Capítulo 10

 𒁂Pamela Campos

Após chegar da mansão Albuquerque, convidei a Dr.ᵃ Bruna para meu apartamento. Não era porque não trabalhávamos mais juntas que tínhamos que cortar laços. Preparei uma refeição simples e aguardei sua chegada. 

O cheiro de Theo ficou impregnado nas minhas roupas, o que me fez ter raiva por saber da sua diversão com a prostituta. Raiva por quê? Porque ele era um fingido a doente, claro! Saí dos meus devaneios quando ouvi a porta anunciando a chegada da minha convidada. Levantei a bunda do sofá e fui atender a porta.

— Bruna, entra. — disse abrindo passagem para ela. — Obrigada por ter aceitado meu convite em cima da hora.

Ela era uma mulher incrível e nunca olhou com asco meu humilde lar. Geralmente nossos encontros eram em sua casa luxuosa, mas sempre havia exceções como aquela.

— Não resolveu ainda o problema com os cupins. — comentou, coçando o nariz. — Como consegue viver assim? Faz mal para sua saúde!

— Vou resolver, não sei ainda quando, todavia, vou...

Bruna saiu me puxando pelo braço até o sofá depois da minha resposta nada convincente.

— Olha, sei que perder o seu trabalho deve ter mexido com sua cabeça, entretanto, seja sensata, Pamela. Não quero que fique doente, viu? Se você não puder pagar alguém pra resolver o problema, posso conseguir isso para você. Não precisa ser orgulhosa em aceitar ajuda.

Segurei suas mãos, abrindo um largo sorriso. Eu não era nenhuma aproveitadora por ter uma amiga tão generosa como ela.

— Estou trabalhando a domicílio. Tenho dinheiro para pagar o serviço de tirarem os cupins. Agradeço sua preocupação de verdade. E eu te chamei não foi somente pra se deliciar do meu jantar nem tão gostoso assim, mas porque precisava desabafar com alguém além do meu irmãozinho. Lembra que te falei da senhora Albuquerque? Bruna, estou trabalhando para ela, cuidando do tratamento do filho dela.

O que esperava após revelar aquela bomba para ela? Bom, que ela me apoia-se, apesar de parecer que eu tinha perdido o juízo de vez, ela sabia bem todas as polêmicas daquela família. Geralmente as polêmicas cercavam o senhor Albuquerque e poucas vezes foram devido aos seus filhos. Não o conhecia pessoalmente, muito menos era citado seu nome quando eu estava presente na mansão.

— Por que não falou comigo antes? Posso te conseguir um trabalho, um que você esteja segura. Como você pode aceitar esse? Você falou tanto que não queria cuidar do filho doente dela! Não te entendo, se estava passando dificuldade financeira, poderia te fazer um empréstimo, Pamela. — falou demonstrando sua indignação.

— Mandei currículos para clínicas e até o momento não obtive resposta alguma. Você sabe que gosto de resolver meus problemas sozinha. Não estou correndo perigo de vida, Theo late mais não morde! Ele precisa muito de ajuda e se eu puder ajudá-lo farei isso até vê-lo recuperado.

Nunca pensei que diria uma coisa como aquelas dele que baleou uma mulher. No entanto, fui verdadeira, realmente queria tratá-lo e vê-lo recuperado, claro que sem abrir mão de um trabalho em alguma clínica. O maior problema de todos na minha opinião era a depressão, embora tivesse colocado em dúvida isso, devido suas atitudes recentes.

— Eu sei que diferente dos outros pacientes que você tratou, o filho dos Albuquerque é um homem bem diferente. Como dizem mesmo? Ah, sim! Um homem interessante... — senti uma certa insinuação em suas palavras.

O que tinha de interessante em um homem depressivo? Revirei os olhos, estalando a língua.

— Por favor, não pense que tenho interesse naquele tarado por prostitutas! Mas cedo ele estava todo cheiroso e arrumadinho para aguardar a tal mulher. Você tinha que ver ele antes, parecia um mendigo, juro! O que uma buceta não faz...

Ok, me lembre de nunca mais falar de tal maneira que pareça que estou enciumada, pois foi isso que Bruna pensou ao me ouvir.

— E que ciúmes é esse? Meu Deus, Pamela! Você está de quatro por ele! Logo você que disse que não sentia mais essas coisas por nenhum homem, hein! — desdenhou, empurrando meu ombro esquerdo de leve. — Se apaixonou muito rápido não acha? Sempre achei que fosse questão de tempo até você ser fisgada novamente pelo amor.

Caí na gargalhada devolvendo o empurrão no ombro. Não tinha interesses amorosos no cachorro louco, não mesmo! De onde ela tinha tirado isso? Ela estava errada ao deduzir tal absurdo!

— Nunca mais vou me envolver com ninguém! Te disse uma vez, e vou repetir agora, nunca mais! Por que eu teria ciúmes dele? Um pobre coitado ruim da cabeça? Beleza não é tudo, minha amiga, não é!

Ali admite sem querer que o achava bonito. Bruna olhou-me maliciosa, como se quisesse dizer: eu te disse, está caidinha por ele! Cruzei as pernas, olhando em direção à televisão desligada. Aquela situação não era pra ser comentada nem de brincadeira, Theo era apenas mais um paciente.

— Você tem mesmo o dedo podre! — disse ela, divertida. — Quero acompanhar de perto esse tratamento especial que você vai dar para curá-lo! Vai dar muito, muito, certinho viu?

Empurrei ela brava por seu comentário malicioso. Claro que ia dar, mas muito trabalho para meu paciente!

— Qual é, posso ser sem vergonha, contudo, tenho princípios! Theo, é uma zona proibida! Vejo ele como uma criança problemática e não querendo subir nele e mandar a brasa!

Ela não acreditou nenhum pouco no que disse! Posso culpá-la? Não! Porque também não acreditaria me conhecendo. Se fosse em outras circunstâncias não pensaria duas vezes em montar em Theo e rebolar gostoso, mas minha situação com ele tinha que ser profissional, até porque não costumava sair com alguém várias vezes. Quem sabe um dia ele e eu pudéssemos ser amigos, não é mesmo? 

Nota da autora:

Alguém concorda comigo que essa amizade de Theo e Pamela não vai sair? kkkkkkkk 

Dr.ᵃ Bruna conhece ela bem viu e_e

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