27 | 마지막 장
Oi, coisa linda!
Bem-vindo(a) ao capítulo final.
Se prepare pois esse será o maior capitulo de todos :)
Pegue a pipoca e tenha uma boa leitura!
#azuldameianoite
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- PARK JIMIN -
Cinco meses depois.
Acordei num pulo ao sentir o lado vazio da cama. Meus olhos abriram na mesma hora, e meu coração acelerou por um segundo, mas, ao ver a luz acesa e a porta do banheiro fechada, respirei aliviado. Ele estava lá.
— Que droga... relaxa, Park — sussurrei, me repreendendo.
Cinco meses se passaram desde toda aquela confusão com a Sohee. Foram meses intensos, cheios de incertezas e decisões difíceis, mas, de alguma forma, a gente estava superando. Hoje era um dia importante; além das aulas e dos treinamentos, também tinha o julgamento do Jungkook.
Fizemos tantos planos, principalmente de casar, mas tudo foi adiado por causa desse maldito julgamento. Não dava pra seguir em frente com o casamento enquanto essa sombra continuasse rondando. Mesmo assim, eu estava otimista... ou achava que estava.
O Jin nos deu uma ajuda enorme durante esse tempo, cuidando de todos os detalhes legais, e agora parecia que as coisas iam se resolver. O Jungkook teria a chance de responder pela morte da Sohee em liberdade, o que era nossa maior esperança.
Perdido nesses pensamentos, sentei na cama, coçando os olhos. A porta se abriu, e o Jungkook apareceu, simplesmente lindo. Ele estava em um terno todo preto, cabelo arrumado pra trás, mas com umas mechas caindo no rosto de um jeito despretensioso que só ele conseguia. Fiquei um tempo só olhando, sem acreditar em como ele conseguia ser o ser humano mais bonito que eu já vi.
Como ele era lindo...
— Bom dia, meu amor — ele disse, com aquela voz calma e cheia de carinho.
— B-bom dia...
Ele se aproximou, ficou de frente pra mim, em pé, e se abaixou um pouco.
— O que foi? Tá se sentindo bem? Tá tomando sua medicação direito?
— Tô, mas não é isso... — Suspirei antes de continuar. — Acho que quero acabar com toda essa sua produção antes da minha aula.
Ele olhou pra mim e riu ao ver o estado em que eu estava: ainda deitado, só de shorts de pijama e visivelmente excitado.
— Pode bagunçar — ele disse, com um sorriso provocador. — Eu me arrumo de novo, se você quiser.
— Não dá, vai acabar me atrasando. Mas, se você topar, posso fazer algo mais rápido... — Mordi os lábios, provocando enquanto deslizava a mão pelo volume na calça dele, que já tinha aparecido.
Ele respirou fundo, me encarando com aquele olhar desafiador, a excitação clara nos olhos.
— E qual seria sua sugestão, garoto? — Ele perguntou, um sorrisinho aparecendo no canto da boca.
Levantei devagar, deixando minha mão escorregar pelo peito dele, e o empurrei até ele cair sentado na cama. Seus olhos grandes me acompanharam enquanto eu me abaixava diante dele. Em segundos, minhas mãos estavam abrindo sua calça, puxando o zíper com precisão. Quando seu pênis ficou exposto, senti uma onda de excitação me tomar, e comecei a subir e descer a mão, lentamente, sentindo a textura da pele quente e macia contra meus dedos.
— Tô com água na boca só de olhar... isso é normal? — sussurrei com um sorriso provocador.
Antes que ele pudesse sequer formar uma resposta, inclinei a cabeça e coloquei na boca, sentindo o calor invadir meus lábios. Minha língua passeava devagar pela pele, sentindo cada detalhe, as veias que pulsavam sob o toque, as curvas e saliências que eu explorava com cuidado. Ele soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás enquanto apoiava os braços na cama, o corpo já começando a se entregar.
O ritmo da minha boca era firme e constante, aumentando sua respiração, que já estava falhando. O som dos suspiros entrecortados ecoava pelo quarto, e eu podia sentir o controle dele sumir, com as mãos cerrando nas cobertas enquanto ele tentava se conter.
Com uma das mãos, ele segurou meu cabelo com cuidado, afastando os fios que cobriam meu rosto. Nossos olhares se encontraram, e mesmo com a boca ocupada, pude ver o prazer tomando conta dele. Seus olhos estavam semicerrados, a respiração pesada, e ele mal conseguia se conter. Continuei a chupar devagar, com movimentos precisos, minhas mãos complementando o que minha boca fazia, o levando cada vez mais perto do limite.
— N-não faz isso, se não vou gozar agora mesmo... — ele murmurou, com um sorriso safado.
Eu ri de leve, sem parar, e provoquei um pouco mais. Passei a língua devagar por todo o comprimento, e quando cheguei na cabeça, dei uma leve mordida, o suficiente para arrancar um gemido mais forte dele. Sua mão, que estava no meu cabelo, apertou ainda mais forte, me puxando para perto, como se quisesse mais.
— Tá gostoso? — sussurrei malicioso, olhando pra ele enquanto sorria, meus olhos fixos nos seus olhos, vendo o prazer estampado no seu rosto.
— Tão gostoso que não tô conseguindo me segurar mais... — sua voz saiu baixa e ofegante.
Eu sabia que ele estava perto do limite, mas continuei provocando. Passei a língua devagar no buraquinho da cabeça, e foi o suficiente. O corpo dele ficou tenso, e ele gozou de uma vez, sem conseguir controlar. O jato quente espirrou tanto nele quanto no meu rosto.
— Me desculpe... — Ele rapidamente se esticou para pegar alguns lenços ao lado da cama pra limpar meu rosto.
Antes mesmo dele limpar, passei a língua no canto dos lábios, lambendo o que espirrou ao lado da minha boca. Quando ele percebeu, vi algo raro acontecer: suas bochechas ficaram rosadas, com um sorriso aberto que ele tentava conter mordendo os lábios.
— Caralho... vou ter que meter em você agora mesmo.
Eu dei uma risada baixa, me levantando enquanto ele ainda me olhava com aqueles olhos famintos, pronto pra me devorar.
— Mais tarde, talvez. Vou pensar no seu caso. — Falei, ajeitando a roupa. — Tô atrasado pra minha aula.
Ele revirou os olhos, frustrado com o balde de água fria que joguei nele.
— É sério isso?
— É... — eu respondi rindo.
— Como você ousa me dar uma mamada tão gostosa e simplesmente fugir, moleque? — Ele disse, indignado.
Dei um sorriso de canto e dei um selinho nele. Um selinho que ele segurou e transformou num beijo mais profundo, que durou um pouco mais do que eu esperava.
— Vai me deixar na vontade mesmo?
— Não posso perder a aula, você sabe... Vou te compensar depois.
— Que maldade... Tá, ok, né?! Não esquece que preciso de você hoje na Sixx, então não se atrase — ele comentou.
— Tá, tá, você já repetiu isso a semana toda... O que vai ter? Algum evento especial?
— Digamos que sim. Quer que eu te busque no fim da sua aula?
— Não precisa, eu vou com meu carro.
— Ok, mas tome cuidado garoto, por favor.
Nesse momento, senti meu relógio vibrar com uma mensagem do professor de inglês, avisando que já estava me esperando.
— Viu? — mostrei a tela do relógio.
— Agora você escapou, mas na próxima, não te garanto — ele deu uma apertadinha na minha bunda.
— Veremos, Jeon — respondi, rindo e desafiando ele.
Descemos juntos e me despedi do Jungkook com mais um beijo. Ele saiu primeiro, indo para a Sixx, enquanto eu fui pra mesa do jardim, que ficava abaixo de uma grande árvore. Virou meu refúgio preferido pra estudar. O sol brilhava forte; reforçando que o verão chegou. Os dias quentes têm sido perfeitos, trazendo uma energia boa que me motiva a estudar e a me dedicar.
Desde que ganhei o papel na peça, tenho me dedicado ao inglês de forma intensiva. Estudo todos os dias, de segunda a segunda, e essa rotina tem me deixado exausto, mas satisfeito. Precisei dar uma pausa nas aulas no instituto por um tempo, porque estava difícil conciliar com as responsabilidades da peça na Broadway e a faculdade.
Falando em faculdade, finalmente terminei. É louco pensar que, há um tempo, essa era minha maior preocupação. Eu estava tão focado nos problemas financeiros que mal conseguia imaginar o dia em que me formaria, já que não poderia pegar o diploma enquanto não pagasse tudo. O peso das mensalidades acumuladas me sufocava, e eu não fazia ideia de como ia pagar. Mas agora, olhando pra trás, tudo mudou de um jeito surpreendente, graças a um ex-mafioso que invadiu minha vida e meu coração.
— Vamos lá, Park. — a voz do professor me despertou dos meus pensamentos. — Você melhorou muito nos últimos meses, então hoje vou fazer uma avaliação pra conferir seu nível de inglês. Nosso foco será conversação e pronúncia, ok?
— Ok, eu tô pronto!
O professor começou a fazer algumas perguntas simples, e fui respondendo, tentando manter a clareza na minha pronúncia.
À medida que a aula avançava, as perguntas se tornavam mais complexas, cheias de verbos. Ele me desafiava a formar frases mais longas e a usar vocabulário variado. Fiquei surpreso com o quanto conseguia me expressar. O nervosismo foi se dissipando aos poucos, e a conversa fluiu de maneira natural.
— Excelente, Jimin! — ele disse, com um sorriso. — Agora, vamos tentar uma conversa sobre algum tema familiar pra você. Ou melhor, que tal treinar algumas das suas falas da peça?
— Claro, boa ideia.
Abri meu script no notebook e procurei pela última cena que eu estava ensaiando. Respirei fundo e comecei a ler as falas em voz alta, tentando incorporar a emoção e a entonação certas.
— Lembre-se de articular bem as palavras e usar a entonação correta. Imagine que você está realmente no palco, sendo avaliado por uma plateia de maioria americana, falantes nativos.
— Tá ok.
Conforme a aula avançava, o professor me desafiava a ir além, e minha evolução no idioma era surpreendente até para mim. Isso tudo me fazia sentir que estava no caminho certo para a minha carreira como ator e dançarino.
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Depois de quatro horas intensas de aula, finalizamos. Corri para o salão da piscina, sem pausas, onde continuaria ensaiando por vídeo chamada com os outros atores da peça, prevista para daqui um mês.
Assim que cheguei, vesti minha roupa de dança, liguei o telão e conectei a videochamada. Cumprimentei o diretor da peça, que já estava em uma conversa animada com todos os presentes. Ele falava tudo em inglês, com um ritmo acelerado que tornava difícil de acompanhar. Algumas palavras eu mal entendia, mas, pelo contexto das frases, conseguia entender o que estava sendo falado.
Respirei fundo e logo começamos os ensaios. Eles eram extremamente cansativos, principalmente porque, além de tudo, eu tinha o desafio do idioma. Se eu estivesse em qualquer outro papel na peça, talvez eu me cobrasse menos. Mas não, era minha primeira peça internacional, e eu era simplesmente o protagonista, o Peter Pan.
A peça era um musical. Isso significava que eu não só atuaria, mas também cantaria e dançaria, tudo ao mesmo tempo. Esses últimos meses foram intensos, com horas de ensaios de dança e interpretação. Até canto e uso da respiração eu tive que treinar. Era uma carga enorme, mas eu sabia que tinha que dar meu máximo.
Assim como a aula de inglês, os ensaios também duravam horas, mas eram mil vezes mais exaustivos. Ficamos ensaiando por pouco mais de três horas seguidas, e cada minuto exigia concentração total.
Ao fim dos ensaios, desliguei o telão e desabei no chão, exausto. Não era só a rotina puxada que estava me deixando esgotado. Minha doença, embora controlada, sempre dava as caras, tornando as coisas mais difíceis.
Nada que mais remédios não ajudem a segurar.
Levantei com dificuldade e fui direto para o quarto, sentindo o suor escorrer pela minha pele. O cansaço era tanto que minhas pernas mal respondiam. Entrei no banheiro e deixei a água quente do chuveiro cair sobre mim, tentando relaxar os músculos tensos. O banho era sempre a melhor parte.
