[29] 좋은 show.

Primeiro, FELIZ NATAL!!! atrasado, mas agora, FELIZ ANO NOVO! KKKKKKKK aproveitem a leitura e até janeirooooo, mês do meu aniversário e provavelmente ultimo cap da fic 😭😭!!! 💚💚💚

Qualquer erro, perdão.

Comentem, por favor, que eu amo ver! :(

AGORA...

No capítulo anterior, Jungkook descobriu que tem uma irmã, devido a uma mensagem de Namjoon para Jimin que sem querer, ele leu. Jimin explicou toda a situação e eles conversaram sobre a irmãzinha e também sobre como ela estava provavelmente vivendo, o que lhe deixou preocupado.

Do outro lado, Namjoon, no dia seguinte, foi visitar a mãe de Jeon juntamente a Jennie, que era advogada, e Seokjin, seu namorado. Hanna também foi, para poder ficar perto da irmãzinha de Jungkook que a reconheceu logo de cara, do dia em que brincaram na sorveteria. A mulher tentou se fazer de sonsa, mas não conseguiu escapar, e todos eles entraram na casa com uma energia bem ruim, prontos para questioná-la. Ela foi reforçada sobre os crimes que seu marido cometeu e também fingiu não conhecer o próprio filho, minutos depois caindo a máscara e dizendo que ele fugiu de casa por conta própria. Aparentemente, infelizmente também foi notado pelos três adultos conscientes que estavam ali, que Jeon Jangmi, irmãzinha de Jungkook, estava vivendo uma vida infeliz para uma criança com tantos sonhos. Assim como o irmão.

Jungkook e Jimin foram para um parque de diversões, fofos, dois namoradinhos felizes, apesar das preocupações. Foram dos brinquedos mais tranquilos aos radicais, e no fim do dia, conversaram sobre a Jangmi. Jungkook não queria deixá-la com a mãe, e se caso fosse comprovado que ela estava vivendo precariamente e a justiça seja feita, o que é um pouco complicado por justamente ser beeeeeem difícil separar a filha de uma mãe, ele gostaria de ficar com ela. Jimin o respondeu que poderiam cuidar dela juntos.

No dia seguinte, Jungkook foi para a empresa e Jimin para uma reunião de trabalhp. Durante a noite, Jimin acompanhou o namorado para as gravações de voz de Seven, entretanto, começou a sentir umas coisas estranhas já que estavam um tempinho sem carícias mais íntimas, pois trabalhavam muito devido a pausa dada por ambos pelo incidente de Jungkook. Obviamente, era tesão acumulado, né? Terminaram a noite daquele jeitinho.

Jimin pediu pra que Jungkook fosse morar com ele, o pedido foi aceito. O que resta é que o Jun conte ao Namjoon, algo que talvez emocione um pouco neste capítulo.

No final do capítulo, temos Jungkook famosinho logo no início da carreira, postando uma foto com uma camiseta "i love my boyfriend", com a cara do Jiminzinho.

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LEMBRANÇAS

[JUNGKOOK]

— Parabéns pra você! Parabéns pra você! — Nam hyung cantava, no meu aniversário de dezenove anos. Completando a maioridade.

Somente eu e ele, com as luzes apagadas e uma velinha acesa no meio de um bolinho branco cheio de figuras que combinavam comigo, como o desenho de um microfone, notas musicais, e um "JK" grande escrito.

Era pequeno, ele havia mandado fazer especialmente pra mim.

— Eu não tenho como te dar muita coisa, mas esse bolo foi feito pra você. — sorriu, mostrando as covinhas aparentes após um abraço, ao me desejar feliz aniversário.

— E ele tá bom, é? — ri, observando bem o bolo e fazendo ele me dar um puta tapa nas costas.

— Mal agradecido. — me fez rir mais. — Vai pra algum lugar? Tá arrumado.

— Acho que vou beber. Quer ir comigo, hyung?

— Essa hora? Tá maluco! — negou com a cabeça e eu revirei os olhos. — Por que não larga essa farra um pouco, garoto?

— Garoto, não. Agora, eu sou maior de idade, posso beber e me acabar como eu quiser. — me convenci, estufando o peito. Namjoon foi quem revirou os olhos desta vez.

— Como se você já não fizesse isso antes.

— Não mesmo, você nunca deixou!

— Fazia escondido. — cruzou os braços.

— E tu é meu pai agora? — brinquei, mas ao mesmo tempo, me veio um sentimento estranho. A minha expressão se fechou.

— Eu vou colocar teu nome no papel pra ser meu filho legítimo e tu vai ver! — ele também brincou, mas reparou que eu abaixei a cabeça durante o assunto que eu mesmo preguei. — Pronto, qual foi da vez?

— Não preciso de um pai. — sorri amarelo, desviando olhares. — Bom, é melhor eu vazar, hyung. Até mais.

Tentei passar por ele, mas Namjoon me pegou pelo braço, me colocando em sua frente de novo e com uma expressão bem séria.

— Já falei pra parar de ficar preso nesse passado.

— E tem como? — soltei o ar, indignado. — Em nenhum momento dele eu fui feliz, hyung. Como quer que eu me lembre do meu passado? Quer que eu finja que ele era feliz?!

— Simplesmente se desprenda dele, Jungkook! Esse passado não pode mais te machucar!

— Claro, ele já me atormenta todos os dias na minha cabeça! — rebati, ficando nervoso.

Namjoon parou de me responder por alguns segundos, mantendo seu olhar em mim.

Consequentemente, isso fez com que eu pudesse me acalmar, devido ao silêncio que me fez pensar melhor.

— Desculpa, hyung. — respirei fundo. Ao menos, foi o que tentei. — Porra, é meu aniversário, não deveria transformar isso num enterro. — tentei também usar o humor.

— Só respira fundo, Jungkook. — disse, no mesmo tom que eu, confortando. — Pode dizer o que sente. Respira e diz o que sente, sem problemas. Só não deixe que isso se espalhe dentro de você, porque você não merece isso. Esse sentimento ruim, principalmente hoje.

Nem sequer consegui respondê-lo.

— Sabe de uma coisa que eu não tenho dúvidas? Mesmo que você pense ao contrário?

Ele se aproximou de mim e eu apenas o ouvi, no meio daquela cozinha aconchegante que frequentemente dividíamos, com o meu coração apertado. Pensando que, talvez, a minha vida só tendesse a piorar com o passar dos anos.

Foi quando o hyung me mostrou um sorriso, colocando as mãos em meus braços e me encarando firmemente, para que eu prestasse total atenção em suas palavras.

— Você vai crescer bem, garoto. — abriu ainda mais a curva em seus lábios. — E eu vou te ajudar com isso. Eu prometo. Estarei do seu lado.

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[JIMIN]

Debut-stage.

Eu nem sabia o que era isso, muito menos estive em um, algo que acontecia tanto neste país.

Mas eu estava lá, e incrivelmente era o namorado da estrela.

O bom mesmo era não precisar de fila nenhuma pra entrar. Assim como também, coloquei uma máscara pretinha e me sentei na arquibancada, pronto para assistir o meu namoradinho lindo na sua primeira apresentação em um programa de televisão e com uma música completamente sua.

O clipe havia sido lançado ontem, e eu assisti com ele e os meninos. Todos os seis no meu apartamento, comemorando e tomando um pouquinho de vinho.

Nós vibramos muito, houveram zoações e baitas reações diante da letra explícita, mas eles nem ficaram tão surpresos assim. Taehyung pegou rápido e cantarolou como se fosse a sua nova música preferida.

Jungkook dormiu em casa, conversando comigo em como ele diria pra Namjoon sobre ir embora.

De manhã bem cedo, ainda de madrugada, na verdade, ele foi direto para a sua passagem de som.

Hoje, no dia de sua apresentação, eu entrei no local não tão extenso, e por incrível que parecesse, já haviam pessoas ali. Rodeando o palco, esperando, algumas sentadas mais abaixo.

Um segurança me levou, provavelmente o qual Jungkook chamava de "staff". Eu fiquei quietinho, observando tudo ao meu redor assim que parei no meu lugarzinho sentado, antes dos portões se abrirem devidamente, olhando o telão e o palco que o meu namoradinho iria se apresentar. Ele tinha tanto pra mostrar.

Isso me deixava imensamente orgulhoso.
Lembro da primeira vez que ouvi a sua voz.
Sem nem saber quem era o cantor.

— Jimin? É você?! — uma voz feminina me abordou em algum canto.

Olhei para o meu lado direito, nada, olhei para o esquerdo e nada também.

— Aqui na frente! — ouvi uma risada fina.

