[20] 나쁜 help.

#JiminCoradinho

Pra mim ainda não atualizou, mas BATEU 500K??????? MEU DWUS MUITO OBRIGADA 😭😭😭😭😭 prometo deixar os capítulos sempre melhores!

Enfim, vamos lá?
Preparem-se, heins.
E me desculpem qualquer erro.

Só queria dizer que em homenagem ao Jin, que infelizmente foi pro exército, escrevi uma cena do personagem dele com a filha. Eu espero muito que gostem, ela é importante tbm. ❤️‍🩹

E pra vocês comentarem bastante, por favor, hein? Amo ver as reações de vocês, limãozinhos. 🥺🥺🥺

💚

💸

[JIMIN]

Toquei a campainha.

Era estranho, este era o lugar onde eu costumava morar. E agora, tenho que ter permissão para entrar.

Parecia ontem, o dia em que decidi sair dessa casa tão turbulenta. A qual era para ser o meu lar.

Quem abriu, pela minha sorte ou pouco azar, foi a própria Srta. Lee, que eu iria ajudar para arrumar suas coisas no meu apartamento, conforme me preparei, para que ela pudesse estar em puro conforto trabalhando comigo. Quanto a mim, abri um sorriso.

— Jimin, filho... — com a feição um pouco preocupada, olhou para os lados ainda dentro do cômodo e me encarou novamente. — Eu já estou terminando de arrumar tudo, nem precisa entrar.

— Claro, eu espero. — assenti. Sinceramente, não seria do meu agrado ter que realmente entrar. Minha barriga já se embrulhava todinha.

— Quem é? — de repente, escutei a clara voz calminha da minha mãe. Pensei que neste horário, ela tivesse ido pra igreja. Gostava de chegar sempre o mais cedo possível, diferente do meu pai, que ia por má vontade.

Srta. Lee pareceu sem graça, sem saber como dizê-la. Mas teria, pois era somente a empregada ali.

— Ah, é só o...

— Jimin? — me viu, aparecendo surpresa. Ela se aproximou, com seu cardigã lilás e o resto do pijama branco e sofisticado que costumava usar. O coque em seu cabelo sempre era mantido, bem arrumado.

Sorri incerto, sem transparecer muito. Não haviam boas memórias nem com ela mais. Ações erradas poderiam fazê-las apenas se desmancharem com o tempo.

— Você... — me olhou de cima a baixo, fechando o cardigã como mania e aproximando-se. — Você voltou?

Tive que desviar o olhar, inseguro e desconfortável com seu modo esperançoso de falar. Ainda me sentia machucado por todas as vezes em que ela sequer me defendeu dos piores xingamentos e agressões.

Como uma boa mãe faria.

— Mãe, eu... — abaixei a cabeça. — Não vim aqui pra falar sobre isso ou qualquer outra coisa relacionada a gente.

Então, a encarei.

— Eu vim levar a Srta. Lee comigo. Ela pode trabalhar pra mim na onde tô morando porque vocês particularmente nunca a valorizaram.

— Jimin, não precisa disso... — e foi ela quem me interrompeu, mas pude ver a expressão decepcionada da minha mãe.

— O que você comeu hoje? Não se sente sozinho, filho? Onde você está morando? Eu sinto a sua falta. — perguntava, transparecendo sinceridade. — Seu pai tem sido tão... — logo, pareceu engolir as próprias palavras, hesitando e desviando o olhar. — Eu não sei o que fazer, nunca sei, m-me sinto presa.

E eu, não sabia o que lhe dizer no momento. Tudo que eu pude fazer foi suspirar, sem alternativas. De repente, pareceu ter outra ideia.

— Quer entrar? Posso fazer aquele cafézinho que você gosta e tomava deeesde bem pequeno, lembra? Eu tenho morangos também, sabia? Sei que ama muito. Comprei pensando em você... — suspirei mais uma vez com as suas tentativas de me convencer, tentando não manter o contato visual.

Me machucava. Porque eu verdadeiramente amava a minha mãe.

Naquele momento, percebi atrás de si, a Srta. Lee tentando puxar sua mala pesada, tentando fazê-la andar corretamente ao vê-la travada, talvez não sabendo como mover da forma correta.

— Com licença. — pedi, passando pela minha mãe e entrando na casa onde achei que nunca mais botaria os pés, indo em direção à senhora que já estava indo até a porta. — Deixa isso comigo.

— Obrigada, Patinho. — agradeceu baixo, sorrindo simpática ao que me via ajustar as rodinhas da mala com meu pé e fazê-la andar normalmente.

— É o jeitinho, você ficou apressada e as rodinhas travaram. — ri pouco.

— Me sinto é muito velha pra raciocinar essas coisas, isso sim. — também riu de maneira graciosa.

— Posso saber o que está acontecendo na minha casa? — e de costas, pude ouvir a voz quem menos gostaria de escutar pelo resto do meu dia.

Ou da minha vida inteira.

— Olha só quem resolveu dar as caras... — tive que me manter calmo, endireitando as costas e a minha postura. — Então, não se esqueceu de que tem uma família, garoto? — virando-me devagar, pude me deparar com a face séria e amendrotadora, com seus braços cruzados.

A agora ex empregada da casa tocou em meu braço, perto do cotovelo, mantendo sua mão levemente ali para que eu me mantesse tranquilo.

— Soube da notícia? Ficou feliz com ela? Pulou de alegria? — se aproximou. — Fui demitido.

Decidi não dizer nada.

— E você sabe de quem foi a culpa, não sabe?

Desviei, fazendo o que deveria ter feito desde quando lhe escutei falar e o que combinei com Taehyung: ignorar.

— Podemos ir, eu acho. — encarei a mulher, ignorando osbmeus pais naquele cômodo frio. Ela me olhava um pouco assustada. — Pegou todas as suas coisas?

De repente, senti ser pego pelo tecido do meu moletom no braço, sem ser puxado, mas tomado a atenção pela força. Encarei o meu pai. Era óbvio que foi ele.

— Tá se achando o espertinho agora que saiu de casa pra vadiar e me viu sendo demitido injustamente por sua culpa, seu idiota?! — nervoso, jogou tudo sobre mim.

Mas não desta vez.

— Não, não fiquei feliz, muito menos triste. Eu pouco me importei com a sua demissão. — fui sincero, corajoso. — E a culpa não é minha só porque você quer que ela seja.

Ele me soltou, soltando o ar pela boca em descrença e balançando a cabeça positivamente. Minha mãe assistia tudo ao nosso lado, assustada e submissa. O velho bateu palmas.

— Uau, que show! É isso que andou aprendendo com seu bando de delinquentes? — caçoou, mas eu sabia a raiva que ele estava remoendo por dentro.

— Quê? Ficou louco? — revirei os olhos, desistindo de sequer começar a tentar rebater. Mantive a postura de imediato, aprontando-me para ir. — Vou embora daqui de uma vez.

— Com quem aprendeu a ser tão abusado assim? Com o seu amiguinho? Aquele viadinho que quer dar pra todo mundo? — jogava comigo, gostava disso.

Com a mala pronta para ser levada sem dificuldades, ignorei tudo e qualquer outra coisa ao meu redor e esperava que a Srta. Lee me seguisse, pois havia dado as costas para o meu pai. Não, para o monstro do qual eu estava lidando. O qual tentava me atormentar.

Minha vida estava feita com o meu novinho apartamento e com pessoas que me amam de verdade à minha volta. Eu não precisava me estressar com pouca coisa. E a pouca coisa era simplesmente ele. Suas palavras eram todas imundas e sempre repetitivas.

— Pensando bem... Hum... — fez uma voz fingida de pensativo, e eu revirei os meus olhos sem nenhuma paciência.

De canto de olho, observei a empregada me seguir quando comecei a andar em direção a porta.

Chega, não vou me humilhar e nem deixar que ele me humilhe desse jeito.

— Foi o Jungkook, não foi?

Disse, e eu parei.
Como ele sabia o nome dele?

— Acertei? Acertei?! — riu, maldoso. — É claro que foi ele quem te ensinou a ser assim, ele é abusadinho do mesmo jeito, sabia? Descobri certas coisas sobre ele.

Franzi o cenho, me virando de imediato.

Lee estava surpresa também, porque ela sabia que Jungkook era o homem por quem me apaixonei, pela vez em que o pegou bêbado na minha porta e tivemos uma conversa franca. Onde ela me aceitou de braços abertos.

— Ora, ora... Parece que temos um último a saber. — sorriu largo. Ainda sem entender nada, continuei lhe encarando.

— Fuxicou a minha vida? — chutei, sentindo a raiva pairar. Ele não podia fazer isso. Definitivamente.

— Quem me dera, tenho mais o que fazer do que fuxicar a vida de um garoto tão previsível como você. — se aproximava, parando em uma distância aceitável. Soltou um suspiro, pegando o celular no bolso e clicando em algumas coisas. Soltava o ar pela boca. — Tsc, tsc... Criei um filho tão lesado assim? Além de viadinho, é facilmente manipulável?

— Eu não vou te ouvir, tenho compromissos muito mais relevantes. Trilhões de vezes mais do que alguém como você. — desisti, dando as costas novamente e preparado para me apressar e sair, fingindo que nada nunca aconteceu.

— "Tá, beleza, o primeiro passo eu entendi. Mas e como eu vou ganhar a confiança dele? Você deve conhecer bem o teu filho pra saber, claro." — Jungkook?

Sim. O me fez parar imediatamente com a cara na porta, foi ter escutado a voz de Jungkook.

Fui rápido ao virar meu corpo, me deparando com o velho de novo e o seu celular em uma das mãos, olhando pra mim enquanto o que parecia ser uma gravação, era reproduzida.

— "Eu preciso mesmo? Não quero insultar ele, não é da minha índole, mas tipo, nem posso beijar e nem nada, né?" — era claramente a voz dele. — "Nunca, e você é homem, não deve nem pensar em fazer esse tipo de coisa". — e a voz do meu pai.

Os dois estavam conversando.
Na minha cabeça, era uma situação da qual nunca aconteceria, em hipótese alguma.

"Beleza, eu sou, mas tipo... Faço ele gamar em mim e depois de três meses dou o fora?"

Continuei ouvindo, paralisado.

"Easy. Consigo fazer ele se apaixonar que nem qualquer garota aí. Mas eu exijo meus cinquenta mil dólares na conta no dia seguinte em que eu terminar com o seu filho, entendido?"

Minha mente parecia que iria explodir.
A gravação foi parada.

— Esse é o Jeon Jungkook. O mesmo que contratei pra fingir gostar de você e depois quebrar o seu coração mole de mulherzinha. — abriu o sorriso maldoso novamente. — E é o cara que você deve estar aprendendo a ser ousado dessa forma tão ridícula.

Não.

Jungkook não fez isso.

Não era ele, deve ser uma montagem.
Não era...

— Jimin... — era a voz da Lee, mas soou como apenas um eco em minha mente. Estive em outro lugar.

A risada do meu pai também ecoou dentro da minha cabeça. Minha visão ficou turva e eu senti como se fosse desmaiar, me desequilibrando um pouco.

Tudo que vi depois foi a Srta. Lee me levando pra fora da casa imediatamente com a força que tinha.

Mas eu ainda estava paralisado, em choque.
Quase não piscava.

Jungkook não era esse tipo de pessoa.

Ele não...

Por dinheiro?
Por puro dinheiro?

Ele teve coragem?

Pior, ele a tem até hoje?

Nunca pensei que a sua voz, a qual me acalmava tanto, fosse me fazer sentir uma das piores dores na alma que já senti na vida.

💸

Eu nunca prendi tanto um choro em toda a minha vida, também.

Desde o táxi, até o apartamento de Jungkook.

Depois de jogar todo o pouco dinheiro que trouxe do banco em seu rosto e dar as costas, o que me doeu em dobro naquele momento, foi sentir os braços de Jungkook me agarrarem por trás.

— Não... N-Não faz isso, Ji...

