20 | 스무 번째 장
Oi leitor!
Peguem a pipoca, apertem os cintos, e se preparem, pois esse capítulo ficou enorme :)
Tenham uma boa leitura!
#azuldameianoite
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- JEON JUNGKOOK -
Foi estranho acordar e ver pela janela que o céu ainda continuava escuro, assim como o Jimin falou ontem. A rua estava um pouco iluminada, mas era um tom azul, bem escuro, como se fosse o início de um anoitecer. No meu relógio eram 09h da manhã, mas lá fora parecia facilmente que era umas 19h da noite.
Ele ainda estava dormindo ao meu lado, de forma confortável. Fiquei apenas olhando para seu rosto antes de levantar, admirando cada traço milimetricamente perfeito.
Nunca nem me imaginei namorando alguém, e agora, vou até me casar... O Yoon vai surtar quando souber.
Eu precisava ligar para ele, afinal, viajei sem autorização da justiça. Meu plano era que isso passasse despercebido, e por enquanto, tem funcionado.
Assim que me mexi para levantar e fazer a ligação, ele despertou e me segurou.
— Onde você vai? — resmungou.
— Vou pedir nosso café.
— Depois você vai, deita aqui comigo...
Ele me puxou de volta e eu deitei. Mesmo que o quarto estivesse aquecido, ele estava enrolado nas cobertas, então voltei para baixo dela com ele.
Ele olhou sua mão, mirando a aliança.
— Uau... achei que tinha sido um sonho...
Comecei a beijar seu pescoço enquanto minha mão deslizava suavemente pelo seu corpo. Em segundos, sua pele ficou arrepiada com o toque, e eu continuei ainda mais.
— Você escolhe o lugar do casamento.
— Sério? — ele me olhou surpreso.
— Uhum — respondi, apertando seu corpo e mordendo sua orelha.
Ele começou a pensar nos lugares enquanto olhava para o teto.
— São várias opções, eu posso pensar? Quero decidir com calma.
— Pode... — respondi com a voz abafada entre os beijos que eu dava no seu pescoço.
Ele me apertava, aproveitando cada carinho que recebia.
Não demorou muito para, sob as cobertas, sentir que ele estava excitado com minhas provocações, e isso foi o suficiente para eu também ficar.
— Para com isso... — ele disse ofegante.
— Não quero parar.
Dei uma mordida suave nos seus lábios enquanto ele se entregava aos meus toques. Segui com meus lábios até seu ouvido, onde ele ficou ainda mais arrepiado. Do seu corpo, minha mão foi para dentro do seu pijama, e ali eu pude sentir que ele já estava tão excitado que estava naturalmente lubrificado.
— Sabe uma coisa? Estou com tanta saudade de foder você... — falei enquanto minha mão deslizava ao longo do comprimento dele, o provocando ainda mais.
— Eu também tô...
Olhei para ele novamente, e sua expressão, mesmo que tímida, estava irresistivelmente sexy, e isso me deixou maluco.
Subi em cima do seu corpo, ainda sob as cobertas, e me encaixei entre suas pernas, pressionando meu quadril contra o dele.
Eu não queria perder tempo, então fui rápido em tirar a calça do pijama dele, assim como meu shorts. Pra minha surpresa, assim que fui para cima dele de novo, ele segurou meu pau e começou a me estimular.
— Não me provoque assim, garoto...
Ele mordeu o lábio inferior, sorrindo de um jeito gostoso e me provocando ainda mais.
— O que vai acontecer se eu continuar?
Eu segurei seu rosto firme, e meu polegar começou a acariciar seus lábios.
— Vou socar dentro de você.
Ele sorriu e então, começou a chupar meu dedo enquanto me olhava. Ver e sentir isso já era o suficiente pra sentir vontade de gozar, de tão gostoso que esse filho da puta era.
Eu abaixei e comecei a beijar sua boca, e com a proximidade, ele segurou seu pau junto com o meu e continuou movendo sua mão pequena, que mal dava conta de segurar os dois.
— Acho que não consigo esperar mais...
Segurei seu braço e o virei para baixo, me encaixando entre suas coxas enquanto minha boca deslizava pela sua nuca.
Com o aquecedor ligado, somado ao calor dos nossos corpos, sua pele já estava suando, e até seu suor tinha um sabor fodidamente delicioso.
— Coloca logo... — ele sussurrou.
Fui rápido pegar o lubrificante na mala e voltei. Desde a primeira vez que transamos, nunca fizemos com ele de costas para mim, porque minha obsessão pelo seu rosto era intensa. Seria a nossa primeira vez assim.
— O que tá fazendo? — ele perguntou quando me sentiu enfiando o dedo nele.
— Preciso te preparar.
— Pff, enfia de uma vez...
— Você sabe que vai doer.
Ele olhou um pouco para trás e deu um sorriso cheio de malícia.
— Eu aguento.
Eu sorri e dei uma mordida na sua nuca.
— Seu pedido é uma ordem, meu amor.
Passei o lubrificante em mim, ergui um pouco uma de suas pernas, e encaixei nele. Assim que comecei a enfiar, ele começou a resmungar.
— Quer que eu pare? — sussurrei.
— Não... c-continua...
Segurei firme em seu quadril e fui entrando cada vez mais enquanto beijava sua pele. Ele era tão apertado e quente que me fazia querer sentir isso todos os dias da minha vida.
Cada movimento fazia com que nossos corpos se alinhassem perfeitamente, e o som da nossa respiração ofegante preenchia o quarto. Continuei aumentando o ritmo, sentindo cada centímetro de conexão entre nós. Ele gemia baixinho, o que só aumentava minha vontade de dar ainda mais prazer.
Meu corpo todo estava em sintonia com o dele, e a sensação era de uma intensidade que me consumia por inteiro. A cada socada eu sentia o quão profundo estava dentro dele, e o modo como ele se apertava me sentindo fazia meu tesão se intensificar ainda mais.
Eu me inclinei para frente, aproximando minha boca de sua orelha, enquanto sussurrava e admirava a obra de arte que ele era.
— Você é perfeito, garoto...
Ele sorriu com a cabeça um pouco virada para o lado, tentando controlar os gemidos que ficavam cada vez mais intensos.
— Q-que gostoso... enfia mais... — ele sussurrou, quase como uma súplica, a voz entrecortada pela excitação.
Atendi seu pedido e aumentei um pouco o ritmo, o que fez com que ele segurasse firme nos lençóis. Eu podia sentir a pressão e o calor crescendo entre nós, cada movimento nos levando ao limite.
