Epílogo
Charles Griffin:
Três anos depois...
Três anos se passaram, e aqui estou eu, parado na porta do quarto de Giovanna, observando-a dormir serenamente. Ela parecia tão tranquila, completamente alheia ao mundo ao seu redor. Seus pequenos lábios formavam um sorriso suave, e seu peito subia e descia de forma ritmada. Quem a visse agora jamais imaginaria que essa mesma menina, tão cheia de energia e travessuras durante o dia, poderia ser tão calma à noite.
Giovanna tem a pele morena e os cabelos castanhos levemente ondulados, que caem suavemente sobre o travesseiro. Seus olhos, do mesmo tom que os meus, são janelas para a alma vibrante e curiosa que ela carrega. Às vezes, ainda me pego admirado, sem acreditar que minha pequena está prestes a completar três anos de vida. Três anos! Parece que foi ontem que a vi nascer, ouvi seu primeiro choro e segurei sua mãozinha pela primeira vez.
— Minha filha — murmuro baixinho, mais para mim mesmo — você é a resposta para todas as vezes que olhei para o céu e pedi por um milagre. Te amo tanto.
Dei mais uma olhada nela, liguei a babá eletrônica e, com o coração transbordando de amor, saí silenciosamente do quarto, tentando não fazer barulho. Mas, antes de fechar a porta por completo, não resisti e fiquei observando-a por mais alguns segundos, absorvendo cada detalhe, cada traço de sua feição adormecida. Ela era meu pequeno milagre, o que eu sempre sonhei.
Fechei a porta com cuidado e, ao me virar, meus olhos pousaram em uma foto pendurada na parede do corredor. Era uma imagem de nós três, eu, Derick e Giovanna, no aniversário de um ano dela. Eu estava abraçando minha filha com uma mão e Derick com a outra. Giovanna ria imensamente, com sua expressão de pura alegria, enquanto Carlos, meu irmão, estava ao lado, segurando meus sobrinhos — que também pareciam contagiados pela alegria do momento. Era uma lembrança preciosa, um instante congelado no tempo que sempre me fazia sorrir.
Giovanna sempre foi muito apegada a mim, mas se há alguém que ela adora mais do que qualquer coisa, é Derick. Os dois são inseparáveis, uma dupla imbatível. E, para ser sincero, eu não consigo passar muito tempo longe deles também. É engraçado como a vida se molda ao redor dessas pequenas coisas — esses laços que construímos, o amor que nutrimos. Derick e eu passamos os últimos três anos aprendendo, tropeçando, rindo e nos apoiando, e agora, vendo Giovanna crescer com tanto amor ao redor dela, percebo que tudo o que vivemos nos trouxe exatamente para onde deveríamos estar.
Cada risada, cada choro, cada pequeno momento de alegria ou desafio foi parte de uma jornada que ainda continua. E eu sabia, enquanto olhava para aquela foto, que nunca estivemos tão conectados, nunca fomos tão completos como éramos agora, os três juntos.
Fechei os olhos por um momento, sentindo o peso agradável dessa realização, desse amor que nos cercava. Giovanna, minha filha, minha alegria. Derick, meu parceiro, meu amor eterno. Não poderíamos pedir por mais.
Me afastei do quarto da minha pequena e segui em direção à cozinha, onde a luz suave da manhã iluminava os pratos que ainda precisavam ser lavados. Era um daqueles dias tranquilos, e eu sentia uma paz gostosa ao saber que estava em casa, sem pressa, sem compromissos urgentes no hospital. Hoje era um dia de folga, e aproveitei para dispensar a babá da Giovanna, querendo passar o máximo de tempo possível com ela. Era raro termos dias assim, só eu e ela, e eu fazia questão de aproveitá-los ao máximo.
Giovanna, como sempre, passou o dia cheia de energia, entre seus brinquedos e os livros de histórias que ela escolheu cuidadosamente para a nossa hora de leitura. Ela adora quando sentamos juntos para ler — e, sinceramente, eu também. O entusiasmo dela ao virar as páginas, apontar para as figuras e fazer mil perguntas sobre os personagens é contagiante. Hoje, lemos os contos favoritos dela três vezes seguidas, e a cada vez ela parecia descobrir algo novo, algo mágico.
