[26] 나쁜 family.
GENTE MEU DEUS!!! UM MILHÃO??? MUITO OBRIGADA!!! 😭😭😭😭🙏🏻💚💚 MUITO MUITO OBRIGADA MESMO!
Eu tô muito feliz, mas sei que depois desse capítulo vocês irão me jogar pedra, então, ME PERDOEM 😭💚💚💚💚
Pra apaziguar a situação antes de tudo, cadê o pessoal comprando uma pulseirinha de BT? Se a fic acabar, vai tudo embora hein!
Vamos lá? Sem delongas e comentem muito!
DESCULPEM ERROSSSS! qualquer coisa me avisem.
💚
💸
[JUNGKOOK]
Essa foi a porra mais louca que aconteceu em toda a minha vida.
E eu estava fervendo de ódio.
— Você?! — franzi o cenho, soltando o ar e dando um belo riso de nervoso.
— O quê? Ficou surpreso? — levantou as sobrancelhas, sentado bem na minha frente.
— Que merda é essa, Kim Woosung? Eu não te dei liberdade nenhuma pra fazer essa porra de brincadeira comigo! — questionei, tentando me mexer, mas resultando somente em falhas.
— Brincadeira? — expressou incredulidade, até rir novamente. Ele estava completamente diferente do que eu conhecia. — Acha mesmo que deixaria alguém te dar uma paulada daquelas se fosse brincadeira? Não doeu, não?
— Mas... — a minha cabeça iria explodir. Não haviam motivos. — Por quê?! Enlouqueceu?!
— Quer saber mesmo? — o baristinha inclinou seu corpo para frente, apoiando os cotovelos em suas pernas enquanto olhava pra mim. — Hein, priminho?
— Como é que é?
— Sabia que eu adoro o tio Jeon? Eu o reecontrei faz um tempo e ele me acolheu melhor do que os meus pais adotivos. — sorriu.
Desta vez, me calei.
Tio?
— Foi interessante saber que tínhamos algum parentesco. Melhor ainda, foi saber que você temia tanto o meu tio. — inclinou um pouco a cabeça para o lado, demonstrando um não entendimento sobre o assunto. — Por quê? Por que tem tanto medo do seu próprio pai?
— É sério que você tá me fazendo a porra dessa pergunta idiota?! — soltei o ar. — Não sabe mesmo quem é aquele filho da puta?!
— Não fale assim das pessoas. — ficou sério rapidamente, apontando seu indicador em minha direção. — Odeio que você xinga qualquer coisa.
— O que? E é por isso que me trouxe aqui? Ah, entendi, foi mandado por aquele monstro, não foi? É a porra de um pau mandado.
Woosung imediatamente levantou, se aproximando de mim e me dando um tapa no rosto. Eu o encarei um tanto surpreso, mas me senti queimando de ódio.
Ele tá me testando pra caralho.
— Me solta. — mandei, entredentes. — Me solta e me mostra se tem coragem mesmo de fazer isso comigo de novo, seu merdinha.
— Eu adoraria... — mal conseguia decifrar os seus olhares. E nunca nem imaginaria algo do tipo sobre ele. Pra mim, era só um baristinha babaca a fim do meu namorado. — Mas não posso.
— Não tem coragem, né? — abri um sorriso momentâneo. — Não tem coragem de virar todo esse machão pra cima de mim sem que eu fique preso e incapaz de dar nessa sua cara fingida.
— Uau, você deve se achar o fodão, né, Jungkook? — negou com a cabeça, afastando-se e indo se sentar novamente. — Mas no final, é um belo de um nada. Só um canalha idiota.
— Cala a boca, caralho, você nem sequer me conhece e muito menos convive comigo! — me exaltei. — E como você pode... — lhe fitei por inteiro, ainda confuso pra caralho. — Como mentiu desse jeito? Isso foi desde o começo? Desde o começo, você se fez de santinho? É isso?!
— Não desde o começo. — corrigiu. — Mas no meio, eu diria. Quando ficou um pouco complicado aturar você querendo controlar o Jimin na maior parte do tempo.
— Controlar?! — arregalei os meus olhos. — E nem tente colocar o Jimin no meio disso.
— Encontrei uma ótima oportunidade quando seu pai me contou sobre você ser um mal agradecido, não aceitando a sua própria família só pra fazer o que quiser. Pior foi ele descobrir que você acabou indo morar com um amiguinho anti-social seu. Contei tudo pra ele, inclusive que tenta controlar o Jimin.
— Ahhhh, então você acreditou nessa mentira do caralho? Saquei, tá explicado. — sorri de canto. Impossível, cara. — Mas eu acharia muito melhor você lavar essa sua boca antes de falar de qualquer pessoa relacionada comigo. Principalmente da minha família. — meus punhos se fecharam, mas eu não podia fazer absolutamente nada.
— Quer que eu seja sincero? — suspirou, repentinamente mudando de assunto e tornando-se sério, além de patético. — Eu realmente faria ele feliz, Jungkook. O Jimin, aquele ser amável e que não deveria nunca se magoar com alguém que nem você.
Tive que rir alto.
Gargalhar, mesmo.
— Não, esse filho da mãe tá me testando, não é possível.
— Ele não merece sofrer por sua causa, sendo o canalha que sempre foi. — dizia, e eu tentava me controlar com a risada mascarada. — O Jimin não é um masoquista.
— Uaaaaau... — o encarei, sorrindo. — Tem certeza de que conhece o meu namorado?
— Namorado? Não acho que ele mereça alguém como você! — apontou seu dedo pra mim. Parece que eu o deixei irritado.
— Então, seria você a pessoa ideal? — o fitei bem, de baixo pra cima. — Ou não acha que tá ficando bravinho demais porque não consegue aceitar que você simplesmente não o conquistou?
— Fica quieto e me escuta, Jungkook.
— Não, você vai me escutar. — lhe impedi, aumentando o meu tom. — Sabe por que ele nunca te viu de outra forma? E nunca nem veria em hipótese alguma? — seu maxilar travou, e eu só liberava o que estava na ponta da língua, mesmo sabendo da situação em que me encontrava. — Porque você nunca mereceu.
— E você acha que mereceu?! — se levantou, puto e sem paciência.
Espero que ele me desamarre.
Tô torcendo pra isso.
— Acha que mereceu mentindo pra ele do jeito que mentiu?! Falando asneiras?! Acha que eu não sei do seu planinho idiota?! — Woosung estava ficando bem exaltado. — Eu investiguei sobre você, seu lixo! Peça por peça!
— Isso é inveja? — perguntei, calmo. Levantei as sobrancelhas. — Querendo saber tanto sobre mim assim? Que esforço...
— Eu passei a não gostar de você. Tudo que você fazia era falar merda pra mim! Eu realmente até me esforcei pra ser teu amigo! — apontou pra si mesmo.
— Ah, é? E o que é isso no seu braço? — reparei curiosamente em seu antebraço. — Uma tatuagem? Nunca a vi antes. Tudo isso é pra tentar ser eu?
Woosung soltou o ar, rindo forçadamente e desacreditado nas minhas palavras. Eu jamais ficaria intimidado por ele, e irritá-lo à qualquer custo para me desamarrar era o meu propósito no momento.
O foda era que provavelmente ele não tinha coragem nenhuma e esse meu plano prudente tinha milhares de chances de dar muito errado.
— Eu não tenho medo de você, baristinha. — não disse nada além de um fato. — Ainda mais agora que me mostrou quem você realmente é. Eu não poderia me importar menos ao quebrar a sua cara com vontade quando me soltar e parar de ser um covarde.
— Covarde? — decidiu aproximar-se. — E você não tem medo de mim só porque eu não sou importante pra você? Se fosse o seu pai, você ficaria um pouco mais alerta?
— Cala a porra da boca, você não vale nada e não deveria valer pra absolutamente ninguém. Eu tava certo mesmo, a minha intuição não ia falhar com você.
— É? — abriu um sorriso, o qual me deixou com mais raiva. Não sabia o que ele estava tramando, só queria que perdesse a paciência e me soltasse, porra! — Então, acho bom você calar a boca agora.
Fez um sinal para o homem que eu havia esquecido completamente que estava ali. Observei tudo acontecer na minha frente, incluindo o cara vindo até mim.
Sequer consegui olhar para trás, senti um pano em minha boca, e sendo amarrado atrás da minha cabeça. No fim de tudo, o filho da puta também me deixou sem poder falar.
— Ah, que sensação livre... — suspirou alto, sorridente. — Ficar sem ouvir a voz irritante de uma certa pessoa irritante.
Olhou para mim, e enquanto os meus olhos jamais desviavam dos seus, tudo que eu pensava era em deixá-lo inconsciente de tanto socar a cara dele.
— Pessoas importantes, né? — Woosung pegou seu celular no bolso rapidamente, começando a mexer. Eu queria avançar, mas sequer podia me mover daqui. — Acho que eu entendi.
O Kim se aproximou, agachando-se um pouco e colocando seu celular entre nós, querendo que eu provavelmente escutasse algo. Foi quando percebi o que havia em sua tela, lendo:
"Jiminzinho".
— Alô? Woo? — era a voz do Jimin, aparentemente preocupado. — Tá tudo bem?
