[22] 나쁜 eclipse.
#JiminCoradinho
OLHA QUEM CHEGOU!!! 💪🏻
Eu sempre atraso uns minutinhos a mais e vocês surtam cmg ó DESCULPA KKKKKKKKKK
Antes, FACE do JIMIN vem aí!!!! ANSIOSA E QUERIA COMPRAR O ÁLBUM 😭😭
Enfim, preciso dizer uma coisinha antes!
Esse capítulo tá muito bom (pelo menos pra mim 🥲) e tem vários acontecimentos. MAS, não se enganem facilmente, tipo: "afff, deu tudo errado" CALMA, sem pessimismo, só ler tudinho e verás 😎🫶🏻 eu espero que vocês gostem.
E que isso que vocês xingam tanto o Woo? 🤨 ele é tão bonzinho genteeeeeee juro
Outra, saudades deles né? Especificamente deles dois juntinhos. Então, me dediquei aqui, leiam com toda emoção e liberdade pra rir, chorar e rss
Bom, comentem bastante (isso conta muito pra mim)!! ✅
Desculpem qualquer erro.
💚
💸
[JIMIN]
Saudade e medo.
E aquele sentimento de...
Querer, mas não saber se era o certo.
Uma mistura.
Estávamos ainda de pé, um pouco distantes em um breve silêncio depois do chororô. Limpei minhas lágrimas há um tempo, sentia o ventinho em meu rosto secá-las.
— Então... — começou. — Isso significa que seu pai te deixou trancado por horas?
— Isso. — respondi, contando toda a verdade. Havia lhe dito sobre o que aconteceu exatamente em relação à falta no colégio. A primeira, pra nunca mais voltar, contra a minha vontade.
— Como ele pode ter sido tão ruim? Você era só uma criança, e anéis não significavam nada-
— Mas ele foi. E é. — interrompi. — Eu chorei muito nesse dia... Fiquei preocupado com você.
Ele também me encarou. Naquele momento, pensei no Jun mais novo. O que será que ele passou depois que fui levado embora?
— Tudo bem. — desviou, olhando pro lado, evitando contato visual por alguns segundos. Suspirou. — Sabe mais ou menos como era a minha vida quando a gente era criança. Eu te contava praticamente tudo, não sei se você lembra... Tem coisas que eu nem me lembro mais, como quando soube quando desmaiei, lá no hospital e depois na psicóloga, que tem lembranças que meu cérebro simplesmente apaga.
— Por conta do trauma? — Jungkook confirmou com a cabeça, ainda sem olhar pra mim. Fiquei surpreso. — Isso é mesmo possível?
— Não sei, talvez, pelo jeito. — deu de ombros. Ele suspirou, cabisbaixo. — Guardou o anel?
— Sim... — percebi seus olhos nele, e encarei o acessório em meu dedo também. — Nunca tive coragem de jogar fora.
— Eu também não. — rebateu, levantando o olhar ao meu novamente. — Quase tive coragem, mas sinceramente não posso fazer isso.
— Fico aliviado sabendo que você tá bem depois de tantos anos. Agora tudo meio que faz sentido, sabe? Como aquelas coisas que me contava sobre o monstro daquele homem que nem deve ser chamado de pai. Jungkook, eu quero saber de tud-
— São seus olhos. — disse, repentinamente, mirando exatamente neles. Não compreendi. — É por isso que gosto tanto da cor verde. Foi por causa dos seus olhos.
Era como se ele também estivesse entendendo. Me tornei perplexo, recapitulando outras memórias.
A guitarra em seu quarto, as mechinhas do seu cabelo...
Tudo por minha causa?
— Parece até loucura, né? — comentou, abrindo um levinho sorrisinho de nervoso. Soltei o ar, ainda surpreso. Confesso que prendi até mesmo o meu choro.
Fixou seu olhar no meu. Eu não soube me mover, travado naqueles segundinhos intensos que faziam cair a minha ficha. Pensávamos que nos conhecíamos há pouco tempo, mas haviam inúmeras lembranças passadas conosco, e mal sabíamos que as carregávamos para que um dia, finalmente pudéssemos compartilhar juntos.
Então, Jungkook deu o primeiro passo.
Ele me puxou pra um abraço devagar, calmo envolvendo seus braços em volta de mim, me cobrindo e recostando a cabeça na lateral da minha.
— Desculpa. — pediu, com a voz baixa.
— ... Pelo quê? — me mantive no mesmo tom. — Você era uma criança... Nós-
— Por tudo. — respondeu, portanto, compreendi o que seu pedido verdadeiramente significava. — Eu não consigo acreditar que literalmente fiz merda com todo o nosso reencontro... Que quando eu te visse novamente, iria fazer tudo errado.
— Não tinha como adivinhar...
— E me desculpa pela minha reação, eu... — hesitou. — Porra, não acredito que tenho você nos meus braços agora... Sinto como se tivesse encontrado duas soluções de uma vez só. Dois tipos de felicidade. Encontrar o meu Joo e ter o meu Jimin nos meus braços de novo. E, caralho, que eles são a mesma pessoa, quais as chances de isso acontecer?
Seus palavrões espontâneos em qualquer tipo de situação eram quase uma marca registrada.
— Desculpa o palavrão, desculpa... — me apertou, e eu levemente pousei as mãos sobre cada lado de sua cintura. — Eu só... — parou, inspirou fundo, soltando todo o ar devagarinho. Ele não me largava, e eu sentia nitidamente o seu coração batendo rápido.
Mas uma palavra me chamava a atenção.
"Seu" Joo. "Seu" Jimin.
— Senti sua falta por anos. — me apertou um pouquinho mais. Ainda não o correspondi. Fechei os meus olhinhos. — Não tem pena disso?
— ... O que quer dizer?
— Que eu quero você de volta. Me desculpa. — disse. — Como Jeon Jungkook. E como Jun.
Aquela mistura voltou, só que mais forte e com seus complementos. De saudade, emoção, indecisão e confusão.
Meu coraçãozinho bateu forte, além de rápido. Esperava que Jungkook não estivesse o sentindo dessa forma, o que pareceu ser impossível, por eu estar sentindo o seu.
As minhas mãos subiram até os seus braços, lentamente.
— Jungkook... — senti meus olhos úmidos. Ele não quis me soltar. Seu cheiro era tão bom, e facilmente ficaria grudado na minha roupa.
Nem eu queria que ele me soltasse.
— Não sentiu a minha falta tanto assim? — sua voz não parecia clara. E sim, trêmula, ou em nervosismo.
— O que? É claro que sim, eu senti tanto, fiquei tão preocupado e acho que até agora não caiu a ficha de-
— Eu vou pro Japão. — contou direto, cortando os meus pensamentos como em um estalo de dedos.
Franzi o cenho, me separando dele.
O que...?
— Fiz minha audição na empresa. Eu passei com sucesso e querem me treinar por um ano inteiro no Japão. Não só eu, claro. Por isso... Acho viável também levar o Limão de volta com você pra casa.
Jungkook demonstrou um pequeno nervosismo ao me contar sobre isso. Ele fungou, se recompondo. A minha mente ainda raciocinava o que havia acabado de escutar com tamanha clareza.
Uma reação que deveria ser de pura felicidade da minha parte, foi totalmente ao contrário, ou chegando perto disso.
— Oh. — tentei disfarçar, abrindo um curto sorriso falso, sem graça. — I-Isso é incrível, é realmente-
— E eu preciso de uma decisão sua. — portanto, me interrompeu. Me tornei confuso.
— Decisão?
Jungkook suspirou, desviando o olhar diversas vezes, até fixar de verdade.
— Eu posso levar um acompanhante. — contou. — E eu queria levar você.
— ... Eu?
— Mas eu quero que isso seja uma resposta. — continuou. Comecei a me sentir ansioso, sem palavras. — Não precisa me dizer. No final de semana, eu pretendo ir pro aeroporto. Pretendo não, praticamente tá marcado...
— Já? — não pude deixar de conter a minha surpresa. Foi rápido demais. — M-Mas como confia neles? E se nunca mais voltar?
— Não, eu fiz pesquisas e Namjoon também, ele é expert nisso quando quer. Pode ficar tranquilo, eles realmente levam trainees pra lá. — garantiu.
— Ah...
— Caso me dê a chance de tentar de novo com você, com a gente... Se me perdoar... — pareceu travar, relutando antes de dizer. — Apareça no aeroporto. Eu vou embarcar às dez da manhã. Estarei lá às oito. Tenho duas horas livres.
Seus olhinhos de jabuticabas pareciam esperançosos. Vê-lo assim na minha frente, me fazia relutar muito, porque era um Jungkook que poucos tinham acesso. Mordi o lábio de pura ansiedade e uma questão gritava na minha mente turbulenta:
— E se eu... não for?
— Acho que significa a sua outra resposta. Vou receber desse jeito. — afirmou, comprimindo os lábios. Acabei pensando alto. — E talvez eu entenda.
Deu de ombros. Parecia disfarçar, desviando o olhar rapidamente.
— É, talvez eu entenda. Acho improvável, porque você sabe como eu sou. Se eu nunca superei e tô tentando superar o Joo do passado agora só porque ele reapareceu, realmente nunca vou conseguir superar o Jimin de hoje. Porque caso você não me queira mais, não vão haver reencontros, e acho que porque somos adultos.
E por fim, ele me encarou. Esperando por uma resposta, um sinal. Falei pouco. Na verdade, não falei nada. Era muita coisa:
Viagem.
Longes por um ano inteiro.
Ter sido enganado e não saber a hora certa de perdoar ou se realmente era bom perdoar. Mas que ele não era uma pessoa má.
Que por esse acúmulo de pensamentos e poucas ações, eu talvez perderia-o pra sempre.
Que ele acharia alguém melhor nesse tempo longo fora do país.
Jungkook era Jun. Jun era Jungkook. Que me apaixonei pela mesma pessoa duas vezes. E que ele é meu primeiro e provavelmente será o último.
Que eu o amo tanto pra deixá-lo ir, mas que o amo tanto pra fazê-lo ficar. Que o amo tanto pra somente prendê-lo comigo.
Foi como ser salvo pelo gongo, com o coração na mão e sentindo a crise de ansiedade no meio daquela sala silenciosa chegando. Estava recebendo uma ligação.
Tremendo as mãos, peguei o meu celular. Atrapalhado, quase o deixando cair e com a garganta dolorida de lágrimas reprimidas.
Era como se eu realmente estivesse fugindo desta vez.
💸
[JUNGKOOK]
Namjoon comentava sobre os vôos. E depois, começou a me contar as coisas interessantes que descobriu ao pesquisar sobre a Big Hit, empresa que me contratou.
Também que estava surpreso pelo quanto eu poderia ganhar, que teria que dividir com ele por ter me dado moradia e comida. Foi cômico no início, mas desde o apartamento pra cá, eu não estive muito focado.
— É isso mesmo, cara. E eu acho até melhor a gente ir agora porque conhecendo a nossa lerdeza, se a gente se atrasar, vamos acab... — pausou. — Jungkook? Ei, Jungkook?!
Acordei de meus pensamentos.
— Hum? — encarei o hyung na minha frente, enquanto estive sentado no sofá com a minha mala diante das minhas pernas, com os braços apoiados nela, encarando o chão.
— Por que tá tão distante?
— Nada. — balancei a cabeça, me levantando e levando a mala comigo. — Melhor a gente ir pra não atrasar, o que acha? Tá muito cedo? São... — chequei meu celular. — Sete e quarenta.
— Foi o que eu disse, você não ouviu? — de cenho franzido, me fitava firme na minha frente. Pareci um bobo.
— ... Ouvi, é, sim.