Ele ofegava cada vez mais, e os gemidos se misturavam com o som das nossas respirações pesadas. Seu cabelo está a bagunçado e úmido com o suor, e ele completava com a porra de um sorriso lindo enquanto olhava para o lado.
— Eu... te amo... tanto... — ele disse, a voz trêmula de prazer, segurando firme nos lençóis.
Meu coração disparou ainda mais ao ouvir isso. Me inclinei sobre ele, e os movimentos ficaram mais lentos e profundos, aproveitando cada segundo daquele momento.
— Também te amo... mais que tudo... — respondi, querendo afirmar isso à cada segundo dos meus dias.
Me inclinei para frente, minha boca encontrando a curva do pescoço dele, enquanto eu continuava a me mover devagar dentro dele.
— Quero ficar por cima... — ele pediu.
Sem hesitar, eu saí de dentro dele, dando espaço para que ele se ajeitasse. Ele se moveu com uma mistura de urgência e cuidado, ficando de frente pra mim e me empurrando com força para que eu deitasse.
— Calma aí... — dei risada enquanto ele se posicionava em cima de mim.
Eu o ajudei a se encaixar, segurando sua cintura enquanto ele descia lentamente sobre meu pau. O jeito como ele me olhava a cada movimento só me deixava ainda mais louco. Agora era ele que ditava o ritmo, subindo e descendo devagar enquanto mantinha seus olhos pequenos em mim, exalando prazer.
Ele me olhava com um sorriso canalha, e se abaixou, ficando com seus lábios quase tocando os meus. A cada movimento dele, eu sentia meu corpo tremer de prazer.
Ele estava muito excitado, e nessa posição, estava praticamente implorando pelas minhas mãos.
Comecei a estimular o seu pênis enquanto ele se movia sobre mim.
— Assim eu v-vou gozar...
— Eu vou continuar te comendo do mesmo jeito.
Ele sorriu mordendo os lábios, enquanto apertava minha pele com força. Até a forma que ele me machucava era gostoso.
A neve caindo lá fora parecia um contraste perfeito com o calor que nossos corpos estavam dentro do quarto. Cada movimento dele era acompanhado pelos nossos gemidos e pelas respirações ofegantes, criando uma sinfonia íntima e apaixonada.
Ele inclinou a cabeça para trás, os olhos fechados em prazer, e eu beijava seu pescoço, sentindo a suavidade e o sabor da sua pele nos meus lábios.
Depois de pouco mais de uma hora transando, os dois tentando se conter durante todo esse tempo, nós tivemos um orgasmo, juntos, com nossos corpos colapsando em perfeita harmonia.
Ele desabou sobre mim, e eu o envolvi com os braços, enquanto nossa respiração ainda soava desesperada.
O quarto estava em silêncio, quebrado apenas pelo som da lenha queimando na lareira e das nossas tentativas de recuperar o fôlego.
De cima de mim, ele deitou ao meu lado.
— Isso foi tão bom... — ele sussurrou tímido, mas criando coragem pra falar.
Virei o corpo e fiquei deitado do lado dele, me apoiando com os cotovelos, deitado de barriga para baixo, e ele, para cima. Comecei a dar vários beijos na sua boca e pescoço.
— Foi tão gostoso que, por mim, eu faria de novo, agora — respondi entre os beijos, sentindo sua respiração se misturar com a minha.
— Preciso de um dia todo me recuperando, no mínimo.
— Que exagero, garoto...
Ele sorriu contra meus lábios, passando a mão pelo meu cabelo enquanto nossos beijos continuavam, mais suaves e preguiçosos agora, depois de tudo o que fizemos.
Ficamos curtindo um ao outro por um tempo, aproveitando a temperatura perfeita do quarto.
— O que vamos fazer hoje? — perguntou.
— Você decide, meu amor.
Ele pegou o celular e começou a procurar alguma atração na cidade.
— Olha o que achei. Podemos ir, o que acha?
Ele virou o celular na minha direção, e era uma pista de esqui toda iluminada e decorada para o Natal.
Dei uma apertada na bunda dele e um selinho.
— Vamos, então vá se arrumar.
— Uhuuul, ok, vou tomar banho.
Enquanto ele tomava banho, coloquei o roupão e me afastei um pouco da porta do banheiro para fazer uma ligação, buscando resolver aquilo que me incomodou desde o momento que o Jimin me contou.
— Yoon, bom dia.
— Bom dia? Cara, são 2h da manhã.
Eu comecei a rir, percebendo que nem me toquei da diferença de fuso.
— Esqueci desse detalhe. Te acordei?
— Óbvio... Mas agora que já perdi o sono, pode falar.
— Ótimo. Capturem aquela Sohee o mais rápido possível. Não quero lidar com ela, e muito menos quero que o Jimin saiba, mas quero ela no inferno, então resolvam vocês. Sem rastros, e não aceito menos do que um serviço bem feito e... fatal.
— Ontem, alguns dos nossos homens já estavam de olho nela graças a algumas informações que o Hyunjin nos passou, então vai ser fácil. Te aviso assim que ela tiver nas nossas mãos.
— Obrigado. E quanto ao Seokjin?
— Nem sinal dele, muito menos da polícia. Mas mesmo assim, não demorem para voltar. Isso está ficando cada vez mais arriscado, e se você for preso de novo, vai ser péssimo.
— Ok, vou tentar voltar amanhã.
— Tentar? Não, JK...
— Confie, vai dar tudo certo. Vou te deixar dormir. Boa noite, Yoon.
— Você é maluco e nunca muda... Bom dia pra vocês aí.
Assim que desligamos, comecei a procurar uma roupa para colocar. Quando ele saiu do banho, fui tomar o meu. E após as várias camadas de roupas, nós saímos pela cidade.
— Tira uma foto minha aqui?
Ele me entregou o celular e fez pose, com as grandes montanhas nevadas ao fundo. Assim que tirei a foto, ele se aproximou, curioso.
— Ficou boa?
Eu poderia ficar minutos falando o quanto ele estava incrivelmente lindo e parecia um anjo, mas tentei resumir.
— Ficou lindo.
— Obrigado... Mas você só diz isso porque gosta de mim — ele deu um sorrisinho sem jeito e olhou para baixo.
Eu coloquei a mão no seu queixo e o levantei para mim.
— Gostar? Não, gostar é muito pouco. Eu sou completamente obcecado por você. Olha para esse rosto, porra... Você é a perfeição em pessoa.
— Assim você me deixa mal acostumado com esses elogios.
