[16] 나쁜 piercings.

#JiminCoradinho

NOSSA, QUASE DOIS MESES!
Eu demorei muito dessa vez, né? Perdoem a Mimi, meus limãozinhos!!!! 🫣🫣🫣

Espero que gostem desse capítulo também e COMENTEM bastante, eu amo ler tudo, dar risada e chorar junto com vocês. 💚

E espero que animem vocês, desculpa os erros.
Não consegui postar na quinta porque fiquei bem "💔" com o que rolou com os meninos e todo o escarcéu que foi. Relaxem, eles vão voltar com tudo. 💪

⚠️ AH!!!! Tem gente que me pergunta sobre a profissão do Jimin, certo? E eu digo: ELE É RICO KKKKKKKKKKKKKKK

Brincadeira, ele se formou na faculdade. Querem adivinhar no quê? Vocês irão, não nesse capítulo, mas irão e será importante pra que ele descubra seu sonho de profissão que nunca teve como explorar, pelo simples motivo de seus pais o manterem sempre na linha que queriam: herdeiro, herdar cargo do pai e etc.

Querem chutar alguma? O que vocês acham que ele poderia ser? Hihi.

Ah, e a playlist da fanfic, pra quem não sabe, está na bio! Só música boa, rs.

💚

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• LEMBRANÇAS •

[JUNGKOOK/JUN]

Eu precisava contar para o Joo.

Contar tudo e todas as coisas que o meu pai fazia. Quem sabe ele pudesse me ajudar de alguma forma.

— Por que não falta na escola hoje? — era a minha mãe, pronunciando-se no momento em que passei pela sala segurando minha mochila nas costas.

A mais velha estava sentada no sofá com o meu pai, que falava ao telefone com alguém. Apertei as alças.

— Eu gosto... Gosto de ir pra minha escola, mãe. — respondi, esperando exatamente o que recebi: uma cara fechada.

— Certo, então irei buscar você hoje. — cruzou os braços, decidida. Eu fiquei um pouco assustado.

— Vamos pra algum lugar?

— Bom, sim, para um karaokê. Você não nos disse que gosta de cantar, filho? — suavizou a expressão. Por um momento, meus olhos provavelmente brilharam. — Nos vemos na saída da escola. — e virou seu rosto pra TV novamente, indiferente.

A verdade era que ninguém naquela casa costumava ser bom comigo.

Mas na minha mente, eu tinha que me convencer que ambos eram ótimos pais.

Fiquei um pouco animado com a notícia e agradeci a minha mãe, me despedindo no mesmo lugar onde estava e só então, saindo de casa. Era visível que ela particularmente não ligava muito, mas eu gostaria de que sim.

Alguns pais eram muito amorosos com seus filhos, outros nem tanto. No meu caso, nem um pouquinho.

Quando caminhei para o lado de fora, o ônibus escolar não estava lá ainda. Talvez estivesse chegando. Sorri no instante em que percebi meu acerto em cheio, pois o transporte vinha lá no finalzinho da esquina.

Senti tocarem no meu ombro.
Era o meu pai.

— Ouvi dizer que vamos no karaokê hoje. Gosta mesmo de cantar? — perguntou, comum.

Mirei subitamente o ônibus chegando e depois voltei a encará-lo. Não gostava de ficar sozinho com ele.

Somente balancei a cabeça que sim.

— Sua voz deve ser bonita enquanto canta. Interessante a ideia. — sorriu. — Eu vou adorar ver isso, meu garotinho. — colocou a mão no meu cabelo e começou a acariciá-lo. Senti um embrulho no estômago.

O ônibus chegou e ele se afastou, sorrindo "inocentemente" enquanto acenava pra mim. Eu mal o fiz de volta, somente subi e corri para sentar no meu lugar, um pouco atordoado.

Eu gostava de cantar, mas só por ouvir aquelas palavras e encarar seu rosto proferindo-as, quase desisti da ideia.

Assim como todos os outros esportes legais e atividades que ele dizia que eu era bom, e ao mesmo tempo me acariciava de alguma forma. Não quis mais fazer nenhum.

O meu dia só piorou quando o ônibus passou do ponto na casa de Joo, onde sempre parava mesmo quando ele não ia para a escola.

Aconteceu alguma coisa?

Me preocupei bastante.

— Ei, ei. — ouvi alguém dizer, e era a criança em minha frente, impulsionado e virado para trás no banco somente pra olhar pra mim e falar comigo de repentino. — Soube que seu amigo não vem mais.

Impossível.

— Ah, não é isso... — tentei mudar, sem graça e sem crer também. — Ele vem sim, mas talvez não hoje.

— Sério? — ele ficou confuso, genuinamente voltando a estar sentado corretamente no lugar. — Espero também, ele é legal.

Talvez Joo estivesse com algum problema e seus pais disseram ao motorista para que nem sequer parassem em sua casa. E tudo bem, amanhã o veria, perguntaria o que aconteceu caso ele quisesse compartilhar.

Mas eu precisava muito contar toda a verdade pra ele. Até mesmo sobre quem sinto que realmente sou e todos os problemas que eu tinha.

Sabia que nós dois éramos apenas crianças, mas era como se Joo me entendesse melhor do que ninguém, como se estivéssemos interligados de um jeitinho especial.

E meus sentimentos por ele eram muito estranhos. Eu nunca, nunquinha entendia.

Queria abraçá-lo ao mesmo tempo em que queria apertar suas bochechas fofas, as quais costumavam ficar rosadinhas quando ele ficava com vergonha. Seus olhos eram muito bonitos e eu poderia ficar admirando-os o dia inteiro. Queria mexer em seu cabelo escuro, e tocar na sua mão tão quentinha perto da minha.

Era reconfortante.
Mas eu percebi que nunca mais poderia fazer todas essas coisas.

Joo não foi para a escola pela semana inteira.
Eu não sabia os motivos, e ele sequer arrumou um jeito de me encontrar para poder dizê-los.

E essa também era a minha pior semana, mas não que eu estivesse magoado por tudo que estava acontecendo em casa. Minha mãe me culpando por tudo, meu pai sendo o pior possível...

Só que me machucava ainda mais saber que Joo provavelmente havia me deixado sozinho pra sempre.

Eu gostaria de esquecê-lo.

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[JUNGKOOK]

Acordei mais preocupado do que o normal.

Yoongi me ligou de manhã e eu fui às pressas para o hospital ao saber que Namjoon havia realizado a cirurgia. Jimin foi comigo.

Eu estava lá, esperando que o médico falasse com o Yoon. Particularmente preferi nem ouvir, estive com medo de que alguma coisa tivesse ocorrido por conta da séria conversa repentina. Nem consegui ver nenhum sorriso.

— Não é nada, você vai ver. — Jimin tentou me acalmar, de pé ao meu lado naquele corredor de hospital quase vazio, às vezes com médicos indo de um lado para o outro por conta de seus pacientes ou qualquer outra coisa que parecia sempre urgente. Ele pousou a mão em meu braço, olhando pra mim e dando leves apertos.

— E se... — hesitei, engolindo em seco. — E se ele não...

— Jungkook, pare de pensar tão negativo. — veio para a minha frente, pegando nas minhas mãos calmamente e encarando o meu rosto aflito com tantas perspectivas ruins. — Você sabe que tem mais chances de dar certo, a cirurgia teve sucesso.

— Mas o médico disse que ele não acordou ainda, Jimin. Eu tenho medo de-

— Ele vai ficar bem, tá bom? — sua mão veio ao meu rosto.

— Namjoon nunca me prometeu que ficaria... — abaixei a cabeça, desesperançoso.

— Jungkook. — era a voz de Yoongi, tomando a nossa atenção na hora. Park afastou-se, também atento ao que ele iria nos dizer quando suspirou ao caminhar até nós.

— O que aconteceu? — perguntei, preocupado o suficiente ao ponto de surtar. — Eu posso ver o Nam hyung?

— Ele está respondendo bem, mas ainda não acordou, então... — Yoongi hyung negou com a cabeça, o que me fez ficar com o coração mais apertado do que nunca. — Não tem motivos pra entrar lá, mas se quiser vê-lo...

— E quando ele vai acordar? — me aproximei, com receio.

— Talvez até amanhã, por aí. É o que os médicos previram e o que querem acreditar também, sendo realista. Sem contar os dias que ele ainda tem que ficar de observação aqui no hospital. — contou, o que me deixou ainda mais aflito. E se ele não acordasse no dia seguinte?

— Eu disse que ia ficar tudo bem. — Jimin acariciou as minhas costas, olhando pra mim como uma forma de me acalmar. — Não precisa ficar tão preocupado, Kookie.

— Vai dar certo, irmão. — Min complementou. — Sabe que o Namjoon não iria deixar nós dois juntos sozinhos, ainda mais brigando do jeito que a gente briga.

Acabei abrindo um sorrisinho. Lembrei de quando ele nos disse que se ficássemos sós, era bem capaz de aparecermos de olho roxo. E isso desde mais novos, pra falar a verdade.

Tudo que eu mais queria agora era que o hyung acordasse e estivesse melhor. Queria lhe contar tanta coisa...

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[JIMIN]

Jungkook estava dirigindo. As horas foram tensas, ficamos aproximadamente umas duas naquele hospital, e o Yoongi conversou com o médico de Namjoon por alguns minutos bem longuinhos também.

Fiquei acalmando o Jeon, esperava que ele sempre se sentisse seguro comigo.

Agora, estive mandando mensagem para o Taehyung. O dia vai ser extenso, e eram somente onze horas.

Tete 💜🦁
| o yoongi tava como?
| bonito? seduzente? ele tem cheirinho de menta né, diz aí

Taehyung, pelo amor de Deus |
Eu vou pra sua casa, esqueceu? |
Tenho um compromisso 🤫 tô nervoso... |

Tete 💜🦁
| Jimin fala logo!!!!!!!!!
| pq ta me deixando curioso seu songo mongo????????????
| Pqp homem q cu

— Conversando com quem? — perguntou, numa boa, com as mãos no volante. Então, percebi que eu estava todo risonho lendo o que meu melhor amigo me mandava.

— Tete. — sorri, escrevendo mais. — Estamos no caminho do seu apartamento? — tentei olhar pela janela, portanto virei meu rosto para ele. — Pode me levar na casa do Taehyung?

— Assim, do nada? — me encarou brevemente, sem entender.

— É que eu tenho uma coisa marcada pra hoje. Ele vai comigo. — mordi o lábio inferior pra prender um sorrisinho bobo. Jungkook franziu o cenho.

— Consulta? — olhou pra mim em quase desespero. — Você tá com algum prob-

— Não, não! — ri. — Eu só tenho um lugar pra ir com o Taehyung, prometo que não demora.

— Ah, entendi. — ficou calmo. — Bom, tudo bem. — deu de ombros. — Eu te levo pra lá.

— Obrigado, amor. — sorri satisfeito, digitando para o meu melhor amigo de novo.

Até que ouvi um murmúrio de Jungkook, e quando lhe encarei subitamente, suas mãos apertaram um pouquinho o volante e ele prendia um sorrisinho nos lábios.

— Gosta do apelido, né? — resolvi mexer com ele. Sua expressão ficou séria repentinamente.

— Não sei do que você tá falando. — disse rápido.

— Claro, aham. — gargalhei.

Após escutarmos várias músicas na playlist de carro do Jeon, além de lhe ouvir cantando junto enquanto eu mexia no celular admirado, chegamos na frente da casa, e eu finalmente guardei meu aparelho no bolso da minha calça jeans.

— É impressionante como vocês moram em mansões de verdade. — afirmou com a cabeça, observando, ou melhor, babando no casarão do Kim.

— Se um dia a gente se casar, iremos morar em uma juntos. — falei sorridente, no calor do momento.

Jungkook me encarou, sem dizer nada, e eu me toquei que provavelmente havia imaginado demais.

— T-Tá longe de acontecer, é óbvio, desculpa, eu não queria falar isso agora, foi só... — neguei com a cabeça, desviando o olhar ao tentar me justificar de maneira objetiva, brinquei com meus dedinhos e ri de nervoso. — Não que não possa acontecer, mas é realmente muito cedo pra eu pensar-

Senti seus lábios nos meus por um segundo quando ágil, ele segurou meu queixo. Jungkook havia se inclinado pra me dar um beijinho e calar todas as minhas palavras atrapalhadas. Suspirei, olhando seu rosto pertinho do meu.

— Você é fofo. — ele me deu mais um beijinho, na bochecha. — Tem certeza que não quer ficar mais um pouco comigo hoje?

— O que é isso? Vai entrar em abstinência sem a minha pessoinha? — ri, vendo ele sorrir pra mim também. Deu de ombros.

— Talvez.

— Então o fofo é você. — peguei em seu rosto e conectei meus lábios aos seus exatamente como ele fez. Jungkook retribuiu, o que acabou ocasionando em um beijo mais extenso. Sua mão fez apoio em minha perna, enquanto a outra segurava o banco em que eu estava.

Minhas mãos desceram ao seu pescoço e ombros, me senti um tiquinho quente e não deixei de pensar no quanto seria peculiar estar com ele fazendo isso dentro do carro. Jeon provavelmente me contaminou com seus próprios pensamentos maliciosos.

Quando enlacei meus dedos em seu cabelo por um momento, ele apertou a minha coxa. Era bom saber que puxar seu cabelo era um ponto significativo nessas horas intensas.

Só que senti meu celular vibrando na calça, e Jungkook esteve com a mão bem em cima da onde o aparelho estava, parando de me beijar pelo repentino.

— Eu acho que vou atender. — abaixei a cabeça e peguei o celular, mas os dedos longos de Jeon levantaram meu rosto pra si de novo.

— Atende depois. — me beijou de novo.

Eu também não tinha a mínima vontade de parar.

Mas o celular persistia.

— Espera um pouco. — pedi, ouvindo o suspiro decepcionado do Jungkook. Peguei o que tanto tocava e ao ler o nome na tela, coloquei na orelha.

— Oi, eu tô aqui na p-

Parem de transar na frente da minha casa, caralho! — me assustei um pouco com a voz estridente, olhando pra Jungkook na minha frente que claramente também ouviu.

Ele soltou uma risada, voltando ao banco do motorista normalmente. Revirei os olhos, gargalhando em seguida também.

— Tudo bem, vou desligar, tô indo, tô indo, calma! — avisei, começando a ouvir mais reclamações do meu melhor amigo e finalizando a ligação sem esperar.

— O Taehyung ainda me odeia? — perguntou repentinamente e eu o encarei antes de ir. Ele descansou a cabeça no banco, esperando pela minha resposta.

— Não, ele nunca te odiou! — arregalei um pouco meus olhinhos, apressado em dizê-lo que não era desse jeito. — Ele é doidinho, começou a te importunar porque ficou preocupado comigo, só isso.

— Então tá tudo belezinha, não precisa se preocupar com isso, meu bem. — levou a palma até minha bochecha, acariciando-a.