Um pouco abaixo de mim, pude ver quem era.

— Sana?

— Sim. — sorriu largo. Ela decidiu aproveitar-se dos bancos vazios e se aproximar de mim, subindo.

Ela não estava viajando? Digo, morando no Japão? Nem me recordava.

O staff repentinamente colocou o bração que tinha na minha frente e estava prestes a se levantar, a fazendo parar e não chegar perto.

— Oh, pode deixar, eu conheço. — pedi e ele assentiu, endireitando-se como antes.

— Como você tá? — perguntou, sentando ao meu outro lado vazio.

— Tô bem... — encarei qualquer outro lugar. Não era como se fôssemos amigos.

— Ah, eu também. — disse. — Quando soube do show do Jungkook, tive que comprar as passagens e os ingressos, vim correndo!

— Ele sabe disso? — a encarei.

— Não pretendo interagir com ele, Jimin. — com um sorriso curto, pareceu perceber o meu leve incômodo. — Só dar um parabéns no fim do dia, porque sei que ele vai arrasar.

— Entendi. — brinquei com os meus próprios dedinhos. Eu não estava com ciúmes e nem tampouco preocupado, mas...

— Eu não tenho mais interesse no Jungkook. Pode baixar a guarda comigo, não sou a maluca que conheceu. Bom, nem eu reconheço aquela Sana de antes. — continuou, um pouco mais séria. — Sei que estão namorando. Felicidades, inclusive!

— Obrigado, já estamos juntos há bastante tempo. — rebati involuntariamente. Sorri, incerto.

— Sim, sim. — soltou uma leve risada. Ela suspirou, sentada do meu lado. — Por isso, te peço desculpas por certas coisas. Agora, vou voltar pro meu lugar. Foi bom te ver!

Ela sorriu e realmente, voltou. Me parecia agir com sinceridade, por mais que eu tenha passado a confiar menos nas pessoas.

E por que eu deveria ficar inseguro? Sabia que Jungkook me amava muito.

Quando os portões se abriram, acho que nunca vi tanta gente entrando ao mesmo tempo. Que cavalaria!

E incrivelmente, senti um friozinho na barriga.
Nem imaginava como Jungkook, talvez, também estivesse se sentindo antes de aparecer naquele palco.

Algumas garotas começaram a subir na arquibancada, e muitas olhavam pra mim com certa desconfiança.

— Elas provavelmente reconhecem você. — o staff ao meu lado discretamente soltou. Meus olhos se arregalaram e eu desviei os olhares das garotas, olhando pra frente como se apenas estivesse esperando.

— Como?

— Ele literalmente colocou uma camiseta com a sua cara estando viralizado e prestes a lançar um videoclipe. — disse, em um tom engraçado, mas continuando a ser discreto por conta da máscara. — Fora que todo mundo sabe que vocês namoram.

— Mas eles sabem quem eu sou?! — tive que olhar pra ele, e o moço me encarou de imediato também, arregalando os seus próprios olhos e movendo levemente a cabeça pra frente novamente, insinuando que eu deveria voltar para a posição que eu estava. — Meu Deus, eles sabem...

Um pouco assustador, eu acho.
Mas em compensação, ninguém mais prestou atenção em mim, apenas aguardavam enquanto encaravam o palco.

Minutos depois e alguns até antes mesmo de começar, na fileira onde eu estava, uma fila de pessoas se aproximaram. A fila conhecida, todos com uma máscara no rosto.

Taehyung, que vinha animado, dançando minimamente ao som da musiquinha tocando de fundo e logo atrás vinha Yoongi, Hoseok, Namjoon e Seokjin.

— Quem diria, indo no show de um amigo famoso, puta que me paralaia. — Tete se sentou logo ao meu lado, suspirando alto e admirado. Os outros me cumprimentaram, sentando-se também.

Isso explicava o motivo de eu ter me sentado praticamente na ponta, com as cadeiras todas vazias ao meu lado. Fora as que estavam vazias ao redor, por segurança. Eu e os meninos éramos todos VIPs.

— Acho que nunca fiquei tão ansioso na minha vida! — Namjoon quase levantava da cadeira sem nem ter ninguém no palco, apertando seus próprios joelhos e seus olhos quase saltando pra fora.

Eu ri, mas era fofa a sua animação.
Acredito que ele estava esperando por isso há anos.

Faltavam dez minutos pra dar o horário do show.
Taehyung me deu uma leve cotovelada, e tirou a minha atenção do celular.

— O que essa rapariga tá olhando tanto, hein? Esquisitona. — disse, baixinho. Eu tive que olhar pra onde ele estava olhando sério, curioso, vendo somente uma garota de cabelos bem longos e também cobrindo metade do rosto, com um cordão pendurado no pescoço que segurava o que pareceu ser uma câmera fotográfica profissional, entrando em uma fileira bem abaixo de nós, mas olhando fixamente pra todos nós.

Parando o olhar em mim.
E se sentando na cadeira vazia em minha direção, mesmo que distante.

— Ela deve ter me reconhecido. — desviei, voltando a olhar para o palco e falando com ele.

— Sim, mas é esquisitona.

— Não fala assim das fãs do Jun. — defendi.

— Ai, como defende o cantorzinho dele...

— É claro. — dei de ombros.

— Sabe que eu fiquei surpreso ao ver tanta gente por ele aqui? Com cartaz e essas coisas. Até porque tem outro pessoal que vai cantar. — eu o encarei na hora.

— Sério? Tem outras pessoas?

— Uhum. — riu. — Caralho, esse Jun é muito requisitado mesmo.

Meu Deus.
E como.

O horário bateu, e de repente, surgiram vozes ficando cada vez mais altas chamando pelo nome do Jungkook. Aquilo nem era um show, de fato, ele somente cantaria a sua primeira música oficial. O que era impressionante ver tantas pessoas ali por ele logo no começo.

Na verdade, no começo de sua carreira oficial.
Porque o começo de tudo...
Só nós sabíamos.

No momento em que as luzes se apagaram, eu automaticamente levantei, assim como a maioria das pessoas. Estávamos todos de pé, e então, as luzes se acenderam ao que foi revelada a apresentação.

Eu fiquei tão vidrado, gritei e acho que me emocionei antes mesmo do show começar.

Quando Jungkook começou a cantar e dançar, eu não tirei os meus olhinhos dele. Os meninos ao meu lado, gritavam feito malucos.

Era uma pena ser apenas uma música, mas era o seu tão esperado debut. Jungkook estava lindo, de branco e a calça preta, o cabelinho que eu tanto amava.

A única coisa que eu não curti foi que colocaram uma luva nele, justamente na mãozinha tatuada. Eu até imagino o tanto que Jungkook esperneou com uns cinquenta palavrões.

Palmas. Era o que ele realmente mereceu quando terminou a sua música. "Seven".

E ele incrivelmente fez uma versão censurada.

— Ele é impressionante. — Taehyung suspirou, admirado. Meus olhos focavam no meu Jun, lacrimejando.

— Muito...

Observei Jungkook se curvar em agradecimento, antes de passar os olhos por toda a platéia e acenar alegremente. Entretanto, seus olhos pareciam estar em uma procura.

Até chegarem sutilmente em mim.
Jungkook sorriu.
Eu também sorri, só que com os olhinhos espremidos.

Minutos depois, eu e os meninos fomos os primeiros a sair dali rapidamente, seguindo os staffs presentes e indo direto para uma saída diferente, com acesso ao camarim principal. Eles me deixaram ir na frente.

Bati duas vezes na portinha, aparecendo brevemente ao que eu mesmo abri e me deparei com o Jun sem o casaco, tomando uma água.

— Posso pedir um autógrafo? — ri. Jungkook abriu um sorriso em seus lábios quando me viu.

Tirei a máscara e a guardei, logo entrando no seu camarim correndo e lhe dando um abraço como se não o visse há tempos, agarrando-me nele. Mas na verdade, era porque eu estava orgulhoso.

— Você foi incrível, impecável! — eu disse, com as mãos pousadas em seu peito e sentindo seu abraço na minha cintura.

— É mesmo? — ele iria me beijar, mas antes, olhou para o lado.

Haviam dois staffs, que saíram imediatamente quando entenderam que a presença deles no momento não seria muito motivante. Muito menos o que eles iriam assistir, convenhamos.

Eu dei risada, e Jun me deu um beijo nos lábios, nas bochechas, no nariz, no meu rostinho todo.

— Sentiu falta de mim?

— Sempre. — respondeu. — Eu nunca me canso de olhar pra você. — seus dedos colocaram uma mechinha do meu cabelo atrás da orelha. — Me assistiu do início ao fim?