— Claro, eu só queria ligar pra saber como você tá. Desculpa o horário... — dizia, na minha frente, mudando para uma voz amigável. Ele literalmente ligou pro Jimin.
— Assim, do nada? — riu de maneira adorável, sem saber. Eu só queria poder avisá-lo. — Eu estou bem, e tô com a minha mãe. Acho que você se lembra quando viu ela aqui no prédio. Fiz as pazes com ela. Aliás, você tá em casa?
— Fico feliz pela sua mãe, mas, eu diria que tô um pouco longe... — me encarou, piscando um olho pra mim. — Jimin, o que acha de sairmos juntos amanhã?
Como os meus pés estavam soltos da cadeira e somente presos um no outro, mal pensei e o chutei, atingindo suas pernas e o fazendo se desequilibrar, quase caindo.
Seu semblante mudou.
Ficou sério novamente.
— Woo? Tudo bem?
— Sim, pode continuar, é que eu não consegui ouvir. — continuou conversando com o Jimin, e eu não fazia ideia na onde ele queria chegar.
— Eu perguntei se você quis dizer que seria só eu e você. Aí, eu não entendi muito bem, você sabe que eu amo o Jungkook e não gostaria de sair com você se a sua intenção-
— Não, não, calma, relaxa. — revirou os olhos, irritando-se. — Eu, você e o Jungkook. Quero tentar fazer amizade com ele, você sabe...
— Oh, sério? — pareceu animar-se. Não, amor, por favor... — Mas eu tenho que ir junto?
— Claro, eu vou te passar o local e você vem aqui amanhã, certo? Eu tô agorinha checando pra ver se seria um lugar maneiro, vê se pode...
Nem fodendo que ele iria trazer o Jimin aqui.
— Meu Deus, você está até escolhendo um lugar? — achou engraçado. Eu queria gritar que era tudo uma grande mentira, bater nesse idiota e ir atrás do meu Jimin.
Mas tudo que eu poderia fazer era assistir.
E reprimir toda a minha ira.
— Mas o Jungkook não vai te morder, fica tranquilinho.
— Eu sei que não. — olhou pra mim novamente. Falta apenas o covarde realmente enfrentar essa merda toda. — Tô confiante.
Confiante com o adversário preso.
Certo, muito confiante.
Seus olhos pareciam cobertos de ganância. Seus lábios abriram-se em um sorriso totalmente diferente daqueles que demonstrava para literalmente todo mundo. Com um ar tímido, meio divertido e ingênuo. Agora, longe disso.
Impressionante como alguém consegue sustentar um personagem bonzinho tão bem.
Não que eu não o conhecesse antes do Jimin e até mesmo antes de ele conhecer o Woosung. Esse babaca trabalhava na boate e eu o via toda semana, quase todos os dias quando eu precisava cantar e ganhar o meu pão de cada dia.
Ele sempre foi um mistério pra mim.
Até quando eu passei a ter ciúmes da sua queda inicial pelo Jimin. Desde que me pediu para que eu tentasse juntá-los.
Olhando por esse lado, foi realmente estranho ele ter me pedido ajuda. Eu mal conhecia o meu Coradinho na época.
— Bom, foi isso, Ji. Te vejo amanhã! Eu mando mensagem, hein? — se despediu. E após ouvir a voz suave do meu namorado, infelizmente Woosung desligou e o meu pesadelo apenas começou.
Guardando o celular, simplesmente chegou perto de mim e tirou o pano da minha boca, jogando longe, sem pensar muito.
— Ouviu bem? Seu ex namorado vem pra cá.
— Ex? — franzi o cenho, a princípio.
— Isso mesmo, acha que eu vou deixar vocês dois viverem felizes pra sempre assim?
— Ah, porra, mais essa agora. — neguei com a cabeça, me forçando a rir desse lixo. — Tu é louco, seu merdinha? Acha mesmo que vai acontecer o que você quer?!
— Eu estive de olho nele primeiro do que você. Sem contar que estive atrás dele por um bom tempo...
— E que caralho isso importa?! Sou eu quem ele ama! Talvez não tenha ficado tão claro, né?
— Eu me interessei pelo Jimin desde o primeiro momento em que eu o vi! — tentou falar mais alto do que eu, percebendo a minha relutância que definitivamente não iria mudar. — Decorei o que ele gostava, fui gentil ao máximo com ele, fiz ele rir e o ajudei no seu pior momento! Então, por que ele decidiu estar com um cara que não valoriza nem a si mesmo?!
— Chapou pra caralho, né? — era a vez dele me ouvir. — Não adianta tentar ser a melhor pessoa do mundo se é podre por dentro. Quem não se valoriza é você, olha pra isso! — encarei o meu próprio corpo preso na cadeira, meus braços para trás. — Me prendeu e me trouxe aqui pra quê? Pra achar que venceu? Acha que o Jimin simplesmente vai mudar de ideia ao me ver aqui por culpa sua? Que ele vai te achar um puta herói?!
Ele continuou sério, ouvindo atentamente de pé, e eu sabia que estava o deixando no puro ódio também. Finalizei:
— Você vai continuar sendo um baristinha de merda.
— E você vai morrer. — rebateu, tornando-se um pouco mais perturbado.
— O quê? — soltei o ar, teimando a rir. — Ah, agora você quer me matar, é isso? Só porque eu falei toda a verdade? Ou você não tem mesmo vergonha de se fingir de bom moço pro cara que tu gosta e depois se revelar um filho da puta?
— Não é somente por minha causa que você tá aqui, Jeon. — veio em seus passos até mim, devagar. — Lembra que eu citei o seu pai?
— Eu espero que vocês dois se divirtam no inferno. — soltei, na hora, impulsivo. Meu coração começou a bater mais rápido, sempre odiei falar sobre esse assunto. Sempre.
— Ele deve chegar em breve. Talvez amanhã, quando o Jimin também estiver aqui. — sua expressão suavizou, e ele me deu um de seus sorrisos doentios. — Sabia que seu pai adorou o Jimin?
— Do que você tá falando?
— Ele disse que já o conheceu. Aprovou, sabia? Comentou que você e eu temos bom gosto. Sobrinho e filho.
— Do que você tá falando, porra?! Você tá ficando doente, Woosung. Totalmente doente! — tentei me conter, o que era impossível.
— Eu não tenho nada a perder, Jungkook. Nada.
— E a sua irmã?! — lembrei na hora. — Você disse que é o único em quem ela confia! Ela sabe que o irmão é um psicopata?
— Chaeyoung não mora mais comigo. Mandei ela pra casa da namorada, vai ficar melhor lá e já estávamos brigando demais. — contou, frio e direto. — Ela tem um gênio forte, sabe sobreviver sozinha.
— Realmente, você é um lixo. — concluí.
— E você não era nem pra passar de hoje, mas eu vou te dar uma chance de pelo menos ver o Jimin pela última vez amanhã... — cruzou os braços, sorrindo cinicamente pra mim. — Quer dizer, ou não, porque depende do tio Jeon.
Não dá mais.
— Se você ou aquele monstro do caralho encostar um dedo no Jimin, eu juro que mando vocês dois direto pra porra do inferno!
— Nossa, acho que falar do namoradinho te deixa mais exaltado. — observava, com deboche. — E caramba, que mal agradecido, seu pai é muito legal, sabia?
Fechei os olhos, já estava ficando com dor de cabeça.
— Ele não é o meu pai.
— Por que? — aproximou seu rosto. — Por acaso... Ele não foi tão bom assim com você?
Abri os meus olhos, encarando Woosung claramente zombando de mim e esperando a minha reação. E eu mal poderia me mover, somente parecia que tudo havia ficado mudo de repente.
Ele não tinha o direito de mexer nisso.
Já não bastasse falar do Jimin como se ele fosse um troféu.
Agora, começou a mexer no meu trauma.
— Ai, ai. Vai ver, você realmente tem esse seu charme desde muito cedo.
Uma chave virou na minha mente.
Tive que me recompor.
— Na real, acredito que não seja pelo Jimin que você sinta alguma coisa. — comecei, exalando confiança. — E se isso só foi uma desculpa pra tentar chegar mais perto de mim? Talvez não fosse coincidência o fato de você nos atrapalhar sempre e parecer estar em todo lugar.
Lentamente, Woosung me encarou, escutando.
Eu iria além do limite. Acabaria com toda e qualquer dignidade de merda que ele tinha.
— Admite que desde o começo, você queria era dar pra mim, seu nojento.
Não pensei em mais nada depois, e talvez fosse ironicamente verdade. Além de que acima de tudo, devo ter ferido pra caralho o seu ego.
Porque após ver a sua expressão mudar por completo de novo, Woosung veio com tudo e me deu um soco.
Só que depois, me deu outro.
E mais um.
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[TAEHYUNG]
Estive animado o dia todo!
Magicamente, Yoongi me fez parar com o carro na frente de onde ele estava morando de aluguel, como ele havia dito. Eu propus que o levasse em casa devidamente.
No início, pensei que era aquela confusão no apartamento do Namjoon. Que ele, Yoongi e Jungkook moravam juntos que nem uma lata de sardinha espremidos naquele mesmo quadrado.
Mas pelo visto, o Yoon tinha seu lugarzinho, é que sempre visitava seus melhores amigos.
