[17] 나쁜 words.

#JiminCoradinho

FINALMENTE OS 300K CHEGARAM E O CAPÍTULO TBM!!! Quase postei antes pq meu DEUS!! fiquei careca divulgando, agora sou calva.👩🏻‍🦲

Sentiram saudades do casal mais inocente que já viram? Pois bemmmm, eles voltaram com tudo hoje! 😇

💚 Gostaria muito também de pedir encarecidamente que ninguém citasse outras fanfics aqui, porque meio que... enfim, vocês sabem que fica chato :( mesmo tudo vindo da minha mente doidinha, sei que podem haver partes que lembrem vocês de qualquer outra fic, mas deixa no off 👺💚

CONTUDO, nova meta pro próximo cap: 350k KKKKKKKKKKKKK MENTIRA GENTE EU JURO, se não bater, eu posto mesmo assim, fiquem tranquilos. E fiquei muito feliz de ter batido mais de 1k de votos em cada cap! 🥹 gratidão. Amo vocês, vou continuar divulgando.

Os comentários nem se fala, eu amo ver o quanto vocês interagem aqui e espero sempre poder ler e rir. 💚💚💚

Qualquer erro, mil desculpas.

💚

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• LEMBRANÇAS •

[JUNGKOOK]

Era a minha primeira vez dormindo fora de casa.

Não era tão ruim, talvez eu tivesse uma noite de sono mais tranquila. Eu deveria confiar em Kim Namjoon? Talvez fosse obrigatório, pois ele era o meu hyung agora. E não havia mais ninguém, praticamente.

Namjoon parecia responsável, já que me dizia sobre sua mãe ter emancipado sua moradia sozinho ainda menor de idade, aos dezessete. Hoje, ele estava com vinte e um.

Eu sim, estava com dezessete.

Minha cabeça só faltava explodir.

O quarto de hóspedes estava escuro. Não tinha nada além de uma cama e uma escrivaninha.

Senti dor. Apertei o pano improvisado em volta de uma parte bem machucada do meu braço, perto do pulso.

Aproximei meus joelhos do corpo e me encolhi em cima daquela cama.

Eu não deveria ter voltado pra casa pra pegar as minhas coisas. Não mesmo...

Então, ouvi duas batidas na porta.
Namjoon a abriu.

— Por que não me disse nada quando chegou? Eu estava trabalhando no quarto. — acendeu a luz, o que irritou meus olhos um pouco por estar no escuro há um tempo. — Tá tudo bem?

Concordei com a cabeça.
Mas não estava dando mais.
A dor era insuportável e meu rosto não reprimia.

— Jungkook, aconteceu algo lá quando você voltou? — entrou no quarto sem pensar duas vezes, se aproximando de mim com total desconfiança.

— Nada, hyung. — falei rápido. Droga, estava doendo tanto...

— Por que parece que está escondendo algo com essa cara? Você se machucou? Alguém te machucou, Jeon Jungkook? — focou em mim, portanto, apertei meus olhos e resmunguei com a dor, levantando meu braço pra ele.

— Porra, tá ardendo muito, não consigo mais segurar! — soltei, foi quando ele pegou o meu braço e viu o pano em volta. Que na verdade, era o pedaço de uma camiseta preta e velha.

Nem precisou desenrolar tudo, meus olhos já estavam cheios de lágrimas e ele pôde ver o sangue no tecido.

— Meu Deus... — chocado, mal soube o que dizer. — E-Espera, eu vou pegar as coisas! — sequer soube do que se tratava, mas talvez fossem pomadas ou curativos.

Doía muito.
Eu fiz muita merda pra merecer isso, era a única justificativa que entrava na minha cabeça.

Minutos depois do susto, Namjoon esteve cuidando do corte pequeno na minha pele, porém consideravelmente profundo.

— Como isso aconteceu? — perguntou, sentado na minha frente, na cama, passando finalmente a atadura depois de eu xingar ao vento mil vezes pela ardência. Porém, estava melhor.

— Ele tentou me matar. — fui direto. Por mais que me deixasse em pânico, a memória ainda estava viva em minha mente e tudo que eu sentia agora era raiva.

— O que? — levantou o rosto pra mim, parando. — Quem? Quem tentou-

— Meu pai. Depois de me ameaçar tanto, ele finalmente decidiu me matar. — suspirei. — E não... Só não conseguiu porque eu fugi rápido.

— Que porra... — franziu o cenho, incrédulo com as minhas palavras. — Então, você não foi expulso, você fugiu! É isso? Porque não é possível, ficou visível todos os motivos pra fugir!

Namjoon pareceu ficar transtornado com a confissão. Eu o entendia.

— Como assim ele tentou te matar? Jungkook, se esse corte atingisse alguma veia perigosa, realmente poderia-

— Esquece isso, hyung. — desviei o olhar, me encolhendo novamente na cama quando meu corte foi coberto. O dia foi horrível.

— Esquecer?! Esse cara tem que ser preso! Não, eu vou ligar pra polícia!

— Por favor, deixa isso quieto! — aumentei o tom, mas não com raiva, e sim clamando-o para que deixasse isso realmente para trás.

— Mas Jungkook-

— Eu cansei de tantas confusões, de tanta, tanta... — coloquei a mão na cabeça, pois começou a doer. — Eu tô muito cansado, hyung. Me sinto seguro aqui, mas tô muito exausto disso. Tem noção de que fiquei finalmente livre?

— O que mais ele fez?

— Não pergunta isso...

— Jungkook, eu sou o que você tem a partir de agora. — falou, direto e sério. Antes que eu pudesse me deitar, me endireitei melhor, totalmente desconfortável. Engoli a própria saliva de nervoso. — Precisa me dizer tudo que te incomodar se quiser que eu ajude. E eu consigo ver que está com medo.

O silêncio foi implantado no quarto de hóspedes, o qual era somente um cômodo vazio para caso alguém de sua família quisesse visitá-lo. Isso antes de eu chegar.

Tomei coragem, esquecendo-me da ardência que foi proporcionada com uma simples faca de cozinha.

— O meu pai é um pouco... Violento.

— Um pouco?! — reagiu incrédulo, porém ao notar o clima, resolveu se acalmar. — Certo, continua.

— ... Desde quando eu era pequeno.

Namjoon somente prestou atenção. Eu não sabia o quanto conseguiria lhe dizer sem desabar em choro ou por consequência dos traumas, mas tentaria. Daria o meu máximo, mesmo parecendo o mínimo.

— Era um ciclo sem fim. — lembrava, sentindo o famoso aperto ruim no peito. — Ele traía a minha mãe. Soube disso porque ele levou uma mulher pra lá enquanto ela trabalhava e eu o vi levando a desconhecida pro quarto deles. O problema foi que ele também me viu. — minha voz tremeu. — A partir daí, meu pai chegava em casa, brigava com a minha mãe e me batia dizendo que eu era o culpado de todas as brigas dos dois. E todos os dias eram quase a mesma coisa.

— Jungkook, meu Deus... — suspirou, passando a mão no cabelo.

— Só parei de receber tanto pelos erros que ele mesmo cometia quando comecei a crescer e ir pra escola corretamente, entendendo melhor tudo ao meu redor. Ele não queria que descobrissem pelas marcas, então, não me batia tão frequentemente. E eu também comecei a me defender um pouco, me esconder...

— E por que esse desgraçado fazia isso?! — questionou. Se nem eu, o próprio filho, entendia, imagine o hyung.

Dei de ombros.

— Ele só me dizia que eu não deveria ter nascido, assim divorciar não seria tão difícil. Mas tentava parecer legal comigo na frente da minha mãe.

— E o que ela fazia?

— Nada. Minha mãe não era ruim, só... — hesitei. — Era indiferente.

— E essa história de matar? Era por todas essas coisas que ele te culpava à toa que esse babaca-

— Ah... Isso. — recordei-me, pensando. — Começou por causa do meu diário.

— Diário?

— Mais ou menos. Eu escrevia nele, ainda mais depois de fazer amigos na escola. Precisava entender meus sentimentos, principalmente depois de uma amizade que eu fiz. — me encolhi mais.

— Quem?

— Ninguém. — rebati rápido. — Não é importante, ele me abandonou também. Além de que eu nem lembro muito bem dele.

Namjoon não disse nada, somente continuou a focar em mim. Ouvi um suspiro seu.

— Só que... Por conta dessa amizade, acabei escrevendo coisas erradas no diário. — mordi o lábio inferior de puro nervosismo. Eu quis chorar. — Senti coisas bem diferentes pelo menininho e acabei escrevendo tudo, mas meu pai achou enquanto estive no colégio.

— Desde então, por isso ele decidiu te ameaçar desse jeito estúpido? — perguntou, calmo, tentando não fazer nenhum alarde. Eu já estava assustado o suficiente.

— Sim, e ele quase conseguiu quando eu acabei caindo e batendo a cabeça. Aí, boa parte das minhas memórias boas foram extintas. Parecia uma defesa do meu cérebro, não sei.

— E por que você não chamou a polícia, Jeon? — soltou o ar, preocupado e talvez angustiado com tudo que acabei de fazê-lo ouvir.

De certa forma, foi bom ter contado, talvez eu dormisse menos pior. E um peso foi retirado das minhas costas.

— Jungkook, esse homem é literalmente muito problemático, não importa se é o seu pai. Ele merece prisão. Já passou da hora.

— Vou tentar pensar que eles foram pais bons. Acho que desse jeito, posso viver melhor. — nessa hora, Kim me encarou descrente.

— Ficou louco? Isso não vai apagar as coisas que aconteceram.

— Mas eu quero tentar apagar pelo menos as partes que ele tentava tocar em mim. — rebati na hora, sem pensar, aflito. Era o que eu mais gostaria de esquecer.

Sua expressão mudou.

— Tocar em você?

Me mantive quieto por alguns segundos, e o hyung ainda aguardava, apreensivo. Eu não gostava de lembrar, mas talvez eu tivesse sorte de não ter passado por momentos piores.

— Ele já tentou... — olhei pra baixo, sentindo meu corpo tremer. — ... me abusar.

— Como é que é?! Quando?!

— ... Sempre.

As palavras não saíam mais. Namjoon abriu a boca e a fechou, digerindo as minhas confissões.

— Ele nunca conseguiu. Mas uma vez, quando ficamos sozinhos... — fechei os meus olhos, eu odiava aquilo. Odiava. — D-Depois de tomar banho, por pouco, se eu não tivesse trancado a porta do meu quarto assim que entrei ao perceber ele seguindo atrás de mim e me observando...

— Jungkook... — vi lágrimas em seus olhos também, e ele me puxou pra um abraço. Assim, eu comecei a chorar, tremendo um pouco. Namjoon me apertou.

— Ele iria conseguir, hyung. Mais um pouco e ele destruiria toda a minha vida. — chorei, sentindo seu aperto reconfortante.

— Isso nunca vai acontecer, e ele nunca mais vai sequer se aproximar de você, tudo bem? A partir de agora, eu sou o seu responsável. — se afastou, olhando nos meus olhos úmidos. — E se um dia ele aparecer, eu vou fazer questão de mandá-lo preso.

Acho que desse jeito, a partir desse momento e dessa sua fala, Kim Namjoon hyung acabou se tornando como se fosse algum tipo de figura paterna pra mim.

Bem, talvez seja por isso que ele tentou cursar direito. E mesmo que tivesse saído no segundo ano por não ser a sua praia, ele sabia muitas coisas. Além de que, a esposa de seu irmão era advogada, e ambos mantinham contato pra quando precisassem.

Namjoon mantinha, na realidade.
Ele tinha tanto medo quanto eu.

E me deu todo o amor que meus pais não fizeram nem questão de dar.

💸

[ATUALMENTE]

Esteve apreensiva.

— Eu só queria que ele parasse de ignorar as minhas mensagens. — Sana bufou, sentando-se na cadeira de Nayeon.

— O Jungkook? — riu do outro lado da sala, distante, regando a plantinha que criava em seu escritório luxuoso e espaçoso. Ela se virou para a amiga sem nada em mãos e andou até ela. — Quer que eu faça uma visitinha no apartamento dele de novo?

— Não, isso não. — negou com a cabeça, suspirando. — Namjoon também mora lá e eles estão passando por momentos difíceis. Deve ser por isso que ele não me responde mais.

— É sério? — cruzou os braços de frente para a mesa, debochando da situação. — E você acha mesmo que ele é um santinho e vai ficar se preservando pra você? — fez uma careta, como se achasse fofo. — Ah, que amor, mas infelizmente há essa hora ele deve estar transando com outra.

— Nunca tivemos nada, Nay. — disse, séria. Então, soltou o ar pela boca. — E dane-se se ele estiver mesmo. — levantou da cadeira com um pouco de ódio, abaixando seu vestidinho branco, cheio de babadinhos nas mangas curtas.

Ela contornou a mesa, franzindo o cenho ao pensar em algo. Lembrar-se, na realidade.

— Nayeon... — pensativa, chamou a atenção da amiga, que somente encarava suas unhas bem feitas em tons pastéis. — Tem uma coisa que me incomoda desde a última vez que vi o Jeon.

— Cheiro de mulher? Convenhamos que ele sempre teve, mesmo passando milhares de perfumes. — zombou. — Uma noite na boatezinha dele e voá-la, amanhecia com cheiro de-

— Eu já entendi. — aumentou seu tom, sem tanta paciência aparente. A chefe do local levantou as mãos em redenção, saindo de perto ainda com seu ar de deboche puro.

— E o que te incomoda, meu querido cosplay de Sharpay Evans? — sentou devidamente em sua cadeira, descansando as costas enquanto encarava a amiga. Sana revirou os olhos.

— Vou ser direta. — afirmou. — Tem um garoto que parece que vive com ele agora. Eu vim aqui porque tô realmente desconfortável e queria te contar que ontem mesmo, tentei ir visitar o Jungkook mas adivinha só o que eu vi?

— Ele com alguém? É o mais previsível e não me surpreende.

— Sim, só que não era uma mulher. — tornou-se séria. — Eu vi ele voltando pra casa, saindo de seu carro acompanhado de um homem. Sei que pode ser um amigo dele, mas sinceramente na última vez que estive com o Jeon, esse cara também apareceu.

— E como ele é? — Nayeon inclinou-se na mesa, colocando seus cotovelos nela e prestando muita atenção nas palavras da japonesa*.

— Ah, loiro, magro, mais baixo que o Jeon, não sei, vi de longe e fui embora. — gesticulou com a mão, como se espantasse a lembrança. — O que eu quero saber é que tipo de relação ele tem com-

Seu celular tocou, interrompendo seu raciocínio e a fazendo pegar no aparelho no mesmo segundo. Claro, ela achou que fosse Jungkook, sempre achava, perdendo a esperança no instante em que leu o nome.

— Seu irmão é um babaca, por que ele tá me ligando agora? — mostrou a tela pra Nayeon.

— Respeite meu irmão, que eu saiba ele só ajudou a gente, principalmente você. — apontou.

— E não pegou nenhuma informação importante até agora, pelo jeito.

— Atenda pra saber, ele me disse que ontem foi pra aquela boatezinha e chegou praticamente espancado em casa de novo. — cruzou os braços. — Se o Jungkook continuar batendo nele, eu vou ser obrigada-

— Ele nem sabe que é o seu irmão! Se soubesse, garanto que ele bateria muito mais. — rebateu, atendendo. — Alô?!

Pronta pra saber a verdadeira identidade de Jeon Jungkook, minha Barbie? — dava pra adivinhar que ele estava até com um sorriso em seu rosto enquanto contava. — Ontem, seu queridinho fez um belo show, mas eu fiz outro ainda maior. É uma pena não ter aparecido.

Como é que é?! — reagiu, preocupada e fazendo a melhor amiga focar em si. — Você não machucou ele, né? Você-

Me machucaram, isso sim. O meu rostinho lindo ficou bem ferido, sabe? Mas não me arrependo...

— E o que foi que você descobriu? — respirou mais calma, mudando de ideia: — Melhor, se quiser não dizer nada, eu também agradeço, já que nem pedi pra fazer essas coisas!

— Burra. — Nayeon comentou, ouvindo a conversa. Revirou os olhos.

Não quer mesmo saber o motivo do bonitão não querer nada com você? Porque, vejamos... Eu encontrei. — perguntou, aguçando a vontade de Sana. Aquele era um assunto delicado, ela ainda estava ressentida.

Ficou em silêncio, apenas aguardando. Olhou para Nayeon, que levantou as sobrancelhas, querendo saber o que ocorria do outro lado da linha. Afinal, o homem que tanto provocou Jungkook na boate na frente de todos, era o seu irmão mais novo.

É simples. — riu do outro lado. — Ele não é hetero, bonequinha. Tem um outro cara do qual ele tá envolvido, e quando eu digo envolvido... — Sana não se movia. Ele resolveu sussurrar, como se fosse um segredo: — Quer dizer que eles se pegam.

Ela desligou, assustada. A amiga levantou.

— O que ele disse? O que meu irmão descobriu?!

— Jungkook... — começou, encarando a outra. — Ele tá ficando com aquele garoto que eu vi ontem? — questionou, impressionada. Soltou o ar, Nayeon abriu a boca em surpresa. — Não, isso não pode ser possível.