Ele deu um sorriso bonito e eu puxei ele para perto, encostando sua testa na minha. Passei a mão pelo seu cabelo, bagunçando um pouco seus fios castanhos já cobertos por flocos de neve.
— Bom, se acostume. Vou continuar elogiando sempre que você merecer... o que, no seu caso, é o tempo todo. Ainda mais depois de um sexo tão gostoso quanto o nosso.
Ele riu novamente, balançando a cabeça em negação.
— Você realmente sabe como me deixar sem jeito.
— E eu ainda nem comecei... — sussurrei antes de dar um beijo nele, aproveitando a sensação aconchegante de ter ele tão perto, em um cenário que parecia saído de um sonho.
Quando nos separamos, ele olhou para mim com seus olhos pequenos e brilhantes.
— Ok, agora é oficial; eu tô morrendo de fome. Vamos procurar um lugar para comer, por favor.
— Eu já estava sentindo que diria isso... Vamos comer antes de esquiar.
Segurando sua mão, continuamos caminhando pelas ruas, procurando algum lugar que ele gostasse. A cidade parecia mais bonita que ontem, com as luzes de Natal brilhando com o céu um pouco mais claro, e os flocos de neve caindo suavemente.
🫐
Finalmente, depois de uma boa caminhada, ele encontrou um pequeno restaurante aconchegante, com uma fachada decorada com galhos secos e um aroma gostoso vindo de dentro. Assim que entramos, escolhemos uma mesa próximo a janela de vidro, e escolhemos alguns pratos de café da manhã típicos do lugar.
Enquanto esperamos os pedidos, ele olhava ao redor, admirando cada decoração interna que havia no lugar.
— Tô amando cada momento aqui. Conhecer um lugar assim com você junto, depois de tudo o que aconteceu... é inacreditável.
Eu sorri e peguei sua mão sob a mesa, acariciando seu dedo onde a aliança de ouro brilhava. Levei ela até minha boca e dei um beijo.
— Quero te proporcionar inúmeros momentos como esse.
Ele sorriu, com seus olhos fechando entre o sorriso e as bochechas vermelhas, e isso era o suficiente para acelerar meus batimentos.
Nossos pratos chegaram e começamos a comer. Estava tudo gostoso, assim como o aroma aparentava, e o ambiente do restaurante só tornava tudo ainda melhor.
Enquanto comemos, a conversa fluía naturalmente. Falamos sobre os planos para o resto da viagem, e até sonhamos juntos sobre o futuro. A vida inteira eu estive esperando por ele, e ver o que nos tornamos era melhor que qualquer outra sensação de vitória ou conquista que eu já tenha sentido na vida.
Ao fim do almoço, nos levantamos com ele animado para esquiar o mais rápido possível.
Do lado de fora, a neve continuava caindo, sendo refletida pelas luzes que iluminavam a cidade nesse dia escuro. Caminhamos lado a lado, com os passos afundando na neve que se acumulava rápido nas ruas.
Os termômetros marcavam -3°C. Segurei sua mão e a sensação do toque dele era quente e acolhedora, totalmente o oposto do frio ao nosso redor. Conversamos sobre coisas aleatórias, sem pressa de chegar a qualquer lugar, apenas aproveitando a companhia um do outro.
— Ahh, quero te devolver uma coisa... — ele parou, tirou a luva e pegou o celular no bolso.
Ele desbloqueou a tela e começou a mexer, e eu não tinha entendido o que ele queria devolver, até virar o celular na minha direção.
— Espera aí... O que isso significa?
— O dinheiro que você me transferiu há dois meses atrás. Ele é seu. — respondeu.
— Deixa eu ver se entendi, você realmente não usou nem um centavo?
Ele balançou a cabeça negativamente.
— Não é possível...
Eu olhei para os lados, rindo indignado, e voltei a encarar ele.
— Eu te falei que o dinheiro era seu por várias vezes, por que você é teimoso assim, garoto?
— Não achei que era certo usar...
— Não foi certo você não usar.
Ele olhou para baixo, em silêncio, e começou a chutar a neve, com vergonha.
— Então você também não achou certo usar o carro, e é por isso que ele está parado na garagem todo esse tempo?
Ele desviou o olhar envergonhado, e concordou com a cabeça, sem me olhar.
— Não queria parecer um aproveitador, entende?
— Eu sei que você não é, e isso basta. O que me deixou frustrado foi saber que você não usou.
Ele deu com os ombros, sem me encarar.
— Eu não quero que você me devolva, ok? — fiz carinho no seu rosto — Não só esse dinheiro que está aí, tudo que é meu, é seu, então não faça mais isso, por favor.
— Tudo bem... desculpe.
— Eu te amo, e não precisa pedir desculpas.
Suas bochechas, que já estavam coradas por conta do frio, ficaram ainda mais vermelhas. Até a pontinha do seu nariz se avermelhou.
— Caralho, que moleque lindo...
Agarrei sua cintura com um braço e comecei a encher ele de beijos enquanto ele ria com cócegas.
🫐
Depois de muito beijo e várias voltas pelas ruas, chegamos à pista de esqui que ele havia encontrado pela internet. Era uma visão deslumbrante: a pista, toda iluminada, parecia uma trilha de estrelas descendo pela montanha.
— Uau... é ainda mais bonito do que nas fotos — ele disse, parando por um momento para admirar a cena.
Era realmente incrível. Como estávamos no topo de uma das colinas nevadas, dava para ver toda a cidade lá embaixo, iluminada em vários tons.
— Vamos logo, tô ansioso — ele falou, indo rápido em direção aos equipamentos.
Colocamos os equipamentos de segurança com a ajuda de um instrutor, e depois de alguns treinos, começamos a esquiar. A sensação de deslizar pela neve, com o vento frio batendo no rosto e a vista deslumbrante ao redor, era indescritível. Ele ria enquanto descia, e ver ele assim me deixava ainda mais feliz.
Nos divertimos juntos por um bom tempo, subindo e descendo a colina. O dia, que mais parecia noite, avançava, mas a magia daquele lugar parecia fazer o tempo parar.
Ele reclamou primeiro de cansaço e ficou sentado na neve, enquanto eu esquiei mais um pouco até também me cansar. Sentei ao seu lado e ficamos trocando carinho e beijos rápidos em meio a quantidade de roupas e equipamentos que estavam em nós.
Assim que saímos da pista de esqui, fomos em uma lojinha ao lado, que vendia pelúcias e algumas lembranças da cidade. Enquanto ele parecia uma criança animada, olhando todas as prateleiras escolhendo o que queria, meu celular começou a tocar.
Pelo relógio, vi que era uma ligação do Yoon, então me afastei um pouco do Jimin para atender, ficando mais próximo da porta de saída.