— É aqui? — olhei bem pela janela ao seu lado, vendo um prédio de no máximo cinco andares, se eu for bom em matemática básica. Contagem, na verdade.
— Sim. — disse, enfim. — Taehyung.
— Eu! — dei atenção pra ele, parando na hora de analisar onde o meu gatinho mora.
— Foi muito bom hoje, me diverti bastante com você. Na próxima, quem sabe fazemos um jantar romântico como você queria. — sorriu, adorável. Homem bonito, fofo e gostoso, adoro.
— Ah, mas você falou, eu queria que fosse surpresa! — fiz bico. Ele revirou os olhos.
— Eu não disse quando, dã.
— Agora, na real, só falta me convidar pra ir conhecer seu cafofo, né? — sorri amarelo, e ele travou.
— Como assim, eu... — parou, raciocinando e sem graça. Acabou rindo, e eu continuei de sorriso aberto, piscando diversas vezes enquanto o encarava pra lhe convencer. — Taehyung, você tá se convidando pra minha casa, é isso?
— Meu namorado entende rapidinho, hein! — e como num passe de mágica, abri a porta do meu carro e saí. Em seguida, ele saiu também.
— Espera, espera, espera! — veio em passos bem rápidos até mim, parando na minha frente. — Eu nem disse que podia, por que saiu do carro assim?
— Sou seu namorado agora, não posso entrar na casa do meu namorado? — pisquei algumas vezes de novo, pidão. Ele abriu um sorriso como se achasse engraçado.
— Taehyung, pelo amor de Deus, você já namorou sério alguma vez na sua vida?
Parei por um momento. Eu não entendi a pergunta, mas realmente parei pra pensar.
— Bom...
— Com certeza, não. — Yoongi riu um pouco, confirmando ele mesmo. Franzi o cenho, um tanto desconfortável. — Não é bem assim que funciona, tá sendo muito precipitado.
— Mas a gente já não se pegou demais pra um ir na casa do outro sem se importar?
— Se pegou? — levantou as sobrancelhas. — Eu acho que o romântico aqui não é você, hein.
— Ai, Yoon, vai me deixar entrar ou não nesse caramba? — cruzei os braços, impaciente.
— Tá, beleza, eu deixo você entrar. — revirou os olhos, e eu abri um sorriso de orelha a orelha na hora. — Só se me prometer não reparar na bagunça que deve tá.
— Prometo, quem liga pra bagunça?! — bati palminhas. Lembrei de uma curiosidade: — Eu sou super bagunceiro também, já deixei meus ternos todos jogados no chão e na cama quando eu tinha que escolher o melhor pra ir numa festa. Foi um saco pra arrumar, mas tive ajuda!
— Coisas de gente rica, né? — perguntou, brincando. Neguei.
— Errado, de gente normal! — levantei meu indicador, ele abriu um sorrisinho que eu amava. Passei na sua frente, ansioso. — Vamos!
Na verdade, o Yoon era quem me guiava, afinal, era ele quem morava ali. Fui apenas o seguindo, observando tudo que ele fazia como um belo curioso.
— Prontinho. — na entrada do prédio, do nada estávamos parando em uma salinha nada a ver.
— Que isso aqui? — olhei ao redor.
— É o hallzinho, sabe? Do prédio.
— Não entendi.
— Esquece, rico não deve saber, melhor a gente subir! — seguiu pra um elevador, chamando-o. Havia um sofá no canto do local desse estranho "hallzinho" que eu jamais me atreveria a sentar.
Nem esperei tanto dentro daquele elevador apertado, pois seu andar era o segundo. Na realidade, não que eu me importasse, só estava bem ansioso.
Mas aquele elevador me deu arrepios de tão pequeno.
Continuei seguindo o meu namorado lindo, tatuado e cheiroso sem dizer nada, até Yoongi parar no meio do corredor em frente à uma portinha cinza. Era aí?
— Chegamos?
— Sim, esse é o meu apartamento, um minutinho. — pegou a chave do bolso e abriu.
— Oh. — me impressionei quando entrei, porque a sala era definitivamente quase do tamanho do elevador em que entrei.
Brincadeira, agora foi um exagero da minha parte.
— É aqui onde eu fico certas vezes.
— Certas vezes? — fui entrando atrás dele, enquanto Yoongi se acomodava normalmente, jogando a chave no móvel onde havia a televisão. Eu só olhava ao meu redor.
— E sim, fico mais tempo no Nam. — riu, descontraído. — Parece maluquice, né? Que ele deve odiar. Mas ele ama a gente lá, só não admite.
— Ah, sim... — reparei na cozinha acoplada com a sala, assim como no apartamento novo do Jimin.
Só que diferente, claro.
De repente, reparei em um quadro na parede.
Sorri, era ele pequenininho e a família. Acho que fiquei olhando aquela foto fofa por tempo demais.
— Taehyung, tá me ouvindo? — se aproximou de mim, do nada com uma latinha de cerveja na mão que simplesmente abriu. — Quer uma? Sei que não é das grandes marcas que você deve beber, mas...
— Não, obrigado. — sorri, voltando a prestar atenção nele. O dei um selinho. — Lembrei de uma pergunta que eu queria te fazer.
— Diga. — tomou um gole. Gostosão o meu namorado. Mas, vamos lá!
— Você não consegue um apartamento bem melhor com o que ganha no estúdio? — foi sinceramente uma pergunta genuína. E fiquei mais tranquilo ainda quando vi que ele recebeu de forma indiferente.
Pelo menos, foi o que eu pensei.
— Ganho, mas eu gosto de lugares menores e aconchegantes. Limpinhos, bons. — respondeu, correto. — Eu sou um cara mais humilde com essas coisas, Tae. Não sou muito fã de ostentação.
— Não, mas não seria pelo fato de ostentar, e sim de ter um lugar espaçoso e confortável, isso que eu quis dizer. — expliquei melhor.
— Eu não concordo. Não sou muito fã de lugares espaçosos. — deu de ombros, tomando mais um gole da sua cerveja e indo se sentar. — Sabe a sua casa? Então.
Minha expressão tornou-se confusa.
— Calma lá, do nada começou a falar da minha casa? Ela é ótima e beeeem espaçosa, tá legal? Não tenho nada a reclamar. — apesar de me sentir ofendido na "brincadeira", não entendi, forçando um riso pra não acabar pegando mal. Yoongi também riu, ainda de pé.
— Foi mal, você que deu início!
— Engraçadinho... — cruzei os braços. — Mas se precisar de ajuda pra alguma coisa, eu posso-
— Não, eu não quero o seu dinheiro, Taehyung. — falou, sério. Levantei as mãos em redenção.
— Calma, tudo bem, tudo bem! — dei as costas e revirei os olhos, resmungando: — Não sei porque vocês se ofendem tanto, ai, ai.
Esses pobres...
Brincadeira.
Contudo, fiquei observando mais.
Como uma pessoa particularmente hiperativa, meu corpo jamais parava quieto.
Do nada, como uma luzinha na mente depois de ver aquela foto fofa dele e da família, pensei no quanto queria ver mais de suas lembranças felizes e me virei rapidão pra ele:
— Onde tá o seu quarto?
— Eu não vou mostrar o meu quarto assim.
— Como assim? — me aproximei após a sua resposta meio que na lata, ele já estava sentado no sofá branco da sala. — Por que?
— Acha que eu não te conheço? — achou graça.
— Yoongi, nós somos namorados e eu também não faria nada que você não quisesse, seu cara de bunda.
— Ou talvez também iria falar mal do meu quarto. Que é pequeno ou que tem muitas coisas na parede. — continuou, atropelando as minhas palavras. Dessa vez, me senti desconfortável. — Além de estar um pouco bagunçado, confesso.
— Eu nunca disse nada disso.
— Tava falando agora há pouco do meu apartamento.
— Não falei mal dele, só fiz perguntas.
— Ah, sei. Já começou com o incômodo no elevador só porque era bem pequeno. Ficou fazendo várias caras feias, acha que eu não vi, espertinho? — comprimiu os olhos pra cima de mim. Eu me aproximei enquanto ele somente fazia graça: — Por que foi logo se envolver com um cara como eu, hein? Eu me sinto meio mal por não ter muito o que oferecer.
— Yoon, espera, eu não tô entendendo essas suas brincadeiras. Primeiro, você diz que eu fiz cara feia, é isso?
— Minha nossa, Taehyung, é só isso que você ouviu?
— E depois vem com essa de... Não, meu, como assim? Que tipo de cara? Eu me envolvi com você porque eu gosto de você, não é o óbvio?
Ele se levantou novamente, ficando na minha frente e olhando pra mim.
— Fala a real, você achou que eu pensaria grande também? — suspirou. — Eu sou um cara muito sossegado e reservado, Tae. E olha só pra você.
— Pera aí, mas que porra você tá tentando me explicar? — ri de nervoso.
— Hoje quando saímos, você comprou diversas coisas pra mim e eu só consegui comprar umas... Duas pra você.
— Nossa, real! Os presentes estão no carro, eu vou lá pegar! — me lembrei do que pegamos no parque, mas Yoongi me pegou pelo braço, impedindo a minha ida.