— Uau... — sua surpresa acabou lhe abrindo um sorriso, o qual tentou somente segurar para não cortar o clima desesperador de sua amiga apaixonada. — O loirinho é amante dele?

— Impossível, Nayeon. — a fitou séria.

— Espera... — pensou, esperta do jeito que era. — Você não sabe mesmo a aparência dele? E o nome?

— Não sei, n-não lembro, eu acho que tinha escutado em algum lugar, mas... — respirou fundo, mantendo a calma. Mexeu no cabelo, aflita após a descoberta. — Acho que é Jihoon, Jihyun, Ji-

— Jimin? — questionou com uma careta de puro nojo, levantando o olhar da amiga. Acertou na mosca.

— Isso! Se eu não me engano, esse é o... — parou, desfazendo a expressão. — Como você sabe?

— Então, no fim das contas nem precisei pesquisar, pois acabei de descobrir quem é o filho chatinho do braço direito do meu papai que andou causando muito. — cruzou os braços e levantou as sobrancelhas uma vez, confiante. Ela contornou a mesa, caminhando em passos leves.

— Como assim? — questionou, confusa. Ela se aproximou da mulher poderosa em sua frente, que somente encostou a parte de trás de seu quadril na mesa grande. — O que você quer dizer com isso? Filho de quem?

— Ele é filho do braço direito do meu pai, dono disso daqui tudinho. — apontou o indicador ao redor da sala rapidamente. — A família desse garoto tem muito dinheiro por conta disso, essa é a real. — dizia, maquiavélica. Nayeon riu em deboche. — Nossa, impressionante. Sem contar que vi ele lá na última vez que visitei o Jeon, hein. Dentro do apartamento dele. Ou seja, faz tempo que estão juntos.

— O quê?! — ficou surpresa. — Mas.. Consegue saber se ele e o Jungkook tem mesmo algo? — estava receosa.

Ao contrário da melhor amiga, sentiu que esse tipo de informação fosse privada demais, mas era apaixonada por Jeon Jungkook há anos. Não tinha como evitar.

Tudo bem, ambos chegaram a ser amigos. Mas Jungkook nunca mais a contava sobre nada.

— Eu consigo saber qualquer coisa sobre ele, meu anjo. — sorriu. — É só eu fazer o papai dele abrir o bico. — Sana revirou os olhos.

— Tá, mas e se nem o pai dele souber dessas coisas? Se esse Jimin estiver com o Jeon em segredo?

— Aí, eu conto. É melhor ainda. — deu de ombros, simples. Mas de repente, teve uma mirabolante ideia em sua mente, abrindo a boca em surpresa. — Espera, espera... E se...

A outra tornou-se atenta, curiosa. Todos os seus princípios do que poderia ser certo ou errado já haviam ido por água à baixo.

— Seria interessante a reação do papaizinho dele ao saber que foi demitido por conta do filho, não?

— Ficou maluca, Nayeon? Seu pai nunca demitiria alguém que confia tanto! — Sana a desprezou, afastando-se da amiga. Nayeon deu de ombros.

— Nunca se sabe, posso arranjar um motivo e a filhinha dele sou eu. É em mim que ele deve acreditar.

Sana negou com a cabeça, afastando a ideia maluca e colocou as mãos na cintura fina como de boneca, tentando pensar melhor no que fazer. Portanto, começou a contar nos dedos.

— Eu sou linda, tenho muito dinheiro e fazemos um casal lindo! Por que ele não me quer?!

"Talvez por ser burra", Nayeon praticamente afirmou em silêncio. Escondia muitos achismos sobre a melhor amiga.

— Pois é... — comentou, encarando qualquer local que não fosse a garota, apenas pensativa. Começou a morder as miúdas pelinhas dos lábios. — Esse Jimin...

💸

[JIMIN]

Metade de uma semana se passou após o ocorrido da boate. Da briga, e de tudo aquilo que Jungkook escutou.

Eu adiei a minha ida até o novo apartamento para dar mais atenção ao meu Limãozinho.

Abri os meus olhos devagarinho. Me recordo de abraçar o Limãozinho mais um pouquinho antes de dormir. Tentei levá-lo pra comprar algumas roupas do estilo que ele gostava, mas isso não parecia agradá-lo de qualquer forma.

Yoongi me ligou pela madrugada, perguntando como Jungkook estava. E naquele momento, ele dormia como um anjo do meu lado. Ele tomou banho primeiro, depois foi a minha vez. Fiz carinho nele até que adormecesse e obtive muito sucesso, por sinal. Dormimos de conchinha como todos esses dias.

Nos últimos, tive que ser a de fora.

Mas percebi que seu humor variava entre estar pra baixo e rir pouco após toda confusão.

Jungkook estava realmente muito triste.

Era quinta-feira. Agora, percebi que estava acordando sozinho. Bocejei e me levantei, fui ao banheiro e logo, aproveitei pra pentear meu cabelo. Eu não iria sair descabelado, né?

Voltei para o seu quarto, sem a presença de Jungkook. Obviamente deveria ir atrás dele, pois ouvi certos barulhos em outro cômodo, além de uma leve cantoria. Sua voz era impecável.

Contudo, parei pra analisar os pôsteres colados na parede.

Ri, vendo bandas e letras de músicas em papéis recortados. Não sabia se eram todas dele ou de outros artistas que admirava. Até que reparei em um papel pequeno que reconheci de longe, um pouco acima da cabeceira da cama.

O papelzinho singelo que deixei na boate quando visitei pela primeira vez ao ter uma crise de ansiedade, e a voz dele me acalmou. Foi quando conheci Woosung também.

Ele guardou sem nem saber que era eu.
Que fofo.

— Jimin? — ouvi a sua voz, me virando na hora e me deparando com ele na porta. Sorri. — Fiz café, você quer?

— Decidiu fazer alguma comidinha pro seu namorado? — fui até ele, convencido. Jungkook riu.

— Eu faço o que você me pedir.

— E se eu te pedir um beijinho? — ousei.

— Ah, nesse caso, posso te dar bem mais. — se aproximou, chegando pertinho com seu rosto do meu, selando nossos lábios com delicadeza.

— Melhor a gente não começar o dia assim ou isso vai durar. — ri, me afastando.

Caminhei até a cozinha do apartamento, vendo duas xícaras de café em cima da pia. Brevemente, Jungkook passou por mim como um vulto de tão rápido, em desespero.

— Eu ia levar pra você, não era pra tá aqui assim, meu Deus... — dizia, pegando as duas e se virando pra mim. Eu dei risada com seu jeitinho atrapalhado. — Aqui.

— Por que a sua xícara é maior? — peguei a menor, afinal estava inclinada pra mim.

— Eu tomo bastante. — animado como uma criança, sentou-se na cadeira amadeirada e posicionou a maior xícara na mesa útil para quatro pessoas. Ele parecia mais leve hoje.

Me sentei na cadeira em sua frente e fiquei preparado pra falar sobre dias atrás, pois não tocamos no assunto desde então... Ou não seria uma boa ideia?

— Ei... — chamei sua atenção, apreensivo. Jeon levantou o olhar pra mim na hora, após dar uma goladinha em seu café. Encarei seus olhinhos e pensei melhor. Eu não queria que eles perdessem a luz tão rápido. — É... Podemos comer alguma coisa, quer que eu peça?

— Não precisa se preocupar com isso. — negou com a cabeça.

— Que tal pizza?

— Pizza às nove horas da manhã?

— Provavelmente eles nem abrem, né? — ri, lembrando-me. Jungkook também soltou uma risada, terminando de tomar seu cafézinho.

Comecei o meu agora, apreciando o gosto muito bom que me impressionou.

— O que é isso? Não é café puro, né? — encarei Jeon, confuso. Tinha um gosto diferente.

— Eu coloquei leite, fiz de um jeito que acho superior que todos os outros. — respondeu, convencido e abrindo um sorrisinho ladino. Eu assenti com a cabeça, entendendo e prestes a tomar mais. — É direto da fonte.

— O que?! — arregalei meus olhos assustados pra si, deixando a xícara na mesa e assistindo Jungkook na mesma hora quase caindo pra trás de gargalhar. Eu relaxei, vendo a sua cara de pau. — Sem graça...

— Realmente achou que eu faria isso? — questionou em meio ao riso contínuo.

— Eu não duvido. — semicerrei os olhinhos, tomando meu café normalmente. Quase fui traumatizado.

Sua risada foi parando, e eu finalmente terminei de tomar o líquido gostosinho.

— É uma receita que aprendi com o Nam. Não tem só leite, coloquei achocolatado também. É como se fosse um cappuccino.

— Nossa, é muito bom. — elogiei. Ele sorriu pequeno.

Em meio ao breve silêncio que acabamos formando, meus pensamentos se encheram com curiosidades.

Pensei em aproveitar o momento em que estávamos sozinhos, sem preocupações com o que fazer pelo dia inteiro e resolvi que deveria saber ainda mais sobre o meu namorado. Por que não?

— Jungoo. — chamei-o, fazendo um biquinho pra proferir o apelido. Ele prestava atenção, sereno. Me endireitei, disposto. — Você fez faculdade?

— Eu? — apontou pra si mesmo e soltou uma risada falsa. — Até parece que eu iria pagar uma.

— Mas qual curso você sonhou em fazer?

— Nenhum. — deu de ombros. — Eu sempre gostei de música. Todo mundo me dizia que eu era bom em tudo, mas minhas notas não eram convincentes pra passar em qualquer prova que fosse e querendo ou não, minha ligação é a arte. Principalmente música, claro. — contou. Balancei a cabeça em compreensão. — Eu até pensei em ir pros Estados Unidos com o intuito de estudar nas faculdades de música, porque lá tudo acontece de maneira mais rápida, se é que me entende.

— Sei bem, americanos tem esse privilégio pra se tornarem artistas. — concordei, lembrando de exemplos de inúmeros que nem precisaram batalhar tanto, bastavam apenas serem do país ou estarem lá. — Mas por que não foi tentar? Não conseguiu arranjar... Dinheiro? — senti receio, temendo ser insensível.

— Apesar de ter que passar em provas de qualquer forma, eu não necessariamente precisava de grana. Nós nos mudariamos de novo pros Estados Unidos um dia, só que eu nunca soube quando. — deu de ombros, sem tanta importância. — E quando comecei meu ensino médio pra tentar melhorar as minhas notas e ter mais chances de passar quando fosse voltar pra lá, meus pais me expulsaram de casa.

Fiquei surpreso, com os lábios entreabertos e sentindo uma pequenininha tristeza por conta disso. Jungkook parecia ser alguém esforçado, só não tinha tanta motivação.

Só que eu reparei em uma fala sua, voltando a lhe fitar de imediato.

— Espera, como assim voltar pros Estados Unidos? Seus pais tinham como?

— Eu sou metade americano. — respondeu, me deixando surpreso novamente com a informação. — Na verdade, meu pa... — parou, balançando a cabeça levemente negativamente, como se afastasse alguns pensamentos. Breve, continuou: — Bom, a mulher que me deu a luz é coreana. E o marido dela tem traços asiáticos por conta do meu avô, mas ele tem naturalidade americana.

— Oh... — entendi, sabendo mais sobre a sua descendência. Era muito interessante, de fato. — E você sabe falar inglês?

— Não. — respondeu na hora, me fazendo rir. Ele também riu, que palhaço. — E você, meu coradinho?

— Eu sou coreano puro, sem condições. — soltei mais uma risadinha, afirmando.

— Isso eu sei, mas quero saber em que faculdade você se formou. — inclinou-se um tiquinho na mesa, apoiando seus braços e me encarando atento, com a expressão suave e curiosa.

— Ah, isso... — me endireitei, não sabendo por onde começar, coçando a nuca. — Eu tive aulas particulares durante todo o meu ensino médio, confesso ter sido bem chato... Mas quanto a faculdade, eu consegui fazer depois de ter implorado muito.

— Sério? Então, você queria muito fazer ela, não? — deixou o cotovelo na mesa e apoiou o queixo em uma de suas mãos.

— Sim... — lembrei, realmente foram dias difíceis pra que eu pudesse convencer meus pais. Tive sorte da minha mãe aceitar docemente momentos depois.

— E o que você fez?

— Veterinária.

— Ahhh, que bebê. — fez uma carinha meiga, fazendo biquinho com os lábios como se achasse isso a coisa mais fofa do mundo.

— Para, idiota! — ri, sem graça. — É verdade, eu queria ser veterinário. Sabe que eu amo gatinhos, né?

— Já joguei um no Yoongi. — contou de repente, como se não fosse nada e com seu sorriso no rosto pra me assustar.

— Sim, meu Deus, ele me contou, como você conseguia ser tão insuportável?! — questionei na hora, não tirando seu sorriso sapeca do rosto, o qual ele abriu ainda mais. Revirei os olhos. Bobinho. — Enfim, eu me formei.

— E por que não exerceu se gostava tanto disso? Era bem específico. — tornou-se mais sério, curioso.

— Taehyung me dizia a mesma coisa, mas é que... — mordi o lábio, nervoso. — Apesar de aprender tanta coisa, eu nunca pude, de fato ter um animalzinho pra saber a sensação e principalmente porque meus pais nunca me deram incentivo nenhum. Tete me incentivava, mas o mais importante era eles dois. — Jeon suspirou, eu olhei pra baixo, para as minhas mãos em cima da mesa. — Pode parecer bobo, mas é que... Enfim, é passado.

— Não é não. — negou, me fazendo fitá-lo no mesmo instante. — Podemos ir atrás disso se quiser, nunca é tarde demais e você ainda é muito novo pra desistir de um sonho.

— Mas eu nem sei por onde começar... — apesar de sorrir fracamente com a ideia e o seu apoio, me peguei bem confuso.

— Pode abrir uma empresa, ou algo do tipo pra veterinários, não sei, não conheço a área. — tagarelava, sugerindo ideias sem tanto sentido. — Ser chefe dos veterinários, que tal?

— Não é assim que funciona, panaca. — ri. Ele se levantou, dando de ombros e levando sua xícara vazia, pegando a minha também.

— Oras, você tem dinheiro. Quem tem dinheiro, pode tudo. — se dirigiu até a louça vazia, lavando as duas.

— Talvez. — me levantei também, agora querendo saber outra coisinha. — Jungoo.

— Sim, meu amor?

Corei, ultra apaixonadinho.
Eu amava esse apelido, não importava quantas vezes ele me chamasse desse jeito. Eu nunca enjoaria.

Assim como "coradinho".
No começo, eu fingia odiar. Mas vai, sempre gostei...

— Sobre o que aconteceu na boate, aquela confusão toda... — com coragem, comecei. Esperava que com esse clima tão bom entre nós dois, ele não ficasse triste de novo. Foi de partir o coraçãozinho. — ... Você tá melhor?

Por alguns segundos, ele não me respondeu. Assisti ele secar as suas mãos no paninho pendurado na parede, suspirando levemente. Senti medo de ter tocado no assunto em uma hora errada.

Por isso, me aproximei sem pensar duas vezes e envolvi os meus bracinhos em seu corpo, encostando meu rostinho nas suas costas, apertando-o um pouquinho forte contra mim.

— Sabe que não tem problema nenhum em ir devagar, né? Você pode se assumir pra mais pessoas depois. Ou dane-se todo mundo, o que importa são os seus sentimentos. — depositei um beijinho ali, sentindo agora ele se virar, não me soltando de si, permitindo manter meus braços em volta dele mesmo que de frente pra mim.

Jungkook sorriu, colocando as mãos em minhas bochechinhas como se segurasse meu rostinho todo. Me sentia em paz com seus toques.

— Eu tenho sorte de ter me apaixonado por você. — me acariciou com o polegar. Mas comprimiu os lábios, como se estivesse expressando arrependimento. — Não sofra mais, tá? Independente do que aconteça, eu não quero que você sofra.

— Nem você, ouviu bem? Não gosto de te ver chorando. — mandei como uma criancinha. Ele quase abriu um sorrisinho, me dando um selinho rápido.

— Entre você e eu, prefiro sofrer mil vezes mais. — falava como se fosse realmente sério e seu tom me tornou descontente, desfazendo minha expressão feliz pra uma praticamente brava. — Prometo que vou.

— Promete o quê, seu panaca?! — bati em seu peito, ouvindo seu resmungo e afastando suas mãos de mim. Cruzei os braços, birrento. — Eu odeio quando você vem com essas conversas estranhas, sabia?

— Tá bom, tá bom, desculpa. — Jungkook me puxou pra um abraço, colocando seus braços fortes em volta de mim e deixando meu rosto na curvatura de seu pescoço. Eu amava seu cheirinho. E ele me deu um beijinho em meus fios de cabelo. — Sempre vou te proteger, tá? Bebêzinho.

— E eu vou proteger você, poxa. — ainda emburrado, falei. — Tenho meus direitos. Sou mais velho que você.

— Certo, estamos kits. — riu, e assim aceitei, fechando meus olhinhos.

Esperava que ele estivesse seguro comigo.
Porque eu me sentia em extrema segurança com o meu tatuadinho.

— Ai, que dor! — fui apertá-lo e de repente, senti uma dorzinha latejante.

Me afastei rápido, colocando a mãozinha superficialmente sobre o mamilo perfurado.