— Jungkook, por que raios... — e parou, suavizando a expressão. Eu levantei as sobrancelhas, tentando fazê-lo continuar. — Beleza, tá bem cedo mas podemos comer alguma coisa antes de embarcar. Ir agora vai fazer com que a gente se alimente com mais calma e coloque a cabeça no lugar.
Talvez Namjoon soubesse. Só por ouvir a sua última frase.
Mas sequer contei a ele sobre ter pedido ao Jimin pra me acompanhar. Claro que, dependendo, pediria mais um acompanhante. Queria levá-lo também.
Apenas contei sobre nos reconhecermos. Ele ficou em choque. Conversamos durante uma madrugada quase inteira. Ele mal acreditou de verdade e me deu alguns conselhos quando suas perguntas terminaram.
Jimin havia me mandado uma mensagem ontem.
Me desejou boa viagem.
Só isso.
Eu nem consegui dormir.
Que merda... Como eu poderia ir?
Continuei usando o anel no dedão.
Se antes eu não tinha coragem de jogá-lo fora, agora não tenho coragem de tirá-lo.
Recebi uma ligação, assim que entramos no carro e Namjoon hyung decidiu dirigir. Confesso que tinha certo medo de seu senso de direção.
— Oi, Jin!
— Jungkook, eu nem te dei um abraço! Como assim você já vai embora?! — dizia, tristonho. Soltei uma leve risada.
— Eu volto logo, hyung. Não sei se consigo ficar tanto tempo longe de vocês. E nem o Nam, viu, só comentando. — joguei verde, Namjoon me deu uma cotovelada e eu ri.
— Estão rindo de mim? Não posso nem sentir saudades?!
— Calma, nervosinho. — brinquei. — Ah, e me desculpa não poder ficar com a Hanna. Acho que agendamos tudo rápido demais.
— Nem se preocupe com isso. E é melhor ainda que sejam bem ágeis, porque você merece todo o sucesso que sempre almejou! Quanto mais cedo vier a recompensa, melhor. Tem mais durabilidade, dependendo do seu esforço!
— Eu sei, fico muito feliz e tranquilo pensando nisso... — suspirei. — E pelo apoio do caralho de vocês.
— Ei, tô de olho mesmo que de longe. Mandei Namjoon te dar um peteleco se vier com papos de desmotivação. — avisou. — E cuidado com esse palavreado, garoto!
— Sobre os palavrões, é o meu charme. — dei de ombros, soltando um riso frouxo. — E relaxa, nem tô me queixando de nada.
— Hum, engraçadão, te conheço. Só... — fez questão de continuar sozinho: — Tenta aproveitar cada segundo.
— Irei sim, hyung. — sorri, esperando trasmitir segurança no tom.
Deixei no viva voz por um tempo. Jin jogou conversa fora com Namjoon também, focado no caminho o máximo possível enquanto eu segurava meu celular.
Tinha a completa noção que os dois se ligariam a todo momento.
Hanna também entrou, ligando a chamada de vídeo e me fazendo rir, o que consequentemente alegrou ainda mais o meu momento.
Faltavam vinte minutos.
E assim, eu estaria no aeroporto.
💸
[TAEHYUNG]
Comer hambúrguer no intervalo do ensaio de fotos ou de literalmente qualquer outra coisa relacionada ao trabalho, era simplesmente a melhor coisa existente. Paz.
Pena que era um tempo muito curtinho e eu comia devagar.
— Peraí, já vou! — disse alto, ainda mastigando. Então, falei baixo, para mim mesmo: — Eles que precisam de mim, pois eu vou comer sim.
Anos trabalhando pra marcas e com uma equipe extremamente boa. Eu me sentia sortudo, ninguém julgava, eram todos gente boa e não me forçavam a fazer nada que eu não queira. A real era que eu que era o verdadeiro cara de pau.
Já aceitei tudo quanto é coisa. Menos pelado, pelo amor de Deus. Eu sou safado, mas não é pra tanto. Pelado só pro gostoso sortudo que namorar comigo.
— Tae? — meus pensamentos foram interrompidos.
E por quem eu menos imaginava, justamente quando eu refletia seriamente sobre a minha falta vergonha na cara.
— Yoongi? — o gostoso sortudo.
Eu me levantei, surpreso, com a vestimenta toda na cor vermelho vivo pra uma nova coleção de roupas, na grande lanchonete que ficava ao lado de fora do estúdio.
Era um estabelecimento enorme, com vários espaços pra diversas funções e trabalhos, e aqui era basicamente uma lanchonete geral para todos. Estive aqui por três anos, e era ótimo quando eu não precisava ir até onde a marca estava pra fotografar, simplesmente montava todo o meu cenário aqui, isso quando eu mesmo os planejava.
Fala, além de gatinho, eu tinha uma mente bem criativa também.
— Eu não pensei que estaria aqui. — sorriu, sem graça.
— E o que faz aqui? — olhei-o de cima a baixo, bem bonitão como eu gosto, mas casual hoje.
— Checar se é um bom local pra montar o nosso segundo estúdio de tatuagem. — dizia. Franzi o cenho. — Estamos crescendo bastante e contratando também.
— Aqui? — boquiaberto e apontando pra baixo, continuei: — Nossa, o meu estúdio também fica aqui dentro! A maioria dos meus comerciais e publicidade são aqui. Uau, que demais!
— Sério? Eu vi que tem várias salas, mas encontrar você... — colocou a mão no cabelo, parecendo um pouco sem graça. Hum, bem fofo, estava mesmo desconcertado e nem imaginava nada disso, assim como eu. — Foi inesperado.
— Talvez a gente ainda acabe se vendo várias vezes... — comentei, olhando pra ele. Yoongi fixou seu olhar em mim.
— Por que? Não pretendia mais me ver? É por isso que acabou nem trocando mais mensagens?
— Ei, nunca disse essa sacanagem, só fiquei bolado por conta do que rolou com o Ji. Não mandei mensagem porque você também não mandou, oras. — cruzei os braços e de nariz em pé, tentando encontrar a minha razão.
— Mas o Jungkook me disse que se esbarraram na audição dele e que você não pareceu ter ressentimento algum. — também cruzou os seus, como um desafio. Surpreso, abri a boca pra me explicar, demorando um pouco por me sentir um tanto encabulado por ter sido pego.
— É que... — soltei o ar, decidindo ser como sempre fui: cara de pau. — Ah, meu, na real, eu me sinto meio errado por querer um cara que é melhor amigo do outro cara que quebrou o coração do meu melhor amigo, entendeu?
Um pouco confuso, mas foi.
— Sei o que quer dizer. — mas ao contrário do que pensei, Yoongi me demonstrou sua total compreensão. — Também não sei se o Jimin realmente ficaria feliz com isso. Mas em compensação, a vida é sua, Tae.
— Ah, sei lá...
— E eu ouvi direito? — nem consegui soltar mais nada, ele me acendeu um alerta na hora e eu o encarei. Yoongi abriu um sorriso de canto. Puta que la mierda! — Você disse que me quer, é isso?
— Poderia ter passado despercebido esse caralhinho, né?! — vencido, meu controle se desfez. — Pois é, te quero sim, algum problema? Tem algo contra?!
— Calma! — levantou as mãos em redenção. Me protegi com a minha carranca. Ele acabou rindo depois de olhar ao redor pra ver se ninguém estava nos encarando estranho. — Acho que eu te devo desculpas, sendo bem sincero.
Tornou-se sério novamente, pigarreando uma vez quando eu simplesmente não lhe disse mais nada. Nem lembrava do porquê ele tinha que se desculpar, só entrei na onda.
— Me chama pra sair e eu te desculpo. — falei com puro orgulho. Ele acabou soltando um riso com a voz grossa e atraente dele, passando a mão no cabelo de maneira rápida.
— Tudo bem. — colocou as mãos nos bolsos da jaqueta jeans, natural. — Quer sair comigo?
— Depende, pra onde? — levantei as sobrancelhas, ainda firme.
— Deixa eu ver... — fez quase um bico. Porra do caralho, eu quero ele mesmo! — Não, eu quero que você escolha, pra eu ver se tem bom gosto.
— Agora eu que tenho que te impressionar, garanhão? — incrédulo e levando na diversão, apontei pro meu próprio corpo.
Ainda fingi a expressão séria em seguida, mas com o clima mais leve e o silêncio da minha falta de resposta, acabei abrindo um sorriso e colocando a mão por cima, rindo. Ele soltou a respiração, acreditando.
— Caramba, deveria tentar ser ator também, eu quase acreditei! — brincou, e eu tentei lhe dar um tapa no braço, ele desviou. — Mas... Agora, tá, brincadeiras à parte...
— Sim?
— E o Jimin? — perguntou, mudando um pouco o clima anterior. — Ele tá bem?
Desviei o olhar, comprimindo os lábios e inclinando a cabeça levemente de um lado pro outro, como se significasse um "mais ou menos...", o que não era exatamente.
Eu iria visitá-lo hoje depois do trabalho, porque nem dormir, ele conseguiu.
— O Jungkook vai pro Japão, ele passou na audição da empresa. Tá sabendo? — acabou me dizendo, mas sim, eu já sabia. — Bem, não sei se ele já foi, mas se é o horário que eu me lembro, acho que não.
— Fiquei sabendo disso, pois é. Eu fico feliz por ele, soube também que era o sonho dele desde muito novo. — revelei, Yoongi não pareceu surpreso.
— É, e tipo, eu até pensei que... Ah, deixa quieto. — estalou o céu da boca com a língua, num "tsc". Ele se recusou a continuar, mas eu iria obrigá-lo, quem ele pensa que é? Já foi boca aberta uma vez, vai ter que ser de novo!
— Pode contando, que palhaçada é essa? Pensou o quê? Agora fiquei curioso... — perguntei, não lhe dando opção.
— Pensei que o Jimin iria com ele. — e finalmente finalizou. Tornou-se pensativo de repente. E eu. — Sei lá, ver eles separados é tão estranho, mesmo vivendo quase a vida toda com o Jungkook solteiro e sendo o galinha que era antigamente.
— Me acostumei com a boiolice daqueles dois. Realmente é estranho, eu concordo.
— Concorda? — colou seus olhos em mim, digamos que surpreso. — Eu pensei que você-
— Como você citou, eu não tenho ressentimentos do Jungkook. — soltei. — Parece que eu não sou um melhor amigo direito, mas sinceramente não consigo ver ele como vilão.
— Porque ele não é o vilão da história. Nem o tipo ruim de cara.
— Vamos combinar que antes... — arregalei um pouco os olhos, fazendo ele entender o que eu queria dizer. Um sorriso se abriu minimamente e ele revirou os olhos.
— Do passado, eu não quero nem lembrar. — suspirou. — Enfim, de qualquer modo, ele tá indo realizar o sonho dele. E eu espero que o Jimin também esteja bem.
— Ele voltou essa semana a estudar veterinária, e vai começar um treinamento também. Não, já começou...? — pensei, atrapalhado. Ouvi sua risada fraca.
— Veterinária?
— Ele nunca comentou contigo? Sim, ele fez a faculdade mas não exerceu. E agora, finalmente vai conseguir. — me sentia aliviado por ele, como se fosse o próprio Jimin contando.
— Que incrível, nem iria descobrir! — sorriu, sincero. — Tenho certeza de que ele vai se dar muito bem nisso.
— Eu também.
Ao menos espero que sim.
Porque até mesmo eu, sinto como se estivesse faltando algo no meu melhor amigo. Talvez ele não estivesse mais tão motivado quanto antes.