Vesti uma camisa social branca, o terno preto por cima, sem gravata, e completei o look com uma calça social e sapatos pretos. No espelho, e já com o cabelo arrumado, eu parecia uma versão em miniatura de um executivo. Isso me arrancou um sorriso cansado.
Sentei na cama por um momento e respirei fundo, tentando me preparar mentalmente para o terceiro round do dia, já lembrando que ainda tinha a audiência. Me joguei na cama, apertando os olhos com força, tentando espantar o cansaço que ameaçava me consumir.
— Merda, sinto que vou falecer de cansaço... — murmurei para mim mesmo. — Bem que o Jungkook podia aliviar e me liberar de ir para a Sixx, mas ele insistiu tanto que nem tive como dizer não.
Levantei da cama, relutante, e olhei para o relógio. Não havia tempo para reclamar.
— Força, Park! — falei confiante.
Desci até a cozinha e vi a Sra. Lee organizando algumas louças nos armários. Ela percebeu quando eu comecei a tomar os remédios, e rapidamente veio até mim, com aquele olhar de preocupação maternal.
— Tá tudo bem, meu menino?
— Uhum, tá sim...
Ela suspirou, não acreditando muito na minha resposta.
— Há meses eu não te vejo sequer respirar. Diminua esse ritmo, hm?!
— Vou tentar, prometo. — falei, mesmo sabendo que era uma promessa difícil de cumprir.
Ela me deu um sorriso zeloso.
Peguei uma maçã e me despedi dela. Caminhei até meu carro enquanto comia, já que eu não tinha ideia de quando teria um tempo pra comer.
Liguei o carro, o ronco do motor me despertou do meu cansaço. Enquanto dirigia pelas ruas da cidade, meus pensamentos continuavam a rodar, como o motor do carro. O céu azul e o calor do verão me faziam querer estar dormindo jogado na beira da piscina, sem compromisso ou dever algum.
Eu precisava urgentemente de um descanso.
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Cheguei na Sixx e caminhei em direção ao elevador, sentindo o leve eco dos meus sapatos contra o piso.
Durante todos esses meses, mesmo com a transferência da empresa pra mim, ele continuou no comando. Foi um verdadeiro alívio, já que não fazia sentido colocar o controle de uma multinacional nas mãos de alguém como eu, que mal entendia de gestão de empresas.
Honestamente, não teria tempo de aprender com tudo que está acontecendo na minha vida agora. Jungkook sempre soube disso e, felizmente, permaneceu à frente da Sixx. E seguimos assim, sem que ninguém saiba, era o ideal.
Quando o elevador parou no último andar, fui em direção à Hanni, que estava organizando alguns papéis na sua mesa.
— Oi, Hanni, boa tarde. Sabe se o Jeon está ocupado?
— Boa tarde, Sr. Park. Ele me pediu para te avisar que estaria esperando no auditório.
Auditório? Que estranho, esperava que ela dissesse que ele estava na sala de reunião, ou algo do tipo.
— Ok, muito obrigado.
Saí do andar e, enquanto caminhava pelos corredores amplos e elegantes da Sixx, fui para minha sala no marketing, que estava vazia. Deixei minha mochila lá e voltei a andar pela empresa. Os corredores também pareciam menos movimentados.
Eu não fazia ideia de onde ficava o tal auditório. Me vi um pouco perdido em meio ao prédio imenso, mas continuei seguindo, tentando me orientar pelas placas.
Depois de alguns minutos e de pedir ajuda duas vezes pelo caminho, finalmente encontrei o auditório. Ele era amplo, com um palco elegante na frente, e já havia alguns funcionários sentados, embora a maioria dos lugares ainda estivesse desocupada. Talvez seja por isso que as salas estejam vazias.
— Deve ser algum treinamento, provavelmente... — murmurei para mim mesmo, enquanto escolhia um dos lugares para sentar.
Eu sempre odiei me destacar e preferia ser invisível, então escolhi um lugar na última fileira, lá no fundo. Não muito tempo depois, dois colegas do marketing me viram e se juntaram a mim.
— E aí, Park! — um deles cumprimentou.
— O que tá acontecendo? Por que estamos aqui? — perguntei.
— O Presidente chamou todos. Mas o que você está fazendo aqui no fundo? Você é noivo dele, tinha que estar lá na frente.
— Não inventa. Melhor eu ficar aqui mesmo.
Próximo ao palco, vi o Jungkook conversando com o Yoongi, Hoseok e mais alguns homens que pareciam ser parte da diretoria. Meu supervisor de marketing também estava com eles.
O Jungkook se destacava, como sempre. Ele era lindo, e seu corpo forte me fazia ter os pensamentos mais sujos e impuros com ele. Cada movimento que fazia transmitia uma confiança que me atraía de maneira irresistível.
Enquanto meus olhos desejavam ele com essa pose de bravo, o Jungkook foi à frente do palco e começou a falar. A princípio, ele abordou assuntos chatos como metas, novas ferramentas de tecnologia, e até a criação de um novo setor. Ele mostrou como os números da Sixx prosperavam dia após dia, e a culpa por ele ter me dado sua maior empresa voltou a apertar no meu peito.
Isso não era justo...
À medida que suas palavras ecoavam pela sala, fui consumido pela dúvida. Eu realmente não estava preparado para assumir essa responsabilidade. Talvez eu tivesse uma chance de recusar... Isso mesmo. Assim que essa reunião terminar, eu ia falar com ele e sugerir que transfira a empresa de volta para ele.
Enquanto ele continuava a falar com sua postura imponente, que todos respeitavam; ou até temiam, meus pensamentos viajavam, distantes. Estava tão imerso neles que nem percebi quando ele começou a falar de mim, até que senti uma cotovelada do colega do meu lado.
— Ele tá falando com você, acorda! — ele sussurrou.
Despertei num susto e, ao olhar ao redor, percebi que todos os olhares estavam sobre mim, tanto no auditório quanto no palco.
— E-eu? — apontei para mim, gaguejando.
Jungkook concordou e me chamou.
— Merda... — murmurei, levantando devagar, completamente envergonhado. Minha vontade era desaparecer ali mesmo, sem jeito, sentindo o peso dos olhares.
E se eu fingir um desmaio?
Cada passo até o palco parecia mais pesado que o anterior. Minha postura denunciava minha insegurança, e eu odiava me sentir assim. Ser o centro das atenções sempre foi algo que evitei na vida real, por mais irônico que isso fosse para alguém que atua e dança. No palco de um teatro, eu sabia quem eu era e o que fazer. Mas aqui, com todos aqueles executivos de terno me encarando, eu sentia como se estivesse exposto.
Quando subi no palco, senti o peso dos olhares ainda mais curiosos. Jungkook, com seu jeito confiante, se aproximou e, sem hesitar, passou a mão pelo meu pescoço. Em seguida, ele me deu um beijo suave na testa, diante de todos. Antes que eu pudesse reagir, ele voltou a olhar para a plateia, me segurando pela cintura com firmeza, como se quisesse provar pra todos que eu era dele.
— Como já é de conhecimento de todos, Park Jimin, funcionário do setor de marketing, é meu noivo, e a partir da próxima semana, ele será o novo presidente e proprietário da Sixx. Eu ficarei como vice, então não pense vocês que vão se livrar de mim, porque não vão.
Eu não estava preparado para isso, não desse jeito. O auditório ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente processando a notícia, antes que alguns murmúrios começassem a se espalhar. Eu senti meu rosto esquentar... Nossos olhares se encontraram, e ele me olhava tão confiante que de certa forma, me fez bem.
Ele então olhou para a plateia com aquela expressão intimidadora que ele sabia usar tão bem, mantendo uma mão firme na minha cintura enquanto falava.
— E pra deixar bem claro, qualquer murmurinho ou fofoca sobre esse assunto será motivo de demissão imediata. Vocês me conhecem o suficiente pra saberem que não tenho tolerância alguma com esse tipo de situação.
Ao mesmo tempo que eu estava me sentindo nervoso, a presença dele ao meu lado, me segurando daquele jeito, me passava segurança. Mesmo que eu não quisesse estar ali, ele me fazia sentir que de alguma forma eu conseguiria enfrentar isso.
Jungkook então me deu um olhar rápido, como quem diz "está tudo bem", antes de continuar falando com o auditório, repleto de funcionários.
🫐
Ao fim da reunião, todos foram liberados e se dispersaram aos poucos. Alguns executivos vieram me parabenizar pelo novo cargo, e eu tentei disfarçar minha timidez.
Quando saímos, fui com ele até sua sala. No elevador, ele estava no celular, então não o interrompi, mas assim que entramos, ele fechou a porta e encerrou a chamada.
— Por que você fez aquilo?
— Aquilo o quê? — Ele me olhou com estranheza.
— Não se faça de bobo, Jungkook.
— Se você não quiser que eu fique de pau duro de novo, não fale meu nome assim. Você sabe que vou querer te pegar, ainda mais depois da vontade que me deixou hoje cedo.
Sentei na cadeira em frente à mesa dele, cruzando os braços, emburrado.
— Não me provoca, eu tô bravo.
— Bravo por quê, me diz? — perguntou, se divertindo com meu comportamento.
— Porque você me colocou na droga de um palco, na frente de todo mundo, sem nem me avisar! Eu tenho ansiedade, e preciso de preparação pra uma atitude dessas. Tem noção que meu coração parecia que ia voar pela minha boca?
Ele se aproximou devagar, com as mãos no bolso e uma calma quase ameaçadora. Seus passos eram pesados, e cada um parecia ecoar na sala silenciosa. Ele parou diante de mim, apoiando as mãos com firmeza nos braços da cadeira onde eu estava sentado, me encarando com aquele olhar que sempre me desarmava.
— Eu fico excitado te vendo bravo assim... — A voz dele saiu baixa, quase um sussurro, carregada de intenção.
Automaticamente, meus olhos desceram até a altura da calça dele, e não demorou para eu perceber que ele estava realmente excitado.
— Você só pode ser um masoquista, gostar de me ver bravo...
— Por você, eu sou. Se você pisar em mim, eu vou te agradecer e pedir pra pisar mais.
Assim que ele respondeu, quebrou minhas armaduras e eu dei uma risadinha, mas antes que eu tivesse tempo de reagir, ele me segurou com firmeza, como se eu não pesasse nada, e me levantou da cadeira com facilidade. Antes que eu pudesse reclamar de novo, ele me deitou em cima da sua mesa com um único movimento, jogando de lado tudo o que estava em cima dela.
— O que você pensa que tá fazendo? Me solta!
O toque firme das mãos dele apertando minha cintura, junto com a intensidade no olhar, fez um calor louco subir pelo meu corpo, trazendo à tona uma mistura desconcertante de raiva e desejo.
Antes que eu pudesse processar, ele avançou, segurando meu rosto com uma das mãos enquanto seus lábios encontravam os meus com voracidade. O beijo foi intenso, como se ele quisesse deixar claro que qualquer resistência da minha parte seria inútil. Suas mãos continuaram a me apertar pela cintura, me segurando firme, enquanto o calor de seu corpo se pressionava contra o meu.
Tentei resistir por um segundo, mas era óbvio que não adiantaria... eu gostava disso.
Entre o beijo, ele desceu a mão rápido e desabotoou minha calça.
— Nem pense, Jungkook.
— Só um pouco... — Ele insistiu, com um sorriso sem-vergonha nos lábios.
— Não temos nem lubrificante aqui.
— Quem disse que não? — Ele arqueou uma sobrancelha, antes de se esticar até a gaveta da sua mesa, e em questão de segundos, mostrou um sachê de lubrificante.
— Só pode ser brincadeira. Posso saber por que você tem isso aqui na sua sala?
— Porque eu tinha esperanças de pegar o novo presidente aqui. Acho que esse momento chegou.
Em um movimento ágil, mas cuidadoso, ele me virou de costas. Fiquei com os pés no chão, e o corpo deitado na mesa, de barriga para baixo. Ele abaixou um pouco a minha calça e, confiante, puxou seu pênis para fora, espalhando o lubrificante com precisão. A respiração dele estava ofegante, e suas mãos geladas.
Tudo estava tão rápido que eu mal estava raciocinando. Por que era tão bom? Eu mal consegui disfarçar meu sorriso.