— O que foi? É o piercing? — atento, me olhou preocupado.

— Sim, meu Deus. — respirei melhor, foi só um atrito. — Tá melhorando...

— É assim mesmo, você se acostuma e o furo demora, mas cicatriza. — abriu um sorriso. — Quer um beijinho?

— Engraçadinho. — fiz uma careta, desviando o olhar brevemente, pensando outra vez. — Pensando bem, eu até gostaria.

— Ah, é? — puxou meu corpinho pela cintura com tudo e eu mordi o lábio. — Sua inocência foi com Deus, né?

— Ela nunca esteve aqui. — sorri sapeca, vendo Jeon levantar as sobrancelhas em surpresa e rir levemente, aproximando nossos rostos pouco a pouco. Aparentemente adorou a minha resposta.

Nos beijamos, segurei em seu rosto enquanto permitia suas mãos na curvatura do meu quadril. Começamos devagar, apenas sentindo um o outro, Jungkook me abraçou pela cintura. Estava um clima romântico.

— Jimin. — chamou, afastando nossos lábios. — Posso te contar uma coisa?

— Sempre.

Jungkook pareceu sério, abaixando a cabeça e depois, olhando pro lado, como se houvesse dificuldade para avançar. Até mesmo engoliu em seco, inquieto. Franzi o cenho, pousando as mãos em seus ombros.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa?

— Não agora, só... — comprimiu os lábios, incerto. — Ah, eu não sei...

— Diz. — pedi, encarando seu rosto em tamanha confusão repentina que eu sequer compreendia. Ele me encarou de volta.

— Sabe antes da gente se conhecer? Antes de eu me apaixonar e você também. — começou, e somente confirmei com a cabeça.

Ele fechou os olhos. Estava com medo de me dizer algo?

— Então, na realidade, eu menti-

— Oh, o Namjoon! — li na hora em que pousei meus olhos no seu celular com mensagens na tela, em cima da pia. Jungkook arregalou os olhos e parou imediatamente o que falava.

Eu me afastei e ele se virou, pegando no seu celular imediatamente. Tudo que fiz foi me colocar do seu lado, lendo junto consigo.

Nam hyung 💚
| Oi ?mjk
| Acho que esqueci como escrever no celular
| Oi*
| Jin ta muito chato chorando aqui
| Enfim demorou mas acordei e to vovo
| vivo* que vovo o que
| To vivo
| E com saudades do meu garoto rebelde :)

Eu senti lágrimas em meus olhos, e fiquei ainda mais emocionado quando virei meu rosto para encarar o de Jungkook, que tinha seus olhinhos bem cheinhos.

💸

[JUNGKOOK]

Estava em uma confusão mental do caralho. Mas o nó na garganta que eu sentia, era de pura ansiedade e esperança.

Talvez eu estivesse muito louco, mas não, definitivamente não estava porque sequer fui o único ou o primeiro a ler aquelas mensagens.

Jimin ficou ao meu lado o tempo inteiro, decidindo me acompanhar ao hospital enquanto dirigi.

No momento em que pisei naquele lugar que me dava certo embrulho no estômago, Yoongi foi a primeira pessoa que eu encontrei saindo do corredor. Me apressei até ele.

— Porra, eu ia te buscar agora! — segurou-se em mim, olhando bem no fundo dos meus olhos. — O Nam acordou, Jungkook.

— Eu... Eu recebi a mensagem dele, eu... — mal consegui falar alguma coisa, tentando raciocinar. Yoon me abraçou.

— Ele tá com o Jin lá dentro, vai agora. — ditou, me transmitindo uma baita energia de felicidade. E alívio, como se houvéssemos encarado uma grande batalha.

Se afastou de mim, permitindo com que eu fosse adiante no corredor claro já conhecido, para entrar na sala que tanto temi por medo de sair sem chão.

Primeiro, encarei Jimin, que estava um pouco atrás de mim, agora dando um sorriso para Yoongi. Ele me olhou.

— Eu vou depois, fale com ele primeiro. Sozinhos. — pegou na minha mão, dando um leve aperto para depois soltar.

Assenti, caminhando calmamente até a sala.

Respirei fundo antes de abrir a porta. E assim, fiz.

— Jungkook! — surpreso, Jin exclamou, sentado ao lado da cama e com o rosto inchado.

Entrando devagar na sala e fechando a porta atrás de mim, não tirei os meus olhos do hyung em sua cama, não totalmente deitado, apenas recostado com as costas no travesseiro. Estava bem, sentado, descansando. Ele tinha um curativo consideravelmente grande na testa, não sei bem, só sei que Namjoon sorriu pra mim com os olhos brilhantes.

— Irei deixar vocês dois conversando. — Jin levantou, fungando uma vez e passando por mim, me dando um leve carinho no braço.

— Parece que fiquei uma eternidade dormindo pra você me olhar assim. — riu fraco. — Eu acordei faz uns dias, mas não totalmente, fiquei meio grogue. Pedi pra que não contassem nada pra vocês, preferi me recuperar melhor.

Meu olhar se tornou embaçado e tudo que eu fiz, naquele instante, foi ir em meus passos apressados até Namjoon hyung e abraçá-lo imediatamente, ficando pelo menos uns dois minutos somente dessa forma.

— Poxa, me diz que tomou um susto, eu queria te assustar com as mensagens repentinas e também pedi pros meninos não te avisarem que eu acordei. — riu mais, porém com uma voz trêmula. Fechei os meus olhos, aliviado.

— Promete que nunca mais vai precisar de cirurgias e também que sempre vai contar pra mim se algo estiver errado com você. — pedi, praticamente lhe obrigando, ressentido. — E fiquei preocupado porque não tinham certeza de quando você acordaria. — ele me afastou de si, e assim eu me mantive de pé, ao lado de sua cama. Ele limpou algumas de suas lágrimas, como eu.

— Tudo bem, prometo isso pra você. — disse, sincero. — Só não prometi nada antes porque talvez eu fosse morrer, né?

— Não ouse nem em pensar nessas coisas. — rebati, bravo.

— Senta aí, menino chorão. — falou. Funguei, realmente por te acabado de chorar um pouco, sentando-me na cadeira onde Jin estava, me arrastando pra mais perto dele o máximo que conseguia.

— E como você tá? — pousei a mão em seu antebraço descansado no colchão, sentindo sua temperatura. Preocupado. — Quando vai receber alta?

— Calma, estou melhorando ainda. Preciso ficar pelo menos mais uns três dias aqui em repouso. Ou mais, sei lá. — explicou, e eu soltei o ar. — Vai passar rápido.

— Espero que sim. — olhei pra baixo, ao menos com meu coração menos pesado do que antes.

— E você? — levantei o rosto, vendo sua face mais séria. — Também fiquei preocupado.

— Quem estava no hospital prestes a fazer uma cirurgia arriscada era você.

— Que nada, deu tudo certo. — confirmou, sem importância agora. — Eu preciso saber como está o meu menininho rebelde. Continuou cantando?

— Sim, fiz duas apresentações enquanto esteve fora. — contei.

— Só?

— Não consegui sem você. — suspirei. — Mas depois... Consegui por conta de uma pessoa.

— Ah, lembrei. — o vi balançar a cabeça positivamente, calmo. — Acho que vou ter que realizar uma cirurgia de novo porque meu cérebro deu pane.

— Como assim?! De novo?! Por que?! — me assustei com um sobressalto, endireitando minhas costas e aumentando meu tom de voz desesperado. — Hyung-

Ele riu. Ainda sem poder fazer tanto esforço, mas fechou seus olhos e riu de mim na cara dura. Abaixei a bola.

— Tá zoando com a minha cara? — cruzei os braços, me encostando na cadeira.

— Mas é verdade, poxa. — garantiu. — O Jin e o Yoongi estavam conversando comigo e de repente me notificaram uma informação que me deixou realmente impactado.

— Que tipo de informação?

— Você. — apontou pra mim. — Namorando.

Sem jeito, descruzei os braços e relaxei um pouco, não sabendo por onde começar. Pigarreei, passando a mão no cabelo e depois em cima das minhas coxas, tentando encontrar palavras enquanto Namjoon somente me encarava com os olhos semicerrados.

— Bem, isso é...

Ouvimos duas batidas na porta.
Segundos depois, ela se abriu e Jimin apareceu.

— A prova do crime chegou. — Namjoon citou.

— Com licença... Eu não queria atrapalhar. — disse, entrando tímido em seguida. Ele sorriu, fechando a porta de novo.

Jimin simplesmente veio até mim e parou do meu lado, em pé, de frente pra Namjoon enquanto colocou as mãozinhas na frente do corpo.

— Antes, queria dizer que fiquei muito feliz quando soube de você hoje. Fez o meu dia, de verdade. — sorria graciosamente.

Caralho, eu tinha o namorado mais fofo do mundo.

— Sinto muito por ter que aturar praticamente sozinho essa pessoa tão delicada que é o Jungkook. — Kim disse e eu revirei os olhos, acabando por achar engraçado de qualquer forma. Jimin riu.

— Cuidei bem dele, pode ficar tranquilo. — o que não era mentira. Acredito que ele tenha cuidado mais de mim, do que eu dele.

— Vocês realmente fazem um belo casal de namorados. — apontava pra nós dois simultaneamente.

Um pouco surpreso, Jimin olhou pra mim, sem saber o que dizer. Eu apenas afirmei com a cabeça pra que ele entendesse que Namjoon sempre sabia de tudo, não importava onde ele estivesse no momento, uma hora ele saberia antes mesmo de contarmos. Park assentiu, sorrindo pro Nam.

— Agradeça ao seu namorado pela minha boa recuperação também. — Namjoon disse, olhando pro Park em seguida. — Eu vou recompensar, tudo bem? Fiquei sabendo do que fez.

— Não, não precisa! — mexeu as mãos em frente ao corpo. Quê?! — Nem pense nisso, por favor, foi de coração.

— Como assim? Não entendi. — encarei os dois simultaneamente. Jimin me pareceu hesitante. — Por que eu não tô sabendo ainda?

— Eu... — porém foi ele quem começou. — Ajudei a pagar a cirurgia.

— O quê?!

— O Jimin se ofereceu pra ajudar, não fique bravo com ele. — Namjoon interrompeu minha surpresa. E eu particularmente não soube no que pensar primeiro. — Ainda quero recompensá-lo.

— E eu não aceito, sério. — Jimin tomou a nossa atenção. — Estar com o Jungkookie e vê-lo feliz e bem, assim como todos vocês, fez meu objetivo ser alcançado.

Então, Park virou-se para mim novamente, agora com todo seu corpo.

— Jungoo, eu tenho que ir. — fez quase um bico. Franzi o cenho. — Se quiser conversar sobre isso depois-

— Agora?

— Sim, desculpa... Eu tinha esquecido do caminhão de mudanças no meu apartamento novo e eles acabaram de me ligar dizendo que estavam indo pra lá. Eu e o Taehyung combinamos de arrumar tudo.

— Mas você não quer que eu ajude? — me acalmei, afinal minhas emoções se misturaram com tanta coisa acontecendo. — Olha, posso fazer isso numa boa, amor. Não tem que fazer tudo sozinho. — contestei.

— O Yoongi também se ofereceu pra ajudar a gente e eu pretendo ajeitar a maioria das coisas hoje. Eu quero que conheça lá quando estivermos somente eu e você. E é bom que você fique aqui tirando um tempinho com o Namjoon. — explicou, calmo também. Ainda não me convenceu tanto. — Não é muita coisa, depois volto pro apartamento.

— Tudo bem. — acabei assentindo, relutante. Portanto, avisei: — Mas caso precisar de ajuda, me liga.

— Pode deixar. — sorriu, satisfeito. Ele virou para Namjoon novamente, que somente nos observava sereno. — Boa recuperação, Nam.

— Boa mudança, Jimin. É sempre bom te ver. — sorriu de volta, totalmente amigável com o loiro animado. — E obrigado novamente.

Logo, Park havia ido embora, me deixando somente com Namjoon como estávamos momentos antes. O silêncio impregnou.

Quando reparei, o mais velho me olhava com as sobrancelhas levantadas.

— O que foi?

— "Posso fazer isso numa boa, amor..." — modificou a voz, deixando aquela frase cômica. Por sinal, nem notei o apelido.

— Simplesmente saiu. — disse, com uma leve vergonha. — Não acredito que ele pagou seu tratamento.

— Calma lá, ele ajudou. Somente complementou com todos. — relembrou. Suspirei alto. — Criamos uma leve amizade, se quer saber.

— Me sinto mal. Gastar o dinheiro dele comigo ou com o que quer que tenha relação comigo me deixa mal pra caralho. — neguei com a cabeça, resmungando com razão.

— Isso não deixa o Jimin triste.

— Mas eu me preocupo. — rebati seriamente. Quando lhe encarei por não ouvir mais nada seu, Namjoon tinha sobrancelhas levantadas de novo. — Nada demais, oras.

— Ahhh, se liga, homem, admite que tu tá muito apaixonado. — bagunçou meu cabelo, esfregando a mão no topo da minha cabeça rapidamente. — Que orgulho.

— A questão nem é essa... — segurei o meu sorriso bobo, abaixando o olhar. Eu diria pra ele a minha maior preocupação? — Você vai me odiar.

— Eu? Te odiar? Por que? — confuso, questionou com seu sorriso grande. Mas no momento em que lhe encarei, pude ver o quanto ele havia me entendido somente por saber me decifrar tão fácil como nunca. Sua expressão decaiu totalmente. — Ah, não. Jungkook, você não contou pra ele ainda?

— Ele nunca mais vai olhar na minha cara. É sério. O Jimin não gosta de mentiras. — me joguei pra trás, fechando os olhos e soltando um suspiro alto.

— Quem gosta? E pô, você prefere viver com ele sabendo do que fez e angustiado por dentro pra sempre? — Nam estava indignado e eu entendia seus motivos. — Aliás, ele vai acabar descobrindo. E se não for por você, vai ser beeem pior.

— Eu sei, eu sei. É que, porra, é difícil, ainda mais agora que eu... — hesitei. — Enfim. Nada.

— ... Que você ama ele?

Encarei seu rosto, desviando em seguida. Nem soube o que lhe responder, me mantendo em silêncio.

— Você ainda não sabe, né?

— Eu não sei amar, hyung. — rebati na hora suas palavras certeiras, tremendo a voz, sentindo um verdadeiro nó na garganta.

— É claro que você sabe, Jungkook, já está fazendo isso. Todo mundo tem o seu jeito de amar. Pare de achar que o amor só machuca, porque ele também cura. E muito. — dizia. Engoli em seco.

— Se eu amasse o Jimin, nunca teria aceitado aquela merda de acordo.

— Aham, até porque você prevê o futuro, né, sabichão? Qual das tuas duas bolas é de cristal? — retrucou com fatos, sendo cômico. — Não tem como adivinhar que estaria apaixonado depois.

Eu quis chorar, mas não iria fazer isso agora.

— Tudo bem, nós dois sabemos o quão errada foi a sua atitude quando aceitou entrar nessa. Mas também sabemos que você queria uma válvula de escape pra ajudar tanto a si mesmo, quanto a gente. — contava. — Você nunca foi uma pessoa ruim, Jungkook. Você só tem memórias ruins, só esteve cego, é por isso que agiu contraditoriamente a vida inteira. Ou "revoltado", descrevendo na prática.

— O Jimin me faz ter memórias boas. Crio muitas com ele. — funguei, sentindo uma lágrima cair, com a cabeça baixa. Eu parecia uma criança. — Na verdade, comecei a ver muito mais as coisas boas em todo mundo desde que ele entrou na minha vida.

— E você ainda tem dúvidas de que o amor também cura?

— Eu não quero perder o Jimin... — meu tom soou baixinho, realmente com medo de que essa hipótese fosse verdadeira.

— Se contar pra ele, tenho certeza de que ele vai entender. — aconselhou. Tive coragem pra encará-lo com esperança, limpando as lágrimas com os dedos. — Pode ser que ele fique muito bravo com você e dê as costas de primeiro momento pra poder pensar melhor, mesmo que se mantenha longe, brigue. Só que isso já é o esperado porque o que você fez foi grave em certo ponto, mas a sua demora pra contar é mais grave ainda, Jeon. E se o Jimin te ama, ele vai tentar processar tudo, mesmo sozinho, pra poder ver que você nunca mentiu sobre seus sentimentos por ele.

— Quando eu tenho que contar, então? — perguntei, tomando toda a coragem que deveria ter tido há tempos. — Eu... Ia contar hoje, mas... Não sei se iria dar tão certo...

— O momento que achar ser necessário. Não recomendo ser hoje porque ele parece estar muito feliz com a mudança. Mas aproveite que estão mais tempo juntos e faça isso quando estiverem sozinhos o mais rápido possível, certo? — dizia, me fazendo soltar o ar preso no peito. — Aliás, ele se mudou?

— É, Jimin não suportava mais os pais dele. — contei, me recuperando da baita tristeza que quase nublou a minha mente.

— Legal, gostei. — balançou a cabeça positivamente, orgulhoso. — E posso saber onde ele estava ficando por todo esse tempo?

— Ah, então... — abri um leve sorriso amarelo, Namjoon me encarava totalmente suspeito.