De certo modo, sinto que Jungkook também, desde a última vez que falei com ele, mesmo tendo o sonho em mãos a partir de agora. A confirmação veio em seguida:
— E sabe de uma coisa? — Yoongi continuou, comprimindo os lábios. Não estava satisfeito. — O Jungkook voltou a ser meio ignorante quanto às coisas. Ele era mais coração quando tava com o Ji.
— Acho que seguir o coração nem sempre dá certo.
— Sim, mas não falo sobre seguir. — corrigiu. — Falo sobre ser ele mesmo. Sinto que o verdadeiro Jungkook se escondeu de novo no modo automático. O coração dele não parece vibrar da mesma forma que antes.
💸
[JUNGKOOK]
Meu vôo era o próximo.
Estava parado de pé, com a mala grande comigo. Eu não levaria muita coisa, porque talvez eu adquirisse tudo por lá, ou recebesse outras roupas.
O tempo ficou frio. Tive que vestir um sobretudo preto que nunca sequer usei.
— Olha! — de repente, Namjoon vem em minha direção. Eu saí do meu transe, ele apontou pra vidraça do aeroporto, onde conseguíamos ver o lado de fora. — Tá nevando!
— Porra, nunca achei que veria isso. — admirado, observei. — Só vi quando era criança.
— Incrível, né? — me encarou, logo voltando a olhar pra fora novamente, animado. — Será que no Japão também tá?
Não o respondi, apenas olhei ao nosso redor.
Suspirei.
— Jeon, que tal a gente já ir pros nossos lugares? Já comemos, fizemos de tudo e acredito que o avião tá aqui. — tentou procurá-lo no telão, perdido. — Qual era o número mesmo...
Haviam tantas pessoas no aeroporto.
— Você achou mesmo que eu iria deixar você ir sozinha? — a fala me chamou a atenção, e ao meu lado, mesmo que distante, pude ver um casal. O homem chegava com a própria mala. Ela sorriu, abraçando-o.
— Eu pensei que não iria conseguir vir por causa dos seus pais! Como chegou aqui?! — surpresa, o questionava. Provavelmente o seu namorado.
Decidi não prestar mais atenção na conversa. Talvez fosse um pouco doloroso lidar com uma realidade que por consequência dos meus próprios erros, não era a minha.
Olhei ao redor mais uma vez.
— Jungkook, ei. — pegando a minha atenção de volta, eu o encarei e proferi um "hm?", ainda imerso. Namjoon franziu o cenho. — Você anda muito distante, cara. O que tá acontecendo? Hoje é um dia de pura felicidade, homem!
— Eu? — então, caí na real. — Ah, não é nada. Tô ansioso, só. — sorri, sem graça, cabisbaixo.
— Parece estar procurando alguém. — mirei nele na hora. — Tá mesmo tudo bem?
— Tô sim, Nam. De boa. — me endireitei, decidido. Pigarreei. — Acho que podemos ir, aquele é o nosso. — apontei pra cima, vendo os números.
— Oh, eu não vi! Chegou agora?
— Tá escrito do lado, cego. Bora. — comecei a mover a minha mala. Iríamos agora.
— Espera. — pegou levemente no meu braço. Namjoon pareceu sério. — Jungkook, se não quiser ir por algum motivo...
— Tá maluco, hyung? Que pergunta foi essa? Acho que sonhava com isso desde a minha reencarnação passada! — soltei uma risada curta. Ele revirou os olhos, abrindo um sorriso. — Melhor a gente ir logo!
Caminhamos direto para a escada rolante. Hyung ia na frente, eu ficava para trás.
Me peguei aéreo quando subi também. Eu não pensava que seria desse jeito. Quer dizer, sempre me imaginei realizando o meu maior sonho estando com Namjoon hyung do meu lado, e também com o apoio da minha verdadeira família.
Mas de certa forma, agora faltava algo.
Olhei para trás.
Eu o reencontrei para perdê-lo de novo?
Parecia tão injusto.
Naquele momento, apenas em meros segundos, eu senti os meus olhos lacrimejarem.
Antigamente, minha vida era toda em preto e branco. E agora, parecia ter voltado à estaca zero.
Eu me sentia diferente.
Quando botei o primeiro pé dentro daquele avião, me sentia ainda mais.
A minha melhor versão, estaria vibrando de pura alegria pela oportunidade. E eu até estava, mas por dentro, onde aquele Jungkook se encontrava.
Então, uma coisa havia sim, sido cravada na minha mente há muito tempo, e se concretizou. Uma coisa que eu sabia que aconteceria de um jeito ou de outro:
De que quando eu perdesse o meu Coradinho,
eu perderia a música também.
E agora acho que a perdi.
💸
[JIMIN]
Não pensei que choraria tanto de novo até o meu narizinho ficar vermelho. Parecia que estava doente.
Me agarrei ao Limão e fiquei praticamente em posição fetal sentadinho na minha cama.
A campainha tocou.
Me separei do gatinho e sem tanta pressa, me levantei. Tocou de novo.
Ao atender, não tive surpresas. Era Taehyung, segurando uma caixa branca nas duas mãos, pequena. Franzi o cenho.
— Por que seus olhos estão inchados? Jimin, por que tá vermelho assim? — já chegou me enchendo de questões, sério. Eu sequer reclamava algo com ele, mas era óbvio. E Taehyung era muito observador.
— ... É pra mim? — peguei a caixinha fofa com um lacinho verde escuro em volta dela.
— Jimin, olha pra cá. — engoli em seco, evitando o contato visual. — Jimin, tô falando sério com você.
Então, eu levantei o olhar. E reparando nas suas roupas, com certeza ele havia saído do trabalho pra vir direto ao meu apartamento.
Tete estava trabalhando bastante ultimamente. Isso era muito bom, porque ele amava o seu trabalho. Só não entendi a pressa para vir se nem lhe mandei uma única mensagem no dia.
— Por que faltou hoje no seu treinamento?
— Não tava me sentindo muito bem...
— Você tá se agredindo, Jimin. — soltou o ar, parecendo realmente preocupado. — Chega, eu sei que você tá muito feliz pela oportunidade do trabalho que sempre quis, mas toda vez que lembra do Jungkook, fica assim.
— Sinto muito... — abaixei a cabeça. — É que hoje, eu deveria-
— Ter ido atrás dele? — mirei meus olhos nos seus no mesmo instante. — Acredita nele agora? Ainda mais depois de descobrir que é aquele garotinho da escola que você nunca mais reencontrou?
— Eu tô tão confuso, Tae... Não fala assim comigo...
— Vem aqui. — me puxou pra um abraço aconchegante. Era o meu primeiro porto seguro. E o único que conseguia enxergar até a minha alma, se deixasse. — Tá bom, desculpa, você não fez nada de errado. Olha só.
Me afastou, e sem esperanças, tentei prestar atenção. Colocou as mãos em meus ombros, decidido, mudando o clima rapidamente.
— Quer fazer uma tatuagem? Amanhã, podemos fazer uma visita pro Yoon! — sorriu sapeca, me arrancando um pequeno sorriso também. Eu deveria imaginar.
— Estão juntos?
— Juntos? Ora, ainda não! E infelizmente! — bufou, cruzando os braços. Eu me afastei da porta e Taehyung entendeu o recado, entrando com tudo. — Ele é um fofo mas parece que é um tatuado crente! Esse homem é puro!
— O que? — acabei rindo, indo até o reclamão já sentado no meu sofázinho. — Como assim?
— Ele quer me levar pra um parque de diversões, Jimin! Um parque de diversões! — indignado, me contou. — Pedi pra que escolhesse o lugar e ele me manda essa! Pensei que seria, sei lá, um jantar a luz de velas!
— Taehyung, o homem é romântico! — o que meu melhor amigo tinha de engraçado, tinha de folgado.
— Eu sei, tô brincando, vai. — suspirou, abrindo um sorriso. — Gosto muito desse jeito dele.
— Quem diria, hein? — sentei ao seu lado calmamente, deixando a caixinha de lado. — Que Kim Taehyung, o mais temido dos relacionamentos sérios, iria se apaixonar assim.
— Não sei bem se é paixão, não.
— Garanto que é. Também comecei assim.
— Jimin, Jimin. — me encarou desconfiado, mas desviei comprimindo os lábios em um sorrisinho, tentando continuar com o clima divertido.
— Tá tudo bem, Tae. Não se preocupa comigo, de verdade. — respirei fundo, no silêncio. Mirei nele de novo, com mais animação. — Que tatuagem a gente faz?
— A gente?! — levantou as sobrancelhas.
— Lógico, acha que depois dos piercings que eu fiz sozinho, você vai escapar?!
— Mas eu te convidei pra você fazer! — apontou pra mim, na cara de pau. Eu ri, negando com a cabeça.
— Para com essa palhaçada! Você vai fazer junto comigo! — o empurrei levemente.
Ele não me respondeu, e dessa vez, me deparei com Taehyung somente me olhando, desfazendo o sorriso aos poucos, mas ainda o mantendo consigo.
— Quê? Tá pensando de novo? — achei um pouco engraçado, na verdade. — É no Yoongi?
— Não, só... — soltou um leve suspiro. — Se quiser ir, vai, Ji. É só ir e agarrar o que nunca deveria ter ido. Você consegue fazer isso.
O meu sorriso se desmanchou.
— Temos que escolher um desenho legal, podemos procurar na internet. — ignorei, mudando de assunto, endireitando-me de novo e apertando as minhas mãozinhas de leve ansiedade.
— Certo, podemos dar uma pesquisada. — voltou ao seu eu, me deixando aliviado. Mas entregue aos meus próprios pensamentos. — Do que você gosta? E se a gente listasse as coisas que gostamos pra pelo menos fazermos algo com significado? — aproximou-se, com o celular em mãos, abrindo o Pinterest.
— Hum... — tentei pensar melhor. — Eu gosto de gatinhos, principalmente do Limão. De morangos...
— Morangos! — e quando eu li o que ele estava escrevendo na barra de pesquisa, o interrompi na hora.
— Mas eu não vou tatuar morangos! Qual o sentido?
— Não é o que você gosta? — me encarou, e logo teve uma ideia que o fez voltar ao seu celular de novo. — Nossa! Será que o Yoongi ligaria se eu tatuasse a carona dele?
— E a lua? — perguntei, apontando para a tela em seguida. — Olha isso, que bonito!
— Essa aqui? — era as costas de alguém, parecia uma pintura, com as fases da lua bem linear. Uma abaixo da outra.
— Se fosse grandinha assim, ficaria bonito? — ele me olhou com repúdio. — O que? Acha que vai doer? Eu aguentei um piercing no umbigo e outro no mamilo, esqueceu?
— Puta merda, verdade. — se tremeu todo. Morria de medo. — Aliás, essa tatuagem é sexy demais, hein.
— Eu sei, gosto de quando algo a mais dá uma equilibrada no meu jeitinho. — disse, sincero. Taehyung ainda me fitava com uma careta.
— Como consegue dizer isso com essa carinha fofa de inocente?
— Me acostumei. — sorri.
— Jimin, você fica cada vez mais safado, tsc... — negou com a cabeça, voltando a rolar o aplicativo.
Mas a ideia não saiu da minha mente.
Conforme ficamos apenas uma horinha analisando diversas tatuagens e selecionando algumas, principalmente Taehyung, mesmo assim, aquela permaneceu na minha cabeça.
E pra mim, fazia tanto sentido...
Eu amava o sol, mas também amava a lua. Me identificaria facilmente com os dois.
Ao mesmo tempo, o sol me lembrava alguém, e coincidentemente a lua também.
— Ei, tu não vai abrir, não? Até esqueci, mas... É, quando cheguei tinha um entregador lá embaixo. — me lembrou imediatamente da encomenda que trouxe consigo.