Foram suas últimas palavras trêmulas, antes de eu decidir me soltar com tudo e ir embora em meus passos apressados sem nem olhar para trás. Entrei no elevador e tentei com todas as forças não olhar pra frente, nem sequer ver Jungkook sendo deixado para trás.

Quando as portas se fecharam, quase caí, fui direto com as costas contra a parede, segurando o meu choro.

Eu não queria tratá-lo daquele jeito, nunca pensei que faria isso. Mas precisei ser forte.

Da mesma forma, nunca pensei que ele faria o que fez comigo.

Saí correndo para fora daquele prédio, às pressas, começando a sentir as lágrimas e a garganta doendo desde que toquei a sua campainha, sentindo o coração apertado.

Do lado de fora, coloquei a mão na parede pra me apoiar, respirando fundo.

Comecei a chorar muito, alto, chegando ao chão, colocando as mãos no rosto para abafar e pela primeira vez, não me importando com o que pensariam de mim ao me verem em público dessa forma.

Senti ela chegando. Solucei.
Estava ficando sem ar.

E decidi que pegaria o primeiro táxi, com os olhos inundados.

💸

[NAMJOON]

Cheguei consideravelmente tarde em casa. O evento não foi lá essas coisas, mas Yoongi esteve lá pra me entreter.

No momento em que acabou, peguei um pedaço de bolo pra levar pro esfomeado que vivia no meu apartamento. Mandei mensagens, mas ele sequer as visualizou.

Destranquei a porta e recebi um apartamento em silêncio. Porém, com certos aspectos diferentes.

A mesa de centro aberta com kimbap e morangos.

Era pra ser um coração? Estava tudo bagunçado agora. Jimin estava aqui?

Reparei no chão, pertinho do meu pé e da porta, uma nota de um dólar e a peguei rapidamente, mais confuso ainda.

— Jungkook? — chamei, após trancar o apartamento. Apenas a sala estava com a luz acesa. Me aproximei de seu quarto fechado, e até mesmo ele parecia escuro.

Eles dormiram?
Eram apenas dez horas. Jungkook nunca foi de dormir antes da meia noite. Mas não sei sobre Jimin. Do jeito que eles estavam fazendo tudo juntos, vai entender.

Repentinamente, a porta de seu quarto foi aberta. De lá, saiu somente Jungkook, meio cabisbaixo.

— Tudo bem? Jimin tá aí? — apontei para o quarto escuro, falando baixo. Mas ele negou com a cabeça.

Confuso, olhei para as comidas na mesa. De fato, nem parecia que alguém tinha comido sequer um pedaço daqueles alimentos.

— Nem chegou a acontecer. — disse, simples, sem emoção. Fungou. — Eu vou arrumar tudo.

Tentou passar por mim, mas segurei em seu pulso, virando-o na hora pra mim. Jungkook parecia lento.

— Aconteceu alguma coisa? — me aproximei. Olhei bem e percebi: — Seus olhos estão inchados?

— Que nada, bobeira. — abaixou a cabeça, passando os dedos nos próprios olhos e pigarreando uma vez, abrindo um sorriso forçado. — Jimin descobriu.

— Descobriu? Descobriu o q... — parei, lembrando. — Não, espera, você contou pra ele ou ele simplesmente... — Jungkook me fitou, me dando a resposta silenciosa. — Não, Jungkook...

— Acontece, e eu não fiquei tão surpreso, tá tudo bem. — assentiu com a cabeça, se afastando. — Preciso ir limpar tudo agora.

Aquele não era o Jungkook que eu conhecia.

— Ele que terminou? — perguntei. Sabendo a resposta, levantei a nota de um dólar em meus dedos. — E isso aqui?

Me encarou, ainda de olhar cansado.

— Ah, ele jogou uma quantia de dinheiro em mim, mas eu juntei tudo e guardei. Vou devolver em breve. — explicou. Eu soltei o ar, surpreso.

— E você tá bem? — questionei, firme. Eu sabia que não, mas queria ouvir da sua boca. Jeon virou o rosto.

— Tô. — a voz saiu baixa, falha, indiferente. E em seguida, Jungkook somente começou a juntar as coisas.

Nem soube o que fazer. Conversamos sobre isso diversas vezes, e prevíamos que era bem provável de que Jimin decidisse terminar.

Mas quando realmente aconteceu, até mesmo eu, fiquei sem palavras. Nunca pensei que veria Jungkook, alguém caloroso e energético, parecendo tão sem vida.

Sabia que não seria fácil pra ele, ainda mais estando envolvido como nunca. Só que vê-lo assim, quebrou todas as formas que eu poderia imaginar que ele ficasse por consequência.

O silêncio também me machucou, decidi ajudá-lo a arrumar tudo.

E naquela noite, eu não consegui dormir direito. Tentei dar um tempo pra ele, mas também foi difícil pra mim.

Consegui ouvir Jungkook chorar pela madrugada inteira. Muito.

💸

[JIMIN]

— Mais uminha... — levantei o indicador, não entendendo nada, apenas ouvindo a música alta.

Eu estava na KISSB. A única boate da qual eu conhecia. E claro, meus olhos estavam cheios de lágrimas por me recordar de momentos nela, além de quem me trouxe.

— Jimin, o que faz aqui essa hora? Ficou doido? Achei que não pudesse beber. — era uma voz conhecida. Estava com a cabeça deitada em cima de um dos meus braços no balcão de bebidas. A levantei, meio tonto.

— Woo... sung? — meus olhos quase fechavam e eu resmunguei, tentando me endireitar no banco, sentindo meu coração bater forte pela ansiedade. — O que... faz aqui?

Mas eu estava a cobrindo com álcool.

— Eu trabalho aqui, Jimin, e você sabe disso. — suspirou, negando com a cabeça e sumindo da minha vista. Não estive entendendo nada de verdade. — O que te fez beber tanto desse jeito? E como veio parar aqui? Meu Deus, eu só fui comer...

De repente, Woosung apareceu ao meu lado, me segurando nos braços enquanto tentei me levantar na hora, sem equilíbrio nenhum. Tentei me apoiar nele também.

— Ah, é mesmo... — minhas bochechas deveriam estar tão vermelhas que era como se eu tivesse recebido dois tapas.

Lembrei da cena na frente do apartamento de Jungkook. De quanto bati nele.

Doeu tanto.
Eu costumava beijar aquele rostinho...

As lágrimas começaram a descer.

— Jimin? O que aconteceu? — preocupado, começou a perguntar. Fiquei tonto. — Ei, meu Deus...

Caí com a testa em seu ombro, chorando, tendo seu corpo de frente pra mim. Eu já sentia tanta falta do meu Jungkook. E se passaram apenas algumas horas desde que o vi pela última vez, mas terminar tudo era tão dolorido...

A mentira dele foi tão dolorida também.
Eu realmente odeio tanto, tanto, mentiras...

— Jimin... — chamou, baixinho, sem sequer encostar em mim, apenas parecendo atento caso eu me desequilibrasse. — É melhor eu te tirar daqui. Não é bom ficar nesse lugar ainda mais essa hora.

Senti seu braço em volta de mim, me levando com calma pra fora da boate, segurando-me para que eu não tropeçasse de tão bêbado. Eu nem sequer tinha a consciência de nada, só de que estava muito chapado de puro álcool. Faziam anos que não me sentia assim.

De repente, sem a barulheira do lado de dentro e com o vento frio da madrugada batendo contra o meu corpo, senti meu peito ficar mais pesado. Minha respiração estava atrapalhando-se aos poucos e eu tentei respirar fundo, aparente.

— O que foi? Falta de ar? — atento, ainda me segurava e se atentava em mim, vestindo o uniforme de barista, somente tentando me decifrar. Eu confirmei com a cabeça.

— E-Eu preciso m-me acalmar... — disse com dificuldade. A ansiedade me deixou desesperado.

E eu estava sem nenhum remédio agora.

— Calma, calma, respira fundo. — se endireitou, fazendo com que eu o seguisse, erguendo meu corpo e deixando-o reto. — Olha pra mim, fixa nos meus olhos e respira.

Fiz o que ele me mandou, mesmo com os olhos totalmente úmidos assim como as minhas bochechas, tentei focar apenas nele.

— Tem remédio?

— Não t-trouxe...

— Certo, apenas respire fundo comigo. — respiramos juntos, o segui.

— P-Preciso do remédio... — mas disse, verdadeiro. — Preciso ir pra casa...

— E onde você mora? Eu levo você. — sugeriu, acalmando a minha situação terrível.

Sinceramente, nem saberia o que poderia acontecer comigo caso Woosung não estivesse trabalhando. Havia bebido além do limite.

— Tô enjoado... — resmunguei, tonto o suficiente para desmaiar. Eu me sentia mal, não deveria beber.

— Me passa seu endereço que eu vou direto, tá bom? Eu vou te levar em segurança. — pediu, convicto. Nem sei se assenti, me sentia imerso demais, os olhos quase fechando.

Poderia ser um momento engraçado de um bêbado, mas não era tão engraçado assim sabendo que já havia sido internado por conta do álcool.

Beber sempre foi muito perigoso pra mim, mas quem disse que pensei nisso quando vim aqui dar o meu primeiro gole pós término?

Woosung me levou em seu carro cheirosinho. Eu fiquei nos bancos de trás, tendo o espaço todo pra mim caso eu quisesse deitar. Ele mesmo disse que eu poderia até vomitar caso sentisse vontade, avisando-o primeiro, pois ele deixou um saco plástico no banco da frente ao lado do motorista. Totalmente preparado.

Mas não me senti enjoado de vomitar.
Senti que estava passando mal de verdade.
Eu fui proibido de beber em excesso. Principalmente estando com crise de ansiedade.

Tive falta de ar, não estava conseguindo respirar direito. Comecei a sentir meu coração acelerado e a minha visão turva, além da dor de cabeça desde a boate.

— Ei, ei, ei, respira! — tentava olhar pra trás, mirando em mim algumas vezes enquanto ainda dirigia e prestava atenção na estrada. Ele ergueu sua mão pra mim. Coloquei a mão no coração, com medo de realmente morrer. — Ji, sério, fica calmo, respira fundo de novo!

E quando pensei que nada mais poderia piorar, meu corpo cedeu e simplesmente caiu de lado nos demais bancos, deitando-me e desligando completamente. Tudo ficou escuro.

Eu desmaiei.

💸

Claridade.

Senti meus olhos pesados, meu corpo dolorido e a minha cabeça parecendo quase como se tivesse sido fuzilada. Resmunguei ao abrir os olhos.

Estava na minha cama.
No meu apartamento.

Com dificuldade e lento até demais, levantei e me mantive sentadinho na cama, colocando os pés no chão gelado, sem meias ou chinelos. Estava tentando compreender tudo.

Foi quando na minha porta, a pessoa que apareceu foi Taehyung. Meu melhor amigo. Até pensei que ele estivesse modelando, mas estava aqui agora.

Ele veio em passos apressados, agachando-se na minha frente, focado em mim.

— Meu anjinho, como você tá?! — totalmente preocupado comigo, não tirava os olhos assustados de mim. Cocei os meus, ainda acordando lentamente.

— Como...

— Woosung trouxe você. — contou. Alguns flashbacks vieram em minha mente, mas não me lembrava direito. Quase nada. — Ele te trouxe e como eu tenho o número dele, ele me chamou imediatamente. Mandei a Srta. Lee ir embora pra eu ficar no lugar e passei o resto da madrugada aqui cuidando de você, me preocupando como louco porque você suava frio toda hora. Foi complicado te fazer tomar o remédio antes de cair no sono de novo quando acordou ainda meio inconsciente, ela me ajudou antes de ir, e quase ficou também, mas eu disse que sabia como cuidar de você. Na verdade, nem consegui dormir!

Percebi os seus olhos avermelhados. Taehyung se manteve acordado quase a madrugada inteira.

— Quem te deu o direito de ir beber meia noite em uma boate, Jimin?! — me deu um tapa na perna, fraco, mas com seus olhinhos se umedecendo. Abaixei a cabeça, tomando consciência. — Quem deixou você beber tanto de novo desse jeito depois de já ter parado no hospital correndo o risco de morrer?!