— Qual a má notícia? — perguntei quando atendi.
— Você tá supondo que só te ligo para dar más notícias, JK?
— Sim.
— Hmm, sabe o que é pior, você acertou. Eu estou em casa, mas acabaram de me avisar que aqueles promotores que te entregaram a intimação, estão nesse momento na Sixx, atrás de você.
— Filhos da puta! — Falei irritado e um pouco alto, e tentei disfarçar, olhando ao redor da loja, que estava com vários turistas.
— Estou saindo de casa agora, e vou até a Sixx para falar com eles.
— Tenta inventar alguma coisa, mas não diga que eu viajei.
— Eles não são bobos, mas vou tentar.
— Ok, vai me dando notícias, vou ficar atento com o celular.
Nós desligamos e a frustração ficou estampada na minha cara. Por mais que eu tentasse ter um relacionamento normal, esse lado da minha vida nunca iria permitir.
Enquanto eu tentava disfarçar que fiquei irritado, escutei a voz do Jimin ao meu lado.
— Tá tudo bem?
Ele estava segurando algumas coisas que escolheu, mas me olhando preocupado. Respirei fundo, tentando manter a calma, apesar do turbilhão de pensamentos que invadiam minha mente.
— Sim — respondi, forçando um tom mais leve. — Só um problema na Sixx... nada sério.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente não convencido, mas não insistiu. Apenas aceitou minha desculpa.
Eu sorri, tocando seu rosto com cuidado.
— Escolheu o que quer?
— Só vou pegar mais algumas coisas.
— Ok, vou te esperar.
Enquanto ele voltava a se concentrar nas prateleiras, minha mente só conseguia pensar em como lidar com a situação. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, problemas como esses voltariam a aparecer, e não queria que ele tivesse que se envolver nisso, não mais do que já se envolveu.
Alguns minutos depois ele voltou.
— Vou levar esses, mas eu quero pagar, já que você disse que é para usar.
— Mas essas coisas são presentes meus para você, não tem sentido você pagar.
— Então eu não vou usar nunca...
— Se quer pagar algo, pode ser nosso jantar hoje, o que acha?
Ele concordou animado.
— Eu aceito, mas vou pagar pelo menos esses dois aqui, pois são presentes meus para os meus amigos.
— Ok, meu amor.
Fomos até o caixa e depois, para a saída da loja, com ele segurando suas sacolas como se fossem tesouros.
Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que lidar com os promotores e toda a merda que esse processo envolvia, mas, por enquanto, o Jimin era minha maior prioridade. E eu faria o possível para garantir que ele não sentisse o peso dos problemas que eu enfrentava.
Eu não me perdoaria se eu fizer ele sofrer de novo.
Caminhamos mais um pouco pela cidade, tentando aproveitar o restante do dia.
— Eu queria te pedir uma coisa... — ele parou e falou, enquanto o frio fazia o vapor sair da boca a cada palavra.
— Pode pedir quantas quiser.
Ele olhou para baixo, tentando buscar as palavras certas.
— Você... bem... você poderia...
Fiquei olhando, esperando ele completar o que queria dizer.
— Só diga de uma vez, não precisa pensar em como falar.
Ele então me olhou, e após um longo suspiro ganhando coragem, ele perguntou.
— Você pode me ensinar a usar uma arma?
Eu até engasguei quando ouvi seu pedido, sem acreditar no que ouvi.
— Que?
Ele entrelaçou as mãos sem jeito, mas não voltou atrás do que pediu.
— Quero aprender a atirar. — repetiu.
Eu fiquei em silêncio, tentando processar o que ouvi. Nunca imaginei que ele faria um pedido desses, e, honestamente, não sabia se isso era algo que eu queria considerar.
— Por que quer aprender isso?
Ele respirou fundo e continuou, com o peito inflado de coragem.
— Eu quero estar preparado, caso algo aconteça. Sei que você sempre está me protegendo, mas... e se um dia você não puder?
— Olha, eu te entendo, mas... — comecei, procurando as palavras certas. — O mundo em que infelizmente eu vivo é uma merda, e não quero que você se envolva mais do que já se envolveu.
Ele ficou em silêncio por um momento, pensativo. Eu sabia que ele não desistiria tão fácil, mas também sabia que eu precisava proteger ele de qualquer maneira.
— Eu não quero ser um peso — ele disse, com a voz baixa. — Quero poder me defender, ou até mesmo te ajudar, se precisar em alguma situação que nos force a isso. Por favor...
— Você não é um peso, e nunca vai ser.
— Mas eu gosto de me sentir útil, eu sou assim. Não quero só ficar sendo protegido, quero te proteger também.
Eu suspirei, tentando pensar em como responder. Por mais que eu quisesse manter ele fora desse lado da minha vida, sabia que ele estava determinado a estar ao meu lado, independentemente do que eu fizesse.
— Vamos fazer assim; Eu te ensino algumas coisas básicas, só para você se sentir mais seguro. Mas prometo que farei de tudo para que você nunca precise usar nada do que aprendeu.
Ele sorriu, parecendo um pouco mais aliviado.
— Obrigado — agradeceu, mantendo o sorriso pequeno e sincero no rosto.
— Eu faria qualquer coisa por você — respondi, segurando sua mão.
Esse pedido só prova que ele sentiu que a ligação que recebi não era boa coisa... eu precisava parecer menos óbvio se quisesse manter ele de fora dessas merdas.
Nós voltamos para o hotel com as mãos cheias de sacolas. Puxei vários assuntos aleatórios para ele esquecer desse assunto.
Quando chegamos no quarto, ele espalhou todas as sacolas em cima da cama, empolgado enquanto mostrava cada item. Pelúcias, lembranças da cidade, e até umas roupas que ele gostou. O sorriso dele se abria tão bonito, e eu não conseguia deixar de sentir uma mistura de alegria e culpa. Alegria por ver ele tão feliz, e culpa por saber que, mais cedo ou mais tarde, a realidade poderia estragar tudo isso.
— Olha esse aqui, peguei porque achei igualzinho a você — ele disse, segurando um urso de pelúcia emo, com uma cara brava e roupas pretas.
Dei risada da comparação.
— Isso é um elogio ou uma ofensa?
— Claro que é elogio, olha como ele é lindinho, mesmo bravo. Vou dormir abraçado com ele quando eu sentir sua falta.
Cheguei mais perto, puxando ele pela cintura pra um abraço de verdade, ignorando a bagunça de pelúcias e sacolas espalhadas pelo quarto.