— Oh, verdade. — peguei a caixa ao meu lado, sem nem perceber, achando que feito isso há tempos.
Rapidamente, a abri.
Tinha outra caixinha, mas com morangos.
Naquele momento, meu mundo todo pareceu parar.
— A gente tinha falado de morangos, e tu nem lembra que pediu?!
— ... não fui eu.
Nem sabia se ele havia escutado, eu só consegui manter meus olhos focados.
Não havia bilhete, absolutamente nada.
Mas o que me fazia ter certeza do remetente?
Uma figurinha de limão, no centro da caixinha transparente de morangos para deixá-la fechado adequadamente.
O meu coração batia tão forte que pensei que sequer poderia aguentá-lo dentro de mim.
Eu não escutava absolutamente mais nada ao meu redor. Na minha mente, havia apenas:
E se eu fosse realmente atrás de você?
💸
No outro dia, acordei um pouco mais disposto.
Na verdade, com Taehyung no meu ouvido dizendo que iríamos fazer uma tatuagem de amizade.
— Só depois do treinamento?! — perguntava decepcionado enquanto eu ainda tentava abrir os meus olhos, sentado na minha cama grande onde Taehyung dormiu comigo, quase me chutando pra fora com maestria.
— É, eu te falei ontem. — fiquei um pouco impaciente. — Caramba, é lógico que eu teria que ir hoje, tô recebendo a ajuda de muito bom grado e eu tenho todos os dias, tirando os finais de semana, esqueceu?
— Ah, não, Ji! É plena terça! — fez bico e eu franzi o cenho.
— E por que terça não deveria ter? Isso nem faz sentido, Taehyung. — revirei os olhos e fiquei de pé, saindo direto pro banheiro.
— Beleza, então, depois nós vamos, né? Não desistiu da ideia? — me perseguia, animado com a história da tatuagem.
— Eu vou, Tae, eu vou. — sem muita paciência, peguei minha escova de dentes, vendo os meus fios todos desalinhados no espelho quadradão.
— Ótimo, tô avisando o Yoon. — e quando olho, simplesmente tenho Taehyung digitando.
— É sério que você já falou pro Yoongi?
— A gente se fala todo dia, acha que eu não ia? — me encarou com apenas uma de suas sobrancelhas levantadas. — Ah, me dá licença, engraçadinho. Tenho que ver se ele vai me aguentar sendo tagarela.
— Garanto que não por muito tempo. — afirmei, já escovando os meus dentes e recebendo um leve soquinho no ombro. Ri, cuspindo.
— Te espero no estúdio, aproveito e vou lá daqui a pouco pra ver o meu homem trabalhar.
— Precisa ver se ele é bom nisso também? — após lavar a boca, com meus braços apoiados na pia, encarei meu melhor amigo cruzando os braços na porta do banheiro.
— Quero ver como ele manuseia aquela mão linda dele e aqueles braços tatuados pra fazer a tatuagem. Assim, sei que se a gente namorar, ele vai saber me-
— Não preciso saber! Não preciso saber! — fechei os olhos com força e falei mais alto, lhe cortando antes que soltasse muitas informações que não seriam saudáveis para os meus ouvidos.
— Mas saiba de uma coisa muito importante, Jimin. — e ele veio do nada, com o indicador apontado pra lá se sabe onde, se aproximando de mim com a feição séria. Estranhei totalmente.
— Que coisa?
— Desde que eu conheci ele, eu não transo. Sabe o quanto isso é grave? — fiz careta, saindo de sua frente rapidamente. — Tô falando sério, seu loirinho do capiroto!
— Jesus, não nasci pra ficar ouvindo isso! — rebati, entrando no meu quarto.
Após arrumar a bolsa grande que levava comigo, iria para mais um dia.
Eu estava fazendo um treinamento para a área de veterinária, e duraria um tempo até que eu realmente fosse excelente no trabalho. Estava progredindo muito, porque já sabia da maioria das coisas, além de saber fazê-las também.
Tive toda essa oportunidade graças ao Namjoon, e bem, na verdade, primeiramente, graças ao Jeon...
Estive sempre um pouco ansioso. A semana passava, e eu recebia muitos elogios. Talvez realmente fosse seguir na profissão que tanto almejava.
Prestei atenção total em tudo, e conheci uma bebêzinha muito fofa chamada Amora. Era uma cadelinha adorável e quietinha, pretinha. Observei as orientações, e só de vê-la, via o quanto ela parecia saudável aos braços de sua dona. Ela havia conhecido o lar há muito pouco tempo, e o casal queria entender o motivo pelo qual a Amora se sentia tão ansiosa perto do homem e dos filhos deles, mas com a mulher, ela se acalmava, se mantinha segura. Sentiram-se preocupados.
A verdade era porque sim, Amora se sentia extremamente segura com a dona. Porque foi a mulher quem a resgatou em seu pior estado, lhe deu a primeira comidinha e a apresentou para o restante da família. Então, era comum que a Amora se identificasse mais com a mulher, sua verdadeira dona e mãe. Mas logo ela se daria bem com todos, quem sabe.
Ás vezes, confiamos mais naquelas pessoas que nos tiram de uma situação problemática e nos mantêm seguros.
Como se você estivesse com muito frio, mesmo cheio de cobertas ou até sem nenhuma, e de repente, alguém se aconchega totalmente a você, lhe trazendo o calor que verdadeiramente precisava.
Pensando bem, eu mudei muito.
E nem se passou taaaaaaanto tempo.
Só precisei que me abrissem os olhos e me mostrassem um novo mundo.
De lá, com as vestimentas certas, fui direto pra tattoaria, de encontro com o meu melhor amigo e o famoso Yoongi, o incrível tatuador galã da nação. Claro, o mais fofinho também.
Caras tatuados na porta, mulheres também. Pareciam profissionais, e cada vez que eu voltava aqui, haviam mais deles. O estúdio crescia.
Entrei um tantinho receoso, olhando ao redor e caminhando para a área das mesas de pequenos comes e bebes. Ou digamos, meio que sala de espera.
— Jimin! — era a voz de Taehyung. Ele veio correndo em minha direção.
— Onde você tava?
— Que coisinha fofa que você fica todo de preto, cute cute. — apertou minhas bochechas, me deixando incomodado. Tirei as mãos folgadas dele de mim. — Realça suas bochechas.
— Quer parar de me fazer passar vergonha? — Taehyung falava alto, o que consequentemente me deixaria mais vermelho.
— Taehyung, por que saiu de lá? Eu... Jimin, você veio mesmo! — Yoongi vinha, com um copo de café na mão. Abriu um sorriso, ficando ao lado do Kim. — Achei que não fosse vir.
— E você pensou mesmo que ele negaria ir pra algum lugar que eu chamei ele? — falou no meu lugar, revirei os olhos. — Somos um grude!
— Entendi, entendi. — levantou as mãos, rendido. Sorriu pra ele. Fofos.
— Quando vai sair o beijo? — cruzei os braços e ousei perguntar, levantando as sobrancelhas, sugestivo. Yoongi pigarreou e Taehyung arregalou os olhos.
Mas eu conhecia beeeem o meu melhor amigo. Com isso, assisti o seu rosto virar-se para Yoongi, encarando-o como se fosse um: "Tá vendo só? Acho que você tá muito devagar".
— Bom, fiquei sabendo que vai fazer uma tattoo aqui comigo também. — mudou de assunto, desconcertado.
— Com você? — fiquei surpreso.
Seria com ele?
Digo, era ótimo porque Yoongi era meu amigo, principalmente pela confiança que eu tinha nele.
— Não, na real, ele vai fazer em mim enquanto o colega dele faz em você. — Taehyung sorriu amarelo. Eu deveria adivinhar que Yoongi era especialmente dele.
Também porque nem era a questão de confiança ou segurança, mas porque Taehyung estava morrendo de medo.
— Medroso, aguenta de tudo e não quer aguentar uma tattoozinha de nada.
— Tá com medo? — Yoongi o encarou, sacana.
— Que mentira! Tenho coragem de tatuar até um dragão nas costas! É que como é a primeira, prefiro algo mais pequeno, bem sutil. — dizia, exibido. — Não sou radical que nem você, seu safado encubado.
O olhei com reprovação, Taehyung não media as palavras e Yoongi soltava a gargalhada.
— Certo, pelo que eu vi aqui, enquanto um quer fazer um simples coração na coxa, um quer fazer várias luas nas costas. — o tatuador relembrava o que havia sido lhe passado. — Um momento e já vão ser atendidos. — passou a mão no cabelo de Taehyung e simplesmente saiu.
— Viu que ele passou a mão no meu cabelo nessa porra do caralho? — não muito discreto, tentou sussurrar pra mim ao se aproximar em um passo maior que a perna, quase metendo a boca no meu nariz. Me afastei.
— Que desespero, eu logo tascava um beijo e não ficava nessa demora toda. Logo você.
— Fala por experiência própria, né? Abusado.
Me contive um pouco, até mesmo um sorriso que quase escapou. Sim, lembrei da coragem que simultaneamente tive de um segundo para o outro. Num passe de mágica. Movido pelos sentimentos.
Nos provocamos mais algumas vezes, até Yoongi e seu colega de trabalho com cara de mau voltar. Todos pareciam ter cara de mau. Enfim.
— Como eu sei que vou terminar o do Tae em minutos, vou ajudar o meu amigo com a sua tattoo ou posso pegar o trabalho todo pra mim, metade, sei lá. — deu de ombros.
— É tanta coisa assim? Eu achei que...
— Não, relaxa. — riu da minha preocupação. — São detalhes, apenas. Nos esforçamos muito pra deixar o mais detalhado e bonito possível, ainda mais se for pra ser igual nas fotos de inspiração.
— Ah, não, nada disso, nem precisa ser, fiquem tranquilos! — mexi as mãos, não querendo dar tanto trabalho.
— Tsc, deixa com a gente e fica quietinho que você não tá pagando à toa. — disse, despreocupado.
Quando percebi, Taehyung já estava sentadinho na poltrona pra tatuar, com um sorrisão estampado. Cheio de medo por dentro. E ninguém nem havia o visto sair de perto. Parecia cena de um filme de comédia.
Eu aproveitei e também me sentei ao lado, mas esqueci do detalhe essencial e quase que obrigatório para um procedimento bem sucedido.
Esqueci da parte de tirar a camiseta.
Na frente de todo mundo.
Não que fosse a primeira vez, já que o piercing no umbigo juntamente ao do mamilo também era o recomendado. Mas não necessariamente a retirei, naquele dia, somente levantei, o que era quase a mesma coisa e o estúdio nem era tão cheinho quanto o do Yoon.
Sem contar que fazer isso na frente de pessoas que você já conhece bem mas não tem tamanha intimidade era mais vergonhoso do que na frente de desconhecidos que não dão a mínima pra você.
Mas tudo bem, era só o Yoongi.
— Desculpa, mas são lentes? — o tatuador perguntou, ao olhar bem pro meu rosto. Sorri sem graça.
— Não, é o meu olho mesmo.
— Nossa, que maneiro! — sorriu gentilmente, com os dentes de aparelho na cor azulzinho.
Era engraçado que, a aparência desses carinhas todinhos poderiam enganar facilmente qualquer pessoa que acreditassem que eles eram os caras maus. Mas alguns se revelavam um amor.
Pelo menos todos os metidos a badboys que conheci, eram assim...
Tirei a camiseta, ouvindo um murmúrio de Taehyung que me fez encará-lo na hora, vendo Yoongi sentado enquanto somente mexia na tinta, com a máscara e as luvas, pronto para começar.
