[03] 나쁜 money.

#JiminCoradinho

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[JUNGKOOK]

— Será que dá pra acordar? Hoje é terça-feira, dia de ajudar o Jin na sorveteria porque a Hanna tem aulas de teatro. — Namjoon me acordou jogando um travesseiro macio na minha cara. Resmunguei.

Ah, terça-feira. Eu meio que substituiria o Seokjin no lugar onde ele trabalha, e isso era por todo o mês, porque seria seu único dia de folga além dos domingos por conta de querer passar bastante tempo com a filha, mas dizia ele que a sua lojinha com seu irmão não deveria parar jamais.

— Eu posso compensar ele depois. — virei para o outro lado.

— Sem chance. — tirou meu cobertor. E então, meu sono definitivamente estava sendo atrapalhado. Só então, notei.

— Oh! — dei um sobressalto, assustando um pouco Namjoon com meu salto sobre a cama, ficando sentado de olhos arregalados. — Verdade, é hoje! — encarei meu amigo confuso, e sorri. — Não quero que me espere durante a noite, eu só voltarei amanhã, entendeu? — levantei.

— Como é? — fui até o meu guarda-roupa.

— Diz pro Jin que eu não posso hoje e prometo que irei recompensar tanto você, quanto ele daqui um tempinho curto. — remexi nos cabides, ouvi o suspiro de Namjoon.

— Pra onde você vai, então?

— Que horas são?

— Meio dia.

— Certo, irei separar a minha roupa pra mais tarde e vou tentar marcar algo com alguma garota. — peguei uma calça cargo e a joguei na cama.

— O que eu te disse sobre isso? Sobre sair com essas meninas e depois-

— Eu sei, me desculpa. — o interrompi, mas tentei compreender sua preocupação comigo ao meu máximo. — Prometo que você ainda irá me agradecer, só não quero ficar aqui ouvindo você resmungar até a hora de eu ir ao meu compromisso.

— E você me pede desculpas pelo quê exatamente? Por sair com qualquer mulher, usar e jogar fora? Ou por você simplesmente colocar suas brincadeirinhas em primeiro lugar e só depois viriam seus amigos? Mais precisamente, a sua família.

— Eu não quero discutir de novo, hyung. — falei, sério. Dessa vez, ele não me disse mais nada. Suspirei assim que o vi me dar as costas e sair do quarto.

Esperava que ele não se ressentisse de mim.

Continuei a procurar uma vestimenta, jogando a primeira camiseta lavada do meu guarda-roupa e partindo para o meu celular ao lado da cama.

Meu único problema é geralmente não passar meu número para as garotas das quais eu saio. É claro, eu nunca saio com uma por mais de uma vez ou — raramente — duas. Mas eu não tinha a menor ideia de com quem eu passaria a tarde agora.

Eu deveria sair de casa primeiro.

— Arrumado demais... — Namjoon me analisou da cabeça aos pés no momento em que saí do quarto, para a sala. Esteve quase deitado no sofá, não precisaria do notebook pois era a sua folga nas terças também. — Com certeza você vai ir caçar.

— Me conhece, não é? — sorri de lado e ele voltou a olhar para a TV. Fui até a mesinha de centro e peguei a minha chave de casa. — Acho que você deveria sair também, já que é seu dia de descanso. Você sempre fica aqui dentro agora, sinto falta do meu hyung festeiro.

— Quando houver uma festa na minha folga, eu irei participar. — deu de ombros, sequer olhando pra mim, prestando atenção no programa de variedades como um senhor de idade. — E hoje é dia de descanso, portanto ficarei na minha.

— Não quer vir se divertir comigo?

— Boa ideia, acabei de me lembrar. — de repente, levantou-se rapidamente, me dando um sobressalto. — Eu vou sair de casa, sim.

— Nossa, é assim que eu gosto de te ver! — bati em seu braço, sorrindo de orelha a orelha quando o analisei calçando seus chinelos, não sendo nada rápido. — Mas você vai ir comi-

— Não, eu vou ficar no lugar do Jin na sorveteria. — me encarou, comprimindo os lábios em um sorriso com covinhas expostas. — E também direi para ele não lhe pagar este mês. Afinal, você não fez o mínimo, não o ajudou em nada e só o deu problemas nos últimos dias.

— O que?! — arregalei meus olhos. Namjoon foi até o quarto, do seu mesmo jeito despreocupado enquanto o segui. — Só porquê eu quero comemorar o meu "novo emprego" antecipadamente?! — fiz aspas, e então tive o olhar do hyung sobre mim.

— Que emprego é esse, cara? — franziu o cenho, na porta do quarto. Quando não lhe respondi, ele bufou, entrando e fechando a porta. — Espero que não esteja metido com drogas.