— Lógico, como eu poderia perder? Eu cheguei cedinho, inclusive. — eu o dei mais um beijo. — E eu acho melhor você se arrumar e ir pra casa descansar.

— Ir pra casa? — seu sorriso se abriu novamente, lembrando-se. — Uau, eu moro com o amor da minha vida agora.

— Como é bobinho... — ri.

— E os meninos? Vieram?

— Oh, verdade! — me desgrudei dele, achando engraçado ao recordar. — Eles pediram pra eu avisar quando terminasse de dar uns beijinhos aqui em você. Não queriam atrapalhar.

— Bons amigos, bons amigos... — balançou a cabeça positivamente. Só dei risada, até ver ele tirar o que eu achava que era uma luva antes.

— O que é isso? E por que colocaram? — franzi o cenho e me aproximei. — Fiquei achando estranho.

— Esse país finge que odeia pessoas tatuadas, essa é a verdade. — disse, retirando a faixa também enrolada na mão. — Eles não me deixaram apresentar com elas expostas. Não a empresa, mas o programa.

— Mas todo mundo sabe que você é tatuado, não tá exposto no videoclipe?!

— Sim, mas eles ainda querem passar uma boa impressão. — deu de ombros. — O que é uma puta mentira, a maioria são vidrados por uma tatuagem. Hipocrisia da porra.

— Nossa, mas que-

— Ô casal, será que agora podemos parabenizar o cantor?! — ouvimos dois tapas fortes na porta e a voz impaciente de Taehyung.

Nos encaramos e rimos.
Eu mesmo fui até a porta.

— Puta que me pariu, finalmente! — abriu os braços em glória. — Licença. — passou por mim com tudo, indo em direção ao Jun. Todos eles.

Em meio à tantas parabenizações, um dos seguranças com a camiseta de staff passou pela porta depressa e se aproximou de Jungkook.

Eu não consegui ouvir o que ele disse, devido ao tumulto dos meninos sendo fuxiqueiros no camarim e eu estar um pouco distante dele, também dando uma de curioso na penteadeira magnífica que havia. Mas, vi Jungkook pensar e olhar pra mim.

Não precisei ir até ele, pois ele veio até mim.

— Amor. — apoiou-se com a mão na penteadeira e ficou de frente pra mim, sério. — A Sana veio pra cá, pelo jeito.

Oh, era isso.
Lembrei do que ela havia dito.

— Eu sei. — rebati, rapidamente. Sua feição se tornou de surpresa e a sua postura endireitou-se. — Ela falou comigo antes da apresentação começar.

— Falou? Como assim?

— Sana assistiu também, comprou os ingressos e tudo, pelo que eu entendi. Ela chegou em mim e conversou comigo brevemente.

— E ela disse alguma coisa que você não gostou?

— Não, foi tranquilo. — sorri. — Por quê? Ela quer falar com você?

— Estão me pedindo permissão. Se eu deixo entrar ou se é alguma mentira de que ela me conhece. — respondeu. — Eu só vou permitir se você se sentir bem com isso.

— Pode deixar ela vir, não tem problema. Ela até comentou comigo que iria te parabenizar.

— Mesmo? — seus olhinhos se tornaram desconfiados. Eu o dei um beijinho nos lábios.

— Sim, Limãozinho. — garanti. — Eu posso não confiar muito nela, mas eu confio em você.

— Certo. — me deu mais um beijo e foi. Jungkook era um grude. Confesso que eu também.

O homem seguiu até a porta após a permissão de Jungkook e segundos depois, Sana apareceu e todos os meninos a encararam.

— Nossa, tá todo mundo aqui. — ficou um pouco assustada, sem graça.

— Ih, qual foi, rapariga? De que catacumba tu veio? — Taehyung tomou a frente, mas eu dei um tapa em sua cabeça. Ele me encarou sem entender e eu neguei com a cabeça.

— Sana? — Namjoon imediatamente olhou pra Jungkook, sem entender também.

— Relaxa, eu deixei ela vir aqui. — agora, foi ele quem tomou a frente, indo até ela.

— Ah, bem... — sem graça por todos estarmos olhando pra ela, Sana continuou: — Eu só queria dar os parabéns pela apresentação. — encarou Jun. — E dizer que eu sempre acreditei que você seria um artista reconhecido.

— Obrigado, Sana. Fico feliz que tenha vindo prestigiar. — vi um pequeno sorriso aparecer em seus lábios.

No fundo, eu sabia que Jungkook sempre gostou da amizade que tinha com ela. Era uma pena Sana ter se perdido tanto assim.

— Eu vou voltar pro Japão amanhã cedo, por isso quero um autógrafo seu. Pode ser? — foi ela quem sorriu desta vez.

Taehyung me tirou a atenção ao puxar meu braço, virando-se comigo.

— Ela virou boazinha agora? Que isso? Santinha do pau oco? — cochichou pra mim.

— Acho que Sana nunca foi má, só obcecada pelo meu namorado. — ri.

— Sim, seu namorado. Deixe isso bem claro, porque se fosse eu, teria dado com os dois pés no peito dela agora mesmo! — disse, estufando-se.

Neguei com a cabeça, rindo de sua representação chutando o vento em direção à Sana, que pegava o cartãozinho com a assinatura de Jungkook.

Portanto, senti o meu celular tocar no bolso.

— Alô?

Filho, meu Deus! Assistimos tudo na TV, ele estava lindo! — era a minha mãe. — Ele tá aí?! Parabéns! Eu e a Lee estamos aqui!

Sim, só um segundo! — me apressei quando Sana foi embora, entregando o celular pra ele, que me encarou primeiro. — É a minha mãe e a Srta. Lee.

E o deixei conversando com elas alegremente. Jungkook verdadeiramente pareceu uma criança agradecendo os elogios cheios de orgulhinho por telefone e escutando o que eu sequer saberia, mas que fazia os seus olhinhos brilharem.

Na hora de sairmos do local, estávamos todos prontos pra sair, ainda dentro do camarim. Não demorou pra que o mesmo homem que permitiu Sana vir, aparecesse novamente.

— Licença, tem outra garota lá fora dizendo conhecer o senhor. Não sei nem como ela entrou aqui no corredor. — ouvi claramente, por estar ao lado dele. Jungkook franziu o cenho, confuso.

— Qual o nome dela?

— Mei, é como se chama. Pelo jeito, é um apelido e ela não revelou a identidade de verdade. Devo mandá-la embora? Acredito que seja uma fã querendo burlar.

— Claro, eu não faço ideia de quem seja. — Jun respondeu sem precisar pensar muito. O homem se curvou e saiu.

— Caramba, uma fã veio até aqui? — comentei, e ele assentiu, não parecendo tão surpreso.

— Pelo jeito, sim.

C'mon, meu amigo famoso! — Hoseok simplesmente enlaçou um de seus braços ao redor dos ombros de Jungkook. — Vamos sair pra beber!

— Finalmente! — Yoongi complementou.

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— Um brinde aos amigos do Jungkook que vão ficar ricos às custas dele! — Jin ergueu seu copinho de Soju.

— Mas eu e o Jimin já somos-

— Brindeeeeee! — cortei Taehyung, rindo e erguendo meu copinho também.

Que na verdade, não era sequer um copo, porque eu não estava bebendo álcool com eles.
Era Yakult.

— Mas que porra, ainda não acredito que deixei de bater boca com aquela produção filha da puta que não me deixou mostrar as minhas tattoos. São um bando de filho da-

— Ei, olha a boca. — Namjoon cortou o Jun, sentado em sua frente. — Não é um cantor agora? Tem que preservar a sua boa impressão, engraçadão.

— Que boa impressão? Eu já soltei uns palavrões quando tava no Japão. — admitiu, Namjoon levantou as sobrancelhas. Escutei a gargalhada do Hobi. — Qual é, foi sem querer.

— Eu ainda me lembro de quando convidei o Jungkook e o Jimin pro meu aniversário. — Hoseok resolveu recordar, achando graça.

— Trouxe esse assunto do nada? — Jun perguntou, virando mais um copinho.

— E ainda por cima me cortou do assunto, esqueceu que eu também fui convidado?! Não foi só os dois, não! — Taehyung quase voou em cima dele, do outro lado da mesa. Yoongi riu, ao seu lado.

— Eu lembrei porque não me esqueço da cena que peguei de vocês dois. — apontou pra nós, já um pouco bêbado. Franzi o cenho. — Na chuva.

— Na chuva? — questionei.

— Sim, vocês ficaram lá no meu balanço conversando, por isso nem procurei mais por vocês. — ele riu. — Shippo desde aquele dia.

— Oh. — me lembrei, abrindo um mero sorrisinho.