Sem rodeios e nem meias palavras, ele me penetrou. A dor de não ter sido preparado tomou conta de mim, e ele apertava minha cintura e ia devagar, tentando se conter pra não me machucar.
— Me avisa se doer demais.
— Tá doendo...
— Vai passar.
Eu tentei olhar pra trás, indignado.
— Porra, então por que me pediu pra avisar?
Ele deu uma risadinha ofegante e continuou.
— Não tenho culpa que você é tão apertadinho, meu amor.
Ele abaixou o rosto até a minha nuca e segurou minhas mãos, que estavam apoiadas na mesa, mantendo o ritmo lento. Quando a dor começou a não ser mais um incômodo, ele se aproveitava pra colocar mais fundo... Droga, como isso era bom.
Meus pés ficavam ligeiramente nas pontas, e eu tentava segurar os gemidos e o barulho da bagunça na mesa, completamente perdido no prazer.
Até que um barulho seco de alguém bateu na porta, ecoou.
— Sr. Jeon? — era a voz da secretária dele.
— Shh... — Ele colocou o dedo nos lábios, me pedindo silêncio, enquanto continuava me penetrando devagar. Apertou um botão no telefone na mesa com a outra mão e interfonou para sua secretária, deixando no viva-voz. Assim que ela atendeu, ele parou o movimento.
— Diga, Hanni — sua voz saiu firme, apesar da respiração pesada.
— Desculpe, Sr. Jeon, mas o oficial Seokjin chegou.
Ele ainda estava dentro de mim, sem pressa de sair. Fechou os olhos por um instante e respirou fundo.
— Ok, peça para ele aguardar.
Desligou o telefone sem tirar os olhos de mim, as mãos voltando imediatamente para minha cintura enquanto ele retomava os movimentos. Meu corpo reagiu ao impulso dele, e, em um reflexo, virei um pouco a cabeça para olhar para trás, apoiando a mão na barriga definida dele.
— Ei, sério? Você não vai deixar o cara esperando só pra continuar transando, né?
Ele riu baixo, com aquele ar de quem sempre tem o controle, e passou a mão pelos meus cabelos, puxando de leve enquanto se inclinava até o meu rosto, seus lábios quase tocando minha pele.
— Eu não deixaria esse momento por nada. Nós não vamos demorar.
— Não não, vamos parar. Não quero fazer nada com pressa.
Mesmo relutante, ele tirou de dentro de mim, mas continuou com a boca na minha nuca, passando a língua e me dando chupões.
— Vai me deixar com vontade de novo, moleque? — ele sussurrou ofegante.
— Vai passar... Você é forte. E eu vou te recompensar por isso — soltei uma risada.
Ele levantou e eu também, tentando arrumar minhas roupas, que estavam completamente amassadas.
— Acho que agora o tirano é você... Pra compensar o que fez de manhã e agora, vou ter que me vingar.
— Pff, você só fala. — ri. — Agora vou lá pro meu setor.
— Me aguarde. E se quiser, pode ir conhecer sua sala nova.
Olhei surpreso pra ele.
— Sala nova? Sério?
— Sim, a Hanni vai te mostrar. Sei que você não quer gerenciar a Sixx, mas, quando vier, vai ter um lugar só seu, mesmo que continue com suas atividades no marketing.
Sorri e o abracei, enchendo seu pescoço de beijos, sentindo o cheiro delicioso dele.
— Obrigado.
Ele abriu aquele sorriso bonito e sedutor, de um jeito que me deixou até meio desorientado enquanto eu saía.
— Não vai embora sem mim, entendeu? Me espere.
Abanei as mãos e saí sem olhar pra trás. Fui até a Hanni e pedi que ela me mostrasse a sala, achando que seria em outro andar. Quando vi, era logo ao lado da dele, o que me fez rir sozinho. Claro que ele tinha pensado nisso.
A porta era grande e, ao abrir, me deparei com um ambiente completamente diferente de tudo o que eu imaginava. Era moderna, com uma enorme mesa de madeira clara ao centro, prateleiras de vidro nas paredes e janelas gigantes que ofereciam a mesma vista incrível da sala dele.
— Uau... — murmurei, quase sem acreditar.
— Com licença, Sr. Park — a Hanni sorriu e saiu.
Me aproximei da mesa, passando a mão pela superfície lisa, enquanto tentava absorver tudo.
Diferente da sala dele, que era decorada com móveis e paredes escuras, tudo aqui era mais claro e leve, refletindo meu gosto pessoal. Não só isso, ele realmente pensou na decoração; tudo era clean e bem organizado, com tudo que ele sabia que eu ia gostar. Na parede, ele até colocou o autógrafo que ganhei do dançarino, meu ídolo, que vimos na apresentação.
Sentei na cadeira atrás da mesa e suspirei fundo. A vista era incrível, a mesma que eu admirava da sala dele, e eu olhava lá pra baixo, ainda sem acreditar no que estava acontecendo. O silêncio da sala me envolveu, e a magnitude de tudo começou a pesar.
No fim, eu não consegui abrir mão e devolver a empresa pra ele, e agora todos sabem.
Na mesa, havia uma plaquinha de metal, e, quando virei, pude ler meu nome, seguido da frase: "Presidente da Sixx Corporation".
— Você é inacreditável, Jeon Jungkook. — murmurei, com um sorriso bobo nos lábios.
Há um tempo atrás, eu era apenas um universitário do interior, fodido e endividado, e por causa de uma dívida com um até então mafioso, aconteceram todas essas mudanças. A vida realmente conseguia ser insanamente louca.
Me joguei no sofá que estava ali, e meus pensamentos vagavam sobre várias coisas.
Enquanto eu ainda estava deitado, o sono começou a me dominar. A verdade é que, mesmo sabendo que poderia aproveitar aquele tempo pra trabalhar, estudar mais sobre inglês, canto, dança ou atuação, escolhi a sexta opção: dormir.
O sofá era incrivelmente confortável, quase parecia um convite. O calor do sol que entrava pela janela me envolvia como um cobertor, criando uma atmosfera de segurança e relaxamento.
Fechei os olhos, e logo dormi, onde as preocupações foram se afastando, dando lugar a um momentos de paz.
🫐
Acordei e olhei rápido para o relógio no meu pulso, e vi que já estava próximo do fim de tarde.
— Mas que droga, eu dormi demais...
O cochilo só serviu para me deixar com mais sono. Desci para o estacionamento, me escorando no elevador enquanto o movimento só aumentava minha vontade de dormir.
Quando finalmente cheguei ao meu carro, entrei e fechei os olhos, apoiando a cabeça no banco. A sensação de cansaço era pesada, como se todo o estresse dos últimos dias tivesse se instalado em meus ombros, tornando cada movimento um pouco mais difícil.
De repente, a porta do carro se abriu, e o Jungkook apareceu, com um olhar preocupado. Ele sempre tinha esse jeito de se preocupar comigo, e era uma das coisas que mais amava nele.
— Você está bem?
Eu dei uma risada fraca, mantendo os olhos semiabertos, tentando parecer mais bem disposto do que realmente estava.
— Uhum, só tô um pouco cansado.
— E eu ainda te convenci a fazer sexo, me desculpe.
Era engraçado como seu jeito durão desaparecia quando estávamos a sós. A forma como ele falava, com aquele tom carinhoso, me fazia sentir um misto de segurança e alegria.
— Não peça desculpas, eu também quis — respondi, com um sorriso bobo. — Vamos terminar o que começamos.
Ele deu um sorriso desajeitado, seus olhos brilhando de uma forma adorável, e fez uma leve apertadinha no meu queixo.
— Agora só quando você estiver melhor e descansado, o que não é o caso de hoje. Vem para esse banco, eu dirijo.
Meus lábios se curvaram em um sorriso involuntário enquanto trocamos os lugares.
— O que vocês conversaram? — perguntei.
— Já estava tudo certo com aquele promotor, conhecido do Seokjin, mas o juiz trocou de última hora. — Ele respirou fundo. — Parece que o cara é meio incisivo, mas isso não importa. Minhas chances de responder em liberdade continuam.
Aquelas palavras caíram como um peso em meu estômago. Embora tentasse me manter otimista, ouvir isso me fez sentir um frio na espinha. A expressão no meu rosto com certeza denunciava a tempestade de emoções que eu estava enfrentando. Eu queria ser forte por ele, mas a preocupação tomava conta.
— Se acontecer de eu ser preso, não quero que você deixe de apresentar sua peça. E cuide da Sixx, o Yoon e o Hoseok te ajudarão. — Ele falou, olhando para a direção.
— Nós já falamos sobre isso, Jeon.
Bastou dizer seu sobrenome pra ele me olhar.
— Não me chame assim.
— Sem você eu não vou me apresentar, nada mais vai fazer sentido. Fim desse assunto.
Ele suspirou fundo entre uma risadinha leve.
— Às vezes me esqueço o quanto você é teimoso. — Ele colocou a mão nas minhas pernas. — Mas, pra esse assunto, não quero que aja dessa forma.
Prisão... só de pensar nessa palavra meu peito doeu. A ideia dele atrás das grades me deixava sem ar, como se uma mão invisível estivesse apertando meu coração. Eu queria ser forte, mas cada vez que imaginava isso, uma onda de desespero me invadia.
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Assim que chegamos em casa, mesmo com a vontade de descansar, eu sabia que era hora de me arrumar para a tão temida audiência de julgamento. Era o quinto round do meu dia... Ou seria o sexto? Sétimo? Eu já nem conseguia contar, de tanto que a rotina havia se misturado na minha cabeça.
Descanso parecia um luxo distante, e eu precisava me conformar com a única horinha de descanso que tive na minha nova sala.
No quarto, Jungkook se movia de um lado para o outro, falando no celular com o advogado. Ele havia escolhido um terno elegante, que realçava seus traços marcantes e seu porte imponente. Era impossível não notar como ele era extremamente lindo, mesmo com a expressão séria.
Eu estava em frente ao espelho, observando meu reflexo e tentando organizar os pensamentos enquanto arrumava meu cabelo. Eu estava me sentindo tenso, e tentava respirar pra me acalmar. Foi então que o Jungkook parou na porta atrás de mim. Ele me encarou pelo reflexo do espelho, seus olhos escuros cheios de um misto de preocupação e carinho.
— Vai ficar tudo bem, ok? Desfaz essa carinha.
Eu olhei para baixo, os sentimentos de insegurança tomando conta de mim. Era a primeira vez, após cinco meses de otimismo com esse assunto, que hesitava. O medo começou a se infiltrar nos meus pensamentos.
— Eu não quero ficar sem você, e realmente não sei o que vou fazer se você for preso — confessei, a voz embargada.
Ele se aproximou, me envolvendo em um abraço apertado, e o calor do seu corpo contra o meu parecia derreter parte da ansiedade que me consumia. Ele beijou meu pescoço, com o toque dos seus lábios provocando um arrepio que se espalhou por mim.
— Não vai ficar sem mim. Nosso destino é ficar juntos, independente do que vier pela frente — a calma na voz dele me envolveu.
Eu era literalmente o único que estava nervoso.
Fechei os olhos por um momento, mergulhando na segurança que ele me transmitia. Tudo o que eu conseguia sentir era o calor do corpo dele contra o meu, e o ritmo constante do seu coração batendo.
Quando finalmente nos separamos, a realidade voltou.
— Obrigado por me acalmar.
Ele deu um sorriso e segurou minha mão.
— Vai dar tudo certo. Vamos?
— Uhum.
Sem perder mais tempo, caminhamos em direção ao carro. O sol já se escondia no horizonte, deixando um rastro de laranja e roxo no céu, que gradualmente se transformava em um manto de nuvens escuras. Era como se o próprio clima estivesse refletindo a tensão que pairava sobre nós.
Enquanto Jungkook dirigia em direção ao fórum, olhei pela janela, tentando me distrair com a paisagem de Seoul. As luzes da cidade começaram a brilhar, mas a beleza do cenário não conseguiu dissipar a ansiedade que se acumulava em meu peito. Respirei fundo, controlando minha respiração em um padrão ritmado, como se pudesse enganar meu corpo e evitar uma crise de ansiedade.
