[09] 나쁜 eyes.
#JiminCoradinho
Comentem, leio tudo, hehe.
Quero saber das teorias de vocês porque esse capítulo rendeu!!!!
💚💚💚
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• LEMBRANÇAS •
[JUNGKOOK]
Ensino Fundamental.
— Isso dói... — resmunguei baixinho. Tentei me endireitar no banco do ônibus escolar assim que ele parou, olhando pela janela enquanto me incomodava somente em pressionar uma parte das minhas costas no estofado.
— Jun! — ouvi a voz conhecida, então soube que ali era a parada onde ele ficava esperando o transporte chegar. Era a sua vez de entrar e se sentar ao meu lado, e foi o que ele fez com um sorriso no rosto, mas o qual eu não consegui prestar tanta atenção como costumava.
Ele largou a mochila em seus pés, e me encarou ao que tentei dar pelo menos, o meu melhor sorriso.
— Tudo bem, Jun? — perguntou, confuso e desfazendo devagar a sua expressão contente. — Sua cara tá palida...
— Eu tô bem. Mas e você, Joo? — perguntei também. E foi como ter lembrado de algo, pois ele simplesmente pegou sua mochila em um tom de verde limão e pegou seu anel de um dos bolsos.
O nosso anel de amizade.
— Quase esqueci de colocar, mas estou bem, sim. — sorriu pra mim, deixando de lado a mochila e colocando o acessório em seu dedo indicador. Então, após vê-lo fazendo isso há alguns dias, decidi perguntar.
— Por que você não fica com ele no dedo? Você sempre acaba colocando quando chega aqui... — Joo não pareceu tão confortável e quase me arrependi de ter lhe questionado.
— Ah... — olhou para sua mão pequenininha, analisando o anel. — Na verdade, é uma história boba, mas meus pais são meio chatinhos. — riu. — Eles não me entendem tanto quanto você, Jun, mas isso não é importante.
Quando Joo sorriu, senti mais segurança em saber que ele estaria bem em relação ao que me dizia. Ele fazia parecer com que aquilo realmente não fosse relevante.
— O que será que o professor de matemática vai passar hoje? — descansou suas costas no banco e suspirou, fazendo uma caretinha em seguida de desgosto. — Acho que tô indo ruim demais na matéria.
— Eu também. — ri.
— Por que não senta direito nesse banco, doidinho? — então, brincando comigo, Joo me deu um tapinha nas costas, não sendo agressivo.
Contudo, foi bem onde já estava dolorido.
Eu resmunguei, tentando não fazer nenhum alarde e choramingando baixo com a dor pertinente que eu já havia me esquecido. Joo rapidamente desencostou-se e prestou atenção em mim.
— O que foi?! Eu te bati muito forte? — preocupado, questionou e eu apenas neguei com a cabeça antes que ele dissesse qualquer outra coisa.
— Não foi nada... — levei minhas mãos aos meus próprios joelhos e os apertei a fim de me distrair totalmente da dor que aumentava. Era recente, de hoje. — Eu tô bem.
Me ajeitei e passei a mão no cabelo, respirando fundo, me mantendo discreto.
— Jun... — chamou, baixo e realmente com preocupação em seu tom. Eu lhe encarei e ele me encarava de volta com aqueles seus olhos em um tom castanho, e o outro verdinho, o tornando diferente dos outros meninos.
E mais bonito também.
— Por que você tá machucadinho? — quase fez um bico, ficando tristonho e levando seu olhar até o meu braço, com seu cabelo pretinho quase caindo em seus olhos. Eu não compreendi. — O seu bracinho, quando você foi arrumar seu cabelo, eu vi...
Joo pegou em meu pulso e deslizou a manga pra baixo minimamente. Foi então, que eu percebi do que ele estava falando: um pequeno hematoma.
— O que? Isso? — rápido, puxei a manga novamente e encarei o meu amigo, desejando mudar de assunto. — Joo, e-eu-
— Aconteceu alguma coisa? Alguns meninos da escola mexeram com você? — falou baixinho, não querendo que mais ninguém ouvisse. — Eu não vejo ninguém mexendo com você, e te acho sempre quietinho além de ficar comigo, mas vai que-
— Não é isso, n-não foi ninguém. — neguei, falando a verdade. — Sabe que não entro em brigas, eu só... Bati e caí sem querer, desculpa. — abaixei a cabeça.
— Mas por que quis esconder isso assim de mim? Poxa... — fez um bico ainda maior que antes, decepcionado comigo. Eu o olhei e neguei novamente.
— Eu não escondi! É q-que... — um pouco nervoso pra falar sobre isso, tentei contornar a situação que eu mesmo acabei deixando passar, causando sua preocupação. — Eu mereci um pouquinho... Não foi por mal...
— Ficou doido?! — então, pareceu bravo comigo, cruzando seus braços magrinhos expostos pela camisa branca com certos detalhes do uniforme. — Por que você iria merecer bater em alguma coisa feia e se machucar sem querer? O que quer que tenha acontecido, não foi culpa sua! Não foi você que escolheu tropeçar ou bater o seu bracinho e as costas! E eu queria estar lá pra xingar o objeto ou até mesmo o chão que fez você cair.
Ele realmente parecia bravo, mas não comigo dessa vez. Eu sorri, achando fofa a sua expressão e em como havia alguém que se importava comigo desse jeito. Me senti agradecido, também.
Joo era muito especial pra mim. E eu esperava que ele não me abandonasse, porque talvez eu fosse precisar dele mais tarde, quando coisas assim acontecessem comigo novamente.
Eu tinha medo.
De muita coisa.
E deles.
Doía, sim.
Mas tudo parecia doer menos quando Joo se preocupava comigo ou quando ele sorria genuinamente pra mim.
Eu só não fazia ideia de que ele seria a primeira pessoa a me abandonar.
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[JIMIN]
Jungkook saiu de cima de mim em um pulo, como se saísse de um transe. Eu também, imediatamente me levantei da cama junto à ele e me encontrei em um aparente desespero.