— Lindo, te amo. — me mandou um beijinho no ar.
Revirei os olhos e ri, me preparando pra deitar e provavelmente sentir uma bela dor. Ele abriu as pernas um pouco, as duas esticadas.
— Fala se eu não peguei um local estratégico, hein. — levantando as sobrancelhas duas vezes seguidas em pura malícia, insinuou a tatuagem na coxa, fazendo Yoongi tossir levemente. Ouvi uma risadinha sincera do outro tatuador também.
— Você não conhece os limites mesmo. — acabei achando engraçado, porque seu jeito nunca iria mudar. E era cômico, mas também muito fofo saber que Yoongi havia lhe aceitado dessa forma.
Porque Taehyung poderia ser tudo. Escandaloso, boca suja, malicioso, exibido ou metido. Mas quando queria alguém, era somente aquela pessoa e fim de papo.
Pior ainda se ele realmente acabasse se apaixonando pela pessoa.
Só haveriam olhos pra ela.
Fofinhos...
Sendo bem sincero, doeu bastantão. Provavelmente mais do que os dois furos dos piercingzinhos que fiz. Digo também pela demora, porque pra furar era rapidinho, mas a tatuagem... Parecia uma eternidade.
Taehyung literalmente passou de dez a quinze minutos da tatuagem com a mão tampando a boca. Contando até mesmo o tempo antes da agulha sequer encostar na sua pele, pois ele já estava assim. Não consegui olhá-lo por muito tempo, pois estive deitado.
— Eu acho que ninguém deve ter costas tão bonitas. — eu analisava a tatuagem recém feita no espelho. A pele avermelhada, e a tinta bem feita e desenhada, enquanto Tae tagarelava no meu ouvido.
— Ficou melhor do que eu pensei. — levantei as sobrancelhas, um pouco surpreso.
— Caralho, que homem gostoso, né?
— Dá pra parar de fazer esses comentários? Eu vou ficar com vergonha! — o encarei, sem tanta paciência.
— Da vergonha tu passou longe faz tempo! — apontou pra mim. Mostrei a língua.
— Agora tem que deixar um plástico por cima, o Yoongi vai colocar em você que nem na minha, olha. — tinha um dos lados da bermuda levantado, me mostrando o coração pequenininho na coxa.
— Hum... Ficou muito fofo, não sei se combina com você. — franzi o cenho, fingindo pensar ao colocar o indicador no queixo. Taehyung me deu um tapa na mão. — Você quase acertou a minha cara! Eu tava brincando!
— Tá muito é abusado!
— Desculpa interromper a briga de vocês, mas teríamos que cobrir a t... — era Yoongi, o salvador da pátria.
— Oh, verdade, tem que proteger a tatuagem, vamos sim, desculpa eu! — lembrei, me aproximando de Yoongi.
— Não chega perto do meu futuro homem que você tá sem camisa e tem um corpo lindo, seu pilantra! — Tae colocou a mão na minha frente. O encarei de olhos espremidos.
— Futuro homem? — mas Yoongi também colou seus olhos no meu melhor amigo.
— Claro, por acaso você me pediu em namoro e eu não tô sabendo?
Uau. Depois dessa, decidi tomar distância.
Yoon demonstrou sua indignação, e eu só conseguia imaginar a tamanha coragem que ele tinha em suportar Kim Taehyung sendo folgado o tempo todo.
Brincadeirinha, porque eu sabia que o meu irmãozinho estava tão apaixonadinho nele quanto.
Na volta, fomos de táxi pro meu apartamento. Eu sentia a minha pele um pouco dolorida, e ouvia a cada cinco minutos Taehyung me dizer que sua coxa inteira ardia. Exageradinho.
Antes de entrarmos no elevador, vi Woosung chegando no prédio.
— Oh, Woo! — levantei a mão, acenando pra ele. Parecia apressado, e quando me viu, somente sorriu.
— Hum, o bonitinho. — Taehyung olhou brevemente e também acenou rápido, virando de costas novamente, de frente para o elevador e sem interesse.
— Tudo bem? Por que parece que correu uma maratona? — ri, vendo ele tentando respirar direito. Woosung acabou rindo de si mesmo.
— Eu realmente quase corri uma. Fui pro trabalho, mas esqueci o meu notebook, a coisa mais essencial.
— Meu Deus. — coloquei a mão na boca, ainda rindo um pouquinho.
— Vocês estão bem?
— Sim, acabamos de sair de um estúdio de tatuagem.
— Do Yoongi? — confirmei com a cabeça. — Sério? E o que vocês fizeram?
— O Tae fez um coraçãozinho na coxa, e eu as fases da lua na costas. — Woosung arregalou os olhos em pura surpresa. Sorri. — É, eu sei que sou bem radical.
— Super, nossa! — concordou, soltando o ar. — Eu nem imaginaria.
O elevador chegou, e entramos um atrás do outro, com algumas pessoas conosco.
De repente, senti um puxão de Taehyung pra que eu ficasse no cantinho com ele. Woosung acabou ficando no outro canto, com duas pessoas em nosso meio. Encarei o Tae com desdém.
— O que? — sussurrei. Ele nem me respondeu, só negou com a cabeça como se fosse um: "relaxa aí, nada não".
Eu me despedi de Woosung quando paramos em seu andar, logo abaixo do meu.
— Por que me puxou?! — me desvencilhei de Taehyung, já que estávamos apenas nós dois agora.
— Ah, pra não ficarmos separados, oras. — deu de ombros.
— Seu estranho. — cruzei os braços, olhando para os números dos andares.
— Sou mesmo. — não deu importância.
— Tem certeza de que não quer ficar? — assim que pisamos no apartamento e ligamos as luzes, perguntei.
— Meus pais vão estar em casa amanhã cedo, e nós vamos visitar a minha vó. Ela tá se sentindo sozinha, e é uma pena que more longe. — explicou cansado, jogando-se no sofá.
— Jura? Mas vocês não iam comprar um lar novo pra ela?
— Sim, só que sabe como é. Ela é uma senhorinha, tem papeladas, e tudo mais. Talvez ela fique com a gente mesmo, o problema é que os meus pais nem sempre estão em casa por trabalharem com as viagens e nem eu, pelo trabalho também. Mas tô mais em casa do que eles, acho que consigo.
— Que coisa... — me sentei também, com calma.
— E você? — o encarei. — Tá gostando daqui?
— Bastante. É aconchegante. E é só meu.
— Tudo que for longe dos seus pais, se torna o melhor lugar do mundo. — soltou.
— Eu não posso discordar, principalmente pelo meu pai...
— Vamos mudar de assunto? — se endireitou, aproximando-se de mim. — Diz o verdadeiro significado dessa tatuagem pra mim, hein.
— Não pode ser só porque eu achei bonito?
— Mas só isso mesmo? — não desviou os olhos dos meus, realmente querendo a minha verdadeira resposta.
Como eu havia dito antes, parecia que Taehyung decifrava até a minha alma, não tinha como mentir.
— Me lembra as minhas fases.... — hesitei. — Com ele. E me lembra ele também.
— E o que você vai fazer com essa informação, Jimin?
— Como assim? — franzi o cenho, não enxergando motivo algum pra essa pergunta.
— Porque... — seu celular começou a tocar, vibrando no bolso da bermuda. O pegou, e quando encarou o contato, se afastou de mim abruptamente. — Um momento.
Ele simplesmente se levantou e atendeu, indo pro meu quarto sem dizer mais nada. Parecia importante.
De qualquer modo, suspirei alto. Peguei no meu próprio celular e abri a galeria. Comecei a ver a foto das minhas costas. Agora, eu me sentia um tantinho tímido.
— Ficou tão bonito...
Fiquei imaginando, muito raramente eu ficaria sem camiseta e era uma tatuagem que somente eu poderia ver várias vezes.
Eu e outra pessoa.
Uma que iria amar saber disso, vê-la nas minhas costas com os seus próprios olhos. E as suas mãos...
Balancei a cabeça com os meus pensamentos distantes, e me levantei do sofá. Iria atrás do Tete, estava tudo silencioso demais.
Caminhei pelo corredor, e no momento em que cheguei perto da porta do meu quarto, sem fazer barulho por nem saber o tipo de conversa que ele estava tendo, acabei ouvindo sem querer.
— E você? Tudo bem? Fiquei surpreso por ter me ligado. — dizia, parecendo incerto ou um tantinho sério. — Como foi seu primeiro dia no Japão? Gostou? Eu fui aí uma vez só. Tipo, eles estão te tratando b-
Ele me viu.
— Olha, depois me manda uma mensagem, tenho que ir, até mais. — falou rápido, assustado por me ver e desligando na hora.
— Com quem você tava falando?
— Jungkook. — revelou.
— Por que? — cheguei perto, confuso, não compreendendo. — Não entendi, o que tá acontecendo?
— Nada, mas eu sabia sobre os morangos. — em meio às suas qualidades e defeitos, Tae era uma pessoa bem transparente. — Ele me avisou que os mandaria e eu avisei quando você iria chegar em casa, pra que a entrega fosse a tempo. Pronto, falei.
— E por que não me disse nada? E essa ligação do nada? Por isso veio correndo pro meu apartamento?
— Calma, eu não terminei. — disse. — Eu me senti estranho por nem perguntar mais nada pra ele, e resolvi mandar mensagem hoje mais cedo antes de irmos tatuar, perguntando se tá tudo bem com ele e o Namjoon. E aí, ele me ligou agora.
— Deveria ter me contado. — decepcionado, rebati. Taehyung soltou o ar.
— Mas não estamos mantendo nenhum contato, eu só achei educado-
— Eu deveria saber mesmo assim!
— Então por que você mesmo não pergunta pra ele como ele tá?! — retrucou alto.
— Por que isso seria da sua conta, Taehyung?
— Porque tudo que você faz tem relação com ele!
— Quem disse?!
— Você mostra isso, Jimin! — soltou o ar, abaixando o tom de voz em seguida: — Ji, eu só quero a sua felicidade. E você sabe mais do que ninguém o que quer pra si mesmo.
— A escolha de não estar lá com ele foi minha, Taehyung. — não me respondeu, somente desviou seu olhar para o lado. Segui.
Especificamente, para a gradezinha que coloquei no parafuso da parede ao lado da minha cama.
Colei quatro únicas fotos.
A do Limão, dele, e de nós três.
E a última, no meio. De nós dois em Jeju.
Ouvi um miado, e quando percebi, meu olhar foi para baixo. O nosso gatinho estava aos meus pés, sentadinho.
— De qual sinal mais você precisa, Jimin?
Meus olhos encontraram o do meu melhor amigo novamente, que só queria o meu bem. Estive tentando seguir a minha razão por tanto tempo que nem sequer percebi...
Até ela me avisava de que eu fiz a escolha errada.
Senti as lágrimas encherem os meus olhinhos.
— Eu tenho certeza de que ele tá te esperando. E de que ele sempre vai.
💸
[JUNGKOOK]
Dias corridos pra caralho. Era sábado.
A minha primeira semana no Japão.
No primeiro dia, conheci os produtores e grande parte dos treinadores. Até mesmo trainees.
Eu me sentia um pouco estranho por ter todo um tratamento especial, mesmo que junto de outras pessoas talentosas. Só que claro, basicamente, eu estaria sozinho nessa, não estaria lutando para entrar em algum novo grupo. O que era triste em alguns casos, com chances de nunca poder debutar.
Terça-feira, fui pra um restaurante com Namjoon. Enchemos a barriga e ainda pedimos sobremesa. Oras, não era sempre que eu estava chique assim.
Quarta, acredito que só fiquei no hotel. Tive que ensaiar por seis horas seguidas durante a noite como todos os dias, mas nada fora do comum.
