Capítulo Onze

Charles Griffin:

No início da manhã seguinte, o escritório estava quieto, como se o mundo ainda estivesse despertando. As janelas amplas deixavam entrar a luz suave do sol nascente, e eu, sentado em minha cadeira, observava a cidade se agitar aos poucos, sentindo o peso de mais um dia prestes a começar. Apesar da calmaria, meus pensamentos estavam longe dali, vagando pelas conversas da noite anterior com Derick.

Ainda podíamos ouvir a risada um do outro ecoando em nossos momentos, mas agora, com o amanhecer, a realidade parecia mais nítida. Havia tantas decisões a tomar, tantas dúvidas sobre o futuro, e, mais do que nunca, eu sabia que o que quer que viesse, precisávamos estar alinhados. Derick tinha aquela calma que sempre me ancorava, mas eu podia ver o conflito por trás dos olhos dele, o peso da decisão sobre a empresa dos pais. Por mais que ele tentasse não demonstrar, eu sabia que estava preocupado.

Suspirei, meus olhos ainda fixos na paisagem lá fora, enquanto o telefone em minha mesa vibrou, quebrando o silêncio momentâneo. Quando olhei para a tela, vi o nome de Derick. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios, e atendi imediatamente.

— Bom dia — falei, tentando esconder o cansaço na voz.

— Bom dia, meu amor — ele respondeu, sua voz trazendo uma leveza que já me acalmava. — Sei que é cedo, mas podemos nos encontrar para o café? Preciso conversar com você... sobre tudo.

Havia uma seriedade na voz de Derick que me fez endireitar na cadeira. Sabia que ele estava pronto para enfrentar as questões que o atormentavam. E eu, como sempre, estaria ao seu lado.

— Claro. Nos encontramos no café de sempre? — perguntei, já me levantando.

— Sim, estou a caminho — ele respondeu, antes de desligar.

Sabia que essa conversa seria importante. Estávamos prestes a discutir nosso futuro, e, mais uma vez, eu me preparei para estar ao lado de Derick, prontos para o que viesse, juntos.

Saí do escritório com pressa, a mente ainda rodando sobre o que Derick queria discutir. O café de sempre ficava a algumas quadras, um lugar pequeno e aconchegante, onde já tínhamos passado inúmeras manhãs, conversando sobre a vida, o trabalho, e, claro, nossos sonhos. Enquanto caminhava, o ar fresco da manhã ajudava a clarear meus pensamentos, mas a preocupação ainda me acompanhava. Sabia que o peso da decisão sobre os pais de Derick não era algo fácil de carregar.

Chegando ao café, avistei Derick sentado em nossa mesa habitual, perto da janela. Ele estava de costas para a porta, as mãos entrelaçadas sobre a mesa, os ombros tensos, como se estivesse mergulhado em pensamentos. A cena me fez perceber o quanto ele estava se esforçando para manter tudo sob controle, e isso partiu meu coração. Não podia deixar que ele enfrentasse isso sozinho.

Caminhei até ele e, antes de me sentar, coloquei uma mão em seu ombro, fazendo com que ele olhasse para cima. Seus olhos encontraram os meus, e por um breve segundo, vi o alívio atravessar seu rosto.

— Chegou rápido — ele comentou com um sorriso cansado, enquanto eu me sentava.

— Claro, não ia te deixar esperando — respondi, pegando a mão dele por cima da mesa. — E então, sobre o que você queria conversar?

Derick suspirou profundamente, como se estivesse reunindo as palavras certas.

— É sobre a empresa, meu tio, meus pais... e nós — ele começou, desviando o olhar por um momento. — Ontem, depois que a gente conversou, fiquei pensando. Meus pais só estão nos procurando agora por causa da crise. Estão falindo e querem que eu e meu tio vendamos a parte que o vovô nos deixou para salvar a empresa. Mas... sinto que é mais do que isso. Não é só sobre dinheiro, é sobre o que eu quero para a minha vida, para a nossa vida.

Eu continuei segurando a mão dele, encorajando-o a continuar. Sabia que essa era uma decisão enorme e que afetaria o futuro de ambos.