— Não vou deixar você sentir minha falta, moleque.
Ele riu, botando a pelúcia de lado, e apoiou a cabeça no meu ombro enquanto retribuía o abraço. Ficamos assim por uns minutos, até que ele resolveu tomar banho.
— Acho que vou com você... — falei, já tirando minha camisa.
— Não vai não — ele parou na porta do banheiro, com a mão na minha frente — Se você for, sabe bem onde isso vai parar.
— Mas esse é o plano — sorri, olhando pro corpo desenhado dele.
Ele riu, mas realmente não me deixou entrar no banheiro.
— Ainda tô me recuperando do que a gente fez mais cedo, então não dá. Me espera aí, vou ser rápido.
Ele entrou e trancou a porta na minha cara.
— Você me paga, Park. — resmunguei atrás da porta, enquanto ele ria lá de dentro.
Voltei pro quarto e sentei na cama. Eu realmente me sentia tão obcecado por ele que queria estar do seu lado a todo segundo, e isso poderia até soar meio doentio.
Um lado meu queria apoiar os sonhos dele, ver ele ser uma estrela na dança, mas o outro, queria manter ele preso, longe dos olhos do mundo, pra sempre... só meu, pra sempre. Esse lado é realmente doentio, e eu só ignorava essa opção.
Se ele soubesse o quanto eu me esforçava pra ser um ser humano normal, só por causa dele...
Organizei a bagunça que ele largou na cama, e mesmo sem querer, pensamentos sobre a minha adolescência começaram a surgir. Lembrei de quando tirei a vida de alguém pela primeira vez, a pedido do Chae. Eu não senti nada. Dó, pena, compaixão... nada.
Teve um dia que ouvi, atrás das portas, um dos homens do Chae dizer para ele que deveriam me eliminar, porque alguém como eu não era normal, e acabaria virando "algo pior". Mesmo que o Hwang não tenha feito isso, essas palavras ficaram gravadas na minha mente, e talvez ele tivesse razão.
Eu nunca fui igual aos outros, sempre senti uma desconexão com o que as pessoas chamam de "humanidade".
O Jimin era a primeira pessoa que me faz querer ser diferente. Não por medo ou obrigação, mas porque eu quero ser melhor para ele, por ele. Ainda assim, não posso negar que o lado mais sombrio de mim ainda existe, sempre ali, à espreita, pronto pra surgir e destruir qualquer coisa que ameace nós dois.
Arrumei as últimas coisas na cama e fui até a janela, olhando para o céu escuro lá fora. A cidade estava calma, mas dentro de mim, tudo estava em caos.
Enquanto ele saía do banho, com a pele quente e o cabelo ainda molhado, eu o abracei, permitindo que o cheiro dele, doce e familiar, me acalmasse. Era como se toda a confusão dentro de mim se dissipasse por um momento, dando espaço para algo mais tranquilo e puro.
Ele riu baixinho e me puxou ainda mais para perto.
— Que abraço bom — disse ele, apoiando a cabeça no meu peito.
Ficamos assim por alguns momentos, desfrutando da nossa proximidade. Quando finalmente nos separamos, ele se levantou e começou a se preparar para sair.
Entrei no banheiro e tomei um banho rápido. Assim que saí, vi que ele já estava pronto e esperando. Troquei de roupa e saímos pelas ruas frias, sem pretensões sobre onde iríamos comer.
🫐
Caminhamos sentindo mais uma vez o frio intenso que chegou junto com a noite. Fomos à mais um restaurante, diferente dos outros que já fomos.
— O que você está pensando em pedir? — perguntei enquanto ele olhava o cardápio.
— Não sei... quero experimentar algo novo.
No fim, ele escolheu um prato com camarões e cogumelos, e eu, um com medalhões de carne wagyu com purê de batatas trufado.
Enquanto esperamos nossos pratos, ele voltou a tocar no assunto da Sixx.
— Será que eu poderia voltar a trabalhar lá? Isso claro, intercalando com os dias que tenho aula no instituto.
— Pode. Já disse que te dou o cargo que você quiser, até diretor geral.
— Não, valeu, só quero minha vaga antiga... Eu gostava do que estava fazendo, e também gostava de ver você o dia todo.
Eu sorri, satisfeito em ouvir ele dizer isso.
— E eu fico ainda mais feliz de ter você perto de mim o dia todo. Vamos resolver isso assim que a gente voltar.
Enquanto comemos e conversamos, meu celular começou a vibrar; era uma chamada do Yoon, aquela que eu temi receber a tarde toda, desde a notícia que os promotores de justiça estavam na Sixx.
— Desculpe, preciso atender.
Ele concordou, e eu me levantei da mesa e fui até o lado de fora do restaurante para atender.
— JK, você precisa voltar. Nenhuma desculpa colou. Parece que os promotores não sabiam da sua viagem, mas o Seokjin descobriu. Eles vão tentar te prender aí; é só questão de tempo até te acharem nesse fim de mundo que vocês estão.
— Isso não é possível.
— Já era de se esperar... Você é insistente... eu te avisei que era uma péssima ideia sair do país com a justiça te dizendo claramente pra não viajar.
— Agora é tarde pra ficar me lamentando, vou arrumar as malas. Avise a Hanni para conseguir um avião particular para nós o mais rápido possível.
— Ok, vou avisar ela.
Desliguei e voltei para a mesa, tentando manter a calma. Ele me olhava com curiosidade, mas não dizia nada. Eu sabia que ele sentia que algo estava errado, mas ainda assim, tentei agir naturalmente, pegando os talheres e tentando voltar a comer.
Quem eu queria enganar? Eu fiquei mexendo com a comida no prato, completamente sem apetite.
— Quem era? — ele perguntou.
— Yoongi... — respondi, evitando detalhes, mas eu sabia que ele não ficaria satisfeito com isso.
— E o que ele queria? — insistiu, com os olhos fixos nos meus.
Olhei para ele, respirando fundo, tentando pensar na melhor forma de evitar contar a verdade.
— Ele só queria saber como estava a viagem, nada demais.
Ele arqueou a sobrancelha, e era óbvio que minhas respostas não soaram nada convincentes.
— Você acha que eu não percebo quando algo está errado? Olha pra você, sua expressão corporal tá praticamente denunciando o quanto você está mal.
Fiquei em silêncio, tentando segurar a tensão que começava a crescer. Eu não queria estragar nossa viagem, mas ao mesmo tempo, sabia que ele não deixaria isso passar tão fácil.
Respirei fundo e falei a verdade, sem olhar para ele.
— Precisamos voltar para a Coreia.
