e passando a língua, como se realmente fosse minha boca ali.
Meu marido abocanhou de vez, não soube dizer se por afobação ou por ter cansado de jogo, apenas senti seu pescoço esticar e a sua boca cobrir quase metade do meu pênis. Com uma sucção senti o prepúcio ser puxado, gemi em satisfação.
Apoiei a palma da mão na barra, que girou, me fazendo dar um pequeno solavanco para frente entrando ainda mais na boca de Draco, que já estava de garganta relaxada. Gemi extasiado pelo prazer de me afundar em sua boca, mas no fundo de minha cabeça quase pude ouvi-lo rir do gafe.
Aproveitei da posição, fechei minha mão com firmeza no aço, que dessa vez permaneceu parado, e com o quadril estoquei dentro da cavidade.
Meus lábios já se encontravam abertos para gemer a vontade, e os nós dos meus dedos ficando branco com a força que usava para me sustentar. Quis tocá-lo, fazer ele sentir prazer, mas me por não saber exatamente como funciona a dinâmica da posição, poupando o vexame de talvez fazê-lo cair.
Sai completamente da sua boca, fitando os lábios já levemente inchados, se mantendo abertos não apenas para puxar o ar mas se manter receptivos, pois em momento algum Draco perderia a pose, segurei a base do pênis com a mão livre e rocei nos lábios vermelhos. Senti ele chupar e minha única reação foi choramingar, já dolorido, querendo gozar.
Ele abriu mais uma vez a boca e sem mais delongas voltei a estocar, dessa vez mais rápido, mantendo um ritmo, podia sentir sua cavidade úmida me abraçar e sua língua levemente áspera criar um atrito delicioso.
Quando me senti perto, sai novamente, e a boca entreaberta continuou, dessa vez um pouco mais, já entendendo o fim daquilo. Me masturbei enquanto ele lambia da base a glande, sugando vez e outra. Gozei nos lábios rosadosXrr, e pouco a pouco vi Draco por na boca minha porra e engoli-la, como se apreciando lentamente o líquido branco.
Draco mantinha um sorriso safado nos lábios. Quando finalizou, minha respiração foi voltando ao normal e me permiti rir de leve. Suas coxas se abriram, uma fresta pequena, fazendo seu corpo cair um pouco mais em direção ao chão, o qual ele apoiou as duas palmas e em uma espécie de estrelinha ficou em pé na minha frente, fitei ele fechar os olhos, provavelmente controlando a vertigem que ficar nessa posição o causou.
- Mais alguma surpresinha? - Sussurrei o mais delicado que pude, acarinciando sua nuca.
- Nossos filhos chegam amanhã de manhã. - Ele rodeou os braços no meu pescoço e colou nossos corpos, só consegui arfar de leve pelo tecido encostando no meu pênis ainda sensível. - E, mamãe planejou uma festa gigante a noite.
- Você realmente consegue bolar as coisas pelas minhas costas. - Segurei com firmeza seu maxilar, Draco mordeu os lábios, podia ver a luxúria em seu olhar e o meu não deveria estar diferente.
- Você é um péssimo detetive investigativo, Potter. - Falou em tom de brincadeira.
- Sou, é? - cheguei bem perto da sua boca tendo um arfar em resposta e seu rosto movendo em sinal positivo. - Para o quarto.
Acertei um tapa estalado em sua bunda, Draco soltou um gritinho surpreso e depois rolou os olhos, passou por mim com um meio sorriso nos lábios.
- Sabe que deveríamos desmontar isso, antes das crianças chegarem. Certo? - Soltei já no corredor com os olhos vidrados nos quadris rebolando em minha frente.
- James que deu a ideia. - Ele falou. - Bem, não toda, obviamente. - ele se virou para mim rindo.
Fiquei rindo com ele, e conforme o riso foi morrendo, a aura sensual voltava para o quarto, tanto eu quanto Draco nos olhamos famintos.
- Traz as algemas... - Sussurrou, se jogando na cama.
Notas finais:
Primeiro, quero agradecer por todas as pessoas que leram mais essa história, e pela PeachJamy , toda vez que eu pensava em desistir desse plot eu ficava "ah mas ela fez até Fanart né..." então, muito obrigado pela pressão indireta!
Em segundos lugar, quero falar sobre o projeto dezdrarry total! Cansado de reler as mesmas cinco fics do nosso querido shippe??? Se joga nesse perfil, pois está cheio de gente talentosa postando histórias incríveis. Essa é minha primeira aqui, mas ainda vai sair um *MEGA* especial de natal/réveillon, mais uma drab! Muito obrigado a aimh_yourlouis pela betagem
Em terceiro, eu queria dedicar essa fic para minha bebê @vluzz (Spirit) muito por ela que voltei a escrever Drarry, então fica o sinceramente agradecimento e o Feliz natal adiantado. Vou aproveitar para deixar a pasta do Pinterest que fiz para fanfic aqui, assim ela e vocês aproveitam!
https://pin.it/72iHwFD
Agora, em quarto e última lugar, algumas informações sobre a fic que eu não sei exatamente se é importante, mas eu fiz bastantes cálculos para casar as idades e tals. (Talvez sejam apenas detalhes inúteis, mas né, vou facilitar o dia de vocês para não precisarem fazer continha juntando as informações da fic!)
> Harry tem 36 anos e Draco 35. Eles ficaram três anos namorando, depois casaram, treze de relacionamento.
> James tinha quatro anos quando os meninos se conheceram, está com 19 anos. Lily foi adotada com sete aninhos, James tinha oito, eles se casaram para isso acontecer, ela está com 18 na época da fic. Scorpius tem atualmente onze anos, foi adotado com quatro, James tinha onze na época de adoção e Lily, dez.
> A coreografia do Draco foi 80% inspirada nesse vídeo, mudei partes do meio e o final é totalmente meu. Não sou nenhuma dançarina de pole, e como o narrador não conhece dessa arte, preferi não usar nome dos staps e sim tentar fazer uma descrição breve dos passos, obviamente eu não poderia narrar cada movimento pois ficaria cansativo e muito confuso, mas fiz o possível para vocês conseguirem imaginar sem ficar chato, aqui o vídeo:
https://youtu.be/e1SGGEKdxOo
Agora é só ficar de olho na Berpian
que vem coisa boa por aí!!!
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