☠︎︎🏴 Capítulo 32: Ao seu favor ☠︎︎🏴

Reescrito 🏴☠️🐺

Yibo aguardou durante algum tempo até ter a certeza de que o caçador realmente havia ido embora, para pedir ao irmão que ele tentasse desatar os nós que prendiam suas mãos.

— Tá muito apertado. — Jiyang desistiu após passar vários minutos tentando desfazer o nó que o caçador fez com o cinto. — Desculpa, não consigo.

— Tudo bem.

— Ah! Seu aniversário! Eu pensei em você o dia todo e dormi no seu quarto, para me sentir pertinho de você.

— Me dá um abraço! Eu não consigo. 

Jiyang sorriu e envolveu o irmão com seus braços, abraçando-o apertado.

— Eu tive tanto medo de nunca mais te ver.

— Eu também. Aconteceram tantas coisas comigo...

Yibo contou para seu irmão, todas as aventuras em que ele havia passado. Desde a última vez que o viu, até o presente momento. 

— Como eles são? Os piratas.

— Como eu sempre te falei, são bárbaros e cruéis. Eu vi coisas que... — Yibo lembrou-se do homem crucificado no Forte de Nabuco, os Ômega presos no quarto de Barba-Ruiva, os que seriam vendidos no leilão e outras coisas. —... mas também há Alfas e Betas bons. Como o Capitão Xiao e sua tripulação.

— Eu não sei, Yibo. Aquele Alfa da cicatriz me pareceu muito mau.

— Ah, ele me dá medo as vezes, também — Yibo confessou —, mas é apenas o jeitinho dele.

— Jeitinho? Eu tive pesadelos com ele.

— É sério, depois que você conhece cada um deles, percebe como são de verdade. — Jiyang deu de ombros, mas para ele, o Alfa da cicatriz ainda era muito assustador — E esse tal caçador, ele não te fez nenhum mal, não é ?

— Não, não. Ele me protegeu do Tenente Su.

— Acho que sei quem ele é. Amigo do Comodoro ? — o mais novo assentiu — Por que ele precisou proteger você do Tenente?

— O papai escolheu ele para ser meu noivo. Ele tentou me tomar à força. — notando o semblante chocado do irmão, Jiyang apressou-se em explicar: — Mas eu estou bem, ele não conseguiu... e então o Haoxuan vem me protegendo esse tempo todo.

— Nosso pai sabe disso?

— Não. Aconteceu no navio.

— Eu vou matar esse desgraçado! — Yibo rosnou imaginando diversas formas de como torturar um Alfa — Mas ainda não entendi como ele deixou você viajar sozinho no meio de tantos Alfas.

— Então... — Jiyang sorriu amarelo — Ele não sabe. Eu fugi para te encontrar e ficar com você. Mas agora nós vamos ser levados de volta...

Yibo admirou o irmão em silêncio por um tempo. Jiyang sempre foi medroso e chorão. Mesmo que sua vontade de viver uma aventura fosse gigantesca, se um pirata bater o pé no chão ele se encolhe todo. E no entanto, ele estava alí. Havia fugido sozinho e estava disposto a continuar para levar uma vida livre, sem as obrigações matrimoniais impostas pelo pai.

— Não se preocupe, não voltaremos para casa nem tão cedo.

— Mas como...?

— Vamos fugir daqui. Procura por uma garrafa de vidro, um espelho, qualquer coisa cortante.

Jiyang anuiu e se levantou a procura de algum objeto que pudesse cortar as amarras do irmão. Ele vasculhou nas coisas do caçador, nas gavetas e baús. No banheiro, ele encontrou um espelho sobre a pia.

— Pega aquele castiçal, enrola um pano para não fazer barulho e joga nele. Mas fica longe pra não se machucar. — Yibo o instruiu e seu irmão fez assim como ele disse.

O barulho do vidro se quebrando foi abafado pelo tecido de uma roupa, e com cuidado, Jiyang pegou um dos pedaços que se espalharam. Yibo virou de costas e o mais novo começou a cortar o pano como podia. Assim que a porta foi aberta, ele se assustou e deixou o caco de vidro cair no colchão. 

— Que estão fazendo? — O caçador perguntou, olhando desconfiado.

— Nada. Nadinha. Só conversando sobre coisas de irmãos. — O mais jovem disse, tentando disfarçar. Haoxuan estudou o Ômega lúpus que a essa altura, já havia escondido o pedaço de vidro entre as mãos — Já vai nos levar de volta?

— Não. Ainda falta matar o Capitão Xiao.

Mesmo sabendo que era esse o trabalho do caçador, Jiyang não pôde deixar de fitá-lo em choque. Já o seu irmão, começou a rir alto.

— Yibo?! 

— O quê? Ué, foi engraçado. — deu de ombros — Esse palhaço realmente acha que vai conseguir matar o Capitão.

Haoxuan ergueu os olhos para encará-lo, e Jiyang temeu que ele pudesse fazer algo contra seu irmão, quando este se aproximou de ambos. O Alfa curvou o corpo até ter o rosto próximo ao do lúpus. Havia um pequeno sorriso em seu rosto.

— Não só vou matar, como entregarei o resto do corpo aos cães. Porque seu papai só quer a cabeça. — Instintivamente, Haoxuan fechou os olhos quando Yibo cuspiu em seu rosto. Com paciência, o caçador passou a mão no rosto e o limpou — O Comodoro vai ficar muito feliz em vê-lo.