— Desculpa... — pedi, baixo. — Eu tive uma crise...

— Por que, Jimin?! — rebateu, desacreditado. Suspirou alto, levantando e se sentando do meu lado na cama. — Tem noção do perigo que correu?!

— Tive que esquecer um pouco... Ontem foi difícil... — mordi o lábio ao contar, sentindo vontade de chorar de novo como um bebê.

— Também descobri ontem. Sem querer, ouvindo o que não deveria. — o encarei na hora. Ele sabia? — E descobri que foi o motivo da sua bebedeira depois de te ouvir resmungar a noite toda. Saquei tudo. — engoli em seco. — Sobre o acordo, eu ia te contar que sabia, você me conhece. Assim que voltasse de viagem. Mas o Jungkook finalmente te contou tudo?

— Descobri pelo meu pai. — respondi de imediato, sentindo a garganta ceder pela dor...

— Seu pai? — franziu o cenho.

— Não sei o que ouviu, mas se foi sobre um acordo, foi com o meu pai que ele fez. Cinquenta mil dólares pra fazer eu me apaixonar. — abaixei a cabeça, desviando o olhar e fitando meus pézinhos. — E o meu pai gravou uma das conversas que eles tinham, pelo jeito.

Tudo dentro de mim se embolava.
Senti muita angústia.

— Não, eu não acredito... — negou, realmente desacreditado assim como eu fiquei. Aumentou seu tom de voz: — Ele teve a porra da coragem de-

Parou. Talvez porque ouviu o meu choro.
Eu comecei a chorar de novo, cabisbaixo.
Meus olhinhos até cansavam.

— Oh, meu amor... — estalou a língua no céu da boca e me puxou em seus braços, abraçando com força meu corpinho e me deixando chorar em seu ombro. Fez um carinho nas minhas costas. — Vai ficar tudo bem, tá bom?

— Não vai... — apertei-o mais, escondendo o meu rosto.

— Vocês conversaram? — neguei com a cabeça. Funguei.

— Eu não quero nem olhar pra ele. — decidido, contei, com a voz embargada.

— Mas-

— Se eu olhar p-pra ele, é capaz de ir a-até ele correndo... Por isso, p-prefiro assim. Ele me enganou que nem fez com t-todas as outras garotas. — desabafei, sentindo-me soluçar. Taehyung me escutava, acariciando as minhas costas e concordando com a cabeça.

Então, Taehyung se sentou do meu lado e eu contei tudo pra ele sobre o que aconteceu na casa dos meus pais e no momento em que eu e Jungkook terminamos.

— Eu vou fazer algo pra você comer, quer? Ou ao invés de cozinhar, pode escolher o que tiver vontade de comer que eu vou lá e compro rapidão. — sugeriu, e eu neguei. O Kim se afastou, levantando-se da cama e ficando na minha frente. — É claro que você quer, não tem nem o que falar. Você vai se alimentar, sim!

— Tô sem fome... — contei, triste demais pra fazer qualquer coisa.

— Mas tem que comer. Seu estômago tá vazio, sabe o quanto é perigoso vendo que-

A campainha tocou. Taehyung se atentou.

— Espera aí, eu vou atender, mas em seguida vou fazer algo pra ti e nem quero saber de reclamações, ouviu bem, engraçadinho? — apontou o indicador na minha cara, como um mandão nato. Assenti, contido, sabia que era pro meu bem.

Ele bagunçou o topo da minha cabeça, tentando me animar.

— Te amo.

— Também te amo. — respondi, indiferente.

Olhei ao redor do meu quarto em silêncio. Taehyung saiu para o corredor e eu fiquei ali, quietinho, soltando um suspiro.

Onde foi que eu errei?

Eu não fui nem ao menos bom o suficiente?

Sou descartado tão rápido assim?

Suspirei alto mais uma vez.
Meu olhar parou na cômoda pequena que havia acabado de comprar, ao lado da cama de casal onde eu estava sentado.

Nosso abajur de coração.

Meus olhos pesaram e mordi o lábio inferior, segurando-o para não desabar, pois o meu queixo tremeu. Lembrei dos dias em Jeju.

Tudo aconteceu ontem, era muito novo, e eu me sentia em negação. Sempre diziam que essa era a primeira fase.

Não era possível que Jungkook tenha me usado. Eu me entreguei demais pra isso.

Ele foi o meu primeiro em tudo.
Pensar nisso dói ainda mais.

Toda a coragem que Jungkook me deu, talvez fosse pra que esse momento chegasse. Porque nem eu tinha noção do quanto poderia ser frio.

— Ji? — era o Tae. Encarei a porta, saindo do meu transe. — É o Woosung, ele pode entrar? Ele quem te deu toda a assistência, que nem te falei.

— Oh, claro. — balancei a cabeça positivamente, aceitando de imediato e ficando de pé. Taehyung lhe deu espaço, e Woosung apareceu na porta do meu quarto, receoso.

— Posso entrar? Quer conversar lá fora? Na sala? — me perguntava, com os olinhos curiosos. Abri um curto sorriso, negando.

— Pode entrar, sem problemas.

— Eu vou cozinhar como prometi. — Taehyung interveio. — Já tem tudo aqui no apartamento ou é melhor fazer um lanche casual mesmo?

— Dá uma olhada, não sei bem... — respondi, simples e sem raciocínio.

Woosung começou a adentrar o meu quarto praticamente com todo cuidado do mundo, pisando em ovos. E Taehyung se foi. O mais alto parou na minha frente.

— Tudo bem? Como se sente? — perguntou.

— Eu tô bem. — comprimi os lábios e deixei as mãos juntas na frente do corpo. — Obrigado por ontem.

— Ah, não foi nada. Eu tenho que me desculpar, na verdade. — parecendo meio sem graça, lambeu os lábios. — Peguei um horário tarde pra comer, acabei chegando só depois no balcão e você já tava muito mal. Dei uma bronca no barman também que cuidou pra mim. Ele deixou você beber além da conta e tava muito visível.

— Não, não foi culpa sua, tá tudo bem, de verdade. E você me salvou de acabar parando no hospital. — não gostava nem de lembrar do passado. Desviei.

— Foi por causa do seu namorado? — foi direto, me encarando. Levantei o olhar pra Woo. Havia um rosto sério e ao mesmo tempo preocupado em si.

— Ele não é mais o meu namorado. — engoli em seco. Doía dizer isso, mas era a verdade. Acabei desviando o olhar, inseguro. — Eu e o Jungkook terminamos.

— Quer conversar? — questionou, me fazendo olhá-lo novamente. — Independente se eu já te disse que tenho uma queda por você, quero que saiba que não quero me aproveitar disso, em hipótese alguma. — garantiu. — Só fico preocupado. Eu me importo.

— Confio em você, tá tudo bem. — assenti. — E pode ficar tranquilo, eu vou me cuidar direitinho.

— Promete?

Balancei a cabeça em afirmação. Ele sorriu curto pra mim, confiando nas minhas palavras. Woosung sempre foi extremamente gentil.

— Então, não vou prolongar muito porque tenho que ir trabalhar. — começou a dizer, e eu somente assentia, reprimido o suficiente. — Sei que você tem o Taehyung, mas qualquer coisa pode me ligar também ou mandar mensagem. Tô a disposição. — sorriu.

— Pode deixar. — tentei sorrir de volta, não conseguindo muito mais do que um simples sorriso pequenininho.

Ele deu as costas, mas antes que saísse do meu quarto, parando na porta, simplesmente virou-se pra mim.

— Ah! Adivinha quem mora lá no térreo, no mesmo prédio que você? — sorriu, divertido. Franzi o cenho. Então, apontou pra ele mesmo. — Muah!

— Mentira? — abri os lábios em surpresa.

— Sim, eu até soube que alguém novo viria, inclusive. Pensei logo que fosse um ricasso, até porque esse apartamento é maravilhoso. Me senti confuso quando você me guiou pro caminho do meu próprio prédio. Deveria saber que o cheio da grana era você, mas como eu ia adivinhar, né? — riu. Acabei soltando um riso sincero também. — Somos vizinhos de prédio.

— Que incrível! — abri um sorrisinho maior, colocando a mão na frente da boca. — Bom saber que estamos próximos assim, me deixa feliz.

— Não, não diz essas coisas, eu imploro! — rebateu, colocando a mão no coração, fingindo um tremendo drama. Tentei compreendê-lo, porém, a explicação veio em seguida. — Assim o meu coração vai ficar palpitando. — ri mais, agora sabendo do que se tratava.

Portanto, seu olhar pairou ao redor, um pouco desconcertado por não ter tido nenhuma resposta e parecendo querer procurar um último assunto.

Só que ele mirou na minha cômoda.

— Nossa, que bonito! — soltou, e fiquei primeiramente sem entender. Ele se aproximou do móvel. — Onde você comprou? Que fofo, você tem bom gosto! Acende como?

Segui seus olhos.
Meu Deus, o abajur de coração.
Ele iria tocar.

— Não, espera! — me apressei e peguei no seu braço, mas mesmo assim, Woosung acabou tocando e deixando a mão por milésimos segundos no abajur para talvez, pegá-lo, ou somente sentir. O objeto acendeu.

— Desculpa, eu não sabia que... — se afastou, assustado.

Ah, já era.
Ao menos esperava que só eu tenha visto ele acender.

— Jimin, desculpa. — preocupado, aproximou-se de mim. — Fiquei meio sem jeito porque às vezes posso falar coisas impulsivas e acabei dando uma de mexilhão nas suas cois-

— Tudo bem, só não... — pensei em uma desculpa rápido. — Não queria gastar a bateria dele. É isso. — sorri sem graça, mentindo. Ele assentiu, compreensivo e arrependido de ter mexido onde não devia. — De qualquer forma, viu como é diferente? Acende quando você o toca.

Que Jungkook sequer esteja em casa.

— Sim, sim, é muito fofo e bonito. Diferente, nunca vi nada parecido. — concordou, olhando o objeto mais uma vez, agora de longe, e me encarando em seguida. Ele colocou as mãos nos bolsos, parecendo nervoso. — Que nem você.

— Desculpa atrapalhar a gracinha de vocês, mas eu vou ter que sair porque literalmente não tem comida suficiente, portanto não vai dar pra fazer quase nada. — Taehyung de repente apareceu, e Kim Woosung pareceu despertar ao ir rapidamente até ele, afastando-se de mim.

Antes que eu sequer pudesse dizer algo ou reagir, o barista foi mais ágil:

— Eu vou indo pro meu apartamento lá embaixo, então, tá? — avisou, apressado. E me encarou. — Se cuida, Ji. E por favor, não bebe demais, já vi como isso te prejudica. Na verdade, tenta nem beber. E qualquer coisa pode me chamar, somos quase vizinhos.

— Tu mora aqui?! Caralho, jura?! — surpreso, Tae levantou as sobrancelhas. Woosung acabou soltando uma risada genuína. — E que isso, homem? Que pressa é essa? Por que não fica mais um pouco se mora embaixo?

— É que eu tenho trabalho e também tenho que levar minha irmã pra estudar. Nem sei que horas são, deixei meu celular. — coçou a cabeça, sem jeito.

— Oh, é melhor ir depressa, então. Não queremos atrapalhar. — eu mexi as mãos em frente ao corpo, preocupado com a sua situação.

— E você me atrapalha? Jamais. — mirou em mim. Abriu um sorriso meigo. — Enfim, já sabe. — piscou de um olho pra mim, encarando Taehyung em seguida. — Até mais também, Tae, se é que posso te chamar assim.

— Tá maluco? É claro que pode. — o respondeu de seu jeitinho. — Bora, vou abrir a porta pra ti.

Eu acenei, e vi ele sair do meu quarto em definitivo. Taehyung levou ele pra fora, saindo do meu apartamento. Ouvi a porta trancar no automático quando meu melhor amigo a fechou.