Até que, nos encarando por alguns segundos bem romanticamente, Jungkook mudou o olhar para a janela do meu banco, fechando a expressão para uma provável preocupação.

— É... Jimin... Acho que se demorar mais um minuto pra ir, ele vai vir quebrar o meu carro, sem brincadeira. — então, me virei rápido, vendo Taehyung sair da própria casa e vindo em passos rápidos, ou até raivosos demais.

— Cristo! — abri a porta, saindo e me deparando com ele na minha frente, no ponto.

— Esse bandido tava te impedindo de vir aqui, né?! — me abordou, dando uma olhada furiosa em Jungkook que nos via de dentro do seu carro.

— Eu ia sair agora mesmo, seu bobão! — lhe dei um empurrãozinho. Eu não fazia ideia do que Jungkook havia feito porque eu estava de costas, mas só vi Taehyung mostrar a língua pra ele.

Me virei antes de ir, abaixando-me um pouquinho pra acenar para o meu namorado lindo, o qual estava com a mão no volante para seguir dali. Dei um "tchauzinho" e ele fez o mesmo pra mim, sorri grandemente.

— Que coisa de gay, puta que me pariu. — Taehyung resmungou, mas eu sequer dei ouvidos. Retornei à minha postura e observei Jungkook saindo com seu veículo calmamente.

Mas meu melhor amigo fez questão de vir até a minha frente, tampando a minha visão para a rua onde o carro de Jeon estava se dissipando conforme seguia.

— O que é isso? Agora quer dar fuga? Vai sair pra farra hoje só porque começou a namorar? Jimin, Jimin... Não foi assim que eu te ensinei, não, viu?! Quero detalhes do que tá pensando em fazer! — dizia, com o dedo apontado e mexendo-se descontroladamente pra mim.

— Ficou doido? Eu tô muito bem com o meu namorado. — afirmei, me exibindo e colocando as mãos na cintura. Kim revirou os olhos.

— Beleza, vamos entrar, já que é assim.

Eu segui o Kim pra dentro de sua casa, e assim que entrei, Taehyung iria direto para o quarto mas parou no meio do caminho. Sequer notei também quando chamaram meu nome no momento em que pisei na sala.

— Jimin, faz um tempo que não te vejo! — era a mãe do Tete, correndo até mim calorosamente me dar um abraço. Eu a correspondi. A mulher de cabelos loiros, magra e de olhos claros se afastou, segurando em meus ombros. — Você tá tão bonito, tem um semblante diferente nesse seu rosto, hein!

— Ele arranjou um namorado, mãe. — Taehyung resolveu contar, me fazendo arregalar os olhos quando eu não havia a contado nem sobre a minha sexualidade.

— Ah, eu sabia que essa fachada hétero não duraria muito tempo, filho. — ela brincou, encarando Taehyung com os olhos semicerrados de forma que só os dois entendiam. Meu Deus, eles eram iguais.

Mas isso me deixava aliviado e contente.
Eu gostava muito da senhora Kim também.
Quando ela aparecia, claro, pois vivia viajando com o marido e raramente com o Tae. Porém, por escolha do próprio e de sua liberdade.

Era mais como se ele morasse sozinho, afinal seus pais também tinham moradia em outros lugares, até mesmo outros países.

— Ok, vou deixar vocês em paz e irei preparar um lanche gostoso. — disse, eu fui até meu melhor amigo e ri quando vi seus olhos revirarem de tédio.

— Nós somos literalmente adultos e você trata a gente como se fôssemos dois adolescentes, mãe. — ela o encarou com um semblante sério.

— É mesmo? — usou um tom de deboche, agora, olhando pra mim e me dando um sorriso. — O Jimin não se importa com isso, pra mim ele ainda é só um bebê, olha as bochechinhas dele. — fez um bico e eu ri, completamente envergonhado com aquilo, mas achando engraçado. Em seguida, ela mostrou a língua para o próprio filho.

— Obrigado, tia Kim. — agradeci realmente como uma criancinha feliz.

Ela me mandou um beijo no ar e abriu a geladeira para começar a fazer o provável lanche. Taehyung pegou na minha mão e me levou até seu quarto rapidinho.

— Beleza, tenho boas notícias! Você checou suas mensagens hoje? — eu fechei a porta, me virando pra ele em seguida. Pensei um pouco.

— Só respondi você, por que?

— O cara da imobiliária também veio me avisar que o apartamento é seu, Jimin! — afirmou, com muita animação. — E você pode ir pegar a chave quando quiser!

— Mentira?! — a alegria me percorreu por inteiro também, me aproximei.

— Sim, você finalmente vai ficar livre dos seus pais homofóbicos! — falou mais alto, quase gritando de felicidade. Ele levantou os braços pra cima, glorificando.

Apesar de rir, meio que acabei me encolhendo um pouquinho, pensando melhor sobre as decisões que eu estava tomando e também dos motivos. Taehyung logicamente percebeu a minha insegurança estampada na face.

— O quê? — Tete se endireitou, vindo até mim. — Tá arrependido? Jimin, você fez a melhor escolha da sua-

— Não é isso... — interrompi. — É que... — ia dizer, mas parei. Talvez não fosse a hora pra atrapalhar meus pensamentos alegres com a notícia do apartamento novo somente pra deixar a negatividade me cutucar. Lhe encarei com um sorrisinho convencido. — Nada, prefiro deixar o passado pra trás.

— Nossa, é assim que se fala! — disse, orgulhoso e sorridente.

Por mais que me machucasse, eu seguiria em frente pelo meu próprio bem. Era doloroso pensar em filhos que tinham pais calorosos, onde te apoiariam por mais que não te entendessem no início, mas que nunca dariam as costas pra você.

Como por exemplo, os pais do Taehyung.
Eu gostava muito deles e sentia uma pontinha de inveja por ambos estarem sempre tão de braços abertos para qualquer decisão que o filho tomasse, até porque Tete era um adulto.

A sorte não fez as pazes comigo nesse quesito.
Mas ao menos, estava fazendo agora.

Eu tinha um namorado lindo, novos amigos e um novo lar pra ter a minha própria vida privada.

Dei um leve sobressalto, tomando um sustinho ao voltar pra realidade. Fiquei tanto tempo pensando que nem percebi que faltava pouco tempo para estar no local onde deixei hora marcada.

— Meu Deus, o meu compromisso! Que horas são, Taehyung? — perguntei preocupado, sequer relembrando do meu celular no bolso. Ele se virou, arrumando sua cama grande demais pra si totalmente bagunçada, com indiferença.

— Deve ser umas meio dia e pouco da tarde ainda. Aliás, pra onde você vai, queridão? — chegou perto, enquanto eu retirava minha jaqueta jeans.

— Eu vou pra um estúdio de tatuagens. — lhe contei naturalmente, pegando meu celular mas sentindo ele ser retirado de mim no mesmo instante quando Taehyung o puxou.

— Pro do Yoongi?! — arregalou os olhos e eu suavizei a expressão, querendo dar risada com o que ele nitidamente se importava. Peguei de volta o aparelho e guardei de novo pra poder explicá-lo.

— Não, é outro. — neguei, jogando longe a hipótese. — Se eu fosse no estúdio dele, era provável encontrar o Jungkook e não quero que ele saiba disso antes de eu fazer. Além de que também ficaria morrendo de vergonha do Yoongi.

— Espera, espera um pouco aí. — fechou os olhos e pensou bem, levantando a palma das suas mãos pra mim como se realmente me mandasse esperar. Me olhou nos olhos com confusão. — Tá. Decifra pra mim, por favor?

— Eu vou colocar um piercing.

— O quê?! — praticamente gritou, surpreendendo-se total. — Jimin, você tá... Espera, você tá brincando?!

— Não, eu quero colocar. — respondi, cruzando meus braços, decidido. — Fiquei pensando há um tempinho já. Quero mudar alguma coisa, algo mais ousado.

— Mas piercing?! — ainda sem crer, colocou em pauta. Me segurei pra não gargalhar com a sua reação, até porque eu a esperava. — Tá, calma, respira, ele quer ser ousado. — respirou fundo, prestando atenção em mim novamente logo em seguida. — Onde você quer colocar?

— Essa é a grande questão. — apontei pra ele como se acertasse na mosca, mordendo o lábio de nervoso. Eu marquei horário no estúdio, mas ainda não sabia em qual lugar do corpo perfurar a minha pele. — Eu não sei, tô em dúvida.

— Beleza, me diz quais são as opções. — mais calmo, quis me ajudar com a escolha, sentando na cama sem tirar a atenção de mim. — Nariz? Sobrancelha ou boca que nem o seu macho?

— Umbigo. — ele se levantou, surpreso de novo. — Ou... Mamilo? — levantei uma sobrancelha em pura dúvida.

— Você quer fazer um piercing no... — falou rápido demais, mal dando pra entender suas palavras. Ele parou e respirou antes de continuar. — Jimin, você quer fazer um piercing no teu mamilo?

— É uma opção... — respondi incerto e tímido, encolhidinho.

— Eu não tenho nenhum piercing, mas já ouvi relatos de que no umbigo a sua alma sai, e no mamilo, ela desaparece. — contou, "ajudando".

— Ah, pode não ser tão dolorido, isso vai de pessoa pra pessoa, não é? — pensei, dando de ombros. — Deve ser uma dorzinha gostosinha também.

— Jimin, você é masoquista? — rebateu com as mãos na cintura.

— Taehyung! — ri, não aguentando e lhe dando um pequeno empurrão, colocando a mão na boca pra rir mais.

— É sério, o Jungkook tem uma caruda mesmo de ter uns daddy kink pesado, mas você-

— Eu só quero colocar um piercing, maluco! — interrompi sua fala, repetindo meu intuito.

— E quer que eu ajude a escolher qual dos dois lugares?

— Exatamente. Fui tentar pedir ajuda na internet mas fiquei mais confuso ainda. — cocei a cabeça.

— Já pensou em colocar nos dois? — sugeriu, me encarando com curiosidade dessa vez. Parecia mais interessado do que eu agora. E de fato, não havia pensando nisso.

— Eu sentiria uma dor dupla, basicamente. Será que não vou morrer? — me senti inseguro ao máximo parecendo um patinho medroso. Ele riu, caçoando de mim.

— Não, seu bobinho. — negou com a cabeça, parecendo saber muita coisa, mas na verdade estava claro de que ele sabia menos do que eu sobre piercings e tatuagens. — No mínimo, você vai voltar pra casa sem conseguir mexer algumas partes do corpo, andando de forma dura e parecendo que foi atrop-

— Para de falar como se eu fosse sentir a pior dor do mundo! — lhe chamei a atenção, batendo o pé. — E eu tenho que estar lá às duas.

?!

— Sim, e eu tô com medo.

— Você que começou com essa loucura e agora vai ter que terminar. — afirmou, colocando as mãos nos meus ombros e chegando perto de mim. — E só porque sou seu melhor amigo e te apoio em tudo, vou fazer um piercing no mamilo também junto com você.

— Sério? — achei fofo.

— Não. — me soltou. — Acha que eu quero me furar? Eu hein.

— Você é um péssimo amigo. — fiz uma careta de desgosto.

— Por que a gente não vai agora e pede uma ajudinha pro cara que vai colocar o piercing? Ele que pode dizer se dói ou não e qual lugar seria pior pra sua primeira vez. — sugeriu e eu assenti, pensativo. — Burro foi você que não marcou no estúdio do Yoongi.

— E correr o risco do Jungkook estar lá também? Não, pior, como eu iria furar o mamilo com o Yoongi?! — automaticamente me senti muito envergonhado ao imaginar a cena. Isso nunca poderia me acontecer.

— Mas ele é profissional! Aí sim eu também furava com você. — sorriu malicioso.

— Esquece isso, é melhor a gente ir pro estúdio que eu marquei. Eles tem várias avaliações boas, pelo menos as artes que eu vi são bem feitinhas. Acho que furar é o de menos. — dei de ombros, convincente. Taehyung também não fez questão de nada, somente me acompanhou nessa loucura.

💸

[JUNGKOOK]

Mandei mensagens e tentei ligar pro Jimin umas duas vezes depois de entrar no estúdio onde Yoongi estava trabalhando.

Queria deixar o gostinho e dizer para ele a tatuagem nova que eu iria fazer, mas pensei melhor e deixei como uma surpresa, já que ele parecia ocupado demais pra me atender.

E eu nem falaria pra ele, somente lhe deixaria descobrir por conta própria. Queria ver quanto tempo ele iria demorar. Ou até quantos dias.

Cumprimentei meus colegas do estúdio paracendo que eu batia ponto lá do tanto que aparecia, e fui em direção para a sala de Min, que estava de pé conversando com alguém que havia acabado de tatuar, sentado na maca preta.

Minha expressão se fechou completamente e eu desisti de chamar o hyung no momento em que percebi que quem estava com ele, era Kim Woosung.

E ele me notou na mesma hora.
Yoongi virou-se ao notar o silêncio que aquele ambiente se tornou.

— E aí, Jungkook?! — meu melhor amigo prestou atenção em mim, deixando os objetos que segurava em cima da bancadinha preta organizadora pra tatuagem. Eu me aproximei.

— Boa tarde, hyung. — disse, educado, passando levemente a mão em seu ombro.

— Oi, Jungkook. Veio fazer alguma nova tatuagem hoje? — Woosung se direcionou à mim, ainda sentado e me encarando gentil como se fôssemos super amigos.

É o caralho.

— O tatuador é meu melhor amigo, eu não preciso necessariamente vir aqui só pra fazer uma tatuagem, Kim Woosung. — me mantive sério e direto. Ele levantou as sobrancelhas.

— Nossa, nem disse nada demais, não precisa vir com facas na minha direção. — riu após terminar, e eu revirei meus olhos.

— Beleza... Percebi que o clima não ficou tão legal. — Yoongi se pronunciou, nos encarando simultaneamente enquanto eu e o Woosung estávamos em uma troca de olhares não muito amigável. Da minha parte, na real. — Gente-

— Eu não vou roubar o Jimin de você, Jungkook. — soltou, sério. — A não ser que você machuque ele.

Ouvir isso me fez fechar os punhos e travar a mandíbula. Eu comecei a sentir raiva, e poderia atacá-lo sem problema nenhum depois de escutar essas palavras. Ele continuou me encarando, agora como se me testasse.

— Tá, eu não quero saber de briga aqui. — Min tomou a frente, ficando no nosso meio pra poder olhar pra mim. — Se controla. — disse, mais baixo.

— Ele tá pedindo, hyung. — falei entredentes, sentindo meu corpo fervendo em ódio.

— Eu vou embora. Já terminamos, né? — o Kim deu um pulo da cadeira e ficou de pé, ao lado de Yoongi. — Tu é demais, voltarei mais vezes.

— Fique à vontade, amigão. — sorriu pra ele, e em seguida, Woosung mirou o olhar em mim novamente.