— Não sei se consigo deixar para trás o legado do meu avô, mas ao mesmo tempo, não quero ser manipulado pelos meus pais de novo. E é aí que você entra — ele disse, finalmente me olhando nos olhos, seu tom mais suave. — Eu não quero que nossa vida seja afetada por essa decisão. Quero construir algo com você, sem carregar esse peso do passado. Mas, ao mesmo tempo, me sinto dividido.

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas também cheio de possibilidades. Eu sabia que essa era uma encruzilhada importante para Derick, e qualquer decisão que ele tomasse seria definitiva.

— Derick, o que você decidir, eu vou estar ao seu lado. Sempre. — Apertei sua mão com firmeza. — Se você acha que deve lutar pelo legado do seu avô, vamos lutar juntos. Mas se você quer seguir em frente, construir algo novo, algo só nosso, também vou te apoiar cem por cento. O importante é o que vai te fazer feliz, o que vai nos fazer felizes.

Ele respirou fundo, como se minhas palavras tivessem dado o conforto que ele tanto precisava.

— Eu sabia que podia contar com você — ele disse, os olhos brilhando com gratidão. — Vamos pensar nisso juntos. Não importa o que eu escolha, o mais importante é que estamos construindo nosso futuro. Com ou sem a empresa da minha família.

Agarrei sua mão com mais força, sentindo uma conexão profunda naquele momento. Sabia que qualquer que fosse a decisão, iríamos encarar juntos. E o futuro, com todas as suas incertezas, parecia um pouco menos assustador quando estávamos lado a lado.

— Mas o que você planeja fazer, então? — perguntei, observando Derick com atenção.

Ele respirou fundo antes de responder, como se estivesse finalmente se libertando de um peso que carregava há muito tempo.

— Eu vou pedir minha parte de direito, e meu tio também vai fazer o mesmo. — Ele pausou por um momento, reorganizando os pensamentos. — Vou deixar que meu tio ajude a empresa mais do que eu poderia. Ele tem talento para isso, sempre teve. Já eu... não consigo me ver como empresário. Sou um ótimo enfermeiro, e é na área da saúde que quero continuar. Já deixei claro para o meu tio que, da minha parte, ele pode tomar as rédeas por completo.

— E o que ele disse? — perguntei, curioso, sabendo que o tio de Derick tinha uma personalidade forte.

Derick soltou uma risada curta, os olhos brilhando com divertimento.

— Disse que eu sou um folgado por dar mais trabalho para ele — respondeu, com um sorriso que fez o ambiente parecer mais leve. — Mas, no fim, ele disse que, se esse é o meu desejo, vai aceitar sem mais nenhuma reclamação.

Eu ri junto com ele, sentindo a tensão do momento anterior se dissolver. Era bom ver que, apesar das pressões e complicações, Derick estava encontrando seu caminho, e o mais importante, tomando decisões baseadas no que ele realmente queria.

— Parece que você finalmente encontrou sua paz com isso — comentei, apertando levemente sua mão em um gesto de apoio.

— Acho que sim — ele concordou, sorrindo mais uma vez. — E, com o apoio do meu tio e o seu ao meu lado, estou pronto para seguir em frente. Acho que podemos começar a pensar em construir a nossa própria família, do jeito que sempre quisemos.

Essas palavras me pegaram de surpresa, mas no melhor sentido possível. O futuro que eu imaginava ao lado de Derick, cheio de amor e novas possibilidades, agora parecia mais próximo e real do que nunca.

— Vamos fazer isso acontecer — disse, sorrindo para ele, meu coração cheio de esperança.
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Como estávamos planejando um tempo só para nós, especialmente depois de todas as tensões recentes, decidi que queria fazer o melhor encontro possível. Derick tinha me dado carta branca para surpreendê-lo, o que só aumentou minha vontade de planejar algo especial. Ele saiu para resolver as questões burocráticas com o tio, enquanto eu já começava a bolar um plano na minha cabeça.

Queria que a noite fosse inesquecível, algo que nos permitisse relaxar e simplesmente aproveitar a companhia um do outro, sem preocupações. Pensei em alguns lugares que sabíamos gostar, mas queria mais do que um jantar comum. Algo que realmente trouxesse aquele toque de surpresa, que o fizesse sentir o quanto eu queria que ele estivesse à vontade e feliz.