Taehyung somente veio e permaneceu de onde estava, na porta aberta. Portanto, virou o rosto pra mim, recostando-se de lado no batente e cruzando os braços. Comprimiu seus olhos em minha direção, com pura desconfiança.

— O que foi?

— Não acha ele fofo?

— Ah. — soltei o ar, sem tempo pra esses tipos de pensamentos. Me sentei. — Ele é, mas-

— Eu sei, não tem nada a ver com você. — me interrompeu, tirando as palavras da minha boca. Levantei meu olhar ao seu. — Te conheço dos pés a cabeça, bobão.

Mordi o lábio e suspirei, assentindo. Eu praticamente só sabia fazer isso. Não pensava em nada, somente concordava, balançava a cabeça ou suspirava alto. Raciocinar demais estava me doendo o suficiente pra sequer começar a fazer isso.

— Bom, eu vou indo. E quando eu voltar, espero que esteja na cozinha pronto pra me ajudar. — avisou, saindo rapidamente dali.

E novamente, fiquei sozinho no meu quarto.

Dez. Quinze minutos se passaram e eu mandei uma mensagem para o meu melhor amigo. O silêncio já estava me incomodando.

Tete, meu leãozinho 🦁
| desculpaaaaaaaaaaaaa
| vim no mercado mais longe
| Esses perto do teu prédio é um porre
| Só comida ruim, infelizmente o lado péssimo de ser rico
| Vim pegar besteira!!!!!

Sorri. Taehyung conseguia ser um bobão.

Não deu nem dois minutos que estive arrumando o restante das roupas no meu guarda roupa, jogando as que faltavam em cima da cama minutos antes, que a minha campainha tocou de novo.

Talvez fosse Woosung? Estranhei. Ele nem trouxe nada para esquecer e vir buscar.

Caminhei pelo corredor até a sala, abrindo a minha porta sem nem ver quem era, a princípio, ainda com meu celular na mão.

— Esqueceu algu-

Levantei o rosto.

Travei.

Jungkook.

Silêncio.
Meu celular quase caiu da minha mão.

Senti meu coração acelerar.
Muito.

— Podemos... Ter uma conversa? — perguntou, aparentando receio.

Aguentei por muito tempo o meu olhar no seu. Portanto, o abaixei, sem conseguir.

— Não. — tentei fechar, mas sua mão a segurou na hora. Continuei sem encarar seu rosto, sentindo meus batimentos cardíacos.

— Nem uma vez? Nem pra me ouvir? — era quase como se pedisse. Mas eu não iria deixá-lo me enganar de novo.

— Só vai embora. Por favor.

— Por que tocou no seu coração? — perguntou, insinuando o abajur. — Sabe que o meu também acende.

— Não fui eu. — contei a verdade, sequer tomando coragem de olhar em seus olhos escuros que me traziam um sentimento desconcertante imenso.

Tentei fechar de novo, mas ele continuou a segurar na porta, agora colocando um de seus pés pra dentro do meu apartamento.

— Não mente pra mim, por favor... — sua voz me dava tantos gatilhos naquele momento. Fechei meus punhos, segurando-me. Respirei fundo.

— ... vai embora. — mal consegui falar.

— Jimin-

— Foi o Woo que tocou sem querer. — levantei o rosto e o encarei na hora, falando sério pra que isso não estendesse. — Tentei evitar mas ele achou o abajur bonito e tocou nele por pura curiosidade. Entendeu agora?

A expressão de Jungkook pareceu mudar.
Como se estivesse decepcionado de alguma forma.

— Ele veio aqui? — questionou. — Esse cara entrou no seu quarto?

— Por que? Isso te irrita? — decidi provocá-lo, tomando finalmente a coragem de sequer desviar meus olhares dos seus.

Jungkook se aproximou, deixando a porta fechar por conta própria bem atrás de si. Eu dei passos para trás conforme ele veio.

— Você que convidou ele?

— Isso não tem nada a ver com você, Jeon. Não, eu não convidei, mas o que importa se eu tivesse convidado?

Ele não me respondeu, ainda me encarando.

— Dói? Te machuca saber que outro homem entrou no meu quarto? E que conheceu o meu apartamento primeiro do que você? Que conheceu o meu novo quarto? — minha raiva subiu. — Te machuca saber que-

— Machuca. — me cortou, respondendo de imediato. — Machuca muito, você não faz ideia.

— Pensasse nisso quando decidiu me machucar. — apontei pra mim mesmo.

— E você sequer me escutou? — rebateu. — Sequer procurou entender se seja lá o que ouviu, era mesmo tudo verdade? Porque eu, Jimin, eu mesmo não faço ideia do que te contaram! — seu tom se alterou, também dirigindo-se a si mesmo. Soltei o ar.

— Precisou? Você literalmente confirmou sem dizer uma sequer palavra sobre isso pra mim, Jeon! — também me alterei.

— Mas custava me perguntar e me ouvir contar as entrelinhas disso?!

— E acha que eu quero saber de entrelinhas, Jeon?! Eu literalmente fui enganado! Como seria a sua reação?! — minha voz já estava alta. A sua também tornou-se.

— Porra, eu não enganei você! Tem noção de como eu tô me sentindo agora?! Jimin, nós-

— Arrependido?! Porque é desse jeito que você deveria se sentir! — interrompi-o. — E eu não vou aceitar nenhum dos seus pedidos de desculpas! Você nunca nem deve ter sentido nada por ninguém!

— Não, eu não sentia. Você tá certo. — negou com a cabeça, acalmando-se. Parou de praticamente gritar comigo de volta. — Nunca senti nada antes de conhecer você.

Respirei fundo, o vendo se aproximar de mim.

— Nem sequer sabia o que era amar. — contou. — Só que você foi a primeira pessoa que eu amei, Jimin. Que eu vi como homem. O meu.

Quase vacilei.
Meu coração estava angustiado.

Eu já sentia a falta dele como se fôssemos inseparáveis o suficiente pra que um dia só se tornasse um mês inteiro.

E só de vê-lo perto de mim, o seu calor, seu cabelinho com as mechas coloridas, cada pequeno detalhe, a sua voz e o seu rosto...

— Eu não acredito em você. — tentei ser firme.

— Eu te amo. — rebateu.

— Já disse que não acredito em você.

— E eu disse que te amo.

Não desviamos nenhum segundo. Ele me deixou sem palavras. Tentei respirar calmamente e me controlar, mas fitá-lo por tanto tempo assim não era uma tarefa fácil.

Ainda mais quando ele chegava tão pertinho de mim...

Eu só ouvi a sua respiração. E os meus olhos, de repente pararam nos seus lábios. Era uma mistura de sentimentos tão fortes que eu não conseguia recuar. Nem ele.

Mas era a minha obrigação.
Me afastei, olhando para o outro lado.

— Eu vou te dar o restante da grana. — disse.

— Como tem tanta certeza de que eu sou um mentiroso depois de tudo que a gente passou juntos? — então, o encarei ainda perto de mim. — Acha mesmo que eu também me entregaria pra caralho pra você se tivesse te enganando?

— A questão é que em algum momento desse relacionamento, você me usou.

— Errado. Nem tínhamos começado a namorar e quando me apaixonei, o que acha que eu fiz?

— Desfez o acordo? Que bom, mas saber que o motivo da sua aproximação foi por causa de dinheiro e se não fosse, talvez a gente nunca tivesse se conhecido, ainda me machuca, porque você me pegou em um momento muito delicado, Jungkook. Me pegou totalmente vulnerável. — afirmei. — E por favor, vai embora. Eu mando o restante depois.

— Não tá mentindo pra mim, né? — rebatia, preocupado. — Você disse que tocaria naquele abajur de coração se precisasse de mim.

— Mas não fui eu. — respondi. Desviei o olhar, inseguro. — E eu não preciso mais de você.

Não recebi nenhuma resposta.
Pelo contrário, ele ficou alguns segundos me encarando, e enfim, deu as costas.

Foi tentar abrir a porta, dando de cara com Taehyung, que chegou e tomou um pequeno susto de choque.

Meu melhor amigo tinha uma sacola branca desconhecida em mãos que sequer parecia como as outras que ele segurava, maiores e com a logo do supermercado onde foi, confuso ao olhar pra ela e depois se deparar com Jeon dentro do meu apartamento.

Jungkook a pegou.
E veio até mim.

— Aqui. — me entregou, sério. Sem saber o que era, abri brevemente. — Não preciso disso. Nem do restante.

Dinheiro.

Dessa vez, quando o encarei, ele era quem não me fitava nos olhos.

Simplesmente não se despediu, literalmente deu as costas e saiu do meu apartamento, sem mais.

Deixei a sacola cair no chão. Cambaleei para trás. Taehyung fechou a porta depressa e andou em seus passos mais largos até mim.

Eu comecei a chorar.

Estava fazendo a coisa certa mesmo?

💸

[SEOKJIN]

— Hanna-ah! — a chamei, sentado no sofá enquanto jogava uma partida de Mario.

— Pai, de novo? — veio correndo, com uma cara emburrada. Eu pausei o jogo, dando atenção pra garotinha de braços cruzados na minha frente.

— O que? — estranhei, não entendendo. — Por que tá brava? Eu fiz algo de errado?

— Não quero jogar de novo. Você nunca me deixa ganhar sozinha, sempre quer me dar dicas. — manteve sua postura brava. Eu suavizei a expressão, soltando o ar e reprimindo uma risada.

— Ahhhh, filha. Vem aqui. — abri os braços. Hanna não pensou duas vezes, vindo pro meu colo. — Tudo bem, vamos fazer o que você quiser, preciso aproveitar a folga com a minha pitchuquinha. — tirei uma mechinha de cabelo castanho de perto do seu olho. — Quer brincar de quê?

— Quero conversar. — arrumou a postura. Levantei as sobrancelhas em surpresa.

— Olha só, é o momento da Hanna inteligente e psicóloga. — tentei não rir da sua carinha convencida, mesmo estando com duas marias chiquinhas no cabelo curto.

— Sim, quero conversar bem sério.

— Hum, o que foi, então? — interessado, a esperei falar.

— Quando vai trazer o homem fadinha de novo? — perguntou, e eu franzi o cenho.

— O homem... — lembrei. — Ah, o Jimin? Jura?

— É o nome dele? — pareceu super interessada desta vez, seus olhos se arregalaram.

— Isso. Gostou dele? — ela confirmou com a cabeça. — Mais do que do seu pai?

— Ah, vamos parar! — espertinha, ficou séria de novo. Eu ri.

— Tá, vamos marcar de sair juntos um dia. Eu, você e todos os meus outros amigos. Vai ter que dividir a atenção. — disse, ela levantou o indicador pequeno.

— Nananinanão. Eu sei muito bem dar a mesm atenção pra toooooodo mundo. — explicou.

— Isso mesmo, tinha que ser minha filha pra ser inteligente e linda desse jeito. — mimei, acariciando seu cabelo uma vez.

— Mas... — pensou um pouco, continuei atento. — Titio Jun é o namorado dele? Eles dois são mesmo um casal?

Meio que parei no tempo nessa hora.
Pra ser sincero, eu sabia que Hanna era uma garota muito esperta e tinha orgulho disso.

Mas nunca cheguei a conversar sobre nada dessas coisas com ela. Acho que seria importante.

— Bom...

— Eu sei que sim. — me olhou desconfiada. Acabei rindo.

— Nem preciso explicar, então? — ela negou. Dei de ombros, achando uma graça.

— Papai, e você? — de repente, me questionou.

Mil direcionamentos pra sua pergunta vieram na minha mente. E eu não sabia qual era a resposta certa e do que Hanna estava se referindo.

— O que tem eu?

— Não gosta de ninguém? — soava tão natural pra ela que me impressionava. Pensei, mas decidi negar com a cabeça e sorrir.

— Papai tá ocupado demais com trabalho e sustento pra ficar pensando nessas coisas.

— Eu não me importo de você se apaixonar. Aprendi que é algo normal entre as pessoas. Só não fique se bloqueando disso. Muito menos por minha causa, tá? — dizia.

A minha própria filha estava me dando um conselho sobre amor?