— Eu só deixo porque é o seu namorado e eu gosto muito dele. — disse. — Mas quando eu voltar, espero que não tenha nada bagunçado. Deixei aquela casa estritamente arrumada, entendeu?

— Credo, parece uma mãe. — me tremi, afastando essa energia. Ele riu.

— Por que não viaja com ele? — perguntou, repentino. — Tirem um tempo bom pra vocês dois, sozinhos, só você e ele. Em um lugar que não seja aqui.

— Com quem? O Jimin?

— Não, comigo. É claro que é com o Jimin.

— Quer que arranje dinheiro da onde?

— Verdade. — afirmou e eu revirei os olhos, negando com a cabeça. — Mas foi uma boa ideia, pô.

— Nam. — lembrei. Ele prestou atenção. — O seu irmão é veterinário, não é?

— Sim, por que? Arrumou um animal também? Quanto tempo eu dormi?

— Não, eu só queria saber se tem vaga na empresa dele. Ele é só veterinário ou é chefe de alguma coisa?

— A empresa é toda dele, Jungkook. — meus olhos se tornaram iluminados. — Inclusive, ele estava prestes a renunciar. Não sei se ele já fez isso, mas da última vez que ele me visitou aqui no hospital antes da cirurgia, foi o que me disse. Aliás, acho que meu irmão chega hoje de viagem...

— Ótimo! E sabe se ele tá aceitando alguém pra ficar no lugar dele ou algo do tipo?

— Calma, por que tá tão interessado no emprego do meu irmão? — confuso, me questionava. — Pior, desde quando você se interessa em trabalhar e desde quando gosta de medicina vet-

— É pro Jimin. — interrompi sua fala, contando. — O Jimin queria ser veterinário. Quer, na real.

— Sério? — surpreso, indagou. — Mas ele fez faculdade? Sabe como é? Trabalhou com isso e não deu certo? Quer tentar de novo?

— Não, ele nunca conseguiu, pra ser sincero. Ele não teve nenhum apoio. Bom, o Jimin fez faculdade, se formou mas não exerceu. — era triste dizer, mas eu também sentia raiva. Jimin era muito apaixonado por tudo e ninguém lhe dava o mínimo incentivo antes. Não, até teve apoio, menos das pessoas que ele mais precisou na época.

— Oh, que interessante... — compreendia. — Só que você sabe que isso não basta, né? Ele teria que começar de novo aprendendo sobre muita coisa dependendo de quantos anos ele ficou parado sem saber sobre o assunto. Eu posso tentar ajudar falando com o meu irmão, sim, mas a minha única garantia seria que ele começasse sendo testado e estudando. Meu irmão também dá aulas, algumas vezes.

— Isso é perfeito, hyung! — sorri largo, esperançoso. — Quero poder fazer algumas coisas por ele antes que tudo aconteça.

— Jungkook, pelo amor de Deus...

— Relaxa, tô de boa. — levantei, lhe abraçando de novo. — E tava com saudade de você me dando sermões.

— Eu preciso é te dar uns belos xingos.

— Fica à vontade. — sorri, me afastando dele pra me sentar novamente.

— Antes quero saber de mais coisas.

— Manda.

— Como foi o pedido de namoro?

E lá vamos nós.
Me ajeitei na cadeira. Estive esperando por este momento.

Era bom ter Namjoon hyung de volta.

Também foi gratificante saber que Jimin tinha chances de realizar um sonho e que eu poderia lhe ajudar com isso.

Parecia que eu buscava amortecer toda a queda que viria.

Mas se prolongar os seus momentos felizes comigo significa que posso sofrer mais depois, tudo bem. Eu tomaria a dor por ele.

💸

[TAEHYUNG]

Ai meu pauzinho.

— Gente, acho que nem tem tanta coisa ainda, né? — Jimin chegou saltitante perto de nós, e eu o encarei. Morto de cansaço.

— Pelo amor de Deus, né? Se uma cama, um sofá, uma TV e mais uns cinco móveis, além de uma mesa pequena de vidro pra sala não for muita coisa, eu vou te dar um soco. E ainda por cima, parece que fizemos tudo duas vezes mais que você! — afirmei, cruzando meus braços pro loiro, que me devolveu uma carinha de bravo.

Será que ele percebe que ficava fofo, e não assustador? Tipo, sem chance.

— Tá, desculpa. Mas os moços da mudança também ajudaram a gente. — disse, então suspirou, olhando ao redor. — O bom é que eu não preciso pintar nada e nem fazer nada pra mudar, tudo tá muito lindo e novinho.

— Se houver mais alguma coisa que eu possa ajudar, ainda tô intacto. — Yoongi disse, de pé ao meu lado naquela sala com cheiro de casa nova. Pigarreei e encarei o moreno.

— Pra um tatuado com cara de mau, você é bem bonzinho. — falei como quem não quer nada. Gostoso.

— Ora, tem algum problema com a minha aparência? — virou-se e cruzou os braços, fazendo uma careta de desconfiado. Credo, que delícia, fiquei até sem graça.

— Nenhum. — dei de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça marrom. — Fica cada vez mais atraente.

Ele levantou as sobrancelhas surpreso e eu o olhei com indiferença, virando a cara de nariz em pé.

Sim, eu só me fazia de difícil, porque pra Min Yoongi, eu sou fácil fácil.

— Vocês me deixam de vela, sabia? — Jimin semicerrou os olhos pra nós, e senti meu coração disparar. Não era pra ele ser tão revelador assim.

— Mais do que você e o perfurado?! — indignado, lhe rebati na lata.

— Esses dois deixam as pessoas de vela somente olhando um pro outro. — Yoongi contestou. Jimin revirou os olhos.

— Vou admirar mais um pouco o meu quarto novo. — se afastou. — Ah, querem pedir algo pra comer?

— Pode deixar que eu dou uma pesquisada. — Yoongi passou por ele, sentando no sofá encostado na parede que tinha um belo cheiro de móvel recém comprado. E era, né.

Jimin assentiu, apenas caminhando até o corredor em direção ao quarto. Eu, ligeiro, fui me aproximando do moreno tatuado e me sentei ao seu lado despretensiosamente.

— O que você vai pedir? — dei uma olhada de rabo de olho para o seu celular.

— Tá afim de comer o quê? — virou o rosto pra mim, e só assim pude notar o quão ficamos perto um do outro.

Me come você ou eu te como, nossa senhora.

— A-Ah, eu vou querer... — desviei, ficando levemente nervoso. Eu nem sou assim, mas sinceramente, como não ficar? — Sei lá, passou a fome.

Portanto, só ouvi uma mini risadinha sua, voltando a encarar a tela de seu celular. Eu o encarei na hora, sem entender.

— O que é engraçado?

— Você. — me encarou. — Não percebe que tudo que faz ou fala é muito cômico?

— Eu deveria me ofender? — coloquei a mão no peito, como se estivesse realmente ofendido com seu comentário.

— Mas eu não disse isso no sentido negativo.

— Pois pareceu, hein. — rebati. — Se liga, o Jimin não te falou mas eu posso te dar um tapão. Sou uma pessoa razoavelmente agressiva, digamos.

— Ah, é? Tenta. — estufou o peito ao voltar-se pra mim, me fitando com uma cara de "vai encarar?". Que isso, meu Deus...

Pisquei algumas vezes mais rápido, sem saber o que lhe dizer e tentando manter a minha pose. Sequer consegui.

— Se continuar sendo lindo desse jeito, vai ser meio complicado pra mim. — engoli em seco.

Ih, falei demais.
Virei o rosto, olhando pra frente de novo e endireitando minhas costas.

Jimin, fiz merda, volta logo.

Ele continuou me encarando, pude notar.

— É impressionante como você é tão direto. — disse, achando divertido, e voltando a buscar comida pela internet. Mas finalizou: — Eu gosto.

Senti minha barriga formigar, se é que essa era a frase correta ou se essa sensação existia. Meu coração quase pulou.

— Ei... — chamei sua atenção, tendo um certo receio. — Por acaso... — comecei, ainda como se não fosse nada. — Você tem alguém em mente hoje?

— Como assim? — franziu o cenho. Caralho, eu nem disfarço. Nem um pouquinho. Eu dei de ombros.

— Tipo, não gosta de ninguém? Não teve nenhuma quedinha recente e tal?

Ele iria falar, pensativo um pouco e fazendo uma cara como se não entendesse muito bem o direcionamento da nossa conversa. E sim, nunca fui muito quieto mesmo, sempre fui descarado, principalmente quando estou afim de um bonitão como ele.

Na real, eu só quero dar uns pegas nele. Sem envolvimento pra não dar problema pro meu lado depois.

— Gostar de alguém, eu até-

— E aí, vocês conseguiram achar algo bom? — Jimin apareceu, com as mãos nos bolsos do seu moletom branquinho. Yoongi levantou.

— O que você quer comer? Eu fiquei vendo com o Taehyung, mas ainda não decidimos nada. — questionou o menor com todo interesse possível.

Eles conversavam, e eu apenas observava.
E só pelo jeito que Yoongi prestava atenção nele, eu pude perceber.

Talvez agora eu tenha descoberto por quem Yoongi provavelmente possa ter tido uma queda...

💸

[JUNGKOOK]

Essa foi uma das únicas vezes em que cheguei em casa e soltei o ar de meus pulmões por puro alívio. A sensação era diferente, eu não estava preocupado. Não no momento.

Recebi as mensagens de Jimin sobre eles estarem indo embora em breve do seu novo apartamento e resolvi ajudá-lo com sua mochila após tomar um banho geladinho.

Haviam muitas roupas que Jimin teria que buscar onde morava para levar ao lugar novo, porém não lhe deixaria ir completamente sozinho para aquele lugar.

O que me preocupava também era o fato do pai de Park não me procurar mais. Talvez porque eu o bloqueei dos meus contatos, mas a minha maior preocupação era o que ele poderia estar tramando por não vir atrás de mim.

Fechei a sua mochila e no momento em que me virei para o móvel pequeno ao lado da cama, encarei a exata gaveta onde eu guardava coisas que provavelmente nem deveriam estar mais ali. Suspirei.

Me agachei e a abri.

Quando peguei aquele anel, um pensamento veio em minha mente:

Eu deveria jogá-lo fora.

Aquele garoto nunca mais vai aparecer na minha vida. E se aparecesse, com toda certeza não seria por me procurar.

É só um ex melhor amigo que eu sequer me lembrava direito.

Sinceramente, o achava um completo babaca.

Então, a minha campainha tocou.

Na minha cabeça, era o Jimin. Mas nesse caso, ele teria que ter sido bem rápido.

Tocou de novo.
Que pressa.

Andei em passos apressados até a porta após guardar o que tinha em mãos. E assim que a abri na pura esperança, tive uma surpresa não tão agradável, o que fez a minha contente expressão cair.

— Sana? — questionei, confuso, sem saber do que a sua presença se tratava agora. Ela nem sequer me avisou sobre nada.

— Eu preciso que responda as minhas perguntas. — foi direta, com o rosto sério e sem brincadeira. Franzi o cenho.

— Como assim? Primeiro, o que você tá fazendo aqui? — sua roupa parecia sempre a mesma. Blusa e saia.

— Vai descobrir. — praticamente me empurrou de sua frente com seu corpo, entrando com tudo no apartamento como se fosse de casa.

— Sana, qual é, você não tem intimidade comigo ou com o Namjoon pra ficar entrando dessa forma. — revirei os olhos, impaciente e ainda de porta aberta. Apenas me virei pra ela.

— Não tenho? — incrédula, cruzou os braços e levantou as sobrancelhas. — Jungkook, nós éramos-

— Beleza, isso não me interessa. — a cortei. Ela ficou quieta e vendo sua expressão, suspirei, segurando a minha revirada de olhos na sua frente e fechando a porta atrás de mim, sem trancar. — O que você quer?

— Por que tá me tratando desse jeito? — se aproximou, na minha frente. Então, me olhou de cima a baixo com olhos pidões. — De quem é essa camiseta? Quando foi que você saiu da simplicidade e passou a usar roupas de marca?

— É sobre isso que você veio falar?

— É daquele Jimin, né? — rebateu na hora, sem pensar. Encarei seu rosto e sua pose decidida. Ela desviou o olhar, soltando o ar de sua boca. — Eu sabia.

— Se você veio falar sobre ele, eu faço questão de abrir a porta de novo. Só que será pra você ir embora. — avisei, não prolongando muito a situação.

— Gosta mesmo de homens, Jeon Jungkook? Você é gay? — questionou, me fazendo abaixar a cabeça com a paciência no zero, passando a mão no cabelo para tentar me manter calmo... — Por isso não quis nada sério comigo? Mas é impossível, você já ficou com tantas outras garotas!

— Sana, por acaso você conhece outras orientações sexuais? Bissexual, talvez? Não? — retruquei, a deixando calada. — Pois é. Imaginei que só conhecesse a palavra "gay".

— Não, eu não sou nenhuma burra. — negou. — Sei muito bem que pode gostar de homens e mulheres. Só que isso não faz nenhum sentido na minha cabeça, entende? E isso nem importa!

— E por que não faz sentido? Só porque eu saía com várias garotas há muitos meses atrás?

— Porque eu te conheço, Jungkook! — aumentou um pouco o tom, como se estivesse fazendo birra. Era inaceitável pra si.

— Conhece ou achou que conhecia? — rebati, de saco cheio. — Nem sabe dos meus motivos pra ter me tornado daquele jeito, Sana, fazendo tantas merdas. Aquele Jungkook nunca existiu de verdade!

Sua expressão suavizou, ela pareceu surpresa.

— Nem o que... — se aproximou mais, decepcionada. — Teve muitos momentos bons comigo?

— Sabe bem que eu nunca me apaixonei por você. — deixei claro. Mais uma vez. — Nem por ninguém. A não ser pelo-

— Por que a primeira pessoa que você se apaixonou tinha que ser esse Jimin? Não faz sentido, Jeon...

— E o que te faz pensar isso? Só porque é outro homem? — a questionei.

Então, por puro impulso, a garota abraçou meu corpo, envolvendo seus braços. Era só o que me faltava. Não correspondi.

Eu só tinha que me controlar pra não explodir e acabar jogando ela pro outro lado dessa sala.

— Falei com os meus pais, ia atrás de você naquela boate quase toda semana, literalmente fiz absolutamente de tudo por você. — dizia, lamentando-se. — E é isso que eu recebo? Você se apaixonando por outra pessoa?

— Sana, eu nunca te pedi nada. Nunca. Você fez tudo o que fez porque quis.

— E o que custa me retribuir? — se soltou de mim, brava. Antes que eu lhe respondesse, ela continuou: — Mas espera, uma coisa você fez de muito errado, sim. Não só comigo.

— Olha, era isso que tinha pra dizer? Se sim, eu peço que-

— Você me usou. — afirmou, apontando o indicador pra mim. — Assim como usou outras mulheres também. Dormiu comigo e com elas por ser um babaca idiota, um irresponsável!

— Tá bom, sei que eu era um imbecil, não precisa relembrar. — farto desse assunto.

Por mais que eu admitisse os meus próprios erros. Os quais se repetiram muitas vezes.

— Não? Por que? — cruzou os braços, começando o deboche. — Tá sendo um babaca com o Jimin também?

— Nunca. — respondi, sério. — Eu realmente tenho sentimentos por ele.

— E o que ele te deu em troca? Hein?

— Eu não sou uma pessoa interesseira nesse nível, Sana. — ela levantou as sobrancelhas, e a sua expressão debochada me lembrava de sua amiga Nayeon, a pior pessoa que ela poderia ter se influenciado. — Posso ter sido um filho da puta do caralho, mas não sou mais. — por fim, ela bateu palmas.

— Parabéns, é um novo homem! Se apaixonou mesmo pelo loirinho que vi entrando nesse apartamento com você. Não importa quando e nem como, mas eu vi com os meus próprios olhos. — dizia, convicta. — E daqui um tempo, vou estar te dando outro parabéns se somente usar ele também.

— Usando o Jimin? — soltei um riso abafado. Estava me enchendo a porra do saco. — Não, nem pensar. Você não sabe nem metade dos meus sentimentos por ele. — retruquei.

— Eu disse que você iria provar do gostinho de querer alguém que nunca vai poder ser seu, não foi?

— E você se enganou. — respondi com confiança. — Eu e o Jimin estamos em um relacionamento.

Com a informação, Sana levantou as sobrancelhas de surpresa, mas não contente. Ela desviou o olhar, soltando um riso fino de nervoso e colocando as mechas do cabelo comprido para trás.

Logo, me encarou e veio até mim com tudo, empurrando meu peito com suas duas mãos. Sinceramente uma mínima força contra o meu corpo, pois eu quase nem me mexi direito no lugar. Revirei os olhos com sua cena.

— Seu idiota. — vi seu olhar marejado, cheio de água. Ela prendia o choro. — Acha que merece isso?! E ele gosta de você também?!

— Sim.

— Ah, é óbvio. — começou novamente, passando a mão em seu cabelo por puro nervosismo. — Quem não se apaixonaria por Jeon Jungkook? Você tem esse dom, né? Esse dom de fazer as pessoas se apaixonarem por você e depois ferrar com elas.