— Até parece, bobão. — ri.

Saí de casa em passos rápidos, porque eu sabia muito bem que daqui a pouco, Namjoon viria e me faria ainda mais perguntas do que eu realmente poderia responder. Até que tudo esteja resolvido, eu não o diria.

A partir do momento em que entrei em meu carro, na garagem, recebi uma ligação do meu velho amigo, Min Yoongi. Liguei o carro e decidi conectar sua ligação para ser mais fácil.

— Fala, Yoonie hyung!

Você tá dirigindo? — sua voz parecia irritada logo de cara.

— Sim, portanto fale logo antes que eu sofra um acidente. — olhei pela janela, prestando atenção enquanto saía. O ouvi resmungar como costumava fazer. Senti saudades. — Fazem dois meses que eu não te vejo, moranguinho.

E você continua com os mesmos hábitos ruins, certo? Começando por ainda me chamar desse jeito. Eu colhi aqueles morangos com você no ano passado!

Diz isso como se houvessem se passado dois anos. E acho que ninguém daquela escola esqueceria de quando você matou aula pra ir pegar morangos. — ri. — Ah, Yoon, você não sabe!

Yoongi era meu único amigo inseparável diretamente do colégio. Todos da minha época escolar me abandonaram como se eu não fosse importante, e ele foi definitivamente a única pessoa que me acolheu desde lá. Infelizmente, ele morava com os pais na época em que fui expulso de casa.

Mas eu não me arrependo de ter ido morar com Namjoon. Ele é o meu melhor amigo e que tanto fisicamente, mentalmente e de alma está do meu lado quando eu preciso, assim como Seokjin. Bem, digamos que eu só não consiga ter a liberdade de dizer tudo o que eu penso para ambos, pois nós três temos opiniões bem diferentes.

Na realidade, os dois concordam em tudo. Inclusive em serem contra todas as coisas das quais eu decido sozinho.

— Eu arrumei uma parada incrível pra fazer, e olha só, vou ganhar dinheiro com isso. — fofoquei antecipadamente.

Não é nenhum tipo de contrabando, né?

Relaxa, não é nada errado desse nível. Ainda não direi quanta grana vou receber, porque eu nem sequer sei como vou fazer isso direito.

E o que é?

Ah, é bem complicado, na verdade. Eu queria te contar detalhadamente quando nos encontrarmos. Você já voltou para Seul mesmo como havia postado no seu Instagram na noite de ontem? — questionei, louco para contar tudo que eu pudesse.

Mas eu gostaria de dá-lo até as entrelinhas do que está ocorrendo e também do que irá acontecer mais tarde. Senti uma montanha russa de sensações.

Enquanto ele me contava sobre o fato de ter finalmente voltado após alguns meses em Daegu com a família, eu virei na rua de um bar pequeno e bagunçado no mesmo caminho em que encontrava-se o shopping movimentado do bairro.

Nem tantas pessoas costumavam gostar desse lugar, muito menos as mulheres durante suas saídas pela noite. Haviam muitos pervertidos, mas este horário era definitivamente mais flexível para quem estava apenas para beber ou paquerar.

Mas agora me diz, garanhão. Pra onde está indo? Acho melhor desligar, já se passaram quase quinze minutos e você tá dirigindo. Não confio. — disse. Apesar de querer rir, me conti e resolvi responder sua pergunta.

— Tô saindo pra comemo-

Franzi o cenho e o meu raciocínio deu um bug. Estive quase chegando na porta do barzinho, quando vi um rosto conhecido passar por ele, caminhando pela calçada em minha direção.

Quando desacelerei e fui para mais perto, pude ter certeza de que era a mesma pessoa. Parecia confuso e triste, assim como da outra vez, usando roupas confortáveis como um conjunto de moletom.

Você tá me ouvindo, por acaso, Jungkook? — Yoongi parecia ter chamado minha atenção outras vezes. Parei o carro em frente ao meu destino.

— Ah, sim, estou. — respondi, um pouco aéreo e retirando meu cinto. — Acabei de chegar, posso te ligar pela madrugada?

Abusado, tá achando que eu fico acordadinho que nem você? Tenho que dormir porque pelo menos eu trabalho direito. Meu chefe quer me bater com madeira depois que eu tirei férias do nada, mas tudo bem, eu sei que ele me adora.

Tá certo, eu te ligo. Qualquer coisa, eu te acordo com várias mensagens. — soltei, desligando na mesma hora e abrindo a porta.

Olhei para trás, ainda conseguindo avistar o riquinho da sorveteria após ter passado por mim.

Não sei que tipo de problema ele tinha, mas além de curioso pra saber qual a dificuldade que os riquinhos passavam, fiquei preocupado que ele pudesse cair em algum lugar. Vê-lo encostar a mão na parede em busca de apoio me fez pensar que estivesse, talvez, bêbado.