Ah, lembrei. Fui numa tattoaria aperfeiçoar algumas tatuagens, coisa que se Yoongi soubesse, me mataria. E claro, eu riria. Os caras daqui eram bons até.
Só se passou uma semana.
Saudades do rostinho dele.
Na quinta, eu quase desmaiei, preocupando Namjoon. Não comi direito porque evitei, sem apetite. E ainda ensaiei quando cheguei no hotel, mais do que as seis horas passadas na sala de prática. Também porque eu particularmente não estava me sentindo muito bem.
Pensando muito.
Ah, e também consegui terminar a minha música. Quase a modifiquei inteira. Sexta, apenas ensaiei pesado de novo.
Iria apresentá-la hoje. Para um grupo pequeno ou até médio de pessoas, pra me acostumar. Nem era bem um debut, mas era o começo de uma nova página da minha vida imprevisível. Estava meio ansioso, não que eu já não estivesse muito bem acostumado na boate. Era diferente.
Haveriam outros cantores se apresentando pela primeira vez. Eu seria a última apresentação, pra fechar com chave de ouro, do jeitinho que eu gosto.
Apesar de me sentir receoso, eu estava feliz. Confiava no meu potencial. Ao menos na música.
— De branco? Olha só, parece até um anjo. Cadê as asas? — caçoou. Namjoon estava com muitas brincadeirinhas ultimamente.
Eu estava sentado, no camarim. Terminaram de me maquiar. Tomei um pouco de água na garrafinha transparente e quando ficamos sozinhos por um momento, relaxei.
— Vou fingir que nem ouvi, porque se eu responder, vão sair palavras de baixo calão.
— Que culto. — riu. — Ansioso? — perguntou, sentando na poltrona azul marinha em minha frente ao pegar um pacote de salgadinho do camarim. — Já aprendeu a falar japonês?
— Nem um pouco. — rimos. — Tipo, falam que é simples, mas não vi isso, não.
— Tu que aprende devagar quase parando, isso sim! — me zoou.
— Foda.
— Mas e quanto ao show? Daqui a pouco, vai começar. Tá calmo? — vi que seus olhos perceberam o que notei na hora também: a minha própria perna mexendo, mostrando que sim, eu até estava com uma leve ansiedade.
— É, tenho que confessar. Dá um nervosismo.
— Normal, vai passar por muito disso sendo um cantor bem famoso. — dizia. Revirei os olhos, abrindo um sorriso.
— Quem sabe.
— Gostei de como as tatuagens ficaram. Yoongi vai te xingar quando voltar, sabe né? — apontou, brincando, mas deveras preocupado.
— Porra, tô até vendo. — encarei elas em um braço, puxando um pouco a manga da jaqueta branca. — Mas ficaram do caralho.
— Fez novas?
— Ah, cobri algumas.
— Tem até um sol. — disse, observando tudo na minha frente. Quando reparei no desenho também, minha expressão mudou lentamente.
— Tem... — concordei, com meus olhos grudados nos traços.
— Você tá mais pra lua do que sol, não era o badboy? — brincou, e eu cobri as tatuagens de novo, em outro clima.
— Posso até ser a lua, o que significa que o sol combina comigo.
— Lua e sol é o amor impossível! — dramatizou, suspirando alto.
— Para de graça. — desviei, revirando os olhos. — Vai me gravar no palco pra mostrar pros meninos depois?
— Lógico! Apesar de que, você não acha que vai passar na TV? — curioso e animado, questionou. Pensei.
— Talvez passe gravado depois, tem razão...
Seria incrível.
E de certa forma, eu até me sentia seguro em outro país. Principalmente longe daquele monstro.
Quando precisei sair daquele camarim, no momento em que estive atrás dos palcos, tantas coisas passaram pela minha cabeça.
Sonhava com isso há muito tempo. E agora, conforme eu respirava fundo, sentia como se o mundo todo rodasse devagar.
Namjoon provavelmente digitava com Seokjin no celular, mas eu sabia no olhar que ele dava pra mim, que estava tão orgulhoso quanto eu.
— Com licença... — uma voz feminina surgiu, me tirando dos meus pensamentos.
— Sim? — era uma mulher alta e magra, quase do meu tamanho, me surpreendi. Usava um conjunto preto, cheio de brilho, parecendo de perfomance.
E pela voz que ouvi no começo das apresentações, ela provavelmente havia sido a primeira cantora. Era a única mulher que vi até o momento, tirando as staffs. Pelo sotaque também, óbvio que era japonesa.
É, vamos combinar, ela falava forçadamente. Não sei se era a voz dela naturalmente falando, mas parecia forçá-la para parecer fofinha e fininha. Sana também fazia isso certas vezes, o que me irritava um pouco. Era coisa da cultura?
— Você é o Jeon Jungkook, né? — perguntou, interessada. Afirmei com a cabeça. — Prazer, me chame de Mika. — ergueu sua mão pra mim, e eu a cumprimentei sem delongas.
— Foi a primeira a se apresentar, se eu não me engano... — tentei adivinhar, ela sorriu de orelha a orelha.
— Isso!
— Ah, parabéns, ouvi você. — sorri. — É muito talentosa.
— Obrigada, você também, já te escutei ensaiando. — agradeci. — E você... Vai ficar bastante tempo aqui?
— Acredito que sim.
— Eu não sou da Big Hit, mas vejo muitos comentários positivos da empresa, por mais que não tenha muitos sucessos por enquanto.
— Eu vou ser o primeiro sucesso, anota. — brinquei, ela riu.
— Não vou duvidar disso, já me considere sua fã.
— Também serei o seu se suas músicas forem boas pra mim. — fui sincero. Não sou fã do nada, não, as músicas tem que me conquistar.
— Que exigente. — cruzou os braços, ainda risonha. — É a sua primeira vez aqui?
— No país? Sim. O único que conheci sem ser a Coréia, foi os Estados Unidos.
— Mentira? Eu super queria ir pra lá um dia! — surpresa, se aproximou de mim, interessada. Continuei conversando normalmente com a garota.
— Eu recomendo, não sei hoje em dia, mas era maneiro.
— Daqui a pouco vai cantar, né? — olhou ao nosso redor, com o pessoal chegando próximo à mim, como se eles estivessem se preparando também. Confirmei com a cabeça. Mas percebi que ela parecia esperar que eu continuasse o papo.
— Você terminou tudo e já vai embora? — questionei, sem muito interesse da minha parte no que ela faria ou deixaria de fazer. Eu nem sequer a conheço.
— Pretendo... — respondeu. — Bom... E você tem planos pra hoje depois da apresentação? — riu da própria pergunta, fazendo graça e se tornando toda tímida. Eu não fiz o mesmo, tendo que procurar as palavras certas. — Desculpa, me apressei, né?
— Eu tenho namorado. — respondi, curto.
— Namorado? — em surpresa, levantou as sobrancelhas.
— Sim, por que?
— Mas... Na Coréia? — sua questão virou cultural, vai entender. Brincadeiras à parte, eu saquei sobre o que ela quis dizer. — Você-
— Não ligo pra isso, eu amo ele. Olha que engraçado, a empresa entrou em contato comigo justamente nos dias que eu tava viajando em Jeju com ele. — interrompi, verdadeiro, deixando tudo bem explícito. A cara dela não mentia, e foi propositalmente mesmo, não ligo, foda-se. Alfinetei: — Tem algum tipo de preconceito ou...?
— Não, n-não, imagina! — riu, sem graça. — E foi mal, eu não fazia ideia, mesmo...
Sorri por simpatia, mas particularmente não fui mais com a cara dela. Sua voz forçadamente fofa parou no momento em que descobriu que eu era comprometido.
Na minha cabeça, eu ainda era, né...
Pois é, nós dois terminamos.
Mas eu continuo sendo dele.
E chegou a minha vez de subir naquele palco.
O lugar era imenso, parecia aqueles espaços de teatro. As pessoas curiosas e gritando, animadas.
E quando eu peguei o microfone, não me importei com absolutamente mais nada no momento, só queria que, é, particularmente estivessem cientes de que eu não era uma pessoa com muitos modos.
— E aí. — comecei do meu jeito, ouvindo vozes bem altas. Alguns elogios? Tudo bem, eu sabia que era bonito. Animado, mas tímido, continuei: — Me chamo Jeon Jungkook. Parece um nome difícil, por isso pretendo ter um nome mais artístico, sabem como é, ainda não escolhi essa desgraça.
Coloquei o microfone no pedestal, sentindo várias emoções ao mesmo tempo. Pelo menos, a platéia riu. Era esse o momento em que eu largava a carreira de cantor e virava comediante?
— Primeiro, sem mais delongas, vou cantar um cover pra vocês. Em seguida, a minha própria música. — tentei improvisar, enquanto os músicos se aprontavam atrás. — E essa música... Foi feita pra alguém muito importante pra mim. Faz um tempo desde que comecei a escrever, e como é uma mistura de coreano e inglês, pode ser que algumas coisas vocês não entendam. — ri, vendo as pessoas pegarem a mesma sinergia com a minha fala. — Mas basicamente, fala sobre sentir a falta de alguém. Pode ser qualquer pessoa, a que mais aparecer na mente de vocês.
Era como se eu olhasse pra cada um ali, e muitas coisas passassem pela minha. Principalmente as memórias.
— Espero que vocês gostem. Eu vou começar com o cover e não sei se vocês vão conhecer, não sei se ela é muito conhecida no país de vocês. Nem na Coréia, na real. — brinquei de novo, animando ainda mais o pessoal. — Mas vai ser só até o refrão, ela é boa, aproveitem. — fiz um toque para os músicos atrás de mim e o instrumental começou.
Talvez eu tentasse, apenas tentasse não chorar.
Comecei a tocar essa na guitarra nas últimas semanas antes de viajar, cantando junto quando sentia o momento chegar. O momento em que eu me sentia bem perdido.
— If you dance, i'll dance...
Por que "Yes To Heaven"?
Essa música só me afirmava o que eu já sabia, independente do significado original dela.
Eu faria tudo pela pessoa que eu amo.
Mas não sei se a pessoa faria por mim.
E talvez eu nem a mereça.
— I've got my mind on you.
No momento em que o refrão terminou e eu estendi somente pra terminar de uma forma plausível e bem treinada, os aplausos se tornaram cada vez mais fortes. Meu coração, mesmo que quebrado, havia se enchido carinhosamente.
Sorri curto, orgulhoso de mim mesmo.
E me peguei imerso em meios aos aplausos.
Tanto que...
O mundo ao meu redor parecia tão devagar com a situação tão fora da minha realidade, que uma hora tinha que parar.
E ele parou.
Assim como os meus olhos.
Park Jimin.
Jimin estava aqui. No meio da platéia.
Ou eu sentia tantas saudades que estava delirando?
Eu tirei o ponto do meu ouvido para ouvir tudo mais nitidamente, e meus olhos não desviaram. Ele estava me aplaudindo como os outros, sorrindo.
Quando a minha música começou a tocar no fundo, apenas fechei os meus olhos, expulsando aquilo. Jeon, foco. Eu não acreditaria nas peças que o meu inconsciente pregaria.
Ou eu apenas o imaginasse ali pra me sentir mais forte e persistente para continuar. Por isso, tenho que pedir desculpas pra música, que acabava sendo deixada de lado muitas vezes, virando segunda opção.
Cantei ela inteira, respirando direitinho e controlando o meu diafragma esperando que nada fosse me atrapalhar.
Após a imensidão de aplausos e gritos, flashes de celulares em mim e incrivelmente câmeras fotográficas também foram vistas, tirando as de quem trabalhava no evento e na empresa.