— Te vejo por aí também, eu ainda tenho esperanças de você não me odiar mais desse jeito. — tentou sorrir gentilmente, mas quando iria nos dar as costas e deveria mesmo, ele parou. — Ah! Jungkook, eu queria te perguntar uma coisa, acho que você pode gostar. — dizia, serenamente como se não tivesse sido visível que iríamos nos matar minutos atrás.

— Só não se peguem na porrada, pelo amor de Deus. — Yoongi avisou e Woosung apenas riu, sem pretensão de falar merda, pelo visto e ao menos. — Bom, vou ajeitar aqui os bagulho pra tu, Jungkook.

— Tudo bem, hyung. — o vi sentando em sua cadeira e separando a tinta preta. Voltei meu olhar para o outro em minha frente.

Eu só deveria pegar mais leve? Jimin sempre dizia que Kim Woosung não era uma pessoa ruim, mas mesmo assim, esse cara me deixava realmente puto só de dizer o nome do meu namorado. M-E-U.

— O que você quer?

— É que eu queria contar pra você uma coisa muito interessante. Fiquei feliz, mas também... — hesitou, indeciso. Deu de ombros. — Não sei qual vai ser a sua reação, então...

— Eu tenho outras coisas pra fazer, será que dá pra ser mais objetivo? — tentei não parecer tão grosseiro, mas eu falhava, é claro.

— Calma, eu não quero discutir com você e nunca quis te dar motivos pra isso, na verdade. E nem é sobre o Jimin. — respondeu. Suspirei alto, ainda aguardando.

Virei o rosto rapidamente pra Yoongi, sentado, nos observando vez ou outra enquanto fazia o decalque da figura que pedi.

— Certo, mas se você for mais rápido, eu consigo responder com mais-

— Você tem contato com o seu pai?

Eu travei.
O que foi que ele disse?

— Como é que é? — eu escutei errado, era a única alternativa na minha mente.

Porque isso realmente não era da conta dele.

Ouvi a caneta de Yoongi parar com o som dos rabiscos que fazia, o que significava que até ele havia tomado um choque. O silêncio tomou conta daquela sala com vidros transparentes ao nosso redor.

— Desculpa, falei muito rápido. — riu, um pouco nervoso, inocentemente. E eu fechei os meus olhos para contar mentalmente... — Eu só queria saber se você tem contato com o seu pai ou gostaria de ter, sabe? Porque soube que perderam o-

— Você tá brincando comigo, caralho? — me aproximei dele em um passo pesado, a voz saindo entre os dentes e não soando alta, com raiva.

— Como assim? Calma aí, cara. — perguntou, confuso. — Tipo, eu queria saber se você não ficaria feliz de reencontrar ele, ou sei lá se-

— Que porra você tá falando? Como você sabe do meu pai e quem te deu o direito de falar sobre isso comigo?! — minha paciência acabou. Mais uma palavra e eu socava a cara dele.

— Por que você não iria querer saber sobre ele? É estranho, ele é seu pai e pensei que-

— Cala a porra da boca! — empurrei-o pra afastar-se de mim, começando uma provável briga caso Yoongi não levantasse na mesma hora.

— Espera, assim não, gente! — correu, entrando no meio.

— Você ouviu isso, Yoongi? — meu peito subia e descia, e meus olhos estavam repletos de ódio. Me senti descontrolado. — Ouviu as coisas que esse filho da puta quis falar pra mim?!

— Tá legal, Woosung, não é certo falar sobre coisas pessoais assim sem mais nem menos, se eles não tem contato é porque há um motivo pessoal. — disse, e eu respirei fundo, dando as costas e passando a mão no cabelo pra não perder cem por cento o meu controle.

— M-Mas eu não sabia, beleza?! Desculpa!

— Tudo bem, só vamos esquecer isso e bola pra frente, certo? — o de cabelos pretos acalmava a situação. Eu fechei os meus olhos. — Até mais, Woosung! Sobre a tatuagem, depois te mandarei os cuidados extras.

Tudo ficou mudo pra mim. Controlei a minha respiração e senti meu celular tocar com a notificação.

Coradinho 🤤
| Tô disponível!!!
| Queria falar comigo????
| Tenho novidades!!! 🤭🤭

Fechei os olhos mais uma vez e sorri o mínimo. Jimin era o meu ponto de segurança e a calmaria para os meus problemas.

— Relaxa, tá? — Yoongi surgiu na minha frente, preocupado. — Ele foi insensível ao tocar nesse assunto, mas talvez ele tenha ficado só curioso e nem sabe de nada também.

— Então me explica de que forma ele soube sobre isso, hyung. É o que não entra na minha cabeça.

— Ah, olha, você sabe mais do que ninguém como o povo da KISSB é tudo fofoqueiro, por isso nem gosto mais de ir pra lá. Deve ter rolado alguma coisa do tipo e como ele sempre fica por lá, no lugar que as pessoas mais sentam pra conversar, deve ter ouvido sobre você ou a sua família.

— Família? — lhe encarei sério, sentindo desgosto daquela palavra de referência.

— Sobre aquelas pessoas, foi isso que eu quis dizer. Desculpa. — corrigiu.

Vocês são a minha família, hyung. Namjoon, você, Jin... Todos os meus amigos mais próximos, sabe bem disso. — mantive isso em mente por um longo tempo e não era hoje que aquele pensamento mudaria.

Só que agora Jimin havia entrado também.

— Tá tudo certo, viu? Esquece o que ele te perguntou, aquele canalha deve tá bem longe em algum lugar, ou nem deve estar vivo mais. — tentou, mas eu abaixei a cabeça. — É isso que ele merece, ouviu? Além da cadeia. — assenti.

— Também não gosto de quando ele cita o Jimin.

— O Woosung? — soltou uma risada, apertando meu ombro e soltando logo em seguida para voltar ao seu trabalho. — Que namorado ciumento, hein. Aceita que o Jimin é um cara muito atraente.

— Até pra você? — o encarei feio. Ele riu de novo.

— Ah, se você soubesse, tsc. — negou com a cabeça e se sentou na cadeira. — Deita logo nessa porra antes que eu tenha a ideia de tatuar uma rola ao invés do que me pediu.

— E você vai ser morto logo em seguida, seu cara de bunda. — retruquei, rapidamente indo até a maca.

— É que ia combinar, poxa, a tatuagem é quase lá também. — me deitei, rindo de seu comentário idiota.

— Relaxa, só me deixa mais bonitão, faz favor.

— Beleza. — riu, parecendo lembrar de algo. Me encarou. — Nunca pensei que veria Jeon Jungkook sem pegar mais ninguém.

— Sou um novo homem, tô namorando, esqueceu?

— Pro cara que arrumava alguém a cada uma semana ou menos, nem imagino como se sentiu gostando do Jimin por meses sem namorar ele ainda. Nem prestava mais atenção nas garotas da boate, pelo visto.

— Tá insinuando que eu fiquei na seca? — lhe encarei, incrédulo.

— O que o amor não faz?

— Fica quietinho aí, não conheço isso. — me endireitei, deitando-me reto. — Começa logo.

— Jungkook, você só tá descobrindo o que é amor, seu atrasado. — contou, sério e divertido ao mesmo tempo. Senti um desconforto.

— Yoongi, só começa. — mandei, impaciente. Engoli em seco. — O amor machuca as pessoas. E eu não vou machucar o Jimin.

Só que eu me enganei.
Eu machucaria ele, sim.

— Não quero, na verdade... — corrigi.

— Conte pra ele. — rebateu, eu nem o encarava mais. Suspirei, entendendo completamente sobre o que ele estava falando.

— É, eu preciso.

💸

[JIMIN]

— Eu vou morrer! — choraminguei, esticado na cama do Taehyung de barriga pra cima. Dor e dor.

— Meu Deus, que drama. — ouvi sua voz dizendo, e quando virei o rosto, vi ele nos pés da cama olhando pra mim de braços cruzados. — Ninguém mandou furar teu mamilo, era pra ser só o umbigo. Mas nããão, o profissional avisou que doeria e ele deu uma de machão.

— Os dois doem na mesma proporção. Eu ia fazer só aqui no umbigo porque achei que doeria menos, mas não sei nem dizer qual foi pior. — disse, porém não arrependido.

— Ah, nem reclama. Convenhamos que você ficou ainda mais gostoso e eu presenciei. — ele se sentou. Me levantei e fui rapidinho ficar do seu lado, resmungando ao sentir uma dorzinha nos furos quando me movi dessa forma.

— Você acha que ele vai gostar? — perguntei, curioso.

— Primeiro, você tem que gostar.

— Eu sei, eu já queria mudar algo assim no meu corpo faz muito tempo, só nunca tive coragem. Me sinto livre, entende? — contei, sincero.

— Segundo... — continuou, me encarando. Eu prestei atenção. — Cuidado com a sua virgindade, Jimin.

— Ah, pelo amor! Do nada?! — reclamei, olhando pra frente e de repente suspirando ao ouvir a gargalhada do Taehyung. Bem pensado.— Nossa, nem acredito que ainda sou virgem.

— É que você foi um gay que não aproveitou a vida. — disse, e eu o encarei com os olhos semicerradinhos.

— Seu sem graça.

— Olha, não me pergunte o porquê, mas a pessoa ser virgem chega a ser excitante pra muitos caras aí e com certeza também é pro Jungkook. Ele é bem padrão hetero falso top, entende?

— Você não tá ajudando em absolutamente nada, Kim. E o Jungkook não é esse tipo de cara babaca. — cruzei meus braços. Ou ao menos tentei. — Ai, merda! — senti um raspar no piercing do mamilo e doeu, portanto voltei a ficar praticamente reto, sem movimentos.

— Como pretende contar pra ele? — se levantou animado, ficando de pé na minha frente. — Já sei! Vai tirar toda a roupa e gritar "surpresaaaaaa!"?

— Claro que não. — respondi com desprezo, vendo sua expressão murchar e ele mostrar a língua pra mim. — Eu acho que vou deixar ele descobrir... — mordi o lábio inferior ao pensar na ideia.

— Garanto que assim que o tatuado te ver, não vai dar um minuto pra ele descobrir, afinal tu reclama das dores a cada segundo. — afirmou, achando graça. Realmente. Revirei os olhos.

— Eu tenho os meus motivos, poxa, sabia que senti minha alma ir e voltar quando aquele cara me furou duas vezes? Antes do segundo acontecer, eu já sentia meu corpo todinho dormente! — totalmente dramático, lhe contei. Taehyung riu.

— Mas contudo, confesso que ficou bem bonito, hein. — levantou as sobrancelhas várias vezes, sugestivo sentando-se de novo ao meu lado.

— Eu também achei... — fiz um bico, ainda inseguro. Taehyung me deu um leve empurrãozinho no braço.

— Qual é, meu! Você é tão lindo, falta enxergar isso logo de uma vez. — dizia. Sorri, tímido encarando os meus próprios pés, balançando-os no ar. — E você tá conseguindo todas as coisas que deseja, Jimin.

— Menos o papai e a mamãe. — concluí. Meu coraçãozinho ficou um pouquinho apertado, mas nada do que eu já não estivesse acostumado.

— Esquece eles! — bateu na tecla, e eu apenas suspirei, mirando o chão, descontente. — Ei, depois dos lanches que minha mãe fizer, que tal irmos lá buscar a sua chave e entrar finalmente no seu mais novo lar?

O encarei com os olhos brilhando, relembrando de que já poderia me mudar imediatamente. Ele sorriu e eu também.

Então, meu celular fez barulhinho de mensagem.

— Meu Deus, o Jungkook me chamou umas trinta vezes! — ri, pegando o celular e olhando a tela cheia de seus "oi", "tudo bem?", "tá tranquilo aí?", "não recebeu mais nada de ameaças do teu pai né?".

— Que namorado grudento da porra, garoto! — reclamou e eu sorri, soltando uma risadinha leve e abrindo o chat. — Você gosta, né? Safado.

Bloqueei a tela, suspirando ao olhar pro meu melhor amigo.

— Sinto que ele gosta mesmo de mim, Tete. — eu não fazia ideia do que eu estava sentindo nesse momento. Era uma mistura de felicidade com alívio. — Me impressiona o quanto ele consegue me aguentar.

— O quê?! — abaixei a cabeça, esticando um pouco as pernas e continuando a balançar meus pézinhos sem tocar no chão. — Tu é que tem que aguentar esse homem desmiolado que você namora! — gargalhei alto.

— Eu acho o Jungkook perfeito. — afirmei, sincero. — Mas o que será que ele viu em mim?

— Tudo? — tentou ser óbvio, e me analisou de baixo pra cima, encarando meu rosto para finalizar. — Jimin, só você não vê o quão bonito é.

— Ah, tô começando... — assenti, sentindo um pouco mais de segurança ao dizer isso. — Jungoo me dá outra visão sobre eu mesmo.

— Isso é o mínimo de um namorado. Quase como uma obrigação. — disse e eu ri de novo. Acabei concordando.

Jungkook era um bom namorado pra mim, mesmo que estejamos apenas no comecinho.

Ele é incrível e me faz muito bem.
Ao menos por enquanto.

💸

Eu estava muito animado.
Muito, muito animado mesmo!

Havia acabado de visitar o apartamento novo. Nós ficamos apenas alguns minutos para checar, mas sinceramente foi uma das melhores coisas que me aconteceram.

Eu não via a hora de contar tudinho em detalhes pro Jungkook.

Hoje foi um dia bem agitado, e ficaria ainda mais daqui algumas horas. Nós dois iríamos pra boate, mais especificamente eu veria Jeon cantar novamente.

Nem cheguei a perguntá-lo sobre aquela música que ele escreveu pra mim, que cantou da última vez que fui assisti-lo...
Era tão romântico da sua parte. E era o que consequentemente me deixava ainda mais apaixonado.

Toquei a campainha do apartamento.
Eu usava uma jaqueta bege maior do que eu cheia de pelinhos por dentro e na touquinha, que Taehyung fez questão de me dar, porque pra ser sincero, estava beeeem frio para um fim de tarde. Não, já era de noite, parando pra pensar.

Quando Jungkook abriu a porta e me viu, eu sorri. Mas uma coisa ficou na minha mente.

Eu contava agora sobre os piercings ou disfarçava até ele notar?
Aliás, eu saberia fingir bem? Sou muito tontinho, nem sequer criei um plano.

Dava uma dor apenas se tocasse de leve. Agora não muito, após passarem algumas horas das perfurações feitas.

E tudo que recebi de Jungkook ao me receber foi um bico nos lábios.

— Poxa, por que não me respondeu? Eu poderia ter ido te buscar. — dizia, magoado, sentido. Eu ri e coloquei meus braços em seus ombros, abraçando-o. Que quentinho.

— Desculpa, Limãozinho, eu mal peguei no celular. — o dei um selinho, adentrando seu apartamento quando ele me deu total espaço. Estava animado. — Eu tenho tantas coisas pra te contar, sério!