— Taehyung, me escuta. — soltou o ar. — Até lanche você decidiu pagar sem nem me perguntar. Entende que nem percebe algumas coisas que faz?
— Mas pra mim não faz diferença, eu pago, eu gosto de mimar. — dei de ombros.
— Não faz diferença porque você e a sua família é podre de rica, sendo bem sincero. — fiz uma careta.
— Tá me chamando de quê?
Revirou os olhos, negando com a cabeça.
— Olha, você só não ganha do Jungkook nos palavrões, mas vive soltando vários também, sabia? Eu também falo, mas sei lá... É tudo com muito duplo sentido. — de certa forma, parecia que ele não estava discutindo comigo, apenas comentando o que sentia. — Suas roupas extravagantes, o fato de você ser um modelo bem sucedido e cobiçado na sua agência, ter uma casona gigantesca com andares, ou sei lá, você ser escandaloso.
— Ah, me acha escandaloso? — levantei as sobrancelhas, surpreso.
— Calma, você só tá ouvindo o que quer. Eu só quero dizer que você é muito transparente. Fala tudo na hora, como você quer e o que tá pensando. — contou. — Muito direto também.
— E isso é um defeito, por acaso? — estava me ofendendo, sinceramente. — Não é muito melhor uma pessoa ser dessa forma?
— Eu não diria um defeito, Tae. — respondeu, sério, finalmente olhando firme pra mim. — É que eu sou reservado demais, e muitas das vezes quando estamos em público, você acaba falando muito e acaba falando até além do limite sobre nós dois ou sobre mim com as outras pessoas, ou quando se torna bem grudento. E eu fico tímido, normal, não acho que seja algo ruim, mas tem vezes que eu preciso da minha privacidade também.
— Mas eu sou assim! — acabei me exaltando um pouco. — E se você me falasse antes, eu-
— Eu me incomodo um pouco, pronto, melhor dizer assim. — revelou, parecendo sincero demais pro meu gosto. — Acho que pro relacionamento dar certo, precisamos conversar sobre essas coisas. Já disse que gosto de ir devagar, só que você é muito acelerado, entende?
— É sério isso? — soltei o ar pela boca, incrédulo. Não sou o tipo de pessoa que guarda as coisas pra mim. Eu decido soltar de uma vez e me livrar de qualquer bola de neve que venha a se embolar dentro de mim. — Primeiro, você me julga por eu não ter tido nenhum namoro realmente sério antes, e agora me vem com essa? Me apontando milhões de defeitos?
— Aquilo foi uma brincadeira, por que tá falando disso agora? — passou a mão no cabelo, soltando um suspiro. — Olha, vamos evitar discutir. Eu só disse o que acabou me incomodando, e você pode se sentir livre pra falar também. Isso é um relacionamento, é o que eu quero te dizer.
— Mas eu não vou parar de ser eu mesmo só porque você se sente incomodado, Yoongi. E eu não preciso que me ensine nada!
— Eu não quero te ensinar nada, Taehyung. — chegou mais perto de mim. — Também não disse pra parar de ser você.
— Brincou com fogo porque você quis. — concluí, dando de ombros e vendo ele franzir o cenho em confusão por um momento. — Eu faço muito, eu falo muito, eu sou muito, Yoongi. Eu sou intenso, e você estava bem ciente de que a minha intensidade poderia queimar você.
— E quando eu disse que não aceitei isso?
— Agora mesmo. — rebati. — Suas palavras deixaram tudo claro pra mim, você quer que eu fique na mesma linha que você, mas eu não sou desse jeito.
— Não posso dizer aquilo que me incomoda? Significa que eu tenho que simplesmente abaixar a cabeça e aceitar? — seu tom de voz se mantinha calmo, evitando uma briga. Enquanto o meu...
Essa era a nossa diferença.
Uma turbulência em um mar calmo.
— Eu posso me adaptar, e é o que eu tô tentando fazer. Mas não posso mudar quem eu sou. — e foi o que eu disse. — E não, eu nunca tive um relacionamento sério porque sim, eu sou um exagero, gosto de exageros.
— Já parou pra pensar se eu gosto?
No fim, acabamos deixando o silêncio tomar conta do ambiente enquanto nos olhávamos nos olhos como se estivéssemos nos conhecendo agora. Só que pra valer.
Como se de fato, não fôssemos as mesmas pessoas do início.
— Não vou abrir mão da minha intensidade assim. Nem da minha vida "podre de rico" como você faz questão de pontuar. — fiz aspas com os dedos.
Parece que com isso, ele acabou perdendo a sua máxima tranquilidade mantida o tempo todo.
— Então, eu definitivamente não pretendo abrir mão da minha vida tranquila pra entrar no seu mundinho de luxo e de coisas fúteis.
— Fúteis?! — repeti, surpreso com a sua atitude. — Você me acha fútil, Min Yoongi?
— Tá tirando palavras da minha boca.
— Foi literalmente o que você disse!
— Não falei sobre você. São "coisas" fúteis!
— Tranquilo. — assenti, balançando a cabeça em afirmação. — Não preciso nem saber que tipo de coisas são essas, eu não faço questão nenhuma.
Foi quando eu dei as costas e tentei sair em disparada. Ele pegou no meu braço.
— Taehyung, você tá sendo precipitado, espera um pouco! Como quer conversar dessa maneira?
— Me deixa ir. — me soltei de seu toque com tudo, nervoso. — Já atingi o meu limite de hoje.
Naquele instante, tive a noção de uma coisa muito óbvia vendo do ângulo mais amplo e verdadeiro possível, olhando em seus olhos.
— Somos claramente muito diferentes, Yoongi. E já que é assim, quer saber de uma coisa que me incomoda muito? — eu até senti vontade de chorar, a garganta deu um breve aviso, mas eu era orgulhoso demais pra isso. — É que a sua sinceridade me machuca.
Não sei onde eu estava com a cabeça ao querer começar a namorar de verdade.
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Minutos depois e eu estava simplesmente batendo na porta do Jimin, sentindo-me com o coração na mão.
Já era quase meia noite.
Ele abriu, e eu estava querendo, de fato, chorar.
— Taehyungie? — tornou-se confuso, se aproximando de mim. — O que foi?
— Quando eu disse que tinha medo de me apaixonar por alguém, eu realmente falei sério. Não consigo namorar ninguém. — comecei a desabafar com a única pessoa que me deixava confortável pra ser quem eu sempre fui.
— Calma, vem, melhor você entrar. — me puxou pra dentro, não falando muito alto.
— Eu atrapalhei? Tava dormindo? — abaixei meu tom de voz.
— É a minha mãe que está, mas você nunca atrapalha em nada, tá tudo bem. — foi comigo até o seu sofá, sentando enquanto sutilmente segurava as minhas mãos.
— Conseguiu conversar com a sua mãe?
— Sim, eu te conto os detalhes depois. O Jungkook até conheceu ela, foi hilário. — sorriu, parecendo realizado. Fiquei feliz por ele. — Mas me conta primeiro, o que aconteceu?
— Eu passei o dia com o Yoon, e no fim, levei ele pra casa e acabei invadindo o lugar, né...
— Quê? Invadindo?
— É que ele não me convidou, eu só sugeri entrar e ele disse que tava tudo bem. Depois de negar um pouco, no caso... — disse, mordendo o lábio inferior ao me arrepender um pouco. — Mas não era pra necessariamente a gente fazer alguma coisa, eu só queria conhecer o cantinho dele.
— Deu alguma coisa errada?
— Quase tudo. — fui sincero. — Talvez... Eu seja mesmo uma pessoa muito transparente como o Yoongi disse. Eu nunca guardo nada pra mim, sempre falo na cara ou sou explosivo demais. E ele meio que disse que fica incomodado em como certas vezes, eu posso passar dos limites sendo que ele é super reservado.
— Não exagera, você só é uma pessoa diferente dele. — rebateu. — Eu também sou super na minha e não me incomodo com o seu jeito. E olha que eu estou com você por muitos anos.
— As pessoas são diferentes e recebem atitudes de várias formas, acho que ele realmente não gosta... — me mantive cabisbaixo.
— Não tem como ninguém mudar, não a essência, não por dentro. Elas só se adaptam e se moldam melhor aos outros e situações.
— A questão é que somos muito diferentes, Jimin...
— Eu também sou muito diferente do Jun, você sabe disso. Não quero comparar, mas podemos aprender com a outra pessoa a fazer mais ou menos, a entender o que ela gosta e o que não gosta. — explicou. — Acredito que tudo que vocês precisam fazer é conversar. Sobre o que se incomodam, o que querem... E chega dessa palavrinha chata, "diferente".
— Você e o Jungkook são um grude, não tem nem comparação. — neguei. — O Yoongi nem gosta de grude. E ele falou sobre isso de conversar e expor o que nos incomoda, mas só me senti ofendido. As palavras dele são muito duras.
— Tae. — me chamou, e eu levantei o meu rosto ao seu. Ele suspirou com o meu desabafo. — Se o Yoon gosta de você de verdade, ele vai se adaptar a você. E isso vale pra ti também.
— Ele disse que quer continuar na vida tranquila dele e não quer participar do meu luxo. Com o Jungkook foi assim? Ele disse que as minhas coisas são fúteis, Jimin! — comecei a me sentir irritado.