— Jimin! — meu pai chamou de novo, desta vez mais alto. De repente, ouvi mais passos fortes e apressados se aproximarem da minha porta.
— Amor, o que aconteceu? Nosso filho dormiu, deixe ele em paz por hoje. — defendeu, simples. Mas meu pai resmungou, começando a discutir com a minha mãe.
Corri até o meu armário, rápido, e o abri tentando fazer o máximo de silêncio. Jungkook me encarava de olhos arregalados e tudo que eu pude insinuar era que ele deveria se agachar e entrar ali, apontando para o lugar vago ao lado dos meus sapatos de marca, no meu guarda roupa que por nossa sorte, era grande e espaçoso.
Sem pensar duas vezes, Jeon veio e se escondeu, então eu fechei a porta pedindo ao meu querido Deus, umas setenta vezes seguidas, pra que meu pai não resolvesse verificar absolutamente nada e nem que Jungkook sequer fizesse algum barulho.
Caminhei até a porta com a roupa que estava, abrindo-a e me mostrando apenas pela metade. Tentei demonstrar cara de sono, fechando um pouco os meus olhos. Céus, eu definitivamente era muito ruim em fingir.
— Quando você chegou? — com o cenho franzido e a expressão repleta de impaciência, me questionou. Mamãe estava atrás, segurando meu pai levemente pelo braço e me olhando também.
— Há um tempo. — respondi, apertei um pouco minhas mãos na porta, receoso. Desviei o olhar. — Eu... Estava dormindo.
— E por que a porta trancada?! — aumentou seu tom. — Por acaso resolveu trazer alguém pra cá? É o que pessoas da sua índole costumam fazer, não? Trazer caras ou mulheres para a casa escondido dos pais, mas nem pra trazer uma mulher você deve servir!
— Não é nada disso, amor! — minha mãe interviu, mas foi ignorada.
— Eu não faço esse tipo de coisa. — falei, conviccto. Por mais que eu estivesse fazendo, mais ou menos isso. Portanto, tomei mais coragem pra me pronunciar. — E tranquei a porta justamente pra você não vir me importunar.
— Como é? — incrédulo, tentou uma aproximação, portanto eu fechei a porta um pouco mais por segurança e medo. Minha mãe o puxou com calma, meu pai bufou. — Você se acha esperto, não é?
Fiquei calado, eu só queria que ele fosse embora de uma vez por todas e me deixasse realmente em paz.
— Então, veremos quem vai rir por último. — com um sorriso sacana, se afastou da porta, caminhando com a minha mãe para o devido quarto. E vi ele a dar um leve empurrão ao fazê-la soltá-lo também, o que me machucou por dentro.
Fechei a porta, suspirando em alívio, mas também a tranquei de imediato. É óbvio que a trancaria, eu nem imaginava o que meu pai poderia fazer caso encontrasse Jungkook aqui comigo. Dois homens juntos em um único quarto, algo que ele abominaria totalmente mesmo que fôssemos apenas bons amigos.
Não, mas nós realmente somos...
Nem percebi o barulho do meu guarda-roupa sendo aberto, portanto vi Jungkook sair dele e passar a mãos em seu cabelo, colocando os fios para trás. Talvez estivesse calor lá dentro. Me aproximei.
— Desculpa... — pedi, com medo de que Jeon não quisesse mais falar comigo. — Eu não queria te incomodar com o meu pai e-
— Não, não tem problema. — sua mão veio ao meu rosto e eu travei automaticamente. Soltei o ar em quase susto, sentindo sua palma em uma das minhas bochechas. — Seu pai sempre te trata desse jeito?
Assenti com a cabeça, sem conseguir falar direito, me perdendo como se eu estivesse nas nuvens de seus escuros olhos lindos.
— Eu não gosto. — disse, alheio. Pareceu engolir seco. Por que ele parecia tão incerto de repente? — Eu não gosto da forma como ele trata você.
— Você já vai embora? — perguntei logo em seguida, de repente e sem querer. A verdade é que eu não queria que ele fosse. Queria sentir seu calor por um tempo mais prolongado.
— Quer que eu vá? — questionou, mas antes que eu pudesse responder, Jungkook retirou a mão do meu rosto como se saísse de um transe e suspirou, voltando a falar: — Bom, eu vim ver como você estava, na verdade. — começou a gesticular, explicando-se. — Fiquei com medo de, sei lá, ter alguma dessas suas crises que eu ainda não entendo, mas-
— Fica. — peguei em sua mão suavemente com as minhas duas, o fazendo parar e me encarar na mesma hora. Ele olhou para o toque, e então novamente, para mim. — Pelo menos mais um pouco. Eu atrapalho você? Ou, sei lá... Sua noite?
Jungkook deu mais um passo em minha direção e ficou bem perto, me fazendo paralisar como sempre. Ele negou com a cabeça. Segundos depois, seu sorriso mostrou-se galanteador.
— Acha que eu não percebo como você fica quando me aproximo desse jeito?
Meus olhos se arregalaram um pouco, não era possível. Mas como eu havia dito, sempre fui muito ruim em tentar fingir alguma coisa.
Acho que só conseguiria em coisas extremas... Ou nem isso.
Porque Jeon Jungkook era o extremo pra mim.
— Eu quero te levar em um lugar esse final de semana. — mudou o assunto, não me permitindo contestar o outro. Se bem que, eu não tinha nada a dizer contra um fato.
E ele estava me deixando maluco com sua mão indo de encontro com a minha bochecha novamente para acariciá-la.
— Onde?
— Um lugar especial pra mim. Acredito que tenha ido lá uma vez, mas isso não importa. O que importa é que vá comigo, principalmente pra me ver. — disse, com um sorriso. Portanto, seu rosto se aproximou da minha orelha em um susto. Meu coração provavelmente errava algumas batidas e pra piorar, Jungkook simplesmente deixou sua mão grande cair em um lado da minha cintura. Ele sussurrou e eu fechei meus olhos: — Você vai gostar, Coradinho.
— Eu vou... — respondi tão baixo que nem sei se ele ouviu, mas voltei a olhar pra ele quando se afastou.
