𝐅𝐚𝐦í𝐥𝐢𝐚
Eu: Me deixa morrer! - Grito aos prantos e solto a mão mas o mesmo segura meu pulso.
Por que é tão difícil alguém entender que um pedaço de merda como eu, quer morrer?
Eu estou cansada dessas vozes da minha cabeça, dessa dor que não cessa... Dos pesadelos que tenho a noite... Machuca...
Midoriya: Por que quer se matar? Há pessoas que se importam com você. Seus pais..
Eu nunca tive família e nem tenho... Me dá inveja às vezes de outras pessoas estarem sorrindo com seus pais e dizer eu te amo para eles. Nunca tive essa sensação.
Eu: EU NÃO TENHO FAMÍLIA! NÃO TENHO NINGUÉM! EU SOU UMA PESSOA SOLITÁRIA, SEU TROUXA. - Logo lágrimas teimosas descem do meu rosto. - ME DEIXA MORRER! SÓ ASSIM MINHAS DORES VÃO PASSAR E VOU PODER DORMIR PARA NUNCA MAIS DESPERTAR! NUNCA TENHO NINGUÉM! EU ESTOU CANSADA DESSA MERDA QUE CHAMO DE VIDA! EU NÃO SOU FELIZ DE VERDADE. NÃO TENHO AMIGOS, NÃO TENHO ONDE DORMIR, NÃO TENHO COMIDA, SEM DINHEIRO PARA MEUS MEDICAMENTOS! NADA!
Logo vejo a expressão de Midoriya, ele fica surpreso e um tanto preocupado e sinto ele puxar meu pulso com mais força e surpreendente consegue me puxar para terra firme.
Acho que ele usou sua Individualidade.
Logo ele me abraça fortemente, um abraço que chamo de "Abraço de Anjo da Guarda"... Um abraço protetor e doce.
Midoriya: Desculpe... Não podia ficar parado com uma vida nas minhas mãos... Eu sei que não somos próximos... Mas heróis salvam corações... E eu quero ser seu herói.
Logo as lágrimas se intensificam. Nunca tive alguém que pudesse me livrar das minhas dificuldades e das minha merdas.
Era apenas eu contra o mundo... Até aquele momento que aquele esverdeado quis ajudar um monstro que esconde sua verdadeira face que a cada dia, cada minuto, cada segundo sofre com uma dor que apenas se expande em sua alma e seu corpo.
Logo a mão de Midoriya afaga meus curtoa cabelos castanhos com cuidado e delicadeza. Além de fofo, tem mãos macias.
Midoriya: Vai ficar tudo bem... Vamos na minha casa. - Logo ele se afastando do abraço, voltando seu olhar a minha mochila e a minha guitarra e as pega. - Céus! - Sua feição fica assustada. - Os pacotes. - Logo ele corre em direção a calçada.
Midoriya suspira aliviado ao ver as sacolas plásticas no chão e logo olha para mim novamente.
Midoriya: Já jantou? - Logo após a pergunta, concordei com a cabeça. - Já que disse que não tem lugar para dormir, pode dormir lá em casa. Tem um quarto de hóspedes.
Eu: Mid... - Antes que eu pudesse protestar, a mão de Midoriya puxa ligeiramente o meu pulso.
Logo começa a chover, uma chuva fria e intensa. Logo eu e Midoriya tivemos que correr bastante para escapar dessa travessura, até chegarmos no apartamento que ele morava.
Logo ele toca a campainha, sendo recebidos por uma mulher alegre, um pouco gorda e doce.
???: Filho. Você chegou... E trouxe companhia. Por favor entrem, ou podem ficar resfriados! - Fala sorridente enquanto dava espaço para entrarmos, assim que tiramos nossos sapatos, como sinal de respeito.
Assim que entrei na casa, percebi que o local humilde mas muito acolhedor, colorido e simples.
Enquanto íamos para sala de estar, havia uma coisa que me chamou a atenção.
Na verdade era uma porta onde estava escrito: "Midoriya", com certeza o quarto do rapaz. Tinha uma pequena fresta, mas pude ver a maior inspiração do Midoriya... Aquele que admira o "Símbolo da Paz", como é conhecido o All Might.
Ele sim é um herói diferenciado... Pois o All Might não quer saber de fama, da expansão do seu fabuloso nome, ele só quer ser conhecido pelos seus grandes atos.
Pois para mim, não vale a pena ser lembrado por um nome estúpido, logo é esquecido.
Mas logo meus pensamentos são interrompidos quando a mãe de Midoriya me oferece uma toalha limpa e uma roupa dela.
???: Toma querida. Não quero que pegue um resfriado... E tem uma roupa minha, quando eu tinha... Digamos um corpo melhor... - Percebo um certo desconforto no meio daquelas palavras que eram para ser de conforto. Ela deve ter baixa auto-estima.
Eu: Não precisava Senhora... - Tento agradecer, mas me lembro que eu não sabia o nome daquela mulher dócil.
Inko: Só Inko, por favor. - Ela sorri amigavelmente enquanto me dava a toalha e a roupa. - Tem shampoo, água quente... Já jantou? - Ela pergunta junto num tom preocupado, agora sei a quem Midoriya puxou ser prestativo com as pessoas.
Eu: Já jantei Inko... Obrigada... - Falo sem graça, quando vou ao banheiro.
No final do corredor estava no pequeno e simples banheiro.
Paredes de cor amarelo pastel, alguns azulejos brancos no chão, uma pia e privada de cor branca, um chuveiro simples e branco e um espelho de formato quadrado acima da pia.
Esse maldito espelho... Me olhei nele... Meu reflexo horrendo... Cabelo molhado, cara amassada, eu me sentia cada vez mal em olhar a minha própria imagem e logo tranco a porta, começando a tirar minha roupa, logo já estava nua e olhava meu corpo frágil.