— Quando?
— O mais rápido possível.
Ele me mirou com seus olhos pequenos, e toda aquela alegria estampada neles parecia sumir quase instantaneamente.
— O que tá acontecendo com você? — ele perguntou.
Fiquei em silêncio por um momento, pensando se deveria realmente contar a verdade. Mas ao olhar para ele, que claramente não estava convencido, percebi que esconder isso só pioraria as coisas.
Ele olhou para mim, esperando que eu fosse sincero.
— Lembra da investigação que tinham colocado você como réu? Ela continua, só que agora é contra mim. Uma das condições para aguardar o julgamento era não sair da Coreia, e meio que tentei burlar isso pra gente viajar. Enfim, querem me prender.
Os olhos dele se arregalaram, e ele largou os talheres na mesa.
— O quê? Como assim?
— O Seokjin descobriu e avisou aos promotores. Eles estão usando isso como uma oportunidade para me prenderem.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Eu podia ver a preocupação e o medo crescendo no rosto dele. Aquela viagem, que deveria ser um refúgio para nós, estava ameaçada por algo que eu não conseguia controlar.
— Por que você não me contou antes?
— Eu não queria te preocupar. Pensei que poderia lidar com isso sozinho e não queria estragar nosso tempo juntos.
Ele cruzou os braços.
— Você me pede em casamento e quer esconder de mim o que está passando? Tem noção do quão egoísta isso é? — Sua frustração era evidente, mesmo em meio ao restaurante.
Eu apenas concordei, sentindo o peso das palavras dele. Não era justo com ele, e no fundo, eu nunca soube ser justo com ninguém.
— Desculpe... Você é a primeira pessoa que eu amo, e eu não sei como lidar da forma certa para te proteger.
Ele olhou para mim com um misto de dor e compreensão.
— Eu entendo que você queira me proteger, mas esconder a verdade só me deixa mais preocupado. Eu quero estar ao seu lado, não só nos momentos bons como esse, mas também nos difíceis.
Segurei a mão dele sobre a mesa, pensativo.
— Eu não quero te perder... Esse tempo longe de você e essa situação toda só me fizeram perceber o quanto preciso de você ao meu lado, garoto.
Ele apertou minha mão de volta.
— Então, vamos enfrentar isso juntos. Não precisa carregar tudo sozinho.
Olhei para ele sentindo uma esperança que nunca ninguém havia me dado.
— Obrigado...
Ele sorriu, com seus olhos pequenos se fechando em um sorriso sincero.
Seguimos com o restante da refeição em silêncio, aproveitando o pouco que restava do jantar. A comida, que antes parecia deliciosa, agora tinha um gosto amargo e doloroso. Terminamos a refeição, pagamos a conta e saímos do restaurante, em direção ao hotel.
Voltamos caminhando devagar pela cidade, apreciando pela última vez as luzes que iluminavam as ruas cobertas de neve.
Assim que chegamos ao hotel, começamos a fazer as malas em silêncio. O som dos zíperes e o barulho das roupas sendo dobradas preenchiam o espaço entre nós.
Enquanto eu terminava de arrumar uma das malas, meu celular começou a vibrar; era minha secretária.
— Oi, Hanni.
— Boa noite, Sr. Jeon. Consegui um voo particular para vocês. O piloto estará pronto para decolar às 4 da manhã.
— E o mais rápido que conseguiu?
— Infelizmente, sim.
Olhei para o relógio e vi que já era pouco mais de 22h. Ainda tínhamos algumas horas para descansar antes do voo.
— Ok, obrigado.
Desligamos, e eu voltei a me concentrar nas malas. Ele estava do outro lado do quarto, também arrumando suas coisas, mas olhando para a janela, como se estivesse sentindo a partida daquele lugar... E isso era culpa minha.
— Vamos embarcar às 4h da manhã.
— Tudo bem.
Ele concordou sem me olhar. Sentado no chão, sobre o tapete, me aproximei e me sentei ao lado dele, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. Ele ainda olhava para a janela, perdido em pensamentos, e a culpa voltou a me corroer.
— Eu queria que as coisas fossem diferentes — falei, quebrando o silêncio. — Queria que a gente pudesse aproveitar de verdade, sem essas preocupações.
Ele desviou o olhar da janela e me encarou, seus olhos refletindo a mistura de emoções que estava sentindo.
— Eu também, mas sei que você está fazendo o que precisa ser feito. Terão outras oportunidades para a gente viajar.
Ficamos sentados, lado a lado, em silêncio, até decidirmos finalmente tentar descansar um pouco antes do voo.
Deitados na cama, completamente próximos um do outro, senti que, apesar de todos os problemas ao nosso redor, aquele momento, mesmo que curto, ainda era nosso. Enquanto acariciava seus fios castanhos e macios, o cheiro dele se misturava com o ambiente, trazendo uma calma que eu não sentia há muito tempo. Era como se, por um breve instante, todo o caos desaparecesse, deixando apenas nós dois.
Ele se aproximou um pouco mais, buscando ficar mais confortável, e eu continuei com os movimentos suaves, querendo que ele soubesse que, apesar de tudo, eu estava ali para ele. Não eram necessárias palavras naquele momento; o silêncio, os toques sutis e o calor de nossos corpos juntos diziam mais do que qualquer palavra poderia expressar.
Fechei os olhos, tentando gravar essa sensação, esse instante de paz antes de tudo desabar novamente.
Sabia que as próximas horas seriam difíceis, mas estava pronto para não desistir. Enquanto sentia meu garoto adormecer em meus braços, prometi a mim mesmo que lutaria para garantir que tivéssemos mais momentos como aquele no futuro...
Mesmo que isso me custasse abrir mão da máfia.
🫐
Na manhã seguinte.
Meu celular despertou às 03h da manhã. Mesmo que eu tivesse pena de fazer isso, precisava acordar ele.
— Ei, acorda — sussurrei, acariciando seu rosto com cuidado.
Ele se mexeu, começando a abrir os olhos lentamente, ainda meio desorientado pelo sono.
— O que houve? — perguntou confuso, com a voz rouca e sonolenta.
— É hora de ir.
Quando ouviu, ele pareceu realmente despertar. Se espreguiçou e se levantou, ainda se sentindo sonolento.
— Tá, vou me arrumar...
Enquanto nos arrumamos, um funcionário do hotel veio pegar nossas malas, que eram mais do que as que trouxemos. Assim que ele terminou, fizemos o nosso checkout do hotel e fomos para o pequeno aeroporto da cidade.
Ele até tentava olhar a cidade pela última vez pela janela, mas estava praticamente dormindo sentado.