Era um horário incomum para um julgamento, mas o do Jungkook seria o último do dia. O pensamento de que outras pessoas, cujas histórias eu desconhecia, passaram pelo mesmo tribunal ao longo da manhã e da tarde apenas aumentava meu desconforto. O juiz, cansado, provavelmente estava sem paciência, o que poderia ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. Eu sabia que isso poderia significar decisões rápidas, mas também tinha medo que a pressa o levasse a ser severo.
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Na entrada do fórum, o advogado já estava nos aguardando, junto com o Yoongi, que também estava lá. O Yoongi também foi julgado, há dois meses atrás, e ele estava respondendo em liberdade. Essa era nossa esperança para o Jungkook.
Todos permaneciam com expressões de calma no rosto, que não pareciam condizer com o peso do momento. Será possível que só eu estivesse com medo?
Depois de um longo abraço apertado e algumas palavras rápidas de encorajamento, seguimos cada um para seu caminho. Jungkook foi com o advogado para a revista de segurança, e eu e o Yoongi fomos até nossos assentos, próximo ao júri.
Nos sentamos ao lado de onde o Jungkook ficaria, meus olhos sempre atentos ao movimento ao redor. Era estranho estar ali, naquela sala, com paredes tão frias, sabendo que minha felicidade estava em jogo. Se ele fosse preso, todos os nossos planos futuros iam por água abaixo. Casamento, peça na Broadway, tudo.
O ar estava denso, como se carregasse toda a tensão acumulada nos meses anteriores.
— Droga, sinto que vou praticamente morrer aqui... — sussurrei enquanto sentia meu coração pular do meu peito.
— Respira, fica calmo. Ele tem uma boa chance também. É difícil assumir, mas o policial foi essencial, tanto pra mim quanto para o JK — o Yoongi respondeu sussurrando também.
— Sim, ele foi. Isso é tão louco...
— Nem me fale. Ele mudou da água para o vinho. Bom, ainda bem.
O som das portas se abrindo ecoou no ambiente, e eu ergui o olhar, vendo o Jungkook entrar. Ele estava sério, mas firme, seu olhar determinado enquanto caminhava até o banco dos réus. Era impossível não admirar a forma como ele lidava com a situação, mesmo com a possibilidade do pior resultado pairando sobre nós.
Ele se sentou, e nossos olhos se encontraram. Eu quis sorrir, mostrar que estava ali, que ele não estava sozinho, mas meu corpo mal reagia. Então, ele me deu um sorriso sutil, que dizia tudo sem precisar de palavras. Não importava o que acontecesse ali, nós enfrentaríamos juntos.
O juiz entrou logo em seguida, e a audiência começou. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto os procedimentos se desenrolavam, mas tudo o que eu podia fazer era observar, tentando controlar o medo e a ansiedade.
A sala de audiências parecia engolir qualquer som que não viesse dos advogados ou do juiz. O advogado começou sua defesa, argumentando com confiança, enquanto eu observava, incapaz de desviar os olhos dele.
O Jungkook se manteve tranquilo, o que me dava uma ponta de alívio. Ele sempre foi mentalmente mais forte do que eu, sempre lidou com as situações de cabeça erguida, mas saber que ele dependia de decisões que estavam fora de nossas mãos me consumia por dentro.
E então, o promotor começou. Meu estômago se revirava a cada vez que ele falava, acusando o Jungkook e distorcendo tudo.
Em certo momento, o mesmo promotor chamou uma testemunha, e bastou isso pra sentir ainda mais o aperto no coração.
— Mas que merda, quem é esse filho da puta? — o Yoongi sussurrou.
Eu também não fazia ideia.
Todos prestavam atenção em cada palavra que saía da boca do homem estranho, com uma sensação amarga crescendo em mim. A maneira como ele descrevia as coisas no hostel parecia cheia de mentiras, e, ao lado do advogado, Jungkook apertou a mandíbula. Eu sabia que ele estava com raiva, mas ainda assim, fingia calma.
Que mentiroso desgraçado!
O tempo passou como um borrão, até que o juiz finalmente anunciou que daria um breve recesso. Eu achei que teria a chance de ir até o Jungkook, mas infelizmente, não pude. Ele ficou o recesso todo com o advogado, e pela expressão dos dois, que já não era tão positiva, eu sabia que essa testemunha tinha atrapalhado tudo.
Eu e o Yoongi saímos do tribunal, o ar lá dentro estava sufocante e eu precisava urgente de uma água. Minhas mãos tremiam enquanto eu bebia a garrafa que ele me trouxe.
— Yoongi, realmente aconteceu isso que ele contou? — perguntei, tentando manter a calma, mas a dúvida me corroía por dentro.
Ele suspirou, olhando para o chão por um segundo antes de levantar o olhar para mim.
— Havia algumas poucas pessoas hospedadas naquele albergue, mas nós tiramos todas antes de colocar fogo. As coisas que esse cara disse... são mentiras enormes.
Eu coloquei a mão na testa, sentindo o peso de cada palavra.
— Eu não acredito nisso... — murmurei.
Antes que Yoongi pudesse responder, ouvimos passos se aproximando. Quando me virei, vi que era o Jin, com sua expressão simpática, mesmo em meio ao caos.
— Jin, aquele desgraçado tá mentindo! — falei, minha voz quase implorando. — Faz alguma coisa, por favor!
Ele parou na nossa frente, suspirando fundo antes de responder.
— Eu imaginei que era mentira, algumas coisas do que ele disse não condizem com o depoimento das outras pessoas presentes. A essa altura, o juiz já percebeu.
Essas palavras fizeram o ar que estava preso no meu peito finalmente sair. A tensão diminuiu, e eu consegui respirar mais fundo, sentindo um alívio momentâneo. Yoongi se afastou um pouco pra acender o cigarro, enquanto o Jin permaneceu comigo.
Eu o encarei por alguns segundos, antes de soltar a pergunta que estava presa na minha garganta há algum tempo.
— Eu não quero parecer indelicado, mas... por que está nos ajudando?
Jin me olhou de canto, seu rosto mantendo aquela expressão calma e controlada de sempre. Ele deu um leve suspiro antes de responder.
— Porque o sentimento de vocês é verdadeiro, assim como a intenção do Jeon de mudar. A sorte dele foi ter se envolvido com você. Minha consideração é porque te conheço desde pequeno. Se fosse qualquer outra pessoa, eu não teria essa mesma consideração.
Eu sorri de leve, olhando para minhas mãos. De todas as coisas que eu esperava, o Jin nos ajudando dessa forma era a última delas. Mesmo com seu jeito, ele estava ali, do nosso lado. Era algo que eu nunca poderia ter previsto.
— Muito obrigado por tudo o que fez. Bem... sei que tem mil motivos pra recusar, mas eu ficaria feliz se você e sua esposa fossem ao nosso casamento. Vai ser na fazenda dos meus pais.
Jin arregalou os olhos e tossiu, tentando disfarçar a surpresa que tomou conta dele.
— Você está falando sério?
— Uhum. Eu vou gostar, e sei que o Jungkook também — respondi com um sorriso sincero, esperando que ele aceitasse o convite.
Ele me olhou por um segundo antes de abrir um sorriso de gratidão.
— Eu adoraria — respondeu de forma calorosa.
— Fico feliz! E novamente, obrigado por tudo.
Ele deu um sorriso simpático.
Ao fim do tempo do recesso, todos nós voltamos para a sala de julgamento. O silêncio era quase opressor, e o som dos nossos passos ecoava pelo chão de mármore. Eu me sentei novamente, sentindo o coração acelerar à medida que o momento final se aproximava.
Jungkook já estava no banco dos réus, seu semblante sério, mas ainda confiante. Ele me lançou um olhar rápido, e eu tentei retribuir com um sorriso de apoio. Seus olhos grandes brilharam pra mim, e bastou esse gesto pra sentir meu coração praticamente derreter de amor.
O juiz voltou para a sua posição, e todos estavam ansiosos pelo veredito. Cada segundo parecia uma eternidade. Quando pegou os papéis e começou a falar, eu mal consegui respirar, o barulho de sua voz se misturando com a minha ansiedade crescente.
E então, eu fui chamado para prestar depoimento como vítima. Ao ouvir meu nome sendo chamado, senti um arrepio percorrer minha espinha. Respirei fundo, tentando acalmar o nervosismo que tomava conta do meu corpo, e caminhei até a cadeira de testemunho.
Assim que me sentei, olhei ao redor. Todos os olhos estavam voltados para mim, mas eu me forcei a não pensar nisso. O advogado já havia me preparado para esse momento dias antes, explicando detalhadamente o que eu deveria dizer e como me comportar. Eu apenas precisava seguir as orientações, ser honesto e direto.
A primeira pergunta veio do promotor. Descrevi os momentos com aquela louca, o medo que senti e, acima de tudo, como Jungkook salvou minha vida.
— E então, você está me dizendo que valeu a pena o réu sacrificar várias pessoas pra te salvar? — o promotor me perguntou.
— Não, não estou dizendo isso. Eu não escolhi passar por toda essa situação, mas eles escolheram cometer aquelas torturas comigo. Eles sabiam dos riscos — respondi, mantendo minha voz firme.
O promotor estreitou os olhos, claramente insatisfeito com a minha resposta. Ele fez mais algumas perguntas, todas com o mesmo tom provocador, tentando me induzir a tropeçar em minhas palavras.
Isso não ia funcionar, e esse promotor filho da puta vai perder esse caso.
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Depois de mais três horas de acusações e defesas, o juiz finalmente revisava os últimos documentos apresentados. A sala estava em um silêncio mortal, cada olhar fixo nele, aguardando o veredito com uma mistura de ansiedade e exaustão. Eu sentia minhas mãos suadas e meu coração acelerado, como se cada segundo que passava fosse uma eternidade.
O juiz suspirou profundamente, ajustando os óculos com um gesto lento e preciso, enquanto observava a sala em silêncio. Seu olhar passou primeiro pelo Jungkook, que mantinha a cabeça erguida. Em seguida, ele desviou os olhos para o advogado de defesa, que o encarava com expectativa, e por fim, para o júri.
— Após considerar minuciosamente todas as evidências apresentadas e os depoimentos ouvidos, sentencio o réu, Jeon Jungkook, por homicídio culposo de Hiun Sohee. Declaro também que o mesmo agiu em legítima defesa, sendo crucial para a sobrevivência da vítima. Devido a isso, deverá o réu cumprir sua sentença em liberdade, com as devidas medidas restritivas e sob supervisão. Sem mais declarações, declaro o julgamento finalizado.
Ele bateu o martelo, e ao ouvir aquelas palavras, uma onda de alívio tomou conta de mim, como se o medo finalmente tivesse ido embora de cada pedacinho do meu corpo. Eu olhei para o Jungkook, que tentava disfarçar sua emoção em meio a todas aquelas pessoas, mas seus olhos grandes brilhavam pra mim com um misto de alívio e felicidade.
A necessidade de sair daquele lugar tomou conta de mim como uma onda avassaladora. Assim que a porta se abriu, não hesitei. Corri para o lado de fora, onde me juntei a Yoongi, que já estava me esperando com um olhar que misturava alívio e felicidade. O ar fresco bateu no meu rosto, como se estivesse me libertando de um peso que eu nem percebia que carregava.
— Nem acredito que deu tudo certo!
— E agora, acabaram as preocupações de vocês — Yoongi respondeu.
— Sim, finalmente... Yoongi, eu posso te perguntar uma coisa?
— Claro.
— O Jungkook realmente parou com tudo? Digo, não estou duvidando dele, mas eu sei o quanto é difícil se desvencilhar da máfia.
Yoongi confirmou com a cabeça, confiante, e respondeu.
— Sim, tudo. Agora sou eu e o Hoseok quem cuidamos das operações, e não há mais ligação alguma com ele. Ele realmente se afastou.
Ouvir aquilo me trouxe um conforto imenso, mesmo que, no fundo, eu já soubesse.
— Obrigado.
E então, meu coração disparou quando meus olhos se dirigiram novamente para a saída do fórum e vi o Jungkook se aproximando com o advogado. Sem pensar duas vezes, corri em sua direção e pulei em seus braços, sentindo a segurança de seu abraço. Ele me segurou firme, me girando no ar enquanto me envolvia em um abraço apertado.