As cicatrizes que tenho por causa dos experimentos, os pontos que já levei e o código que tenho na minha cintura: MA0312.
Esse código é como um golpe para mim, sempre me faz lembrar que sou deslocada dos outros e que nunca serei como os outros. Mas logo vou para o chuveiro e coloca na água quente, finalmente mais relaxada, pois dizem que água quente relaxa os músculos do corpo e remove as rodinhas do corpo, além disso vai me ajudar a dormir.
Mas é como dizem, o chuveiro é o melhor lugar para pensar.
~
Logo eu estava arrumada com um pijama azul com bolinhas brancase indo para a sala com meu uniforme que estava molhado em mãos junto da toalha branca até ver Inko e Midoriya sentados no sofá de cor verde conversando um com o outro. É provável que o Midoriya esteja explicando quem sou e o que aconteceu, pois percebi a expressão triste e preocupada de Inko enquanto Midoriya seriamente explicava algo a sua mãe. Logo eles percebem minha presença.
Inko: Querida, me permita colocar as roupas na secadora. Vou aproveitar e trazer o doce para os dois. - Logo ela se levanta e pega as peças molhadas que estava em minhas mãos e sai dali, com certeza foi algo planejado.
Midoriya: Mayoi-San se sente por favor. - O garoto bate levemente usando sua mão esquerda no estofado verde para que eu pudesse sentar ao seu lado.
Com cautela eu me sentei e ele ficou olhando para mim por alguns segundos... Mas logo ele me mostrou o seu aparelho celular com a mensagem de Bakugou.
"Preciso de ajuda! Procurem a Mayoi! Ela está indo fazer uma besteira mortal em algum da cidade! Meus pais estão preocupados!"
"Isso deve ser uma piada, pensei."
Ele está preocupado com a pele dele e por isso os pais deles mandaram ele me procurar, ele não se importa comigo.
Midoriya: Foi por causa do Bakugou que tentou se jogar? - Arqueia a sobrancelha curioso enquanto aguardava a resposta.
Eu: Aquilo foi só calor do momento... - Logo sou interrompida.
Midoriya: Para depressão não existe calor do momento... A minha mãe ligou para a Mitsuki, a mãe do Bakugou sabe... Isso foi enquanto você estava tomando banho... A Mitsuki explicou que você faz parte de um programa que parece um programa de intercâmbio mas é para ajudar os adolescentes que não foram adotados a ter uma família e moradia temporária, até o adolescente se formar... Parece que o Bakugou não aceitou bem, não é? - Ele fala docemente e preocupado.
Eu: Sim... Ele não aceitou... - Logo lágrimas escorrem do me. - É que eu não aguento mais ser forte o tempo todo. Eu não tive uma infância feliz e às vozes me perturbam o tempo todo! Por isso eu queria me jogar, eu não aguento mais as vozes e não vejo motivo para viver, já que sinto que estou na UA só por obrigação... Isso é frustante! Eu me vejo como um monstro. Não consigo me abrir direito...
Logo Midoriya me abraça novamente e acaricia meus cabelos.
Midoriya: Sei que é difícil... Mas você falando como se sente, já é o primeiro passo para um tratamento... Me diga, quanto tempo está sem tomar seus remédios?
Eu: 8 meses, o dinheiro que junto tocando me bares e restaurantes não é muito e às vezes nem me pagam.
Logo Midoriya fica chocado e bem mais sério.
Midoriya: A sociedade é injusta... Se não quer ser heroína, é uma opção sua. Segundo, você precisa se tratar, sei como é ser rejeitado pelas pessoas e descrença delas em mim... - Logo ele desvia o olhar após falar de rejeição. - Sabe Mayoi, eu não tinha Individualidade antes... Aí todos zombavam de mim e diziam que não ter futuro... Mas logo fui abençoado com a Individualidade que tenho hoje... O Bakugou é difícil mesmo, ele sempre foi elogiado e sempre passavam a mão na cabeça, pois sempre ficavam deslumbrados com a Individualidade dele e isso acabou atrapalhando nossa amizade e um sentimento de orgulho surgiu nele... Ele não aceita muito o diferente e ele por ser inseguro, sempre rebaixa os outros para se sentir bem...
Logo eu acabo referindo sobre ela que Midoriya disse... Será que eu julguei o Bakugou do jeito errado? Mas do jeito que ele falou para mim, doeu muito... Ele é tóxico, sinceramente.
Eu: Sim, eu vi no jornal que ele tinha sido capturado por um monstro de gosma e o All Might salvou ele, apesar de você estar no local e tentar o salvar.
Midoriya: Isso é verdade... Mas Mayoi, minha mãe quer você na nossa casa, ela acha que seria bom para você e para mim, pois de acordo com ela, seria bom eu ter alguém para ir na escola comigo...
Logo fico surpreso e logo uma sensação estranha surge em mim, deixando meu coração quentinho e eu logo fico sem graça, logo perdi a postura e fica nervosa.
Eu: Midoriya, não precisam ter pena de mim. - Logo segurei as mãos dele com força.
Midoriya: Não é pena Mayoi, isso se chama afeto e solidariedade Mayoi. Eu e minha mãe já gostamos de você.
Inko: É verdade querida. Não se preocupe, nós realmente queremos te ajudar. Eu posso te ajudar a pagar os remédios. Uma mão ajuda outra. - Logo aparece com pratos de doce suculentos e coloca em cima da mesinha da sala.
Logo acaba chorando novamente, mas de alegria. Credo, estou muito emotiva. Acho que alguns podem dar chance a monstros... E assim começou minha noite feliz... Jogando conversa fora, comendo e conhecendo melhor uns aos outros.
Acho que isso é o que chama de família...
Continua...
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