E descendo na escadinha atrás do palco, recebi mais aplausos.
— Caramba, eu sempre soube! — Namjoon veio pra cima de mim na hora, me abraçando forte. — Parabéns, parabéns! Agora vou poder dizer que estive aqui desde o início!
— Isso é verdade, hyung. Sempre. — me afastou, sorrindo comigo. — Obrigado por tudo.
— Meus parabéns, Jungkook. Eu sabia que daria tudo certo. — o famoso "PDnim", chefão da empresa, como o chamavam, veio até mim em comemoração.
Em meio aos agradecimentos, meu cérebro ainda queimava com o que vi. Eu sabia que era um tipo de miragem maluca, mas não pude ignorar.
Tirar toda aquela roupa pesada e toda a maquiagem foi um saco, mas cheguei no apartamento sã e salvo.
Caí de costas na cama, haviam duas grandinhas até. Namjoon não veio comigo, ficou batendo papo com um colega que fez da produção e me deixou ir, eu tava bem cansado.
Ah, mais ou menos, nem tanto. Só queria ficar sozinho mesmo.
O dia foi intenso.
E bom, muito bom.
Eu faria tudo de novo. E esperava fazer muito mais pela frente.
Mas agora, só iria continuar deitado na mesma posição, pensativo e cheio de mensagens no celular pra responder. Provavelmente sobre como foi.
Que vazio.
Peguei o meu celular, com cuidado pra que não caísse simplesmente na minha cara, olhando as mensagens e indo direto aos meus contatos.
"Meu Coradinho 💚"
Ele iria gostar de saber sobre o meu dia de hoje?
Fiquei encarando o contato como um completo idiota.
Sentia a falta dele.
Pra caralho.
— E se eu... — de repente, ouvi duas batidinhas na porta, me dando um susto no meio do silêncio. Quando me dei conta... — Porra, não, não...
Isso mesmo. O meu lindo dedo foi direto no ícone de telefoninho. Eu estava ligando pro Jimin sem querer.
No desespero, levantei da cama e permaneci sentado, pouco me importando com mais nada a não ser desligar antes que ele atendesse.
Ou eu deixava tocar?
Só que nesse segundo de dúvida, havia demorado demais. Já era tarde.
— Jungkook? — a voz parecia abafada, vindo através da chamada. Coloquei no ouvido, sem saber como continuar com a situação da qual me coloquei.
— Jimin? Eu... Eu não pensei que atenderi-
— Lembra... Daquela vez que eu precisei de você mas fiquei na minha, e momentos depois... — me cortou, dizendo. Prestei atenção. — Como num passe de mágica, sem eu precisar te pedir, você veio correndo pra casa dos meus pais, onde eu morava?
— Lembro. Eu não me esqueço de nenhuma memória que tive com você, Jimin. — contei a verdade. — E não acho que tenha sentido tanto a falta de alguém como eu sinto agora de você.
— Então... abre a porta, Jun. Tô fazendo o mesmo que fez antes por mim. E porque eu também sinto a sua falta.
Em choque e sentindo o meu coração pulsar grosseiramente, não consegui pensar, só segui o mais rápido possível até a porta do quarto de hotel e a destranquei com tudo.
Era ele, com o celular também no ouvido, descendo seu braço lentamente.
— Eu vi o quanto você foi lindo naquele palco, até deixei o choro tomar conta de mim. Sabe que eu acreditei no seu potencial desde o momento em que ouvi a sua voz naquela boate sem nem saber quem era...
— Você... me assistiu? Tava mesmo lá? — me veio a imagem de momentos atrás, Jimin aplaudindo, com um sorriso que eu conhecia de longe. Ele afirmou com a cabeça.
Eu não estava sonhando? Delirando?
— Mas... Eu pensei... Quando você chegou-
Jimin me beijou.
Rapidamente, mais como um selinho.
Tive um déjà vu da primeira vez que ele fez isso. Igualzinho. Fiquei intacto por alguns segundos.
— Eu também errei. — disse, agora bem perto de mim. — Errei em não te ouvir, em te julgar... E em não ter ido atrás de você, mesmo sabendo que era aquele garotinho que eu procurava desde criancinha. Mesmo sabendo que você errou, mas me amou de verdade. Mal consegui dormir esses últimos dias pensando no quão eu tava sendo burro por ter deixado você ir de mão beijada assim... Por isso, peguei o primeiro vôo que consegui quando caiu a ficha.
Aquelas palavras me acertavam em cheio, mas eu não senti vontade alguma de chorar ou sequer pensava em perdoá-lo. Jimin não precisava do meu perdão, porque ele não havia feito nada de errado.
— Só queria saber se é tarde demais. — sem desviar nossos olhares, esperou pela minha reação ou mais especificamente, resposta.
Tudo que eu fiz era exatamente o que eu estava sentindo. O puxei pra mim e fechei aquela porta, colocando Jimin de costas contra ela.
Encarei seus olhinhos diferentes e surpresos.
Seu narizinho, a sua boca, as bochechas...
Porra, eu amo esse Coradinho pra caralho.
Dessa vez, eu não disse absolutamente mais nada. Peguei em seu rosto adorável e o beijei. Não rápido, não com pressa. Com saudade.
Suas mãos pequenas foram aos meus ombros, seguindo pelas laterais do meu pescoço, e eu desci as mãos pra sua cintura, tocando-o com firmeza pra que ele nunca mais fugisse de mim.
— Senti tanto a sua falta... — murmurei, voltando a beijá-lo, desejando-o. Ele mordeu o meu lábio inferior levemente, o puxando pra si.
— Também senti a sua, todos os dias... — levou os dedinhos ao meu cabelo, fazendo um carinho. Eu amava isso. — Parecia que uma metade de mim faltava, mesmo que eu seguisse em frente.
— Então, recomeça comigo.
— Não... Eu não quero recomeçar, eu quero continuar. — disse, me fazendo carinho. Ele conseguia me deixar ainda mais louco por ele a cada palavra. — Quero você do jeito que tá, do jeitinho que é.
— Jeitinho, não... Não fala no diminutivo comigo, senti falta até desse detalhe... — lhe dei um selinho, o vendo sorrir.
— Mas me sinto tão bonzinho falando assim, Limãozinho... — e a partir daí, eu sabia que era uma provocação, junto aos seus olhinhos pidões. Seus dedos começaram a enrolar o meu cabelo, de forma sugestiva. — Não gosta? Nem um tantinho?
Não suportei. Beijei o meu Coradinho novamente, com muita, muita saudade do seu gosto e do seu calor.
Hoje, inesperadamente acredito que Namjoon deveria pegar outro quarto pra passar a noite.
Desci meus beijos ao seu pescoço sem marca alguma, e subi logo pra distribuir pelo seu rosto inteiro. Seu corpo empurrou o meu até a cama sem descolar nossos lábios, sentando por cima de mim, no meu colo.
Jimin também não parava de me beijar, tão atentado quanto eu. Ele agarrava o meu cabelo, enroscando a sua língua na minha e o seu corpinho no meu.
— Olha pra isso... — infelizmente afastou a sua boca da minha, brevemente. — Você fica ainda mais irresistível realizando as coisinhas que quer.
— E você fica a cada vez que eu te vejo, neném.
— Senti saudade dos apelidinhos... — mordeu o lábio inferior, sapeca. — Eu quero te contar tanta coisa, mas temos que resolver outra antes.
— Precisamos matar a saudade, é isso? Nem uma conversa antes? — brinquei, descendo os meus olhos por ele inteiro, vendo-o sentado em cima das minhas coxas. Não era um sonho. Era muito real.
— A conversa a gente deixa pra depois, e acho que já conversamos demais... — dizia. — E olha, pra matar a saudadezinha mesmo, ia demorar taaanto... — sua voz manhosa me quebrava. Jimin estava aqui mesmo, puta que pariu. — Pelo menos hoje, vai ser um terço. — riu, me fazendo soltar uma leve risada também. — E acho bom ninguém ter dado em cima de você.
— Bom, até tentaram... — contei. — Mas sem chance. I've got my eye on u.
Lhe dei um beijinho na testa e fui para trás, descansando o corpo com as mãos atrás, no colchão. Queria que ele soubesse que eu estaria aqui pra sempre. Pra ele. Jimin sorriu com a referência da primeira música que cantei hoje.
— Me dá uma coisa. — pegou meu celular, que automaticamente havia sido posto na cama junto comigo.
E sem eu precisar dizer nada, ele discou a senha, desbloqueou e fazia sabe lá o quê. Fiquei impressionado.
— Namjoon, sou eu, o Jimin. — começava um áudio, simplesmente. — Tô aqui no hotel com o Jungkook, então me perdoa, de verdade mesmo, mas se puder pegar um outro quarto só essa noite... Eu até pago, se quiser. Bom, até mais, espero te ver amanhã, beijinhos. — e terminou.
— Que ousadia foi essa?
— Fiz o trabalho por você. — respondeu, jogando o celular pra outra cama, quase fazendo meu coração parar se caísse no chão, mas foi direto e reto no colchão.
— E que história é essa de beijinhos? Quem precisa deles, sou eu. — argumentei, vendo ele revirar os olhos lindos. — Senti tanta saudade, achei que merecia...
— Tô indo, calminha...
Se aproximou, tomando os meus lábios ansiosos pra si de novo, beijando-os como se as horas não fossem nada, pra que aproveitássemos aqui a noite toda, aproveitando também a barreira de som dos quartos. É, acho que até certo ponto.
Eu estava quase deitado, e Jimin resolveu se ajeitar sem que separássemos os nossos lábios úmidos grudados como ímãs. Ele sentou na virilha, me dando um friozinho no baixo ventre.
Definitivamente ele não precisava fazer muito pra me deixar acordado.
Sim, é verdade, o dia de hoje havia sido intenso.
Mas nada mais seria tão intenso quanto isso aqui.
Se moveu, lento, em cima de mim, rebolando. O peguei pela cintura, virando-o de costas na cama.
Retirei o moletom preto pelo calor, louco pra tirar todo o resto da minha roupa, mas com calma. E como eu sabia que Jimin também, tomei a iniciativa de retirar a minha camiseta primeiro.
Ele me fitou explicitamente, como se fosse até a primeira vez que me via sem ela.
— Fez mais tatuagens? — analisou, tocando o meu braço na onde foi pintado.
— Deixei elas mais bonitas. Corrigi algumas, adicionei outras. — parecia vidrado. Tentei me conter pra deixá-lo apreciando. Se surpreendeu de repente.
— É um sol? — apontou.
— Sim, achou bonito? — não obtive resposta, somente um sorrisinho reprimido e uma mordida nos lábios de quem tava aprontando.
Só que seu olhar se voltou malicioso e foi pra baixo, justamente na tatuagem que descia pelo abdômen que começou a aparecer brevemente. Tomei os lábios do safadinho de novo, caminhando com as minhas mãos por debaixo da sua camisa.
— Tira... — pediu de olhos fechados, entre nossos lábios colados, encontrando minhas mãos e as incentivando. Foi o que eu fiz, jogando sua camiseta longe.
Voltei a beijar o seu pescoço, passando a mão pela sua pele, subindo até o piercing que tanto gostava. Jimin manhou e eu dei uma mordidinha na sua mandíbula.
Quando parei e fitei toda essa parte de pele nua, só conseguia pensar no quanto esse homem era lindo. E vê-lo vermelhinho de vergonha nas bochechas por isso, só me deixava ainda mais com vontade.
Sua boca era minha de novo, sempre, e fiquei entre as suas pernas, segurando uma dobrada, esfregando nossos corpos necessitados pela falta de contato há tempos. Não de qualquer contato, e sim especificamente um do outro.