Ou ele não enxergava direito por conta dos olhos em cores diferentes? Não, nada a ver, não seja burro, Jungkook.
Eu pesquisei, se chama heterocromia.

Tranquei o carro e decidi não me interessar demais nos assuntos alheios de pessoas que eu nem sequer conhecia ou fazia questão de conhecer. Olhei a quantidade de gente entrando no bar e também dentro dele, então pude perceber que não eram muitas, mas haviam garotas, mais ou menos da minha idade. Bom.

Dei alguns passos para frente e olhei o garoto pela última vez, ainda não muito longe, e foi quando o vi se desequilibrar totalmente. Eu acabei correndo por impulso.

— Ei! — falei alto, em passos rápidos até o loiro.

Alarme falso, no fim ele conseguiu segurar por pouco na parede lisa com as duas mãos antes de cair no chão. Ele rapidamente virou-se. É, ele deve ter bebido todas.

— Ficou louco de andar assim por aí? Não parece ser tão bom com álcool.

Ele finalmente me olhou nos olhos, com as bochechas rosadas. Consegui sentir o cheiro da bebida sem que ele precisasse abrir a boca.

— Coradinho novamente. — caçoei, dando um simples riso rápido. Ele estapeou suas próprias bochechas e as cobriu, dando um sobressalto e arregalando seus olhos pequenos para mim.

— Oh, não... Você de novo?! E eu tô feio perto de você mais uma vez? Meu Deus, me diz que é só um pesadelo... — preocupado e aparentemente com vergonha, tentou esconder seu rosto com as mãos aparentemente pequenas.

Que engraçado. Acho que tive um déjà-vu.

— É melhor ir pra casa, você-

— Não! — me encarou logo, sério. — Eu nunca mais quero voltar... Ele é horrível, horrível e horrível...

— Quem? — confuso, lhe perguntei. O loirinho parecia realmente preocupado.

— Meu pai. — seu queixo tremeu, ele fitou o chão. — Ele me disse coisas tão ruins... Eu fugi, mas deixei meu celular lá e eu não faço ideia de onde ir... Eu só fui beber desde a madrugada e mais nada, o Tete saberia como me ajudar mas não sei nem como falar com ele...

E de repente, o estranho estava simplesmente me contando sobre metade das coisas que lhe aconteceram. Esteve também prestes a chorar na minha frente.

— Quer que eu ligue pra aquele seu amigo da outra vez? – sugeri.

— O Tete? Ah... — respirou fundo e mordeu o lábio inferior. — E-Eu n-não sei o n-número de cabeça e n-nem o endereço direito...

Impressionante. O tal do "Tete" era seu amigo e ele sequer sabia onde ele morava. Uma grande amizade, eu diria.

Mas ele não parecia tão experiente na cidade e nem em nenhum lugar.

Percebi suas mãos ao lado do corpo remexerem-se de um jeito eufórico, seus dedos se moviam como se estivessem ansiosos e suas pernas começaram a movimentar-se também, tremelicando. Não conseguia ficar quieto.

— Certo... — estranhei, era assim que ele ficava quando estava bêbado? Que esquisito. O loiro começou a olhar para os lados. Suspirei, eu sabia que iria me arrepender da minha próxima fala. — Quer que eu te leve pra casa, então?

— Eu não quero ir pra casa! — aumentou seu tom de voz, tornando-se mais assustado. Ele simplesmente se virou para continuar seu caminho, o qual era provavelmente sem rumo.

— Ei, qual é o seu problema? — peguei em seu braço, lhe impedindo de ir. — Eu te ofereci uma carona, tentei ser gentil com você.

Por incrível que pareça, ele não reagiu como fez há segundos atrás. Ele simplesmente fechou os olhos e respirou fundo.

— D-Desculpa. — mordeu o lábio novamente. — Eu sou um fracasso...

— Claro, um fracasso que usa as roupas originais da FILA. — revirei os olhos, reparando em sua vestimenta de ficar em casa, a qual eu usaria pra sair. — Vamos, você só está muito bêbado. — puxei-o com calma até o meu carro em passos longos.

Quando ele entrou e se sentou, suspirei mais uma vez em desgosto do que eu mesmo estava decidindo fazer. Deixei de conhecer mulheres interessantes e bonitas somente pra levar um estranho alcoolizado pra casa.

Tudo bem, meu dia não está ruim.
Porque ainda vai melhorar e muito.

Liguei o carro e comecei a dirigir devagar.

— Se você não me dizer onde mora, no máximo irei te deixar na estrada.

— Ah, desculpa. — pediu. Observei como suas mãos estavam nervosas, apertando uma contra a outra. — Cheongdam.