Já sem nenhum traço do sorriso de alguns segundos atrás, Haoxuan agarrou o braço de Yibo e o levou para fora do quarto. Jiyang tentou ir atrás mas a porta foi trancada antes que ele pudesse sair.

Haoxuan bateu na porta do Comodoro, assim que ele abriu, o caçador nada disse quando empurrou o Ômega para dentro. Wen olhou para o Yibo, que caiu no chão de seu quarto, e novamente para o caçador, sem entender.

— Aí está o seu Ômega. — E voltou para seu próprio quarto.

Wen ficou aturdido por alguns segundos, mas logo fechou a porta e girou para encarar Yibo, que já estava de pé. Ele se aproximou do Ômega e o atingiu com um tapa no rosto, fazendo-o tropeçar para o lado.

— Isto foi por ter quebrado um vaso na minha cabeça.

— Pena que foi o vaso que quebrou. — Yibo afirmou, agora com uma das maçãs do rosto avermelhada — Onde está sua dignidade, Comodoro? Mesmo depois de tudo ainda cruza oceanos atrás de mim.

— Como se eu quisesse me casar com um Ômega desonrado. Seu pai ameaçou tomar minha posição na Marinha se eu não me casar com você.

— E você é um covarde que não sabe se impor.

— Pense o que quiser, Yibo. Seu pai é poderoso suficiente para acabar comigo. Você é belo, posso me casar com você, mesmo que não seja mais puro, ainda vou sair ganhando tendo você como meu esposo. Isso, se não pegou nenhuma doença com aquele pirata. — Yibo tentou chutá-lo no meio das pernas, mas o Comodoro agarrou seu joelho — Agora estou preparado. 

— Pode conseguir um outro emprego, talvez possa trabalhar testando a durabilidade dos vasos usando sua cabeça.

— Eu poderia até soltá-lo, mas só por causa dessa gracinha você vai permanecer assim. — Yibo deu de ombros, sem se importar — Por que não se salva agora, hm? Hum... Vou contar a bela novidade ao Su. 

Assim que o Alfa saiu do quarto, Yibo moveu o pedaço do espelho com cuidado, tentando terminar de cortar o tecido que o pendia.

Enquanto isso, no quarto ao lado, Jiyang estava sentado de costas para o caçador, como um ato de protesto, depois de ter insistido para ele ajudar quando Haoxuan voltou ao cômodo, e ter seus pedidos negados friamente.

A princípio Haoxuan não se importou, até achou fofa aquela atitude. O deixaria quieto em seu pequeno momento de fúria, mas reparou que algumas coisas estavam fora do lugar.

— Você mexeu nas minhas coisas? — ele indagou mas Jiyang não respondeu — Lembra de quando eu falei que minha paciência é quase inexistente?

— Hum, humhum... Hum, hum, humhum... — o Ômega começou a cantarolar, ainda o ignorando.

— O mar não é lugar para Ômegas. 

— O lugar de um Ômega é onde ele quiser. O Yibo estava feliz com o Capitão Xiao. Eles se apaixonaram e estavam caçando o Imperium juntos. Mas você tinha q-...

— Imperium? 

— Tesouro do Francis Bonny, nunca ouviu falar?

— Já... mas sobre caçar o Imperium, isso é mentira. Ninguém jamais conseguiu decifrar um fragmento sequer.

— Mas acontece que o Yibo é um Ômega lúpus, o único que consegue ler as runas.

— Espera um instante. — Haoxuan saiu do cômodo deixando um Ômega confuso para trás.

E quando ele entrou no quarto do Comodoro, quem se encontrou confuso foi ele, quando viu Yibo livre de suas amarras.

— Larga esse vidro. — o Alfa ordenou, mas seu tom era calmo. Yibo negou, ficando em posição de defesa — Okay, já sei como sua mente funciona, então vamos pular a parte em que eu pego minha espada e vou até seu irmãozinho e-...

Ele parou de falar no mesmo instante em que Yibo jogou a parte do espelho no chão.

— Bom garoto, agora venha comigo. — Yibo hesitou por um momento, mas quando o viu entrar no quarto em que estava com Jiyang, ele correu para encontrar o irmão novamente.

— Ele te machucou? — Yibo perguntou examinando o menor.

— Não, eu já te disse. Ele não faria nada para me machucar. Ele mesmo prometeu.

Yibo olhou para o Alfa sentindo-se um tolo por ter caído em sua manipulação. Haoxuan foi até suas coisas e tirou de dentro um pergaminho, abriu-o e mostrou para o lúpus.

— O que tem escrito aqui? 

Aquele era de fato um dos fragmentos. As pupilas de Yibo dilataram-se, assim como sempre acontecia quando lia uma daquelas escritas brilhantes.

— Nada.

Haoxuan riu baixinho.

— Não precisa mentir, seu irmão já me contou.

Yibo olhou para seu irmão, apenas para confirmar, e Jiyang murmurou a palavra “desculpa” com os lábios sem produzir som.

— Não entendo o idioma.

— Imaginei que não. É a língua morta dos seus antepassados Ômega lúpus. Mas como sabemos, você conseguiu traduzir as outras partes com ajuda dos livros.

— Por que ficou interessado no tesouro? Você não é um pirata.

— Não é no tesouro que estou interessado.

— É em quê, então?

Haoxuan hesitou, mudando de assunto.

— Vamos fazer uma visita a tripulação do Black Swan. Tenho um proposta irrecusável para seu Capitão.

Continua...

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