— Certo, foi uma briguinha bem ruim, mas eu tenho certeza que vocês podem sentar e conversar de verdade pra ajeitarem isso do jeitinho certo. — tentou, mas eu neguei.
— Eu não quero falar com ele. — cruzei os braços, convencido. — Não depois de todas as palavras que ele me disse. Não, não e não, Jimin.
Jimin suspirou e o silêncio pairou. Eu estive bravo, descontando a minha raiva ao desabafar.
— Quer dormir aqui hoje? — sugeriu, preocupado comigo. — Assim, podemos pensar melhor e com mais clareza no que fazer quando você descansar essa sua mente turbulentinha, hum?
— Não precisa, Ji, eu vou pra casa. — dormir, com certeza. — E o Jungkook? Já foi, né?
— Sim, até pensamos sobre ele ficar, mas não ia prestar... — riu, e eu ri também.
— Safadinhos. Fico contente que vocês estejam tão felizes.
— Ah, e você não sabe! — começou a fofoca de repente. — A empresa dele deu uma moto novinha! E bonitona, confesso. Só pra esse folgadinho.
— Eita catapimbas, mentira?! — arregalei os olhos. — Que nem aquela lá embaixo grandona?
— O quê? Tem uma moto lá embaixo?
— Sim, até achei estranho quando vim porque tá do outro lado da rua. — dei de ombros, Jimin ficou com uma expressão esquisita.
Jimin se levantou, foi até a janela e eu continuei sentado no sofá. Suspirei. Na real, eu ainda estava pensando no que aconteceu.
Talvez não esqueceria tão cedo.
— Mas essa é a moto do Jungkook! — de repente, me despertou. Resolvi me levantar e ir até ele.
— Como assim, seu maluco?
— Eu não entendo muito de motos, mas eu acho que... — tinha o cenho franzido, estranhando detalhadamente. — Não, eu tenho certeza de que... É idêntica.
— Mas ele não tinha ido embora? Deixou a moto aqui do nada?
— Eu vou ligar pra ele. — saiu, indo procurar o seu celular.
— Melhor.
— Aqui. — encarei mais um pouco a moto parada. Jeon seria doido de deixar a moto novinha aqui? Não faz sentido algum.
Em compensação, bonitona mesmo.
Acho que vou pegar uma pra mim.
Quer dizer, eu só sei dirigir carro.
Me virei pra Jimin e ele já estava com o celular na orelha. Pareceu preocupado, levando os dedos a boca. Porra, até eu.
— Atende...
— Calma. — me aproximei. — Talvez ele esteja dormindo e amanhã vem buscar a moto, não? E quem garante que é a moto dele?
— Eu garanto, Tae. E o que se passaria na cabeça de uma pessoa de deixar a moto nova aqui fora do prédio e ir embora sem ela? Seria muito aleatório!
— Vindo do seu namorado... — Jimin me crucificou com o olhar. Levantei as mãos. — Foi mal, tudo bem, o assunto ficou sério.
— Vou ligar pro Namjoon. — rapidamente agiu.
— Sem desespero, sem desespero.
Contudo, pedir calma para uma pessoa ansiosa é quase a mesma coisa que pedir pra que se desespere mais.
— Oi? Nam? — ele atendeu e os meus olhos arregalaram, prestando atenção na conversa. Finalmente um sinal de vida! — Desculpa ligar essa hora, mas o Jungkook não atende e eu acho que a moto dele ficou aqui na frente do meu prédio. Ele tá dormindo?
As suas expressões mudaram, conforme eu escutava a voz de Namjoon na ligação mas não entendia absolutamente nada.
Seu rosto se tornou pálido.
— Ele não chegou?
Jimin olhou pra mim.
Ai, caramba...
— O que aconteceu? — tentei saber mais da conversa. — Jimin, pelo amor de-
— Não, não, tá tudo bem. — seu tom de voz acalmava-se, aos poucos. Ele olhou pra baixo ao continuar: — Sim, ele acabou de chegar.
Quem?!
— Até amanhã. Isso. Desculpa atrapalhar vocês, pombinhos. — forçou um sorrisinho e logo, desligou.
Eu ainda estava lhe encarando com um cenho franzido de pura confusão. Jimin mirou seus olhos nos meus, e eu o conhecia muito bem pra perceber que havia alguma coisa muito errada.
— O Jungkook não atende... E o Namjoon disse que mandou uma mensagem mais cedo, mas que ela nem foi entregue no celular dele. — revelou.
— Mas-
— E a moto dele ainda tá aqui. Ele literalmente sumiu, Taehyung. — parecia que seus olhos nem piscavam. — Por horas.
— Tá, calma, pensa comigo. — peguei em seus ombros encolhidos de medo e o deixei virado completamente pra mim. — Respira e pensa, pra onde ele deve ter ido?
— E se pegaram ele?
— Ora, o Jungkook sabe se defender. Ele luta, não luta? Isso quando lembra. — tentei usar o meu bom humor, mas não adiantou muita coisa.
— Não sei se consigo pensar que ele possa ter tido sequer a chance de brigar, e se... — parou, encarando qualquer lugar que não fosse o meu rosto somente pra provavelmente pensar na pior das hipóteses.
— Qualquer coisa pode ter acontecido, até a mais boba possível. — continuei, Jimin só tinha que manter a pacificidade.
— Mas ele não atende, não responde, deixou a moto aqui... — soltou o ar, se afastando de mim e piorando o seu próprio estado. — Tenho certeza de que algo aconteceu, eu sinto isso...
— Jamais pense no pior, Ji. — dessa vez, resolvi falar sério. — Real, isso só te dá um boom de ansiedade.
— Não, Tete, você não entende, o Jun-
Parou, ao receber uma mensagem e pegar em seu celular de imediato. O meu coração também disparou.
Meu Limãozinho 💚
| 📍 Localização em tempo real.
— É ele! — surpreso, imediatamente ligou, a mesma coisa que eu faria.
Jesus, eles tem telepatia, só pode.
Esperou, esperou.
Acho que fui o único que leu ele mandando apenas a localização dele? Ou é impressão minha?
— Caixa postal. — desligou, mandando mensagens pra Jungkook desesperadamente.
Entretanto, vi o quão séria estava a situação quando de repente, vi um pingo cair na tela de seu celular.
— Jimin, calma, calma, olha pra mim! — peguei em seus ombros mais uma vez e o fiz me encarar na marra. — E se for uma brincadeira dele? Tipo, ele só mandou uma localização que você nem abriu! Vê o que é!
— Jungkook não faria uma brincadeira dessas comigo. — rebateu, com os olhos úmidos.
Pior que eu também acredito nisso.
O perfurado não iria deixar o seu pequeno Jimin em pânico dessa maneira.
— Tae, eu tenho ansiedade, ele nunca faria isso sabendo que eu ficaria assustado desse jeito. Ele não sumiria assim.
— Porra, mas... — tive meu momento de negação, e agora, acabou sobrando para o desespero.
Me soltei de Jimin e não soube mais o que fazer. Passei a mão no cabelo, pensativo.
— Ele tá aqui. — quando notei, Jimin havia aberto a localização.
— É perto, vamos. — ponto final, estava decidido. Eu pegaria o carro e nós iríamos até o Jeon.
Jimin teve a mesma reação, mas seguiu apressado pelo corredor, voltando segundos depois, colocando os braços dentro de um casaco por conta de todo o frio lá fora e parando na minha frente.
— Minha mãe tá dormindo, pode ficar aqui com ela? — perguntou, preciso, ajeitando suas mangas.
— O quê? E você vai sozinho?!
— Fala mais baixo. — pediu. — Eu tenho que ir sozinho. Pego um táxi.
— Nem a pau, metido a corajoso! Você acha mesmo que eu vou deixar?!
— Eu não quero arriscar mais uma pessoa que eu amo. — limpou o rosto choroso com as costas de sua mão. — Você não faz ideia do quão perigosa pode ser a pessoa por trás disso.
— Mas eu não dou a mínima. — retruquei na hora. — Eu me recuso a deixar o meu melhor amigo se arriscar sozinho. Sabe que eu tô sempre do seu lado, sim? E se caso for realmente algum tipo de brincadeira com você, é ele quem eu mato!
Jimin continuou olhando pra mim, sem respostas. Ele suspirou, muito sério como quase nunca o vejo.
— Tae...
— Jimin, não. — rebati, completando: — Sem contar que tenho certeza de que o Jungkook não iria querer que fosse sozinho.
💸
[JUNGKOOK]
A única coisa da qual me sinto orgulhoso de ter feito durante esse tempo sendo mantido preso nessa espécie de galpão, foi ter feito a mínima comunicação que consegui com o Jimin.
Foi o meu celular ter estado no bolso de trás e eu ter conseguido pegá-lo. Depois de levar na cara o suficiente pra ser deixado sozinho por Woosung e aquele capanga imbecil que parece nem ter um cérebro que funcione, eu mesmo consegui afrouxar sozinho da cordinha que prendia os meus pulsos para ao menos, tentar ligar pra ele ou sequer mandar onde eu estava.
Pulsos dos quais devem estar bem machucados por isso, na real, pela força toda que usei. Mas a dor nunca fez muita diferença pra mim.
