7•A força vital de dois pais.

William abriu os olhos ao escutar algo cair no chão, não estava tão alto, mas fez barulho. Como um peso despencando em uma altura média no chão, aquilo o intrigou, mas se atenou em algo que por algum motivo o deixou   apreensivo, era alguém com dificuldade pra respirar, já viu isso uma vez. Sua mãe ficou assim quando teve uma crise alérgica, mas o som era o mesmo de uma dificuldade pra respirar.
Ele se perguntava o que estava acontecendo e acima de tudo se tinha alguma coisa haver com essa echarpe encharcada em seu rosto.
Nem se importava com a água escorrendo por seus antebraços e molhando também sua blusa, não tiraria enquanto Beatriz não tirasse a jaqueta também encharcada do rosto dela.

Retirou uma mão da echarpe e levou ao bolso pegando o celular, abriu no bloco de notas e digitou rapidamente e deu uma leve cotovelada na mesma a fazendo abrir os olhos e mostrou o celular pra ela.

O que está acontecendo?

A mesma pegou e apagando, digitou com uma só mão. Virou o celular pro William que naquele momento entendeu os sons que ouviu, provavelmente de quem estava ali e o improviso que Beatriz fez.

Tem gás metano aqui, ele quer matar quem está aqui com esse gás.

William encostou a lateral da sua cabeça na da Beatriz e fechou os olhos. Não queria morrer ali com esse gás, não queria morrer com Beatriz essa noite.

Pegou o celular e digitou e mostrou pra mesma.

E se usarmos o duto no teto?

A mesma negou com a cabeça dizendo não dar e ele apenas bloqueou o celular e colocou no bolso novamente e fechou os olhos.

Beatriz pensou na possibilidade do duto, mas precisaria das duas mãos, não podia deduzir quanto tempo ficaria inalando aquele gás até conseguirem ir pro duto no teto, precisaria de muito esforço e nesse momento não estavam com a vantagem disso.

Fora que mesmo se fossem pelo duto o gás se espalharia, isso se não fosse dali que o gás vinha. O que resta é esperar as luzes voltarem e saírem dali. Por que pra isso ele precisa ir pra sala de operação, e era a chance que tinham.

Esse truque não seria útil por muito tempo, não era nem se quer uma solução, mas era melhor que estar inalando direto o gás.

Ela não desejava nada de legal no seu aniversário hoje, mas também não precisava ficar presa em um museu tentando sobreviver. Isso nem se quer é chamado de presente.

Fechou os olhos e se pegou no dia que nunca viu seus pais tão desesperados e ao mesmo tempo tão frágeis. Como se a força vital deles fosse ela.

***
Uma explosão ocorreu na casa em que viviam pra missão de Liam, ele já estava no final. Na verdade ele estava resolvendo o último detalhe daquela missão importante.

Beatriz estava na sala vendo desenho, vez ou outra ficava sozinha, não era muito tempo.
Avalon tinha ido resolver uma questão e logo voltaria.

Ele prometeu que quando voltasse eles iria comer pizza.

Se eles soubessem que nada daquilo importava, o que importava pra Beatriz era somente ter alguém pra chamar de família, e sentia alegre em ter dois pais incríveis.

Ela descobriu em uma conversa e ligação o que seus pais eram na verdade, eles não sabem e ela não contaria a ninguém.
Seus pais são heróis pra ela e isso ninguém mudaria.

Foi quando a porta foi aberta e Avalon surgiu na sala sorrindo.

__eu vou tomar um banho e vamos comer pizza.__ele avisou e se encaminhou pro quarto.

Não se aproximou e nem a beijou, pois estava sujo, sangue manchava a roupa abaixo do sobretudo preto do mesmo, havia retirado o excesso de sujeira do rosto, mas precisava de um banho pra se aproximar da pureza daquela casa, ela!

Beatriz se levantou e foi correndo pra cozinha, queria fazer um suco pro pai, ela viu várias vezes ele fazendo um suco verde e queria deixar ele feliz.

O que a ingenuidade de uma criança de 13 anos não faz né?

Cortou o limão e as verduras que viu o mesmo fazer e jogou tudo no liquidificador.

Era até engraçado ver um cotoco de gente encima de um banquinho pra mexer no liquidificador.

Quando terminou, colocou a proteína e bateu mais uns segundos.

Colocou na peneira e logo colocou no copo com tampa do mesmo.

Lavou o que sujou e voltou pra sala deixando o copo do mesmo na mesinha de centro e sentou no sofá voltando a ver o desenho.

Foi tudo tão rápido, tiros surgiram acertando a parede e a televisão, Beatriz caiu no chão se encolhendo, uma bomba de fumaça atravessou a janela e Avalon surgiu na sala as pressas enrolado com uma toalha na cintura e uma arma na mão esquerda, caiu ao lado de Beatriz chutando o sofá o virando e se agachando ele avistou alguns adentrando pela janela e a porta de correr que dava pro jardim.

Não era problema pra ele, atirando ele se adentrou na fumaça finalizando os que adentraram sua casa e assustaram sua filha.