— Nem vem, eu shippo há mais tempo do que todo mundo. — Taehyung se pronunciou, e eu vi Yoongi estufar o peito logo em seguida pra falar.

— Tu era o que mais julgava! — rebateu o namorado.

— O que é isso, Min Yoongi?! Vai ficar contra mim?! — exaltou-se.

— Ah, não, briga de casal aqui, não! — Namjoon levantou o indicador e o moveu em negativo. Todos começaram a falar alto.

Jungkook virou o rostinho pra mim, em meio aquela bagunça.

— Isso parece que vai demorar. — riu, segurando a minha mãozinha debaixo da mesa. — Tá com sono? Quer ir pra casa mais cedo?

— Não precisa, podemos ficar aqui. — disse. — Só que você sabe...

— É, amanhã é o dia do meu depoimento. — ele balançou a cabeça em concordância. — Tudo bem, amor.

— Eu não quero que se force tanto. — me preocupei, primeiramente. — Precisa só falar tudo que passou, mostrar a sua preocupação com a sua irmã e fim. Vai ser rápido. O caso nem vai vir à publico pra não ter nada na sua carreira logo no início assim, e acho que é até bom já acontecer agora.

— Sim, relaxa. — me deu um beijinho na bochecha. — Eu vou ficar bem. Superei esse medo todo.

— Pronto, enquanto um casal discute, o outro fica de boiolagem. — Seokjin interviu na nossa conversa, tomando a nossa atenção e bebendo mais um pouquinho.

Namjoon negou com a cabeça e fez uma expressão pra que nem ligássemos, afinal, ele também estava ficando bem bebinho como os outros meninos.

— Tem hora pra voltar, Ji? — Nam, o mais sóbrio de todos que consumiram álcool, perguntou pra mim, puxando conversa conosco.

— Não, não. — sorri. — Eu posso ficar aqui o tempo que preferirem desde que não amanheça, claro.

— E você, moleque? — perguntou pra Jun, que o encarou e apontou pra si mesmo. — Faz tempo que não para lá em casa, hein.

— Ah, é mesmo... — coçou a nuca, tornando-se um pouquinho nervoso.

— Nesse rumo, daqui a pouco tá pegando as trouxas e indo morar com o Jimin. — riu do assunto, colocando um tiquinho só de Soju no copo minúsculo.

Jun olhou pra mim, na mesma hora.
Eu também o encarei, como se não soubesse o que fazer por ele. Até porque, a iniciativa tinha que partir de quem precisava contar.

— Hyung, então... — pigarreou, em meio aos outros tagarelando ao nosso redor. Era como se agora estivéssemos apenas nós três.

Jin nitidamente era ou estava bem fraquinho pra bebidas hoje, pois tinha a cabeça abaixada em seus braços na mesa. Dormia.

— Eu tenho que te contar uma coisa.

Senti seu aperto na minha mão.
Ele estava tão nervoso assim?

— Sim? — bebeu, tranquilo. — Não vai me dizer que errou na apresentação de hoje? Cansei de ouvir isso sempre que você desce de um palco, você foi perfeito, tsc.

— Eu decidi...

Naquele momento, vi o meu namorado engolir em seco e Namjoon colocar o copinho lentamente na mesa de novo, encarando Jungkook aos poucos.

— Fui eu que pedi! — cortando todo o clima tenso, Taehyung berrou e levantou as mãos. Era pizza vindo.

Namjoon desviou o olhar, rindo do Tete. Em seguida, voltou pra gente, balançando a cabeça em afirmação para que continuássemos.

— O que dizia?

— Bom, eu... — Jungkook travou, eu vi que naquele momento, ele não conseguiria.

— Acho melhor vocês conversarem depois! — me intrometi, sorrindo sem graça e arrancando a atenção de ambos. — A pizza chegou, oras!

Senti como se o Nam fosse o pai de Jungkook, que ainda precisava da permissão pra sair ou definitivamente ir embora de casa. Era fofo, mas ao mesmo tempo, me intrigava a tamanha conexão de ambos.

Jungkook começou a falar com Namjoon tranquilamente sobre outros assuntos, ouvindo seus sermões e aconselhamentos por conta da fama, e a minha bexiga pediu um socorro repentino.

— Tenho que ir no banheiro, um momentinho. — avisei, interrompendo a conversa brevemente antes de continuarem e eu me levantar.

Saí em passos meio apressados e discretos daquela barraquinha com poucas pessoas, e em sua maioria da terceira idade, sei lá o por quê. Disse Taehyung que foi ele quem escolheu a barraca menos frequentada por jovens pra que ninguém reconhecesse o Jun. Quase morro de tanto rir com a sua imprevisibilidade.

Fui até uma lojinha de conveniência bem na frente, pedindo para ir ao banheiro e conseguindo ir pela sorte de não ter mais ninguém.

Depois de alguns minutinhos, a minha cabeça não parava de pensar na apresentação de hoje e no quanto o meu Limãozinho estava feliz.

Em comparação aos nossos primeiros dias de encontros e desencontros, estávamos finalmente muito mais felizes.

Dois corações partidos que se remendaram.
Nah, são coraçõezinhos novos agora. Novinhos em folha!

— Muito obrigado! — me curvei em um rápido agradecimento para o atendente simpático e saí da loja, trombando sem querer e por pura falta de atenção minha, em alguém. — Oh, me desculpa!

Era uma garota de cabelos longos, que usava uma máscara preta e era mais alta do que eu. Não que fosse muito difícil com a minha mera altura.

Eu tentei ir pra um lado, mas ela também se moveu pro mesmo. Fui para o outro, e ela também se colocou na minha frente coincidentemente.

— Desculpa, pode passar! — sorri gentilmente, abrindo espaço pra ela entrar na loja e ninguém ficar no caminho um do outro.

Ao passar, ela foi me encarando sem parecer esboçar nenhuma expressão no rosto, me dando até arrepios.

E tudo bem que ela estava de máscara, dava pra ver o mínimo de expressão em nossos olhos, mas nos dela não havia nem isso.

Acho que ela não foi com a minha cara.
E de certa forma, parecia que eu já tinha a visto em algum lugar.

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— Temos mesmo que ficar nesse hotel? Que chatinho. — demonstrei desânimo, sentando em uma das camas com tudo.

— Amanhã eu tenho outra apresentação, esqueceu? — riu, subindo a curta escada.

O hotel era chique, apesar dos pesares e de ser pequeno. Era quase tudo em um cômodo, sala e mini cozinha perto da entrada, o quarto era no andar de cima, subindo as escadinhas curtas.

— Aliás, eu não entendi... — encarei as duas camas de solteiro, com uma distância pequena entre elas, normal. — Por que duas camas? Eles não sabem que somos um casal?

— Esqueceu que o pessoal é conservador ao extremo aqui? — riu de novo, se aproximando de mim. Ele levantou o pulso. — Quiseram esconder até as minhas tatuagens nesse caralhinho!

— Espera, eles acham mesmo que não vamos dormir juntinhos? — ri.

— Isso nem tem possibilidade. — Jungkook veio até mim com tudo, me dando um beijo, apoiando suas mãos na cama e quase me fazendo cair pra trás.

— Não consegue dormir na outra cama sem a minha pessoinha? — perguntei baixinho, olhando em seus olhos.

— Não me conhece?

— Conheço, tenho você sempre na palma da minha mão. — provoquei.

— Acha isso engraçado, Coradinho?

— Pra provar isso, que tal... — coloquei as mãozinhas em seu peito e o afastei para que pudesse me movimentar.

Coloquei os meus pezinhos na cama e deitei, sorrindo maliciosamente pra Jungkook que somente me encarava curioso, sem tirar os olhos do que eu iria fazer.

— Qual é a sugestão da vez? — mordeu o lábio, movendo o piercing minimamente, ainda de pé ao lado da cama. Conseguia enxergar o quão doidinho ele estava pra subir aqui comigo.

— Noite da comemoração. Já comemoramos o seu debut com os meninos, agora... — sorri, mordendo o meu lábio inferior também.

Em compensação, tímido, mas nem tanto, é claro. Ficamos muito confortáveis um com o outro, era literalmente uma manhazinha.

Pra dar mais vontade.

— Hora de comemorarmos a sós.

Jungkook não pensou muito e nem respondeu, óbvio que eu já imaginava isso. Ele subiu na cama sem pensar duas vezes e veio pra cima do meu corpo como se ambos fossem finalmente se completar. Sua boca veio em encontro da minha, beijando os meus lábios devagarinho, me deixando aproveitar a textura dos seus.

