𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐_𝟏𝟐
Desesperado
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𝐖𝐨𝐨𝐲𝐨𝐮𝐧𝐠 𝐎𝐧:
O universo me odeia, tenho certeza!
Não duvido nada que ele esteja rindo da minha desgraça neste exato momento tendo um balde de pipoca nas mãos.
Naquele exato momento eu estava prostrado em cima da mesa do refeitório da faculdade, que naquele horário se encontrava quase vazio, tendo poucos alunos por ali. Eu estava em uma mesa um pouco afastado do centro, ela ficava bem no cantinho escondida no refeitório, e era onde eu gostava de sentar sempre que ia para lá. Aquele era o meu lugarzinho de refúgio.
— Eu tenho certeza que você está atrasado, mas por algum motivo você está prostrado nesta mesa, pensando na morte da bezerra, ao invés de nos fazer ficar ricos. — escuto a voz da minha melhor amiga, e tenho certeza que ela havia se sentado no banco a minha frente
— Meu professor quer falar comigo e pediu para esperar até a reunião de professores acabar... algo relacionado ao quadro que fiz e alguma exposição. — ergui meu braço e o balancei com desânimo, sem tirar meu rosto de cima da mesa — Já liguei para a empresa e avisei que iria me atrasar hoje.
— O último quadro que você pintou? — confirmo com um resmungo, abaixando novamente o meu braço e o deixando estirado em cima da mesa — Este não é o quadro do gostosão que não sai da sua cabeça? — rosno baixinho e escuto Rosé rir — Eu vi as últimas fotos que os paparazzis tiraram dele, e puta que pariu... ele ficou ainda mais gostoso com o cabelo pintado de azul quase preto misericórdia!
— Você não tem que ir para a floricultura, não? — resmungo, me sentando e finalmente olho para a ômega de fios... prateados? Brancos? — O que você fez com seu cabelo?
— Resolvi mudar um pouco. — ela deu de ombros e empurrou um pratinho com pedaço de pudim de morango e chocolate na mesa — Já estava enjoada do castanho, e uma menina do meu curso disse que ficaria legal eu os deixar platinado.
— Ficou estranhamente lindo. — digo e a ômega acabou rindo.
— Por que você não muda o visual também? Tenho certeza que você ficaria lindo com os fios lilás. Rasa também iria cair super bem... ou um loiro…
— Eu gosto do meu cabelo vermelho. — a corto, pegando um pedaço do pudim e o saboreando, ao ponto de fechar os olhos de tão bom que estava aquele doce.
— O que você irá fazer hoje?
— Tenho um ensaio fotográfico na empresa, se eu não me engane as fotos que eu tirar hoje serão para divulgar no site da Euphoria. — digo — Por quê?
— Preciso de ajuda na loja hoje... a nova funcionária que eu tinha contratado entrou no heat hoje, e não sei se vou conseguir alguém de última hora.
Rosé era a dona da floricultura a qual eu trabalhava antes de assinar o contrato com a Euphoria, e era de lá que eu tirava o meu sustento para pagar o aluguel do meu apê, as contas básicas e as despesas da faculdade. Eu ainda não estava efetivado na Euphoria, pois estava passando pelo período de teste e treino, mas segundo vários funcionários do lugar eu já tinha o meu lugar garantido na empresa, e caso eu não seja efetivado, a Rosé disse que as postas da floricultura sempre estariam abertas para mim.
Ela cuidava da floricultura desde que sua avó adoeceu, fez algumas reformas no lugar e mudanças de horários, já que na parte da manhã ela cursava música na Faculdade de Artes de Seul, abrindo a loja na parte da tarde e fechando altas horas da noite.
Mesmo com o horário um pouco inoportuno, ela tinha bons lucros, já que sua avó tinha bastante contatos com empresas que patrocinavam eventos, e por grande parte dos eventos ser a noite ou final de semana, ela conseguia conciliar a faculdade e o gerenciamento da loja.
Foi a ômega que me ofereceu o emprego em sua floricultura quando eu estava desesperado à procura de um emprego, e desde então nos tornamos bons amigos. Ouso dizer que Park Chaeyoun se tornou uma grande amiga desde que vim para Seul... e ela está quase sendo promovida ao cargo de melhor amiga.