Eu só me preocupava com o Jimin.
Era só isso que doía.
Peguei o meu celular e mandei a minha localização, em poucos cliques, tentando olhar acima do ombro e fazendo força nos braços e mãos. Em todo o corpo, na verdade. Com cuidado.
Eu ia ligar, após conseguir mandá-lo onde eu estava, mas o meu celular caiu no chão por um desequilíbrio de meus próprios dedos ao me assustar com Woosung entrando e pegando a situação no flagra.
Eu só esperava que Jimin entendesse.
Que chamasse a polícia, mas que não viesse sozinho.
Particularmente, preferia que ele nem se arriscasse a vir.
O meu celular infelizmente foi espatifado completamente, como se eu não tivesse pagado em mil vezes. Era engraçado pensar, mas eu não conseguia rir de nada agora.
— E o senhor achou mesmo que poderia me enganar assim? Que pena de você, Jeon, que pena... — Woosung andava de um lado para o outro após alguns minutos caçoando de mim, com a mão apoiada em seu queixo. Eu revirei os olhos, suspirando. Não valia a pena.
A corda ainda estava meio frouxa.
Eu só precisava me esforçar mais.
— Estive conversando com o seu pai. — parou na minha frente, virando pra mim. Meus olhos cheios de ódio subiram aos seus.
Se aproximou devagar em seus passos.
— Já ficou com tanta raiva assim? Uau, consigo sentir nesse seu olhar. — fingiu espanto, abrindo aquele sorriso fingido de sempre. — Mas tenho uma péssima notícia.
— Eu vou realmente matar você.
— Ah, sim, eu acredito que possa. — riu alto, inclinando seu corpo até mim e obtendo seu semblante sério. — Mas não antes de você.
— Você nem sabe o que tá fazendo. — neguei com a cabeça.
— E sabe quem está vindo agora?
— Woosung-ah. — uma outra voz se fez presente, e não era de seu capanga de merda.
Era dele.
Kim Woosung sorriu pra mim, se afastando aos poucos e dando espaço para o babaca que estava vindo até nós.
Sem querer sequer saber dele novamente, acabei tendo que encontrá-lo. Senti calafrios.
— Sentiu a minha falta, filho? Pensou que eu iria te abandonar e não iria voltar? Sabe que eu sempre volto. — sorriu falso, como se desse como vencido, com as mãos para trás. Eu não desviei os meus olhos dele.
Franziu o cenho, reparando melhor em mim.
— Quem machucou todo esse seu rosto bonito? Nossa, deve ter doído... — fez uma careta, como se fosse com ele. Patético.
Não dei ouvidos, sequer o respondi. Uma pessoa como ele não sabe o que é a dor de verdade. Não são os socos que levei e nem as consequentes pequenas aberturas de arranhões em meu rosto que me fariam sofrer.
Ele somente se aproveita da dor.
Por isso, nunca seremos parecidos.
— Tá, eu vou me retirar e deixar com você, como mandou. Mas agora ele decidiu ficar de boca calada. — outro covarde, Woosung comentou, impaciente. — Quando chegou aqui, ficou todo respondão e dizendo que queria me bater, sei lá o quê. Fazendo piadinha, sabe?
— É mesmo? — cruzou os braços, com puro cinismo. — Só foi receber umas pancadas que ficou quietinho? Interessante...
Olhei para o chão, focado em me manter discreto ao tentar me soltar daquela corda áspera a todo custo, sentindo minha pele levemente arder.
— Ótimo, Woosung, pode sair. Daqui a pouco estou indo. — vi seus pés se aproximarem um pouco. — Ele sempre foi assim. Desde pequeno.
Encarei ele de imediato.
Éramos apenas nós dois agora.
— O quê? Não é verdade?
Era assustador olhar em seus olhos.
Eu enxergava repleta maldade.
Foi como voltar para o passado.
— Por que não me deixou em paz? — perguntei, com coragem. — Por que não continuou vivendo a merda da sua vida?
— Merda? — abriu um sorriso largo, rindo forçadamente e de maneira doentia. — Ah, filho...
— Eu não sou o seu-
Travei no mesmo instante em que a sua mão foi ao topo da minha cabeça, em meu cabelo.
— Não precisa ficar tão bravo comigo. Sinto muito por ter demorado pra voltar pra você. Jamais deveria ter me afastado... — naquele momento, rapidamente movi a minha cabeça para desviar de qualquer toque seu.
— Tira a sua mão nojenta de mim! — aumentei o tom de voz, e logo, resolvi gritar: — Nem sequer chega perto de mim, você não é o meu pai!
— Não? — riu da minha fala, agachando-se em minha frente e desamarrando meus tornozelos, pretendendo prendê-los em cada pé da cadeira ao invés de juntos, com a fita que deixou ao seu lado no chão. Burro. — E que sangue corre na sua veia?
— Você não é o meu pai. — decidi não desviar de encará-lo bem. Sua expressão caiu, ele se tornou sério. — E eu não tenho mais medo de um criminoso abusivo como você.
Meu coração disparava. Somente me levantei daquela cadeira, aproveitando a chance de seu espanto com os meus pés soltos e os pulsos livres após tanta força para ir contra aquele monstro. Talvez fosse o meu ódio.
Ele acabou se desequilibrando, sendo pego de surpresa.
A primeira coisa em que pensei foi pegar aquela cadeira e imediatamente sugar toda a força que ainda sobrava dentro de mim para atacá-lo com ela.
Uma vez.
Duas vezes.
Peguei uma das garrafas de puro álcool do chão que Woosung trazia como troféu e ataquei-o na cabeça.
Eu tinha que sair dali o mais rápido possível.
— Que merda é essa?! — com os gritos daquele homem abusivo que eu mal entendia por estar nublado de pensamentos que me mandavam sair correndo, Woosung correu e parou na minha frente. Se assustou.
Pegou seu celular na maior pressa que conseguiu em seu bolso e tentou ligar.
Tentou.
Antes de eu lhe dar um soco.
O qual eu já deveria ter lhe dado há muito tempo.
E dei outro, pra que ele caísse no chão com tudo.
Fui pra cima dele, agarrando na sua camisa e o colocando contra a parede ainda sentado no chão.
— Esses socos fracos foram pelo que fez comigo aqui e pelas gracinhas que disse. Mas agora, isso... — meus dedos quase gangrenavam, a dor nos pulsos estava ficando presente, mas ainda bem leves. O dei mais um soco, forte, tendo que afastar o punho e lhe acertando sem deixá-lo cair novamente. — É pelo Jimin.
No chão, ainda lhe dei mais.
Eu parei de contar quando me levantei para chutá-lo, mas algo me fez parar.
Não por ele desmaiar brevemente.
Porque como eu imaginava, era um fraco.
Eu só não era um monstro também.
Ouvi uma movimentação. Tive que ser esperto, me virando na hora e vendo o homem que se dizia o meu pai vindo até mim, com sangue escorrendo na lateral da sua cabeça.
— Filho, não sente dó de seu pai? — abriu os braços, querendo chegar perto de mim. Foi quando eu senti as minhas costas contra a parede. Sorriu, e eu o assisti. — Eu só quero estar ao lado do meu garotinho de novo, o que acha?
Pesadelo.
Ouvi-lo me chamar desse jeito me fazia sentir como se eu estivesse lentamente morrendo.
Minha garganta doía.
E a minha criança interior chorava de medo.
Nem havia notado que em sua mão, havia um pedaço de vidro da garrafa que quebrei.
— Não vou deixar você ir! — ele avançou com tudo pra cima de mim, e virando meu rosto para o lado, fechando os meus olhos com força, apenas gritei:
— Eu chamei a polícia! — soltei, mentindo, olhando para a sua cara de novo, vendo o seu sorriso desaparecer e seu rosto tornar-se pálido. Largou o que tinha em mãos. — E eles estão vindo.
Ele olhou para os lados, sem saber como prosseguir, afastando-se de mim. Afinal, era um criminoso. Pensava apenas em fugir.
Mas quem aproveitou e fugiu, havia sido eu.
Corri o mais rápido possível, pisando em uma poça assim que saí daquele local pesado.
Estava caindo o mundo.
Chuva, e mais chuva.
Corri, apenas corri.
As luzes naquela estrada escura e vazia, me faziam enxergar ao menos um pouco.
Não fazia ideia de quanto tempo corria, era como se grande parte do meu corpo estivesse dormente.
Mas algo distante de mim, que se aproximava na mesma velocidade que eu, parecia desacelerar. Foi então que, também desacelerei...
Quando finalmente encontrei o que eu estava procurando em meio ao caos de toda aquela chuva.
Fazendo o único caminho que eu sabia que ele viria me procurar. Porque era óbvio que ele viria por conta própria.
Jimin estava na minha frente, pouco distante, com um guarda chuva em uma de suas mãos pequenas. Assustado e com aqueles olhos tão lindos arregalados.
— Jungkook?! — deixou o guarda chuva cair na hora. — Ai meu Deus, Jungkook!
Eu respirei aliviado.
Finalmente, consegui abrir um sorriso.
Nem deixei ele vir. Acelerei os meus passos primeiro, abraçando-o com tudo e sentindo finalmente o seu calor.