— Agora eu fiquei curioso. Mas antes... — ele veio até mim, levando seus dedos das duas mãos até as minhas bochechas e as apertando. — Você tá a coisa mais fofinha do mundo.

— Jungoo! — a voz saiu esmagada. Ele soltou, rindo no caminho para fechar a porta.

E eu aproveitei, me sentando no seu sofá com a postura reta e as mãozinhas nos joelhos, no aguardo dele se posicionar ao meu lado pra que eu pudesse lhe contar as novidades.

Jungkook se aproximou, jogando as mechas verdinhas de seu cabelo para trás. Ele encostou as costas no estofado, relaxado.

— Hoje, eu... — me encarou atento. — Eu visitei o meu novo apartamento! E parece muito lindo a cada vez que visito ele, e olha que essa só foi a terceira vez, se não me engano! — sorri grande, soltando uma risadinha animada. Ele arregalou um pouco seus olhos e se inclinou, surpreso com a notícia. — Tenho a chave a partir de hoje e posso me mudar quando eu quiser!

— Sério? E como é dentro? — perguntou, curioso.

— A sala é só um pouco menor do que a da casa dos meus pais e ela é conjunta com a cozinha, sabe? Então é praticamente um espaço pra dois cômodos! — fui contando, mexendo as mãos ao querer demonstrar o quão grande era.

— Porra, você foi de uma mansão pra outra? A sala de onde você morava dava três dessa toca aqui! — questionou com incredulidade e eu gargalhei.

— Não fala assim, esse apartamento é super aconchegante!

— E por que não veio morar comigo, então?

Agora me pegou.
Ele perguntou na cara dura, me olhando sugestivo. Trocamos olhares por segundos, mas continuei ao virar meu rosto, um pouco sem graça.

— Bom... O Namjoon também mora aqui, né... É principalmente onde ele mora. — comentei, o que era realmente um fato. Jeon sorriu.

— Beleza, mas e o seu quarto, como é? Grande também?

— Ele é! — o encarei com entusiasmo. — Tem um banheiro e tem as paredes todas clarinhas, sabe? Além de que o Taehyung vai me ajudar a colocar um led que compramos no quarto inteirinho. Eu vou achar lindo e vai ficar como eu sempre quis mas só via em fotos!

— É muito bom saber disso, Coradinho. — disse, parecendo satisfeito. — Tô orgulhoso. Já tava mais do que na hora de você ter tudo que sempre quis.

— Eu quero te levar pra conhecer. — sugeri logo em seguida, olhando em seus castanhos escuros. — Pra ser o primeiro a vistar. Depois do Taehyung que me ajudou com tudo, é claro. — ri.

— Me leve especialmente quando estiver usando esses leds no quarto. — dizia, me prendendo no seu olhar e na sua forma de proferir as palavras. — O vermelho deixa um clima bem interessante...

— Sabia que pensaria em bobeira.

— Não posso?

— Se você quiser... — mordi o lábio, sentindo minha timidez indo embora aos poucos conforme nossos rostos se aproximavam.

— Então, vem cá. — Jungkook tomou logo a iniciativa de colocar a mão em uma das minhas bochechas quentes ao me puxar pra um beijo. Devagar, de um jeito que me fazia querer mais.

E mesmo com nossos lábios em sincronia, somente com o som dos toques sensíveis emanando pelo cômodo, eu acabei me empolgando.

Eu sabia que ele também estava no clima porque não era como se eu não soubesse que ele sempre fica. Portanto, resolvi me mexer e impulsionar meu corpo pra cima dele. No caso, coloquei minhas mãos em seus ombros e lhe empurrei até que estivesse com as costas toda no sofá.

E assim, sentei em seu colo.

Jiminzinho, o que pensa que você está fazendo?

Bom, pensando bem, ele é meu namorado, tenho que aproveitar.

Além de que, eu não podia negar que Jungkook estava gostoso com aquela calça de moletom cinza e a camiseta que mesmo larga, deixava seus músculos sobressaírem.

Eu nem sabia como minha mente estava tão fora de mim e o quanto isso afetava o meu corpinho, isso sem contar nas minhas atitudes.

Sentado em seu colo, continuei beijando seus lábios, os mordi, trazendo o inferior pra mim e soltando-o, atacando de novo. Jungkook aprovou, descendo suas mãos pra minha cintura, apertando-as um pouquinho. Gosto disso. Separei nossos lábios devagarinho, mas ainda os deixando tão perto...

De repente, me bateu a curiosidade e levei o meu indicador pro seu piercing no lábio, mexendo levemente e hipnotizado. Subi meu olhar lentamente para o seu. Jungkook estava com aquele mesmo olhar de quem poderia fazer qualquer coisa comigo se eu permitisse.

— Você é lindo... — falei.

— Você é mais. E não somente lindo. — me rebateu na hora, aproximando seu rosto e selando nossos lábios mais uma vez.

Abri os meus devagar, e o nosso beijo em si foi sem pressa, porém era como se ao mesmo tempo me torturasse.

Jungkook decidiu acelerar, me beijando com mais intensidade e me permitindo retirar a jaqueta sem pensar duas vezes, o calor estava no meu corpo inteiro.

Envolvi os braços em volta de seus ombros, sentindo ele enfiar as mãos por baixo da camiseta que eu vestia. Me tremi um pouquinho quase que por inteiro quando suas mãos tocaram minha pele, arrepiando, mas não interrompendo aquele beijo de jeito nenhum. Eu estava com borboletas em tudo, isso sim.

Oh, acho que principalmente porque comecei a sentir Jungkook excitado embaixo de mim...

Só que eu me esqueci de uma coisa. E lembrei dela no momento em que Jeon subiu as suas mãos pelo meu abdômen, acidentalmente tocando na pedrinha do meu piercing que me fez sentir uma dor indescritível.

— Ah! — resmunguei e pelo susto, afastei meu corpo do seu, ainda em seu colo. Em reflexo, coloquei a mão na boca por conta da dorzinha que se alastrou por conta do atrito e fechei meus olhinhos.

— O que? O que foi?! — preocupado, começou a me perguntar.

A dor passou rapidamente e eu respirei melhor, encarando agora um Jungkook totalmente atento em mim. Detalhe: com os lábios vermelhinhos dos beijos.

— Não foi nada, só-

— Jimin, o que você fez? — franziu o cenho confuso, parecendo com muitas perguntas em mente.

Eu me preparei pra responder, segurando-me no meu namoradinho fazendo quase o sonso, mas ele foi mais rápido.

— Eu senti alguma coisa.

Fiquei parado no lugar, em silêncio, enquanto Jungkook analisava as minhas expressões. Eu comprimi os meus lábios e tentei não desviar meu olhar do seu. Jungkook, então, desceu seu olhar pra baixo, mais especificamente pro meu abdômen coberto.

— Pode me dizer? — voltou a me fitar, atento. Mordi meu lábiozinho inferior por receio, como eu diria isso? Eu mostrava?

— Bom... — segurei na barra da minha camiseta, fazendo seus olhos pararem ali. Então, tomei coragem, afinal não fiz aquilo pra deixar escondido. — Era pra ser uma surpresa, mas eu nem pensei em como te dizer, na verdade...

Soltei uma risadinha, mas logo levantei a camiseta para brevemente mostrá-lo a minha nova aquisição. A primeira.

— Eu fiz esse piercingzinho. Não fiz no Yoongi porque temi que você iria estar lá, aí estragaria a surpresinha toda.

Jungkook não me dizia nada, somente focava a atenção ali, com as mãos pousadas um pouco abaixo da minha cintura. Me senti tímido e abaixei a roupa, ainda com as mãozinhas na barra, apertando elas com pura vergonha.

— Eu quis mudar um pouquinho, ficar mais livre pra fazer o que eu quiser e também porque comecei a achar piercing uma coisa tão bonita que eu-

Jeon nem me deixou terminar quando me cortou com um beijo forte, me dando um leve sustinho quando ele moveu meu corpo para o lado, automaticamente me colocando deitado em seu sofá. Por cima de mim, continuou, por fim, terminando em selinhos.

— Me mostra de novo... — pediu, baixo. — Eu ainda não tô acreditando que você fez isso mesmo, Coradinho, porra...

— Eu fiz... — disse, levantando a barra da minha camiseta de novo, ainda com ele por cima e entre as minhas pernas por impulso.

Jungkook se afastou, quase sentando-se, mas ainda inclinado para mim. Me analisou por inteiro, descendo o olhar até onde havia sido perfurado.

— Você só... Não pode tocar ainda. Eu furei mais cedo... — avisei. — Sabe, fui realmente corajoso hoje.

— Com certeza você foi... — senti seus dedos pegarem na barra da camiseta, como se não quisesse que eu a abaixasse. — Inclusive em mostrar pra mim assim.

Ainda parecendo imerso em seus pensamentos ao analisar, Jeon simplesmente abaixou-se e depositou um beijo no meu abdômen, perto da jóia, me dando arrepios. E mais um, mais outro ao subir...

— Espera, J-Jungkook... — coloquei a mão sobre o seu cabelo, chamando-o. Ele parou e me encarou. — O que você... Pretende fazer?

— Eu quero beijar você inteirinho, Jimin. — confessou, decidido.

— Você gostou tanto assim da minha surpresinha? — perguntei, prendendo um baita sorrisinho nos lábios. Então, sem tirar os olhos dos meus, ele veio com o corpo quente até mim e deixou nossos rostos próximos.

— Pode ter certeza de que sim, amor.

— Então talvez você goste da segunda... — começando a ficar ainda mais tímido e encolhido naquele estofado, soltei. Jungkook me olhou de cenho franzido ao não me compreender de primeira.

— Segunda?

— Sim, o meu outro piercing. — confessei, e tudo que ele fez foi praticamente como uma expressão de surpresa, incrédulo. — Eu fiz dois, por isso disse que fui corajoso. — soltei um risinho novamente, adorando aquilo.

— E onde mais você fez? No seu rostinho? — questionou ao mesmo tempo em que tentava notar algo em meu rosto, orelhas...

— Acha mesmo que eu faria algo nele? — achei engraçada a sua curiosidade. Ele me encarou.

— Você... — parou, pensando melhor. Se afastou um pouco para encarar meu corpo novamente. Até que...

Eu não me recordava que era bem possível saber que eu havia colocado um piercing no mamilo somente estando deitado. Na minha camiseta, bem no local, estava marcada as duas bolinhas do piercing. Foi quando Jeon o notou.

— Quero mostrar pra você, mas eu tenho vergonha. — segurei a barra da minha camiseta mais uma vez, sem cobrir meu umbigo pois Jungkook também a segurou. Tímido, desviei meu olhar do seu algumas vezes, mas Jeon estava hipnotizado demais no meu segundo furo do que em qualquer outro lugar.

— Senta aqui. — disse, sério, levantando-se ao se afastar por completo, sentando no sofá com as costas no estofado da forma como começamos. — Eu quero ver.

— Tá bom... — sem reclamar, comecei me levantando também e sentando-se direito em seu colo, sentindo suas mãos grandinhas em meu quadril, quase na cintura. — Mas é que, você sabe, eu tenho vergo-

— E você fez esses piercings pra nunca serem vistos? Aliás, foram dois. — resolveu frisar a quantidade. Ele levantou as sobrancelhas por surpreender-se. — Eu tô realmente surpreso e você não faz ideia de como isso me deixou com inúmeros pensamentos, Park.

— Quais pensamentos? — curioso, perguntei, tendo apenas uma pequenininha ideia do que seria ao já conhecer bem Jungkook.

E ele me fitou, secando de cima a baixo, me deixando sem nem imaginar o que ele poderia fazer a qualquer momento. Não era como se eu fosse negar, também.

— Acho que falei sobre beijar esse seu corpo inteiro, Jimin. E eu falo sério. — repetiu, assistindo meus olhares tão tímidos como uma pequenina presa.

— Bem... — olhei pra baixo, me encolhendo um tiquinho, mordendo o próprio lábio quando devagar, levantei meu rosto pra Jeon. — Você pode.

— Então, me mostra... — pediu de novo, lambendo os próprios lábios, passando a língua em seu piercing de maneira não proposital, mas que me deixava vidradinho.

— Pra isso, eu vou ter que tirar a camisa, Jungoo... — manhei, relutando.

— Mas você é lindo pra caralho de qualquer jeito e porra... — suspirou, me dando uma feição totalmente maliciosa, sem desviar. — Eu sei que é só a camiseta, mas sem roupa deve ser muito melhor.

E esse era um daqueles momentos em que eu não conseguia tirar meus olhos dos seus, era como se eles me prendessem de verdade. Jungkook os tinha não tão abertos, era quase como se ele estivesse aéreo, mas a verdade era que esse era seu olhar quando ficava, digamos que, excitado.

Estive muito afim, mas uma das coisas que mais me preocupava agora era o fato de ficar sem parte da minha roupa na frente dele. Mas isso não era um problema, certo? Afinal, pra fazer os piercings, eu precisei tirá-la, foi natural pra mim.

Mas é que...

— Tá com medo? — Jungkook se aproximou, desencostando-se e chegando mais pertinho de mim e do meu rosto. — Acha que eu posso não gostar de você sem a camiseta?

— Talvez... — fui sincero. — Sempre tive muita insegurança, você sabe... Mesmo que digam que meu corpo é bonito, ainda assim vejo defeitos nele...

— É a pessoa mais linda do mundo pra mim. — disse baixinho e me deu um beijo, passando confiança. — E eu sou seu namorado, seria impossível e inadmissível não te achar bonito. Qualquer pessoa, na real.

— Jura juradinho? — ele sorriu me ouvindo dizer isso.

— Juro. Sabe de uma coisa? Retiro o que eu disse sobre achar seu corpo lindo. — falou, e eu mal soube o que pensar quando ele apenas continuou: — Não é só isso.

Jungkook veio com seu rosto ainda mais pertinho, agora com os lábios próximos do meu ouvido. Quase suspirei, qualquer aproximação dele assim me deixava todo sem jeito.

— Você é gostoso pra caralho, Jimin. — foi quase em sussurro, me permitindo fechar os olhos. Eu particularmente amolecia todinho com suas palavras sujas. — Esse teu corpinho é tão gostoso que ainda quero muito fazer ele se cansar uma noite inteirinha. E eu tenho certeza de que ele ficaria lindo todo marcado também...

Eu nem sabia mais como era respirar.
Principalmente depois que ele me deixou um beijo no pescoço, e outro, descendo...

— T-Tá, eu... — me pronunciei atrapalhado, empurrando-o levemente para parar. Quando ele voltou a me encarar, decidi. — Eu tiro.

Ele se afastou, encostando-se relaxado ao me observar, largando meu corpo e deixando os braços também descansados. As minhas bochechas queimavam, mas eu sabia que ele gostava de me ver assim. Apertei a barrinha da minha camiseta e nem contei até três pra poder retirar, somente fui com cuidado pra que o tecido não enroscasse ou raspasse nas jóias, evitando dorzinhas chatas.