— Nós conseguimos! Eu tô tão feliz! — falei, extasiado.
— Eu também estou, pirralho.
Ele beijava meu pescoço, fazendo cócegas, e eu não conseguia conter as risadas que escapavam entre as lágrimas de felicidade. Era uma sensação estranha e maravilhosa.
Após nossas comemorações, o advogado nos passou mais algumas instruções, lembrando que, mesmo em liberdade, Jungkook ainda tinha uma sentença a cumprir, o que pesava sobre nós como uma sombra.
Assim que o advogado e o Yoongi foram embora, o Jin se aproximou de nós no estacionamento. Fiquei aliviado ao ver que, após tanto tempo sendo inimigos declarados, os dois estavam se dando bem. Era um sinal de que as coisas estavam mudando.
— Obrigado por toda a ajuda, Seokjin — Jungkook agradeceu, sua voz carregada de gratidão, mesmo que agradecer fosse um enorme desafio para ele.
— Não precisa agradecer. Agora é seguir em frente, e não esqueça de me manter informado sobre a viagem de vocês. Se cuidem — Jin respondeu, com um sorriso sutil. Ele se despediu e se afastou, deixando um ar de esperança no ar.
Considerando a sentença, nós não poderíamos sair da Coreia, mas, graças ao Jin, agora tínhamos uma chance.
Com o peito cheio de felicidade, seguimos para casa, finalmente livres da sombra do medo. Enquanto ele dirigia, um silêncio confortável pairava no ar, mas, de repente, Jungkook disse algo que me deixou congelado.
— Eu não matei a Sohee.
Eu virei imediatamente pra ele, os olhos arregalados, e indignado.
— Espera aí, o que você disse?
— Fui eu quem mandou, mas não fui eu quem matou ela. Porque eu queria ir até você.
— Só pode ser brincadeira... e quem fez isso?
— Um dos meus homens, não importa quem.
Aquelas palavras pesadas pairavam entre nós, e eu apoiei o braço na janela, deixando a cabeça na mão, tentando processar o que acabei de ouvir.
— E por que passamos por toda essa merda de angústia por todos esses meses, se você não tem culpa?
— Eu jamais acusaria alguém que só estava obedecendo minhas ordens. E só te contei isso porque achei que você deveria saber, mas esqueça esse assunto. Já está tudo resolvido.
Cruzei os braços, sentindo uma frustração crescente. Era uma situação complicada; ele estava certo, agiu de maneira justa, mas isso não diminuía o medo que enfrentamos.
— Mas que droga... — resmunguei.
— Não fica bravinho não, você sabe onde isso pode dar.
— Não vamos transar.
Ele soltou uma risada, um som que sempre conseguia aliviar a tensão entre nós.
— Então não me provoca, garoto.
Assim que chegamos em casa, a minha marra acabou rápido com os beijos e carinhos dele. Fomos até o quarto, e após um banho quentinho que tomamos juntos, deitamos na cama, sentindo os lençóis caros deslizando sobre nossa pele.
— Boa noite, meu amor... — ele sussurrou, fazendo o mesmo carinho suave no meu cabelo. Aquele cafuné sempre foi fatal para mim.
— Boa noite, Kookie.
A atmosfera era tranquila, e o calor do nosso corpo sob os lençóis tornava tudo ainda mais aconchegante. Fechei os olhos, permitindo que a sensação de segurança me envolvesse, sentindo que finalmente poderemos ser felizes, em paz.
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Um mês depois.
Acordei com o melhor humor possível, afinal, o dia do nosso casamento finalmente chegou. Hoje, eu me tornaria o Park-Jeon Jimin, algo que eu jamais imaginaria ser uma possibilidade, e agora, era minha realidade. A felicidade transbordava em mim.
Pra deixar tudo ainda mais especial, além do casamento, hoje também é o dia em que vou estrear na Broadway, em New York. Dois marcos enormes na minha vida acontecendo no mesmo dia.
Nosso plano inicial era casar antes da peça, mas com a correria da presidência na Sixx e os compromissos do Jungkook com suas outras empresas, tivemos que esperar um pouco mais, de novo. Desde o pedido dele na Noruega, foram quase sete longos meses no total, mas a espera chegou ao fim.
Enquanto pensava em tudo isso, a ansiedade me pegou de jeito, mas o sorriso no meu rosto não se desfazia. Hoje, o mundo parecia perfeito.
Quando levantei da cama, eu estava sozinho no quarto. Não precisei procurar muito pelo Jungkook, já que assim que saí do quarto, escutei a voz dele no escritório, que estava com a porta aberta. Ele parecia animado, e também pude ouvir a voz dos amigos dele junto. Pra não perder tempo, fui para o meu quarto fazer minhas malas, já que, da fazenda, vamos diretamente para o aeroporto.
Enquanto arrumava tudo, separando as roupas de forma milimétrica e treinando para não ser tão desorganizado, a porta abriu.
— Tenho uma coisa pra te mostrar... — O Jungkook disse, com um sorriso radiante, enquanto tirava o celular do bolso. Assim que deu play em um vídeo, meu coração disparou. Na tela, vi o teatro principal da Broadway, majestoso sob a luz do entardecer, com vários cartazes da peça do Peter Pan. E, para minha surpresa, eu estava em destaque em todos eles.
Eu segurei o celular dele com as mãos trêmulas e sentei na cama, meus olhos arregalados e sem acreditar no que estavam vendo...
— Eu sonhei tanto com esse dia... eu pensei que nunca chegaria. — Mesmo que eu quisesse evitar, minha voz saiu chorosa, e as lágrimas empoçaram nos meus olhos. Eu mal podia acreditar que um dos meus maiores sonhos estava se tornando realidade.
Eu não me importava de chorar; não enquanto eu estava sendo tão feliz.
— Ainda é pouco perto do que você merece — ele disse, olhando nos meus olhos com um brilho bonito.
Depois de alguns beijos, terminei de arrumar o restante das minhas malas, ainda enxugando as lágrimas e me sentindo cada vez mais ansioso. Em pouco tempo, todas as malas já estavam no carro, e partimos em direção ao aeroporto.
Enquanto ele dirigia, olhei pela janela, perdido em meus pensamentos, tentando conter a ansiedade que crescia dentro de mim. Jungkook colocou a mão na minha perna. O calor do toque dele era suficiente para me deixar menos ansioso.
Chegamos ao pequeno aeroporto, próximo ao centro de Seoul, e logo embarcamos no jatinho particular. A cidade dos meus pais não era longe, mas com o jatinho, chegaríamos em menos de quarenta minutos.
Sentamos juntos, e aproveitei a oportunidade para dormir também, apoiado no ombro dele. Eu já estava acostumado a dormir muito por causa da minha doença, mas agora, com o cansaço acumulado da rotina, parecia um urso panda à espera da hibernação. Meus olhos pesaram rapidamente, e logo caí no sono.
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Assim que chegamos, não dependemos de táxi desta vez; o Jungkook tinha alugado um carro antes, que veio de uma cidade vizinha, e já estava no pequeno aeroporto de Jangheung. Entramos nele e continuamos o caminho em direção à fazenda.
Minha surpresa foi imensa quando chegamos. Assim que ele passou da entrada da fazenda, meus olhos brilharam. O Jungkook havia se dedicado a cada detalhe da decoração, mesmo de longe. Não era apenas a área onde o casamento aconteceria que estava enfeitada; toda a fazenda estava adornada com lírios do vale e outras flores brancas, espalhadas pelos jardins e cercas, criando uma atmosfera mágica.
Várias pessoas trabalhavam na decoração, se movendo de um lado para o outro. O cenário parecia algo saído de um sonho, como se cada flor e cada detalhe tivesse sido cuidadosamente pensado para esse momento especial.
— Você pensou em tudo... — murmurei, olhando feliz para todos os lados, absorvendo a beleza e a dedicação que ele havia colocado nesse dia.
— Fico feliz que tenha gostado. Só não quero que você vá ao mirante de jeito nenhum; acho melhor você ficar só dentro da casa.
— Soou bem intimidador agora.
— Essa é a intenção. — Ele riu, e eu não pude evitar de rir também.
O clima era quente e agradável, e uma brisa suave passou por mim assim que saímos do carro, como se me desse as boas-vindas. Eu mal podia esperar para ver o resultado final de todos os preparativos.
— Vem, vamos cumprimentar seus pais. — Ele trancou o carro, segurou minha mão e fomos em direção à casa.
Assim que entramos, minha mãe nos cumprimentou em um abraço acolhedor. O sorriso no rosto dele mostrava o quanto ele gostava desse carinho familiar, iluminando seu olhar enquanto ele retribuía o abraço.
Enquanto ele saiu para o lado de fora, continuando os preparativos perto do mirante, meu pai se posicionou como o "guardião" da minha curiosidade. Ele recebeu a missão de me impedir de ir até lá, algo que levou muito a sério. Ele até me monitorava para eu ir ao banheiro.
— Calma aí, véio, só vou fazer xixi — brinquei, rindo.
Ele riu junto, mas continuou me vigiando de perto, garantindo que eu não estragasse a surpresa.
— Eu conheço o filho que tenho, sei que você é curioso.
— Que calúnia... — fingi choque, o que fez ele rir ainda mais.
Sentei ao lado dele no sofá, e ele, sem perder tempo, bagunçou meu cabelo com um cafuné carinhoso.
— Obrigado por ter escolhido a fazenda pra se casarem. Vamos guardar essa memória pra sempre, assim como guardamos cada momento da sua infância aqui. Até nossa árvore de ipê, que você tanto amava brincar embaixo... agora, ela vai testemunhar seu casamento.
Seus olhos brilhavam com emoção enquanto ele falava, e por um momento, me senti como aquela criança de novo, recebendo carinho incondicional deles, como sempre foi, mesmo com nossas dificuldades. As palavras dele ecoaram em meu coração, e uma onda de gratidão e amor me envolveu. Mesmo que ele não fosse muito de abraços, eu dei um nele, que prontamente me retribuiu.
— Obrigado por tudo, pai, e principalmente, por ter me aceitado. Eu não sei o que faria sem vocês...
Por medo de perder eles, eu arrisquei minha vida indo atrás da Sohee, e arriscaria outras mil vezes se fosse necessário.
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As horas passaram, e os relógios marcavam pouco mais de 16h.
Eu estava pronto. Vestia uma camisa social branca e um terno claro, em um tom suave de creme. Parei em frente ao espelho, estudando meu reflexo, observando cada detalhe da roupa, ainda um pouco pensativo. Sentia um misto de ansiedade e empolgação crescendo dentro de mim, e por um instante, quis sair correndo e gritar para o mundo.
— É real, eu vou me casar... — sussurrei, deixando escapar um sorriso nervoso.
Respirei fundo, tentando acalmar o coração acelerado, mas a expectativa só aumentava. Eu estava ansioso para ver o Jungkook; desde que nos separamos mais cedo, fizemos questão de evitar um ao outro, preservando a surpresa do momento.
Ajustei o cabelo mais uma vez, me certificando de que tudo estivesse perfeito. Sabia que era só uma questão de minutos até que tudo começasse, mas cada segundo parecia uma eternidade.
Minha mãe, que entraria comigo, já me aguardava do lado de fora da casa. Ela estava deslumbrante em um vestido florido, que dançava suavemente ao vento. Seus cabelos soltos e grisalhos caíam sobre os ombros.
— Como você está lindo, Min! — ela disse, com um brilho especial nos olhos. — Até ontem você estava correndo por esse gramado, todo sujo de terra. Olha só pra você agora…
Ela apoiou as mãos gentilmente no meu rosto, e seus olhos se encheram de lágrimas contidas, refletindo um orgulho e amor que aqueciam meu coração.
Bastou isso pra eu chorar, de novo. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, enquanto eu a puxava para um abraço apertado. Ela me envolveu com ternura, fazendo um carinho suave nas minhas costas, transmitindo todo o amor e apoio que só uma mãe conseguia. Era como se, nesse momento, todo o nervosismo e ansiedade fossem acalmados pelo conforto dela, me dando forças para o que viria a seguir.
— Obrigado, omma! — sussurrei com a voz embargada, sentindo a gratidão se misturar ao amor.