— A vida é bem curtinha e minha professora da escolinha disse que temos que aproveitar cada momento com quem a gente ama. E eu queria muito que você encontrasse alguém pra compartilhar vários momentos que nem compartilha comigo.

— Hanna-ah, você... — impressionado, fiquei sem palavras. — O que anda estudando, hein?

— Te amo, papai. — me deu um beijinho na bochecha, saindo do meu colo. — Pode amar quem você quiser, você ainda vai ser o melhor pai do mundo todo.

Enfim, ela saiu do meu colo, arrumando a bermudinha que usava e me olhando com um sorrisão no rosto pequeno.

Eu realmente estava impressionado.
Como criei uma garota tão inteligente?

— Agora é a minha vez de escolher! — apontou pra si mesma, mandona, me tirando dos meus pensamentos. E do orgulho que eu tinha dela como minha filha. — Vamos! Quero brincar com os baralhos!

💸

[YOONGI]

Das mensagens que enviei ao Taehyung, nenhuma foi respondida.

E quase duas semanas se passaram depois que eu soube do terrível término de Jimin e Jungkook.

— Talvez ele esteja ocupado. — comentei com Namjoon, de pé. — Falou com o Jungkook? Me disse que ele não vai nem mais cantar. E que quase nem sai mais do quarto.

— É, cheguei junto com você. E pelo visto, ele não tá em casa, o quarto dele tá aberto. — apontou pra porta.

— Preocupado? — mirei meus olhos nele, que tinha as mãos na cintura e uma feição nada calma. — Não pode se estressar muito, sabe disso.

— Eu sei, é que... — suspirou alto. — Ele-

E cortando a fala de Namjoon, assim como a nossa atenção, a porta foi aberta pelo próprio Jungkook. Eu me levantei do sofá, ficando como o Nam.

O de mechas verdes na frente de todo o cabelo tinha uma sacolinha em mãos, parecendo ser claramente lámen e latinhas de bebida alcoólica.

— ... Oi, hyung. — disse, olhando pra mim, sério. Talvez não esperasse que estivéssemos aqui quando ele chegasse, somente o vi engolindo em seco. — Com licença.

Ele simplesmente abaixou a cabeça e se retirou.

Jungkook fechou a porta e seguiu em passos apressados até o seu próprio quarto. Apenas o acompanhamos com os nossos olhares. E o silêncio deu conta quando ele se trancou.

Kim me encarou na hora.

— Eu vacilei também. Preciso pedir desculpas, e se ele tiver chateado comigo porque falei demais? Melhor eu ir. — tentei avançar, mas Namjoon colocou o braço na minha frente, me impedindo.

— Esquece, passou e ele não deve nem pensar nisso aí agora. — opinou. — E sabe, não acho que foi o Taehyung que contou pro Jimin. — palpitou. Pensei.

— Então, o Tae me disse que não foi ele, conversamos quase todos os dias por mensagem. — tirando hoje. — Quem você acha?

— Talvez o pai. — minha mente clareou. Tem razão.

— Do Jimin? — falei baixinho também. Namjoon afirmou. — Putz... Ah, o Jin sabe disso tudo, né? — resolvi perguntar, pois era o único que não estava conosco há um tempo.

— Sim, contei faz tempo e eu também chamei ele pra cá. Pedi pra ele vir com a Hanna, mas ele me disse que seria melhor não envolver ela, o clima não tá legal. — explicou. — Vamos ficar um pouco juntos, acho que isso pode melhorar o estado do Jungkook.

— Acha mesmo? Mesmo depois de ver que em quase duas semanas após o término, ele continua parecendo um zumbi? — quem me dera dizer isso pra soar engraçado, mas eu estava mesmo era preocupado e paranóico com a situação.

Namjoon sabia a resposta.
Não seria tão fácil assim.

Ele suspirou alto, desviando os olhares de mim e indo se sentar no sofá, pensativo, inclinando seu tronco pra frente e apoiando os cotovelos em seus joelhos, juntando as mãos na frente.

— Aliás... Queria falar com você desde que voltei de viagem. — me sentei também, recordando-me de algo importante. Ele me encarou na hora. — Pra você ver que quero isso desde muito tempo. Mas aconteceram tantas coisas, inclusive com você, que eu nem consegui me concentrar nesse assunto em específico. Na verdade, nem sei se posso.

— Pode falar, sem problemas. — disse, calmo.

— É que você acabou de fazer uma cirurgia, então, meio que...

— Qual é, Yoon. Você é manso mas nem é assim, pode chegar falando tudo na cara como você sempre faz. — se endireitou, cruzando os braços enquanto levou seu corpo para trás, no estofado do sofá. — Não tô mais acamado e só iria sair daquele hospital estando com a energia máxima. E eu tô, só sou um pouco velho em vários aspectos. — deu de ombros. Eu ri, negando com a cabeça.

— Eu queria conversar sobre você e o Jin. — e de repente, era como se a expressão calma de Namjoon sumisse. — O foda é que eu queria mesmo era entender.

— O que exatamente? — mesmo assim, se manteve pacífico, descruzando os braços e desviando o olhar por segundos. — Eu e o Jin somos muito amigos, e de anos, inclusive. Assim como você, Jungk-

— Não é a mesma coisa e eu sei. — continuei lhe olhando nos olhos ao cortá-lo. Ele também não desviava. — O Jungkook também sabe.

— E o que vocês acham que sabem?

— Qual é o empecilho pra vocês dois não ficarem juntos, Nam? Jungkook já conversou comigo sobre isso por horas há muito tempo atrás. — contei a minha verdade, esperando pela sua. — Nós dois sabemos que vocês gostam um do outro muito mais do que simples amigos. Eu duvido que sinta pela gente o que sente pelo Jin.

— Claro que não. — rebateu, firme. — Você é meu melhor amigo também. Mas o Jungkook, você sabe que é como um filho e um presente pra mim. Todos vocês são um presente, de qualquer forma. Mas amo todos de formas diferentes.

— Namjoon, tá na cara que vocês se gostam. — afirmei mais uma vez e ele revirou os olhos, suspirando. — E antes mesmo de eu ir viajar e começar a trabalhar pra cacete, me lembro muito bem de quando saímos frequentemente juntos e vocês dois viviam indo um na casa do outro. De repente, cadê?

— O que tá insinuando? Só temos nossas vidas pessoais pra cuidar. — deu de ombros, como se não fosse nada demais.

— Vai ficar mentindo assim? Logo você? — o olhei com desconfiança, cruzando os meus braços desta vez.

Silêncio por alguns segundos e vi Namjoon desviando seu olhar do meu, tentando mexer seu corpo e endireitar-se de maneira confortável.

Mas não parecia possível, pois ele estava claramente incomodado com o assunto.

— Eu não quero que o Seokjin tenha uma vida complicada ainda mais depois dos problemas que passou por conta da mãe da Hanna. — dizia, finalmente sendo honesto sobre, me encarando.

— E você acha mesmo que ele amava ela? — com puro desdém e sabendo da resposta, o questionei o óbvio. — Cara, ele só-

— Eu sei, mas essa não é a questão. — me cortou. — Ele ama a Hanna e tenho certeza de que o Jin não gostaria de nenhuma confusão pra cabeça dela.

— Como assim? — franzi o cenho. Mas como se ouvisse um clique rápido, minha mente assimilou. Meu rosto suavizou, por pouco tempo, antes de entrar em completa contradição com o que compreendi e definitivamente, não concordei. — Ah, não, Namjoon! Tu não tá me dizendo que só não assume que quer alguma coisa com o Jin por conta da filha, né?

— Eu já disse que não quero causar problemas.

— E eu queria que tu enxergasse ao menos que a garota gosta tanto de ti quanto o próprio pai! — rebati. — Cara, não é nem algo que eu e o Jungkook vimos sozinhos. É real.

— As coisas não são fáceis desse jeito, Yoongi. — negou com a cabeça, mantendo-se muito mais calmo agora.

— Só se você mesmo decidir complicar tudo. Acho que essa é a verdade. — e rebati novamente.

Parece que o guru dos sermões dessa vez, fui eu. Min Inteligente Supremo Yoongi.

Namjoon me encarou, e eu conseguia analisar cada detalhe da expressão insegura no seu rosto, o olhar bem claro das suas intenções.

Talvez, com uma chance mínima de zero virgula um de eu estar errado, pude confirmar que: ele era realmente apaixonado por Kim Seokjin.

E podemos confessar: tenho certeza de que a Hanna é muito esperta. Tanto quanto os dois juntos e seus cérebros com QI's elevados.

💸

— Isso aqui tá parecendo um enterro. — Jin soltou.

Estávamos na mesa da cozinha. Eu fiz alguns lanches tentando copiar Taehyung quando visitei ele, e conversamos um pouco. Rimos por coisas bobas, mas Jungkook não dizia uma sequer palavra.

— O que acham de vermos um filme depois? — perguntei, somente Namjoon e Seokjin concordaram comigo.

— Não sei. — finalmente, era a voz de Jungkook.

Eu percebi os seus olhos brilhando. Mas ele se endireitou na cadeira.

— Na real, tenho uma novidade pra contar pra vocês. Me esqueci e só fui responder as mensagens dele hoje.

— Tem? Espera, mensagens de quem? — Jin se endireitou, virando-se para ele, que estava na cadeira ao seu lado. Vi Namjoon arregalar um pouco o olhar para o mais novo. Me preparei para a notícia também, seja lá qual ela fosse.

Espero que seja boa.
Mas mesmo assim, Jungkook mal olhava nos nossos olhos.

— Em Jeju, eu... — começou, tirando suas mãos de perto do prato vazio, insinuando que ele havia se alimentado devidamente. — Fui cantar em um lugarzinho da rua, tinha gente pra caramba até, e aí... Quando eu terminei, um homem veio falar comigo.

Então, ele encarou Jin, Namjoon, e logo em seguida, eu.

— Ele é dono de uma empresa musical. E me deu seu número de telefone, me convidou pra ser apresentado lá. Fazer algumas audições, tipo isso. Ele gostou muito da minha voz, falou coisas muito legais. — contou, nos encarando simultaneamente. — Acabamos de marcar um dia pra nos encontrarmos melhor.

— Meu Deus, mentira?! — surpreso até demais, Seokjin abriu os lábios e me encarou, em choque junto comigo.

— Quem ele é? Tem foto? Qual é o nome da empresa? — animado e curioso, Namjoon perguntou.

— E-Eu... — abaixou a cabeça.

Jungkook iria chorar?
Minha leveza com a notícia foi-se embora.
A de todo mundo.

— Bom, eu conto tudo depois. — levantou a cabeça, com os olhos brilhando em lágrimas que sequer desciam. — Desculpa.

Nos deu um sorriso mínimo e forçado, comprimindo os lábios. E saiu, apressado, levantando da cadeira e fazendo barulho naquele silêncio doído pra ele.

E doído pra nós também, que assistimos ao seu sofrimento sem poder fazer ou dizer nada.

Quando ele se trancou no quarto de novo, eu encarei os outros, menos chocado do que eles pareciam estar. Seokjin já sabia de tudo.

— Eu acho que tenho que ir... — quebrando a estranheza, me pronunciei, pois tinha um compromisso marcado do trabalho. — Marquei de fazer uma tatuagem nesse horário porque era o único disponível pra moça que agendou. Aproveito e fico por lá mais um pouco pra ver se brotam mais clientes hoje.

— Ah, claro, vai sim. — Namjoon assentiu totalmente. — Jin, você quer que eu te leve em casa ou algo assim?

— Eu adoraria, Nam. Mas... Bem... — dizia, nos encarando simultaneamente enquanto eu me levantava, pegando meu celular para checar o horário exato.

Ufa, ainda faltava meia hora.

— Assim... Eu tô com uma ideia. — praticamente sussurrou, o que me chamou a atenção. Coloquei meu celular na mesa, e Jin comprimiu os lábios que queriam sorrir.

— Quê? Por que tá falando assim? — Jin repreendeu Namjoon e seu tom nada discreto da voz com um único olhar raivoso. — Opa, foi mal. — disse, bem baixinho. Jin se endireitou na cadeira, descansando as costas.