O moreno com mechas esverdeadas se sentou na minha cama sem problema algum, acomodado. Eu ainda continuava no mesmo lugar, intacto, apenas observando o que ele fazia e tentando reproduzir na minha mente tudo que aconteceu em tão pouco tempo.
Por que eu estava tão quente de novo? A causa era mesmo o Jeon? Com certeza. Olhei pra qualquer outro móvel do meu quarto.
— Nossa, você gosta de mangás e essas coisas do tipo? — o ouvi, assim como o som de páginas sendo folheadas. Provavelmente Jungkook achou algum que eu tinha e que havia deixado acidentalmente em cima da cômoda.
— Jungkook, eu... — mordi o lábio em hesitação, ele nem me olhou até então. — Preciso ir no banheiro, é rápido.
Andei em passos apressados tentando não fazer barulho e abri a porta, a fechando por fim e caminhando na direção de um dos banheiros de casa, que felizmente um deles, o menor, era colado ao meu quarto.
Merda, eu precisava me acalmar.
Fechei a porta e respirei fundo, meu rosto queimava, era óbvio. Me olhei no espelho pequeno em cima da pia e comprovei o que havia dito com as minhas bochechas explícitas.
— Que droga, Jimin, por que ficou assim? Você não é mais adolescente!
Ao me questionar baixinho e com raiva, a resposta parecia vir involuntariamente na minha cabeça. Era como se eu pudesse sentir Jungkook no meu ouvido de novo e pegando na minha cintura com a mão tatuada.
Só que... Eu também imaginava o que poderia ter acontecido quando estávamos na cama se meu pai não tivesse atrapalhado.
E aquilo só piorava a minha situação.
Eu sentia um frio na barriga e comecei a me sentir incomodado demais com as sensações que meu corpo demonstrava.
Apoiei minhas mãos na pia e decidi respirar fundo, tombando a cabeça e fechando meus olhos. Mas me arrependi totalmente ao que por um momento reparei no meu próprio corpo falando comigo.
Levantei brevemente minha camisa e notei que estava explicitamente excitado. Eu senti aquilo, mas não queria aceitar de jeito nenhum, até ver com meus próprios olhos.
Eu estava e muito, droga.
E que vergonha, parecia um garotinho cheio de hormônios.
Aquilo de certa forma me incomodava e eu não sabia o que fazer com Jungkook me esperando no quarto e ao mesmo tempo, a vontade de me aliviar. Eu não faria isso, acho que sequer conseguiria na situação que me encontrava.
A porta foi aberta de repente e eu escondi minha ereção como um louco, tentando abaixar minha camisa ao máximo e fingindo a minha pior cara de sonso.
Quis socar a cara do esverdeado por um minuto porque o desgraçado estava simplesmente entrando no meu banheiro sem a mínima vergonha na cara e fechando a porta.
— Você tá bem? — pareceu preocupado. Eu abri a boca algumas vezes sem pensar em nada e não encontrando o que falar.
— Tô. — desviei meus olhares com a sua aproximação, Jungkook falava sério e eu só queria que ele saísse do banheiro para evitar de ver a minha atual situação vergonhosa.
Era definitivamente a pior de todas.
— Olha seu rostinho. — seus dedos seguraram meu queixo, levantando minha cabeça e me encarando. — Tá vermelho por quê?
Não conseguia dizer nada.
Jungkook, não segure meu rosto assim...
— Eu fiz alguma coisa? É... Uma crise sua? — falava sério. Eu neguei freneticamente com a cabeça e isso fez com que eu me afastasse de sua mão quente.
— Jungkook, por que entrou no banheiro sem nem checar se eu estava usando? E se eu estivesse... E se... — não terminei, porque por mais que eu estivesse tímido, a situação me deixava irritado.
— Ah, eu não pensei que demoraria pra mijar, então-
— Meu Deus, você é um sem noção! — soltei o ar, dando as costas pra um Jeon tentando explicar a sua falta de modos. Meu momento também não era dos bons, de fato.
— Mas que caralhos, Jimin, eu só pensei que-
Sua voz aumentou e sendo rápido, corri até Jungkook e tapei sua boca com uma das minhas mãos.
— Ei, meus pais estão dormindo, esqueceu?! — falei o mais baixo que pude, por mais que meu nervosismo me deixasse pilhado.
Retirei minha mão quando percebi meu ato, voltando a olhar para qualquer lugar que não fossem seus olhos perfurando a minha alma.
— Desculpa, coradinho.
— Dá pra parar de me chamar assim?! — gritei em um sussurro, fazendo ele segurar a risada e assentir. Dei as costas, me apoiando na parede fria. Eu ainda escondia o que mais me perturbava, mas logo melhoraria, estava quase.
Ambos em silêncio, senti uma sensação tremenda de alguém que estivesse me encarando com atenção. Ah, eu ainda não vestia quase nada.
— Você tá olhando pras minhas pernas? Já disse pra não fazer isso. — virei meu rosto, vendo seus olhos encontrarem os meus rapidamente.
— Quem disse que tô olhando pra elas e não pra outro lugar?
Demorou alguns segundos pra que minha mente raciocinasse o que Jungkook quis dizer com aquilo, mesmo soltando um "brincadeira" depois, mas...
— Jeon, você não presta! — avancei em cima dele, batendo em seu peito com um soco fraco.
— Opa, sem agressão física! — Jungkook afastou meu braço e pegou na minha cintura, me empurrando até estar de costas pra parede.
De novo, não.
— Bom, eu aceito xingamentos. — falou baixo, perto de mim. — Mas só na cama.
— O que você quer? — resolvi rebater.
— Você que me pediu pra ficar. — levantou as sobrancelhas, dando de ombros e mantendo um sorriso folgado. — O que quer que eu faça, meu bem?
— Só não fica assim... — pedi, desmantelando-me rápido em suas mãos.
— Assim como?
— Jungkook, você sabe... — encarei suas mãos na minha cintura e voltei aos seus acastanhados de novo. — É estranho...