— Por que caralhos você quer jogar na minha cara coisas do passado que definitivamente não cabem mais à mim?! — aumentei meu tom também, irritado no limite.

— Uau, tá falando até bonito, né? — cruzou os braços, se aproximando de mim de novo. — E os meninos sabem disso? O Yoongi? Namjoon?

— Todos sabem. — respondi. — E agora você também, satisfeita?

Ela continuou me encarando, como se não fosse possível acreditar em mim e no que eu estava lhe dizendo. Certo, eu notava sua alta esperança sobre desenvolver algo comigo que fosse além da amizade que antigamente tínhamos, mas essa hipótese estava fora de cogitação antes mesmo de eu conhecer Jimin.

A única coisa que ela deveria entender é que pra mim, eu adoraria tê-la como amiga se ela ao menos tentasse se livrar desses sentimentos obsessivos.

E também, largasse a amizade falsa que ela tinha com Im Nayeon. Porque Sana era uma pessoa legal antes de conhecê-la.

Nesse momento, não passava de uma "patricinha" mimada.

Mas antes que ela pudesse cogitar me confrontar com as palavras mais uma vez, me deixando bravo pra caralho, ouvimos o barulho da porta.

— Eu vim com o meu dedinho preparado pra poder colocar a senha na sua porta que nem no meu apartamento, mas esqueci que... — dizia, risonho, mas assim que olhei pra trás, nossos olhos não só se cruzaram como ele notou Sana em minha frente. Travou. — ... aqui não tem.

Estava parado na porta, com ela aberta. Suspirei, afinal toda a merda estava apenas dando start, pelo jeito.

Sana sequer esperou outra ação, somente passou por mim. Ela ia até Jimin.

— Por que, hein? — perguntou, caminhando calmamente até o loiro. — Por que ele escolheu você? O que você tem de tão especial?

— Chega dessa porra. — fui com tudo atrás de si, pegando em seus braços e a colocando pra fora do apartamento. Sana resmungava.

— Tá me machucando, seu idiota! — me empurrou, afastando-se de mim. — Eu só queria olhar bem pra cara dele e entender o motivo que te fez-

— Não fale do Jimin como se ele fosse qualquer coisa! — a interrompi.

Ela suspirou, agora com lágrimas caindo de seu rosto e uma expressão pura de decepção comigo. Mas o que eu poderia fazer, caralho?

Tentei manter a calma.

— Só segue seu rumo e me deixa em paz, por favor. — finalizei, respirando fundo e dando as costas, somente vendo a porta ainda aberta atrás de mim e adentrando o cômodo.

Quando eu ia fechá-la, pude ver Sana saindo pelo corredor até o elevador, em passos rápidos, ainda com raiva.

Raiva por eu não ter me apaixonado por ela.
Isso faz algum sentido?

Nos tranquei, me deparando com um Jimin de cabeça baixa. Antes que eu pudesse falar ao me apressar até ele, Park se aproximou somente pra esticar uma sacola contra o meu peito, me fazendo pegá-la.

— Comprei tteokbokki. — disse, logo virando-se pra ir. Eu segurei em seu braço.

— Não aconteceu nada. — tentei explicar. — Sabe bem que eu e ela-

— Vocês são amigos, eu sei. — me cortou, mas sequer parecia satisfeito com a resposta. — Tá tudo bem, confio em você.

— Não somos mais. — o soltei, e Jimin virou-se, voltando a olhar pra mim. — Ela tá obcecada.

— Por você?

— Sim. — suspirei. — Mas isso não é importante, eu deixei claro umas mil vezes que não teríamos nada porque não sinto nada por ela. Só por você.

— E o que eu tenho de tão especial, Jungkook? — questionou, sério. — Essa pergunta dela me fez pensar agora, o que eu tenho que ela não tem?

— O meu coração.

Ele não disse mais nada, portanto somente respirei fundo ao fechar meus olhos. Quis dar uma justificativa melhor.

— Jimin, você mais do que ninguém sabe muito bem que não escolhemos por quem nos apaixonamos.

— Então, você escolheria ela se pudesse?

— Não, é claro que não! — cheguei pertinho, chegando a diferenciar nossas alturas. — O que te faz pensar que eu iria preferir me apaixonar por alguém como ela ao invés de estar aqui desse jeitinho com você? — levei minha mão livre pra sua bochecha.

— Tudo. Ela é bonita, tipo, muito bonita, e sem contar que vocês já... — hesitou, desviando o olhar. — Enfim, acho que não preciso completar.

— Isso é passado, Jimin. E você é ainda mais lindo.

— Pra você parece tão fácil, né? Era só dormir com alguém e acabou. Nada era especial pra você, por que agora seria?

— Jimin, meu Deus... — me afastei, fechando os olhos pra tentar recuperar toda a paciência que se dissipava. Ele literalmente estava discutindo comigo por conta disso.

— Se fizéssemos algo do tipo, você não faz ideia do quanto seria importante. Na verdade, tudo que a gente faz juntos fica guardado dentro de mim.

— E acha mesmo que em mim, também não?

Deu de ombros. Me senti traído.

— Sério, quando foi que você me viu namorando com alguém? Não só você, mas ninguém presenciava isso. — comecei a lhe questionar seriamente. — Então, me fala. Quando foi que ao menos meus amigos te disseram que eu já me apaixonei por alguém?

— É que... — abaixou a cabeça, incerto. — Eu sou muito inseguro, Jeon.

Deixei a sacola com comida em cima do sofá rapidamente e cheguei bem perto do meu pequeno. Segurei em suas bochechas como se eu tivesse algo super precioso nas mãos. Fiz-o olhar em meus olhos.

— Me veja como o significado da sua segurança, amor. — disse. — Se permita ser o que quiser comigo, seja até um arrogante caso precise. — ri, ele segurou uma risada também. — Se ache bonito pra caralho, o mais lindo de todos, o melhor do mundo, até porque eu vou concordar.

— Bobo. — e como meu namorado estava muito fofo, resolvi dar um beijinho em seus lábios, apaziguando o clima.

E na sua bochecha, por todo seu rosto. O enchi de beijinhos que lhe fizeram soltar uma risada gostosa.

— Quer me contar como foi lá na casa nova? — mudei o assunto, permitindo que o clima ficasse bem mais leve.

— Você não vai comer o que eu trouxe? — apontou para a sacola que deixei e esqueci completamente no sofá. Dei um sobressalto, a pegando.

— Nossa, sim, eu amo tteokbokki! — a abri pra dar uma olhada e encarei ele novamente. O dei um selinho. — Obrigado pelo mimo, Coradinho.

Mas o que senti foi um tapa em meu ombro.

— Tá achando que eu tô te mimando? Eu vou comer também! — contestou.

— Calma, calma. — peguei o pote em mãos, o cheiro já estava bom sem nem mesmo abrir. — Eu vou arrumar a mesinha aqui.

— Não, espera... — ele pegou no meu braço, me impedindo de avançar ou sequer passar por ele. Seu semblante não estava mais tão animado. — Eu meio que perdi a fome. Pode guardar na geladeira e daqui a pouco comemos? Mas se você quiser-

— Claro, tudo bem. Relaxa. — passei minha mão livre no topo de sua cabeça, sorrindo pequeno e indo até a cozinha.

Maldita hora que ela resolveu vir até a minha casa. Sana poderia ao menos me mandar uma mensagem antes ou melhor, que ela falasse toda aquela caralhada pelo celular, não precisava vir ao apartamento com pedras nas mãos.

Assim que voltei, vi meu pequeno Coradinho sentado no sofá com as mãozinhas em seus joelhos, de cabeça baixa, perdido em seus próprios pensamentos. Ele levantou o rosto pra mim, me assistindo se sentar ao seu lado e forçando um sorrisinho.

— Quer conversar comigo sobre alguma coisa? — fui direto ao ponto, afinal era o que parecia.

— Como você tá se sentindo? — questionou. — Depois de tudo que aconteceu. Sabe que o final de semana tá próximo, né?

— Acho que não vou pra boate esse fim de semana. — confirmei o que estava em minha mente.

— Por que? — tornou-se surpreso.

— Tô... Sei lá, sem ânimo por enquanto. — respondi, virando a cara. Dei de ombros. — Mas caso eu for e você não quiser ir dessa vez depois daquilo, eu-

— Ficou doido? É claro que eu vou! — me cortou com a afirmação adorável, pegando na minha mão e a trazendo pra si. — Eu quero estar lá pra te defender também.

Um tiro me atingiria menos do que a fofura dele pra cima de mim.

— E eu queria saber... — desviou o olhar, ainda deixando sua mãozinha segurando a minha em cima da sua coxa. — O que a sua amiga, ou ex amiga, sei lá, queria.

— Ah, ela só veio reclamar comigo de novo. — neguei com a cabeça. Jimin me encarou. — Ela descobriu sobre a gente.

— Como?! — se assustou um pouco, mais preocupado do que outra coisa.

— Bom, ela veio ao apartamento recentemente mas não chegou a entrar no prédio e nem a me chamar, porque disse que viu nós dois entrando juntos. — expliquei o que ouvi. — E eu contei que estamos em um relacionamento.

— O que?! Jungkook, mas se ela contar-

— Não tem problema. E acho que a Sana ainda vai querer processar tudo primeiro. Na real, ela não é nenhuma fofoqueira, o único problema é a melhor amiga dela. Essa sim fofocaria pro mundo inteiro. — minha fala pareceu preocupá-lo em dobro.

— Ela vai contar pra melhor amiga, é óbvio!

— Eu não ligo mais, Jimin, de verdade. — dei de ombros, nitidamente calmo. — E também, Sana obviamente ficou meio desconfiada da vez que eu soquei a cara daquele filha da puta e fui levado pra fora da boate, que ela foi tentar me ajudar e você me levou embora, lembra?

— Hum... — assentiu.

— Inclusive, gostei. — levantei as sobrancelhas. Ele revirou os olhinhos pequenos. — Jimin mandão, que fofo.

— Jungkook, eu não sou mandão, é você que faz tudo que eu mando.

— A maior mentira já contada. Tá achando que eu sou adestrado assim?

— Todo mundo diz isso.

— Fontes da sua cabecinha, né? — rebati, convicto.

Sua expressão séria mudou, só que ele comprimiu os lábios e desviou o olhar sapeca, soltando da minha mão ao colocar na frente de seus lábios no automático, prendendo uma risada. Não entendi.

— Desculpa, acho que estou andando muito com você. — riu levemente, se segurando e olhando em meus olhos como antes.

— Oras, como assim? Eu-

Ih, porra, agora eu compreendi.
Fala sério que o Jimin maliciou o que eu disse?

— Desde quando você é safado desse jeito, Park Jimin? — fui direto, sorrindo maliciosamente. Ele arregalou um pouco seus olhos fofos.

— Ei, foi involuntário! E a culpa é sua! — apontou pra mim na cara dura.

— Minha? — incrédulo, retruquei, achando engraçado: — Ultimamente você que fica dando iniciativa e a culpa virou minha?

— Eu dou mesmo, até porque acho que dou muito mais iniciativa que você. — convencido, se encheu pra cima de mim. Levantei as sobrancelhas ainda indignado.

— Só porque me dá uns beijinhos aqui e ali primeiro e fica levando tudo pra malícia. Tá muito enganado, beleza? Deixo você decidir tudo porque sou um namorado muito respeitoso, sacou? — ele riu, então, tornei-me um pouco sério. — Pois eu poderia muito bem perder meu controle com você e fazer o que eu quiser.

Jimin me encarava, ele desviou seu olhar por segundos até me fitar de novo, mordendo o lábio discretamente e involuntariamente. Ele colocou uma mechinha de seu cabelo loiro pra trás da orelha.

— Faz. — disse, como se não fosse nada. — Não deveria demorar tanto.

Uau.

Me aproximei, levando meu rosto de encontro ao seu também. Perto...

— É só me pedir com jeitinho que eu faço o que você quiser.

— E depois diz que não faz o que eu mando. — riu baixinho. Fui pego. — Acha que eu não conheço você, Limãozinho?

— Esse apelido ainda é uma dúvida que você tem que tirar, sabia?

— Eu tiro. — afirmou, sem hesitar. Confesso me sentir surpreso, e que ouvi-lo assim me deixava de uma forma... — Melhor, eu provo.

A linha que havia me barrado de atingir meu limite arrebentou-se instantaneamente após escutar suas palavras. Sem pensar demais, pulei pra etapa do beijo. Roubei seus lábios rosadinhos pros meus e coloquei minha mão sobre sua bochecha.

Nossas línguas se enroscaram, e a minha mão deslizou pra trás, indo até seus cabelos. Jimin correspondia como nunca, e porra, eu poderia ficar beijando essa boca por horas.

Jimin veio pra cima de mim como havia feito da outra vez, onde infelizmente fomos interrompidos. Só que dessa vez, isso não acabaria daquele jeito.

Ele se sentou no meu colo sem nem me deixar respirar, porque puta merda, minhas mãos caíram em sua cintura e as apertaram de uma forma inexplicável por conta do atrito entre nossas coxas. Park continuou a me beijar com desejo, enquanto eu me segurei ao máximo pra uma das minhas mãos não escorregar pra baixo...

Separamos nossos lábios minimamente, Jimin deu um sorrisinho pra mim. Um sorrisinho bem filho da puta, pra ser sincero.

— Eu poderia passar horas te beijando, amorzinho... — me deu um selinho.

— Não me chama assim, você sabe como eu sou.

— É por isso que chamei. — riu, contido. Safado pra caralho. — Hoje eu quero fazer o mesmo que fez comigo da outra vez...

O bom era que somente eu poderia ver esse seu lado imprevisível e ousado.
E particularmente gosto muito de quando ele está desse jeitinho.

Sequer respondi ou rebati qualquer coisa, só puxei seu corpo pra colar-se mais ao meu, fazendo um suspiro sair da minha boca ao mesmo tempo que saiu da sua, por conta de finalmente estar sentadinho bem em cima do meu membro.

Que eu nem precisava dizer como estava naquele ponto.

— Amor... — beijei seu pescoço enquanto lhe ouvia, deixando minhas mãos deslizarem levemente pra sua bunda. A apertei. — J-Jeon...

Levei minha boca até a sua de novo, beijando seus lábios gostosos ao mesmo tempo, cheio de desejo. Ele soltava uns leves resmunguinhos com meus toques.

Cada vez mais colocava-o mais colado em mim, sentindo meu corpo tão quente quanto o seu, deixando minha imaginação ter inúmeras promiscuidades com o meu coradinho. Que inclusive, estava além da conta.

Mas Jimin colocou suas mãos pequenas contra o meu peito e se afastou brevemente, recuperando o fôlego.

Eu comecei a me frustrar um pouco sem entender o que Jimin estava fazendo no momento em que saiu de cima de mim, como se não fosse nada, indo para trás e deixando-me explicitamente duro naquela situação. Nisso, Park fez questão de me fitar por inteiro, somente pra fazer o que eu finalmente entendi.

Ele estava ficando de joelhos na minha frente.

Caralho. Logo, desencostei-me do sofá um pouco, atento em seus movimentos repentinos. Mesmo que Jimin tivesse me avisado minutos atrás, eu ainda estava surpreso.

— Continua aí... — pediu, brevemente se levantando somente pra me dar um leve empurrão para trás. Jimin se aproximou, ficando de pé e inclinado para mim, roubando um beijo dos meus lábios enquanto tinha sua mão em minha coxa como apoio.

E pra intensificar ainda mais a situação, Park levou a outra mão ao meu membro, ainda coberto com toda aquela roupa. Só de ter sua mãozinha ali, senti arrepios pelo meu corpo.

— Puta merda, Jimin. — senti seu aperto e murmurei entre nosso beijo, movendo calmamente sua mão. Até que ele parou, e no mesmo instante senti ele pegar na barra da minha calça.

Ele se afastou de mim de novo, indo de joelhos ao chão e ficando no meio das minhas pernas. Se ajeitou, endireitando-se.

— Jimin, você não-

— Eu posso fazer isso sozinho. — pegou na barra da calça e decidiu abaixá-la. Eu ajudei, assistindo Park vidrado em mim ao que me deixava apenas com a peça íntima.

Estive esperando por esse momento.
Mas não sei se vou conseguir me conter tanto quanto imaginava.

— Por que continua com esses olhinhos curiosos, hein? — provoquei, levando minha mão ao seus cabelos loiros, acariciando-os sem tanta delicadeza. Eu queria puxá-los.

— Não posso olhar? — tentou me provocar de volta, olhando pra mim. Eu levantei as sobrancelhas com a sua ousadia, descendo meus dedos para o seu queixo e lhe segurando, fazendo-o focar somente no meu rosto.

— É a sua primeira vez fazendo isso.

— Aprendi com você, não foi? — deu um meio sorriso. Espertinho.

— Só de ouvir você falando desse jeito comigo...

— O que? Não vai me deixar continuar? — rebatia.

— Fica à vontade. — o soltei, descansando as costas no sofá novamente, porém atento com as ações de Jimin.

Ao que levantei um pouco a minha camiseta, Park pareceu ter seus olhos vidrados novamente como estavam antes.

— Nossa, então era isso... — disse. Assim que olhei pra baixo, percebi o que chamava a sua atenção. — Quando você fez?