Engasguei.

— Cheongdam-dong? — o encarei de olhos arregalados, ele não pareceu tão surpreso quanto eu. — Então, você é rico mesmo?

Era literalmente um dos bairros mais ricos. Além de ser bem perto de onde eu moro com Namjoon.

— Oh, sobre isso... — analisou suas mãos trêmulas novamente, mas eu não me importei com isso, afinal minha suposição estava correta. — Sim.

— Nossa... — fiz uma careta como se estivesse impressionado, apesar de que eu realmente estava. Ele usava roupas de marca, era arrumadinho por mais que estivesse sempre pra baixo e sua áurea era de gente com dinheiro.

— Você quer que eu te pague pela carona? Pode ser qualquer preço, eu não ligo... — foi quando ele perguntou, sério e inseguro. Eu o olhei brevemente e neguei com a cabeça.

Na verdade, eu aceitaria.

— Não precisa. — sorri, sem graça por estar mentindo descaradamente. — Já irei ganhar uma boa grana futuramente, sem preocupações.

— Entendi... — assentiu.

Silêncio total.

— Você já está sóbrio?

— Um pouco... Minha cabeça dói. — colocou a mão nela. Eu, como um bom curioso, percebi sua mão ainda tremendo um pouco.

Céus, esse cara era desse jeito mesmo desde que nasceu também e eu estava sendo um completo babaca por reparar sem vergonha alguma, ou havia algo de errado com ele neste exato momento?

— Deveria fazer uma sopa ou sei lá. — disse, sem ânimo e me arrependendo cada minuto mais da carona grátis. — Seus pais moram com você?

Eu esperava por uma resposta, mas não recebi nenhuma por longos segundos enquanto prestava atenção no caminho e nas curvas. Foi quando a minha paciência sumiu pra dar uma volta demorada e eu suspirei audível por ter sido ignorado.

— Beleza, eu tô sendo super legal com você mas custa me responder? — acabei sendo grosso, lhe encarando rápido.

Ele limpou suas lágrimas no susto.
Estava chorando, quieto, e não pareceu querer atenção.

Tive que encostar o carro.
Fechei os olhos e descansei as mãos nas próprias coxas, lhe ouvindo fungar uma única vez.

— Me desculpa. — fui eu quem pedi, desta vez. O encarei. — Eu não quis ser rude com você.

Tentativa falha de fazê-lo me encarar também.

— Ei, coradinho. — chamei, numa boa. Finalmente, tive seus olhos diferenciados grudados aos meus. Estavam molhados. Mas mesmo assim, eles eram muito, muito bonitos. — Quer desabafar?

— Não é necessário, perdão... — respondeu, limpando uma última lágrima que escorria pelo seu rosto. Seus dedos tremiam.

— Está nervoso? Isso é por que não quer voltar pra casa? Suas mãos estão inquietas há um tempo. — toquei no assunto, estive inquieto com a situação dessas tremedeiras repentinas também.

— Ah. — analisou-as, parecendo acostumado. — É ela de novo. — respirou fundo, eu não estava entendendo nada.

— Você é asmático? — estranhei sua forma de tentar respirar, como se lhe faltasse ar certas vezes. Ele negou com a cabeça.

— Eu... Tenho crises de ansiedade. Mas acho que elas começaram a ficar muito intensas ultimamente... — me olhou, desviando inúmeras vezes. — Acho q-que irei ter uma agora ou algo parecido...

— Crises? — arregalei meus olhos.

— Sim, e-eu precisaria t-tomar o meu remédio ou... do Taehyungie comigo... — respirou fundo de novo. Parecia uma tática de não ter a tal crise.

— Puta merda, eu não sou nem médico. Melhor te levar pra casa logo. — resolvi ligar o carro novamente, mas fui impedido pela risada fraca do loirinho ao meu lado.

— Não é nada disso. — só lhe sobrou um sorriso fraco, desmanchando-se rápido. — Ansiedade não é um problema do tipo que esteja pensando.

— Eu não ligo, só quero que pare de tremer ou chamarei a ambulância. — rebati, com medo de estar envolvido se alguma coisa desse ruim.

— Está tudo bem, é só me levar de volta. — disse, enquanto analisava o lado de fora, pela janela. Mas percebi que era um blefe, ele ainda estava "ansioso". — Taehyung é o único que pode me acalmar com as palavras dele.

— Então, você só se acalma com palavras bonitinhas? — comecei a dirigir novamente.

— E com um abraço. — completou, cabisbaixo. — Mas, somente os que a mamãe me dava que funcionavam.

— Ela não te abraça mais porque você cresceu, já é um adulto. — tentei ser divertido, mas ouvi um suspiro de sua parte.