Quando terminei, deixei ela cair ao chão e passei a mão no cabelo, encarando meu corpo que realmente não me parecia tão ruim agora.

— É, acho que fiquei mais bonitinho assim. E ainda tá vermelhinho onde furou. — soltei uma leve risadinha. Mas ao não receber nenhuma resposta, encarei Jungkook.

Ele me fitava praticamente sem piscar, talvez porque fosse a primeira vez que me via sem as vestimentas de cima. Me senti envergonhado, analisando sua expressão estática e seus olhos passeando pelo meu corpo. Jungkook, involuntariamente, mordeu o lábio.

— ... Gostou mesmo? — quis cortar o silêncio, era a minha primeira vez sendo tão exposto dessa maneira para alguém. De certa forma, me senti orgulhoso.

Assim que Jungkook retornou com seus castanhos penetrantes aos meus de cores distintas, eu vi seus lábios se moverem para um leve sorrisinho de canto. E com isso, antes que eu pudesse sequer raciocinar, Jeon pegou na minha cintura com tudo e me puxou sem delicadeza pra mais perto.

E foi aí, que eu me senti sentar bem em cima de seu volume que dava pra sentir muito bem com a calça que usava.

A minha pressão ia cair desse jeito, senhor, eu nunca pensei que iria sentir nada dessas coisas e olhe onde estou...

— Olha bem pra mim. — era como se mandasse, sério, e eu obedeci assentindo com a cabeça, pousando as minhas mãozinhas em seus ombros. As suas seguravam firme minha cintura.

Meu coração pulava no quanto eu estava tremendamente apaixonado por ele.

— Eu não vou fazer nada além do seu limite porque não é o momento, entendeu? Ver você desse jeitinho me deixou fora de mim.

— Mas pode fazer... — mordi o lábio, começando a me sentir incomodado abaixo de mim. — Por favorzinho...

— Para, Jimin. — mandou, fechando os olhos de imediato quando me movi em cima dele, logo colando meus lábios nos seus.

Só que Jungkook mudou o comando de tudo de novo, me virando pra que eu ficasse deitado novamente naquele sofá, vindo por cima do meu corpo e entre ele, continuando a me beijar com mais desejo do que antes.

— Não se faz de inocente pra cima de mim porque você consegue ser tão safado quanto eu, Coradinho. — soltou, com nossas bocas raspando uma na outra, não me permitindo responder quando as juntou de novo, enroscando sua língua na minha.

Seus beijos desceram pelo meu maxilar, pescoço, e dessa vez Jungkook não parou em questão de passar sua boca pela minha pele ainda mais.

— Não p-pode encostar que dói... — o lembrei sobre os furos, sentindo seus lábios molhados selarem já abaixo do meu pescoço, perto da clavícula.

Ele chupou, a fim de realmente me deixar certas marquinhas. Jeon desceu, parando pra observar de novo o piercing, maltratando seu lábio inferior. Foi quando ele lambeu próximo daquela parte tão sensível, me arrancando um suspiro.

— S-Sério... — peguei em seu cabelo, apertando um pouquinho seus fios e provavelmente lhe incentivando a mais, pois eu sabia que ele gostava desses toques.

Jungkook depositou mais e mais beijos por todo o meu peitoral e parou no mamilo onde eu não tinha furado, somente pra lamber ali também. Aí, eu soltei um gemidinho.

Ele desceu, indo direto pro meu abdômen, me dando cosquinhas e arrepios no corpo todinho, chupando uma parte um pouco acima do meu umbigo. Me senti quase que nas nuvens, Jungkook aproximou-se mais uma vez, voltando ao meu pescoço e usando alguns de seus dedos para tocar meu mamilo livre. Eu me remexi um pouco, piorando tudo quando isso fez com que nossos quadris se chocassem.

— A-Ahh... — mordi o lábio e Jeon continuou, apertando a mão livre na minha cintura com uma força gostosa.

Parece que ele gosta de me ouvir...

— Kookie... — acariciei seu cabelo, enquanto sentia sua língua diretamente contra a pele do meu pescoço. Fechei meus olhinhos. — Eu quero f-fazer em você o que fez comigo... Quero... chupar você.

Dizer isso fez com que Jeon parasse de imediato com tudinho e voltasse com seu rosto na minha frente, me encarando.

— O que?

— Eu aprendi vendo você fazendo em mim... — disse envergonhado, assistindo seus olhos descerem para a minha boca. Notando isso, já sabia o que Jungkook imaginava. — Sei que não vou ser tão bom, mas...

— Não, não faz isso comigo... — negou com a cabeça, levando seu polegar para abrir meus lábios inchados. — Jimin, caralho, eu tô tão fora de controle agora que eu sinceramente não recomendo fazermos isso hoje, tanto porque é a sua primeira vez.

— Mas também foi a sua, Jungkook, não tem problema se-

— É diferente, se me chupar eu vou querer comandar e não quero acabar machucando essa sua boquinha linda... — deslizou o dedo nela, aéreo ao observá-la. — Se bem que seria uma delícia...

Machucar? Oh, certo, mas por que, mesmo assim, isso pareceu tão atrativo?

— Eu gostei... — me encarou. — Gostei dessas vezes em que não foi nada carinhoso comigo.

— Você faz de propósito, né? — lambi meus próprios lábios, ele travou a mandíbula. — Não faz ideia do quanto eu te quero.

Jungkook me olhava com luxúria nos olhos, e eu não fazia diferente. Ele me permitia ter tantas sensações em um único momento que eu também me sentia louco.

Nossas bocas selaram-se novamente, sem saber como isso terminaria. Estávamos em transe no nosso próprio mundo.

Ele aproximou seu quadril ao meu, gerando atrito com nosso íntimo e automaticamente me deixando pirar rapidinho ao senti-lo tão duro quanto eu. Jungkook fazia de propósito, movimentando-se e esfregando-se em mim, deixando seu rosto perto ao meu ouvido, escutando seus gemidinhos baixos.

Eu estava a um fio de pedir pra que ele tirasse toda a minha roupinha. Minha vontade era senti-lo sem nada que pudesse nos atrapalhar.

Levei minha mão sem nem pensar duas vezes pra baixo, até seu membro todo coberto.

— Ah, não, não faz isso... — disse, no meu ouvido.

— Por que? Você não vai se controlar comigo? — arrisquei. Ele veio a me olhar, passei a mão carinhosamente por cima de novo.

— Você deve tá louco pra que eu perca a minha paciência e o meu cuidado com você, né?

Quase sorri.

O único problema foi a campainha tocar, o que nos fez dar um pequenino sobressalto e nos encararmos ainda no mesmo lugar, parando com tudo. Meu coração disparou.

— Quem é? — sussurrei, afinal o apartamento era seu. De Namjoon, na verdade.

Jungkook deu de ombros, suspirando irritado quando teve que se levantar. Rapidamente coloquei a minha camiseta, sentando-me corretamente e tentando disfarçar que absolutamente nada aconteceu.

Jeon apenas se ajeitou, deixando a camisa cobrir a calça larga com o que parecia quase saltar pra fora entre suas pernas, sinceramente.

Pigarreou, também fingindo que nada ocorreu. Logo, abriu a porta.

— Na segunda campainha, eu arrombava essa merda. — rapidamente a voz surgiu em meus ouvidos e eu reconheci Yoongi, então me levantei também. — Por que não veio atender isso aqui rápido, hein?

— Bom, é que... — tentou se explicar, mas Yoongi entrou com tudo.

— Oh. — me viu, Jungkook passou a mão pela nuca. — É mesmo, você continua aqui com ele.

— Sim... Eu vou me mudar esses dias. — sorri sem graça. Acenei. — E oi, Yoon.

— Que legal, sério? — sorriu, mas antes que eu pudesse lhe dar uma resposta, ele tornou-se sério num piscar de olhos. — Ah, eu atrapalhei, né? Saquei essa aparência de quem acabou de se pegar. — olhou pra Jungkook, que deu de ombros.

— Tu sempre faz isso, não faz?

— Me respeita, eu sempre venho aqui a hora que eu quero. — se aproximou do outro.

— Claro, até o dia em que eu atender a porta peladão por ter acabado de transar. — rebateu, o que deixou Yoongi boquiaberto. Me senti vermelho mas quis rir, Jungkook era mesmo boca dura.

— Vem cá, Jimin, como você consegue? — me encarou, chegando perto de mim dessa vez e apontando pra Jungkook. — Como consegue suportar esse boca suja?

— Oras, não é como se ele não gostasse dos meus palavreados exuberantes. — se sentiu, vindo até mim também.

— Ah, às vezes ele é fofo. — soltei, mas Yoongi fez uma expressão tão incrédula que eu até repensei em estar enganado.

Fofo?! — aumentou o tom, desacreditado. Ele encarou Jungkook.

— Sim, sou muito fofinho. Tá com inveja? Hum? — cruzou os braços e levantou as sobrancelhas, estufando o peito.

— Você realmente tá apaixonado, Jimin, meus parabéns. — ele disse pra mim. — Só consigo entender você sendo fofo, ele não.

— Obrigado, eu acho. — ri. Esses dois eram hilários juntos.

— Sério, só você consegue ser muito fofinho, Jimin. — frisou.

— Que porra é essa aqui? — Jungkook se aproximou de Min, batendo de frente. — Tá bajulando meu namorado, seu talarico?

— Ah, que amor. — tornou-se manso, virando-se para Jeon e acariciando seu rosto por meio segundo antes de tirar a mão com tudo e fazer uma careta de nojo. — O Jimin realmente te adestrou direitinho.

— Como é que é? — Yoongi saiu de perto em passos apressados e dando risada, assim como eu, que tapei a boca com uma das minhas mãos. — Sua morte pode vir cedo, Min Yoongi.

— Ui, que medo. — fingiu, tremendo propositalmente seu corpo. — Vamos, vim aqui pra levar vocês pra KISSB. Hoje eu vou.

— Mentira, vai mesmo? — Jungkook ficou surpreso. — Caralho! — foi até ele e lhe deu um breve abraço, animado.

— Sei que você tem o Jimin agora, mas quero te dar um apoio extra já que ainda estamos sem o Nam. — afirmou. Jungkook assentiu com a cabeça, parando pra baixo. Eu me aproximei de ambos. — Mas em breve, ele vai estar. Quem sabe amanhã.

— Sim, a cirurgia foi um sucesso e ele vai ficar doidinho pra te ver quando se recuperar. — eu ajudei, acariciando seu braço.

— Espero que ele me dê uns trocentos sermões. Sinto falta disso. — disse, suspirando.

— Falando em sermão, o Jin também vai. — sorriu. Jungkook lhe encarou surpreso novamente.

— E a Hanninha?

— Está na casa de uma amiguinha do colégio, a mãe dela é uma amiga do Seokjin, portanto ele confia que a filha durma lá.

— Puta merda. — bateu palma, animado. — Hoje vai ser incrível!

— Isso, mas pra ser incrível você precisaria estar arrumado neste exato momento, já que deveria sair de casa daqui meia hora. — Yoongi sorriu falsamente, olhando pra Jungkook.

— O que? Mas... — procurou seu celular nos bolsos, mas nada. Yoongi tirou o próprio guardado no bolso da frente do moletom e esticou o braço, colocando a tela bloqueada na cara de Jeon. — Meu Deus, ?! Eu vou colocar a minha roupa!

— Não vai nem tomar um banho, seu podre? — Min perguntou e eu ria com o diálogo deles.

— Eu já tomei um hoje, seu fodido. — mostrou o dedo do meio pro mais velho. Ele veio até a minha frente e me deu um beijo simples, fofo. — Pode ir tomar banho e se precisar de roupa, te deixo vasculhar meu quarto como quiser, tá bom? Sei que você não trouxe muitas porque estão lá na casa dos seus pais. — me deixou um beijinho na testa após eu assentir e deu as costas pra nós, indo até seu quarto normalmente.

— Bom, eu também vou. — me endireitei. — Preciso ver qual roupa usar. — ri.

— Claro, estarei esperando vocês. — sorriu contente, sentando-se no sofá naturalmente.

Fiquei com um pouco de vergonha quando lembrei o que eu e Jungkook estávamos fazendo minutos atrás no mesmo lugar, mas estive ainda mais receoso por outro motivo.

— Yoon... — chamei, fazendo ele tirar a atenção do que digitava e olhar pra mim. Coloquei minhas mãos na frente. — Você não vai ficar estranho comigo nunca, né?

— Por que eu ficaria? — riu de um modo fofo. — Jimin, eu me atraí por você mas é passado, passageiro. Você namora o meu melhor amigo. E nem é só por isso que eu vou me manter sempre na minha, e sim porque é a minha obrigação caso você não sinta o mesmo por mim.

— Desculpa, eu realmente gosto muito de você e você sabe. — afirmei, ele apenas assentiu com a cabeça, ainda totalmente amoroso comigo.

— Isso me conforta mais do que imagina, Ji. — disse. — E olha pra isso, o Jungkook nunca foi assim desde que me conheço por gente. — riu graciosamente, sincero.

— Assim como?

— Ele tem mais força de vontade pras coisas, fica animado com pequenos gestos e repara em tudo que fazemos por ele e pra ele. — contava, portanto, abaixou a cabeça. Sua voz se tornou mais baixinha. — Quando Namjoon me disse somente algumas poucas coisas das quais Jungkook sofreu quando era pequeno, eu entendi o motivo de ele nunca ter sido o mesmo. Porque você sabe, eu o conheço desde criança e eu me lembro de como ele era. E até me emociona porque... — suspirou, me encarando. — Você faz com que aquele Jungkook volte, sabe? Eu consigo enxergar e pensava que nunca mais o veria de novo.

Sorri sutilmente com suas palavras.

— Eu... — comecei. — Não sei o que aconteceu com o Jungoo, mas eu farei de tudo pra que nunca mais aconteça.

— Sei que sim. — continuou digitando. Encarei bem seu rosto e principalmente a cicatriz que ele tinha que passava por cima do olho.

Era curioso, por mais que muitas vezes eu me esquecesse que ela estava ali.

Depois de perder tantas oportunidades, resolvi pegar essa para lhe questionar.

— Se não for muito pessoal... — ele me olhou, simples e atento. — Bom... Às vezes, eu tenho muita curiosidade de como você se machucou assim...

— Me machuquei? — ficou confuso, portanto apontei para o meu próprio rosto, perto de um dos meus olhos. — Ahhh, entendi! — riu curto. — Foi um gato, há muitos anos. Confesso ter um pouquinho de medo deles até hoje.

— Um gato?! — fiquei surpreso.

— Sim. Na realidade, havia sido uma baita briga de rua e a pessoa simplesmente do nada jogou um gato raivoso na minha cara, só não pensou que eu teria que ir pro hospital depois. — dizia normalmente, como se aquilo nem sequer lhe surpreendesse mais.