Chegamos ao pequeno aeroporto e fomos rapidamente para a área de embarque. O silêncio predominava, e a pouca movimentação dos funcionários refletia o deserto que era a cidade naquele horário.
Em poucos minutos, nosso voo particular chegou e embarcamos. O interior do avião era confortável e aquecido, uma boa mudança em relação ao frio lá fora.
Depois de cerca de dez minutos de viagem, ele já estava sonolento novamente, coçando os olhos e bocejando.
— Deita aqui comigo — falei, abrindo os braços.
Ele se aproximou um pouco mais, deitando a cabeça no meu colo. Eu fiquei fazendo carinho por seu cabelo até ele voltar a pegar no sono.
Enquanto ele dormia, eu me peguei pensando em tudo o que precisava enfrentar ao voltar para a Coreia. Olhando para ele ali, tão tranquilo e em paz, não pude deixar de lembrar da vez que o vi em cima daquele prédio, na chuva, tentando tirar a própria vida. Eu estava determinado a fazer o que fosse necessário para garantir que ele nunca mais sentisse aquela dor.
Ainda perdido nessas lembranças, meu celular vibrou com algumas mensagens do Hoseok. Conversamos por um tempo, e ele me atualizou sobre toda a ajuda que os Hwang estavam oferecendo. Eu imaginava ter qualquer ajuda, menos a do Hyunjin. Todas as últimas informações que ele passou sobre a Sohee foram verdadeiras e precisas, e realmente nos ajudaram.
Eu esperava que isso não fosse uma armação dele. Caso contrário, eu não teria piedade, nem mesmo com a consideração que tenho pelo Chae.
O resto da viagem passou em silêncio, com o ocasional som da aeronave ao fundo, e a visão de vários países passando abaixo de nós.
🫐
Seoul - Coréia do Sul
Eu fiquei a viagem toda acordado, enquanto ele dormiu e acordou várias vezes. Quando o avião finalmente começou a descer em um aeroporto particular em Seul, ele ainda estava dormindo, então precisei acordar o dorminhoco.
Ele esfregou os olhos enquanto se levantava, com o cabelo todo bagunçado e ainda sonolento, o que me fez rir.
— Não me zoa, babaca... — ele também riu, tentando arrumar o cabelo e as roupas.
— Relaxa, você é uma delícia de qualquer jeito.
Ele riu todo envergonhado.
Assim que desembarcamos, fomos para o estacionamento, onde meu carro estava desde o nosso embarque.
— O que vai fazer pra resolver o problema do inquérito? — perguntou enquanto a gente caminhava.
— Não sei. Vou me reunir daqui a pouco com meu advogado e vamos pensar em um jeito.
— Você quer que eu vá junto? Isso de certa forma é culpa minha.
— Não é sua culpa, e não precisa ir junto, prefiro que você me espere em casa.
Ele entrou no carro enquanto eu guardei nossas malas.
— Já que não vou junto, poderia me deixar no apartamento dos meninos? — ele pediu quando eu entrei no carro.
Quando fez esse pedido, virei para ele sem saber o que responder. Eu não queria parecer obsessivo, e tinha que deixar ele decidir onde moraria até nosso casamento, mas queria que ele morasse de novo comigo.
O Jungkook de antigamente com certeza forçaria ele a morar na minha casa, por bem ou por mal.
— Você não vai ficar na minha casa? — perguntei, tentando esconder a frustração.
Ele virou o corpo e sorriu.
— Hmm, não sei... Se você me der um beijo, quem sabe.
Eu sorri e me aproximei. Ele inclinou a cabeça para o lado e fechou os olhos, enquanto eu puxei seu rosto para perto. Nossos lábios se encontraram em um beijo gostoso e cheio de amor, apreciando o calor e a maciez dos seus lábios carnudos.
Quando finalmente nos separamos, ele olhou nos meus olhos com um sorriso lindo, e a boca aberta nada próxima da minha.
— Preciso organizar minhas coisas que estão no apartamento, e também me despedir dos meninos e agradecer pelo tempo que passei lá.
Eu sorri, me sentindo feliz com sua resposta, mesmo em meio ao caos.
— Você não tem noção do quanto eu fico feliz em saber disso.
Ele sorriu, com as bochechas rosadas.
— E eu muito mais.
Fiz carinho no seu rosto e dei uma apertadinha no seu queixo.
— Vou te deixar no apartamento deles e enquanto isso, resolvo esse problema do inquérito.
Liguei o carro e partimos, dirigindo em direção ao apartamento, que não era muito longe de onde estávamos. Assim que parei na frente do portão da entrada, ele me deu outro selinho.
— Quer que eu te busque? — perguntei.
— Não precisa, vou usar meu carro. Só preciso lavar ele antes, mas vou ser rápido.
— Que milagre ouvir isso, garoto.
Ele riu e me deu mais um beijo.
— Até depois, meu futuro marido.
Meu sorriso se abriu ainda mais ao ouvir isso. Agarrei a cintura dele e o puxei para mais perto, enchendo seu pescoço de beijos.
— Eu... te... amo... — falei, intercalando cada palavra entre os beijos.
Ele ria enquanto recebia os beijos, até que conseguimos nos separar e ele desceu. Assim que voltei a dirigir, liguei para o Yoongi.
— Chegou? — ele falou assim que atendeu.
— Sim, onde você está?
— Na Sixx.
— Tem alguém da polícia aí?
— Não.
— Ok, estou indo, só preciso deixar essas malas em casa.
Desliguei e acelerei o quanto pude para chegar rápido. Estacionei o carro na frente de casa e deixei na entrada.
— Boa tarde, Sr. Jeon, seja bem-vindo de volta. — um dos meus funcionários se aproximou.
— Obrigado. Preciso sair agora, então tirem todas as malas desse carro e deixem no meu quarto. Peça para o motorista guardar quando terminarem.
— Ok, senhor.
Peguei a Lamborghini na garagem e saí em direção à Sixx.
🫐
Quando cheguei, estacionei o carro e fui direto para a minha sala. Sabia que meu advogado também estava vindo para cá, então precisava aguardar sua chegada. O Yoongi chegou alguns minutos depois de mim, entrando na minha sala sem ao menos bater.
Além dele, do Hoseok e do Jimin, eu cortaria os dedos da pessoa que fizesse isso.
— Quanto tempo, JK... Céus, como você tá pálido. Que isso, cosplay do Edward Cullen coreano e criminoso?
Dei risada com sua piadinha e apontei para o sofá, onde ele se sentou, e eu me sentei ao lado dele, aliviando um pouco a tensão que estava sobre mim.