— Estranho ou você gosta e não quer admitir?
Eu gosto e não quero admitir.
— Jimin, você tá corado e consequentemente quente. — afirmou, o que era verdade naquele momento em questão. Seus lábios foram pra pertinho da minha orelha novamente, e eu sabia que nada disso iria prestar mais. — Eu te deixo desse jeito?
— Jeon... — saiu em um suspiro, quase como um gemido e eu queria me crucificar por isso. Foi inevitável, além de ter sentido sua respiração e claramente seu sorriso sacana aparecer.
— Você gosta de mim, Jimin? — seus lábios ficaram visíveis pra mim, voltando a estar com o rosto perto do meu.
Aquela pergunta me pegou, e eu não seria capaz de respondê-la se eu estivesse em meu estado normal. Mas agora, eu só queria sentir mais dos seus toques e do seu calor, e também gostaria de ser sincero, já que tudo estava indo por água a baixo mesmo.
— Eu acho que sim... — mordi o lábio, observando o dele se mover vagarosamente, o piercing bem no meio do inferior que senti vontade de por um segundo, beijar.
— Então, sinta-se correspondido. — nossos lábios juntariam-se, pois estávamos tão perto que eu quis fechar os meus olhos, mas não o fiz ainda, porque o que ouvi me deixou em um pouco de choque.
Como ele gostava de mim da mesma forma? Essa pergunta ficaria matutando na minha cabeça por muito tempo, eu só não tinha muito disso agora, porque eu me sentia em puro êxtase. Não, nem lhe respondi.
— Você já beijou um cara, Jimin? — questionou, então neguei com a cabeça. Ele sorriu. — Eu seria o seu primeiro?
E foi aí que eu tive a comprovação absoluta de que Jeon Jungkook estava prestes a me beijar, portanto meu coração começou a bater muito forte.
Mas quase lá, ele pareceu travar. Então, notei: seu celular tocava em seu bolso, estava vibrando.
Ele o tirou de forma ágil e quando leu, se afastou de mim, como se entrasse em alerta. Droga, volta...
— Espero você no seu quarto, mas acho que... — me olhou por inteiro, parando em um local específico: minhas partes de baixo. — Você precisa lidar com algumas coisinhas primeiro. — sorriu maliciosamente pra mim e saiu do banheiro, sem mais, nem menos.
Ele me viu desse jeito.
Eu me odeio.
Eu não falo palavrões com frequência, mas que porra! O que eu faria com a minha ereção? Eu simplesmente bateria uma enquanto o culpado por isso estaria no cômodo ao lado? Ficava um tempo aqui até parar de pensar nele? Mas e se eu voltasse e ficasse duro de novo?
Arrastei minhas costas na parede até o chão, tentando descobrir o que eu poderia fazer agora e morrendo de vergonha.
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Tive que cuidar disso sozinho e rápido.
Voltei para o quarto, totalmente envergonhado e ainda vermelho por isso, querendo me enfiar em algum canto, mas tudo que encontrei foi um Jungkook lendo um dos meus mangás favoritos, Haikyuu.
Quando me notou, imediatamente sorriu maliciosamente como da última vez.
— Já acabou? Nossa, nem demorou.
— Vai se ferrar. — disse, incrédulo com a forma que ele me dirigiu as palavras. Como Jungkook conseguia ser tão sem vergonha?
— Nossa, tô te treinando bem. Daqui a pouco o santinho começa a falar vários palavrões. — disse, me observando caminhar na direção da cama. Ele sentou mais para o lado, me permitindo ter um espaço vago.
— Eu deixei você pegar nos meus mangás? — o encarei ao meu lado, de braços cruzados.
— Desde que gostamos um do outro, sua obrigação é ao menos dividir suas coisas comigo.
— Quem disse? — debochei, mas assim que ele me encarou pra fazer uma careta, eu me recordei.
Jungkook disse que sente o mesmo por mim.
— Você gosta de mim? — perguntei logo, sentindo meu coração acelerar. Mas a resposta veio tão rápido, apenas com um balançar de sua cabeça.
— É. — me olhou, simples. Será que seu coração batia tão forte como o meu agora? — Por que? Agora que sabe disso, quer que a gente comece a namorar?
— Namorar? — me assustei, ficando sem palavras e ficando vermelho de novo rapidamente. — N-Não é isso, n-nós-
— Eu quero namorar com você. — soltou, sem mais. — Eu quero, você quer, Jimin?
Certo, esta era a beira da loucura.
— Jungkook, o que... — raciocinei, muito mal por sinal. Pisquei por certos segundos, enquanto o moreno continuava focando em mim sem pudor. — Você acha q-que somos duas crianças?! Ou adolescentes no ensino médio? Como você me pede em namoro do nada-
— Ah, entendi. — sorriu, e eu já previa sua próxima gracinha. — Acho que você é fã de pedidos de namoros mais românticos ou então, do casal ter se beijado primeiro, ter rolado um primeiro encontro ou... — se aproximou, mirando na minha boca, somente pra falar baixinho: — Terem ido pra cama juntos antes. — afastou-se, ainda sorrindo.
— N-Não é isso... — desconcertado e piscando em certos segundos por mais vezes seguidas do que o necessário, olhei para as minhas próprias pernas esticadas. Controle-se, Jimin.
— Quer ir em um encontro comigo, Park? Agora, eu falo sério.
— O que? — aquilo me pegou de surpresa, mas Jungkook continuava sempre intacto, como se não reagisse tanto quanto eu.
Ou como o meu coração reagia.
Ele gostava mesmo de mim ou só estava brincando comigo?
— Sim... — aceitei, engolindo seco. — Eu quero tentar.
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Acordei com inúmeras mensagens não lidas de Taehyung na tela do meu celular, contando com algumas ligações perdidas.
Tete 😸❤️
| JIMIN
| ME DESCULPA
| você está bem? me ligou por qual motivo???