O último caiu e ele viu o pino em sua mão, aquilo era uma granada!

Ele correu pegando Beatriz no colo e quando chegou na porta a explosão e eles foram arremessados longe.

Ele amorteceu a queda de Beatriz e deitado no chão com a mesma em seu peito, ele a abraçava com força enquanto escombros da casa caiam.

__Bea?__nada.

Notou sangue e não era só dele, ignorando tudo ele se levantou e correu com ela em seus braços.

Não ligava de estar descalço e enrolado com uma toalha na cintura.

Quando chegou no hospital adentrou chamando por ajuda e logo enfermeiros surgiram e correram com a mesma pra dentro.

Horas nunca foram o desespero de um pai, Liam chegou as pressas e já estava ciente, aquela confusão era pra ele.

Avalon pela primeira vez desde que descobriu o que Liam fazia o xingou, dizendo que se ele não tivesse chegado, Beatriz estaria sozinha correndo risco.
Que a agência de Liam não se importa de perder pessoas inocentes desde que a missão seja cumprida.

Liam nunca sentiu um peso como sentia agora, geralmente sempre que a missão era concluída ele ficava feliz e aliviado, mas agora não era assim, ele estava com medo. Medo de perder sua filha, a menina que era só uma fachada pra missão dele, que no final ele devolveria, mas não era mais isso.

Ele se apegou, ele é o pai dela e essa maldita missão o que proporcionou de bom pra ele, também estava sendo o que faria ele perder o único ser que trouxe cor pra vida dele.

Deu graças a Deus que agora ele estava fora, a missão chegou ao fim e se Beatriz morrer, a missão de captura mudará de última hora pra uma missão de execução, por Liam levaria o seu alvo pro inferno.

Quando o médico surgiu, eles foram informado do estado da mesma e foram levados até o quarto.

Liam entregou o sobretudo dele pra Avalon colocar, e ao entrarem viram a vida deles conectadas a aparelhos, uma perna quebrada e com alguns arranhões.

__devo informar aos senhores que a paciente teve alguns danos que serão permanentes infelizmente.__o médico avisou e ambos os dois olharam o médico, a fachada de durão não existia mais ali, tinha só dois pais abalados e desesperados.

__que danos, desembucha!__Avalon ordena enfurecido.

Ele tentou proteger e falhou, queria saber o que ele fez de errado, o que ele devia ter feito pra evitar esse dano.

__a explosão foi perto demais, a filha de vocês teve danos graves na audição.

__como assim? Ela não vai escutar mais, é isso que tá dizendo?__Liam o olhou em choque.

__infelizmente sim, ela teve uma surdez profunda. Enquanto eu estava cuidando dela, fizemos exames e não podemos fazer nada, lamento. Precisam ter paciência pra recuperação e ajudarem ela a se adaptar com a nova realidade.

__ah é? Como? Como se explica pra uma criança de 13 anos que era saudável, que agora a vida dela toda será diferente e ela não escuta mais nada!__Liam o encarou.

__Liam cala boca! Temos que aceitar, por que é ela quem vai precisar da gente.__Avalon o encarou e se virou indo até a mesma e acariciando o rosto dela.

Liam não poderia estar se sentindo mais culpado, ele virou espião pra proteger as pessoas, e quem mais precisava de proteção pagou por seu trabalho.

Avalon se culpava por não ter feito mais, evitado isso, visto a maldita granada. Agora sua filha está assim.

Quando o médico se retirou avisando que havia uma coisa boa em meio ao sofrimento, depois de um tempo de recuperação e após uma cirurgia delicada, Beatriz poderia usar aparelhos auditivos, com eles a audição dela seria um pouco boa, não igual antes, mas não seria o fim total, mas sem eles ela não escutaria nada.

Liam se aproximou de Beatriz e com os olhos marejados ele segurou sua mão com cuidado, como se qualquer ato fosse a quebrar.

Uma lágrima escorreu dos olhos de Avalon e o mesmo a secou rapidamente.

Mesmo sofrendo, teriam que ser fortes, era por ela que ficariam fortes, ela precisava deles calmos, pra que assim possam cuidar dela.

Mas aqui, nesse momento vemos como dois seres sádicos e a todos negados de sentimentos, vemos aqui que eles sentem. Beatriz mesmo sem saber é a força vital de seus pais.

***

Beatriz abriu os olhos com o toque de William e notou que a luz vermelha sumiu, olhou o microondas na estante ligado e isso só seria uma coisa, as luzes voltaram.

Se levantaram e William nem se atreveu a ver quem estava ali, precisava sair com Beatriz dali, mas antes de sair avistou uma mão estendida no chão. Eles morreriam ali, bom, já estavam mortos. Um casal de adolescente morreu sem chance de uma solução.

Destrancou a porta com cuidado e olhou pela fresta e nada, as luzes acesas no lado de fora, os mesmos corpos mortos e nada do assassino.

Segurando a mão da mesma eles saíram correndo pra tentar de alguma forma achar um local seguro e sem falhas.

Bom, esse era o plano do William, o plano de Beatriz era outro e esse ela precisaria da ajuda de William.

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