3•Os dutos de ar e uma lembrança confortante.

O plano inicial de Beatriz causou um certo receio em William, afinal condizia em gatinhar em um duto de ar estreito e pequeno, lá dentro teria que usar os outros sentidos, as luzes de emergências não existiam lá, e William detestava admitir que seus outros sentidos eram péssimos, mas era isso ou ficar lá naquela sala que tecnicamente não era 100% segura.

Outra surpresa de William foi a maestria de Beatriz com uma lapiseira que pegou do mesmo.

O melhor foi a forma que ela o chamou, por força do hábito quando estava sem os aparelhos era de imediato a comunicação de sinais, William franziu o cenho e ela negou apontando pra mochila dele.
Ele retirou e enquanto segurava, a mesma caçou algo e ao achar o estojo do mesmo ela pegou a lapiseira do mesmo. Mostrou pra ele e o mesmo apenas disse; Vá enfrente.

Ela desmontou a mesma e achando o que usaria, começou a desparafusar os 4 parafusos da entrada do duto de ar perto do chão.

Quando conseguiu isso com rapidez, ela retirou a tampa e adentrou sendo seguida por William.

Precisaram gatinhar e quase rastejar. Aquilo a fez lembrar alguns dos treinos de seus pais.

***

Hoje era mais um dia de treino com seus pais, Beatriz não poderia negar amar esses dias, era como uma gincana só deles.

Circuitos divertidos e que precisariam de total capacidade mental.

Usando uma legging e uma blusa regata ambos pretos e um tênis esportivo, ela estava diante do circuito improvisado no jardim dos fundos do prédio deles.

O cabelo preso em uma trança boxeadora que por sinal estava muito bem feita pelo Avalon.

__está pronta?__Liam a olhou.

Ele vestia uma calça de moletom cinza e a camisa no ombro, o cabelo que havia crescido um pouco estava preso em um mini coque com alguns fios soltos. Usava um tênis preto e segurava um cronômetro em mãos.

__sim.

__então vamos lá. 3, 2 e 1 vai!__começando a correr ela passou pelo circuito de desviar dos cones, ela partiu pros pneus, passando com maestria ela correu e segurou a corda e escalou a parede de madeira pra passar pro outro lado.

De início o sindicato não gostava dessa história de treino, mas Avalon molhou a mão do mesmo e agora isso é a atração de alguns sem ter o que fazer pra ficar assistindo.

Até por que eles arrumam pra treino e desmontam, não fica direto.

Ao chegar no topo passou e desceu em um salto com os joelhos bem flexionados.

Tornando a correr ela passou pelos saltos de traves, sempre controlando a respiração.

Agora faltava o último ao ar livre, se agachando ela rastejou por baixou de uma cama de gato.

Quando passou pela mesma se levantou, não parou se virou e diferente do que seu pai Liam esperava ela desejou de última hora voltar pelo mesmo circuito.

Queria saber o tempo que levaria voltando pelo mesmo lugar.

O que ela deveria era simplesmente correr pela lateral do circuito e parar diante de seu pai, mas ela sabia que conseguiria e queria provar isso.

O problema é que a parede não tinha como voltar do mesmo modo que foi.

Ela sabia disso e não foi isso que a parou.

Apanhou a primeira trave do circuito das traves e ajeitou dois passos da parede e deu alguns passos pra trás.

Pegando a corrida ela pisou na trave e enquanto a mesma caia ela pegou o impulso e segurou o topo da parede.

Respirou fundo a mão esquerda e jogou o braço direito e agora jogou a parte de cima do corpo.
Quando a primeira perna passou já era. Ela já tinha passado e caído com maestria.

Tornou a percorrer os outros circuitos e quando passou pelo último parou diante de Liam ofegante e com um olhar esperançoso.

Ele olhou o cronômetro e ao erguer os olhos o sorriso era vivo.

__45 segundos.__avisou e fazendo uma dancinha teve a companhia do Liam na mesma dancinha.

__me surpreende quando notei suas mãos na parede. Você voltou pelo mesmo percurso.

__sim, queria arriscar e ver até onde dava.

__mas como volto?__franziu o cenho.

__usei a primeira trave e peguei impulso com ela.__ela sorri e ele bateu palmas.

__mas podemos encurtar esse tempo, né?

__então Papi, como lhe explico.__sorri debochada e o mesmo arqueou uma sombrancelha.__45 está ótimo sabe por quê?__ele sorri de canto negando com a cabeça.

__20 segundos levei pra ir, 20 pra voltar os 5 foi o tempo que levei pra pegar a trave, ajeitar e pegar distância e salto, todo o processo da trave levei 5 segundos.

__olha, você contou?

__claro.__ela ri e o mesmo a puxou beijando sua testa.

__parabéns minha bebê.

__você nunca me chamou assim?__o olhou surpresa.

__não gostou?

__eu amei!__ele ri.

__agora vai que é a vez do Avalon. Deixa que eu desmonto isso, é um exercício bom.__concordando ela correu pra dentro do prédio.

Ao chegar no apartamento o mesmo estava sentado no sofá a espera dela.

__bora?__a mesma concordou e ele se levantou e foram pra fora do apartamento e logo chegaram enfrente a sala onde o mesmo sem problemas abriu a porta com um truque.

Entraram e logo fecharam a porta, Avalon tirou uma mochila das costas e abriu a mesma.