Suspirei com um sorriso no rosto enquanto terminava de lavar os últimos pratos. Mesmo nas tarefas mais simples, havia uma certa tranquilidade em saber que minha filha estava ali, segura e feliz, brincando com seus brinquedos no quarto. Era um daqueles momentos em que tudo parecia em equilíbrio.
Derick ainda estava no hospital. Ele tinha pego um plantão pela manhã, mas me mandou uma mensagem mais cedo avisando que sairia em breve e que voltaria para casa antes do jantar. Eu estava ansioso para vê-lo, para sentar à mesa com a nossa pequena família, compartilhar as histórias do dia, e simplesmente estar juntos.
Com a louça finalmente terminada, sequei as mãos e olhei para a janela da cozinha, onde a luz suave do fim de tarde começava a aparecer. O sol já estava descendo no horizonte, tingindo o céu de tons de laranja e rosa. Havia algo de especial naquele momento, algo simples e precioso. Era nesses dias comuns que eu mais sentia o quanto nossa vida havia se transformado para melhor.
Eu me inclinei na bancada por um momento, ouvindo o som distante de Giovanna brincando no quarto, e meu coração se aqueceu novamente. Logo, Derick estaria em casa, e nós passaríamos mais uma noite em família. Era nesses pequenos momentos que eu percebia como a vida podia ser bela e cheia de significado, mesmo nas coisas mais simples.
Mas, mudando de assunto, esse tempo tem sido tão feliz, e não só para mim. A vida ao nosso redor parecia florescer de todas as maneiras possíveis. O tio do Derick, depois de tantos anos de busca por algo significativo, finalmente encontrou sua felicidade ao se casar com Ronald. E, como se isso já não fosse motivo de celebração suficiente, os dois decidiram adotar um casal de gêmeos adoráveis. Eles são simplesmente uma fofura, com suas risadas contagiantes e olhares curiosos para o mundo. É impossível não sorrir ao vê-los juntos, tão felizes e completos como família.
As notícias boas não pararam por aí. Sam, depois de muito tempo lidando com questões difíceis em sua relação com a mãe, Lídia, finalmente resolveu as diferenças que os separavam. Hoje, elas têm uma relação saudável e cheia de respeito. Ver essa transformação foi como assistir a uma peça onde, depois de tantos altos e baixos, o final feliz finalmente chegou. O laço entre mãe e filha foi restaurado, e foi ainda mais tocante quando Sam foi escolhida para ser a madrinha do casamento de Lídia com seu namorado. A cerimônia foi uma das coisas mais bonitas que já presenciei — uma celebração de amor, perdão e recomeços.
E claro, não pude deixar de me divertir ao ver Ronald, que sempre foi a rocha em tantas ocasiões, se desmanchando em lágrimas durante a cerimônia. Ele tentava, de todas as formas, segurar o choro, mas no fim, as emoções o dominaram. Foi um daqueles momentos genuínos e inesquecíveis que aquecem o coração. Ver todo esse amor e felicidade ao redor, essas novas fases sendo abraçadas por tantas pessoas queridas, só reforçava o quanto a vida pode ser generosa quando permitimos que ela siga seu curso.
De alguma forma, tudo parecia se encaixar. As peças que antes pareciam estar desalinhadas agora estavam em harmonia. E eu sabia, no fundo, que esses momentos de alegria compartilhada não eram apenas o resultado de boas circunstâncias, mas da força que cada um encontrou em si mesmo e nos laços que cultivamos com aqueles que amamos.
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Terminei de lavar a louça e, como de costume, dei uma espiada rápida no quarto da Giovanna. Não consigo evitar, sou um pai coruja e completamente bobão. Derick, por outro lado, é só um pai coruja — e acho que isso já é mais do que suficiente para nós dois. Ao abrir a porta do quarto devagarinho, vi que ela ainda dormia tranquilamente, respirando de maneira tão suave que meu coração quase derretia.