[01:04]
| Eu não fui pra casa ontem, acabei bebendo e logo depois eu recebi uma proposta pra posar em um lugar mto bom que eu queria muito te contar!!!!
| Desculpa, não queria te deixar sozinho :(
| fui irresponsável e capotei assim que cheguei
[11:34]
| vc não tá com o jungkook né? diz que não
| desculpa :(((((
| e bom dia, desculpa...
[11:47]
| eu te amo :(
[12:00]
Eu mal abri os meus olhos, pegando no aparelho e também me deparando com uma mensagem do Jeon, além das outras recentes que ignorei por certos segundos do meu melhor amigo porque eu ainda estava, talvez um pouco — ou muito — ressentido.
Limãozinho 🙄
| Bom dia, coradinho. 💚
[12:03]
Bom dia, Kook... |
[12:21]
Limãozinho 🙄
| é isso mesmo que eu li?
| um apelidinho pra mim????
| que fofo
| posso te ver hoje?
[12:23]
É claro que eu adoraria ver Jungkook hoje, por pura vontade própria. Mas eu também acabei lendo uma das últimas mensagens de Woosung, então deduzi que ele havia falado sobre a loja nova que abriu, a qual gostaria de me levar.
Eu sabia que ele gostaria de ser mais próximo de mim, e particularmente, era muito fofo da sua parte.
Woo ☺️
| Jiminnnnnn
| Hoje estou de folga! :))))))
| Queria saber se vc tá afim de sair comigo... naquela lojinha lá, vc sabe né?
[11:04]
Oiii Woo |
Hoje mesmo? |
[12:24]
Woo ☺️
| Isso! E boa tarde! 🥳
| Você pode?
| olha, tudo bem se houver um compromisso...
| não quero atrapalhar!!!
[12:26]
Não não, eu vou sim! |
Também pq preciso sair de casa 😅... |
[12:27]
Woo ☺️
| Ohh, certo
| Então, posso te buscar aí? que horas??? Faço questão!
[12:27]
E foi assim que eu simplesmente resolvi aceitar o pedido dele. Literalmente, neguei Jungkook sem nem ao menos entender o por quê.
Talvez eu esteja muito ansioso com toda essa situação dele dizer que gosta de mim e agora, eu esteja fazendo várias coisas de um jeito bem impulsivo. Incluindo evitá-lo. Tenho dó das minhas bochechas toda vez que Jungkook chega perto de mim ou direciona suas palavras para o confuso loirinho que sou eu.
Limãozinho 🙄
| ñ gostei do vácuo
| :(
[12:35]
Desculpa... eu tenho um compromisso. |
[12:36]
Limãozinho 🙄
| Compromisso? Com quem?
[12:36]
Um amigo... |
[12:37]
* Chamada de voz iniciada por
"Limãozinho 🙄" *
— Que susto! Por que do nada tá me ligando? — perguntei, tentando não falar muito alto.
— Bom dia, flor do dia, posso saber por quem você vai me trocar hoje?
— Isso não é uma competição e você não é a única pessoa que eu conheço. — me fingir de difícil era uma fuga ótima no momento, ao meu ver. Ouvi sua risadinha irônica através da ligação. Apesar de tudo, eu havia sido sincero.
— Kim Woosung?
— Oh. — me surpreendi um pouco. — Ele te contou? Tipo... Vocês se conhecem, né?
— Pelo jeito é com ele mesmo. — suspirou. — Não me subestime, viu? Eu posso facilmente chegar na sua casa rapidinho e te impedir de sair com esse baristinha.
— Nem ouse! — aumentei meu tom, um pouco assustado. E de fato, Jungkook poderia arriscar se quisesse. Eu que não. — Meu pai vai me matar e matar você junto.
— Nah, aposto que ele vai me amar. — eu consegui imaginar seu sorriso ladino. Revirei meus olhos.
— Preciso ir, ainda tenho que encarar os meus pais.
— Tudo bem, qualquer coisa é só me chamar. Menos quando estiver com o barista, porque você não iria querer me ver com ciúmes.
— Você? Com ciúmes de mim com o Woo? — ri pouquinho, levando minha mão na boca. Eu ainda não acreditava.
— Já disse pra não me subestimar, Coradinho.
Sorri.
No fim das contas, Jungkook era um fofo, mas só certas vezes.
Confesso que sentia vontade de tentar algo com ele. Certo, eu me rendi. Isso é ruim?
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[JUNGKOOK]
Desde que voltei pra casa, estive me sentindo um louco. Louco demais pra pensar em coisas tão absurdas.
O que? Eu correspondo ao Jimin? Da onde eu tirei essa merda?! Aquilo definitivamente saiu sem a minha permissão.
Agora ele sairia com Kim Woosung.
Mas que porra aquele cara quer logo agora? É um péssimo momento.
Eu me importava.
E me importava pra caralho, isso é loucura.
Eu não sou assim. E nunca seria.
Esparramado no sofá da sala, fui perturbado do meu cochilo gostoso quando Namjoon jogou uma almofada certeira na minha cara. Dei um pulo e me sentei.
— Tá, já entendi que você chegou! — bufei, cruzando os braços enquanto encosto as costas no macio. — O Yoongi saiu?
— Foi trabalhar. — colocou as chaves em cima da mesa, retirando o casaco, dobrando-o em suas mãos. — E você não fez nada? Era de se imaginar.
— Por que você me trata assim, hein? Nem me deixou responder. E eu acordei há pouco tempo!
— Enfim. — pigarreou. — Estava com o Jin, algumas coisas na sorveteria estavam atrasadas e confusas, portanto resolvi ajudar.
— Como assim "atrasadas e confusas"? Isso é algum tipo de desculpa? Achei que ele conseguisse tomar conta de tudo. — questionei, levando o olhar sério do mais velho até mim. Suspirou, dando as costas no primeiro momento após isso.
— São coisas de trabalho, você provavelmente não entenderia.
— Tá, que seja. Mas Namjoon, agora é sério. — falei, lhe vendo parar no meio do caminho e brevemente virando-se para me encarar com sua cara descrente. Coloquei meus pés pra cima do sofá, ainda mais folgado, e estive firme nas palavras. — Posso conversar com você?