— O que?! — fiz uma careta em seguida, imaginar a cena me dava agonia. — Mas... Mas por que? Quem teria coragem de fazer isso? — de olhinhos arregalados, não via motivos pra isso e apesar da aparência, Yoongi não tinha nenhum jeitinho de se envolver em discussões, principalmente com agressões físicas.

— Quero que você adivinhe. — sorriu pra mim, como se quisesse rir. — Como sabe bem, o Nam nunca mais nos deixa sozinhos depois daquele dia.

— Não... Eu não faço id-

Mentira?

— O Jungkook?! — aumentei um pouco meu tom, totalmente surpreso. Yoongi soltou a risada que prendia.

— Sim, esse garoto era insuportável antes, não pense que ele foi esse amorzinho sempre. Na real, hoje ele é só com você. — contou.

— Cristo, não consigo imaginar o Jungkook sendo uma pessoa agressiva, e nem você!

— E não somos, só com nós mesmos. — sorriu amarelo e Deus que me perdoe, mas dessa vez segurei minha risada.

— Amor, achei a sua roupa perfeita! — tomei um susto. Jungkook disse alto pra que eu ouvisse.

— Uau, ele tá usando até apelidinhos. Por essa eu realmente não esperava. Como um carinha desses pode ser agressivo quando é tão apaixonadinho pelo namorado dele? — deu risada, voltando a olhar seu celular.

Coloquei uma mechinha atrás da orelha por vergonha, e dei as costas para ir ao quarto do Jeon.

— Ah, uma pergunta! — me virei, atento. Yoon mexeu no cabelo, sem jeito. — É que eu queria saber... Seu amigo vai?

— Quem? O Taehyung? — pensei, e quando o vi confirmar com a cabeça, um sorrisinho involuntário se abriu em meus lábios, assim como meus olhos tornaram-se semicerrados.

— Não faz essa cara, eu só fiz uma pergunta simples. — voltou a olhar seu celular.

— Claro, eu nem disse nada! — aham, sei. — O Tae vai ficar com os pais deles hoje, já que os dois sempre ficam fora.

Quando entrei, primeiramente tomei um susto com a minha mochila meio aberta na sua cama.

— Antes eu queria te dar os parabéns por ser um namorado tão prevenido. — Jungkook disse, pegando em algumas camisinhas que estavam dentro. — São muitas, quantas rodadas você vai querer fazer comigo?

Céus, certeza que foi o Taehyung!
Fechei a porta do quarto, me aproximando da cama e colocando tudo de volta na mochila em desespero, ouvindo a gargalhada dele.

— Que bebê tímido. — Jungkook me agarrou pela cintura e por trás, me dando um beijinho na bochecha.

— Por que veio mexer nas minhas coisas? E quem colocou isso tudo foi o Tae, se quer saber. — falei, um pouco bravo.

— Desculpa, neném coradinho. — me deu mais um na bochechinha e se afastou. — Olha só essa roupa que separei pra você. É uma ideia.

— Nossa, o que... — parei, fiquei um tantinho surpreso com o que ele separou.

Talvez eu nunca houvesse usado um estilo assim? Talvez, mas me deixava interessado.

O look era inteiro da Gucci. A camisa branca original com a logo era minha, assim como a calça de couro que eu nem sabia que havia trazido. Mas o que me deixou surpreso foi a jaqueta que reconheci da Gucci também, toda bordada com as jóias nos ombros*.

— Sim, é uma das únicas peças de marca que eu tenho. Na verdade, nem lembrava dessa jaqueta, mas ganhei de uma menina que era minha fã, faz tempo, e talvez agora fosse ficar um pouco apertado em mim. — dizia. — Eu acho que vai brilhar em você. Se precisar, tenho cinto e acessórios pra emprestar.

— Eu amei. — sorri grandiosamente.

— Tudo de marca, é a sua cara.

— Jungkook, não é porque eu tenho dinheiro que eu tenho que usar tudo de marca. — expliquei como já havia antes.

— Eu sei, mas fala aí, ficou bem bonitão o conjunto das peças.

— Sim, realmente fiquei apaixonado e quero muito ver em mim. — mas concluí: — E tirando a vez que saímos pra um restaurante formal e você foi de roupa jeans toda larga ao extremo, confesso que você é extremamente estiloso, Jungoo.

— Ei, aquele conjunto era especial!

— Parecia um emo panaca. — ri.

— Como é que é?

— Então, vou tomar banho! — dei as costas rapidinho com as roupas na mão, indo direto para o banheiro e ouvindo seus resmungos fofos.

Hoje eu quero ficar lindo de morrer.
Não, de matar.

💸

Se ninguém dizer que estou bonito hoje, sinceramente não sei o que há comigo.

Fora a calça que eu já não usava há uns dois anos, porque eu a senti mais apertada do que antes. O que aconteceu? Eu jurava que estava mais magro, porém do quadril pra baixo, tudo parecia só aumentar de pouco em pouco.

— Será que tô bem mesmo? — desliguei o secador de cabelo, tirando da tomada e já começando a ouvir Yoongi e Jungkook conversando mesmo com a porta fechada. Senhor, eles dois eram o duplo caos.

Guardei o objeto e penteei meu cabelo umas duas vezes rápidas, colocando o pente de volta no potinho em cima da pia. Comecei a passar as mãos nos fios loiros, observando meu rosto.

— Eu passo algo na cara ou não? — me analisei. Até que minha pele estava boa.

Não era como se eu me achasse bonito, e com toda sinceridade do mundo, sempre fui alguém que me sentia no fundo do poço o tempo inteiro, mas atualmente eu me sentia bem melhor.

— Tudo bem aí, Jimin? — me assustei com a voz de Jungkook repentinamente de perto, do outro lado da porta.

— Que susto, sim, tô saindo. Já vamos?

— Então, a real é que já éramos pra estar lá. — ele riu e ouvi Yoongi também dar risada. Arregalei os olhos, demorei tanto assim? Talvez seja impressão. — Eu tinha trinta minutos pra me arrumar e realmente me arrumei nesse tempo curto, e você...

Foram trinta também, não foram? Pelo amor de Deus, eu só tomei banho, coloquei a minha roupa e sequei o meu cabelinho!

— Uma hora e vinte minutos.

— O quê?! — quase gritei. — Meu Deus, um momento!

Ajeitei a jaqueta de couro em meu corpo com cheirinho de novo por Jungkook nunca ter a usado de fato, e respirei antes de abrir a porta pra finalmente sair daquele banheiro.

— Eu juro, sério, não imaginei que fosse demorar tanto e normalmente não demoro, só que foi involuntário! — saí me explicando, vendo somente meu namorado prontíssimo, inclusive com o conjunto lindo que comprei pra ele.

— Caralho, Jimin... — só então eu notei que Jeon encarava meu corpinho vestido com o que ele separou pra mim.

— Ah, é... — mordi o lábio, desviando o olhar. — Gostou de como ficou?

— Demais. — focou nas minhas pernas, subindo por mim inteiro.

— E a roupa que eu comprei ficou tão bem em você... — admirado, passei a olhá-lo também. Jungkook era o cara mais bonito desse mundo e eu poderia provar.

— Vem aqui rapidinho. — ele pegou na minha mão e me puxou, segurando em meu rosto e me dando um beijo. — Se eu pudesse, desistia de ir só pra ficar aqui namorando você. — Jeon depositou um beijinho na minha bochecha, fofo. — Sabia que você tem um cheirinho de bebê?

— É o meu perfume natural. — respondi, convencido.

— Não duvido. — me beijou de novo e eu sorri entre nossos lábios conectados.

Só que de repente, sua mão veio até a minha cintura, atrás, até...

Pousar na minha bunda?
Não somente isso, ele a apertou levemente!

— Jungkook! — me afastei, batendo no seu peito. Ele fez a pior cara de sonso possível.

— O quê? Oi? — perguntava, arregalando os olhos. — Não fiz nada, só quis testar um negócio rapidão. — levantou as mãos em redenção, mas seu rosto não me enganava. — E com todo respeito ao meu namorado... Mas que bunda, hein. — ameacei bater nele de novo e dei risada, fazendo ele ir para trás e dar de costas com a parede. Eu me aproximei.

— Você é um bobo.

— Por você. E qual é, já fizemos coisas mais explícitas. — depois de ouvir isso, eu mesmo fiz questão de me aproximar devagar pra beijar sua boca de novo.

Mas antes, ouvi um pigarro e virei o rosto, avistando Yoongi chegando como quem não quer nada.

— Licença, casal. Só fui beber uma água e quando eu chego, sinceramente... — chamou a nossa atenção na hora. — Jimin, você tá mesmo muito bonito, Jungkook também, mas a tensão de vocês dois é forte, sabiam? E eu não tô afim de ficar de bolo de aniversário.

— Bolo de aniversário? — Jungkook questionou.

— Sim, porque uma vela não basta. Um bolo de aniversário tem várias, principalmente se for de gente velha. — afirmou e eu ri alto.

E nesse clima mesmo, nós decidimos finalmente sair do apartamento, bem atrasados.

Jungkook iria cantar hoje de novo, mas seria apenas uma música sua, afinal iríamos aproveitar mais juntos.

Yoongi nos levou para a boate e eu senti um friozinho na barriga por perceber o local cheio desde a última vez que vim visitá-lo.

Eu não era muito fã de ficar ao redor de tanta gente, principalmente com vários olhares focados na minha pessoinha tão miúda.

Em meio à tanto movimento, Yoongi estava indo, entrando normalmente no local. Fui despertado ao notar Jungkook na minha frente com um sorriso, estendendo a mão pra mim.

— Vem, vamos entrar juntos. — disse e eu sorri, pegando nela.

Ele me guiou. Com isso, me veio um déjàvu de quando estávamos na festa do Hoseok e ele me levou pra ficar debaixo da chuva. Eu o odiei naquele dia, mas ao mesmo tempo, passando aqueles momentos bobinhos com ele até o instante em que Jungkook me levou pra provar lámen pela primeira vez, um novo sentimento surgiu dentro de mim. E não era ódio.

Mais uma vez, os seguranças sequer se importaram com a nossa entrada, já que provavelmente reconheceram Jungkook. Então, nos deparamos com aquele cara bem chatinho que vinha até nós com um sorrisão, o dono da boate.

E ao notar, Jungkook soltou a minha mão.

Oh, eu não compreendi.

— O grande Jeon Jungkook veio hoje nesse lugar tão lotado! — vinha de braços abertos, abraçando o Jeon que mal se moveu, somente sendo o mais falso possível.

— Espero que dessa vez me pague no dia certo, né? — era impressionante como Jeon não tinha papas na língua. O homem ficou sem reação.

— Ora, c-claro... — sorriu forçadíssimo.

Seu olhar parou em mim, somente acenei.

— Uau, parece que trouxe seu amigo bonito de novo!

"Amigo".
Eu encarei Jungkook, que não fez de volta.
Sensação esquisita.

Ele pareceu sem jeito, não disse nada, apenas deixou com que o homem falasse sozinho e nem eu prestei mais atenção. Tudo bem, eu não me importava, já que Jeon provavelmente não tinha que dar satisfação de nada pra um cara como esse.

Após a falação que eu sequer liguei por estar focado na música alta que tocava do provável The Weeknd, Jungkook chamou a minha atenção quando pousou a mão nas minhas costas, fazendo com que eu andasse junto dele no local, dando um leve sorriso para continuarmos.

Me senti um pouquinho intimidado quando notei vários olhares em minha direção, fixos na minha pessoa, me olhando de cima a baixo e alguns parecendo até impressionados. Nossa, eu nem estava tudo isso. Jungkook também recebia alguns.

Vi o esverdeado esticar-se um pouco em meio aos grupinhos de pessoas para ver algo. E assim, virou-se pra mim despreocupado.

— Tá sem o baristinha hoje, bora ir pra lá. — disse, e automaticamente entendi que ele se referia ao balcão de bebidas. Eu ri, sabendo do ciúmes explosivo que ele tinha do meu amigo.

O segui, tentando não esbarrar com algumas garotas que pareciam zoar uma com a outra enquanto dançavam. Haviam mais duas perto da onde iríamos, e assim que Jungkook passou por elas sem nem notá-las, ambas pararam tudo que conversavam pra encarar o meu namorado por inteiro com uma expressão que eu não gostei nadinha.

Continuei olhando pra elas com a minha melhor cara de desprezo possível e passei pelas duas, que me encararam sem entender porque eu as fitava com tanta queimação. Pois bem, saí praticamente de nariz em pé, afinal o famoso Jeon Jungkook era somente meu.

Sentei-me no banquinho ao seu lado, ele apoiou os cotovelos descansados no balcão e suspirou.

— Quer dançar? Se quiser comer ou beber alguma coisa, pode me dizer. Tem banheiro também, tem tudo. — dizia, ajeitando os óculos escuros e que lhe deixavam com um charminho extra, em cima da cabeça. Ele os pegou e pendurou na camiseta de dentro.

— Você conhece bem aqui, né? — questionei na brincadeira e o vi ficar sem graça.

— Eu devo, né? Ganho dinheiro nesse lugar. É pouco, mas eu ganho. — riu, fofo.

— Jungkook, finalmente! — uma voz conhecida veio logo atrás de mim. O Jeon saltou da cadeira rapidinho e só então reconheci a risada. Era Seokjin.

— Finalmente digo eu! — me virei para vê-los se abraçarem. — Veio me ver cantar?

— Com certeza. — respondeu, sorrindo com orgulho. — Roupa bonita, hein.

— Ganhei de presente. — me encarou, sorrindo. Provavelmente minhas bochechas se tornaram rosadas. Eles continuaram a conversar.

— Aceita bebida, gatinho? — tomei quase um susto grande com a pessoa dizendo e eu voltei a olhar pra frente, vendo um barista sorridente desconhecido.

— Desculpa, eu não costumo beber. — sorri sem graça de negar. Ele assentiu, simples e respeitoso.

— Qualquer coisa, estou a disposição. — assenti e ele se afastou, indo até a outra ponta do balcão para atender uma mulher. Era como uma abordagem costumeira.

Que bom que ele não era como aquele babaca que me parou da outra vez. Só de pensar, me dava calafrios.

— Bebê. — Jungkook apareceu ao meu lado de novo. — Me chamaram pra testar o som. Como eu cheguei atrasado, é quase a hora de eu cantar. — fez biquinho, não me transmitindo muita satisfação. — Só que eu preferia ficar hoje aqui com você...

— É só uma música, amor. Mais importante: a sua. — sorri. — Depois podemos ficar juntos o quanto quisermos.

— Ah, mas tá ligado que eu posso arranjar um substituto, né? — contou, falando sério. Ri ainda mais alto.

— Jungkook, eu quero ouvir você cantando a música que escreveu pra mim. — frisei. Eu amei a letra com todo meu coração, assim como a melodia em si. E a sua voz, óbvio.

— Tá bom, mas... — pegou na minha mão e eu as encarei juntinhas, voltando a olhar em seus olhinhos. — Prometo que volto correndo pro meu namorado assim que acabar de cantar.