Satisfeito por tudo estar em perfeita calma, fui para a sala na esperança de passar o tempo com algum filme ou programa de TV. Me joguei no sofá, sentindo o conforto me envolver, e liguei a televisão, pronto para uma pausa merecida. Mas, como parece acontecer sempre que consigo relaxar, meu telefone começou a tocar no mesmo instante. Peguei o celular, sorrindo ao ver o nome de Carlos, meu filho, aparecer na tela.
— Como está o melhor pai do mundo? — ele disse com aquela energia alegre de sempre assim que atendi. — E como está minha maninha?
— A Giovanna está dormindo — respondi, ajeitando-me no sofá para ficar mais confortável. — E os seus filhos?
— Eles estão brincando de faz de conta com o Alex. Aproveitei para descansar por alguns segundos. — Sua voz tinha aquele tom exausto, mas divertido. — Acho que estou ficando muito velho para brincar com eles desse jeito.
Eu ri, imaginando a cena.
— Velho? Você só tem trinta e dois anos, Carlos! — provoquei, rindo ainda mais ao ouvir o som dele fingindo estar ofendido. — Nem o Alex se cansa tanto quanto você está reclamando.
— A culpa é toda do Alex! — Carlos dramatizou. — Ele deu para nossos filhos esses genes cheios de energia. Eles não ficam parados por um minuto sequer!
— Não vou nem tentar discutir com você — respondi, balançando a cabeça, incapaz de conter o riso. Carlos sempre soube como me fazer rir, e essas conversas bobas eram uma das melhores partes do nosso relacionamento.
Meus netos realmente tinham energia de sobra, e cada vez que vinham nos visitar, a casa se transformava em um verdadeiro campo de batalhas imaginárias. Giovanna se juntava à diversão, e eu e Derick sempre terminávamos exaustos, mas com o coração cheio de alegria. Era o tipo de cansaço que qualquer pai ou avô adoraria ter.
Ficamos conversando por mais alguns minutos, trocando histórias sobre as crianças e rindo das aventuras diárias que só quem tem filhos pequenos entende. Quando os filhos de Carlos começaram a chamá-lo, ele precisou desligar, mas não antes de nos despedirmos com aquele calor habitual de família.
Desliguei o telefone, e meus olhos voltaram para a televisão. Um filme de comédia estava passando, e me deixei levar pelo som leve e pelas risadas que ecoavam pela sala. A casa estava em silêncio, Giovanna dormia tranquila, e Derick logo estaria de volta. Tudo parecia exatamente como deveria ser. Sorri para mim mesmo, sentindo uma paz rara e doce.
Deitei no sofá, deixando o cansaço se acomodar enquanto via o filme que passava na TV. Ao mesmo tempo, mantinha um olho na babá eletrônica, monitorando Giovanna. Era uma paz temporária, e eu sabia que logo ela acordaria, cheia de energia. E, como esperado, cerca de uma hora depois, ouvi um leve murmúrio vindo do monitor, seguido pelos sons suaves de sua voz enquanto ela se remexia no berço. Sorri ao perceber que minha pequena já estava de pé, pronta para mais um dia de brincadeiras.
Levantei-me e fui ao quarto, encontrando Giovanna com seu sorriso encantador. Peguei-a no colo e começamos a brincar ali mesmo, com seus brinquedos espalhados pelo chão. Ela estava especialmente animada hoje, correndo de um lado para o outro, me pedindo para ajudá-la a montar blocos e bonecas.
Estávamos no meio de uma dessas brincadeiras quando ouvimos a porta da frente se abrir. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Giovanna já estava de pé, dando passinhos rápidos e desajeitados em direção à entrada da casa. Ri enquanto a via se apressar, as pernas pequenas se movendo com determinação, o sorriso iluminando seu rostinho. Sabia exatamente para quem ela corria.
Quando ela finalmente alcançou a porta, lá estava Derick, sorrindo do jeito mais amoroso possível. Ele se abaixou e, com a maior facilidade, pegou nossa filha no colo, girando-a no ar com aquela mistura de cuidado e diversão que só ele conseguia. Giovanna soltou uma risada contagiante, o som puro da alegria enchendo a casa.