Sob o céu alaranjado, com o pôr do sol ao fundo, Entrelacei meus braços com os dela, e começamos a caminhar em direção ao mirante. O sol estava começando a se pôr, lançando uma luz alaranjada que filtrava através das folhas das árvores, criando um efeito mágico ao nosso redor. À medida que passávamos por algumas árvores que se espalhavam por toda a fazenda, uma mistura de expectativa e nervosismo crescia em mim.
O cheiro da terra úmida e do arroz maduro preenchia o ar, e o som suave do vento nas folhas parecia sussurrar promessas de felicidade.
Ao fundo, consegui avistar o altar, e a visão daquele espaço cuidadosamente decorado com flores brancas, só aumentou a emoção que pulsava em meu coração. Era como se o tempo tivesse desacelerado, cada passo me aproximando de algo que sempre sonhei.
— Eu não acredito nisso... — murmurei, mal conseguindo disfarçar o sorriso que se formava involuntariamente em meu rosto. A felicidade transbordava, e eu sentia que era um momento único, como se eu estivesse flutuando.
As cadeiras de palha estavam dispostas em fileiras ordenadas, todas decoradas com laços brancos que se destacavam na luz suave do sol. A atmosfera do lugar era leve e arejada, com decorações brancas que criavam um contraste harmonioso com o verde vibrante das flores espalhadas por todo o espaço.
Alguns tecidos de seda, que pareciam flutuar como nuvens sob a brisa, estavam pendurados nas árvores ao redor, refletindo a luz e criando um brilho suave ao ambiente. A vista da pequena cidade lá embaixo era espetacular, tornando toda a decoração ainda mais deslumbrante e mágica.
Esperamos isso por tanto tempo, e finalmente estava se tornando realidade. Era surreal pensar nisso.
Minha respiração começou a travar, e minha mãe, sempre atenta, percebeu a mudança em meu comportamento. Ela parou um instante, olhando nos meus olhos com aquele olhar materno que sempre me trouxe conforto.
— Respira fundo, vai dar tudo certo... — ela sussurrou, sua voz suave me tranquilizando enquanto eu tentava lidar com o nervosismo. Segurei firme a mão dela, sentindo seu calor e amor me envolvendo, e respirei fundo.
Finalmente, nos posicionamos na entrada, e lá estava Jungkook, parado no altar sob a sombra do nosso maior pé de ipê, que exibia suas flores brancas e lilases em plena floração. Ele estava de costas para mim, com um terno no mesmo tom que o meu, o tecido bem ajustado realçando seus ombros largos e sua postura impecável. Cada detalhe parecia ter sido escolhido a dedo para esse momento, e ele estava simplesmente perfeito.
Quando ele se virou, o mundo pareceu desacelerar. Um sorriso radiante surgiu em seu rosto, tão intenso que parecia iluminar todo o ambiente, e seus olhos, marejados, refletiam as suaves cores do céu no fim de tarde. Ele parecia emocionado, com o brilho nos olhos revelando sentimentos profundos que pareciam querer transbordar.
Enquanto eu me aproximava, rodeado pelo carinho e olhares das pessoas mais importantes das nossas vidas, uma onda de boas energias tomou conta do lugar, como se todos estivessem conectados pelo mesmo amor.
— Você está lindo, garoto... — ele sussurrou, quase como um segredo, quando finalmente cheguei até ele. Meu coração disparou, e, com a mão em meu rosto, ele secou uma lágrima que escorreu dos meus olhos.
Apoiei meu rosto em sua mão, sentindo o calor dela contra minha pele. Nossos olhares se cruzaram, e a emoção que nos envolvia era intensa. Os olhos dele brilhavam, repletos de amor e esperança, e a intensidade do seu olhar me fez sentir como se fôssemos os únicos no mundo. Nesse momento, eu me sentia o cara mais sortudo do universo inteiro.
Nos viramos para o juiz, e o silêncio envolveu o ambiente, carregado de uma emoção que parecia fluir de cada olhar e cada sorriso dos nossos amigos. O céu estava perfeitamente azul, sem uma nuvem sequer, e o mirante ao fundo emoldurava o altar, onde as flores balançavam suavemente com a brisa, exalando um perfume doce e natural que enfeitava o ar.
Olhei para Jungkook ao meu lado, e o brilho em seus olhos me fazia lembrar de toda a nossa trajetória até ali. Depois de tantos momentos compartilhados, de risos, lágrimas, e até nossas implicâncias, estar de frente para ele, pronto para dar esse passo, me preenchia de uma certeza profunda.
O juiz, com sua postura serena e um tom de voz que transmitia segurança, começou a cerimônia. Ele nos observava com um sorriso acolhedor e uma expressão gentil, que parecia celebrar junto conosco.
— Estamos aqui reunidos hoje para celebrar a união de dois jovens que decidiram se comprometer um com o outro, não apenas em momentos de felicidade, mas também nas dificuldades que a vida pode trazer — ele iniciou.
Ele segurou minha mão, e nesse gesto simples, senti o calor reconfortante me trazendo uma paz imediata. Nossos olhares se encontraram, e no fundo dos seus olhos, vi o mesmo misto de ansiedade e felicidade que eu sentia.
Cada palavra que o juiz dizia parecia ecoar em meu coração. Falava sobre amor, respeito e companheirismo, e enquanto ouvia, eu mal conseguia conter a emoção que tomava conta de mim. As promessas trocadas ali, mesmo simples, carregavam um peso enorme para nós dois, depois de todas as batalhas que enfrentamos.
Ao final da cerimônia, depois de todos os votos emocionados, o juiz nos fez virar um para o outro, de mãos dadas. Aquele momento era inteiramente nosso, e a espera parecia ter valido a pena em cada detalhe.
— Sob os poderes a mim concedidos, declaro Jeon Jungkook e Park Jimin casados — ele anunciou, encerrando com a frase que aguardamos por tanto tempo.
O som dos aplausos explodiu ao nosso redor, mas naquele instante, era como se tudo ao redor desaparecesse. Eu só via Jungkook, meu agora marido, sorrindo com seus olhos brilhando tanto que pareciam pequenas constelações, refletindo todo o amor que ele sentia.
Com um gesto gentil, ele passou o braço pela minha cintura e, puxando delicadamente, me deitou um pouco para dar um selinho lento e gostoso. Foi um beijo calmo, mas intenso, quase como uma promessa silenciosa de que, dali em diante, seguiríamos juntos.
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Fizemos uma festa após a cerimônia, onde todos continuaram celebrando aquele momento especial. A noite chegou aos poucos, cobrindo a fazenda com um manto de estrelas, enquanto luzes suaves e aconchegantes iluminavam cada canto, criando um cenário acolhedor. A música e o riso enchiam o ar, acompanhados pelo aroma das comidas servidas generosamente e pelo som dos copos de soju se encontrando em brindes animados. A atmosfera era descontraída, cheia de alegria e amor.
Conforme a festa avançava, os convidados vieram nos parabenizar com mais calma. Fiquei surpreso e feliz ao ver pessoas que eu não esperava: a Sra. Lee, o Jin com sua esposa, a Hanni, e até o Hyunjin e seu pai estavam ali, todos fazendo parte desse momento. Sentir o apoio de cada um deles significava muito.
Caminhei até onde o Tae e o Namu estavam, e os encontrei já animados, rindo alto com copos de soju quase vazios nas mãos. Assim que me aproximei, o Tae abriu os braços num gesto dramático, com um sorriso brincalhão estampado no rosto.
— Essas crianças crescem tão rápido... — ele disse, me puxando pra um abraço apertado enquanto eu tentava me esquivar, rindo.
— Eu sou mais velho que você, sai fora! — brinquei, tentando me livrar de seus braços, mas ele me apertou ainda mais.
Nós três caímos na risada, e eu não poderia estar mais feliz por ter meus melhores amigos ao meu lado nesse momento.
— Tá ansioso pra peça, Peter Pan? — Namu perguntou.
— Ansioso é pouco, eu tô surtando. Vocês têm noção de que tem cartazes com meu rosto espalhados por toda a Broadway? Fiquei maluco quando vi isso. É surreal.
— E você merece cada pedacinho disso — ele completou, me dando um leve tapa nas costas. — Pode ter certeza de que estaremos assistindo a live da peça amanhã. Não vamos perder por nada!
O carinho e o apoio deles me deixavam ainda mais confiante.
— Valeu, gente.
Enquanto caminhava entre as pessoas na festa, tive a chance de conhecer melhor a esposa do Jin, uma bailarina renomada na Coreia. Conversamos sobre nossas experiências no mundo da dança, trocando histórias sobre apresentações, bastidores e os tropeços que só quem vive esse universo entende. Rimos ao descobrir coincidências que pareciam pequenas, mas traziam uma sensação familiar e aconchegante.
Entre uma risada e outra, meus olhos encontraram Jungkook do outro lado da festa. Ele estava feliz, com o Yoongi e o Hoseok ao seu lado, copos nas mãos e sorrisos estampados nos rostos. A visão dele ali, animado e feliz, fez meu coração acelerar.
Era difícil acreditar na transformação que ele trouxe pra minha vida. Quando nos conhecemos, tudo nele me irritava; cada atitude, cada palavra parecia feita para me tirar do sério. Mas agora... agora ele é o centro de tudo pra mim. Jungkook deixou de ser a pessoa que eu mais odiava para se tornar aquela por quem eu sou perdidamente apaixonado.
A verdade é que eu não sabia mais viver sem esse homem.
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Depois de dançar, rir e compartilhar bons momentos com todos, sabíamos que o momento do nosso embarque tinha chegado. Meus pais, orgulhosos, foram os primeiros a nos abraçar na despedida.
Enquanto me despedia do Namu, que me desejava boa sorte na peça, o Tae lutava contra as lágrimas ao me abraçar. Do outro lado do carro, Jungkook conversava com o Yoongi e o Hoseok. Eles falavam sobre trabalho e responsabilidades, já que os dois ficariam encarregados de administrar a Sixx durante a nossa ausência.
Finalmente entramos no carro, prontos para seguir viagem. Jungkook pegou minha mão esquerda com cuidado, e sem tirar os olhos da estrada, levou até seus lábios, enchendo ela de beijos.
— Eu te amo — ele sussurrou.
Eu sorri, sentindo meu coração aquecer.
— Eu também te amo, meu maridinho — respondi, em um tom afetuoso.
Ele sorriu de volta, aquele sorriso que me fazia sentir que tudo valia a pena. Entre essas trocas de carinho silenciosas, chegamos ao pequeno aeroporto de Jangheung, onde o jatinho alugado já nos aguardava.
O piloto nos cumprimentou rapidamente, antes de nos conduzir à bordo. Em minutos, as luzes da pista simples começaram a desaparecer enquanto o avião levantava voo.
A viagem seguiu tranquila, mas, apesar da felicidade, eu estava completamente exausto. Não apenas por causa do dia agitado, mas também pelos últimos meses, que tinham sido insanos. Em poucos meses eu me tornei fluente em inglês e aperfeiçoei meu canto, algo que me deixava orgulhoso de mim mesmo, mas o cansaço físico e mental era inevitável.
Enquanto a paisagem passava pela janela, meus pensamentos vagavam entre os preparativos para a peça e a ansiedade que isso me trazia. Era uma mistura de expectativa e nervosismo, mas antes que pudesse mergulhar de vez nas preocupações, senti os dedos do Jungkook fazendo cafuné em mim. Não demorou muito; o carinho foi o suficiente pra me fazer pegar no sono, sem perceber, aliviando parte do cansaço que eu carregava.
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No dia seguinte.
Entre cochilos, snacks e água, finalmente aterrissamos nos Estados Unidos, mais especificamente em New York, a cidade das estrelas. Era pouco mais de 09h da manhã quando chegamos, e como a peça seria apenas à noite, ainda tínhamos algumas horas para aproveitar o início da nossa lua de mel.
Assim que saímos do aeroporto, a energia vibrante de Manhattan nos envolveu de imediato. O sol brilhava intensamente, refletindo nas janelas dos arranha-céus que se erguiam imponentes ao nosso redor. Cada esquina parecia pulsar com a vida da cidade, o trânsito barulhento, as pessoas apressadas, e o som constante de buzinas. Pegamos um táxi que cruzou pelas ruas movimentadas, até parar em frente a um hotel luxuoso, tão alto que parecia atravessar as nuvens, dominando a paisagem.