Coloquei as mãos na mesa como apoio, ainda de pé, porém curioso. Namjoon pulou rapidamente de sua cadeira para a que Jungkook estava sentado, ao lado de Jin.

— Baek, meu funcionário da sorveteria, o quietinho que faz o trabalho direitinho, vocês sabem. Ele vai viajar no próximo final de semana, e eu vou ter que ficar mais tempo lá e fazendo muita coisa sozinho nos dois dias, fechando tarde também. — explicou.

— Sério? E precisa de ajuda? — Namjoon se voluntariou, como sempre sendo prestativo. Principalmente quando se tratava de quem ele tinha uma paixão "escondida".

Ou amor.

— Se quiser, posso ficar lá e te aju-

— Não, não, shiu! — colocou o indicador na frente dos próprios lábios volumosos, querendo continuar com a sua suposta "ideia".

— Tem algo a ver com a gente? — ainda não compreendi e não poderia demorar muito. Ele negou com a cabeça.

Eu ia contestar, porque se não tinha nada a ver, por que teríamos que saber como se fosse um segredo? Mas antes mesmo disso, Jin foi mais rápido:

— É com o Jungkook. — ainda falando baixo o suficiente pra só nós ouvirmos, expôs, um pouco agitado e ansioso com o que tinha em sua mente. — Mas não só com ele.

Esperamos pela continuação.
Qual era a questão da vez?

— A Hanna não pode ficar sozinha, a avó dela tem compromissos em um dos dias e eu sei que vocês poderiam me ajudar se pudessem, mas agora eu quero que me digam que não, não podem de jeito nenhum. Mesmo que seja mentira. — dizia, convicto. Namjoon franziu o cenho.

— Mas qual seria o sentido? Com quem ela vai fic... — pensei. — Espera, o Jungkook?! — sussurrei como se gritasse. Pique isso.

— Sim. — confirmou, abrindo um sorriso curto.

— Ok, pode ser uma boa pra ele se sentir melhor. O Jungkook adora a Hanna e a Hanna adora o Jungkook. — Namjoon concordava com a decisão de Jin, balançando a cabeça em pura concordância ao pensar sobre a situação.

— Mas quem disse que ele vai passar um tempo com ela sozinho? — levantou as sobrancelhas, sabe-tudo. — Hanna vive me falando que queria ver o garoto fada de novo. É garoto fada pra lá, ou homem fada pra cá...

— Quem é o-

— Jimin. — respondeu ao Namjoon, sussurrado. Ele abriu a boca em surpresa, e parecendo tudo se encaixar. Até pra mim.

— Verdade, meu Deus, mas... — não sabia nem o que dizer, raciocinando em partes.

— Calma lá, como pretende fazer isso? Que intimidade você tem com o Jimin pra chamar ele pra babá? — pensei da forma mais correta e cética possível. Na lógica.

— E não fazer a vontade da minha filha? Sem contar que ela me puxou, ninguém resistiria. — rebateu, dando de ombros. — É claro que de qualquer jeito, vou chamar o fadinha.

— Acho bem difícil concordarem em fazer isso juntos. — Namjoon foi realista, virando-se de frente, encostando as costas na cadeira e soltando um suspiro. Despreocupou-se, sincero. — A ideia de tentar fazer os dois reatarem é muito boa e eu sou super a favor, mas acho meio impulsivo agora. Eles acabaram de terminar.

Concordei. De fato, eles não fariam isso juntos. Daria problemas. Fora que Jimin seria provavelmente o primeiro a negar, mesmo se decidisse pensar.

Portanto, Jin levantou outra questão:

— E quem disse que eles precisam saber?

💸

[JIMIN]

Talvez essa fosse a minha pior decisão pro dia de hoje. Mas eu precisava me distrair.

Taehyung andava muito ocupado, pois ele era modelo e haviam trabalhos marcados, até mesmo atrasados o suficiente pra que ele nem pegasse no celular. Amanhã mesmo ele não estaria disponível em nenhuma hora do dia de novo. Nem sequer a Srta. Lee viria, pois a deixava de folga nos finais de semana.

Quase agora, eram nove horas em ponto, assim que chequei o meu celular em cima da cama. Me levantei para ir de encontro ao guarda roupa.

Recebi uma mensagem de Woosung perguntando se eu gostaria de sair com ele mais cedo. Tudo que eu fiz foi perguntá-lo se ele iria pro trabalho hoje de noite. E quando ele disse que sim, decidi ir com ele.

Ainda mais depois que me disse que subiria pra cantar. Que era uma de suas raras vezes.

Tentei ignorar todo e qualquer pensamento que viesse na minha mente justamente por ir na boate onde eu gostaria de estar longe. Mas era a única que eu conhecia...

E bem, eu verdadeiramente mantenho minha confiança no Woo. Muito mais depois de saber do seu cuidado comigo.

Meu corpo ainda não correspondia muito bem, estava meio mal estar uma semana inteirinha, por culpa da quantidade de álcool ingerido. Talvez fosse psicológico também. Taehyung me aconselhou a ir no hospital, mas optei pelo contrário.

Respirei fundo umas três vezes pra tentar me sentir melhor. Em seguida, abri o meu guarda roupa pra tentar encontrar a melhor roupa possível.

Não pude deixar de notar a primeira chamativa que vi. A jaqueta de couro com apetrechos brilhantes nos ombros, a calça de couro, a blusinha da Gucci...

Ainda parecia tão recente pra mim.
De quando ele levou na KISSB pela primeira vez. E me defendeu, apesar dos acontecimentos ruins.

E logo ao lado, o moletom maior que eu.
Dele.

Impulsivamente, peguei a vestimenta do cabide e me lembrei de cada detalhezinho do dia em que ele me emprestou o moletom, que consequentemente ficou pra mim. Eu nem precisava colocá-lo ou cheirá-lo, pois o seu perfuminho ainda estava impregnado, mesmo que agora, muito pouco com o passar do tempo.

Ah, o dia em que ele me levou pra comer lámen pela primeira vez...
Eu o odiava naquele tempinho.

Odiava porque sabia que me apaixonaria facilmente por ele.

Fechei os olhos por um tempo e tentei dissipar qualquer pensamento junto ao choro se embolando.

Mas foi inevitável.
Senti uma lágrima descer assim que os abri.

Logo, guardei o moletom de volta onde estava e me apressei pra me arrumar, distrair a mente por completo. Eu esperava voltar mais cedinho pra casa, ficaria ao menos para ver Woo cantar ou tocar e ir embora.

Vai dar tudo certo.
Apesar de quase me arrepender de ir.

Tarde demais. Porque lá estava a minha pessoinha, entrando em uma boate onde a primeira coisa com a qual me deparo, foi com duas mulheres se pegando do lado de fora. Tentei não olhar, me senti muito envergonhado.

Quando botei meus pés dentro do lugar, me encolhi em uma das paredes pra mandar uma mensagem para Woosung.

Ele havia me confirmado que não estaria trabalhando no bar hoje e que poderia estar ao meu lado o tempo todo caso me sentissse desconfortável. Sempre gentil de sua parte.

— Me procurando? — era a voz de Woo, logo após eu enviar a mensagem. Quando levantei meu rosto, ele parou na minha frente com um sorriso largo. — Eu fiquei te esperando na entrada mesmo. Sei que aqui é estranho pra você.

— Não, sem problemas. — assenti, tentando ficar numa boa, guardando meu celular na pequena bolsinha preta transversal.

— Gostei muito da roupa. — apontou, e eu acabei olhando a minha própria vestimenta involuntariamente. Estava com uma camisa azulada de cetim, manga longa*. E a calça de couro. Queria combinar com o lugar.

Confesso que a camisa estava com dois botões abertos porque eu queria ser um pouco menos... Fofo.

— Você tá lindo, de verdade. Brilhando. — ressaltou e eu sorri, tímido. Ele riu, parecendo tímido também.

— Obrigado.

— Vamos, meu colega tá cuidando do balcão, mas a gente pode tomar um suco ou alguma coisa sem álcool. — sugeriu. E eu assenti, seguindo-o pela boate com a música que só aumentava conforme eu caminhava dentro dela, e chegando nas bebidas sem muito esforço.

— Eu acho que vou querer um suco de morango bem gelado, vocês tem? — paramos em frente, e Woosung, na minha frente, me encarou por um tempo, pensando logo em seguida. Eu acabei rindo. — Desculpa, fui muito específico?

— Não, relaxa, pra você teremos qualquer coisa! — riu também, chamando seu colega em seguida, o qual atendia duas meninas, levando garrafas para elas.

— Então... — sentei no banquinho, apoiando meus cotovelos no balcão e começando um assunto por conta própria. Woosung olhou pra mim. — Você vai cantar hoje?

— Isso, e vou tocar também. — disse, sorrindo com simpatia. — Cara, me vê duas batidinhas bem geladas de morango, por favor. Sem álcool. — pediu, vendo o rapaz indo embora e voltando sua atenção pra mim. — Acho que tô ansioso porque você vai me ver.

— Sério? — soltei um riso leve. — Nem se preocupa, tenho certeza de que vai se sair bem.

— Obrigado, Ji. — sorriu, mas logo, seu sorriso se desfez aos poucos, parecendo recordar-se de algo. — Mas... Bom... Vai ter uma outra apresentação, não sei se vai te deixar incomodado porque eu soube de última hora também, o-

— Aqui está. — e em duas taças bonitas, chegaram as batidas, cada uma com um morango na borda também. Me animei.

— Olha, que lindo! — virei pra Woosung, mostrando a taça transparente e a bebida avermelhada. Seus olhos sorriram.

— Sim, e eu nem sou chegado em morangos, hein. — riu. Fiquei sério, me preocupando.

— Mas por que não pediu de outro sabor?

— Eu quero provar essa com você. Nunca bebi uma batida de morango. — contou, divertido. Eu abri um sorriso mínimo, compreendendo.

— Woo... Mais uma vez, eu queria te agradecer por ter me levado pra casa e cuidado de mim. — sem graça, eu disse, pensando, enquanto observava a minha própria bebida. — Eu não sei o que poderia ter acontecido comigo aqui se não fosse você.

— E eu já deixei bem claro que não fiz mais do que a minha obrigação, Ji. — me olhava com cautela, realmente sincero. — Também não sei o que poderia ter acontecido porque aqui não é um lugar muito seguro. Por isso, não tente fazer isso de novo, por favor.

— Tudo bem, eu sei. — balancei a cabeça em concordância. Era difícil. Bebi um gole. Arregalei os meus olhos. — Nossa, já bebi diversas batidas, mas essa tá realmente muito boa! — e desci mais. Ele soltou uma gargalhada.

— A sua mudança de personalidade foi muito engraçada agora. — tirava sarro, mexendo uma vez no cabelo castanho ondulado. Ele também bebeu a sua, enquanto eu ainda apreciava o sabor delicioso da minha.

— Terminei. — não demorou dois minutos e eu lambi os meus lábios ao acabar, deixando a taça vazia e colocando-a no balcão, vendo Woosung arregalar seus olhos em choque pela rapidez. Ri. — Pode não ter álcool, mas eu era muito bom em beber. Só passava dos limites.

— Caramba. — ainda surpreso, me encarou após mirar na taça vazia por mais tempo.

— Que horas você vai cantar? — perguntei.

— Daqui a pouco. Inclusive, pretende ir pra casa assim que eu acabar?

— Sim, talvez... — fiquei incerto, o clima não estava ruim. Começou a tocar Save Your Tears.

Memórias vinham direto na minha mente com essa música, e eu não gostaria de lembrar de nenhuma delas agora...

Tentei ignorar ao máximo.
Ignorar tudo que fosse me tirar do clima.

— Mas por que?

— Eu posso te levar pra casa, depois eu volto pra cá. — sorriu. — Só pra não precisar pegar táxi ou algo do tipo tarde da noite assim.

— Tá achando que eu não sei me cuidar? — abri um sorrisinho.