E desse jeito, finalmente com ele, as minhas dores começaram a se tornar presentes. Finalmente, comecei a senti-las.
Porque com o meu Coradinho, eu me tornava vulnerável.
— Jungkook, amor, por favor! — se soltou de mim, encarando bem o meu rosto. E eu, o seu, tão lindo. — O que aconteceu com seu rostinho? Amor, meu Deus, quem fez isso?! Você s-sumiu, eu fiquei desesperado! — Jimin começou a chorar, desesperado.
— Calma, calma, eu tô bem. — segurei em suas bochechas adoráveis, sentindo a chuva piorar os meus machucados. Nós dois ensopados. — Não veio sozinho, certo? Me diz que não, hm?
— Jungkook, o que... — pegou em meus braços, notando meus pulsos meio ferrados pela força ao me soltar sozinho. Vermelhos, e um pouquinho machucados. Ah, fui descoberto... — Quem fez isso?! E-Eu chamei a polícia, precisamos ir pro hospital urgente-
— Kim Woosung. — senti como se fosse uma breve tontura.
— O Woosung?! Como assim?! — estava espantado e com lágrimas em seus olhinhos.
— Que b-bom que chamou a polícia, eles vão ser presos. Esse imbecil vai abrir a boca e tudo vai ser resolvido, tá? Bati nele por você. — eu sentia como se fosse desmaiar, talvez por sentir frio. A chuva continuava forte, mas estava diminuindo.
— Jun, Jun, ei! Vamos embora, p-por favor! — se afastou mais, ainda me segurando e me checando por inteiro antes de irmos.
Mas os seus olhos se arregalaram novamente.
Por que eu me sentia tão fraco?
O chute que aquele filho da puta do Woosung deu em mim contra o meu abdômen uma única vez naquele galpão sujo foi fatal o suficiente?
— Jungkook, v-você tá sangrando! Você... Meu Deus! — entrou em um imenso choque, chegando mais perto e fazendo com que eu notasse a minha própria barriga.
Ah.
Aquele monstro conseguiu me acertar com aquele pedaço ridículo de vidro?
Jimin chorava muito, tentando me segurar e me arrastar, mas eu continuei parado, ouvindo ele dizer ou gritar diversas coisas que a minha mente não raciocinava mais. Tornando-se muda.
Eu não me aguentei muito tempo em pé.
A dor me atingiu quando eu não esperava.
E nem queria.
— Não, e-espera, Jeon! — me acompanhou conforme o meu próprio equilíbrio foi se perdendo, ficando de joelhos. Jimin me segurou, eu senti o seu corpinho tremendo. — Taehyung! Taehyung!
Gritava. Ele não veio sozinho.
Que alívio.
Retirou seu casaco o mais rápido que conseguiu e cobriu a minha ferida, tentando estancar o sangue. Doía.
— Você vai ficar doente nessa chuva... — avisei, e ele negou com a cabeça, aos prantos. Levei minha mão ao seu rosto. — Não gosto dos seus olhos bonitos assim.
— Jun, p-por favor...
— Jimin! — outra voz. Taehyung. — Eu acabei de ver dois caras... — parou na hora, dando de cara com a situação.
— T-Taehyungie... — soluçou.
— Jungkook! — Taehyung veio até mim. Eu poderia lhe agradecer se conseguisse. — Porra, porra! O que aconteceu?! Que merda é essa?! O que... — virou o rosto para o lado. Não sei o que ele viu, mas saiu da nossa visão ao levantar e correr rápido, muito rápido pelo que ouvi de seus passos pesados.
— Amor... — chamei-o, mas era como se Jimin não me ouvisse, chamando a ambulância pelo celular, em puro desespero. — Ei...
Fiz esforço, o máximo que eu pude, pra me levantar e abraçá-lo mais uma vez.
— Jungkook, n-não se mexe! Você tá muito machucado! — berrou, largando o celular imediatamente ao me segurar mais forte ainda. Consegui abraçá-lo e encostar meu queixo em seu ombro. Sorri.
— Eu não falei que eu levaria por você?
— N-Não! Você é um idiota se fizer isso comigo! É um idiota e e-eu nunca, nunca vou te perdoar! De verdade! — brigou comigo, com a voz trêmula o suficiente pra me fazer sentir culpa. — A ambulância t-tá vindo, Jun, por favor, por Deus, e-eu preciso que você-
— Eu realmente te amo, meu Coradinho. — senti as lágrimas finalmente descerem. — Como nunca amei ninguém.
— E-Eu vou te odiar! Para... — chorou mais, alto. Particularmente não queria ver o seu rosto triste, portanto abracei-o mais forte quando ele tentou me afastar, cheio de dor, mas de puro amor por ele também. — Jungkook! S-Se você fizer isso comigo, eu também vou!
Ouvi o barulho da ambulância.
Sua voz tornou-se baixa.
— Jun! — foi como ouvir o seu grito quase debaixo d'água, abafado, sem volume. Eu fechei os meus olhos ali.
E de repente, me senti mole. Me tiraram de perto dele, o que me fez querer correr. Mas não tinha mais forças, eu havia zerado.
Então, os berros foram ficando mais baixinhos, e a minha visão cessou.
Apesar da turbulência, tudo poderia ter acontecido com o meu Coradinho. E eu não me arrependo de ter sido eu, no lugar dele.
💸
[JIMIN]
Meu coração estava destruído.
A minha alma, a minha vida.
Como se não bastasse Jungkook ter desacordado em meus braços, comigo tropeçando em meus próprios pés e em meio as lágrimas contínuas ao seguir os homens levando o meu mundo todinho pra dentro da ambulância, também tive que presenciar outros dois homens levando alguém em outra maca. Uma parte de mim que eu nem sabia o motivo de ter ficado assim.
Taehyungie.
Eu só abraçava os meus joelhos no chão daquele corredor de hospital, encharcado da chuva, tremendo o meu corpo inteiro mesmo após o remédio, tendo a pior crise do mundo, a pior da qual eu já pude sentir.
Os meus olhinhos estavam doendo. Jin, Namjoon e Hoseok também estavam aqui, mas não podiam sequer se aproximar de mim ou eu simplesmente surtaria dentro daquele lugar.
Apesar de me segurarem diversas vezes me impedindo de ir vê-los nas salas de cirurgia, por ser proibido no momento.
Jin me cobriu com o seu casaco quentinho.
E Hoseok ligava para Yoongi, pelo que eu conseguia ouvir e entender.
Namjoon chorava sem parar.
— Ji... — ouvi a voz de Seokjin, triste, se agachando em minha frente e passando a mão no meu cabelo. — Não quer comer nada? Você tá pálido-
Eu tapei os meus ouvidos, encolhendo-me mais e querendo apenas continuar no meu mundo. Um onde eu só dizia: eles vão ficar bem, eles vão ficar bem...
Após minutos incontáveis e provavelmente quase o amanhecer, sinto uma movimentação e um som estranho, além do choro e o falatório de nossos amigos.
— Bom, com licença... Todos aqui estão por Kim Taehyung?
Quando ouvi a voz do médico, me levantei imediatamente, me aproximando e sendo tomado levemente por um dos meninos pelo braço.
— Sim, todos nós! — Namjoon respondeu. — Por Kim Taehyung e Jeon Jungkook.
— O que aconteceu com eles? — perguntei, apressado. Juntei as mãos em frente ao rosto, como se clamasse, tremendo: — Por favor, por favor, s-só me diz que eles estão bem!
— Então... — abaixou a cabeça por um instante, portanto, não deu mais delongas: — Kim está estável, lutou com alguns dos criminosos e suas costelas ficaram um pouco fraturadas. Ele resistiu bastante, mas ainda não acordou. Estamos confiante de que vai ficar bem brevemente. — ouvi respiros de alívio. Meus olhinhos se inundaram. — Só precisamos observar atentamente.
— Ai m-meu Deus... Ele... — encarei os meninos atrás de mim.
Só que...
Virei para o médico novamente, mas nem precisei perguntar.
— E c-como está Jeon Jungkook? — Seokjin tomou a vez. O médico me pareceu mais tenso.
— Jeon ainda não responde. Não posso dizer certamente durante a cirurgia, somente após o término dela. — foi direto. — Ele foi o mais ferido, além das agressões, perdeu muito sangue e se expôs demais aos riscos. Estamos sendo muito cautelosos, e infelizmente não podemos dar um parecer por ele ainda estar em uma cirurgia complicada com os profissionais da equipe.
— Ele o quê?! — tomei um susto, desacreditando nessa história.
— Não, como assim "complicada", doutor?
— O corte foi profundo em uma região um pouco acima do apêndice, sem contar que o objeto cortante foi arrastado dentro dele na retirada brusca. Posso entrar em mais detalhes e ser mais claro com vocês mais tarde, ainda preciso vigiá-lo e estarmos à postos.
— O meu filho! — uma voz feminina ecoou no corredor, e passos vinham correndo.
Mal notei, e ela já estava aqui, implorando ao médico. A mãe de Taehyung.
Seu pai também, ao seu lado.
— D-Doutor, por favor! C-Como assim o meu filhinho f-foi machucado?!
Eu estava sem chão.