— Eu só vou conseguir ir no turno da noite, e mesmo assim não tenho um horário para estar chegando. — digo, pegando mais um pedaço do pudim, mas estendendo para ela.
— Eu realmente não me importo, contanto que você vá me ajudar na hora do fechamento, pois tenho uma encomenda para o último horário hoje, e vou precisar de ajuda. — ela diz abocanhando a colher e pegando o doce — Isso está divino.
— Para algum evento?
— Casamento. — ela me respondeu — Pelo que entendi, a cerimônia irá acontecer amanhã na parte da manhã, então os organizadores querem fazer toda a montagem hoje na parte da noite para que esteja tudo pronto amanhã de manhã bem cedinho.
Dei de ombros, pois realmente tinha doido para tudo neste mundo. Contando que eles pagassem pelo serviço, estava tudo de boa.
— Assim que eu estiver saindo da empresa, eu te ligo avisando. — Rosé bateu palmas animada e se levantou de onde estava, vindo até meu lado e me abraçando.
— Você é o melhor Wooy. — ela beijou a minha bochecha, e eu acabei rindo da empolgação dela — Como não sei o horário que vamos terminar toda a entrega, você pode dormir lá em casa, e podemos aproveitar para maratona a nossa série.
— Nós temos aula amanhã, sua louca. — tento me desenvencilhar do braço da outra, mas ela simplesmente me apertou ainda mais, me impedindo.
— Não me importa, iremos ver alguns episódios de Friends antes de dormir. — ela diz convicta, me soltando e pegando o último pedaço do meu pudim — E então, vai ou não vai me dizer o que tem te deixado de mal humor?
— Depois deste disparate que você fez? Não!
— Te compro mais um pedaço antes de ir para a empresa. — ela tentou me subornar, com comida, com um mísero pedaço de pudim de morango com chocolate e que tanto amo.
— Eu acho que o meu lobo teve um Imprinting com o lobo do meu chefe. — digo de uma vez, choramingando.
O que? É pudim! Eu não iria negar um pedaço do pudim que eu tanto amo.
— Calma bebê, me conta esta história direito. — ela disse séria.
E eu contei tudo.
Acho que eu precisava desabafar e a Rosé me conhecia tão bem que em nenhum momento riu, debochou ou fez graça com tudo aquilo que eu estava lhe contando. Ela simplesmente me escutou desabafar tudo, sem me interromper.
Eu estava ficando louco com tudo aquilo.
No momento que Yeosang tinha me dito que meus olhos e os de San ficaram dourados, eu fiquei desesperado e fiquei negando aquilo o máximo que podia. Nos próximos dias eu fugia do alfa e evitava ficar muito tempo sozinho com ele, mesmo o Choi tentando a todo custo se aproximar ou simplesmente conversar. Eu falava apenas o básico com ele, evitando dar muito detalhe da minha vida pessoal quando o alfa tentava tocar no assunto.
Só que na semana seguinte o alfa simplesmente parou de falar comigo, e eu sei que o único culpado daquilo era eu por, mais uma vez, ter o afastado quando ele simplesmente parecia querer conversar. Só que isso me deixou ainda mais doido. Não poder sentir o forte e embriagante aroma de menta dele, não ter a presença do alfa nas aulas que ele tinha me garantido que seria ele a dar, não poder o ver de perto e perceber que o alfa estava me evitando... aquilo me fez ter várias noites de insônia.
A Chaerin até tinha dado a desculpa que San não podia dar aulas por ter que estar à frente de várias outras coisas em relação ao evento, na verdade ela até achou estranho o alfa ter dado algumas aulas para mim, já que ele nunca tinha feito aquilo... e por mais que eu saiba que aquela explicação tinha um fundinho de verdade, eu sabia que era apenas uma desculpa do alfa para se afastar.
Ou pelo menos, foi o que pensei durante aqueles dias.
Eu não estava preparado para Choi San de cabelos azuis quase negros, vestido todo de preto com as mangas da blusa erguidas até a metade do antebraço e dois botões da camisa aberta.
Eu não estava preparado para aquilo, e meu lobo também não! A diferença é que meu lobo super apoiava aquele visual do alfa.