— Sabe, mas eu também quero ser cuidadoso com você, né? — também sorriu, com seus olhos castanhos. Woosung era um homem incrivelmente romântico.

— Sei bem. — ria junto dele, descontraídos.

De repente, em um piscar de olhos, uma garota bêbada se esbarrou no meu ombro. E o pouco de sua bebida no copo, respingou em mim. Ela pediu desculpas e saiu, sem controle de si e sem querer. Pronto. Tudo bem, eu não me irritaria com isso, nem foi nada, pareciam pinguinhos de chuva.

Diferente, Woosung se levantou preocupado, mas realmente não aconteceu absolutamente nada, na realidade. Só caíram respingos, não haviam manchas nem nada do tipo. Foi falta de atenção.

— Tá tudo bem? — também me levantei quando ele se aproximou, me olhando atentamente. Eu afirmei com a cabeça.

— Uhum, não me sujou. — analisei a roupa, tranquilo.

Mas quando levantei meu rosto ao olhá-lo, Woosung simplesmente passou seu polegar embaixo do meu olho, cauteloso.

— E essa gotinha aqui? — suspirou. — Se aquela garota se desequilibrasse só mais um pouco, ia cair bebida de verdade em você. Foi sacanagem, tsc. — incomodado, limpou-a pra mim. Fiquei sem reação, a princípio.

— Ah, obrigadinho de novo... — sem saber o que lhe dizer, engoli em seco e abaixei a cabeça, agradecendo.

Tentei não manter contato visual também quando voltei a levantar o meu rostinho. Sem contar que o quanto ele estava perto ainda era muito esquisito pra mim.

— O seu cabelo, espera... — com a mecha caindo no meu olho direito, percebi sua leve demora em aproximar seus dedos novamente do meu rosto, provavelmente para afastar a mechinha.

Eu não sabia o que fazer.

Mas nem precisou ser feito nada. Antes que seus dedos sequer chegassem e com seus olhos focados nos meus, seu braço foi tomado a força e afastado de mim como um raio de tão rápido.

— Não encosta nele. — e eu sabia de quem era essa voz.

Quando olhei minimamente para o lado, vi Jungkook.

Woosung soltou o ar, revirando os olhos uma única vez e negando com a cabeça.

— Poxa, cara, eu nem ia fazer nada. Eu tenho muito respeito pelo Jimin, sabia? — contestou. Só consegui enxergar Jungkook de costas pra mim, se aproximando de Woo.

A jaqueta jeans preta, a calça larga.

Ainda estive sem saber como reagir.
Então, Jungkook estava aqui hoje também?
Pensei que estivesse receoso depois da confusão que fizeram.

Ah, como não? Ele trabalhava na boate, de qualquer forma. Ele precisa de dinheiro.

— E ia tocar no rostinho dele por qual motivo? Hein? Quem te deu permissão? — confrontava o outro, eu me mantive intacto. Jungkook me parecia bravo, sem pensar.

— Eu não preciso de permissão nenhuma, somente a dele. — respondeu. — Inclusive, que eu saiba, o Jimin tá solteiro. Isso não tem mais nada a ver com você, mano.

— Como é que é? Você acha que é quem, baristinha do caralho?

— É sério que os dois vão brigar agora? — resolvi interromper.

Sem deixar Woosung respondê-lo e me ouvindo, Jeon se virou pra mim na mesma hora, sem precisar se aproximar tanto. Ele me olhou de cima a baixo, cuidadosamente, e eu também notei ele engolir a própria saliva. Desviou o olhar, incerto, descansando as mãos na cintura.

— O que tá fazendo aqui?

— A mesma coisa que você. — respondi, tentando transparecer confiança. Ele me olhou nos olhos.

Isso sim, tornava tudo difícil demais pra mim.
Ainda mais quando somente vê-lo, fazia meu coração acelerar.

— Eu vim pra me apresentar, Park.

— E eu vim pra me divertir, Jeon.

Quando rebati, mantive minha postura, e Jungkook continuou me fitando nos olhos.

— Com ele? — se referiu a Woo.

— Qual é o problema? — tentei não me desconcentrar.

— Todo. — relaxou, soltando o ar. — E você não pode beb-

— Ainda temos alguma coisa? — levantei as sobrancelhas, esperando a sua resposta. Ele pareceu discretamente incrédulo.

— Mas quer me trocar logo depois de terminar? Não tá sendo rápido demais? E ainda por cima, com esse cara? — franziu o cenho, ficando um pouco irritado.

— É melhor do que te trocar por dinheiro.

— Eu não fiz isso, Jimin. — se aproximou desta vez, convicto. Deu para diferenciar nossas alturas. — Eu posso ter sido um idiota antes de me aproximar de você, mas não durante a nossa relação e até mesmo antes dela começar.

— O que a gente já conversou, Jeon? — perguntei entredentes, cruzando os meus braços como um sentimento inseguro, com ele tão próximo de mim e falando comigo como se a nossa conversa fosse um segredo.

— Acabou o amor, é isso? — perguntou, sério.

— Eu nunca disse essa palhaçada, Jungkook. Agora você tá definitivamente exage-

— Porque pra mim, nunca vai. — deixou claro, me cortando. Eu quase tinha o balcão colado atrás de mim, sem desviar nossos olhares firmes um no outro.

— Eu não me importo mais. — forcei de novo.

— Não? Não mesmo? — questionou. — Porque eu ainda sou louco pra caralho por você, Coradinho. Nem isso importa?

Me veio um frio na barriga.

E por um segundo, meus olhos caíram para os seus lábios.

A saudade era tão...

— Eu odeio esse apelido. — menti.

Jungkook continuou me encarando, e seu rosto se suavizou, talvez em decepção. Mas me mantive de nariz em pé, como se prendesse a minha própria respiração.

— Jeon! — era uma voz feminina de repente. Quando a encaro, as batidas do meu coração ficaram ainda mais fortes.

Pelo lado ruim.

Não me lembrava do nome dela. Mas era a mulher que lhe reconheceu no carro, faz tempo. A sua ex namorada.

Só então, ele virou o rosto para vê-la, e eu aproveitei para sair de sua frente, indo para o lado de Woosung.

Jungkook me observou na mesma hora, assistindo Woo me perguntar se estava tudo bem, entre outras coisas que mal ouvi somente por continuar encarando Jeon.

— Tão te chamando, cara.

— Cala a boca. — respondeu ao Woo, grosso como sempre.

— Aconteceu alguma coisa? — a tal mulher se aproximou. E dessa vez, parecia ainda mais linda do que na primeira vez que a vi. Uma boneca.

— Nada. — Jungkook respondeu, sem ânimo.

— A Lisa tá te esperando também, bobão. Queremos ver você naquele palco. — ela disse, aparentemente feliz. O outro nome também não me era estranho.

— Isso, vai curtir com as suas garotas. É bem a sua cara, Jeon. — Woosung resolveu atacar, parecendo decepcionado também, o que eu não achava uma boa ideia. A garota também fechou a expressão, e Jungkook deu um passo pra frente.

— Quê? A Lisa é minha namorada. — ela se pronunciou, franzindo o cenho com a menção de Woo e evitando uma confusão. Jungkook ainda mantinha seus olhos raivosos presos no barista. — Jungkook é nosso amigo.

Ah, me lembrei.
Era Jennie, o seu nome.
Ela era sua ex, mas agora, estava comprometida. E durou, pelo que me parecia, afinal, fazia um bom tempo desde a primeira vez que a vi e que Jungkook me contou.

Assim, Jungkook olhou uma última vez pra mim, antes de ir embora com a amiga:

— Espero que se divirta.

Incomodado, encarei o chão, respirando calmamente quando ele foi pra longe. Tentando.

— Ji, tá tudo certo? — preocupando-se, Woosung prestou atenção em mim.

— Tô.

Era mentira. Mas tentei, ao meu máximo, ignorar tudo ao meu redor.

E quando eu dizia tudo, era no literal. Pois se eu acabasse reparando na boate em si, mesmo distraído, eu ia acabar querendo procurar Jungkook com os meus próprios olhinhos.

Continuei e permaneci sentado o tempo todo, até mesmo quando Woosung foi se preparar para a sua apresentação. Me avisou que depois dele, seria a de Jungkook.

Mas eu achava melhor ir embora antes de ela sequer começar.

E quando Kim Woosung subiu no palco, tentei ser otimista. Seu rosto era calmo e parecia muito feliz com a minha presença.

Eu sorri levemente de volta pra ele.

Essa cena me lembrava outra.

Porém, quis parecer confiante.

A verdade era que eu estava sofrendo por dentro. Eu poderia chorar alto, aos berros.

Woosung começou a tocar uma música conhecida, na sua guitarra. E de fato, pude confirmar que a voz dele era extremamente bonita. Bem diferente, por sinal.

Suspirei, tentando aproveitar assim como as pessoas estavam em frente ao palco pequeno, com a música lenta e como eu poderia facilmente adivinhar: romântica.

Mas meus olhares caíram para o fundo, um pouco atrás do palco, onde parecia ser um lugar para que as atrações entrassem para se trocar ou algo do tipo. Talvez tivesse um camarim.

Mirei meus olhinhos em Jungkook, recostado na parede e com um de seus pés apoiado nela.

A música tocava, Woosung cantava, e eu só consegui manter meus olhos no de mechinhas verdes.

Às vezes parece que fui eu, quem cometeu um erro. Que eu ainda deveria estar com você.

Me preocupei um pouco, vendo Jungkook sozinho, alguém que era popular, rodeado de pessoas. Mas depois da confusão, de o acusarem estar com outro homem, parecia que ninguém mais o dava tanta atenção.

Ou ele mesmo evitava por medo.

Eu desviei meu olhar quando reparei que o seu veio ao encontro, continuando a manter a postura e admirar Woosung cantando lindamente.

Não deu nem um minuto, e quando fui mirar no local novamente, Jungkook já não estava mais lá.

— Curtindo o som? — não reconheci a voz. Olhei pra trás, achando que era comigo.

E era.
Oh, aquele homem mais velho.
Bebendo, sentado de costas pro balcão e com os cotovelos apoiados nele.

— Ah, sim... Bastante. — sorri um tantinho forçado. Ele não me deixou muito confortável da primeira vez que conversamos no mesmo local, mal sabia que o encontraria de novo.

— Não vai dançar? Se divertir... — não consegui manter contato visual quando ele me encarou. Era realmente desconfortável, achei que fosse só a minha primeira impressão. — É novinho demais pra ficar sentado aqui...

Continuei sem dizer nada, sorrindo de maneira bem incerta.

— Não lembra de mim? — perguntou. — Me apresentei como Sang. Você é o Jimin, não?

— Isso, você lembrou bem. — afirmei, ainda sorridente da maneira mais forçada possível. — E desculpa, é que meu amigo tá cantando e eu tô prestando atenção. — tentei ser educado.

— Tudo bem. Estou esperando pra ver o meu garotinho talentoso. Finalmente... — o senhor sorriu grande, e eu não sabia decifrar seu olhar. Nem tentei. Não entendi nada.

Somente assenti, torcendo pra que Woosung terminasse e voltasse, querendo ir embora desse lugar do qual me arrependi de ter voltado de novo.

Em questão de minutos, voltei a ficar triste por causa de Jungkook.

Quando a música terminou, eu decidi ir embora. Woosung me perguntou umas três vezes seguidas se eu não gostaria de ficar, se não era a minha verdadeira vontade.

Ele gostava de mim.
Mas também sabia que o meu coração ainda era de outra pessoa.

Eu neguei. Queria ir embora.
E fui. Woosung me levou em silêncio, dizendo poucas coisas e escutando alguns elogios básicos meus sobre a sua apresentação.

No meu apartamento, só tomei um banho e depois, deitei na cama com a barriga pra cima. Mordi o lábio, pensativo e incomodado.

Eu fui muito frio com ele?
Me questionei sozinho e no silêncio.

Lembrei de batê-lo.
Coloquei as mãos no rosto, arrependido, porque eu não era uma pessoa agressiva.