— Estive esperando você notar. — sorri, contente com a sua descoberta da minha nova tatuagem. — No mesmo dia em que fez seus preciosos piercings.

Era uma bela serpente enroscada com uma meia lua que passava pelo meu quadril, e o final de sua estrutura chegava na minha coxa, quase no inferior dela.

— Como... você consegue ficar ainda melhor? — falou mais pra si.

— Isso é um elogio, neném? — novamente me inclinei, pegando em seu queixo com mais força. Jimin voltou aos meus olhos. — Posso agradecer depois, porque agora você me deve uma coisinha. Não vai continuar?

Ele assentiu com a cabeça obediente, me fazendo soltá-lo. Observei seus movimentos repentinamente cuidadosos e senti umas sensações bem estranhas só de vê-lo se aproximando pra retirar a minha única peça, além da camisa levemente levantada. Porra, era um tesão do caralho só encarando o rostinho dele tentando descobrir o que faria primeiro.

E desse jeitinho, suas mãos pequenas pararam na barra da peça e a retirou, de olhos vidrados e sem desvios. Passei a mão no meu cabelo, ansioso e ao mesmo tempo involuntariamente atiçado demais pra só assistir.

Arfei no momento em que senti a mãozinha dele no meu pau com tanta delicadeza, raspando os dedos devagar no comprimento. Quase fechei os meus olhos só com o toque mínimo, mas me segurei pra fixar meus olhos no que eu mais queria ver.

A sua boca enquanto me chupava.

Jimin estava tão focado naquilo que sequer olhava pra mim, brincando com sua mão movendo-se de baixo pra cima e me fazendo suspirar inúmeras vezes. Ele mordia forte seus lábios rosados, lambendo-os em seguida.

Ele aproximou seus lábios, e antes de mais nada, trouxe a língua para lamber. Caralho, dessa vez meus olhos fecharam automaticamente e minhas mãos quase foram no seu cabelo. Ainda não...

Jimin só podia estar de brincadeira comigo.
Mas não, ele estava indo aos poucos. E me torturava, claro.

Finalmente, seus lábios abriram e Park chupou timidamente, descendo mais um pouco e me fazendo soltar um gemido baixo. Ele chupou mais, indo até onde conseguia e voltando devagar, aprendendo, com a boca quentinha me deixando fora da minha sanidade.

Chega.
Levei minha mão ao seu cabelo loirinho e puxei sua cabeça pra trás, não tanto, só pra que ele parasse de chupar. Jimin me encarava com os olhinhos brilhando, seu lábio inferior formou uma linha de saliva que se soltou assim que lhe afastei do meu membro.

Eu nem precisei dizer nada, ele lambeu os próprios lábios e abriu um pequeno sorrisinho.

— Acho que eu não deveria pegar leve com você.

— Por que? — fez beicinho, colocando a mão no meu pau de novo pra me masturbar lentamente. Me segurei. — Eu sou tão bonzinho...

— Mas eu não. — o soltei, descansando as costas novamente e olhando Jimin retornar sem interrupções ao que fazia. Mas sem pensar duas vezes, colocou sua linda boquinha de novo e eu deixei minha cabeça um pouco para trás.

Meus dedos enroscaram em seus fios mais uma vez, só que para guiá-lo. Jimin tentava chupar tudo mas voltava, e na vez seguida em que tentou, eu o empurrei um pouco, mordendo meu lábio, mas o que ouvi foi uma pequena tosse pelo não costume. Fofo.

Fechei os meus olhos, ouvindo os sons do quão bem ele me chupava e sentindo sua boca acelerar, quando ouvi um gemidinho seu que me deu arrepios e automaticamente apertei seus fiozinhos. Seus dedos pequenos apertaram a minha coxa exposta.

Eu empurrei-o mais, estocando uma vez e sentindo seu engasgo, seu gemido preso, também por sentir-me judiando de seu cabelo. Ele acelerou, eu gemi um pouco mais alto, sentindo o quão gostoso pra caralho ele estava me chupando agora e o quanto eu queria gozar naquele rostinho angelical.

Mirei meus olhos nele, e puta merda, ver Jimin fazendo isso foi uma péssima ideia. Simplesmente porque as sensações estavam subindo com muito mais rapidez.

Park lambia o comprimento inteiro, chupava com cuidado, eu estocava em sua boca assim como empurrava-o e sentia uma leve tosse, ao mesmo tempo em que assistia tudo isso detalhadamente.

Me senti devidamente próximo quando Jimin chupou tudo, indo até o final com um pouco de dificuldade, mas conseguindo, e decidi parar, arrastando um gemido pela sensação de poder gozar apenas com isso se houvesse uma repetição. Mas não, puxei-o pelo cabelo de novo e desci pro seu queixo.

Jimin também estava com um puta tesão e eu via isso nos seus olhos, castanho e esverdeado. Eu o dei um beijo simples, demorando segundos e me masturbando enquanto só encarei seu rosto.

— Não quer que eu conti-

Mandei-o ficar calado com o polegar alcançando o meio de seus lábios. Então, acelerando meus próprios movimentos e sentindo meu corpo suar, assim como meu coração acelerando, eu abri um pouco a sua boca.

— Abre a boquinha, bebê. — porra, era impressionante o fato de que eu realmente gozaria olhando pro seu rosto.

Sem que eu permitisse, Jimin tirou minha mão de si e chupou minha glande deliciosamente só pra que eu gozasse na sua boca e sentisse um orgasmo do caralho. Não pude nem contestar, um gemido foi colocado no lugar, e eu assisti o líquido sendo engolido pelo loiro, escorrendo até mesmo de seus lábios.

Eu só posso estar em um sonho.

Mas não, Jimin se afastou e eu tentei me recuperar, caindo com as costas no estofado como de início, respirando.

— É bom. — tive que voltar a encará-lo, incrédulo, e ele lambia seus próprios lábios que ainda estavam sujos.

Eu ia ficar duro de novo, Park estava impossível.

Mas também estava excitado, o que significa que...

— Deita aqui, vai. — mandei, insinuando para que ele simplesmente deitasse no sofá.

— O que?

— Eu mandei deitar. — coloquei apenas a cueca, sem muita dificuldade, recuperando meu fôlego, vendo-o sentado de joelhos no chão com as pernas juntas.

— Oh, é que... — olhou pra baixo, um pouco confuso.

— É porquê tá duro também? — fui direto, vendo seu volume aparente. Eu sabia que sim, ele não tinha que ter vergonha logo agora. — Tô mandando você deitar, sem reclamar.

Ele levantou, pouco, subindo no sofá como ditei, deitando-se de barriga pra cima e antes mesmo que pudesse proferir qualquer palavra ou sequer pensar, resolvi ir direto pra cima de seu corpo. Que provavelmente estava sensível.

Jimin tomou um mini susto, me fitando.

— Jungkook, o que-

— Eu pedi pra me chupar pela última vez antes que eu realmente gozasse, Jimin? — questionei direto, mostrando meu motivo, apoiando-me entre suas pernas e com as mãos em cada lado seu.

— N-Não, mas eu achei que seria bom... — respondeu.

— Foi bom pra caralho, mas vai ser punido por isso.

— Mas-

Estapeei a lateral da sua coxa. Jimin parou na hora, mordendo o lábio inferior e fechando seus olhos no automático.

— Diz, o que foi? — dei outro.

— Jungkookie, s-sério... — tentou fechar mais as pernas, mas não era possível, eu estava entre ambas. — Eu tô tão...

— Eu sei, neném. — desci seu zíper, deixando um beijo em seu pescoço e minimamente abaixando suas roupas, somente até que eu pudesse alcançar seu membro.

— Uhn... — grunhiu, enquanto eu brincava consigo. Amava ver suas reações. Fui mais rápido.

— Gosta assim? — ele assentiu com a cabeça, e acelerei mais, bem rapidinho. Fui até seu ouvido, sussurrando: — Desse jeitinho, amor?

Jimin gemeu manhoso pra mim, tentando tocar em si mesmo ou guiar minha mão, mas sequer encostando com medo de que eu pudesse parar. Abaixei e dei um beijinho em seu umbigo próximo ao piercing, seu corpinho dava alguns espamos, ele parecia estar esse tempo todinho excitado...

Não demorou muito, eu beijei mais o seu pescocinho, ouvindo-o. Então, coloquei minha mão em volta de seu pescoço, achando a cena linda, chegando perto e mordendo seu lábio inferior devagar, enquanto a outra continuava o trabalho, até que ele simplesmente gozou.

— Lindo demais... — lhe dei um beijo, sua respiração estava ofegante e seus olhos ainda fechados. — Aprendeu bem, hein. Desconfio que tenha pesquisado algumas coisas.

— Dei o meu melhor. — riu.

Após alguns minutinhos rápidos, decidiu continuar:

— Jungkook... — respirou fundo, tentando se estabilizar. — Posso te contar uma coisa?

— Claro, neném. — fiz um carinho no seu cabelo, vendo seus olhos brilhantes se abrirem devagar.

Ele olhou pra mim, como se encarasse bem no fundo dos meus olhos, nossos rostos de pertinho e um sorriso se formando em seus lábios. Parecia prestes a dizer algo importante.

De repente, eu fiquei com medo.
E tive meus motivos.

Porque o que escutei em seguida, foi o que fez meu coração acelerar de razão desconhecida.

— Eu te amo.

Me senti em choque.
E ele só parecia estar esperando uma resposta com brilho nos olhos miúdos.

Não era como se eu não quisesse respondê-lo. Jimin parecia tão genuinamente feliz, e eu o entendia porque também estava da mesma forma.

E olhando tanto tempo para os seus olhinhos, pareci ter um flash de outra pessoa conhecida na minha mente, ainda no mesmo lugar.

Inconscientemente, ignorei tudo e eu só o beijei. Colei minha boca na sua como resposta, mesmo nem eu sabendo qual ela era.

É, talvez eu não fosse o tipo de cara certo pro Jimin. Ou o que ele realmente merecia. Talvez eu seja só o tipo ruim.

💸

[JIMIN]

Já era o dia seguinte, e sabendo que Namjoon voltaria daqui uns dois dias, decidi levar a minha mochila com as minhas roupas.

Hoje, haviam chegado mais móveis, uma cadeira de massagem e a mesa da cozinha aberta, com as cadeiras.

Terminamos tudo, praticamente. Foi rápido, mas também não era como se algumas coisas já não estivessem no apartamento, como o balcão da cozinha, por exemplo.

Taehyung esteve comigo, e ele se sentou na cadeira ao me assistir arrumando as almofadinhas que também chegaram, no sofá creme.

— Já gostou do Yoongi? — perguntou sem mais, me fazendo quase engasgar com a própria saliva. Eu o encarei de olhos arregalados.

— Quê? É claro que não! — respondi na hora, voltando a arrumar. — Não mais do que amizade, eu digo.

— É porque eu acho que ele gosta de você. — então, ao terminar, me endireitei de pé, virando-me pra ele. — Nunca notou?

— Bem, e-eu... — certo, eu não mentiria para o meu melhor amigo, e nem tinha como. — Tá, mas talvez não goste mais tanto quanto antes, Tae. — contei, me aproximando. Ele parecia indiferente, de qualquer forma. Deu de ombros. — Sei que tá afim dele.

— Quero dar uns pegas, só isso.

— Não pode se privar pra sempre de viver um romance porque não conseguiu da primeira vez. — e foi aí, que Taehyung levantou a cabeça e me encarou. Eu puxei uma das cadeiras e me sentei também.

— Eu me decepcionei bem feio, Jimin.

— Como você ia saber que o Hobi só se atraía por mulheres? E qual culpa ele tem nisso também? Você ficou uma semana sem falar com ele na época e o garoto sequer entendeu. Me lembro muito bem disso.

— Tá, mas por que ele nunca demonstrou? Ele vivia grudado em mim. — teimoso, revirou os olhos. — E isso é passado.

— Ainda gosta dele?

— Não, faz tempo. — negou, verdadeiro. — Ele é só um amigo agora. O problema é que eu sinto que vou passar por tudo de novo.

— Posso te contar uma observaçãozinha minha? — me inclinei, semicerrando os olhinhos. Taehyung ficou atento, mesmo tentando parecer com indiferença. — Acho que o Yoongi tem uma quedinha por você. Ou um penhasco.

— Ah, meu. — bufou, revirando os olhos enquanto eu dei risada.

— É sério! Ele me pergunta se você vai nos mesmos lugares que eu vou e tudo mais.

— Deve ser porque ele quer amizade.

— Duvido. — cruzei os braços e as pernas, recostando-me na cadeira e olhando bem pro meu melhor amigo.

— E você, seu palhaço?! — bateu na minha coxa, mudando o assunto. Doeu, dei um sobressalto. — Dorme naquele apartamento toda hora e não sai um amasso?

— Sai toda hora. — dei de ombros, sendo sincero. Taehyung arregalou seus olhos.

— Traidor! — disse. — E por que não me conta os babados?! O que fizeram?!

— Hum... — pensei, por onde eu começo? — Eu e o Jungkook, podemos dizer que já fizemos a maior parte das coisas.

— Vocês transaram?! — aumentou o tom e eu o repreendi pelo olhar, ele tapou a boca. Mesmo que estivéssemos sozinhos, vai que tenhamos vizinhos. — É sério?

— Não, nada disso. — neguei com a cabeça, receoso. — Nem sei quando isso pode acontecer, fico meio inseguro também.

— Mas não tem segredo, você sabe. — dizia com a menor importância do mundo. — Aliás, já passou da hora de você fazer um agrado no perfurado, né? Imagino o quanto ele deve ter sofrido com o fato de você ter piercings em lugares sexys, ser lindo desse jeito-

— Eu fiz. — interrompi, sorrindo falsamente. Que vergonhazinha. — Ontem.

— Meu Deus, Jimin! — ficou realmente surpreso, abrindo a boca. — Eu dormi por quanto tempo?!

— Já disse que me sinto mais confortável quando estou com o Jungkook, poxa.

— Confortável ou safadão? Porque porra, só falta abrir as pernas! — ri.

— E eu disse que... — mordi o lábio, apoiando as mãozinhas nos meus joelhinhos e encarando Taehyung. — Que eu amo ele.

Dessa vez, Taehyung suavizou toda a expressão que continha, ficando sério.

Ih. Não era bom...

Eu havia dito errado? Na hora errada? Não era pra eu dizer agora? Foi rápido demais? Mas era o que eu estava sentindo no meu coraçãozinho, não pude esconder.

— Você confessou que ama o Jungkook? — perguntou, e eu assenti com a cabeça. Me tornei um pouquinho preocupado...

— Fiz errado?

— Não, claro que não. — mexeu as mãos, negando. Mas ele pareceu pensar, tomando meus olhos de novo. — E o que ele disse?

— Ah... — pensei. É, ele não me falou nada, mas sorri ao lembrar do beijo dele. — Ele me deu um beijinho como resposta.

— Ele não respondeu que te ama?! — aumentou o tom.

— Eu devo ter assustado ele. — disse, receoso. — Nos olhos dele, deu pra notar que ele nem sabia o que me dizer.

— Mas tudo bem pra você? — preocupado, mirou em meus movimentos. Eu suspirei.

— Sim, eu estou dando um tempinho necessário pra ele. — sorri pequeno.

— Ele te ama, Jimin?

— Acho que sim. — dei de ombros. Bom, suas ações demonstravam total reciprocidade e amor. — Talvez eu o ame mais. — ri.

— Olha, Ji... — suspirou. — Eu fico com medo-

Meu celular começou a tocar.

— Oh. — tomou minha atenção, tirando-o do meu bolso e arregalando um pouco meus olhos pra quem me chamava. — É o Namjoon.

— O amigo do Jungkook que tá no hospital?

— Isso. — atendi. — Alô?

Jimin! Que bom que atendeu. Estou aqui com os outros caras e queria saber onde o Jungkook está. — riu, confuso. — Liguei pra ele mas pelo visto, o celular está desligado.

— Ah, ele disse que fazia um tempo que não ia pra academia e decidiu ir enquanto vim arrumar meu apartamento novo. — expliquei. Namjoon pareceu compreender. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa que eu deva avisar ele?

Não, não, tudo bem! Eu só ia reunir todo mundo mesmo porque vou sair amanhã! — disse, contente.

— Amanhã?! Nossa, que incrível! — sorri grande, e com isso, tive uma ideia: — Eu vou mandar mensagem pro Jungkook, mas enquanto ele não lê nada, posso ir até aí primeiro. Tem problema?

Imagina, fique à vontade! Você já faz parte do nosso círculo, Jimin. — era bom ouvir isso. Eu me sentia importante.

Depois da ligação, encarei Taehyung mexendo no próprio celular dessa vez.

— Eu vou-

— Sim, no hospital. — me cortou, falando sério e ainda com o olhar na telinha. Então, me encarou. — E eu vou dormir na minha casinha, tenho que alimentar meu bebê.

— Tudo bem. — ri.

— Depois continuamos a conversar ou... Sei lá, desde que você esteja feliz, eu também estarei. — contou, convicto e preocupado. Me levantei junto ao meu melhor amigo. — Sabe que é a pessoa que eu menos gostaria de ver machucada.

— Sei me cuidar, Tete.