— Quero ver. — sorri largamente, feliz.

Ele olhou a nossa volta, me encarando em seguida e rapidinho se aproximando pra me dar um selinho. Foi tão ágil que eu quase nem senti, e ultra fofo. Ele mordeu o lábio e sorriu, eu morri de vergonha, olhando ao meu redor também. Parecíamos duas criancinhas.

— Já volto, príncipe. — disse, dando alguns passos para trás e se afastando de mim, dando as costas por fim, sumindo ao se esquivar de toda àquela gente. Suspirei.

Jungkook me derreteu todinho somente com esse apelidinho novo.

— Bem namoradinhos vocês, hein? Os olhares um pro outro não me enganam nem de longe. — Seokjin sentou-se do meu lado. Sorri orgulhoso. — Gosto muito disso.

— Eu sou muito apaixonado nele. — admiti, não aguentando estar tendo uma explosão de sentimentos dentro de mim.

— E ele em você, deu pra ver. — falou, levantando a mão para o barista de antes que rapidamente notou e veio até nós. — Me vê um Sojuzinho? Tem? Sou muito velho pra ficar bebendo parada nova de adolescente.

O moço deu risada e eu também. Jin só deu de ombros quando o garoto novo foi pegar o que ele havia pedido normalmente. Assim, logo sua garrafa estava em sua frente com dois copinhos.

— Quer? — me ofereceu, colocando um pouco em um deles.

— Não, obrigado.

— Não bebe?

— Já bebi muito. — ri. — Tenho um péssimo histórico, acredite. — ele levantou as sobrancelhas, surpreso.

— Um docinho como você? Difícil de acreditar.

— É sério!

— Então é melhor que não beba mesmo. Só tô fazendo isso porque vim pra uma boate depois de milênios e não queria fazer desfeita. — tomou seu Soju numa boa.

— Claro, você tem toda razão. — Jin também era incrível e uma pessoa extremamente engraçada. Até suas expressões com o puro álcool da bebida tornavam-se hilárias conforme ele dava as goladinhas.

— Ok, agora fiquei com vontade de mijar. Tem banheiro aqui? Nem lembro. — olhou em volta e eu me lembrei da fala do Jeon.

— Jungkook disse que sim.

— Opa, tô indo procurar. — se levantou, quase tropeçando em seus próprios pés. — Porra de cadeira! — gargalhei.

Ele se foi, em busca de um banheiro para fazer suas devidas necessidades. Ai, é cada uma.

Suspirei o ar daquele local. Encarei as bebidas quentes e também somente para decoração nas prateleiras. A música não era tão ruim pros ouvidos, conseguia ouvir bem tudo que estava pertinho de mim.

Dois minutos foram suficiente até eu sentir alguém sentar do meu lado. Eu estava distraído e nem prestaria atenção na pessoa, só que ela mesmo me chamou.

— Acompanhando alguém ou apenas entediado? — a voz era diferente. Quem...

Eu o encarei.
Oh, era um homem aparentemente bem mais velho do que eu, simpático.
Me endireitei melhor.

Mas seu rosto parecia familiar.
Parecido com alguém?

— Não, não, eu... — diria que vim com o meu namorado? — Sim, vim acompanhado. Tô esperando a pessoa voltar, na verdade.

— Ah, que legal... — assentiu. — E qual é o seu nome? Gostei da roupa.

— Obrigado... É Jimin. — encarei seu rosto de novo, mas desviava, por me sentir um pouquinho desconfortável pela puxação de assunto repentina. — Por que?

— Então, você é o Jimin! — apontou pra mim, animado. Eu não entendi nada... — Caramba, fiquei sabendo que o Jungkook fala muito de você.

— ... Conhece ele? — franzi o cenho, confuso e sem graça.

— E quem não? — riu, eu também tive que forçar um leve sorriso por educação. — Esse garoto é muito cobiçado por aqui. Faz tempo que não nos falamos, na realidade.

— Oh, é? — me senti um pouquinho curioso, ele afirmou com a cabeça.

— Perdemos contato, sabe? Somos família, digamos assim. — contou normalmente, achando engraçado. Nunca ouvi falar de ninguém como este moço. — Mas irei conversar com ele de novo.

— Ah, sim... O Jungkook vai cantar hoje, pode ir falar com ele depois se precisar.

— Oh, que interessante. — sorriu. — Hoje eu acertei em vir, finalmente. Poderei vê-lo de perto naquele palco. — concordei com a cabeça, ainda educado. Ele fechou a expressão aos poucos, me encarando seriamente. Senti calafrios. — Posso te contar uma coisinha?

— Claro! — assenti, sem ter como dizer não. Ele era bem mais velho e eu tinha que respeitá-lo ao menos, mesmo que a conversa não fosse tão atrativa pra mim. E ele particularmente não fazia nada demais.

— O Jungkook escolheu bem. Eu sempre soube que ele era bem situado das coisas. — riu de maneira esquisita desta vez, parecendo mais como alguém com vícios em cigarros.

Mas ainda assim, não entendia o que ele queria dizer. Ele estava falando sobre a música ou...
Sobre mim?
Não, eu nem comentei nada sobre o que tínhamos em nenhum momento.

— Eu ensinei muito bem o meu garotinho.

— Desculpe? — quis que ele repetisse a fala baixa, pois poderia estar confundindo suas palavras.

— Disse que ele é um garotinho muito talentoso. — repetiu. O que era estranho, porque parecia tão diferente do que pensei ouvir antes.

— Sim, ele é. — olhei para o palco não tão distante, sorrindo.

Mas me deixava bem desconfortável o olhar daquele velho sobre mim. Quando notei, cortei logo.

— E... Qual é o nome do senhor, aliás?

— Pode me chamar de Sang. — abriu um sorriso com os dentes branquíssimos.

Fiz uma careta de compreensão e retribui tentando ser "verdadeiro".

— Mais uma pergunta... — tomou as rédeas do assunto novamente. — Um artista como ele deve sempre tomar cuidado.

Eu o encarei sem entender. Ele se mostrou sério.

— Nunca se sabe quando uma tragédia pode acontecer.

Meu coração disparou de um jeito ansioso e particularmente ruim. Eu nem o conhecia e sequer entendia suas intenções com suas palavras. Calmas, porém que pareciam intensas.

— Foi ótimo conhecer você. — soltou uma leve risada e se levantou. Não sei o motivo, mas foi um alívio tê-lo se afastando de mim.

Ainda assim, ele continuou me encarando esquisito e eu tentei acenar por respeito. Me encolhi, com muito receio e desconforto.

— Voltei! — era Jin novamente, e meu coração se tornou tranquilo pela sua presença. — Perdi alguma coisa?

— Não, mas eu acho que eles vão começar agora. — encarei o palco enquanto ele se sentava. O microfone já estava lá, e alguns homens que tocavam se posicionavam em cima.

— Meu Deus, o Jungkook é um arrasador de corações. — comentou, pegando seu Soju de novo enquanto observava a galera toda ir com a atenção ao palco. Ele virou seu rosto e me encarou após a fala. — Desculpa, eu não quis dizer nada com isso, só que ele é famosinho aqui! Mas o coração dele é seu, viu?

— Espero que sim. — sorri. Ele iria beber de novo, mas alguns pensamentos vieram em minha mente. — Jin...

— Sim?

— Ele ainda não se assumiu, né? — perguntei, e Jin me fitou. Ele pensou um pouco. — Deve ser paranóia minha, mas é que eu não sei se ele tá pronto pra isso. Imagina se todos aqui que gostam dele soubessem que ele... — parei. Soltei um suspiro.

— Talvez seja difícil pro Jungkook, não vou mentir pra você. — dizia. — Ele cresceu aqui, cantando e encantando a maioria das pessoas, principalmente as mulheres. Acho que você até soube da fama dele. Que pra muitos, ainda existe.

— É, eu meio que sei. — lembrei de tudo que Woo me disse, no começo, quando eu ainda tinha tudo contra o Jeon.

— Em meio à tudo isso, o que ele ama é a música. Ele quer seguir carreira? Claro que sim, mas o mais importante é ele nunca parar de cantar. — explicava, sincero. — O Jungkook gosta muito daqui por terem sido sempre receptivos com ele.

— E o que você acha que pode acontecer se descobrirem sobre nós?

— Eu não sei. — foi rápido ao responder, negando com a cabeça. — Mas de uma coisa tenha certeza. — me encarou firme. — Prepare-se pra ter o seu nome na boca do povo daqui também.

Meu coração acelerou. Ser comentado pelos outros me causava más lembranças, principalmente pelo fato de ter sido um belo alvo de fofocas quando pequeno.

A sensação das crianças olhando pra mim, o professor... Estava tão vívido na minha mente que eu só gostaria de apagar.

— Acha que isso é... Negativo? — perguntei com medo, me inclinando um pouco pra saber sua resposta.

— Não tem como prever, Jimin. Jeon Jungkook namorando já vai ser um baque pra muita menina apaixonadinha nele.

Concordei, me endireitando no lugar e pensativo. E ele? Como ele iria reagir se todo mundo soubesse? Sabia que não era nada fácil se assumir, muito menos quando está sob a pressão de tanta, mas tanta gente.

— Olha ele! — Jin exclamou alto, apontando para o palco. Eu me levantei também, e decidi me movimentar até pelo menos o centro do local para assisti-lo melhor. — Vamos ficar aqui, tô doido pra ver ele cantando a música que ele fez!

— Eu também. — suspirei encantado, esquecendo-me de toda e qualquer desavença em minha mente que estivesse me atrapalhando de aproveitar a noite.

Meu coração ficou quentinho quando a primeira coisa que Jungkook fez no momento em que se posicionou na frente do microfone não foi acenar pras pessoas ou vê-las. Ele olhou pra mim.

Eu acenei e ele sorriu, olhando pra trás para que os caras logo começassem. Haviam muitos gritinhos femininos, outras pessoas apenas assistiam tranquilamente.

Still With You.
A música mais linda do mundo.
Que foi escrita especialmente pra mim.

Na instrumental, dei uma olhada em Seokjin, que estava ao lado de Yoongi, o qual surgiu absolutamente do nada e acudia o mais velho, que tinha os olhos lacrimejados. Dei risadinha.

Jungkook estava brilhando com aquela roupa. E aquela voz...

Eu o amava.

Não.
O que?

Espera, calma, Jimin.
Meus pensamentos ficaram fora do controle.

Balancei a cabeça levemente para me livrar deles como um tolo, e quando voltei minha atenção para as pessoas ao redor assistindo meu namorado, meu sorriso se fechou por completo quando ao lado vi o mesmo homem que me assediou e brigou com Jungkook com as costas e um de seus pés na parede. Ele me encarava com ódio em seus olhos.

Desviei rápido, prendendo minha atenção ao Jeon de novo e também percebendo Yoongi e Jin atentos na cantoria bem próximo de mim. Tudo bem, eu estava seguro e qualquer coisa, conseguiria me defender.

Quando acabou, todos aplaudiram, incluindo eu, que fiz questão de formar um coração com as mãos em sua direção. Ele viu, sorriu e me jogou um beijinho no ar.

Certas meninas gritaram, mas eu sabia que ele havia feito isso somente pra mim. Nossa, me senti maldoso.

Passei a mão no cabelo, vendo muita gente se afastar do centro. Quis esperar Jungkook, lhe vendo descer do palco e sendo abordado por certas pessoas.

— Quer vir com a gente? Eu vou voltar pro balcão de bebidas! — Jin avisou e eu neguei, satisfeito onde estou. — Beleza, vem logo, hein!

— Tá bom. — acenei, olhando pra frente e acertando em cheio: Jungkook estava vindo até mim como prometeu, esquivando-se e talvez até esquecendo-se de falar com outras pessoas que provavelmente gostariam de uma palavrinha com ele.

Sorri grandiosamente vendo meu namorado acalmar seus passos e chegar perto, na minha frente, mas do nada uma garota se colocou no meio e eu fechei a expressão contente.

— Oie, você lembra de mim?! — perguntava, eufórica. Jungkook me olhou e a olhou simultaneamente, sem saber como reagir na hora. — Eu sou amiga da Jieun, sabe aquela vez que você escolheu ela e disse pra gente nunca abandonar você porque teríamos a nossa vez? — riu, alegre. Ouvindo aquilo, eu revirei os olhos involuntariamente.

— Então, eu não lembro, eu... — comeu as palavras, porém se endireitou. — Não posso e nem quero, sacas? Tenho que-

— Mas... Pensei que tivesse chance de-

— Tô com alguém já, portanto não me interesso em outras pessoas. — respondeu, curto e direto. Por estar de costas pra mim, sequer vi a expressão da garota novinha, mas senti que estava bem decepcionada.

Fiquei surpreso. Ele admitiu mesmo?
Isso não viraria fofoca? Jungkook sequer pensou antes de contar isso?

A menina levou um fora e eu quase dei risada por isso.

— Você tá... — a vi levar a mão na boca em surpresa. Jungkook mirava em mim toda hora, como se quisesse fugir dali e logo de uma vez. — N-Namorando? Com quem?!

Jungkook abria a boca pra falar, mas não parecia saber o quê, e talvez somente a diria que não a interessava. Por mim, tudo bem se a resposta fosse simplesmente essa.

Eu daria o tempo necessário ao Limãozinho para assumir tudo ao mundo.

Mas a resposta nem chegou.
Fomos interrompidos.

— Com quem? Essa é a grande questão... — cantarolava com as mãos no bolso, o babaca que me assediou resolveu aparecer como se fosse um valentão idiota. Sozinho, o cabelo para trás e com seus óculos. Novos, por sinal.

A coisa era que eu reconhecia o modelo, eram óculos considerados caríssimos e de edições limitadas.

Esse babaca era rico.

— Porra, não começa. — Jungkook revirou os olhos, esquivando-se da garota e se aproximando de mim. Ele ficou na minha frente, encarando o homem.

— O que? Não quer dizer pras pessoas a verdade, Jeon Jungkook? — riu, maldoso mesmo. — Ele é tão cheio de segredinhos, gente! — aumentou o tom quase em grito, chamando a atenção de muitos e tomando espaço para aproximar-se, quase formando uma rodinha.

— Jimin, vamos sair daqui. — Jeon virou pra mim, tomando o meu foco e pedindo com calma.

— E agora você vai fugir?! — soltou uma gargalhada, falso. Na minha frente, presenciei Jungkook fechar os olhos para se controlar.

— Melhor sairmos mesmo, tá? Fica calmo. — tentei deixá-lo sem surtar. Ele respirou fundo.

— Jungkook, temos que ir. — Jin chegou perto de nós, sério.

— É esse loirinho que você pega agora, meu grande Jungkook? Segunda vez que vejo vocês dois juntinhos aqui. — soltou a pergunta ácida, fazendo Jeon virar-se no automático. Vi um sorriso de canto aparecer naquele babaca.