— Papai! — ela exclamou, rindo enquanto Derick a rodopiava no ar.
— Olha só quem está aqui! — Derick disse, com um sorriso que ia de orelha a orelha. Ele a rodopiou mais uma vez antes de abraçá-la forte, trazendo-a para perto.
Eu fiquei observando a cena por um momento, o coração aquecido por essa visão familiar que nunca perdia seu encanto. Cada vez que Derick chegava em casa, era como se o mundo de Giovanna se tornasse ainda mais brilhante. E, para ser honesto, o meu também.
Abracei o momento por mais alguns segundos antes de me levantar e ir em direção a eles. Quando me aproximei, Derick me olhou com aquele sorriso de sempre, e eu sabia que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
Derick deu uma série de beijinhos carinhosos no rostinho de Giovanna, fazendo-a rir ainda mais com seus gritinhos animados. A cena era tão doce que me peguei sorrindo de orelha a orelha.
— Que jeito mais maravilhoso de ser recebido quando chego em casa — ele disse, o sorriso brilhando no rosto enquanto segurava nossa filha com tanto amor. Havia uma alegria simples e genuína em seu olhar que sempre me derretia.
Aproximei-me deles, e nossos olhares se encontraram, cheios daquele conforto familiar que só nós conhecíamos.
— Oi, amor — dissemos ao mesmo tempo, quase em uníssono, o que nos fez rir suavemente.
Inclinei-me para beijá-lo, e no exato momento em que nossos lábios se tocaram, Giovanna soltou um gritinho empolgado, balançando os bracinhos e nos olhando com seus olhinhos brilhantes. Parecia que até ela compartilhava da nossa felicidade.
— Acho que alguém quer atenção — disse, rindo, enquanto Derick dava outro beijo estalado na bochecha dela.
— Ela sempre quer — ele respondeu com uma piscadela, enquanto Giovanna ria, completamente encantada com toda a atenção.
Ali, naquele instante, com nossa filha em seus braços e a casa cheia de risadas, tudo parecia perfeito. O cansaço do dia desapareceu, substituído por aquela sensação de que estávamos exatamente onde deveríamos estar: juntos. E, naquele momento, isso era tudo o que importava.
Derick me lançou um olhar cheio de carinho, e nós dois compartilhamos um sorriso cúmplice. Giovanna ainda estava no colo dele, agora brincando com o cordão da jaqueta que ele usava, completamente imersa em seu próprio mundo de diversão.
— Vamos fazer o seguinte — ele disse, olhando para mim enquanto ainda segurava Giovanna com uma mão. — Por que não fazemos algo especial para o jantar hoje? Algo simples, mas que a nossa pequena possa gostar também.
— Uma ótima ideia — respondi, sentindo uma onda de alívio por poder passar o restante do dia sem qualquer preocupação além de aproveitar o momento. — Acho que ela vai adorar ajudar a preparar alguma coisa.
Giovanna, sempre atenta mesmo quando parecia distraída, levantou a cabeça ao ouvir a palavra "ajudar" e, com seus olhinhos brilhando, disse:
— Eu também! Posso ajudar, papai?
Nós dois rimos, e Derick lhe deu mais um beijo na bochecha, que provocou mais um de seus gritinhos de alegria.
— Claro que pode, minha princesa. Você é a chef hoje! — ele respondeu, fazendo Giovanna aplaudir de excitação.
Fomos todos para a cozinha, e enquanto eu organizava alguns ingredientes simples na bancada, Derick segurava Giovanna, que estava totalmente focada em suas "tarefas importantes", como escolher o avental mais bonito e mexer na colher de pau. O ambiente estava leve, cheio de risadas e pequenas conversas enquanto preparávamos algo fácil, mas com tanto significado.
A cada passo, Giovanna fazia questão de participar. Segurava a colher com determinação enquanto mexia a massa com a ajuda de Derick, que a olhava com uma expressão de pura adoração. Era nesses momentos que eu realmente percebia o quanto nossa vida, agora com a presença dela, tinha mudado para algo tão bonito, tão completo.