— Esqueceu que são sete dias? Você andou me enganando... — brincou, e eu acabei gargalhando.

— Mentira, só queria que você ficasse mais tranquilo com a sua apresentação.

— Então, podemos começar hoje. — levantei as sobrancelhas, incrédulo.

— Acha que eu sou uma máquina?

— Você é mais pilantrinha do que eu, lindinho.

— O quê? — soltei o ar em um riso, ainda inacreditado nas suas palavrinhas tão certeiras contra a minha pessoa. Jungkook sempre dedicava-se a ser bem folgadinho.

— Gostoso. — beijou meu pescoço, várias vezes. Eu quase me contorci inteiro, afastando ele de novo pra conseguir falar antes que eu também perdesse a linha.

— Só tem uma condição pra hoje. — levantei o indicador, prendendo o sorrisinho. Ele prestou atenção. — Sua produção todinha e sabe-se lá quem mais do programa provavelmente estão todos nos quartos à nossa volta, portanto devemos ser bem silenciosos...

Você? — abriu um sorriso, mas rapidamente o fechou e colocou uma das mãos em frente à boca, tirando uma com a minha cara. — Desculpa, neném.

— Imprestável. — mostrei a língua.

— Mostra essa linguinha de novo e eu coloco ela pra dentro da minha boca. — disse, o que me surpreendeu na sua rapidez.

— Jungkook, você... — meus lábios tornaram-se entreabertos. Quis rir. — O tanto que você é sem filtro não é brincadeira!

— Hum, e o que pretende? — perguntou, voltando ao assunto anterior. Mordeu o lábio inferior e me deu um beijinho antes de continuar a falar bem pertinho de mim: — Quer que eu cuide disso? Seja carinhoso? Se bem que ouvir você gemer baixinho no meu ouvido é uma delícia.

— Falando desse jeito, você me deixa com muita vergonha... — me contive, estava parecendo uma presa em seus braços, debaixo dele, com ele me dizendo coisas tão explícitas.

— Eu gosto quando você fica vermelho. — deu uma mordidinha na minha bochecha. — É fofo. E irresistível.

— Não resista, então. — olhei em seus olhos e puxei um pouco da sua camisa pra que ele colasse seus lábios aos meus novamente.

Mas apesar da minha atitude e de realmente fazê-lo me beijar por alguns segundos, Jungkook nos descolou e tirou seu corpo de cima do meu, levantando da cama e me deixando com inúmeros pontos de interrogação acima da cabeça.

O que ele iria fazer?

Ele caminhou até perto da escada e apagou a luz, deixando somente o abajurzinho ligado de maneira bem leve, com a luz amarela, apenas porque Jun não era fã do escuro por completo.

Assisti Jeon vindo até mim já retirando a sua vestimenta de cima do corpo, novamente em direção à cama onde eu estava.

Deixei que ele continuasse pra saber o que exatamente ele estava fazendo, foi quando ele se deitou ao meu lado.

— Espera, mas-

— Quietinho, você não queria assim? — falou mais baixinho, segurando a minha cintura e virando o meu corpo de costas, me pegando com tudo contra o seu corpo, deitando-o
completamente como o dele. Escutei sua fala no pé do ouvido: — Temos que ser silenciosos...

— O que pensa em fazer? — fiquei realmente curioso, sem saber.

Senti seu quadril esfregar-se contra o meu, enquanto eu estava de costas, como se apenas fôssemos dormir de conchinha. Mas não, ele estava claramente se esfregando em mim.

Ouvi seu suspiro, quando percebi que também estava gostando da sensação ambígua. Parecia me fazer querer mais. E eu realmente queria mais contato.

Foi o que me deu impulso pra me esfregar nele também, me empinando um pouquinho mais e entendendo o que ele queria aos poucos.

Eu só conseguia escutar, e escutei uma movimentação sua. E pelo que eu sentia, era como se Jungkook estivesse claramente tirando a calça que usava. O restante do que lhe faltava no corpo.

— Jun... — senti seus beijinhos na minha nuca, e eu sequer poderia ver. Entretanto, seus dedos seguraram a barra da minha calça. Agora, era a minha vez.

Com a sua ajuda, eu tirei a roupa todinha. Jungkook, atrás de mim naquela cama não tão grande, desceu os beijos pelas minhas costas, me fazendo soltar alguns suspiros.

Meu corpinho estava um pouco frio, e Jungkook puxou o cobertor em nossos pés para que cobrisse pelo menos metade de ambos, com isso, seu corpo se colou ao meu e nossas peles quase se enroscaram em uma só, esquentando-se.

Eu suspirei, sentindo ele mover seu quadril, beijando meu pescoço.

Até que finalmente, então, Jungkook enfiou dois de seus dedos molhados de saliva sua dentro de mim. Eu quis me abrir mais, só que estávamos em uma posição que não me permitia tanto, mas que foi realmente tornando-se prazerosa.

Momentos depois, Jun apertou forte o meu quadril e eu apenas senti quando ele, protegido, me penetrou devagarinho, diferente de como ele fazia, e um pouquinho mais torturante.

Eu gemi, baixo também, enquanto ele deixava tudo "pior" com a sua mão passeando pelo meu corpo e parando em meu membro.

— Eu vou te fazer uma massagem aqui também, amor... — disse, dando mais um beijo na minha nuca, saindo e entrando devagar mais uma vez em mim, deslizando pra cima e pra baixo os dedos fechados no meu íntimo junto, também devagar.

Fechei os olhos instantaneamente, os revirando.

Rebolei um pouco, apesar do êxtase, tentando me movimentar ao máximo que eu conseguia, e para o meu agradinho, ouvindo Jeon gemer bem no meu ouvido, soltando alguns de seus palavrões.

Contudo, eu fui pego totalmente de surpresa quando Jeon simplesmente saiu e me estocou com tudo, uma vez, sendo única e necessária pra que eu levantasse meu tom na hora de sair um som. Coloquei a mão na boca.

— Não, nada disso... — ele abaixou a minha mão em seguida. — Vai ter que se controlar sem botar a mão na boca e nem nada, Coradinho. Não consegue?

— Uhn... — mordi o lábio, de olhos fechadinhos. — Poxa, você é mau...

— Mau eu seria se fizesse isso de novo. — e me estocou com força mais uma vez, um gemido não tão baixinho saiu inconscientemente. — Ops, foi mal...

— Por que f-faz isso comigo? — perguntei, em uma manha absurda. Eu estava derretido em seus braços naquele momento. Até que segurei em sua mão que me estimulava. — Jun...

— Sim?

— Mais rápido...

— Já, meu bem? — conseguia imaginar o sorrisinho que Jungkook estava dando. Eu assenti, com seu quadril indo e vindo devagar, e eu também. — Não quer que eu continue assim? Devagarinho, debaixo da coberta...

— Quero, mas... — ele acelerou, atendendo ao meu pedido antes que eu terminasse. — Isso... um pouquinho m-mais rápido...

Mesmo deitadinhos de lado, naquela posição, estava tão bom que nos esquecemos até do horário e que tínhamos que acordar cedo no dia seguinte.

Eram duas da madrugada e a nossa energia do dia estava definitivamente esgotada.

— Primeiro dia concluído. — Jungkook citou, enquanto passava o shampoo no meu cabelo. Me virei pra ele e dei um tapa em seu peito. Estávamos nos lavando.

— Só pensa nisso?

— Preciso apanhar assim? — rebateu. Pois inclinei o queixo e afirmei com a cabeça olhando bem em seus olhos.

— Precisa!

— Acho que é você que precisa, viu. — deu de ombros, ia começar com as gracinhas. — Tentei transar de um jeito diferente mas aposto que você gosta é do jeito violento.

— O quê?! — abri a boca, incrédulo. — Eu já te disse isso alguma vez, por acaso? Só pra você saber, ficou um pouco roxo da última vez que você bateu forte daquele jeito! Cadê?! — tentei olhar a minha própria bunda. Ele riu.

— Vem aqui, amor. — me puxou pra debaixo do chuveiro, lavando meu cabelinho sem eu precisar fazer nenhum esforço pra isso.

Tirando todo o ensaboado dos fios, ele apertou as minhas bochechas, me deu um beijinho nos lábios e sorriu.

— Fofo.

— Foi isso que fez você se apaixonar verdadeiramente e loucamente por mim? — perguntei, do nada mesmo.

Era pra ser de brincadeira, mas Jungkook repentinamente tornou-se sério. Ainda com as suas duas mãos segurando o meu rostinho, ele o acariciou com seus dedos longos.

— Não, foi outra coisa, pra ser sincero. — disse com propriedade, seus olhos caminhavam pelo meu rosto. Era um olhar que fazia com que eu me sentisse verdadeiramente apreciado.