— Eu queria que fosse por isso...

A minha garganta coçou para perguntar os motivos, mas eu não queria me envolver em sua vida pessoal, até porque eu não planejava estender a nossa bela parceria aqui.

Prolongamos o silêncio entre ambos e somente ouvir o endereço completo do loiro foi o suficiente. Quando finalmente chegamos em frente a sua casa e eu desliguei o carro, eu queria dizer que:

Puta que pariu, que lugar bonito do caralho!

Meus olhos brilharam naquela casa de dois andares, clarinha e esteticamente bonita, diferente. As partes envidraçadas brilhando de limpas, como se até houvessem empregados trabalhando.

— Cuidado pra não babar pela minha casa. — ele disse, soltando um risinho por conta da minha boca aberta ao admirar.

— Você tem até empregados? É tão rico assim? — questionei, já desequilibrado pela curiosidade.

— Srta. Lee está de férias, na verdade. — explicou. — Ela trabalha aqui, e diferente de como meus pais a veem, eu a vejo mais como uma boa amiga pra mim desde pequeno. Sinto a falta dela também. Tem sido dias difíceis. — sua última frase foi dita mais baixo, enquanto olhava para suas próprias pernas.

Assenti, lhe compreendendo. Certo, seria interessante ter um amigo com bastante dinheiro, mas eu não era uma pessoa tão patética assim. Nem interesseira.

Um pouco.

— A propósito... — antes de sair, o vi morder o lábio inferior, acho que estava... nervoso? Era difícil entender como ele reagia às coisas, mas apenas o ouvi. — Qual é o seu nome?

Ah, é mesmo. Nós nunca trocamos nossos nomes.

— Bem, é que eu nem perguntei, então achei meio mal educado da minha parte... — mexeu em seus fios, desviando seus olhares do meu. Talvez porque eu não havia lhe respondido na hora.

— Jeon Jungkook. — disse, ele me encarou novamente. — E o seu? Ou serei obrigado a te chamar de coradinho?

Ele riu, colocando a mão na boca. Suas bochechas ficaram mais coradas, avermelhadas.

— Park Jimin. — afirmou. Ele continuou olhando pra mim, trocando olhares, por incrível que pareça. Aquilo era, no mínimo estranho.

— Você... Não vai entrar?

— Ah, sim! — deu um sobressalto ao lembrar-se, acabei me segurando pra não rir. Sim, eu sabia que era bonito e que a minha beleza poderia chamar a atenção até dos homens, deixando-os admirados. — Eu vou indo, então-

Jimin travou antes mesmo de abrir a porta, me deixando intacto também. Não entendi o que aconteceu, mas o vi olhando pela janela atentamente e uma de suas mãos se apertar sobre uma das coxas.

— Não, eu não posso agora! — de repente, Jimin me assustou ao ir para o banco de trás bruscamente. Tentei entender o que estava acontecendo mais uma vez quando notei seu estado fora de si.

Ele agarrou suas pernas, de costas para a janela aparentemente a fim de não ser visto, balançando-se e fechando os olhos. Era como se houvesse algo ou alguém que lhe impedia de querer voltar para a própria casa.

Notei bem que um homem entrava pela porta de sua residência, mas parecia-se apenas com alguém comum — e rico — de sua família.

— N-Não p-posso, ele me d-disse tantas coisas h-horríveis... — negou com a cabeça, ansioso. Até mesmo eu, fiquei assustado com aquela cena.

— Jimin, você... — engoli seco. Eu definitivamente não estava preparado pra isso e muito menos sabia o que fazer naquele momento. Ele continuava murmurando coisas inaudíveis, sequer prestando atenção em mim.

Pensa. Pensa. Pensa.

— Tá. — decidi, indo para os bancos de trás do carro com calma e sentando-me ao seu lado. — Provavelmente não vai funcionar, mas é uma tentativa.

Me aproximei e envolvi os meus braços em torno de seus ombros o máximo que eu conseguia, lhe abraçando com cautela e lhe puxando por inteiro pra mim. Seus movimentos ansiosos cessaram naquele segundo em meu calor.

Jimin fungou. Temi que ele estivesse chorando, ou que a bebida ainda estivesse fazendo efeito de algum modo. Senti suas mãos agarrarem a minha camisa cinza e ele se aconchegar mais em mim, afastando os joelhos de seu corpo.

— D-Desculpa... — ouvi sua voz baixinha e chorosa.

— Tudo bem, me diga quando estiver melhor. — apenas cedi, afinal eu já estava aqui e fazendo tudo isso mesmo.

Minutos se passaram e não dissemos mais nada, somente escutei a sua respiração pesada, diminuindo sua intensidade cada vez mais. Jimin continuava com seus dedos fincados no tecido da minha camiseta, mas eu pude senti-lo se acalmando comigo, enquanto o abraçava sem força, somente para que ele tivesse certeza de que eu não sairia daqui.