Doeu em mim.
Eu quis chorar.

— Não, tá tudo bem, tá tudo bem. — respirei fundo. E quando me levantei da cama, ficando sentado e controlando a minha respiração, um serzinho bem pequeno se juntou a mim. — Oi, meu amor...

Peguei o gatinho no colo, o famoso José Limão.
Ri um pouquinho, vendo ele ronronando enquanto esfregava-se em mim.

— Desculpa ter mentido pra você... — acariciei sua cabeça. — Eu disse que ia trazer o seu outro papai, né? Desculpa...

Me agarrei nele. Abracei o meu bebê, que acabou deixando. Talvez ele sentisse a minha dor. A minha tristeza. Continuei pedindo desculpas diversas vezes, e uma lágrima caiu do meu olho. Infelizmente não posso trazer seu papai de volta. Não estando junto comigo.

Mais tarde, por volta da meia noite, comecei a assistir algum filme escolar e levezinho no celular. O Limão estava comigo, enroladinho com seu próprio corpo quase dormindo ao meu lado na cama. Minhas costas doíam um pouco mesmo com a almofada.

Porém, depois dos trinta minutos, recebo uma ligação que me deu um susto repentino.

De Yoongi.

— Oi, Yoon. Tudo bem? — atendi, sem entender totalmente.

Jimin, desculpa te ligar esse horário e começar dessa forma, mas eu tô no meio de uma tatuagem e acabei de descobrir uma coisa. — estranhei e nem sequer me importei com as horas, apenas deixei Yoongi continuar a falar. O que aconteceu? — Eu peguei o celular só depois de terminar o decalque e Namjoon me enviou uma foto de quem era o pai do Jungkook, uma que ele achou sem querer no notebook da época em que procurava por ele pra tentar levar a polícia atrás dele e eu nunca soube como ele era, por isso ele me mandou. Mas eu o reconheci na hora, fiquei em choque e vim pra um lugar mais silencioso, tentei ligar pro Namjoon, mas ele não me atende mais e provavelmente por estar com o Jin.

Yoongi dizia tudo rápido demais, eu mal conseguia acompanhar. Parecia em desespero, mas felizmente, todas as suas palavras foram entendidas por mim.

Meu coração bateu forte com o assunto e um frio na barriga veio. Comecei a me preocupar e me endireitei melhor na cama. Limão se atentou também, acordando de imediato com a minha reação.

Escuta, semana passada, eu tava na KISSB com um colega de trabalho e enfim, vi esse cara lá e ele até conversou comigo, de boa, como qualquer outra pessoa. Tipo, é muita coisa pra contar porque eu ainda tô raciocinando a porra toda, mas eu tô desesperado! — contou, meus olhos se arregalaram. Como assim, na KISSB? — Não sei exatamente se você sabe da relação que o Jungkook tinha com o pai, mas talvez ele tenha comentado. Jimin, por favor, eu não posso parar aqui, mas eu vou correndo se você não quiser ou puder ir.

— Não, espera, mas ir pra onde?! Pra boate?! Eu vim de lá! — me levantei na hora, sem saber o que fazer, entrando em desespero. — O que aconteceu, Yoongi?! O pai dele tá-

Sim, aquele pai dele já foi lá! E porra, vai dar muita merda se ele continuou indo! E se eles se encontrarem?!

— Mas será que hoje também?! — me apressei, indo de moletom mesmo, de qualquer forma. Recebi uma mensagem no meio da ligação.

Era a sua.
Com a foto do homem.

Viu alguém parecido hoje? Tipo, eu sei que talvez ele nem saiba que o Jungkook tá lá, mas sei lá, de qualquer forma, temos que evitar esse encontro o máximo possível! Jungkook não me atende nessa merda!

O mesmo.
O mesmo homem que conversou comigo hoje.
E naquela vez.

"Um artista como ele deve sempre tomar cuidado."

"Nunca se sabe quando uma tragédia pode acontecer."

Foram falas suas.

— N-Não... Ele sabe. — soltei, colocando o celular na orelha de novo.

— O que? Como assim? Sabe do quê? Quem?

É proposital. O pai dele sabe que ele tá lá e quer ir atrás dele, quer vê-lo cantar, quer falar com ele. — contei tudo que me lembrava. — Eu o vi hoje.

Até que lembrei de todas as coisas que Namjoon me disse e minha mente entrou em alerta na mesma hora.

O meu desespero aumentou.

Porra, não acredito... — pareceu piorar a sua preocupação junto comigo. — Jimin, por favor, pega aquele garoto e diz pra ele vir embora na hora. Só tira ele de lá que explicamos tudo depois.

— Yoongi, meu Deus, meu Deus... — meu coração estava acelerado. Eu ia correr.

Abri a porta do apartamento, trancando automaticamente, pensando nas piores coisas. Tremi de medo.

— Ele maltratava muito ele, não é? Como eu não notei a semelhança antes, não, não...

Só maltratava? — suspirou. — Infelizmente eu descobri que não era só isso.

Tentei ser apressado, correndo até o elevador e ouvindo tudo que Yoongi me dizia antes de ter que desligar.

Então, o que ele me disse, baixo e em bom tom, fez o meu mundo todinho cair de repente, me fazendo desligar a ligação na hora e me apressar ainda mais. Correr muito, pegando o primeiro táxi.

Jungkook era vítima de tentativas de abuso do próprio pai. Ele nunca superou o trauma.

💸

[JUNGKOOK]

Cansado. Era como eu me sentia.
E apesar de ter me apresentado agora há pouco, não era um cansaço físico.

Amassei o copo pequeno descartável e joguei no lixo, puto pelos motivos desconhecidos pra Jimin ter vindo pra boate, um lugar que nem ele mesmo gostava.

E pra ver o Woosung.
O baristinha inocente.
Sem um pingo de defeitos.

Jimin foi embora no momento em que subi no palco. Na verdade, antes. Não o vi mais assim que me posicionei para cantar.

Era estranho voltar pra cá. As pessoas não se importavam mais tanto comigo.

Uma puta boate preconceituosa, sendo bem sincero.

Foda, nem o Nam tá aqui hoje.
Por isso, só resmunguei várias coisas comigo mesmo, seguindo até o dono da KISSB.

— Eu tenho que ir mesmo? — perguntei logo de cara, sem ânimo.

Ele se virou pra mim, ocupado enquanto conversava com uma mulher na maior intimidade, como se não tivesse uma aliança no dedo.

A minha vontade, e decisão, era sair daqui.
Eu provavelmente pediria demissão. Tenho outros planos. Talvez bem maiores do que isso.

Isso se eu conseguir alcançá-los.
Porque agora, tudo ficava pesado pra caralho em cima de mim. Fiquei sem inspiração.

— Que isso, Jeon. — sem graça, me deu um sorriso. Acenou para a mulher e me levou pra outro canto, desviando de algumas pessoas. Sua expressão fechou. — Como assim, garoto? Não se deve ignorar pessoas importantes.

— E eu não ignorei. Aliás, queria falar com você sobre uma coisa. — decidido, joguei de uma vez. O homem baixo estalou o céu da boca e negou com a cabeça.

— Não, deixa pra depois, agora vai lá e depois tá imediatamente liberado. — me forçou de qualquer jeito. Revirei os olhos. — Ah, uma pergunta.

Ele olhou ao redor, se aproximando como se fosse me contar um segredo. Ou melhor, perguntar sobre algo secreto. Franzi o cenho, zero paciência.

— Tu gosta de homem mesmo? — e se afastou, como se quisesse ficar meio longe de mim.

Quis lhe dar um soco bem dado na fuça.
Revirei os olhos, soltando o ar e uma risada de pura irritação com esse cara.

— É sério?

— Esquece, esquece. — me deu dois tapinhas no ombro, se livrando da pergunta que fez. — É melhor não deixar ninguém esperando.

Na hora de dar o fora, resolvi fazer pior do que chegar e conversar: vazarei daqui por mensagem mesmo.

Só caminhei em direção ao corredor. Porra, não aguentava mais ver o pessoal se pegando loucamente pelas paredes, mas hoje não estava insuportável como antes. O corredor estava salvo, pela glória.

Sinceramente, não havia mais tanta emoção em vir pra cá.

A sala marcada, se eu não me enganava, era a mesma onde negociei pela primeira vez com o pai do Jimin. Aquele velho filho da puta. Eu o odiava tanto.

Mas também, nunca retiraria a minha própria culpa de ter me envolvido nisso.

Eu não sei quem era o cara da vez, só de que parecia ser algum tipo de interessado na minha música.

Por mais que eu já estivesse cotado para a empresa do homem amigável que me descobriu em Jeju, ainda assim, todas as propostas seriam muito bem vindas.

Abri a porta, vendo brevemente o homem com as mãos no bolso, de costas encarando o papel da parede do quarto ou seja lá o que for, me esperando. Somente me atentei ao ir do outro lado da cama quando fechei a porta, totalmente indiferente com a sua presença.

— Tô aqui, desculpa a demora, é um prazer. — havia whisky na alta mesa preta que havia no quarto avermelhado, usado pra inúmeras coisas que quase nunca eram pra negócios. Mas infelizmente, não haviam salas específicas pra isso. — Sou o Jeon Jungkook, acho que o senhor sabe.

Peguei o copo pequeno, abrindo a bebida com calma, de costas pro homem do outro lado do cômodo.

Peguei outro copo também, não querendo ser ainda mais mal educado do que já estava sendo por purá má vontade com a situação. Sem nenhuma, na real. Ah, e o atraso.

— Ouvi dizer que se interessou pela minha música ou algo do tipo, talvez a minha voz. Fiquei curioso. — já estava colocando no segundo copo.

E quando soltei a bebida na mesa, finalmente com os dois copinhos prontos, antes de pegá-los, pude ouvir a sua voz:

— Uma boate requintada, é isso? — e naquele momento, senti todos os movimentos do meu corpo pararem de funcionar como um click rápido, um estalar de dedos. — Eu sabia que teria orgulho de você, que seríamos parecidos, meu garotinho...

A voz se aproximava, e eu travei por completo, sentindo os meus lábios secarem e a minha respiração falhar. Minhas mãos começaram a tremer.

Julgado como impossível.

Definitivamente.

Eu tive a coragem de me virar. Devagar, respirando com dificuldade pelo grande choque e sentindo a minha própria visão tornar-se turva, minha mente muda, com os meus olhos um pouco arregalados, assustados. Eu me virei.

E não pude acreditar.
Nem sequer ter uma noção.

Acabei cambaleando pra trás, em busca de proteção, me atrapalhando ao esbarrar na mesma mesa que estava logo atrás de mim, derrubando um dos copos de vidro no chão e o deixando em cacos.

E depois de observar a situação do copo, aquele monstro me encarou com toda a calma do mundo, seus olhos passaram do chão pelo meu corpo até o meu rosto novamente.

Um alguém que eu nem pensava que estivesse vivo. Que esperei que não estivesse.

Mas agora, sou eu quem poderia morrer.
Eu prefiro.

O monstro sorriu.
O único do qual eu tinha medo.

Minha visão embaçou.
Eu poderia chorar.

— É assim que vai receber o seu pai? Achei que estivesse com saudades...








[Anotação diária: Jimin]

NÃO PODE OQEEEEEEE, VOCÊ PODE SIM 😭😭😭 TODO MUNDO SÓ QUERENDO QUE VOCÊS CONVERSEM

Enfim, gente, não tenho nem o dizer desse final. Na verdade, tem muita coisa que vocês vão presenciar nessa leiturinha aqui. Mais pra frente, porque agora nosso foco é fazer esse casal voltar e proteger o menino Jkey...🥺

Potque ele vai precisar.

Beijos, amo vocêssssssssss
JÁ ADIANTO UM FELIZ NATAL E ANO NOVO CASO EU NÃO VOLTAR AINDA ESSE ANOOOO 💚💚💚💚💚 E CONVIDEM MAIS LEITORES PRA COMEÇAREM A FIC EM 2023! 💪🏻💪🏻💪🏻

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