Prólogo.

O ônibus parou diante do lindo e antigo museu. Jovens desciam felizes e sorridentes, a excursão foi programada há um bom tempo e finalmente conseguiram fazer.
No meio de tantos jovens sorridentes e comunicativos estava Beatriz cabisbaixa. Ela estava absorta em seus pensamentos pra focar em qualquer coisa.

__Ei Beatriz.__a mesma ergueu a cabeça avistando sua professora a olhando.

__pois não?

__por que está tão cabisbaixa? Você não é assim.

__nada demais.__forçou um sorriso.

Não seria uma professora que resolveria o seus problemas e medos.

__tudo bem, já escolheu um colega?__a mesma arqueou a sombrancelha diante a pergunta da mais velha.

__estamos a passeio, mas também a trabalho e não pode ficar sozinha e perdida em pensamentos. Já tem alguém pra ser sua dupla?

__eu e eu.__a mesma negou e Beatriz revirou os olhos.__onde acho alguém a essa altura do campeonato? Todos tem seus coleguinhas e tals, sempre fiz tudo sozinha, justo hoje eu não posso?

__não. Precisa se comunicar mais, já pedi pra chamar seus pais pra uma conversa sobre o fato do seu isolamento social.

__boa sorte se eles tiverem tempo.

__o que disse?__a mais velha questiona e Beatriz negou não sendo nada.

__eu não tenho paciência pra ficar chamando alguém pra companhia e nem assunto.__Beatriz deu os ombros.

Por uma lado era verdade e por outro não, assunto ela tem, mas faria qualquer adolescente correr pra longe dela. Afinal quem gostaria de ouvir sobre como montar e desmontar uma arma, sobre a potência e estrago que cada arma tem e faz. É, não soa uma boa conversa.

Muitos mantém distância da mesma, ela não tem culpa de não conseguir fazer amizade com facilidade. No mundo aprendeu que confiar de mais e se entregar de mais é uma falta que leva a morte.

__mas precisa, anda.__a mais velha bateu palmas como se a incentivasse.

Beatriz correu os olhos e viu todos com sua dupla, sorriam e conversavam animadamente.
Quando deu um passo em direção a primeira tentativa de abordar uma companhia, uma voz surgiu;

__gostaria de ser minha dupla?__Beatriz se virou avistando um rapaz de cabelo meio bagunçado em um estilo rebelde, usava uma calça jeans preta rasgada no joelho e um suspensório dando um charme, uma blusa de moletom cinza grafite e um coturno marrom escuro.

Ele sorri de canto como se não tivesse medo do perigo. Beatriz já o viu, ele era o jovem novo que entrou algumas semanas no colégio e na sua sala. Recluso e quieto, bem na dele.

__você?

__sim, não tive tempo de me familarizar com os outros alunos e não tenho dupla. Então, aceita ou não?

__pode ser.

__William, você é Beatriz não é?

__uhum, prazer em conhecer.__o mesmo concordou e ambos andaram um ao lado do outro, não tinham assunto, mas estavam em dupla.

Adentraram o museu e enquanto o tour ocorria com as explicações básicas, William ajeitou os fones nos ouvidos e jogou o capuz na cabeça escondendo.

É, pelo visto tem coisas em comum.

__se importa?__ele questionou e a mesma negou.

__faremos um trato, você os olhos e eu os ouvidos. Fechou?__o mesmo a olhou surpreso por uns segundos e por fim sorriu concordando.

Enquanto a professora explicava, os dois preferiram ficar bem escondidos no fundo dos alunos. Beatriz retirou o celular do bolso e abriu as mensagens, nada! Não tinha nem se quer uma mensagem.

Chegava a piorar mais o seu medo, não queria isso, não suportaria isso.

Arriscou mandar mensagem, digitou e apagou algumas vezes e por fim com um longo suspiro mandou igualmente aos dois um simples e básico; oi.

Abria algumas redes sociais e vez ou outra sentia a mão de William tocar seu cotovelo indicando o local a ir, ele estava se saindo bem no seu papel de olhos. Beatriz mesmo no celular ouvia bem o que a professora dizia, o ouvido de ambos os dois.

Chegava a ser bem cômico. Ela não gosta de duplas, mas até que essa estava se saindo melhor que a encomenda.

Quando a barra de notificação avisou uma nova mensagem o coração de Beatriz faltou saltar pela boca, eram eles.

Mas nem precisaria abri as mensagens, da barra de notificação se via as mensagens e eram iguais, iguais as dela. Um mero e simples; oi.

__será que já não sou mais útil?__se questionou com o coração tão pequeno que podia jurar que não batia como antes.

__alguém sabe me dizer quem foi Michelangelo?__se escondendo um pouco atrás de William pra não avistarem ela mexendo no celular, a mesma sem desviar os olhos do que fazia, respondeu;

__Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, mais conhecido simplesmente como Michelangelo ou Miguel Ângelo, foi um pintor, escultor, poeta, anatomista e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.

__muito bem. Meus parabéns Beatriz e William.__se um acerta a dupla acerta.

Arriscou mandar a última mensagem daquele momento; podemos comer pizza quando eu chegar?

Programa esse que não faziam faz tempo. É, as vezes sentia falta do passado, mais exata de 5 anos atrás.

Quem disse que uma adolescente de 17 anos não tem medo, Beatriz Lihan Razor tem. Seu maior medo é o abandono!

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