— E o que foi? — resolvi levar a sério também, quando ele finalmente me encarou.

— Foi quando você sorriu. — disse. — Na primeira vez que eu te vi, na sorveteria. Quando você sorriu mesmo com seus olhos estando tão tristes. Inchados de tanto chorar.

Um dos piores dias.
Mas definitivamente jamais o pior, porque eu o conheci.

— E no dia em que eu soube quem você era, e que era a pessoa que eu iria machucar, eu me arrependi de tanto, Jimin. — contou, minhas bochechas ainda levemente contra as palmas de suas mãos. — Porque eu era uma pessoa destruída, mas isso não me dava o direito de destruir outra pessoa. É, você sabe.

— Não, para, você nunca foi destruído desse jeito, isso acabou. — me desvencilhei de seu toque e eu mesmo toquei seu rostinho, era a minha vez de segurá-lo. — Nunca mais vamos passar por todas aquelas coisas de novo.

— Eu sei, não tô resgatando o passado. — sorriu, transmitindo confiança. — Só quis ressaltar quando senti o meu coração acelerar pela primeira vez por você. Claro que, poderia dizer também que foi quando éramos pequenos ainda, mas eu nem sabia o que era carinho, paixão ou amor.

— Agora, você sabe. — sorri.

— Sim, eu aprendi com você. — ver seu sorriso de volta pra mim fazia com que nada mais importasse no restante da semana.

Dei um beijinho nele.
Dois. Três. Vários beijinhos até começarmos a rir pra caramba.

— Espera aí, espera aí. — me afastou brevemente. — E você? Quando se apaixonou?

— Ah, eu gostei de você quando a gente era criancinha, você sabe. Tudo bem que quando crescido, quando meu coração já entendia o que era atração e tudo mais, foi quando te vi na sorveteria também pela primeira vez. — disse, relembrando. — Mas gostar mesmo foi na infância, você foi o meu primeiro amor. Fiquei gamado e meu mundo quase acabou quando eu tive que sair da escola.

— Você também foi o meu primeiro amor, sabe bem disso. Mas... — de repente, cruzou os braços na minha frente. — Posso saber se gostou de algum outro cara nesse meio tempo?

— Ah, vai caçar o que fazer! — o empurrei, ele caiu na gargalhada, zoando com a minha cara como gostava.

Ele me pegou por trás, abraçando meu corpo ao que fui com tudo com a cara na água, quase não conseguindo nem respirar, o que foi motivo de riso pra nós dois.

💸

Estive apreensivo.
Pensei que seria uma coisa rápida, mas Jungkook demorava.

Mais cedo, Jun fez mais uma apresentação de puro sucesso. Muita gente, muita gritaria e os vídeos de performance ficaram radiantes.

A parte ruim do dia é que neste instante, já haviam se passado duas horas que ele estava dentro da delegacia.

Depondo, após tanto, tanto tempo e tanta luta.

Será que aquela mulher estava lá? A mãe desnaturada dele? E será que ele ficou bem com isso? Provavelmente não. Mas como ele estava? A única coisa que me faltava era surtar.

— Conseguiu ver se mais alguém entrou depois dele? Uma mulher... — Namjoon me perguntou, também preocupado.

— Nessas duas horas, só um homem e uma mulher loira depois. Alguns outros que tenho certeza que não tem nenhuma relação. — contei. Estávamos eu e Namjoon, somente.

Achamos melhor não ir todo mundo em peso, apesar de termos criado até mesmo um grupo de mensagens pra compartilhar notícias. Fora as brincadeiras e fofocas.

Eu e Namjoon ficamos ao lado de fora, esperando Jungkook sair. Conversávamos um pouco sobre tudo recostados na parede, mas nada muito sério até o momento.

— Fico com medo... — revelei, me encolhendo um pouco tanto de frio, quanto de ansiedade.

— Eu sei. — disse, sincero. — Eu também. Mas vai passar. Na verdade, já passou. Jungkook só precisa fechar essa porta de uma vez por todas.

— Acho que o que ele mais tem se preocupado ultimamente... — comecei a dizer, lembrando de quando eu claramente vi a face dele mudar e ele parecer estar distante várias vezes. — É com a irmã. Depois que descobriu sobre ela, o Jun têm ficado bem preocupadinho...

— Quem não, né? — Nam suspirou. — Mas não temos muito o que fazer, dependemos da justiça e de como as coisas vão se desenrolar.

Eu também suspirei.
Será que elas realmente iriam?

— Você acha que ele vai contar tudo? — resolvi perguntar, afinal, Namjoon conhecia mais da história de Jungkook e de tudo que ele passou do que eu. Ele me encarou, pensativo. Decidi completar: — Sobre a família, sabe, o pai...

— Ah, ele vai. — respondeu, sem pensar tanto após entender. — Acredite, ele é quem mais espera que esse inferno termine.

— Já terminou. — sorri, involuntariamente abaixando a cabeça e pensando nas vezes em que o via sorrir. Olhei pra Namjoon, tendo certeza de uma coisinha suficiente: — Ele tá feliz.

Assisti Namjoon também curvar seus lábios em um pequeno sorriso, pronto para me dizer alguma coisa que seria realmente dita se não fosse interrompida.

A porta se abriu e ouvimos passos, virei para trás na hora e me deparei com Jungkook descendo as escadinhas da delegacia.

Corri até ele imediatamente quando saiu.
Seu rosto parecia um pouco pálido.

— O que aconteceu? Você está bem?! — comecei a perguntar euforicamente, recebendo um sorriso seu.

— Sim, amor.

— Por que você tá pálido assim? Não me parece tão bom. — peguei em sua mão com as minhas duas, quase fazendo beicinho.

— Talvez pela fome ou frio. — riu, me dando um beijo na bochecha. — É só isso, amor. Na verdade, você sabe que é difícil pra mim falar sobre as coisas que eu passei na infância, mas não me sufoca mais. Só incomoda.

Senti os meus olhinhos inevitavelmente lacrimejando.

Rapidamente, após ouvir isso, agarrei-o e abracei meu namoradinho com força.

— Tá finalmente acabando pra sempre... — quis chorar. Eram só mais alguns passos.

Namjoon pigarreou, atrás de nós.

— Será que o casal pode ter o seu momento depois?

— Oh. — me esqueci completamente de que não estava sozinho e me afastei de Jungkook, pegando um Namjoon rindo da situação.

— Vejo que sua preocupação é gigante, pequeno Jimin. — riu. Eu cruzei os braços.

— Pequeno?

— É melhor não chamar meu namorado assim. Ele tem resposta pra tudo. — Jungkook apontou para o amigo, avisando-o seriamente. — Nem preciso defender.

— Você vem pra casa? — a pergunta veio em minha mente e de repente, questionei-o. Entretanto, nem me recordava que ele não havia dito nada ao hyung.

Jungkook somente me olhou arregalado e eu entendi na hora.

— Eu vou com o Nam, a gente te deixa lá e depois converso com você, tá? — ele me deu um selinho, garantindo. E eu entendi o seu recado.

— Você vem pro apartamento? Finalmente? — ele abriu um enorme sorriso, demonstrando, na realidade, uma feição de surpresa. — Por essa, eu não esperava! Seu quarto deve estar um muquifo!

— Hyung! — Jungkook o repreendeu. Eu ri.

— Precisamos mesmo conversar, é bom que você venha, criança. — essa foi a vez de Namjoon apontar pra ele, avisando-o. — Mas primeiro, vem aqui!

Namjoon abriu seus braços e foi em direção ao Limãozinho, abraçando-o como se estivesse realmente orgulhoso dele, sem dizer nada.

💸

[JUNGKOOK]

Deixei o meu Coradinho no apartamento.

Agora, estava somente eu e o Nam hyung.
Era engraçado o fato de que fazia um tempo que não ficávamos só nós. Tinha sempre algum carrapato no meio.

Digo, tirando o meu Jimin.

— No que deu lá? Você a encontrou? — ele foi direto ao ponto enquanto eu dirigia, me conhecia bem.

— Não, ela não tava. — disse, prestando atenção na rua em minha frente. — Eu também pensei que encontraria ela por lá, mas tivemos que ir em dias separados. Ela deu o depoimento dela e hoje, dei o meu.

— Ótimo, fico até aliviado assim. — ouvi a sua respiração se soltar, literalmente soltando o ar preso no peito. Tive que encará-lo brevemente.

— Qual foi, hyung? Precisava de tanta preocupação? Relaxa. — ri um pouco, tirando um sarro. Acontece que Namjoon falava sério comigo.