E por incrível que pareça, eu sentia um tesão além do comum. Tirei a calça de moletom cinza sem precisar desabotoar nada, rapidinho saindo de mim.
Não gostaria de quebrar o ósculo, ainda não matei o "um terço" da saudade que eu tava de beijar essa boquinha, e provavelmente não mataria tão cedo...
Jimin infelizmente vestia uma calça mais apertada, abotoada, o que o fez se irritar um pouco e eu perceber que ele tentava desabotoar enquanto ainda me beijava. Eu ajudei, afastando nossos rostos por um momento.
— Por que veio com uma roupa tão difícil, amor? — achei graça, finalmente pronto pra tirar. O ajudei, passando a língua no lábio inferior no automático, assistindo aquela obra de arte deitado abaixo de mim.
— Eu não tinha tanta certeza de que a gente ia transar. — respondeu e eu o encarei na hora, surpreso. — O que foi?
— Agora também fala essas safadezas?
— Ah, palavrão, não... — se encolheu, entendendo o que eu quis dizer. Fez bico. — Mas não é normal falar "transar"? Não te deixei com vontade?
A carinha linda que ele fazia...
— Com vontade? — lhe dei um beijo, continuando baixinho perto da sua boca: — Fico sempre quando tô com você. Imagine agora.
Ele sorriu, tentando me beijar de novo, porém dessa vez fui mais esperto.
— Mas pensando bem... — vi sua expressão mudar no momento em que coloquei minha mão em cima do seu membro coberto.
Quase desisti na hora e quase deu branco total, porque tocá-lo ou até mesmo vê-lo reagir, me fazia enlouquecer.
— Eu gosto de certos palavrões... — fui até o seu ouvido, movendo lentamente a minha mão, mas com ela ainda aberta. — Diz um específico pra mim.
— A-Ah, ah... — tentava se conter, segurando meus braços. Dei um beijinho perto da sua orelha. — Qual?
— Me pede pra foder você. — continuei no seu ouvido, pra que ele dissesse isso no meu. — Só isso, neném.
— Neném, não... — manhou pelo apelido, portanto, eu parei com o toque, afastando a mão boba. — Espera, continua, por favorzinho...
— Não vai me convencer assim... — quase, na verdade. Seus diminutivos davam um pane na minha mente. — Pede pra mim do seu jeitinho, sim?
— Eu tô tão... Hm... — tive uma ideia melhor, porque eu amava fitar seu rostinho enquanto transávamos. Decidi olhá-lo nos olhos, que estavam fechados momentaneamente.
— Não adianta tentar fechar as pernas, eu tô no meio. — sorri de canto, ele manteve o contato visual. — Vai pedir?
— Me toca, me beija, senti saudade demais, Jungoo... — mordeu o lábio, sentindo o vazio que meu toque deixou, tentando se esfregar na minha coxa, teimoso. Olhei pra baixo, e que delícia...
Não disse nada e nem me mexi, esperando enquanto trocávamos olhares. Por mais que, puta merda, eu quisesse fodê-lo agora mesmo, sem nenhum tipo de joguinho ou preliminar.
— Se não pedir com jeitinho... — meus dedos rasparam em seu mamilo, descendo pro abdômen e parando exatamente acima da onde eu realmente queria chegar e onde estava antes. — ... Não ganha.
— Jungoo... — o biquinho que fazia pronunciando meu nome ou apelido era também uma das suas características que me deixava fora do comum.
Levei meus dedos ao seu queixo, colocando o polegar entre seu lábio inferior avermelhado levemente, simultaneamente encarando seus olhos e ele.
— Sim?
— Me fode um tantinho, por favorzinho... — e pediu, desviando o olhar por vergonha, me fazendo enlouquecer o triplo pela reação fofa, além das palavras.
E seu pedido era uma ordem. Eu só obedeço.
Tirei a sua última peça, beijando a sua boca e pegando no seu íntimo no mesmo instante, prendendo seus gemidos comigo.
Subi e desci com a mão, devagar, sentindo o pré gozo melar tudo, mostrando o quão excitado ele estava. A sua voz foi tomada pela minha boca, mas fora substituída pelas unhas curtinhas fincando a pele dos meus braços.
Aproveitei o lubrificante natural e desci, sem que ele sequer notasse, devagarinho, rodeando sua entrada e arrancando arrepios dele. Desfiz o ósculo, adentrando o médio. Ele gemeu fraquinho, gostoso.
— C-Calma, fiquei m-mal acostumado... — quando abriu seus olhos, vi a umidez em que eles se encontravam de tão excitado que o meu neném ficou.
— Temos que acostumar de novo, então. — e entrei mais um.
— Ah! Não f-faz assim... — dizia com a voz arrastada. — Não vai pegar leve comigo?
— Quando foi que eu peguei leve?
Por mais que ele quisesse esconder e se fazer de inocente, consegui pegar um sorrisinho seu contido. Ele gostava. Quanto menos eu pegasse leve com ele, mais ele queria.
Parei, me afastando e retirando a única peça íntima que também faltava em mim, jogando pelo quarto e ficando de joelhos. Mas ao invés de continuar do modo em que estava, Jimin se levantou, ficando de joelhos na minha frente também.
Eu nem precisei dizer uma palavra, ele só veio me beijar, agarrando os meus ombros com as mãozinhas espertas, permitindo que as minhas mãos apertassem a sua cintura. Mas apertar mesmo, com força.
Foi então, que eu entendi a ideia dele. Se esfregar mais e mais em mim era a sua tentativa, fechando os olhos e gemendo baixinho quando conseguia. Mordi seu lábio inferior e o puxei, passando a mão pela sua bunda, agarrando-a e lhe dando o tapa mais forte que consegui naquela posição. Tentadora pra caralho também.
Afinal, o quê no Jimin que não era tentador?
Tudo me fazia pirar completamente.
— Vira pra mim. — mandei, recebendo mais um beijo dele.
— Eu viro, eu faço o que você quiser... — me beijou de novo, sedento, e não pensou duas vezes, eu só não estava esperando pelo que vinha a seguir quando Jimin ficou de costas e se apoiou na cabeceira.
Além de focar na bunda linda pra caralho bem viradinha e empinada pra mim que esse homem tinha, outra coisa me chamou muito a atenção. Fiquei observando, até chegar pertinho dele por trás.
— É real? Você fez uma tatuagem, é isso mesmo? — me aproximei do seu ouvido, alisando sua pele.
— Fiz... Você gostou? — me afastei um pouco, analisando-a. Porra...
O dei um tapa, e mais outro. Jimin soltou um gemido surpreso.
— Quer me deixar sem sanidade nenhuma?
— Sim. — respondeu, ousado como nunca. — Hoje, eu não aceito fazer amorzinho.
— Nós não vamos. — se é o que ele quer, é o que ele terá. O peguei pela cintura e puxei pra trás, deixando-o de quatro só pra mim, agora com as mãozinhas dele apoiadas no colchão.
Primeiro, eu fiz questão de me abaixar um pouco e lamber sua entrada sem demora e sem avisar, vendo ele se empinar mais no automático e choramingar de tesão. De propósito, óbvio.
— Eu quero m-muito você... Jungkook... — soltou, gemendo o meu nome no final.
Era só esperar alguns segundinhos e porra, finalmente. Posicionei o meu pau e fui colocando devagar, encaixando.
— Ahh, caralho... — xinguei, jogando meu tesão pra fora, mas só parecia subir mais. — Jimin...
— Hm, amor... — estoquei uma vez, chamar de amor era pedir por isso. — A-Amorzinho... — ele sacou, e recebeu mais uma.
Quanto mais eu olhava a tatuagem nas suas costas que o deixava ainda mais gostoso pra caralho, mais eu sentia vontade de fodê-lo sem parar.
— Parece que foi tempo pra caralho, isso tá muito bom... — mesmo devagar, era delicioso sentir. Eu queria sentir cada centímetro entrando e saindo de dentro dele. Jimin murmurava baixinho, com os dedinhos apertando o lençol.
Mas logo, eu acelerei.
— Ahhh... — gemeu mais alto, assim como eu, que pouco me importei se as paredes contra o som iriam funcionar ou não. Eu estava realmente pouco me fodendo pra isso agora.
Estoquei mais fundo, com força, não prendendo nem um pouquinho da intensidade por receio. Porque ele gostava pra caralho disso e eu sabia muito bem. Sabia exatamente do jeitinho que ele gostava do meu pau dentro de si.
Peguei uma certa velocidade, ainda com força, ouvindo seus gemidos viciantes e vendo nitidamente, além de seu corpo balançar, o quão bem encaixava, indo e voltando, com os nossos quadris.
Parei por um momento, assistindo o espertinho continuar sozinho, desesperado.
— Uhn, não para assim... — percebeu. Sorri.
E sem perder o ritmo, voltei, peguei nos fios de Jimin, o puxando pra mim na surpresa pra se levantar, ainda estocando dentro dele com um braço em volta da sua cintura, só pra ver seu rostinho. Ele ajudou a colar seu corpo no meu, e por cima de seu ombro, vi Jimin com os olhos cheios de água.
Com força e sem parar, acertando em cheio, vendo ele aumentar a voz e se estremecendo, tentou avisar o que eu suspeitei:
— Eu acho que v-vou...
E por incrível que pareça, Jimin gozou. A pele quente, as bochechas tão vermelhas. Eu não parei, apenas diminuí, deixando ele ter seus pequenos espamos.
— D-Desculpa-
— Não mandei você gozar, apressadinho. — grosseiro, empurrei seu corpo com o meu até a parede, acima da cabeceira, e grudei seu corpo lá, ambos de joelhos na cama.
— J-Jungoo, calma, eu tô muito- Ah! — fui com força, com mais facilidade pelo apoio que ele tinha da parede, sentindo meu próprio corpo se arrepiar. — M-Mais...
— Agora você quer mais? É isso? — o olhei por cima de seu ombro, vendo as lágrimas caírem quando mantive o pau inteiro dentro dele sem sair. Porra, eu também tinha os meus olhos úmidos de tesão. Ele confirmava.
Decidi ir rápido, metendo com força nele de novo contra aquela parede e vendo sua cabeça tombar pra trás, encostando no meu ombro.
Jimin choramingava, manhoso e quase explodindo. Meus quadris estavam começando a doer. Continuei, levando minhas mãos às suas, coladas na parede, cobrindo-as.
E logo após, Jimin gozou de novo, mais forte. E eu logo atrás, gemendo alto junto, saindo de dentro dele e respirando ofegante.
Eu não escutava mais nada além das nossas respirações.
O corpo suado de Jimin praticamente cairia se o meu não estivesse atrás como apoio. Segurei ele, lhe dando um beijinho na bochecha vermelha e preparado totalmente pra cuidar dele, limpá-lo e colocá-lo pra descansar.
É, voltamos. Eu precisava cuidar do meu Coradinho, não poderia simplesmente sair pulando e gritando de tanta alegria.
Bom, agora eu entendi porquê Jimin pareceu ligar as anteninhas quando viu a minha tatuagem do sol.
Naquela noite, formamos um eclipse.
Eu ouvi um amém?!
Gostaram do capítulo? 🥹
Amo esses dois.
Fiquem comigo até o próximo capítulo! Da onde vem esse babado todo, esse amor, esse vuco vuco e esse carinho todo, TEM MAIS, ahhh meus amigos vcs n sabem oq eu tenho anotado pra escrever 😎🙏🏻
AH! Inspiração de uma parte do smut:
BEIJO AMO VOCÊS E RUMO 700K! 💚💚💚💚💚💚💚💚💚💚💚💚💚
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