Ao entrar na recepção, o ar fresco e perfumado contrastava com o calor lá fora. O saguão era deslumbrante, com mármore brilhante e lustres enormes. o Jungkook até sabia um pouco de inglês, mas eu quis arriscar e treinar meu idioma, então fiquei encarregado das nossas reservas.
Até que, enquanto a recepcionista terminava as reservas no computador, olhei para ele, que não tirava os olhos de mim.
— Porra, tô ficando maluco olhando essa sua bunda gostosa enquanto você empina ela se apoiando no balcão dessa forma.
Meus olhos se arregalaram, e imediatamente olhei ao redor, nervoso. Ele começou a rir da minha reação.
— Relaxa, — ele disse, ainda rindo. — Tem poucas pessoas aqui, e só americanos. Qual a probabilidade de alguém entender coreano?
Eu ainda estava um pouco desconcertado, mas não consegui evitar o riso malicioso.
— Você é um safado, Jeon.
Ele deu com ombros, com aquele sorriso presunçoso.
— Você me torna safado, garoto.
Nós dois rimos juntos, enquanto ele deslizava a mão pela minha cintura pra me segurar. Era um toque que, na Coreia, seria praticamente impossível em público, mas aqui, no ocidente, parecia que ninguém se importava.
Subimos até o andar do nosso quarto, que era imenso, ocupando todo o andar. Sem dúvida, o mais caro do hotel. O luxo e a vista deslumbrante do Central Park só confirmavam isso.
— Você não cansa de torrar dinheiro? — perguntei, observando a extravagância à minha volta.
Ele riu, me puxando para perto, os olhos brilhando com aquele charme que só ele tinha.
— Torrar não, investir. — Seus braços firmes me envolveram, e ele inclinou a cabeça para beijar meu pescoço, deixando pequenas mordidas que me fizeram arrepiar.
— Então, o que nós vamos fazer agora? — perguntei, tentando manter o foco enquanto seu toque me distraía.
— Nós? Nós nada. Você vai descansar, e eu vou buscar algo pra gente comer.
— E deixar de passear em NY? Sem chance. Vamos sair nem que seja um pouco. Eu tô com fome.
Trocamos de roupa, colocando algo mais fresco, e saímos. O prédio ficava em frente ao Central Park, então foi o primeiro lugar onde decidimos passear. A vista era deslumbrante, com a luz do sol entrando entre as árvores, criando uma atmosfera mágica ao nosso redor.
Depois de explorar os caminhos e aproveitar a tranquilidade do parque, paramos em uma barraca de hot dogs e pedimos dois.
— Sinto que estou praticamente em um filme, comendo hot dog no Central Park. Isso é um sonho — comentei, mordendo o pão.
— Depois da sua peça, tenho uma surpresa melhor ainda.
— Sério? Me dá uma dica?
— Não vamos ficar em Nova York — ele disse, com um brilho misterioso nos olhos.
Cerrei os olhos, encarando ele.
— O que você está aprontando, Jeon?
— Surpresas são surpresas, pare de ser curioso, pirralho.
Eu revirei os olhos e ele riu.
Depois de passear mais um pouco, voltamos para o hotel. Eu tinha duas horas pra dormir antes de ir para o teatro. Eu não estava com sono, mas bastou deitar naquela cama macia do hotel pra pegar no sono.
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O relógio marcava 12:08h da tarde.
Precisava chegar um pouco mais cedo no teatro para conhecer pessoalmente os diretores, todo o elenco e as instalações. Era surreal, simplesmente lindo. O teatro era um dos mais antigos do mundo, e as decorações maximalistas e históricas tornavam tudo encantador, como se eu estivesse em um conto de fadas.
Paramos no corredor do grande teatro, e o Jungkook me deu um abraço apertado antes de se despedir. Eu sabia que não o veria mais até depois da peça.
— Vai para o hotel descansar, mas não esqueça de vir assistir, por favor.
— Garoto, tudo que envolve você, eu jamais me esqueceria. Estarei assistindo com os olhos grudados em você. Boa sorte, meu Peter Pan!
Eu dei um abraço apertado nele, segurando com todas as minhas forças a vontade de chorar.
— Obrigado, eu te amo tanto!
Depois de mais um abraço caloroso, abri a porta e entrei, sentindo meu coração acelerar. Esse nervosismo não durou muito, já que, assim que passei da entrada, tive que começar a ensaiar. Meu inglês estava muito bom, e eu conseguia entender e falar com clareza.
Os ensaios eram frenéticos; o elenco se movimentava pelo palco, e as vozes ecoavam no grandioso teatro. O diretor, um homem exigente e carismático, passava instruções rápidas, ajustando a posição dos atores e a intensidade das falas. As luzes brilhavam intensamente, e eu sentia a energia pulsando ao nosso redor.
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Os ensaios duraram uma eternidade, com risadas nervosas e palavras de incentivo nos bastidores. Enquanto uma maquiadora ajustava meu visual, o figurino impecável me fazia sentir o verdadeiro Peter Pan.
Os atores se preparavam, alguns fazendo aquecimentos vocais, enquanto outros se concentravam com fones de ouvido. A energia era alta, e a adrenalina começava a subir.
Quando chegou a hora de subir ao palco, todos se reuniram para um último abraço coletivo, trocando palavras de encorajamento. O diretor fez sinal, e a cortina se abriu, dando início à magia da atuação.
A apresentação começou com uma explosão de luzes e sons, e eu, como Peter Pan, entrei em cena com toda a energia. O palco estava repleto de cenários vibrantes, e a música envolvia o público, criando uma atmosfera mágica pra todos presentes, principalmente para as crianças.
Enquanto interpretava, cada palavra e movimento se tornavam mais naturais, e eu me deixei levar pela história. O riso e a emoção da plateia me impulsionavam a dar o meu melhor.
Entre os espectadores, avistei o Jungkook nas fileiras da frente, com os olhos fixos em mim e um sorriso orgulhoso no rosto. Sua presença me transmitia confiança, e eu me sentia feliz por ter o apoio da pessoa que eu mais amava.
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Depois de quase duas horas cansativas no palco, dando o melhor de mim, fizemos a última cena e a peça chegou ao fim. O espetáculo foi um sucesso, e, ao final, aplausos e gritos de alegria ecoaram pelo teatro.
Nos bastidores, todos se abraçaram, felizes com o resultado impecável, mesmo que grande parte dos meus ensaios tivesse sido feita à distância. Após comemorar e me despedir dos colegas que contracenaram comigo, saí do teatro.
Comecei a procurar Jungkook pelos corredores, e assim que o encontrei, entre a multidão de pessoas, corri até ele. Ele me deu um abraço apertado.
— Você foi simplesmente incrível! Seus passos, voz, atuação, tudo! Porra... eu sequer conseguia tirar os olhos do meu Peter Pan.
Eu abracei ele ainda mais, afundando meu rosto em seu ombro, sentindo a segurança que seu corpo sempre me trazia.
— Obrigado por apoiar todos os meus sonhos. Nunca pensei que encontraria alguém assim.
— Seus sonhos também são os meus — ele respondeu, com um sorriso que iluminava seu rosto, me reafirmando que escolhi a melhor pessoa do mundo.
Assim que voltamos para o hotel, ele começou a guardar nossas malas, que estavam abertas e bagunçadas, enquanto também pegava aquelas que ainda nem tinham sido desfeitas. O movimento era ágil, e eu mal consegui acompanhar tudo; fizemos o check-out e saímos do hotel em um piscar de olhos. A correria da cidade noturna e a adrenalina da apresentação ainda estavam frescas na minha mente, tornando tudo ainda mais intenso.
— Me conta onde vamos, por favor...
— Vamos passar nossa lua de mel em um lugar que é a sua cara. NY é boa, mas não acho que essa agitação urbana seja páreo para um momento tão especial como este. Confie em mim — disse ele, com um brilho nos olhos que prometia uma nova aventura.
Não precisava nem pedir, era óbvio que eu confiava nele de olhos fechados.
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E então, pelas placas, pude ler que chegamos ao Colorado após três horas exaustivas de estrada. Mesmo que eu tivesse oferecido para revezar e dirigir um pouco, ele insistiu e ficou no volante, determinado a me deixar descansar durante a viagem.
A atmosfera interiorana era acolhedora, com ruas movimentadas e cheias de turistas e moradores explorando cada canto da cidade. Chegamos bem ao pôr do sol, quando o céu começava a se tingir de tons de laranja e rosa, refletindo nas janelas das casinhas e criando uma cena quase mágica. As luzes das barracas e pequenos cafés ao longo da rua já começavam a se acender, dando um charme ainda maior à cidade.
O Jungkook finalmente contou que ficaríamos em uma cabana próxima ao centro, então assim que desembarcamos na pequena cidadezinha, decidimos aproveitar a oportunidade para comprar algumas coisas para levar ao chalé, que era no meio do mato.
Enquanto a gente andava, eu aproveitava o clima quente. Luzes coloridas piscavam, bandeirinhas balançavam ao vento, e cartazes coloridos decoravam as paredes das lojas. Era evidente que algo especial estava acontecendo.
Em uma das placas, li que era um dia inteiro de um festival chamado "Festival das Cores Noturnas", onde teria vinte minutos de queima de fogos. Eu fiquei animado demais quando li.
O local estava repleto de barracas de todo tipo: comidas, artesanato local, pequenas decorações, lembrancinhas e sobremesas que pareciam deliciosas. Era tudo incrível e convidativo.
— Que lugar gostoso! O que vamos comer? Eu nunca experimentei nada dessas coisas... — perguntei, olhando em volta com os olhos brilhando de curiosidade.
— Vamos passear, comprar um pouco de tudo e depois seguimos para o chalé.
— Uhum, vamos.
Ele pegou minha mão, e começamos a caminhar devagar, absorvendo toda aquela atmosfera ao redor. Éramos opostos, como sempre foi: ele estava lindo e completamente sexy em roupas sociais, enquanto eu usava uma camisa básica e calça jeans, casual. Ou como ele diz, roupas de adolescente.
A música ao vivo ecoava pelo ar, vinda do palco central onde artistas indies se apresentavam, e a multidão dançava e aplaudia. O cheiro de pipoca, algodão-doce e outras comidas se espalhavam pelo ar, além das risadas das pessoas presentes.
Caminhando lado a lado, fiz ele parar em várias barracas, e compramos muitas coisas.
E com várias sacolas em mãos, de comida e bebida, voltamos para o carro. De acordo com a localização, levaria mais quatorze minutos pra chegar no chalé que ele alugou.
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O ar fresco da noite estava perfeito. Assim que chegamos no chalé eu já me surpreendi logo na entrada.
Quando entramos, meus olhos brilharam. A cabana era rústica, com móveis em madeira de pinheiro, uma grande lareira, e uma janela monumental. Eu saí para fora e me surpreendi ainda mais. A vista era deslumbrante, e eu nunca tinha visto nada assim em toda a minha vida. Lá em baixo, a floresta era densa, e um rio cortava todo aquele verde escuro dos pinheiros.
Ele se aproximou de mim e me abraçou por trás.
— O que achou?
Eu me virei na sua direção, e passei o braço pelos seus ombros.
— Eu não poderia pensar em um lugar mais lindo que esse... É realmente muito melhor que Manhattan.
Ele sorriu com aquele brilho malicioso, mordeu os lábios e então me beijou. Suas mãos ágeis me pegaram no colo, e logo ele entrou no quarto e me colocou na cama, onde seus beijos se tornaram mais intensos, quase famintos.
Ele deslizou as mãos para abrir minha camisa, e logo sua língua quente percorreu meu abdômen em uma linha provocante, lenta o bastante para me arrepiar. Ele ergueu o olhar e, mantendo contato visual, deu uma mordida no meu peito, que logo começou a chupar, mantendo o contato visual.
— Ei, calma aí, acabamos de chegar... — murmurei, quase sem fôlego.
Suas mãos seguiam descobrindo cada pedaço da minha pele, firmes e decididas, enquanto ele se inclinava mais para baixo, deixando a camisa entre seus dedos, amassada. Sua língua percorria cada detalhe, cada linha do meu corpo, explorando com uma intensidade quase desesperada.