Nossa, eu fiz isso, foi?
Além de bonito, eu era muito útil.

Seu cabelo era cheiroso.

Quando o vi se afastar de mim devagar, prestei atenção em seu rosto e em como tentou limpar a umidade contida ali.

— Obrigado, nossa, que vergonha. — sorriu fraco, continuando triste como aparentava. — Eu vou entrar, desculpe por amassar sua camisa... — a encarou, notei que ela estava realmente, em partes, esmagada pelas suas mãos.

— Me deve uma nova. — brinquei. Ele começou a assentir com a cabeça, prestes a concordar, mas não o deixei falar. — Foi brincadeira, você não causou nenhum dano, relaxa. — ri pouco.

Jimin estava um tanto aliviado. Eu também fiquei, de certa forma.

— Eu já vou, então. — respirou fundo, abrindo a porta do carro. — Até qualquer dia... Jungkook.

— Até. — ou não, porque eu provavelmente não vá mais te ver. Talvez por acaso, mas depois de finalmente me mudar, acho que não irei. Ele só se foi, seguro e mais relaxado após o surto rápido e tenso. O assisti entrar.

Então: até praticamente nunca mais, Park Jimin.

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[JIMIN]

— Eu tive uma crise, me desculpa, eu não sabia como te contar. Seu número tá gravado no meu celular com o seu apelido e eu não decorei, pra piorar eu esqueci de levá-lo... Também sempre me esqueço do seu endereço, ainda mais não estando sóbrio...

Sabe o quanto eu me preocupei?! Eu te liguei centenas de vezes pela madrugada! Eu quase nem dormi! — dizia, através do telefone. Preferia que ele estivesse bem aqui, comigo, enquanto estava sentado na cama.

— Desculpa, ele realmente me disse coisas terríveis... — continuei a relatar, não tão claro e em bom som, porque o dito estava em casa, mesmo que no andar de baixo. — Ele tava muito bêbado, e disse que ia me ensinar a ser... Uma mulher...

Como é que é?! Jimin, por favor, o que ele fez com-

— Nada. — respondi. — Quando ele me chamou dos piores nomes possíveis, com palavrões feios e também depois de rir da minha cara por eu ser gay, meu pai só... Segurou o meu braço e perguntou quanto... — fechei os olhos, deitando e me encolhendo na minha cama. — Quanto eu cobraria pra dormir com os caras. Coisas idiotas assim.

Eu odeio esse desgraçado. Juro pra você, eu o odeio com todas as minhas forças! — afirmou. Conseguia sentir a sua raiva de longe. — Sério, você não quer passar alguns dias aqui comigo? Nem que seja por uma semana, mas acho que você deveria sair um pouco desse lugar pesado que te faz tão mal!

Era uma boa ideia. Apesar de que eu ainda esteja ressentido com os meus pais me odiarem tanto por eu ser quem sou.

Quem eu não queria ser mais, na verdade.

— Eu não sei... — bocejei.

Ok, está decidido e fui eu quem decidi isso pra você. Amanhã eu te busco em casa e você irá vir dormir juntinho ao seu Taehyungie, porque ele não deixará ninguém encostar um dedinho no bebê dele! — falava, divertido. Eu amava esse seu jeito de me fazer sorrir.

— Tá bom... Mas eu não tenho certeza se meus pais vão permitir, entende? — deitei na cama, esticado, de barriga pra cima. Suspirei.

Você é um adulto, tá precisando dar um rumo pra sua própria vida. Seus pais não podem te tratar como uma marionete pra sempre ou uma criancinha intocável. — Taehyung tinha razão. Eles manipulavam quase tudo o que eu fazia, e isso era definitivamente um saco para alguém com mais de vinte anos de idade.

Mesmo que eu ainda precisasse aprender muitas coisas.

— Eu vou sim, pode deixar. — confirmei, mais relaxado. — E... Eu queria te contar uma coisa que aconteceu hoje antes que eu durma de tanto sono.

Ele te fez mais alguma coisa? Aliás, por que você sumiu?!

Mamãe entrou no quarto e eles brigaram, mas meu pai concordou em ir dormir, ele realmente estava muito alcoolizado e felizmente eu consegui escapar, me trancando no quarto. — expliquei. — Depois disso... Eu também fui beber em um bar quando vi que os dois pegaram no sono, mas acabei bebendo demais.

Pelo amor de Deus, Jimin, você é bom com bebidas mas pra tudo tem um limite! Lembra de quando você usava isso como fuga? Era horrível ter que te controlar dessa maneira, mas foi necessário! — brigou comigo, e eu particularmente mereci, porque eu lembrava e mesmo assim repeti o erro que antes, era muito frequente.