De repente, senti mãos também me tocarem e a minha própria mãe vir em minha frente, ainda com a roupinha confortável que estava usando no meu apartamento, a camiseta que lhe emprestei.
— Filho, por Deus, e-eu vim imediatamente quando me mandou mensagem, o que exatamente aconteceu?! A sua roupa...
Minha camiseta ainda estava manchada de sangue. O meu casaco, eu não queria nem saber onde ficou, porque só me lembraria da cena do meu Jun em meus braços.
— M-Mãe... — a abracei, me sentindo muito mal.
Meu irmãozinho não acordava.
E o amor da minha vida estava em uma cirurgia complicada.
— Oh, filho... Você está tremendo, bebê, calma... A mamãe está aqui. — deu tapinhas nas minhas costas, tentando me acalmar.
Mas não havia como eu ficar bem agora.
— Eu peço que a senhora se acalme, por gentileza, estamos fazendo todo o possível.
— Como eu posso manter a calma se é o meu filho?! — enquanto isso, a mãe de Taehyung permanecia aos prantos, gritando com o profissional.
— E o Jungkook? Como ele está? Olha pra mim, olha pra mim... — minha mãe tomou a minha atenção e segurou em meu rosto, quase tapando os meus ouvidos para que eu me desconectasse totalmente do mundo. Me deixando pacífico, menos pesado e que a dor de cabeça latejante aliviasse. — Você também estava lá? Se machucou? Está todo encharcado, meu Deus...
— Quando e-eu cheguei, o Jun e-estava... — não consegui dizer nada direito, soluçando.
— Respira primeiro... O médico disse alguma coisa? — limpava as minhas lágrimas.
— J-Jun está em cirurgia, m-mas...
— E o Taehyung?
— Mãe... — choraminguei, simplesmente não conseguindo parar. As lágrimas não cessavam por horas. Ela me abraçou de novo.
— Queremos que ambos se recuperem, é possível, mesmo as chances não sejam tão favoráveis quanto gostaríamos para um dos lados. Por isso, eu peço para que se preparem, iremos continuar fazendo o nosso possível para que ambos fiquem bem e que principalmente, acordem. — ouvir isso foi como ser atingido fortemente. Eu me afastei da minha mãe e ignorando tudo e qualquer coisa ao meu redor, encarei o médico.
— As c-chances não são... favoráveis?
— Faremos o possível. E eu mesmo farei questão de permanecer aqui no hospital para trazer uma resposta até vocês. — se curvou.
— ... O quê? — minha mãe me segurou, eu realmente não estava me sentindo nada bem.
— Iremos continuar fazendo todo o nosso possível. — repetiu, curvando-se mais e saindo da minha vista turva. A mãe de Taehyung clamava ao médico, os meninos se desesperavam.
Tudo estava uma bagunça.
Foi quando ouvi passos mais fortes e apressados que pararam no meio do caminho. Olhei para o lado, perto de todos nós, de mim.
Respirando pesado e paralisado, encarando a porta que o médico acabou de ultrapassar, com os olhos também cheios de lágrimas.
Era Yoongi.
Ele olhou pra mim por um momento, tremendo o queixo e imediatamente vindo na minha direção. Me abraçou.
— A culpa foi minha, ele foi pra sua casa depois de discurtirmos, não foi? — dizia, direcionando o assunto sobre Taehyung. Soluçou, jogando as palavras todas atropeladas. — Se eu não tivesse deixado ele ir, s-se eu não tivesse sido tão grosseiro com ele...
Não era culpa sua.
Mas eu nem conseguiria dizê-lo algo, tudo que eu fazia se resultava em chorar.
— E o Jungkook? — me afastou, olhando pra mim. Fungou. — Como q-que tá aquele idiota que só se mete em encrenca? Ele tá bem, sim?
Chorei, e chorei.
Yoongi fitou todos os outros.
— Ele não ia deixar a gente aqui. Aquilo lá não cai tão fácil, sério, podem confiar. — soltou o ar, como se viesse a rir. — Não mesmo, nem pensar. Não antes de eu me vingar dessa minha cicatriz no rosto daquele gato horripilante que ele jogou em cima de mim. — estava usando as próprias palavras e lembranças como uma ferramenta de defesa. Era notável, porque eu também...
— Hoje combinamos de ir... — recordando, abaixei a cabeça, e a minha mãe me segurou, com seus braços em volta de mim. — Pra um parquinho de diversões...
Palavras se tornavam inexistentes devido ao choro contínuo. Tudo que eu gostaria de saber naquele momento era que Taehyung estivesse acordado, e que...
Jungkook permanecesse vivo.
Porque tudo que se passava repetidamente na minha mente, era o sorriso dele de quando nos despedimos pela última vez no meu apartamento.
E o "Coradinho".
Hoje sim, foi o dia em que percebi o quanto eu amava aquele apelido tão bobo.
Terríveis horas depois, dormindo sem querer no ombro de Seokjin, fui acordado com o seu movimento rápido e uma voz firme. Jin questionava:
— Tudo bem? Por que demorou?
— Estou bem... — era a voz de Namjoon. Ele sentou do lado de Jin, e eu apenas continuei escutando. — Tive que parar e chorar mais um pouco.
— Eu nunca vi você assim...
— O Jungkook é muito importante pra mim, você sabe disso. — afirmou. — E você sabe que eu nem pensaria duas vezes em doar meu sangue pra ele.
— Eu sei, ele vai acordar e vai te zoar por isso, te chantageando por ter seu sangue com ele. — riu pouco, triste.
Jungkook precisou de sangue?
Namjoon tem o mesmo tipo? E o doou?
Parecia piorar.
A cirurgia não estava indo bem?
— Cadê o Yoon?
— Ele precisa de um tempo, Nam. — suspirou alto. — Muita coisa pra cabeça dele.
Levantei a cabeça, tomando a atenção dos dois pra mim e recostando ela na parede. Soltei o ar, cansado.
— Jimin? — Jin me chamou, mas eu mal lhe escutava.
— Ei. — Namjoon veio até o meu outro lado, inclinando-se em minha direção e colocando a mão em minha testa. — Meu Deus, você está com febre!
— Não sinto nada. — respondi, simples e baixinho.
— Seu corpo está avisando que deve comer, que deve descansar direito. Onde já se viu ficar quase oito ou nove horas sem comer? — Jin pareceu me repreender.
— Sua mãe foi pegar umas comidas aqui do hospital agora há pouco com o Hobi. — Nam avisou.
— Eu não vou comer antes de saber como o Jun está. — fui direto.
— Mas ele precisa que você esteja saudável pra quando ele acordar.
— Nam, eu não... — me segurei pra não chorar de novo, contestando as suas palavras. De qualquer maneira, era melhor eu continuar quieto. Neguei com a cabeça, insinuando o meu silêncio.
— Tá tudo bem, desde que você se alimente. Que você esteja com energia. — ele colocou a mão em meu ombro, suspirando.
O barulho das portinhas que nos bloqueavam das salas de cirurgia. Elas abriram.
Eu me levantei imediatamente, mas me desequilibrei. A sorte foi Namjoon ter me ajudado.
Meu coração estava batendo muito forte.
Os pais do Tete também se levantaram do banco ao lado.
— Kim Taehyung acordou. — levei minha mão a boca e continuei encarando o médico, ouvindo os agradecimentos dos pais do meu melhor amigo. — Ocorreu tudo bem, ele terá que passar por alguns exames e testes antes pra termos certeza, mas não demorará e vocês poderão vê-lo.
— ... E o Jeon? — Namjoon teve a coragem de perguntar. Uma coisa que eu não tinha mais a partir dali.
Eu nem queria saber a resposta.
— A cirurgia terminou. — disse, e eu fechei as mãos, apertando-as ao mesmo tempo em que elas tremiam. — E felizmente foi um sucesso.
Os meus olhinhos se encheram de lágrimas. Mas eu não escutava mais ninguém, mantive minha atenção total ao médico que ainda precisava dizer mais.
— A diferença é que Jeon Jungkook não pode acordar hoje, e talvez... — relutou. — Nem amanhã.
— Como assim? — Jin contestou na hora, incrédulo. — Não deu tudo certo? Ele não-
Entrei em choque.
Virei para Namjoon, com muito medo, não entendendo e buscando explicações enquanto o médico falava com Seokjin.
Quanto mais tempo eu passava naquele lugar e a cada notícia, mais eu me apavorava.
— O que ele... O q-que significa? E-Ele não vai acordar?
— Jimin, presta atenção. — segurou em meus braços, olhando em meus olhos de vista turva. O enxerguei em um borrão. — Jungkook está vivo, certo?
Afirmei com a cabeça, engolindo o meu próprio chorinho.
— Mas está em coma, Ji. — finalizou. — É isso que o médico quis dizer...
💸
[Anotação diária: Jimin]
AHHHHH ARRASEI COM OS CORAÇÕES NÉ? PERDÃO 😭😭😭🙏🏻
Pra apaziguar, E PRA COMEMORAR O 🌽ÃO, vocês querem um capítulo bônus? Focando em algum momento bom dos dois? Ou talvez focando em outro casal também? Eu poderia mostrar como foi o passeio dos Taegi, algum dos Jikook, Namjin, e aí? 👀
Kisses! 💚
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