Capítulo 15

De tudo que poderia acontecer para interromper um momento tão gostoso como o nosso, sequer imaginaríamos que seria devido a Ernesto Albuquerque! Nos assustamos com uma confusão em alto e bom som para quem quisesse ouvir.

— Não sente vergonha de trazer homens para nossa casa? Anabel, você é mesmo uma vadia! Ter uma filha como você me envergonha! Por que fez isso sua garota burra? Sabia que acabaria mal porque estou em casa!

Engoli em seco. Ele, com certeza, falava do meu irmão Gabriel. Uma das coisas mais assustadoras que poderia ter acontecido naquela noite foi ele ter chamado a própria filha de vadia. Pelo pouco que a conhecia tinha plena certeza de que não era uma.

Theo saiu da cama indo até o closet. Fiquei trêmula, ouvindo a discussão ficar cada vez mais violenta. Respirei fundo tentando criar coragem para sair daquele quarto sem desmaiar na metade do caminho.

— Ele não vai encostar na minha irmã! Não vou deixar! — virei o rosto em sua direção. Arregalei os olhos, encarando o que ele segurava em uma das mãos, uma barra de ferro. Por que ele tinha uma no quarto? A resposta poderia ser muito arrepiante e demais pra mim.

Fui na sua direção tentando acalmá-lo, mesmo estando a ponto de ter um colapso.

— O que pensa em fazer? Ele é o seu pai! Podemos explicar que não é nada do que ele pensa. A culpa é minha de ter trazido meu irmão. — admite minha culpa na situação. — Eu não pensei direito...

— Pamela, você não o conhece. Ele é um monstro! — afirmou indo em direção à porta de saída. O berro do meu irmão foi o gatilho final para fazê-lo sair correndo em direção à confusão.

Gabriel corria perigo? Perguntei-me, apressando o passo. Meus pais não suportariam se algo acontecesse com meu irmão. Entrei na sala de estar e a cena que vi disparou meu coração. O senhor Albuquerque estava preparado para quebrar um dos vasos na cabeça do meu irmão.

— Não! — gritei com todas as minhas forças, indo para cima do coroa que ainda usava terno e gravata. — Deixa o meu irmão em paz! Ele veio comigo e não foi sua filha que trouxe ele pra cá!

A senhora Vera adentrou a sala de estar com dois seguranças. Aquele senhor parecia estar possuído. Jogou o vaso no chão, despedaçando-o inteiro, logo em seguida direcionou-se a mim. Senti sua mão pesar no meu rosto, deixando-me tonta. Caí sentada em uma das poltronas. Theo foi com a barra de ferro pra cima do pai dele, espancando-o nas pernas.

— Por que envergonha sua família assim? Seu velho maldito! Por que não usa suas porcarias fora da nossa casa? — ele questionou o pai, que permaneceu em silêncio.

Não pensei que aquele senhor pudesse estar sob efeito de algum tipo de droga. Anabel veio na minha direção, ajoelhando-se na minha frente.

— Desculpe! Perdão, por isso, perdão! — disse ela chorando. — Não era para ser assim, não era...

Os problemas daquela família eram piores do que pensei que eram. Ernesto Albuquerque logo foi tirado à força da sala de estar pelos seguranças. Meu irmão sentou no braço da poltrona, acariciando meus cabelos.

— Pluminha, melhor irmos embora. — murmurou. Consegui sentir a tensão que envolvia todos nós. — Não quero que ninguém toque em você novamente. Anabel, melhor levantar, você não tem culpa de ter um pai como aquele, completamente louco!

Meu irmão tinha razão, o melhor eramos sair daquele lugar. Anabel levantou-se após meu irmão dizer que a culpa não era dela. Olhei na direção de Theo que estava apoiando-se na parede. Ele não conseguia me olhar nos olhos depois de tudo que houve.

Eu conseguia entender sua atitude com o pai, não julguei em nenhum momento dele ter feito o que fez. Aquele ambiente familiar não ajudava em nada no tratamento psicológico dele.

Vê-lo tão abalado, apertou meu coração. Saí da poltrona e caminhei até ele.

— Estou bem! — afirmei, atrevendo-me a tocar seu rosto. — Já passou, todos estamos bem!

Me surpreendi quando recebi um abraço repentino seu. Suspirei, inalando seu cheiro.

— Não quero que volte novamente nesta casa. Você não merece passar por coisas assim. Não mereço você! — sussurrou para que somente eu ouvisse. Preferia não ter ouvido a última frase: não mereço você!

Com um beijo na bochecha direita, Theo despediu-se, saindo da sala de estar em seguida. Era um adeus? O nosso adeus? Não sabia! Mas por mais que quisesse ajudá-lo, senti que não conseguiria mais voltar naquela mansão depois de tudo que ocorreu.

— Gabriel, vamos para casa. — falei engolindo o choro. — Tchau, Anabel, cuide do seu irmão.

Abracei forte aquela garota forte, porque com o pai que tinha ainda conseguia sorrir.

— Pode deixar, cuidarei. — respondeu, abrindo um sorriso discreto.

Após nos despedirmos saímos da mansão. O motorista nos levou para meu apartamento. Durante o trajeto meu irmão e eu ficamos calados. Já no meu apartamento ele chorou por tudo que nos aconteceu. Ele tinha aguentado firme até estarmos a sós.

— Agora sei que as drogas destroem não somente famílias pobres como também as mais ricas. — comentou me abraçando forte. — Como eles suportam isso? Como?

— Não sei Gabriel, não sei! — respondi acariciando suas costas.

A tristeza faria parte daquela noite inteira. O primeiro e último beijo entre mim e Theo, ficaria marcado com a despedida e toda aquela confusão. Era melhor ficarmos longe um do outro, de qualquer forma, não seria possível qualquer coisa entre nós. 

Nota da autora: 

Vocês não esperavam por essa não é mesmo? Mas, não há porque ter desespero, com certeza, não é um adeus. 

Narração de Theo no próximo capítulo...

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