Após o preparo do jantar, nos sentamos à mesa, e Giovanna, com o orgulho estampado no rosto, dizia repetidamente que "ajudou a fazer o jantar", como se fosse a maior conquista de sua vida até agora. Cada garfada que ela dava vinha acompanhada de um sorriso de satisfação, e eu e Derick trocávamos olhares cheios de amor e felicidade.
Quando terminamos, a noite já estava caindo lá fora, e a casa estava envolta em uma sensação de tranquilidade. Giovanna estava visivelmente cansada após o dia agitado, mas ainda assim se aconchegou no colo de Derick, esfregando os olhinhos com as mãozinhas pequenas. Ela estava à beira de cair no sono, e eu sabia que aquele seria o fim de um dia que guardaria para sempre no coração.
Levantando-a suavemente, Derick a carregou até o quarto, e eu o segui. A colocamos na cama com cuidado, cobrindo-a com seu cobertor favorito. Ela sussurrou um "boa noite, papai" para ambos, antes de seus olhinhos finalmente se fecharem.
Derick ficou ao meu lado, observando-a por um momento. Quando nos viramos para sair do quarto, ele entrelaçou seus dedos nos meus e sussurrou:
— Esses são os momentos pelos quais eu vivo.
Eu sorri, apertando sua mão de volta, e saímos do quarto em silêncio. Mais uma vez, tudo parecia perfeito.
Saímos do quarto de Giovanna, deixando-a adormecida e cercada de tranquilidade. Enquanto caminhávamos pelo corredor em direção à sala, Derick ainda segurava minha mão, e eu podia sentir a leve pressão de seus dedos entrelaçados aos meus, algo tão simples, mas que carregava um peso emocional imenso.
— Foi um dia cheio, hein? — Derick comentou, com um sorriso que iluminava seus olhos, aquela expressão que ele sempre fazia quando se sentia completamente em paz.
— E eu não trocaria por nada — respondi, puxando-o levemente para mais perto de mim enquanto descíamos as escadas. Havia uma conexão silenciosa entre nós, algo que ia além das palavras, que fluía naturalmente, como se estivéssemos exatamente onde deveríamos estar.
Chegando à sala, o ambiente estava acolhedor, e o suave brilho das luzes deixou tudo com um ar íntimo. Derick me soltou por um momento, mas seus olhos continuavam fixos nos meus enquanto ele se movia em direção ao sofá. Eu o segui, sentando ao seu lado, e ele automaticamente passou o braço ao redor dos meus ombros, me puxando para mais perto.
— Sabe... — ele começou, com aquele tom de voz que sempre carregava uma leve provocação —, ver você com Giovanna hoje me fez lembrar o quanto tenho sorte.
Eu me virei um pouco, encarando-o com uma sobrancelha levantada, tentando decifrar o que ele estava pensando.
— Sorte? — perguntei, com um sorriso divertido. — Você já me disse isso antes, mas vai ter que elaborar.
Ele riu suavemente, inclinando-se para me dar um beijo na testa antes de responder.
— Sorte por ter uma vida assim, com você e com ela. Você faz com que tudo seja tão... fácil, sabe? Mesmo nos dias caóticos, nos momentos em que as coisas não estão indo como planejado, você está lá, mantendo tudo no lugar. E eu... — Ele fez uma pausa, seus olhos se suavizando enquanto seus dedos faziam um carinho leve em meu ombro. — Eu simplesmente amo isso em você.
Meu coração deu uma leve batida mais forte. Por mais que soubesse do amor que compartilhávamos, ouvir aquelas palavras dele sempre fazia algo em mim se acender. Havia um calor, uma química entre nós que nunca desaparecia, não importava quantos anos passassem.
— Eu sou só uma parte dessa equação, Derick. Você também faz com que tudo seja mais fácil. Ver você com Giovanna... — sorri, lembrando da cena de mais cedo, dele rodopiando nossa filha no ar. — Ela te adora, e você sempre sabe exatamente o que dizer ou fazer para trazer o melhor dela. E o melhor de mim, também.
Ele riu baixinho, inclinando-se mais perto, o calor de seu corpo aconchegante e reconfortante.