— Sobre? — rebateu rápido. — Já te deixo avisado que não ajudarei com garotas. — revirei os olhos.
— Não é sobre isso, chato. — respondi, sincero. Talvez agora ele me ouvisse. — Pode se sentar aqui pra eu conseguir falar direito?
Ele franziu o cenho, estranhando a situação. Contragosto, se aproximou de mim e deixou o casaco dobradinho no braço do sofá, sentando-se ao meu lado com a atenção voltada somente a mim. Estava me aguardando começar.
— Bom... — desviei os olhares. Certo, estar um pouco nervoso como no momento não era bem uma questão que eu pensei que enfrentaria.
— Jungkook. — disse, me fazendo encarar seu rosto preocupado. — Você fez alguma merda feia?
— Não, não, não é isso! — neguei freneticamente, sua face pareceu mais descansada. Virei meu corpo pra ele, ainda com as minhas pernas em cima do macio, quase me encolhendo. — Eu queria entender um pouco o que seria ser bissexual.
— Você é bissexual? — seu tom aumentou e eu neguei rápido.
— Não, mas que merda! Só... Sei lá, me responde. — impaciente, repudiei.
— Certo. — respirou fundo. — É sentir certa atração por dois gêneros, o feminino e o masculino, eu acho.
— Acha? Então você também não sabe.
— E por que me perguntou isso?
— Porque eu também queria saber se... Eu posso continuar sendo heterossexual mesmo se... Tipo, eu sentir por um milésimo segundo... — Eram mais do que segundos, mas neguei pra mim mesmo. Namjoon escutava atentamente, eu parei e ele continuava na expectativa. Até pareceu uma leve mistura de preocupação, desconfiança e talvez muita confusão em seu rosto. — Mesmo se eu sentir a vontade de beijar um cara?
— O que? — seus olhos se arregalaram. — Você-
— O que custa só me responder?
— Mas eu não sei! — confuso, realmente respondeu. — Acho que seria só uma curiosidade, não sei.
— Deve ser isso! — afirmei com a cabeça e estalei meus dedos, concordando. Namjoon ainda me encarava desnorteado.
— Você gosta de alguém, Jungkook?
— Não. — respondi, sério.
— Mas... — ele parou na hora, suspirando e soltando um riso curto. Eu não entendi. — Ai, céus. Esquece.
— Tá tirando uma com a minha cara? — perguntei, querendo saber o que era tão engraçado assim.
— Eu só quero que saiba de uma coisa, Jungkook. — levou sua mão em meu ombro, apoiando-a ali e me encarando. — Viva sua vida da maneira que quiser, tá bom? Só não se prive de saber quem você é de verdade.
— Pode traduzir esse cacete? Não entendi bulhufas. — levantei as sobrancelhas, confuso. Namjoon simplesmente colocou a mão no topo da minha cabeça e bagunçou meu cabelo, me dando um sorrisinho.
— Te amo, entendeu? Você sempre vai ser meu menininho rebelde. — riu de novo, saindo do sofá e me deixando com cara de paisagem. Que porra era essa?
Mas ele soltava uma dessas, às vezes. Namjoon chegava pra mim depois ou antes de sair de casa pra algum lugar e dizia claramente que não se arrependia de ter me feito morar com ele. Que era meu melhor amigo e a minha família independentemente se eu o tratasse do pior jeito possível.
De tempos em tempos, eu achava que Namjoon me dizia essas coisas porque iria embora e nunca mais voltaria. Talvez fossem os meus traumas de abandono, mas por mais que eu não o contasse, eu realmente não queria que ele fosse embora.
E antes mesmo que eu abrisse a minha boca para questionar, a porta foi aberta.
— Cheguei, meus queridos. — a fechou, era Yoongi, retirando os sapatos. — Credo, parecemos até uma família.
— Sim, você e o Namjoon como um casal, e eu como o filho de vocês. — disse, brincando. Yoongi me fuzilou com o olhar antes de prosseguir.
— O engraçado é você reconhecer o irresponsável que é. Sem emprego e sem rumo por enquanto, realmente a criança da família.
— Eu odeio vocês, sinceramente. — me levantei do sofá, passando por Namjoon que começou a procurar pelo seu notebook perdido.
— Jungkook. — me chamou, solenemente. O encarei e percebi seu caminhar em minha direção. Chegando bem próximo de mim e dizendo: — Vi o Jimin hoje mais cedo. Mesmo sendo ricasso, acho que ele mora até perto daqui.
Arregalei um pouco meus olhos e o segui quando ele passou adiante, até o meu quarto, de frente pra cama.
Olhando pra trás e vendo um Kim ainda confuso enquanto se levantava, prestei atenção no que Yoongi queria me dizer, mas ele nem pareceu tão entusiasmado.
— Por que pareceu tão interessado? Quer saber por onde sua presa anda? — cruzou os braços, com as sobrancelhas levantadas e de frente pra mim.
— Claro, é o meu trabalho. — dei de ombros, Min revirou os olhos sem paciência.
— Não foi nada demais, eu só vi ele voltando pra casa com uma sacola de compras. Talvez estivesse comprando roupas para se encontrar com outra pessoa, e confesso que adoraria se fosse por isso mesmo.
— Ah, já sei até quem ele ia encontrar. Mas aquela hora? — minha expressão desanimada demonstrou tudo. Respirei fundo e somente compreendi.
— Eu não tenho certeza, ele só foi em uma loja pelo visto. Mas como assim? Ele vai mesmo encontrar alguém? E você sabe quem é?
— Sim, é o barista da boate. "Amiguinho do Jimin". — mudei meu tom de voz juntamente a uma careta na última frase.
— E isso tudo é ciúmes ou faz parte do seu joguinho?
— Faz parte do meu trabalho. — sorri, simples. Menti. — Ontem mesmo eu estive com o Jimin e o pai dele me mandou mensagem dizendo que era pra eu começar logo, que ele já estava impaciente com o loirinho. Fiquei de boa, sabe por quê? Sabe no que resultou?