Comecei a considerar um restaurante ao ar livre, cercado de luzes suaves, onde pudéssemos jantar sob as estrelas. Talvez algo com uma temática mais romântica, com uma seleção dos pratos que ele mais gosta e uma playlist com músicas que significam algo para nós dois.

Enquanto ele estava ocupado resolvendo os papéis com o tio, eu me empenhei nos preparativos, ansioso para ver a expressão no rosto de Derick quando tudo estivesse pronto. Estava determinado a garantir que essa noite fosse mais do que um simples encontro — seria um momento só nosso, onde pudéssemos nos reconectar e deixar todo o estresse para trás.

Quando tudo estava pronto, a noite parecia perfeita. O restaurante ao ar livre que escolhi era ainda mais encantador do que eu lembrava. Pequenas luzes cintilantes estavam penduradas entre as árvores, criando um ambiente acolhedor e mágico. As mesas eram discretamente afastadas umas das outras, dando aquela sensação de privacidade que eu sabia que Derick adoraria. Um leve toque de música instrumental ecoava no fundo, e o ar fresco da noite trazia uma sensação de tranquilidade.

Derick chegou pontualmente, como sempre. Quando ele entrou no restaurante e me viu à espera, um sorriso suave se formou em seus lábios. O olhar dele me varreu dos pés à cabeça, e eu pude ver que ele estava genuinamente surpreso e impressionado.

— Uau — ele disse, caminhando até a mesa. — Você realmente me surpreendeu. Isso aqui está perfeito.

— Só o melhor para você — respondi com um sorriso brincalhão, me levantando para cumprimentá-lo. — Quero que essa noite seja especial, como você merece.

Ele se aproximou e me deu um rápido beijo, mas havia algo naquele gesto, uma mistura de gratidão e afeto, que fez meu coração disparar. Assim que nos sentamos, pude ver que Derick estava relaxado, os ombros menos tensos do que nos últimos dias. A conversa começou leve, falando sobre coisas cotidianas, mas a química entre nós estava inegável, como sempre. Não precisávamos de muito para nos conectarmos — os olhares e sorrisos trocados diziam mais do que qualquer palavra.

— Sabe — ele disse em certo ponto, a voz suave enquanto brincava com a borda da taça de vinho. — É nesses momentos que eu percebo o quanto somos bons juntos. Depois de toda a confusão com minha família, estar aqui com você me faz lembrar do que realmente importa.

Eu sorri, sentindo a sinceridade por trás de suas palavras. Havia uma faísca entre nós, algo que sempre esteve lá, desde o início. Essa química que tornava tudo mais fácil, como se o mundo inteiro pudesse estar desmoronando, mas enquanto estivéssemos juntos, sempre encontraríamos um jeito de seguir em frente.

— Você é o que realmente importa pra mim — respondi, minha voz mais suave, mais íntima. — E eu só quero te ver feliz, Derick. Seja com ou sem sua família, com ou sem a empresa deles. O que importa é que construímos algo nosso, algo que ninguém pode tirar de nós.

Ele me olhou por um momento, como se estivesse absorvendo cada palavra, e então sorriu, um daqueles sorrisos que iluminava tudo ao redor.

— Você sempre sabe o que dizer — ele murmurou, estendendo a mão por cima da mesa para segurar a minha. — Eu realmente sou um homem de sorte.

Ficamos assim por um tempo, as mãos entrelaçadas, a conversa fluindo facilmente, o mundo lá fora parecendo distante. Cada pequeno gesto, cada sorriso trocado reforçava o que sempre soubemos: estávamos juntos nisso, e isso era o suficiente. Quando a noite começou a esfriar, me levantei e dei a volta na mesa, puxando Derick para mais perto. Coloquei meus braços ao redor dele, sentindo seu corpo relaxar contra o meu, enquanto a noite continuava a envolver-nos na sua calmaria.

— Obrigado por esta noite — ele sussurrou, sua voz tão próxima que eu podia sentir o calor de sua respiração em meu pescoço. — E por sempre estar ao meu lado.

Eu o segurei um pouco mais apertado, sentindo o calor desse momento, e sussurrei de volta.

— Sempre estarei.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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