__sabe o que fazer?

__abrir o duto, rastejar até os limites do mesmo e voltar com o tempo recorde.

__voltar...

__voltar por outra saída.__piscou e o mesmo sorri concordando.

__então vamos lá, o cronômetro para quando você chegar lá em casa, estarei te esperando lá.

__ok.

A mesma olhou a mochila e tudo que iria precisar.

__3, 2 e 1 vai!__Pegou um canivete suíço e prendeu no cós da legging na lateral.

Pegou uma chave de fenda e começou a desparafusar os parafusos, não podia ter pressa, como também não podia demorar muito, precisava manter o foco.

Ao conseguir soltar o último parafuso, ela pegou impulso por ser um pouco alto e gatinhou dentro do mesmo sem pensar em nada, não tinha medo. Seus heróis sempre iriam a proteger do mal e do perigo.

Foram duas viradas que deu pra achar a primeira saída, mas não seria essa que usaria, assim como com Liam queria surpreender Avalon.

Tornou a prosseguir só que agora estava um tanto quanto difícil, e gatinhar já era quase difícil. Passou a rastejar e não tinha medo e nem nojo, Beatriz não era uma mimada nojenta.

Após três saídas ela achou a que desejava e levando a mão no cós da legging e pegou o canivete e achando a ferramenta necessária, desparafusou e sem alarde abriu lentamente a tampa e jogou a cabeça e vendo do ângulo de cabeça pra baixo avistou o local vazio.

Não negou a surpresa e o sorriso surgiu.

Respirando fundo ela manteve a tampa aberta e estendendo um pouco a mão passou por cima da entrada e ao estar do outro lado recuou aos poucos passando primeiro as pernas e virou o tronco levando a outra mão pra borda do outro lado e segurou firme, soltou o ar mais uma vez e de uma só vez ergueu o braço esquerdo e soltou a mão direita da borda e caiu com os joelhos flexionados e em total silêncio.

Se ajeitou e fez uma dancinha da vitória e olhou a porta a espera de Avalon.

Exatamente ela surgiu na sala usando a tubulação do prédio.

__30 segundos!__a mesma deu um sobressalto e se virou avistando o mesmo se levantar e sair de trás da poltrona.

__como soube?__o olhava surpresa.

__não subestime a minha inteligência, você é minha filha sabia bem que faria algo mais intenso do que combinamos.__ele ri.

__para, sério?

__em partes sim, mas a outra não. Eu fui pegar a bolinha que tava jogando na parede, ela correu pra baixo da poltrona e fui pegar, ouvi o ruído dos parafusos e só podia ser a minha gatuna.__ele ri.__cheguei tem 15 segundos aqui.

__você não existe pai.__ela ri e corre o abraçando.

__você mandou muito bem e o tempo foi incrível, você foi longe e isso é maravilhoso!__ele apertou o nariz da mesma.__parabéns minha princesa.

__obrigada pai.__ele fizeram um toquinho que Avalon diz ser o toquinho da dupla Bealon.

Uma mistura de Beatriz e Avalon.

O prêmio era um passeio em família, cinema, lanchonete e passeio no shopping. Era incrível pra ela por estar com os pais.

***

Beatriz voltou ao presente momento quando sua mão tocou uma espessura diferente da que sentia quando gatinhava ali.
Piscou algumas vezes e olhou notando ser a primeira saída desde que entraram no duto.

Recuou um pouco e aproximou o rosto da saída ainda com a tampa colocando o peso da parte de cima do corpo nos braços e estreitou os olhos avistando o que pode com as luzes de emergências vermelhas.

Vultos, tinha vultos ali!

Provavelmente alunos e logo um foco de luz surgiu, uma lanterna.

Vinha de uma das cabines, cabine essa que era a segunda, a primeira era abaixo da saída onde ela e William estavam.

Adoraria ouvir algo, gostaria muito de escutar algo pra assim ser mais útil, mas onde estavam era seguro, não sabia até quando. Mas era seguro, se não fosse o William avisaria, ele estava encarregado de ser os ouvidos da dupla.

Viu uma claridade mínima onde estava e logo um celular foi empurrado na direção do braço esquerdo da mesma.

Era William avisando algo. Dobrando o braço direito e usando o antebraço pra sustentar o peso da parte de cima do corpo, pegou com a mão esquerda o mesmo e notou o bloco de notas aberto e leu o que o mesmo escreveu.

"Além dos choros baixos que está vindo de baixo, escutei rosnados. Cachorros, tem cachorros aí embaixo Beatriz."

Apagou e digitou a resposta e antes de devolver o celular notou que ainda não tinha sinal.

Devolveu o celular pro William e o mesmo pegou e leu rápido.

"Vamos esperar um pouco aqui, me avise com um toque se algo mudar."

Não poderiam ficar ali o tempo todo, não era confortável e o maior problema, a circulação de oxigênio era um pouco baixa, mas o maior problema é, eles não são os únicos com essa idéia aqui.
O parafuso no banheiro da ala leste, mesmo eles estando na ala norte, eram dutos iguais. O assassino já deve ter ido naquele.

Afinal ninguém tenta matar adolescentes em um lugar como esse, sem conhecer o terreno.

Ele com toda certeza estudou todos os cantos do museu e era essa a diversão dele.

Ninguém está seguro aqui, exatamente ninguém! O museu é o território dele e os alunos são as presas.

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