Fiquei empolgado, diferente do menor tatuado na minha frente, apostando muito mais naquela cara de tédio, esperando a minha continuação "magnífica".
— Fiz ele admitir que gosta de mim e disse que era recíproco. Até falei sobre namoro. — soltei, um pouco baixo pois a porta continuava aberta. Yoongi começou a ficar um tanto boquiaberto.
— Como é que é?
— Mas o melhor é o seguinte: eu e o Jimin marcamos um encontro. — mordi o lábio inferior. — Ele já se sente bem comigo, talvez esteja caidinho demais por mim, então não tem nem como eu perder essa.
— Pra mim já deu. — Min tentou passar por mim com raiva em sua atmosfera, mas eu o peguei pelo braço. Ri, quebrando o clima. Na verdade, eu tentei.
— Calma, não é como se eu estivesse matando alguém.
— É sim. — raivoso, retrucou. — Eu não quero nem imaginar como o coração dele vai ficar depois de toda essa sua enganação suja. Acho que você não tem nem ideia de como é ter o coração estilhaçado por alguém e ainda mais sendo sua primeira relação com a verdadeira orientação sexual que você tem. O garoto acabou de se assumir e um puta idiota egocêntrico que só pensa em dinheiro quer simplesmente brincar com ele.
Sem entender completamente o motivo de toda essa fúria, tentei pará-lo, calmo e raciocinando pouco:
— Yoongi, por que...
— Jungkook, você é mesmo muito burro. Você pode ser meu melhor amigo, mas eu não posso passar a mão na sua cabeça quando você tá sendo uma pessoa sem caráter. Na real, acho que você até ficou assim sem nem perceber.
— Sem caráter? Eu não-
— Você é igual ao seu pai. — afirmou, bravo. E quando eu ouvi isso, senti meu estômago embrulhar e o meu coração saltar. — Quando nos contou sobre ele, achei que ele era um monstro. Mas Jungkook, você... Puta merda, agora consigo entender o quão você foi idiota naquele ocorrido com o Hoseok e porquê ninguém aguenta-
Yoongi parou rápido e somente negava com a cabeça pra se conter, se afastando de mim, mas ainda me encarando onde eu ainda estava, paralisado.
— E-Eu sou um monstro? E é isso q-que pensa de mim? — gaguejei, sentindo-me quebrar por inteiro dentro de mim. Gritando.
Naquele momento, tudo que eu nunca quis ouvir em toda a minha vida, eu ouvi da boca de um dos meus melhores amigos.
Era verdade, então.
Eu era um monstro.
E eu não tinha reparo.
Eu fazia todos irem embora.
Yoongi suavizou sua expressão e respirou fundo. Meus olhos se encheram.
— Olha, me perdoa, certo? Eu não queria tocar no seu ponto fraco assim, eu só fiquei-
— Eu queria muito entender o que vocês estão discutindo. — a voz de Namjoon ecoou pelo quarto quando seu tom aumentou.
Yoongi provavelmente sim, mas eu não o encarei, ainda parado no meu lugar. Namjoon, agora, talvez mantivesse seus olhos simultâneos entre nós dois e uma expressão fechada.
— Não precisa se preocupar, eu e o Jungkook meio que acabamos-
— Eu ouvi muita coisa, Yoongi. E eu definitivamente não sou um otário pra saber as merdas que você acabou de dizer. — o interrompeu.
— É feio ouvir a conversa dos outros, sabia? — ousou, mas foi em puro vão.
Minha mente iria explodir.
— Feio, além de ser o que disse momentos antes, é o Jungkook estar fazendo o que eu acho que ouvi. E vocês dois, assim como o Jin, são minha prioridade no mundo, entenderam? Eu preciso sempre estar atento até porque se vocês ficassem sozinhos, eu provavelmente chegaria aqui vendo os dois no mínimo com um olho roxo.
— Tá, tá. Mas eu posso ao menos explicar?
— Faço questão de te ouvir, Yoon. Inclusive, vamos voltar pra sala, vocês dois. — respondeu, decidido. — E faço toda questão do mundo em saber por que você, Jungkook, resolveu enganar alguém da forma como o Yoon falou, uma situação que bate exatamente com aquela coisa toda sobre a sua forma de "ganhar muito dinheiro" que você esteve escondendo de mim e que provavelmente ainda está.
Continuei mirando o chão.
— Jungkook? — chamou, ainda sério. Foi quando eu encarei Namjoon de braços cruzados na minha frente. — Eu estou falando com você.
— Sai do meu quarto. — soltei, sério, sem nem compreender o que estava dizendo e sem expressar nada. Ele franziu o cenho, talvez confuso. — Saiam do meu quarto agora.
— Desculpa. — Yoongi pediu, ficando ao lado de Namjoon dessa vez. — Eu fiquei nervoso e falei merda, mas também, olha onde você se mete, Jungkook! Eu sempre te aviso de tudo, mas você continua fazendo as pessoas de bobas, enganando toda hora e-
— Eu mandei vocês IREM EMBORA! — acabei soltando pra fora, com os olhos cheios de lágrimas e ódio. Talvez muito, muito ódio.
Silêncio.
E foi nesse silêncio, que antes mesmo que Namjoon tentasse algo, Yoongi colocou sua mão na frente para que ele não se aproximasse mais de mim, fazendo ele olhá-lo e insinuando que era pra realmente sairem do quarto.
E foi o que aconteceu.
Sentei na cama e minhas mãos tremeram, lembrando de quando fui trancado em um quarto totalmente escuro com um hematoma na perna também.
E de quando passava horas encarando a porta que havia um adesivo grande de uma borboleta preta que sempre me recordava situações terríveis, mas que ao mesmo tempo, era a única imagem que me deixava calmo.
Foi culpa dele.
Mas também era culpa minha.
Porque eu era igual o meu pai.
💸
[JIMIN]
Eu consigo sair com essa roupa.
Eu consigo sair com essa roupa.
Foi o que repeti inúmeras vezes pra mim mesmo hoje cedo, mas a retirei logo em seguida.