— Só não esquece do principal. Faça sempre o for melhor pra você.

💸

Taehyung me levou ao hospital, e até o momento Jungkook ainda não havia me respondido.

Fui direto pro atendimento, mas mal cheguei e já havia sido trombado com alguém que era pequeno, pelo jeito. Literalmente uma criança esbarrou em mim e caiu no chão.

— Oh, desculpa! — fui direto me agachar para levantá-la, e a menina sequer chorava, somente fazia uma expressão de dor. — Tá tudo bem? Se machucou?

Ela negou com a cabeça, aparentemente tímida enquanto ficava de pé novamente. Eu ajudei a limpar sua roupinha, pegando em suas pequenas mãos e tirando as sujeirinhas do chão.

— Desculpa, eu não prestei aten... — parei, ao sem querer, levantar sua manguinha e ver um pequeno roxinho no braço. — Meu Deus, eu te machuquei sem querer?!

— Não, moço... — respondeu na hora, vendo o meu suposto desespero. Respirei em alívio. Então, aquilo era de outra coisa.

Por mais que parecesse recente.

Olhei para seu rosto nitidamente agora. Oh, que fofa, ela se parecia com alguém, muito provavelmente do passado. Seus olhinhos escurinhos e o nariz...

— Olá, posso saber se ocorreu algo? — uma voz masculina invadiu meus pensamentos e eu levantei o rosto, avistando quem poderia ser o pai da criança. — Espera um pouco...

— Oh, você. — me levantei, surpreso. Reconheci.

— Jimin, não é? — sorriu, parecendo satisfeito com a surpresa. — Que coincidência!

— Sim... — fiquei meio sem graça. Não era como se ele fosse o tipo de pessoa que me deixasse confortável.

Era o homem mais velho que sentou ao meu lado na boate pra conversar comigo absolutamente do nada. "Sang", acho que era o nome dele ou apelido. Ele era estranho.

Mas vejo que tem uma filhinha pequena.

— Desculpa, cheguei rapidinho e acabei esbarrando na sua filha sem querer. — expliquei. Ele negou com a cabeça.

— Que nada, sem problemas. — falou. Eu abaixei meu olhar para a garotinha, que singelamente só me encarava, ao lado do pai e com as mãozinhas inquietas. — Ela é quietinha assim mesmo.

— Percebi... — concordei, ainda sem graça.

— O que é ótimo, né? Não faz bagunça e nem muito barulho. — riu, com as palavras que somente ele achava graça.

— Pois é... Bom, eu tenho que ir visitar um amigo, com licença. — sorri leve, abaixando meu tronco levemente pra frente em despedida rapidinho.

— Foi um prazer. Já estávamos indo embora, só vim marcar uma médica pra minha filha. Nos vemos por aí, garoto.

Assenti, educado com sua "simpatia".

Minhas sinceras desculpas caso ele seja realmente um homem bom, mas eu esperava não vê-lo mais, na verdade.

Yoongi foi a primeira pessoa que vi saindo ainda na porta, depois de ter tido permissão para visitar Namjoon.

Mas o que me impressionou naquele momento foi o objeto que tinha em uma de suas mãos, o qual ele fez questão de abaixar rapidamente quando me viu em sua frente.

Uma caixinha de cigarros.

E o que me preocupou não foi o fato de descobrir que Yoongi provavelmente fumava, porque isso não era da minha conta.

Mas meu melhor amigo estava gostando muito dele.E assim como eu tive meu passado ruim com o vício em bebidas, Taehyung teve com cigarros quando começou a se envolver com uns ficantes bem babaquinhas.

Fiquei um tico assustado. E se ele entrasse nessa de novo quando começasse a ter algo com o Yoongi e...

— Oi, Jimin... Bom, o Nam tá lá, eu tenho que ir trabalhar. — cortou meus pensamentos.

— Ah, sim... — assenti. Sorri, sem graça e ele abriu espaço pra mim. Quando eu ia entrar, ele soltou:

— Eu não fumo. — um clique surgiu na minha mente e eu o fitei. Ele soltou uma leve risada. — Acha o cigarro tão ruim assim?

— Não gosto... — contei. E olhei pra sua mão de novo, porque me peguei curioso. — Mas...

— Eu trabalho num estúdio de tatuagem. — riu, tirando mais duas caixinhas dos bolsos. — Tô indo pra lá agora, inclusive. Acha mesmo que com vários caras tatuados, super porra loucas, nenhum é fumante também? Parece até que tô estereotipando os caras, mas eu e o Jungkook, por exemplo, não usamos essas coisas. — deu de ombros. — Bom, é que pelo menos no meu estúdio é assim. A maioria fuma.

— Bem que desconfiei quando entrei lá da primeira vez e senti um cheiro ruim. — fiz uma careta.

— Se não for de fumaça, era maconha. — disse, indiferente. Eu arregalei os olhos e na mesma hora, ele riu da minha cara. — Tô zoando, e ninguém fuma lá dentro, relaxa. — esfregou o topo da minha cabeça, achando muito engraçado. — Você é tão certinho.

Certinho, sim...
Pensando bem, nem tanto se for pensar nisso em outros sentidos.

Enfim, quase surtei por nada.

Após me despedir do Min, que iria trabalhar, entrei na sala. Lá estava Jin, conversando com Namjoon enquanto sentado ao seu lado. Só que ele não estava sozinho.

Uma menina também estava lá, de cabelos escorridos e pretinhos até seus ombros, com uma boneca fofa nas mãos. Era a sua filha?

— Jimin! — Namjoon foi quem olhou pra mim, me recebendo com um sorriso. Eu sorri de volta, me aproximando após fechar a porta devidamente. — Estou feliz que esteja aqui. Estava falando pro Jin e pro Yoon que assim que eu sair daqui, vamos todos nos reunir como sempre costumávamos fazer.

— Nossa, isso é muito, muito bom. — fiquei aliviado, era bom que tudo esteja indo bem.

— Mas agora, você sabe que vai ter que comparecer também, não é? — disse.

— Eu? — confuso, perguntei. Namjoon simplesmente assentiu.

— Faz parte do nosso clubinho dos caras que tem coisas pra fazer, mas que fingem que não. — Jin dirigiu-se à mim. Eu prestava atenção.

— Você é daqui? — agora, foi a vez da menininha falar. Todos nós a olhamos, e eu não compreendi a princípio, afinal ela estava direcionando o olhar pra mim. — É que você parece uma fadinha, só que menino. Aqueles que tem nos desenhos da TinkerBell, sabe? — comentou genuinamente.

— Hanna-ah... — Jin a chamou, um pouco envergonhado antes que eu sequer pudesse respondê-la. Ela parecia com ele, e era muito linda. Seokjin me olhou. — Desculpa, essa é a Hanna, minha filha. Ela adora o Nam e veio ver ele comigo, quase implorando. — acabou rindo. Ela abraçou a boneca em seus pequenos bracinhos e eu me inclinei para falar melhor com a garotinha.

— Gostei do seu lacinho. — tinha um no cabelo, azul, pequeno e sutil. Só que ela pareceu abrir ainda mais seus olhos, surpresa.

— Que lindo! — impressionada com algo, abriu um sorriso enorme. Me senti confuso... — Seus olhos são muito diferentes! Eu nunca vi! Você é realmente uma fada! — ficou animada, e só aí que eu entendi do que se tratava. Sorri encantado. — Olha, papai! — pegou no braço de Jin, chacoalhando-o como se ele não soubesse.

— Eu vi, são bem bonitos mesmo, filha. — fingiu surpresa. Tentei não rir.

Talvez eu esteja começando a gostar dos meus olhinhos.

— Quer comprar um sorvete de morango? Sei que você ama. — sugeriu, e logo sua atenção foi completamente tomada. Hanna deu pulinhos. Achei uma gracinha.

— Eu quero! Eu quero!

Jin a pegou pela mão pequenininha, levantando-se da cadeira calmamente.

— Mas eu sei que é só uma tática pra sair comigo daqui. — ela comentou, Jin arregalou os olhos.

— Hanna-ah, pelo amor de Deus!

Namjoon parecia achar tudo aquilo uma graça, somente observava com cautela e sorria pra cena como se fosse a coisinha mais linda do mundo.

Na verdade, era como se ele estivesse admirando aquilo.

E o próprio Seokjin.

— Muito fofo, né? Muito mesmo... — soltou, vendo Jin fechar a porta com a filha que se tornou tagarela. Me sentei na cadeira, ainda lhe observando alheio.

— A Hanna ou o Seokjin? — também soltei, direto.

— O que? — me encarou, saindo de seu transe, descansado na cama. — Ele e a filha juntos, claro.

— Sei... — semicerrei os olhos, desconfiado. Então, ele abriu um sorriso de que foi convencido.

— Você e o Jungkook são dois intrometidos, isso vocês tem em comum. — riu. Eu também acabei rindo, lembrando que meu celular não tocou nenhuma vez ainda e sequer vibrou com alguma mensagem dele. Pra onde esse homem foi? — Aliás, sabe onde ele está?

— Ele foi pra academia, mas confesso que tá demorando um pouquinho...

— Ah, ele deve estar bem. — deu de ombros. Acabei assentindo com a cabeça, mesmo me sentindo um tiquinho preocupado. — Bom, eu queria que viessem pra marcarmos de nos reunirmos. Senti falta da cara de todo mundo e ao invés de somente ligar ou mandar mensagem, logo pedi pra que aparecessem aqui.

— É muito melhor se encontrar pessoalmente, você tem razão. — concordei, divertido.

— Sim. — soltou uma risada. — E o Jin trouxe a Hanna, filha dele. Hoje ele tirou uma folga e eles vão sair juntos, acho que tirei um momento deles ao chamá-lo aqui.

— Não, imagina! — neguei na hora. — Aposto que o Jin ficou confortável de vir te ver e a Hanna parecia super bem também. Ela gosta muito de você, pelo que o Seokjin contou.

— Ela é um amor. Eu adoraria ter uma filha como ela, tão adorável assim.

— Olha, não é da minha conta, mas vocês formariam um casal bonitinho. — joguei. Namjoon me olhou incrédulo.

— É sério isso? — com a boca meio aberta, me encarava.

— Desculpa. — mordi o lábio, quase dando risada. Foi ele quem acabou rindo.

— De qualquer forma e mudando de assunto, ela pensou que você fosse uma fada.

— Isso foi engraçado e encantador ao mesmo tempo. — disse, ao lembrar de minutos antes. — Gosto muito de crianças.

— É? — questionou, recebendo meu gesto de afirmação com a cabeça, eufórico. — Sabia que ela ama as tatuagens do Jungkook? O apelido dele é "Titio Jun".

— Que amor! — sorri grandemente desta vez. Isso era tremendamente fofinho. — Ela também deve gostar muito del-

Espera.

— Apelido?

— Isso. Ela chama ele assim, ao invés de ser só "titio" ou "tio".

— Jun?

— É quase como a abreviação do nome dele, pô. — soltou uma levinha risada. Estive pensativo demais.

Não era um apelido tão agradável pra mim. Por mais que...

Ficasse fofo nele.

Combinava, e de certa forma, algumas características físicas suas também combinavam com as do...

— Enfim, ela gosta de nomear as tatuagens do braço do Jungkook. — explicava. Decidi deixar meus pensamentos pra depois, pois eu estava curioso e não poderia estragar o clima agradável.

Até porque todas os meus pensamentos me remeteriam ao passado.

— Depois vou perguntar os nomes pra ele. — ri. — Aliás, ele faz sempre que pode, né? Ou sempre que surge algo significativo.

— Tatuagens? Nossa, sempre. — concordou completamente, achando graça. — E algumas tem significado, sim. Só que todas em si são importantes pra ele.

— Sério? Acho que elas devem fazer parte da autoestima dele também... — fiquei pensando, porém, fui cortado de meus pensamentos com a fala de Namjoon.

— Na verdade, eu não acho que ele consiga te contar isso e talvez gostaria que eu lhe disesse certas coisas das quais ele não poderia, mas fazer tatuagens foi uma forma que ele encontrou pra cobrir, como eu posso dizer... — tentou pensar, talvez na melhor forma de me contar. — As marcas do passado. Entende? Os traumas.

— Como assim? — de repente, uma preocupação subiu e eu me tornei sério.

— O Jungkook começou a se tatuar assim que saiu de casa. Não foi com o Yoongi, porque ambos eram muito novos e o Min sequer sabia que viraria tatuador. — contava. — Era bizarro, e Jungkook teve sorte de encontrar falsos profissionais que não fizeram cagadas nas tatuagens dele. Porque não é permitido tatuar menores de idade, isso é um fato.

— Então essa... — hesitei, juntando algumas peças. — Foi uma válvula de escape pra ele? Pintar quase todo o corpo?

— É... Ele deve ter alguma marquinha, mas até que visível caso ele não tivesse as tatuagens cobrindo. Na verdade, espero que não. — sua expressão também se tornou séria, e ao mesmo tempo, hesitante, inseguro.

— Marquinha? Como assim? — não entendendo por completo, me inclinei na cadeira, ficando totalmente preocupado. — O que quer dizer com isso? Ele se machucava? Ele já se-

— O pai dele. Eram somente ataques do pai dele. — respondeu. Meu coração bateu forte uma única vez. — Na primeira noite que ele passou no meu apartamento após ter sido expulso de casa, o Jungkook... — respirou fundo. — Ele me contou praticamente tudo que acontecia e provavelmente o que não podia contar pra ninguém porque claramente era ameaçado. E ainda, no fim, tive que cuidar de um machucado dele causado na discussão. Nunca me esqueci disso.

Parecia que meu coração estava quebrando em mil pedacinhos enquanto eu ouvia isso. Eram essas as coisas que Jeon sequer parecia conseguir tocar no assunto?
Ou então, escondia através de piadas?

— Aquele homem era um monstro. Sujo e egoista. Ele não amava nem a mulher dele, quem dirá o próprio filho. — seu rosto dizia tudo. Namjoon sentia nojo. — As marcas e os traumas que eu digo basicamente seriam de cortes e hematomas que ele sofreu não só por conta da briga que teve com o pai no dia em que foi expulso, mas sim de todas as vezes que... Enfim.

— O que? De todas as vezes que o quê? — eu queria saber, meus olhos lacrimejavam. Namjoon me encarou, e talvez por estar vendo a minha situação, finalizou.

— As tatuagens do Jungkook foram feitas pra que ele nunca mais se lembrasse de todas as vezes que era machucado fisicamente, Jimin. Era isso. — deu a última palavra, calmo, e receoso. — Ele apanhava.

Uma lágrima caiu e eu a limpei. Funguei, pegando meu celular e ainda não vendo nenhuma mensagem ou ligação do Jeon. Aquilo começou a me matar por dentro de preocupação.

— Ele deve estar bem, fica tranquilo. E ele está com você, portanto está em boas mãos. — Nam tentou me acalmar. — Quero que saiba que ele é tremendamente apaixonado por você.

— E eu sou por ele... — a voz saiu um pouco chorosa, continuei olhando meu celular com esperança. — Preciso vê-lo...

E antes que Namjoon dissesse qualquer outra coisa, eu me levantei em um pulo da cadeira que quase a derrubou. Era como um susto de puro alívio, caso o termo exista.

Finalmente, uma mensagem de Jungkook.

Meu Limãozinho 💚
| to bebado 😔
| dsclp fui na academia ficar bonbadao pra vc dai quando fui embotea enconttei o hoseokf
| to info p casa juro

— Nossa senhora... — neguei com a cabeça, acabando por fechar os olhos e abrir um sorriso. Sério isso?

Senti meu coração mais leve, mesmo com toda a informação pesada processada.

— O que foi? Jungkook respondeu?

— Sim, mas acho melhor ele nem vir e eu ir pro apartamento. — contei à Namjoon. — Ele bebeu.

— Ih, forças. — fez uma careta, eu ri. — E obrigado por vir. Depois marcamos a nossa reunião de desocupados.

— Tudo bem. — estarei ansioso por esse dia. — Melhore cem por cento, por favor. — então, me preparei pra ir, dei um abraço em Namjoon e fui sair da sala.

— Jimin. — fui chamado já com a mão na maçaneta, portanto, olhei pra trás, guardando meu celular. Namjoon pareceu sério novamente. — Caso tenha dúvidas se o Jeon gosta mesmo de você, quero que compreenda que ele faz isso do jeito dele, e mesmo que beeeem desleixado, o Jungkook sente amor. Muito amor, na verdade.

— Eu sei. — sorri pequeno. — Confio nele. Jungkook nunca me deu motivos pra não confiar.

💸

Acho que cheguei um pouquinho tarde.

— Jimin-ssiiiiiiiiii! — me recebeu alto, quase cantarolando e vindo de braços abertos pra mim. Mal fechei a porta atrás de mim.

— Do que me chamou? — ri do apelido novo, em meio ao abraço apertado que ele estava me dando repentinamente.

— Jimin-ssi... Coradinho... Neném... — pareceu aconchegar-se no meu pescoço. O cheiro da bebida era forte, mas sua ação estava sendo super fofinha. — Gosto de todos esses apelidos.

— Eu também, Limãozinho.

— Só eu, né? — se afastou, olhando pra mim e apontando pra si mesmo. Estava totalmente bêbado. — Eu e eu. Só eu posso ser.