— Eu sei que você tem coragem e força pra ver a sua mãe de novo, mas e se acontecesse como aconteceu quando reencontrou o marido dela?

Lembrei do dia.
Minha feição animada teve que desaparecer, me dava um frio na barriga nada bom quando me lembrava daquela cena. E do medo que senti.

— Mas eu fiquei bem. — disse, em um tom baixo e sem ânimo. De qualquer forma, foi um susto gigante naquele momento. — Claro que, pô, como eu ia adivinhar? — dei de ombros. — Pensei que nunca mais veria a cara dele.

— Em relação a isso, nunca mais veremos mesmo. Sabe que ele pegou trinta anos, né? Vai praticamente viver o resto da vida na prisão. E ainda vai ser julgado, pode até pegar perpétua.

— Eu deveria ficar triste? — fui direto. Namjoon olhou pra mim, mas continuei focado na minha frente ao dirigir. — O filho da mãe acaba com a melhor fase que eu poderia viver na vida de qualquer ser humano, e eu deveria me lamentar por ele pagar por tudo que ele fez?

— Claro que não, Jeon. — respondeu, sério. — De jeito nenhum. Eu disse isso justamente pra você perceber que de fato, nunca mais deve voltar ao seu passado, e que nem deve temer mais nada que tenha relação com ele.

— Sabe que eu tô seguindo em frente, hyung.

— Tem que estar mesmo! — soltou um breve riso, e ao parar no sinal, encarei ele. Assim, fez graça: — Acho que a pessoa que eu tenho que agradecer pela sua mudança nem é você, mas sim o Jimin.

— Muito comediante. — fiz careta ao dizer.

Em meio aos seus risos, revirei os olhos e esperei pra podermos seguir pro apartamento que eu atualmente morava.

Ao menos por hoje.

— Ah, esqueci de perguntar... — continuou, apenas o olhei, esperando. — Contou tudo? Tudão?

— Sobre o passado? — ele afirmou com a cabeça, parecendo curioso e apreensivo ao mesmo tempo em que aguardava ansiosamente pela minha resposta, mas eu fui rápido: — Sim.

— Sim? — levantou as sobrancelhas. — Mas como assim "sim"? É sério? Não ficou-

— Lembra do que você me disse uma vez, hyung? — abri um sorrisinho sincero. — Respirar fundo e dizer o que sente. Foi exatamente o que eu fiz.

Ele não me disse mais nada.
E eu precisei voltar a dirigir.

No fundo, eu sabia que ele estava se emocionando, mas não queria demonstrar.

— Espero que não fique tão preocupado com tudo, a justiça vai fazer a coisa certa. — mudou de assunto, insinuando sobre a minha irmã e a mãe que vivia como uma adolescente inconsequente e perturbada. — A garotinha tá doida pra te ver de novo.

— Eu também quero ver ela. — meu coração se apertou um pouco, apesar de me sentir mais leve. — Mas quero que ela já esteja comigo.

— Como assim? — recebi uma pergunta que eu deveria saber muito bem que receberia.

Me preparei mentalmente, mas nada realmente saía da minha boca. Namjoon pareceu confuso.

— Ah, eu e o Jimin... — molhei os lábios que secaram em meio a ansiedade. — Estamos pensando em ficar com ela.

— O quê?! — a surpresa fez-se presente em seu tom e em sua expressão que peguei brevemente ao olhar seu rosto por segundos. — Quando tomaram essa decisão? Isso-

— Hyung, podemos conversar quando chegarmos em casa? — lhe cortei antes que precisasse falar mais do que podia e erroneamente o que eu havia ensaiado, encarando a estrada.

— Claro, com certeza. — disse, sem muitas preocupações até o momento.

Em compensação, eu não sabia se Namjoon estava prestando muita atenção em certas coisas que estavam ocorrendo dentro de seu apartamento.

Porque apesar do seu puta foco e dedicação ao trabalho, ficando ligado na tela de seu notebook por horas, ainda mais agora que estava com um namoro aguardado há milênios e uma pivetinha que tratava como se fosse quase a sua filha, até me deixando de lado, Namjoon era, mesmo com tudo isso em sua volta, uma pessoa observadora.

Pra caralho. Ele costumava enxergar tudo nos mínimos detalhes e às vezes, não compartilhava, somente assistia e fingia não ver quando não queria se intrometer em certos assuntos.

Portanto, não tinha certeza se ele havia reparado em como meu quarto estava arrumado. Beleza, eu estava passando mais tempo fora do que dentro de casa, na rotina agitada que eu tanto queria, fora as idas pra onde Jimin estava.

No momento, eu tinha duas malas grandes dentro do meu quarto. Comprei as duas na semana passada, Namjoon não estava em casa.

E elas já estavam arrumadas.

A porta estava sendo fechada atrás de mim, e eu engoli em seco de novo. Receoso.

— Caramba, nem me liguei numa coisa. — Nam começou a falar dentro daquele cômodo, vindo até mim no meio daquela sala pequena e aconchegante o suficiente. Eu me virei. — Faz uns dias que eu não pergunto isso, como está a cicatriz no abdômen? Aliás, o corte está cicatrizando bem?

— Oh, sim, tá tranquilo. — assenti convicto. Estava tudo indo muito bem, e eu estava me cuidando também.

Com a ajuda do meu Coradinho carinhoso e cuidadoso, obviamente.

— Ótimo, você quer café? Eu posso-

— Hyung, podemos... — nem continuei, apenas me mantive no lugar enquanto ele pretendia passar por mim e ir até a cozinha.

Entretanto, voltou ao lugar, estando na minha frente e olhando em meus olhos.

— Conversar? Claro, cara. O que foi? — franziu o cenho, completamente atencioso e todo ouvidos.

— É sobre eu e... — pensei melhor. — Não, sobre mim. É sobre mim que eu gostaria de falar contigo.

— E o que aconteceu?

— Muitas coisas, hyung. — soltei o ar preso, esvaziando o peito daquela coisa apertada. Ele continuou atento em mim, mas eu só sabia desviar o olhar pra falar, continuando a tentar olhá-lo nos olhos. — Você mesmo sabe e viu, eu mudei, as pessoas em nossa volta mudaram, principalmente a nossa relação com elas. Tanto as coisas ruins, como as boas. Tudo aconteceu.

Respirei fundo de novo.

— Eu nunca fui o melhor companheiro pra dividir um apartamento. Era chato pra caralho, vivia reclamando e ingrato pra porra também. Nossa, como você me aguentava?! — ri um pouco, descontraindo. Ele abriu um leve sorriso, e eu depositei mais as minhas palavras: — Se eu nunca te agradeci por tudo que abriu mão e fez por mim, eu tô agradecendo agora. Pode ser um pouco tarde, mas na real, eu sempre fui muito grato por ter me acolhido e... Porra, você praticamente me criou, hyung.

— Jungkook... — abaixou a cabeça brevemente, apenas pra me encarar novamente, com um pequeno sorriso singelo nos lábios. — Não precisa me agradecer por-

— Preciso. — logo o cortei quando notei o que viria. — Obrigado. Eu não tive um pai foda que nem você, porque eu sei que você seria um, mas pelo menos tive você como meu melhor amigo. Ou até mesmo um pai nas horas vagas, quem sabe. Mas eu não sei, de verdade, o que seria do Jungkook de dezessete anos se eu não tivesse te conhecido.

— Eu dei o meu melhor. — disse. — Tentei cuidar de você pelo máximo de tempo que eu deveria, brigando e aconselhando mesmo que não me escutasse. E não me arrependo de nada, Jungkook.

— Por isso só um "obrigado" não é o suficiente, mas... — suspirei. — Bom, preciso te contar uma coisa importante.

— Você vai embora?

— Sim, eu precisava dizer que... — travei. Não havia processado o que ele me rebateu. Levantei a cabeça baixa na mesma hora. — O que disse?

— As malas. — ergueu o queixo para apontar o quarto logo ao lado. — Pensa que não vi? Tsc...

— Eu pensei que... — ia me explicar, mas voltei atrás por provavelmente me embananar caso faça isso. — Porra, você sabia o tempo todo?!

— Sempre sei, meu caro! — riu alto, fiquei sem acreditar, boquiaberto. — O garanhão traz duas malas grandes pra cá e acha mesmo que eu não vou perceber!

— É que tava no meu quarto, você andou fuxicando lá? — levantei as sobrancelhas, exigindo respostas.

— O apartamento é meu, acha que eu não vou dar uma olhadinha em todos os cantos no dia da minha faxina?!

— Oras, mas-

— E pra onde você vai? — voltou ao assunto, cruzando os braços. — Deixa eu adivinhar... Jimin?