— Então acho que somos uma boa equipe. — Sua voz estava mais baixa agora, como se ele quisesse que aquelas palavras ficassem apenas entre nós.
— Sem dúvidas — respondi, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou para mais perto, seus lábios encontrando os meus em um beijo lento, cheio de carinho. Havia algo íntimo e profundo naquela troca, o tipo de beijo que não precisava de pressa, que transmitia tudo o que estávamos sentindo. Seu toque era firme, mas ao mesmo tempo suave, seus dedos deslizando pelas minhas costas como se estivesse me ancorando ali, naquele momento.
Quando nos afastamos, por breves segundos, ficamos apenas encarando um ao outro, respirando juntos.
— Eu te amo, Charles — ele sussurrou, com a voz grave e cheia de sinceridade, e eu sabia, sem sombra de dúvida, que ele queria dizer muito mais com aquelas palavras.
— Eu também te amo, Derick — respondi, minha voz um pouco rouca pelo turbilhão de emoções que sempre me atingia nesses momentos.
A noite estava apenas começando, e ali, no sofá, com ele ao meu lado, sentia que o mundo podia continuar girando à sua maneira, porque, com Derick, tudo sempre ficava bem.
Depois daquele beijo cheio de significado, eu senti o calor confortável de Derick se aconchegar contra mim no sofá. Como sempre, ele se encaixava perfeitamente, mas havia algo na forma como eu o segurava que lembrava que, embora ele fosse minha rocha emocional, eu, sendo mais alto, sempre fazia questão de ser o porto seguro físico para ele.
Eu envolvi meus braços ao redor dele, puxando-o para mais perto, sentindo seu corpo relaxar contra o meu. Derick suspirou suavemente, sua cabeça se encaixando no meu peito, enquanto seus dedos traçavam padrões suaves no meu braço.
— Você sempre faz isso — ele murmurou, o tom de voz carregado de uma familiaridade íntima, como se estivéssemos repetindo um ritual silencioso e precioso.
— Faço o quê? — perguntei, sorrindo enquanto beijava o topo da sua cabeça, sentindo o leve cheiro do shampoo que ele sempre usava, algo reconfortante, familiar.
— Sempre me faz sentir como se estivesse exatamente onde deveria estar — ele respondeu, a voz baixa e sonolenta. — Como se eu pudesse esquecer do mundo e simplesmente... ser.
Eu sorri, segurando-o mais firme, os dedos acariciando suas costas.
— Porque você está onde deveria estar, Derick. Aqui, comigo. Sempre.
Ele levantou a cabeça um pouco, seus olhos encontrando os meus. Mesmo com o cansaço estampado em suas feições, havia aquele brilho, aquela conexão que nos mantinha juntos, ano após ano. O jeito como ele me olhava fazia com que o mundo ao nosso redor desaparecesse, e tudo que sobrava era a gente, assim, simples e completo.
— Obrigado por isso, por tudo — ele sussurrou, seus olhos suavizando enquanto sorria. — Eu não sei como seria sem você.
— E você nunca vai precisar descobrir — respondi, inclinando-me para lhe dar outro beijo, desta vez mais suave, mas carregado de promessas silenciosas.
A noite avançava, o silêncio da casa nos envolvendo, e eu sabia que esses pequenos momentos eram o que faziam a vida valer a pena. Não era o glamour, nem as grandes conquistas. Era estar aqui, no sofá, depois de um longo dia, com o homem que eu amava nos meus braços, nossa filha adormecida no quarto, e a certeza de que tudo estava bem.
Derick se aconchegou de novo contra mim, os movimentos cada vez mais lentos, e eu sabia que ele estava prestes a adormecer. Continuei segurando-o, passando a mão pelos seus cabelos, sentindo a respiração dele ficar mais suave, mais ritmada. Mesmo que ele não dissesse mais nada, eu sabia que havia um entendimento profundo entre nós, algo que ia além das palavras.
E assim, ali, no silêncio da sala, com ele nos meus braços, eu deixei o tempo passar. O mundo poderia continuar girando lá fora, mas aqui dentro, no calor do nosso lar, tudo estava no lugar.
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Gostaram?
Fim.
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