— Eu fiquei frustrado, eu juro. Fiquei até de manhã parecendo um cara qualquer naquele bar cheio de pessoas mal intencionadas, sabe? Nem me lembro de quantas garrafas foram. Até que... Quando eu finalmente saí, meio zonzo, mas capaz de lembrar de quase tudo depois... Eu encontrei ele de novo.

Ele? Quem?

— O cara tatuado com piercings e de mechinhas verdes da sorveteria. — disse, me virando de lado na cama, puxando meu cobertor todinho pra mim e prendendo meu sorriso bobo nos lábios. — O nome dele é Jeon Jungkook. Bonito, né? Diferente...

Eu não acredito que reencontrou o amor badboy da sua vida. — a fala foi espontânea, mas Jimin sentiu seu coraçãozinho se apertar.

— Nah. — neguei. — Mas eu tive uma crise de ansiedade enquanto ele me trazia pra casa depois de me encontrar nada sóbrio pela rua... E acredita que ele conseguiu me acalmar?

O que?! Você teve uma crise?! E ele... Ele te acalmou?! Como?! Só eu posso fazer isso!

Ele me abraçou. — ouvi um suspiro de surpresa vindo do meu melhor amigo. Abracei minimamente meu próprio corpo. — Estranho, né? Eu pensava que era só a mamãe que me acalmava com os abraços quentinhos dela. Mas... O cheiro dele é bom, acho que foi isso. Sinto até agora na minha roupa...

Calma, eu ainda estou em estado de choque... — eu ri, novamente. — Como esse cara... Meu Deus, me conte isso em detalhes amanhã, por favor!

— Certo, certo. — mordi o lábio, realmente estive doidinho pra contá-lo mais. — Ele é muito bonito pra mim. — admiti. — E eu não posso mais me atrair por outros homens, eu te disse que iria tentar ser normal.

Tá me chamando de anormal, filho da mãe? — resmungou. Eu ri.

— Não é isso, você gosta de mulheres também.

É, naquelas. Mas eu sou completamente normal, seu falso homofóbico. — disse. — Quer saber do que você gosta?

Taehyung...

De algo bem bonito e grande. Às vezes nem tão bonito, depende do cara, mas uma coisa que faz você ir no céu e voltar, algo que entra bem fun-

Desligando. — avisei, então realmente terminei aquela ligação. Taehyung, quando se empolgava, tornava-se um sem vergonha.

Nunca experimentei nem metade das coisas que ele já fez. Dormiu com mulheres, homens, beijou caras que ele dizia serem irresistíveis, já foi pego fazendo coisas obscenas com um deles mas adorou a sensação, entre muitos acontecimentos que eu não fazia ideia de como era.

Por um momento, me perguntei sobre a sexualidade do Jungkook. Ele não me parecia ser como... eu.

Ele estava tão bonito hoje que me senti mal por ter tido uma baita crise perto dele, mesmo que rápida.

Eu sou um fracasso. Espero que eu durma por longas horas.

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[JUNGKOOK]

Sete da noite e eu nem sequer peguei uma garota.

Depois de ter levado o coradinho até onde morava e obviamente deveria estar, fiquei por horas conversando com o Yoongi em ligação, enquanto ele me contava algumas fofocas de Daegu, como ter visto no flagra a vizinha com o amigo do marido.

Agora eu estava em frente a boate que eu costumava me apresentar todo final de semana, a KISSB, com um único propósito para hoje.

Talvez ele estivesse me esperando. O cara cheio da grana.

Passei a mão no cabelo e adentrei o lugar mais do que comum para mim, sentindo a música alta cair sobre os meus ouvidos e o cheiro de suor com álcool realçarem em meu olfato sensível.

Pela primeira vez, ignorei o máximo de mulheres possíveis ao meu redor que focaram sua atenção em mim. Talvez mais tarde, eu esteja interessado em supri-las.

Era um quartinho específico, eu me lembrava disso. Como eu conhecia bem o local, entrei no corredor e passei pelos quartos fechados, somente avistando um único com um homem alto na frente, todo de preto, porém bem casual.

— Eu sou o Jungkook. — lhe disse, tendo certeza de que era este o quarto certo. O homem mais velho apenas assentiu, permitindo que eu pudesse entrar no cômodo completamente em seus tons na cor vinho. Normal, já vim aqui algumas vezes.

Na beira da cama, o velho rico estava sentado, fumando um cigarro eletrônico. Chique. Fechei a porta e me aproximei quando ele me notou, continuando calado.

— Boa noite, senhor. — ao menos, quis ser educado, parando em sua frente.