— Isso, só você. — tentei pegar nas suas mãos, focando sua atenção em mim. — Que tal ir tomar um banho e dormir um pouquinho? Quer que eu faça algo pra você comer depois? Temos tteokbokki.

— Eu quero o meu neném coradinho, poxa... — veio pra mim de novo, me abraçando e quase caindo em cima de mim, fazendo com que eu por pouco, não desequilibrasse.

— Ok, não é como se eu já não tivesse que lidar com você bêbado. — lembrei da primeira vez que ele bebeu e foi até onde eu morava. Quase ri, mas Jungkook estava pesando seu corpo. Tentei me afastar um tiquinho. — Vem, vamos pro quartinho, tá?

— Por que eu fui beber, hein? Maldito Jung Hoseok. — negou com a cabeça, falando como se fosse uma criancinha. Fofo.

— Porque você é um tremendo bobinho. — respondi, fazendo ele parar no meio do caminho com tudo. Me encarou.

— Tá xingando o seu amorzinho? — fez um bico pidão, decepcionado. Acabei não aguentando e gargalhei de sua reação. Mesmo me vendo quase chorando de tanto rir, Jeon continuou com uma carinha triste porque o chamei de bobinho.

— Que coisinha lindinha. — o dei um selinho. — Só brinquei, meu Limãozinho.

Seguimos pro quarto, mas Jungkook mesmo se soltou de mim pra ir direto pra sua cama, deitando nela de barriga pra cima. Me aproximei.

— Bebeu demais, hein. — afirmei, sentando na beira da cama e vendo ele se aconchegar no colchão. Arrumei seu travesseiro, assistindo-o até fechar seus olhinhos.

— Estou fazendo as pazes com o Hobi. Começamos a conversar, bebemos enquanto ele falava sobre ter sido promovido, ficamos felizes, aí depois disse que conseguiu uma viagem incrível e que ia me... — abriu os olhos, como se tivesse se assustado. — Opa, é segredo ainda.

— Segredo? O que é segredo? — questionei. Jungkook somente colocou o indicador na frente da própria boca.

— Não posso. Não posso mesmo. — deu dois tapinhas nos lábios. — Negativo. Ainda não.

— É algo que eu não posso saber?

— Sim. Surpresa. — praticamente revelou tudo. — E tem outra surpresa também que o Hobi me ofereceu, aí eu pensei em te dar porque você disse que gosta.

— Do que eu gosto? — estava o testando com a minha curiosidade, e também porque ele estava alcoolizado.

— Não-vou-contar. — falou pausadamente. Então, fechou seus olhos de novo. Tudo bem, eu não insistiria, não gostaria de estragar sua surpresinha.

Esperaria ele me dizer.

Ainda sentadinho, levei meus dedinhos aos seus fios de cabelo. Tirei um pouco de seu rosto, fazendo um carinho nele. Jungkook sempre estava tão lindo...

— Como alguém teve a coragem de machucar você? — lembrei do que Namjoon havia me contado. Jungkook se mexeu um pouco, realmente tentando dormir.

Nisso, passei a olhar as tatuagens do seu braço. Era muitas, era totalmente fechado com as tintas. Curiosamente, olhando com precaução pra cada uma delas por minutos, acabei notando uma leve e curta marca um pouco abaixo do pulso. Não dava pra ver muito bem, estava com uma de suas tatuagens bem em cima.

Desci a mão até ela, não compreendendo como aquilo aconteceu. Será que ele fez sozinho? Ou...

— Todo mundo tinha coragem. — após dizer sobre lhe machucarem, ele resolveu responder, ainda nada sóbrio e tentando cair no soninho. — De me machucar, que nem você falou, Jimin-ssi.

— ... Por que?

— Porque eu sou errado. E a culpa sempre fica comigo... — dizia, de olhos fechados e a voz embargada do álcool. — Eu era pequenininho...

Olhei pro cortezinho de novo, cicatrizado. Meu coração se apertou.

— Isso foi quando saí de casa... — contava, com o raciocínio lento, arrastado. — Ele me cortou, ele fazia isso, mas naquele dia foi mais forte, e eu escondi. Cuidei disso sozinho, depois o Nam me ajudou...

— Quem fazia isso com você?

Ele negou com a cabeça.

— Dói. — soltou. — Minha cabeça dói.

— Oh, quer um remédio?! Eu posso-

— Dormir... — interrompeu. — Tô com sono... Vou dormir um pouquinho e já volto...

Suspirei alto.
Jungkook não me contou em detalhes, mas eu pude entender.

— Ah, amor... — acariciei seu cabelo compridinho de novo, fazendo um cafuné. Ele estava dormindo.

Tive vontade de chorar, mas não poderia. Era passado, um passado que eu não deixaria voltar pra sua vida.

💸

Acordo com a voz de Jungkook, murmurando algo, além do barulho da chuva lá fora. Nossa, eu caí no sono também?

Quando percebi, estava deitado, coberto devidamente. Com os meus olhos abertos, pude ver Jeon no celular, em uma ligação, de pé e parado.

— Beleza, vou lá pra baixo daqui a pouco, então. Me manda mensagem. — lhe ouvi.

Desligou, virando o rosto pra mim logo em seguida.

— Você acordou! — sorriu.

— E eu dormi, foi? — lento, me levantei aos poucos.

— Acho que sim, nem percebi quando aconteceu. Bebi pra caralho, né? — passou a mão no cabelo, se aproximando. — Foi mal, fiquei meio feliz.

— Não, tudo bem, Hoseok é seu amigo. — disse, com indiferença. Decidi me espreguiçar antes de ficar de pé, e Jungkook arregalou os olhos.

— Como assim? Como sabe que eu... — parou. — Mentira que eu fui boca aberta e contei tudo pra você?!

— Ah, só a parte de que vocês beberam pra comemorar a promoção dele no trabalho e uma viagem dele também. — dei de ombros. Tadinho, Jungkook parecia em desespero.

— E o que mais?

— Uma surpresa. — respondi, levantando com os pés no chão. Me aproximei, apontando pro meu próprio rosto. — Pra mim.

— Porra, não é possível. — negou com a cabeça, batendo na própria boca uma vez. — Não posso ficar bêbado em situações como essa.

— Posso saber que surpresa é? — ri. — Ah, que horas são?

— Devem ser umas oito. — ignorou a outra pergunta, sorrindo amarelo.

— Então, eu quase nem dormi. Acho que só por uma ou duas horinhas. Oras, verdade, nem você! — lembrei. — Ficou sóbrio?

— Tô, o álcool não fica fazendo efeito por tanto tempo em mim e eu tentei comer alguma coisinha de boa pra tirar o gosto da boca.

— Certo, agora eu quero saber da surpresa. — ele deu um pequeno sobressalto, desviando o olhar. Semicerrei os olhos.

— Vai saber já já, sério. — colocou as mãos nas minhas bochechas. — Lindo. — me deu um selinho.

— E por que você tá cheiroso assim?

— Tomei banho. — simples, contou. Sim, era um cheirinho de banho tomado. — E você?

— Eu também, antes mesmo de eu sair de casa, tá achando que eu sou o quê? — rebati. Arrumei meu cabelo, provavelmente um pouquinho bagunçadinho por ter dormido. Ele deu risada.

— Beleza, vou pegar o tteokbokki que vai fazer aniversário na geladeira se continuarmos guardando ele. — disse, com um sorriso lindo no rosto. Ele se virou, após me dar um rápido carinho no cabelo.

Peguei em seu braço, foi um ato bem involuntário. Ele brevemente se virou, me olhando com certa curiosidade.

E sem dizer nada, eu me aproximei e o beijei. Sem mais, apenas fiz. Jungkook calmamente levou suas mãos na minha cintura, mas se afastou.

— Do nada assim? Não pode fazer esse tipo de coisa, tenho que estar preparado, poxa...

— Preparado pra quê? Você é quem sempre me pega de surpresa, engraçadinho.

— Oras, mas eu-

Seu celular vibrou com alguma mensagem.

Eu pensei que passaria batido como sempre, só que Jungkook deu um leve sobressalto, animado.

— Suas surpresas chegaraaaam! — cantarolou, se afastando de mim e me deixando sem reação.

Até porque eu realmente não estava entendendo absolutamente nada ali.

— Fica aí, já volto, vou descer!

— O que...

Tentei falar, mas ele sumiu e me deixou no quarto, sem saber se eu deveria obedecê-lo ou ir atrás pra saber. Talvez fossem as surpresas das quais ele havia me dito sob efeito do álcool horas atrás.

Me sentei na cama, confuso.

Pouco mais de cinco minutos depois, escutei Jungkook abrir e fechar a porta calmamente. Levantei e me aproximei da porta aberta. Foi rapidinho.

— Só irei se virar de costas. — disse alto, ainda da sala do apartamento. Eu ri fraco e revirei os olhos, com a mente completamente confusa.

— Jeon Jungkook, se estiver de palhaçada, eu juro que fico o dia todinho sem falar com você. — endireitei-me melhor e me virei, com as mãos na cintura, esperando o bonito me mostrar o que tanto queria com todo esse suspense.

Lentamente, ouvi seus passos se aproximarem. Coloquei uma mechinha do cabelo para trás da orelha, sentindo uma pequena ansiedade de saber que ele havia feito ou que iria dar algo pra mim em especial.

— Pode virar, Coradinho. — afirmou. Curioso, tomei a atitude na hora e... Oh.  — Hoseok me deu porque não tinha como cuidar. Ele falou sobre isso e eu até iria recusar, mas a primeira pessoa que pensei foi em você. E relaxa, ele bebeu mas não como eu, então tá ciente disso e me trouxe esse bichaninho. — sorriu.

Jungkook tinha um gatinho pequenininho em seus braços, acolhendo-o. Eu não sabia o que dizer, muito menos o que fazer.

— Sei que nunca posso dar muita coisa, mas quis te presentear pelo apartamento novo.

Eu estava surpreso, emocionado e apaixonado. Paralisei, praticamente.

— A gatinha do pai dele teve filhotes, e ele me ofereceu um. Você disse que gosta de gatinhos, de animais, portanto... — dizia, explicando-se enquanto eu me mantinha vidrado naquele ser tão pequeno, me aproximando devagar. — É macho. Menininho.

De repente, senti meus olhos lacrimejarem.
Eu amava animais.
Eu amava gatinhos.

Minhas mãos foram de encontro ao ser miudinho, pegando-o nos meus braços e ouvindo seu miado fininho e baixinho. Era o gatinho que eu nunca pude ter quando criança.

— Acho que você gostou... — comentou, me assistindo admirar o animal. Eu levantei meu rosto e lhe encarei, Jungkook de repente se tornou assustado. — Ou não? Você tá chorando? Jimin-

— Obrigado, Limãozinho. — fiz um biquinho pidão. Eu não estava chorando, mas meus olhos brilhavam. — Você realizou um sonho meu.

Vi o Jeon suavizar a expressão de preocupação que tinha antes, para uma sem jeito, passando a mão no cabelo e desviando o olhar, segurando um sorrisinho.

— De nada, tudo por você. — respondeu, sem fixar muito em mim.

— Esse vai ser nosso filhinho. — falei, sorrindo largo. — Qual vai ser o nome dele?

Jungkook pensou.
Mas parecia pensar duramente sobre isso, suspirando.

— José.

— Pelo amor, Jeon! — segurei o riso pra repreendê-lo, mas acabei soltando a risada. Que tonto. O pior de tudo era que ele falava sério.

— E tu acha mesmo que eu sou criativo? — apontou pra si.

— Tá, então sou eu que escolho. — olhei pro animalzinho, fazendo carinho nele com os dedinhos. — "Limão".

— Não deixo. — rebateu na hora, sem mais. O encarei de cenho franzido, enquanto ele tinha as sobrancelhas levantadas. — Esse sou eu. Mais ninguém.

— Jungkook, é um gatinho.

— Sou o seu em primeiro lugar. — cruzou os braços como uma criancinha. Meu Deus, acho que Jungkook era a pessoinha mais ciumenta do universo.

— Você é o Limãozinho. — virei o indicador pra ele. Logo, para o gatinho. — Ele é o Limão.

— Zero criatividade.

— Dá pra parar de discutir comigo o nome do nosso filho? — com isso, vi Jungkook se calar por segundos, desviando olhares. Segurei o riso pra não perder a pose.

— Para de dizer isso. — sem graça, disse.

— Por que? Não quer ser pai do gatinho?

— Eu não seria um pai tããão legal assim. — comentou, passando por mim e indo pra perto da cama. Pegou a coberta, dobrando-a. Franzi o cenho, virando meu corpo.

— Como assim não?

— Nem pra gatinhos, eu seria um bom pai.

— Ficou doido? Da onde tirou isso? — me aproximei, ele evitava me olhar, prestando atenção na sua arrumação fajuta.

— Das minhas experiências passadas. — soltou um riso sem graça, como se fosse pra descontrair.

A partir de agora, eu não iria permitir que ele fizesse piada com coisas que o machucaram.
E pessoas.

— Jungkook, olha pra mim. — fiquei sério, sentindo o gatinho se mover um pouquinho nos meus braços e tomando cuidado. Jeon não contestou. Ele me encarou nos olhos. — Você seria um pai muito incrível. Independente se fosse de um animalzinho ou até de um ser humano, me entendeu?

— Eu não sei nem me cuidar, Jimin. — assim que o ouvi dizer isso, estiquei um pouco os bracinhos para entregar o gato.

— Faz o teste. Esse é o seu primeiro filho. — ele o pegou, encarando o pequeno. Sorri. — Aliás, viu as minhas mensagens? Hoje visitei o Namjoon, e ele me contou que a Hanna gosta muito de você.

— Ela é como uma sobrinha.

— Mas se você fosse tão ruim assim, nenhuma criança gostaria tanto de você desse jeito. — concluí. — Ah, e eu acho que o Limão gostou menos de mim. — estranhei, assistindo o bebêzinho tentando subir no peito de Jungkook.

— José Limão. — corrigiu, fazendo carinho. — Concorda, não concorda, pequenino?

— Nem a pau! — bati o pé em discordância. Jungkook me mostrou a língua. — Devolve.

Peguei o Limão de volta, mantendo uma expressão brava enquanto Jeon tinha um sorriso em seu rosto de quem aprontou. Deixei-o subir no meu ombrinho.

Contudo, comecei a me distrair com o meu novo filhinho. Estava muito grato, e peguei em uma de suas patinhas, brincando com ela.

— Jimin... — chamou, e eu somente murmurei um "sim?", ainda focado no animal. — Vamos passar um tempo juntos?

— O que? — soltei uma leve risadinha. — Mas a gente já... — quando encarei seu rosto, sem entender completamente. Meus olhos caíram pros papéis pequenos que ele segurava.

— Hoseok também ganhou viagens do trabalho. Só que veio errado, porque as duas acabaram sendo no mesmo dia. Uma ele vai passar com a família, a outra ele resolveu me presentear também, afinal ele sabe que eu e você estamos em um relacionamento agora. — explicava.

Travei.
Uma viagem?

— Espera, espera. — fechei os olhos por um momento, tentando encaixar tudo. Então, cheguei na hipótese: — Isso aí são pra nós dois? Passagens? Convites? Espera... — me confundi todo, nervoso.

— Sim. E são pra Ilha Jeju. Três dias. — respondeu, falando sério. — Eu nunca fui, só que você é rico e deve ter ido, então, se não quiser...

Acho que meu coração começou a bater bem forte.

— Não, eu nunca fui. — neguei. — Me lembro que os casais geralmente iam pra lá pra uma lua de mel, pelo menos antes falavam isso...

— Ótimo, por que não vamos pra nossa? Não casamos, mas quem disse que é proibido? E você sabe que eu não sou muito fã de regras.

É, meu coração batia forte mesmo.
Jungkook não estava brincando com as palavras.

— Vamos ter a nossa lua de mel em Jeju, Coradinho.




[Anotação diária: Jungkook]

Pois bem, é isso mesmo que vocês estão pensando. Essa viagem viu... Vem aí... 😏

E vem momentos boiolas também, claro. CAPÍTULOS PRA VOCÊS NÃO SOFREREM FINALMENTE!!!!! REFRESCOOOSSSS

1 - Primeiramente, gostaria de mostrar onde e qual é a bela tatuagem do gostosão:


2 - E também, pra facilitar a imaginação de vocês, é assim que imagino o novo apartamento do Jimin: (vou imaginar pra mim tbm, pq ave maria, eu quero)


3 - Gente, olhem como eu escrevo meus roteiros de capítulo, sem rir, é pq eu esqueço rápido então já anoto assim que cai na minha mente 😽👍:

Isso foi o que eu escrevi mês passado, pra vcs verem que eu planejo tudo KKKKKKK E TEM MAIS ASSIM, só não posso mostrar porque é spoiler. 🤌🏻

4 - Já me pediram sobre fazer livro de BT. Mas eu ainda não sei, até porque preciso ver como vai ser o decorrer do meu primeiro livro que lança EM OUTUBRO já. Se ocorrer tudo lindo, eu coloco a ideia de BT físico em prática!

Bom, eu espero que vocês se preparem pro decorrer. Até mais, daqui umas duas semanas por aí, eu volto.

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