Troquei a camiseta larguinha e fui até uma loja perto para comprar um moletom branco, que parecia me engolir inteiro. Definitivamente, eu ainda me esconderia até que me aceitasse por completo. Deixei a calça justa, porque não estava tão ruim.
Algumas horas se passaram, deixei a noite aparecer e agora contavam dez minutos pra Woosung chegar na esquina da minha casa. Porque, claro, eu não iria deixar que meus pais interferissem.
E a pergunta que não queria calar: como eu sairia daqui com eles estando em casa, sem ouvir xingamentos principalmente do meu pai?
Quando fechei a porta do meu quarto e comecei a descer as escadas, os murmúrios que eu escutava da sala começaram a se dissipar. E quando eu notei, o cômodo estava vazio e a TV desligada, o que significava que meus pais estariam na cozinha.
Caminhei até a porta, sabendo o que viria em segundos.
— Pra onde você vai, filho? — foi graciosamente a voz da minha mãe. Eu olhei pra trás e sendo previsível, meu pai também estava me encarando, sentando na cozinha ao esperar por comida.
— Eu vou almoçar fora. — respondi, focando somente na minha mãe, que parecia esperar alguma outra resposta. — Com um amigo.
— Que tipo de amigo? — foi a voz do meu pai.
— Eu vou indo, vejo vocês mais tarde. — dei as costas, fechando a porta e sentindo a gritaria do meu pai em cima de mim.
— VENHA PARA A IGREJA MAIS TARDE! — como eu disse, ele havia gritado comigo. Mesmo com do lado de fora, havia sido possível escutar a sua ignorância.
Me esmurrando, mais uma vez.
Tudo porque eu ainda me sentia mal.
Meu celular tocou enquanto comecei a caminhar na calçada de casa. Era o Tae.
Desde que Taehyung havia me enviado inúmeras mensagens, eu não o respondi. Li tudo e deixei visualizado.
— Alô?
— Jimin! Finalmente! Como você tá? Eu-
— Onde você estava todo esse tempo em que me deixou sozinho?
— Mas eu não sabia que horas você chegaria, me desculpa, eu confesso que perdi a cabeça porque conheci um cara também e a gente-
— Eu vou desligar, Taehyung. — decidido, continuei até atravessar a rua.
— Espera, você tá em casa? Onde você tá? Eu posso ir?
— Não. E eu não vou voltar cedo, sinto muito. — desliguei, nervoso o suficiente pra não aceitar suas desculpas esfarrapadas.
Parei perto de um ponto de ônibus, de fato praticamente na esquina de casa, e guardei meu celular. Na mesma hora, um carro parou em frente à calçada onde eu estava. Assim que abaixou o vidro, pude ver o sorriso conhecido.
Sorri grande e acenei, me aproximando da janela, ansioso.
— Entra, eu tô doido pra te levar naquela lojinha! — disse, com seus olhos quase sumindo. Fofo demais. Eu confirmei com a cabeça e abri a porta.
Eu entraria e sentaria ao seu lado de bom grado, isso se eu não ouvisse alguém me chamar abruptamente, mas não gritando.
— Jimin! — olhei pra trás, ainda com a mão no veículo onde estava prestes a entrar, e vi Jungkook.
Ele recuperava seu fôlego, como se houvesse corrido uma maratona. Fechou seus olhos com força e recuperou-se mais um pouco, aproximando-se de mim, que estive estático por todo esse tempo.
— Deus, finalmente te achei...
Respirava pesado. Woosung desligou seu carro e então, eu acordei do meu transe. Não fazia ideia do que estava acontecendo, mas me virei para o Jeon sem compreender.
— Não saia com ele. — então, logo pediu.
— O que? Por que? — meu tom era de estranheza, franzindo o cenho. Confuso.
— Posso saber o que aconteceu? — Woosung fechou sua porta e veio até nós dois. Jungkook estava na minha frente, e Kim ao nosso lado, encarando nós dois de maneira simultânea quando Jungkook se aproximou.
— E aí, Woosung. — Jungkook logo olhou pra mim novamente. Eu acho que estava branco de tão confuso, se é que isso faz sentido de alguma forma. — Jimin, eu preciso conversar com você.
— Por que? Do nada? A gente já não se falou hoje e-
— Espera um pouco. — o Kim se aproximou mais de nós, e encarou Jeon, um pouco preocupado. — Jungkook, aconteceu alguma coisa? Eu e o Jimin íamos sair agora mesmo, mas é algo muito urgente?
— Eu acho que não contei pra você. — disse, encarando Woosung de forma mais séria. Suspirou. — Talvez por receio, mas acho que eu não posso mais esconder.
— Jungkook, eu te falei que ia sair hoje, não tô entendendo. O que aconteceu? — também me senti com uma preocupação presa no peito. Ele pareceu falar sério.
— Você vai achar isso estranho, mas eu me arrependo de ter te ajudado a se encontrar com o Jimin. — Jungkook começou a dizer e meu coração disparou, eu não tinha ideia do que estava ocorrendo naquele instante, mas algo me dizia que vinha uma bomba bem em cima da minha cabeça.
— Como assim? — Woosung estava na mesma, mas sua face, apesar de calmaria, demonstrava desconfiança. — Jeon, você bebeu? Foi pro bar hoje ou algo assim? Tá frustrado?
— Eu gosto do Jimin. — revelou, meus olhos se arregalaram. — E ele gosta de mim também, portanto eu não posso ver você saindo com ele sabendo que você quer alguma coisa com ele também. Por isso... — e assim, olhou direto pra mim. — Saia comigo, como combinamos.
[Anotação diária: Jungkook]
💸
Tenso... Cadê as teorias? Mandem, sobre qualquer acontecimento ou personagem.
Vocês, nesse momento, são de que time? Woosung ou Jungkook?
Amo vocês, e volto mês que vem no começo ou por aí!!!! Avisarei no meu Twitter ou aqui no mural, então me sigam!! 💚
E sigam meus meninos da fic pra saber das fofocas:
@/BADTYPEJK
@/BADTYPEJM
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