— Não preciso nem responder. — revirei os olhos, Namjoon tinha um sorriso nos lábios que eu gostaria de chutá-lo no momento. — Caralho, pensei que ia contar e que ia virar um momento mó emocionante, aí descubro que tu já sabia de todo o meu segredo-

Hyung me abraçou.

Até me perdi no que estava dizendo.
Foi repentino, mas senti um conforto muito diferente nesse abraço.

— Estive me preparando pra isso. — ouvi, dentro daquele abraço. — Como um pai, um melhor amigo ou companheiro de apartamento, seja lá como queira me enxergar, tive que me preparar pra quando criasse suas asas e voasse de verdade pros seus maiores sonhos.

Retiro o que disse sobre não ser um momento emocionante, porque se tornou.

E eu senti vontade de derramar algumas lágrimas.

— Voar de verdade. Porque você cresceu e criou essas asas ao te obrigarem a voar contra a sua vontade, fazendo você cair inúmeras vezes até finalmente entender que só tinha que aprender a fazer isso da maneira correta. — enquanto ele falava, mais eu tentava não chorar. — E você aprendeu. Pelo menos, eu fico feliz de ter feito parte desse seu aprendizado pra chegar onde você queria.

— Você foi quem mais fez... — contei, me sentindo inegável, pois definitivamente não iria conseguir suportar a dorzinha chata na garganta por muito tempo. — Hyung, eu fui muito chato contigo...

— Nada. — riu, dando um tapinha nas minhas costas antes de me afastar, segurando nos meus braços e repentinamente me encarando de cima à baixo, com um sorriso no rosto.

— Eu vou sentir falta de acordar e me assustar com você fazendo café assustadoramente com o seu cabelo todo pra cima. — comentei, e ele riu mais.

— Você realmente cresceu. — escutando as suas palavras, a primeira lágrima desceu. — Tô orgulhoso de você.

— Hyung... — me soltei no choro, tirando toda a água do meu corpo sem vergonha nenhuma e puxando ele pra mais um abraço.

— Meu Deus, é só uma mudança, nem parece que a gente vai continuar se vendo quase sempre! — e falava, brincalhão, me dando vários tapinhas nas costas em consolação. — Também te amo, também te amo!

Em meio aos seus risos, eu também presenciei ele chorar.

Namjoon confiou em mim como um maluco ao aceitar que eu fosse seu colega de apartamento no primeiro dia em que nos conhecemos, embebedados. Logo após, uma série de coisas boas aconteceram, mesmo que eu tenha passado por tempestades durante muitos anos seguintes.

Se eu pudesse ter alguém como exemplo, com certeza seria ele. Aquele que em primeiro lugar, salvou a minha vida sem nem me conhecer.

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[JIMIN]

Mais um dia comum. Ontem à noite, Jungkook veio pra cá, assistimos um filme e fizemos amorzinho.

Hoje, ele faria uma entrevista e mais tarde, viria pra apartamento de novo.

Finalmente moraria juntinho comigo.

Eu aproveitei umas duas horas antes de sair pra comprar algumas besteirinhas, justamente para assisti-lo online. Srta. Lee também havia acabado de sair do meu apartamento e ido pra casa.

— Sim, vê se pega o link que eu te enviei. — estive falando com a minha mãe no celular, enquanto entrava no meu prédio e ia de encontro ao elevador. — Tá bom, beijo, te amo.

Esperei o elevador descer. Haviam mais pessoas no prédio, era época de fim de ano e o inverno vinha com tudo. Parecia que eu estava entrando no polo norte toda vez que botava os meus pézinhos na rua.

O elevador finalmente abriu e eu entrei, me curvando em cumprimento para as duas pessoas que estavam dentro. Inclusive, havia entrado mais uma comigo.

— É morador ou também está a passeio? — ele sorriu, um cara que parecia um tiozão gente boa, apesar das vestes comportadas e a mulher ao seu lado extremamente chique.

— Morador. — ri um pouco.

— Nossa, que legal! Aqui é bom pra morar? Tranquilo?

— Sim, eu particularmente gosto muito de morar aqui. Acho também que peguei um local bem perto de tudo, eu diria.

— Ahh, gostei! — concordava com a cabeça, daqueles que puxavam assunto até com o vento. Achei engraçado. — Você também mora aqui?

Ele perguntou para a moça que passou para atrás de mim. Mas não houve resposta. Fiquei um pouco constrangido, nem sequer olhei para trás. Que falta de educação.

O homem deu de ombros, ainda com um sorriso no rosto, mas ficando sem jeito aos poucos. A esposa negou com a cabeça em silêncio, mas sorriu pra mim.

Não acho a atitude da moça que não respondeu correta. Mas não me envolvo.

Meu andar chegou primeiro, e eu dei um "tchauzinho" pra eles, pois não me fizeram ou dirigiram palavras desrespeitosas pra que eu agisse pela ignorância com o casal.

Entretanto, pelo visto, a moça também era do mesmo andar que eu.

Meu celular vibrou e eu parei no meio do corredor para ver a mensagem, mas percebi que os passos também pararam comigo. Ignorei, pois me animei assim que vi o nome. Era um áudio.

Tudo pronto por aí? Veja bem minhas respostas, vou entrar no ar daqui a pouco e vou tentar ser discreto dessa vez, eu prometo. — Jungkook riu. Sei... — Já tô com saudade. — fez um som de beijinho. Sorri.

— Que bobo... — comecei a digitar.

Oppa? — ouvi a voz feminina atrás de mim. Lentamente, parei tudo que estava fazendo e na mesma posição ainda, fui levantando a cabeça, franzindo o cenho e tentando entender se estava ouvindo direito. — Esse é o oppa?!

Me virei, não entendendo absolutamente nada.
Foi quando vi a garota, de cabelos compridos e usando uma máscara preta, mais alta do que eu e provavelmente mais nova.

— Precisa de ajuda pra alguma coisa? — a princípio, perguntei.

— A voz no seu celular! No áudio! — se aproximou e eu dei dois passos para trás, ainda um tanto confuso. Ela me pareceu meio maluca, eu diria? Incomum.— Era o Jungkook oppa?!

— Jung... — raciocinei na hora e travei.

Dessa vez, levei meu olhar para a garota novamente e era como se tudo viesse na minha mente naquele mesmo instante insano.

Era a mesma que estava no show e que olhou feio pra mim e para os meninos. Além de que...

Coincidentemente também estava na lojinha de conveniência da última vez.

Coincidentemente?

Não, essa era a tal "Mei" que tentou permissão para entrar no camarim do Jungkook.

— Ele te conhece? Eu não sei quem você é-

— Conhece! — seus olhos se arregalaram. — E muito bem! Temos muita coisa a ver e eu tenho certeza que no momento em que ele olhar pra mim, vai saber!

Prendi a risada automática.

— Espera, agora eu tô entendendo... — a encarei com olhos semicerrados. — Você é uma fã do Jun?

— Quem é você, isso sim! — apontou o indicador pra mim e foi como se sua expressão mudasse como mágica. Deu um pouco de medo. Ela se tornou extremamente séria. — Acha mesmo que ele se interessaria por você? Por que não para de espalhar fake news?

— Fake news? — franzi o cenho. — Desculpa, eu não entendi-

— Onde é o seu apartamento? — seus olhos vasculharam aos redores, ainda na minha frente, até voltarem para mim novamente. — Eu preciso estar lá pra quando o oppa vir!

— Olha, eu fico muito grato que esteja sempre torcendo pelo Jun. — sorri, amigável com a fã do meu namorado, apesar de parecer assustadora o suficiente. — Mas ele não iria gostar se-

— É você quem tem que sair da vida dele! — apontou pra mim de novo, se tornando mais agressiva com seu tom. — Ele não é gay!

— Sim, isso mesmo. — neste ponto, eu já estava me irritando. — Ele é bissexual, conhece?

— Não é! — praticamente gritou. — Você tem que sair da vida dele porque ele merece alguém como eu! Sempre estarei do lado dele porque estou aqui no comecinho da carreira e vou continuar até o fim! — bateu no peito, convincente.

Foi aí, que eu percebi.

Sim, fui lerdo o suficiente pra não ter notado antes. Talvez por saber pouco sobre o mundo dos idols na Coréia do Sul.

Porém, fiquei com ainda mais medo agora.

Sasaeng.





[Anotação diária: Jungkook]

Preparados para o último capítulo? 🥹

CALMA! Vai ter bônusssssss!!!! Faltam 2, então!!
BEIJO 💋 ONDE JÁ SE VIU POSTAR 2 DA MADRUGADA?

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