Enquanto eu me encontrava com a guarda baixa, abismado, e sem chão ao ver o alfa daquele jeito, o meu lobo estava eufórico, babando e pronto para dar o bote. Eu fiquei o treino quase todo discutindo com o Souei, o que me fez errar várias coisas básicas na frente do San, que me fitava intensamente desde o início daquele treino.
Sério, eu não sei o que me deixou mais nervosa. O olhar penetrante do San, que descaradamente soltava os seus feromônios na sala de modo dominante, me deixando molinho, ou o meu lobo que falava cada indecência toda vez que o alfa propositalmente aromatizava a sala.
Em um pequeno intervalo onde o San ficou conversando com a Chaerin, eu vi as tatuagens em um dos braços de San. Eu sabia das que ele tinha na mão, mas aquelas do braço era a primeira vez que via, e aquela foi uma brecha para Souei falar o quão delicioso seria desabotoar vagarosamente a camisa do San, botão por botão, e deslizar aquela camisa pelos fortes braços do alfa, enquanto nossas mãos passavam pelos braços do alfa e os apertava
Propositalmente, só para sentir a rigidez de seus músculos em nossos dedos, só para revelar as tatuagens, os bíceps, e o tanquinho do Choi.
Segundo o meu lobo, aquela seria uma bela combinação.
— Eu não sei o que fazer, Roseanne! — choramingo — Se meu lobo ficou todo assanhado assim ontem, imagina como ele irá ficar durante o restante dos dias? Nós ainda estamos no início da semana, e eu tenho certeza que até o final dela meu lobo me enlouquece. E o Choi já deixou bem claro que esta semana ele iria acompanhar todos os ensaios fotográficos... aquele filho da puta está me provocando, ou melhor, ele está atiçando o meu lobo, e Souei está caindo que nem patinho na armadilha do lobo.
— Não faço a mínima ideia do que você pode estar fazendo, um Imprinting de lobo é raro e o seu irá te perturbar até estar com o alfa, não tem como você fugir disso, pois uma hora ou outra os dois irão acabar cedendo a vontade dos seus lobos... A única coisa que eu posso falar para você Wooy, é que nem todos os alfas são iguais ao seu pai, e tudo o que aquele velho decrépito colocou na sua cabeça, é mentira.
— Mas e s-
— Não existe "se", Wooyoung. Você não é nada daquilo que ele te falou, e tudo aquilo que ele te disse foi só pra te afetar, para te diminuir, sendo que você é uma pessoa incrível. — Rosé disse firme, pegando minhas mãos e as segurando nas suas — Se você quer um conselho, o que eu te dou e esse: Converse com o Ssn e pare de fugir disto, pois quanto mais você resistir, pior as coisas irão ficar.
— Meus pais tiveram um Imprinting de lobo, e o meu pai é um canalha... e se o San for assim? Igual ao meu pai? — pergunto um pouco com a voz um pouco embargada.
— Você só vai descobrir isso se der uma chance para o alfa se aproximar de você, para que você possa o conhecer. — a ômega disse com toda a paciência do mundo — Se lembra do que você me disse em relação aos seus pais, de como e por que eles ficaram juntos? — confirmo com um leve acenar de cabeça — Então, não faça o mesmo que sua mãe fez, não lute contra isso. Atração entre lobos é normal, raro mais normal, vocês só não podem deixar que seus lobos tomem conta da situação e tomem o rumo da vida de vocês.
— 'Tá bom. — confirmo soltando as mãos dela e levando as minhas até meu rosto e enxugando minhas lágrimas.
— E se lembre de mais uma coisa Wooy, Imprinting de alma e Imprinting entre lobos são diferentes um dos outro, e em nenhum deles as pessoas são obrigadas a ficarem juntas. — ela finalizou, deixando um beijo na minha testa antes de se levantar — Agora deixa eu ir para a floricultura, tenho que abrir a loja e ganhar um pouquinho de money hoje... e você tem que ir encontrar com o professor... a essa hora ele já deve ter terminado a reunião.
— Okay... te vejo mais tarde. — digo também me levantando, pegando minha mochila de cima da mesa — Obrigada por me ouvir Rosé.
— Eu estarei aqui sempre que precisar, meu bebê. — a ômega me abraçou, e nós começamos a andar em direção a saída do refeitório da faculdade abraçados.
Talvez eu vá conversar com San hoje depois do ensaio... talvez… só talvez.
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