— Eu espero que você pare de me provocar ou vai ser pior do que da outra vez. — andou em sua direção. Peguei em seu braço, levemente o impedindo de avançar mais.

— Fica na sua, eu sei que esse gatinho acuado é o seu novo brinquedinho. — afirmou com todas as letras. Eu nem precisava olhar a sua cara, mas Jungkook perdeu toda sua paciência, soltando-se de mim.

— Como é que é?

— É verdade o que eu ouvi, então? — uma voz feminina apareceu, quando vimos, era uma mulher de cabelos loiros, parecendo um pouco mais velha. — Jungkook só usou as garotas porque na verdade gosta de... Homens?

— Deve ser, não acha? — o idiota rebateu com toda confiança do mundo. — Esse aqui só usou vocês pra fingir que era o maior heterozinho de merda dessa cidade! — aumentou o tom, apontando pra todos, sendo em sua maioria, mulheres. — Não é verdade?

Encarou Jungkook, e eu também. Me senti alvo assim como ele e minha ansiedade quase atacou, mas ainda assim, suas expressões eram o que me preocupava mais.

— Isso é mentira. — Jeon ditou, não conseguindo reagir direito.

— Jungkook, se liga, você é literalmente uma farsa. Sempre foi. Não sei porque ainda te pagam pra cantar e iludir meninas sendo que você gosta sabe do quê? — bateu de frente, aproximando-se ainda mais do Jeon, que não dizia nada. — Quer que eu descreva o que você curte? — seu sorriso maquiavélico me dava medo.

— Eu quero que você cale a merda da boca! — empurrou o outro, com raiva. Ele riu, quase caindo de costas no degrau alto do palco, na altura de suas costas.

— Qual é o problema da vez, hein, caralho?! — Yoongi passou por mim rápido, indo até Jungkook e encarando o provocador. Jin, ao meu lado, quase tremia de nervoso, de medo do que poderia acontecer. — Por que não cuida da sua vida?! Você deve ter uma inveja do caralho do Jungkook, né não?!

— Mas você é outro viadinho, amigão! Deve ser ainda pior do que o garanhão aí. — levantou as sobrancelhas, ainda confiante e debochado. Vi Yoongi fechar os punhos na hora.

Tive que me aproximar daqueles dois, tomando a pior coragem da minha vida pra ficar na frente de ambos.

— Vamos embora, esse cara definitivamente não vale a pena nem dar atenção. — aconselhei, mas Jungkook avançou sem eu saber o motivo e na hora, segurei-o colocando meu braço na frente.

— Se olhar pra ele desse jeito de novo eu arrebento essa sua cara! — Jeon apontou o dedo, perdendo o controle. Ouvi a risada do assediador e me virei, suspirando cansado de tanta confusão.

— Sua vida deve ser péssima. — sem medo, neguei com a cabeça em sua frente. — Tenha certeza de que ninguém gosta de você, não duvido que até a sua família não te suporte.

Sua expressão fechou completamente, chegando perto de mim em dois simples passos. Não saí do meu lugar.

Mas a mão do meu namorado empurrou brevemente o idiota, afastando-o de mim.

— Um dedo nele e você vai sangrar.

Pra ele, era como se ouvir isso fosse satisfatório, chegando a soltar um riso que dava pura raiva. Sua energia era pesadíssima.

— Viram só? Ele defende o namoradinho, galera. — sorriu para as pessoas atentas ao nosso redor. A música estava baixa, como se fizessem de propósito somente pra haver uma briga e que todos ali presenciassem.

— Eu não acredito nisso. — uma garota deu as costas, totalmente insatisfeita.

— Olha só, hein... — o idiota riu da nossa cara, principalmente da de Jeon, que pareceu confuso olhando à nossa volta. — Percebeu como agora ninguém mais vai prestar atenção em você e ouvir a bosta da sua voz?

— Chega! — Yoongi passou por nós e rapidamente lhe avançou um soco no rosto com força, depositando toda sua raiva pelas palavras sujas ditas.

— Acha que me bater vai adiantar alguma coisa, caralho?! — o outro gritou, irritado com a violência.

— Me satisfaz pra caralho, isso sim! — Yoongi também se alterou, lhe dando mais um com vontade e deixando as pessoas murmurarem surpresas. Não quis mais assistir.

Jeon não dizia nada, e quando o notei encarando as pessoas, fiz o mesmo. Além dos que focaram na briga, haviam tantos, mas tantos olhares tortos em nossa direção, em Jungkookie...

Nem ele parecia entender, e eu só me toquei sobre a situação quando encarei seu rosto e tive meu coração partido.

Seus olhos estavam cheios.

— Jungoo... — não importa o que as pessoas diriam, eu somente tentei chamá-lo de volta, mas ele sequer me olhou, se afastando e dando as costas.

Jungkook saiu em passos muito apressados dali.

Eu reparei na briga de Min com o imbecil daquele cara e jurei pra mim mesmo que a minha vontade era socar seu rosto assim como o tatuado fazia, sendo parado por alguém que lhe puxou.

Mas tudo que eu pensei foi em correr atrás do Jungkook.

— Jimin, ele... Ele... — Jin mal respirava direito, confuso, mal. Tinha lágrimas escorrendo em seu rosto. O abracei.

— Calma, vai ficar tudo bem. — ele concordou com a cabeça, me apertando forte. Nos separei. — Eu vou atrás dele e qualquer coisa te aviso.

E iria, porém, Jin pegou no meu pulso, querendo me avisar de algo.

— Não deixa o Jungkook se fechar de novo, por favor... Ele ficou tão brilhante naquele palco, eu consegui ver o quanto ele estava feliz...

— Nunca. — garanti, e me aproximei novamente. — Jamais vou deixar ele voltar a ser como era antes.

— Aquele Jungkook invencível nunca foi ele, Jimin...

— Eu sei. — vi sua expressão triste. — Pode deixar comigo.

Saí daquela barulheira, desviando de pessoas e olhares sobre mim. O que fazia meu coração e minha mente entrar em um turbilhão de emoções por lembranças do passado, medo, receio de tanta fofoca. Aquilo desencadeava totalmente a minha crise de ansiedade.

Deu tudo, tudo errado agora.

— Ei, espera! — alguém pegou no meu braço, e era uma menina, mais baixa do que eu e de cabelos bem compridos. A encarei e lhe vi me fitar de cima a baixo com um olhar debochado. — É sério mesmo que você influenciou meu homem a virar gay?

— Como é? — não compreendi suas palavras duras, e ela suavizou a expressão, revirando os olhos. Cruzou os braços, parecia uma mimadinha qualquer. Estive sem paciência pra isso, sinceramente.

— Sabia que eu posso fazer de tudo pra te afastar dele, né? Meu pai é um tantinho rico, sabe, ele pode comprar vários caras pra te deixar longe do Jungkook. — dizia com naturalidade. Aquilo foi a gota d'água.

Soltei o ar impaciente e simplesmente me aproximei dela sem pudor, olhando em seus olhos como nunca antes com alguém.

— E eu posso comprar a sua casa e todas as outras que seu pai sonha em ter. — ela fechou o sorrisinho convencido. — Garanto que a quantia que eu oferecesse pro seu papaizinho, ele venderia até mesmo a filha.

E dei as costas, farto daquele lugar tóxico.

Agora eu corri, me encontrando logo fora da boate, não vendo ele em lugar nenhum. Me aproximei de um segurança.

— Com licença, você com certeza conhece o Jungkook, posso saber pra que lado ele foi? — perguntei, totalmente preocupado. O homem assentiu.

— Acredito que por ali, jovem. — apontou e eu agradeci umas três vezes antes de sair em meus passos apressados pra direita.

💸

[JUNGKOOK]

Dos meus olhos, nada saía mais além dessas malditas lágrimas.

Eu mal sabia o que estava fazendo, era pra literalmente socar aquele rosto infeliz até que ele perdesse a consciência.

Lembrei de Jimin.

Isso só me fez arrastar meu corpo até o chão naquela parede, dobrar as pernas, juntá-las em meu corpo e abraçar os meus joelhos, abaixando a cabeça.

Chorei mais.

Eu não merecia o Coradinho.

Porra, ele era tão corajoso pra aguentar esse tipo de coisa. E eu, com meras palavras e olhares me senti derrubado.

E se ninguém nunca mais quiser me ouvir?

Por que a minha orientação sexual era tão importante?

Eu me bloqueei tanto por todo esse tempo e quando consigo uma faísca de esperança, ela é destruída mesmo que indiretamente.

Limpei as lágrimas com as mãos, sozinho no escuro, em um corredor sem saída e com lixo bem na minha frente, do outro lado.

Meu celular vibrou.

Era Jimin.

Eu deixei tocar.

Coradinho 🤤
| Jungkook por favor
| me atende, eu tô desesperado :((((
| atende por favor
| ou me diz onde você está
| Amor, por favor, eu tô muito muito preocupado
| Você sabe que me tem, eu quero ir até você
| Sempre vou
| Por favor :(
| Meu limãozinho :(

Meus olhos doíam. Mais lágrimas saíam.

E se eu nunca tivesse coragem de me expor pro mundo assim? Minha vida era cercada de pessoas prestando atenção em mim, e se eu construísse qualquer carreira, seria ainda mais intenso. Milhares de vezes mais.

Minha garganta me matava enquanto eu digitava, mandando minha localização e deixando meu celular de lado logo em seguida.

Era decretado, antes eu dizia que não tinha nenhum ponto de paz além da música.

Isso antes de eu conhecer o Jimin.

Minutos depois, tentando recuperar toda a minha calma e não obtendo nenhum sucesso, ainda sentado no chão sujo e abraçando meus joelhos para esconder meu rosto, ouvi passos atrapalhados que corriam em minha direção.

— Jungkook, meu Deus! — meu coração quase saltou pra fora quando ouvi a voz que tanto esperava. Era Jimin, e devagar, levantei a cabeça.

Eu não queria que ele me visse assim nunca, mas meu coradinho já havia me visto chorar quando descobri sobre Namjoon. O encarei, sem jeito nenhum de dizer qualquer coisa e o rosto todo molhado.

— Oh, meu amor... — seus dedinhos vieram contra a minha pele e ele tentou secar minhas lágrimas, pegando um pouco do pano da jaqueta para tentar fazer isso melhor. Eu só conseguia olhar pra ele. — Nada do que aquele idiota disse é verdade. As pessoas ainda vão ouvir essa sua voz linda, e não só elas. Muita gente ainda vai conhecer o seu trabalho, entendeu? É só continuar sendo você.

Senti mais uma lágrima descer, porque cada vez que meu pequeno falava, mais meus olhos se enchiam.

— Eu não gosto de te ver chorar. — disse, deixando sua mão em uma das minhas bochechas, acariciando. — Apesar de que você fica atraente até dessa forma. — sorriu, me fazendo abrir um mínimo sorrisinho também.

— Desculpa.

— Pelo quê? Você ficou assustado, não tem problema e eu sei me cuidar, tá? Pode só não parecer. — falou. — Jungkook, não precisa ter pressa pra se assumir. O mais importante você já fez e com a maior facilidade do mundo, que foi contar para as pessoas que te amam. Seus amigos. No caso, a sua família.

Não aguentei, meu queixo tremeu e eu comecei a chorar mais. Jimin, no mesmo instante, me puxou pra um abraço, me cobrindo com seu calor inexplicável. Sua energia era tão boa e pura que me acalmava, mesmo que eu soluçasse de tanto chorar.

— Lembra que eu tô aqui, sou seu fã número dois depois do Namjoon e sempre quero cuidar de você também. — senti seu cafuné, calmo ao respirar melhor. Ele pegou em uma das minhas mãos, entrelaçando nossos dedos e me fazendo olhar para o ato. — Meu limãozinho é muito precioso, sabia?

— Eu sou um péssimo namorado. — acabei por dizer, fazendo Jimin me afastar de si e fitar minha face. — Desculpa.

— Escuta, você é o melhor pra mim. — afirmou. — Sabe há quanto tempo uma crise minha não faz efeito? Pois é, desde que comecei a me apaixonar por você.

Olhando assim pra ele, o quanto ele era especial, parecia nem fazer sentido o motivo pelo qual ele me escolheu.

Dessa forma, Jimin aproximou seu rostinho do meu, sentindo minha respiração perto da sua e roçando nossos narizes. Sua boca veio em encontro com a minha, beijando-a docilmente. Ou um pouco salgado por conta das lágrimas.

Beijá-lo era a oitava maravilha do mundo.

Separou nossos lábios, me deixando calmo e não tirando meus olhos do quão perfeitinho ele era. Seu sorriso abriu, o que fez com que seus pequenos olhinhos diferentes um do outro praticamente fechassem. Eram os mais lindos.

Não.
O Coradinho em si é a pessoa mais linda do mundo.

E olhar pra ele me fez perceber algo.
Talvez eu já esperasse isso, mas o Jungkook inabalável de meses atrás jamais imaginaria.

Acho que era muito mais.
Muito mais do que estar encantado, apaixonado.

Era um sentimento que me machucou muito.
E eu não sabia nada sobre.

Todo mundo sabe que, apesar de eu nunca ter confiado tanto no amor, eu amava música.

Só que acabou que,
Park Jimin se tornou a minha.




[Anotação diária: Jimin]

O menino Jungkook já aprendeu a amar?
Porque mamar ele sabe.
KKKKKKKKparei, tive que lançar 😜

Pai do Jungkook tá indo de canto em canto, perceberam? Ou não notaram que quem abordou nosso Coradinho na boate foi ele? Quanto ao pai do Jimin, ele tá bem quietinho... Enfim.

Próximo capítulo, tenho medo de quantas palavras vão ser porque esse foi umas 15k, e na próxima vai rolar muuuuita coisa E BOA VIU TBM? Upa lelê que Jiminzinho não é santo nem nada, vão ter que terminar o que começaram 🥵🥵🥵

Se liguem nas vestimentas do Coradinho safadinho citadas que já existem:

* A roupa do gato na boate:


E essa é a jaquetinha fofa de pelinhos que ele foi pro apartamento do JK (e dps teve pegação rs):

Coisa fofa da mamãe, nem parece que mandou logo um "quero te mamar 😳😳😳"

É isso, gente! Planos de DATA pra próxima att? SIM! Quando batermos 300K, ou 350K. Então, se virem, podem compartilhando com os friendos que eu quero ver. 💪 DUVIDO
(meu sonho é bater uns 500K e lançar logo 2 capítulos de uma vez.)

Qualquer dúvida sobre a fanfic, história ou etc, podem perguntar aqui que eu respondo tudo, só não dou spoiler, hehe.

FELIZ MÊS DO VALE PRA VOCÊS 😜😜😜🤏🏻🤏🏻 tudo boiola que eu sei, amo meus bebês.

Preencham meu formulário na bio sobre intenção da compra do meu livro em Setembro, por favor!! E coloquem o número de vcs no espaço em branco ou o email, é muitíssimo importante pra mim! 🥹💜

Até breve. Kisses da Mimi. 🫣

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