— Pegue e se sente. — apontou para a cadeira de veludo atrás de mim, com uma expressão séria e também exausta em seu rosto.

No momento em que fiz o que foi me dito, apenas quis deixá-lo falar. Só esperava que não fosse um golpe e o velho de repente me matasse ou abusasse da minha pessoa.

— Eu vou ser direto. — franziu o cenho, suspirando e deixando seu cigarro de lado, na cama. Me encarou nos olhos com total atenção. — Você não sente atração por homens, hm?

Neguei com a cabeça.

— Bom. — balançou a sua em afirmação. — Meu filho será um caminho sem volta caso eu não use esta chance de fazê-lo acordar pra vida. Tive a sorte de encontrar você.

E eu de ganhar dinheiro tão facilmente.

— Primeiro, eu quero que saiba que tenho regras. Eu irei ditá-las para você, mas antes quero que saiba as informações básicas. Você tem quantos anos?

— Vinte e quatro.

— Novo, mas me parece experiente. Meu filho não deve ter nada de experiência mesmo com a idade que tem. — supôs, e eu não ousava negar, é claro. — O nome dele é Park Jimin, ele é um ano ou dois mais velho do que você e são apenas estas duas coisas que lhe direi agora. Logo o direi sobre o que ele gosta de fazer, basta eu descobrir também.

— Certo, mas eu posso descob-

Espera.

— Algum problema? — percebendo a forma como eu travei na cadeira e arregalei os meus olhos, questionou.

Park Jimin?
Mas esse aí eu encontrei hoje cedo.

— N-Não... Nenhum, senhor. — quase vacilei, mas tentei pensar que não eram exatamente a mesma pessoa.

— Entendi. — assentiu. — As regras irão ser claras. É um resumo do que não poderá fazer, mas você vai entender direitinho. — explicou, e eu somente concordei com tudo. — Eu não quero que o toque de nenhuma maneira esquisita, se é que pode me compreender. Tudo o que você tem que fazer é seduzi-lo e depois quebrar seu coração em mil pedacinhos. Haverão mais coisas, porém quando me lembrar irei lhe mandar alguma mensagem.

— Certo. Eu não farei nada de errado, não sinto nenhuma atração pelo mesmo sexo que o meu. — antes de continuar, mordi o lábio em um pouco de nervoso. — Mas tem certeza que eu precise quebrá-lo assim? Ele é o seu filho e talvez não queira humilhá-lo e tal, então eu pensei que-

— Sem questionamentos. Você quer receber por isso ou não quer? — me interrompeu, eu apenas assenti com a cabeça, obediente. — Eu quero que ele vire um homem decente outra vez e não me faça pagar um papel de pai desnaturado ao público. E é por pouco tempo, ele é obediente e vai voltar a ser quem sempre foi.

Observei-o pegar seu cigarro mais uma vez, ainda sério. Não somente isto, o velho também pegou seu celular de última geração.

— Este é o Jimin. — ergueu sua tela até mim, mostrando uma foto de sua galeria onde estava a família toda junta.

Loiro, bochechas aparentemente gordinhas e pouco rosadas, olhos pequenos, contido, um tanto sério e arrumadinho...

Era ele.

Então, provavelmente esse era o seu pai. Também era a pessoa que o próprio Jimin poderia ter... Medo? Como demonstrou hoje.

— Ele tem alguns probleminhas psicológicos, portanto eu garanto que nem muito perto dele, você vai gostar de ficar. — debochou, guardando o telefone.

Eu não gostei do comentário.

— Por fim, você tem três meses até fazê-lo ficar caidinho e logo acabar com tudo. Depois eu lhe darei as instruções por mensagem ou ligação, pois você me dará seu número. Podemos até nos encontrar, se necessário. — afirmou. — E então? Você aceita? Não é tão difícil.

Brincar com os sentimentos de alguém era complicado, sim. Ainda mais... Ele sequer tem noção do que o filho dele tem?

Merda, Jimin não era uma pessoa ruim. Nada ruim, muito pelo contrário, por mais que fosse podre de rico.

Cinquenta mil dólares.

Quem sabe, se eu fizesse um trabalho perfeito, ele me daria mais.

É, não deve ser tão difícil.
Não será.

Eu nem sequer o conheço, por que já o defini como uma ótima pessoa? Eu não fazia ideia dos lados obscuros de Jimin, e preferia nem conhecê-los antes de entrar nessa jogada.

Patético.

— Eu aceito.



Terceiro capítulo postado!
Eu quero saber... O que vocês estão achando?

Sim, eu sei que sou fera em fazer vocês passarem raiva, MAS FIQUEM CALMINHOS OK? 🫂

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Qualquer erro, me desculpem!
E qualquer dúvida, podem perguntar aqui! (Só não posso dar spoilers 😰)

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