— Não importa, nós comemos depois — respondeu com a voz abafada contra minha pele, fazendo o som vibrar através de mim.
Ele me pressionou ainda mais contra a cabeceira da cama, suas mãos descendo até a minha calça. Com movimentos precisos e cuidadosos, ele desabotoou minha calça, e seus olhos intensos nunca se desviavam dos meus, como se quisesse saborear cada reação minha.
Então, sem dizer uma única palavra, ele se abaixou e começou a me chupar. No instante em que senti o calor de sua boca me envolver, meu corpo reagiu por impulso, se arqueando contra ele, enquanto minhas mãos buscavam seus cabelos, entrelaçando com força.
Cada movimento dele era uma mistura de provocação e desejo, e quando ele começou a explorar ainda mais, penetrando seu dedo em mim lentamente entre as chupadas, o prazer se intensificou. Eu estava completamente entregue, seguindo os comandos de suas mãos e boca, preso entre o desejo e o alívio que ele me proporcionava.
Ele parou de joelhos entre minhas pernas, pegou o lubrificante e, com cuidado, espalhou-o em seu membro antes de se encaixar em mim. Quando começou a me penetrar, uma onda de prazer me atingiu.
— Porra, como você é apertado... Sinto que vai cortar meu pau no meio — ele disse, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios.
Era tão gostoso sentir ele dentro de mim que me peguei questionando como eu me contentava sendo o ativo nas minhas antigas relações. Era cômico pensar nisso.
Enquanto continuava a me penetrar, ele se inclinou, aproximando o rosto do meu. Sua respiração quente acariciava minha pele, e nossos gemidos saíam em perfeita sincronia, como se fôssemos um só. Ele mordia meus lábios, interrompendo meus gemidos com sua boca, trazendo um novo nível de intensidade na nossa troca de prazer.
Eu o empurrei para trás, e ele ficou sentado na cama, olhando para mim com um sorriso canalha. Agora, eu estava por cima, montado nele. Ele segurava minhas nádegas com firmeza, os dedos afundando na carne enquanto me movimentava.
— Sentando assim eu não vou aguentar muito...
— Aguenta sim — respondi ofegante.
Ele sorriu mantendo o olhar intenso, cheio de desejo, e a sensação de estar no controle me deixava ainda mais excitado. Eu me movia lentamente no início, sentindo como ele preenchia cada espaço em mim.
Entre meus movimentos, ele não hesitava em morder minha pele, além de chupões que queimavam como marcas de possessão. Cada mordida era uma explosão de prazer que se espalhava por todo o meu corpo, enquanto seus lábios quentes me devoravam, como se quisesse reforçar que eu era dele.
O olhar dele estava fixo em mim, cheio de desejo e um sorriso satisfeito, como se estivesse se deliciando com o jeito que eu reagia a cada toque e marca que ele deixava em mim.
Suas mãos deslizavam suavemente pelas minhas costas, explorando cada contorno, até que ele segurou meu cabelo, puxando levemente para trás enquanto passava a língua no meu pescoço.
— Até seu suor é uma delícia, porra, como eu te amo... — ele murmurou, a voz carregada de desejo.
Ele cravou as mãos novamente na minha bunda, me segurando com firmeza, e, conforme seus gemidos aumentavam, eu sabia que ele estava prestes a gozar. Uma onda de excitação me invadiu, e tentei de alguma forma evitar que o momento chegasse tão rápido, mas era impossível resistir ao prazer que nos consumia.
Quando finalmente ele atingiu o clímax, a intensidade do momento me tomou de assalto, e eu não consegui me segurar. A conexão entre nós era tão profunda que gozei junto com ele, apertando seus ombros com força, marcando sua pele com a pressão dos meus dedos.
— Tô... tô quebrado... — sussurrei.
Exausto, apoiei minha testa no ombro dele, tentando recuperar o fôlego enquanto a sensação do prazer ainda pulsava em meu corpo. Ele me abraçou com seus braços fortes, e começou a beijar meu pescoço e ombro, seus lábios quentes deslizando pela minha pele, como se quisesse selar aquele momento com carinho.
Até que minha barriga roncou de fome, e ele começou a rir.
— Vamos tomar um banho e comer.
Levantamos e fomos para o banheiro, ainda sem nos desgrudar, aproveitando o calor do corpo um do outro enquanto tomávamos banho juntos. As risadas e brincadeiras tornaram o momento leve e divertido, e a água quente escorria sobre nós, lavando não só a sujeira, mas também qualquer resquício de tensão.
Assim que voltamos para o quarto, vestimos pijamas iguais, o que me fez tirar uma selfie com ele, capturando aquele momento pra sempre.
Com as sacolas de comida e bebidas em mãos, fomos para a varanda. Ele acendeu a fogueira, e as chamas dançantes lançavam um brilho acolhedor ao nosso redor. Rodeados pela tranquilidade da natureza, ficamos ali, apenas aproveitando o momento. O céu estava limpo e estrelado, e a lua cheia iluminava tudo com um brilho suave, criando uma atmosfera mágica.
Ele abriu duas latas de cerveja e me entregou uma, os olhos brilhando de alegria e esperança.
— Um brinde ao nosso casamento — disse ele, levantando a lata com um sorriso.
Bati levemente a minha lata na dele, sentindo a vibração do metal contra o meu.
— E que venham muitos momentos assim, juntos — completei, sentindo a alegria transbordar.
O sabor gelado da cerveja desceu refrescante, e ao olhar para Jungkook, percebi que ele já estava me olhando, como se estivesse absorvendo cada detalhe daquele instante.
— O que foi? — perguntei, com um sorriso sem jeito, um pouco tímido sob seu olhar intenso.
Ele pegou minha mão, seus dedos deslizando suavemente sobre a pele, trazendo uma sensação de conforto.
— Fiquei com um pouco de ciúmes do meu Peter Pan...
Sorrindo, cheguei um pouquinho mais perto e apoiei a cabeça em seu ombro, olhando em seus olhos, que brilhavam sob a luz da fogueira.
— Com a Wendy?
Ele desviou o olhar, e eu não consegui conter a risada.
— Não ri não, moleque — ele disse, parecendo meio sem jeito.
— Assim como sou casado com um homem que, por sinal, amo demais, a atriz da Wendy namora uma mulher — respondi, tentando aliviar a tensão.
Ele olhou para baixo, soltando uma risada tímida que denunciava sua leve insegurança.
— Desculpe... — murmurou.
— Olha pra mim. — Assim que pedi, ele atendeu, seus olhos voltando a se encontrar com os meus. — Vou te confessar uma coisa: eu amo quando tá com ciúmes, sabia?
Ele sorriu, mordendo os lábios.
— Tenho medo de te perder.
— Essa possibilidade nem existe, meu tirano.
Ele riu com a lembrança, já que era assim que eu mais o chamava no começo. Aquele sorriso trouxe à mente um compilado de imagens dos momentos que compartilhamos desde que nos conhecemos. Às vezes, me pego pensando que, mesmo com todas as coisas ruins que a Sohee fez, se ela não tivesse roubado o dinheiro dele, talvez a gente não tivesse se envolvido.
— Como será que seria nossa vida? Digo, se a gente não tivesse se conhecido — perguntei pensativo, olhando para o céu.
— Não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza; eu continuaria infeliz. Sou sortudo de ter conhecido você.
Então, de repente, os fogos do festival começaram. Mesmo que estivessem no centro da cidade, conseguíamos ver perfeitamente da varanda da cabana, já que estávamos bem perto. O céu se iluminou com cores vibrantes, cada explosão de luz refletindo a alegria que sentíamos. Os estalos e os brilhos eram como uma celebração do nosso amor, e eu não conseguia deixar de pensar que, naquele momento, tudo estava exatamente como deveria estar.
Olhei para ele e pude ver o brilho dos fogos refletindo nos seus olhos, tornando o momento ainda mais mágico.
— Eu não estava brincando quando falei que quero uma família com você — ele disse, ainda com o olhar fixo no céu, mas logo se virou para mim. — Quero que você realize todos os seus sonhos, mas nada me faria mais feliz do que ter filhos com você. E, sinceramente, um só não basta, quero adotar dois, no mínimo.
Senti uma emoção profunda me tomar, e, antes que percebesse, as lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Ele apoiou as mãos em meu rosto com delicadeza, e seu polegar começou a acariciar minha pele, suavemente.
— Acho que você acabaria criando todos nós, já que não sei cuidar nem de mim... — falei entre risadas e lágrimas.
— Bobo... você é perfeito! Um pouco desorganizado, talvez, mas seria um pai incrível — ele brincou, com um sorriso cheio de carinho.
Ri e dei um tapinha leve no braço dele, tentando disfarçar a emoção que ainda tomava conta de mim. Aquele momento parecia uma promessa de que construiríamos algo juntos, que seríamos nossa própria família.
— Eu nunca imaginei nada disso... me apaixonar, casar, não depois das minhas experiências anteriores. E com você, eu quero tudo isso — falei, ainda tomado pela emoção que transbordava.
Ele apertou minha mão, os olhos refletindo uma segurança e amor que pareciam eternos.
— Quero viver com você tudo de bom que a vida tiver pra nos oferecer, garoto. Quero envelhecer do seu lado.
Aqueles olhos dele brilhando pra mim me relembraram tudo o que enfrentamos para chegar até aqui. Cada desafio, cada medo, cada sacrifício parecia valer a pena agora que estávamos juntos. Sentia meu peito aquecer ao perceber que todos os problemas que, antes, pareciam insuperáveis, agora faziam parte de um passado que só reforçava o valor do presente. Do nosso presente.
Nos ajeitamos na grande cadeira de descanso, nossos corpos entrelaçados enquanto o céu estrelado se estendia acima de nós, silencioso e imenso. Ele me olhou com aquele brilho no olhar que sempre me fazia sorrir, e eu sabia que aquele era o homem com quem queria dividir minha vida.
— Eu te amo, Park Jimin... — ele sussurrou, acariciando meu rosto com carinho. E então, sorrindo, completou: — Ou melhor, Park-Jeon Jimin.
Meu coração disparou, e um sorriso sincero escapou enquanto eu segurava sua mão, sentindo a aliança em seu dedo.
— Eu também te amo, Jungkook, meu marido. — Cada palavra parecia mais intensa, mais real, como se carregasse o peso de tudo que passamos pelo nosso amor.
Estávamos sob o mesmo céu que testemunhou cada passo da nossa história. Ali estavam as lembranças dos nossos primeiros olhares, do primeiro beijo, do pedido de namoro e, depois, do pedido de casamento. O céu sempre foi uma uma testemunha silenciosa de tudo que construímos juntos. Ele estava lá quando percebi que estava me apaixonando, quando trocamos aquele primeiro beijo cheio de emoção, e agora estava novamente sobre nós, testemunhando nossos futuros planos.
Olhei para ele e senti uma felicidade tão genuína que parecia impossível de conter, como se o mundo inteiro pudesse caber ali, entre nós dois. Sabia que esse era apenas o início de uma história que seria construída a cada dia, com o amor e com todos os sonhos que ainda realizaremos juntos.
Nós não éramos mais apenas dois indivíduos, mas uma união de amor e sonhos, com planos de uma família, de conquistas e de memórias que escreveríamos lado a lado. Ter ao meu lado alguém que me conhecia tão profundamente, o melhor amigo e companheiro que eu poderia desejar, preenchia minha vida de uma forma que nunca imaginei possível. Saber que tudo isso era real me fazia sentir uma alegria indescritível.
Ali, sob o céu estrelado, tive a certeza de que esse era o nosso final perfeito e, ao mesmo tempo, o começo de uma nova aventura. Esse era só o início do nosso amor, um amor que carregava todas as promessas de um futuro cheio de felicidade, que nunca deixaria de crescer, nem por um segundo. Estávamos prontos para enfrentar tudo o que o futuro nos reservasse, juntos e de coração aberto, sabendo que cada momento seria eternizado em nosso mundo, onde o amor sempre foi e sempre será o alicerce de tudo que somos e ainda seremos.
O fim é só o nosso começo.
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FIM.
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(notas finais no próximo capítulo)
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