— Foi, sem dúvida, o lugar mais frio que já visitei. Acho que tô assim por falta de sol; lá simplesmente não tinha, nem dia, e os moradores ficam assim por meses. Foi louco ficar lá só vendo o céu à noite, mas a cidade era linda, então foi tudo ótimo.
— Fico feliz que se divertiram. E vejo que a viagem foi tão boa que você voltou com uma baita aliança de ouro no dedo.
Todas as vezes que falei com o Yoon durante a viagem foi sobre problemas, então percebi só nesse momento que não contei para ele.
— Pedi o Jimin em casamento, enquanto a gente observava as auroras boreais.
Ele me olhou surpreso, com um sorriso pequeno e raro.
— Que boa notícia! Pra quem te viu perseguir aquele menino, saber que vão casar é algo completamente inesperado. Ele te mudou demais, e gosto muito de quem você tem se tornado.
— Valeu pelo apoio, Yoon.
— Imagina. Tô realmente feliz, mas preciso ser sincero: você sabe que isso só torna as coisas um pouco mais complicadas, não?
— Sim, eu sei. Não era o momento ideal para lidar com tudo isso, mas era o momento certo para nós dois. Eu não quero deixar ele escapar de mim, nunca mais.
Yoon balançou a cabeça, ainda sorrindo.
— Vai dar tudo certo. Conte comigo pra te ajudar a se livrar dessa merda toda e seguir sua vida com ele.
Nesse momento, o advogado entrou na sala e se juntou a nós.
— Sr. Jeon, considerando que o senhor voltou, o ideal seria se apresentar na delegacia. Como você vai por vontade própria, com uma boa justificativa, talvez isso alivie sua situação.
Por enquanto, a única acusação do inquérito era sobre a morte do desgraçado que trocou os sucos do Jimin, e essa era a minha sorte. Se houvesse outras acusações envolvidas, com certeza a situação seria ainda pior.
— Ok, farei isso — concordei, olhando para o advogado. — E sobre a possibilidade de fiança?
— Vamos discutir isso assim que tivermos uma ideia melhor da situação na delegacia. Por enquanto, é crucial que você se apresente e mostre cooperação — respondeu o advogado com um tom sério.
Se não fosse pelo Jimin, eu já teria explodido toda a delegacia e fugido para qualquer lugar do planeta.
— Ok, então vamos, não tenho outra escolha.
Nos despedimos do Yoon, deixei meu carro na Sixx e fui com o advogado no carro dele. Enquanto dirigia, ele me orientava sobre como agir, o que talvez não fosse exatamente o que eu queria ouvir.
— É importante que você seja sincero. Talvez seja uma boa ideia você dizer que viajou para fazer o pedido de casamento. Isso pode ajudar a convencer o juiz de que sua viagem tinha um propósito pessoal legítimo e não foi uma tentativa de burlar a lei e fugir do julgamento.
— Poderia ser uma boa ideia, mas o problema disso é que o Seokjin conhece os pais do Jimin, e eles não sabem nem que o filho deles namora com outro homem, muito menos que vamos casar.
Ele deu um suspiro, tentando pensar em alguma outra solução.
— Que você viajou com ele é algo que a polícia já sabe, então se quer evitar falar sobre o casamento, reforce que fez uma viagem em casal mesmo, o que não é mentira.
Eu tirei minha aliança e a guardei no bolso.
Assim que chegamos, me apresentei e fui levado novamente para a sala de interrogatório. Outro policial, que eu nunca tinha visto antes, veio me interrogar, então comecei a explicar o motivo da viagem.
Enquanto eu falava, ouvi a porta atrás de mim se abrir. Não me virei, continuando a falar, mas ouvi passos lentos se aproximando. Quando a pessoa entrou no meu campo de visão, percebi que era o Seokjin.
— Sung-Ji, obrigado por iniciar o depoimento. O delegado já está vindo, então pode me deixar sozinho com o réu; temos muito para conversar.
Assim que o policial saiu da sala, Seokjin se sentou de frente para mim.
— Foi bem esperto da sua parte forjar um término pra livrar ele dos processos.
— Se estava me investigando, você sabe que realmente terminamos.
Ele me olhou com os olhos cerrados e aquele mesmo sorriso cínico de sempre.
— Por que você quer brincar com os sentimentos de alguém como ele?
— Nunca brincaria, não com ele.
— Seu histórico de relacionamentos é extenso; por que eu deveria acreditar nisso?
— Porque ele é a primeira pessoa por quem eu realmente me apaixonei.
O desdém em seu olhar deu lugar a uma expressão pensativa.
— Todas as suas poucas vítimas que conseguimos interrogar fizeram a mesma declaração: você só se contentava com sofrimento, dor e sangue. O que me garante que você não oferece esse perigo para ele?
— Eu não preciso te garantir nada, para ele, sim. Ele sabe o quanto eu o amo, e isso basta.
Seokjin permaneceu em silêncio por alguns segundos, estudando minha expressão. Parecia tentar determinar se eu estava falando a verdade ou apenas tentando me livrar da situação.
— Você sabe que, se algo acontecer a ele por causa dessa vida que você leva, eu vou fazer de tudo para acabar com você, certo? — Sua ameaça foi dita calmamente.
Eu não desviei o olhar, mantendo minha voz firme.
— Se algo acontecer a ele, eu mesmo vou me destruir.
Ele balançou a cabeça levemente, como se ainda estivesse processando tudo.
— Isso é algo que vou precisar ver para acreditar, Jeon Jungkook. — Ele se levantou, ajeitando a gravata. — O delegado vai entrar em breve. Boa sorte.
Ele realmente saiu da sala, me deixando sozinho. Era a primeira vez que agia assim, sem me ameaçar para me separar do Jimin. Conhecia tanto seu jeito que até isso me pareceu suspeito.
Depois de mais de vinte minutos esperando, olhando para as paredes cinzas e lisas, o delegado apareceu e colocou alguns papéis na mesa. Ele sequer sentou, apenas apoiou as mãos na mesa e me olhou.
— Jeon, você está liberado para continuar aguardando o julgamento em liberdade. Espero que agora cumpra com as ordens e nos comunique antes de qualquer outra viagem.
Eu estava esperando que ele continuasse com o depoimento, talvez até me desse um sermão ou me prendesse.
— Ok.
Fiquei em pé e saí da sala. Meu advogado estava sentado na sala de espera e veio até mim quando me viu.
— Te liberaram?
— Sim.
— Que boa notícia. Vem, vamos, vou te levar até a Sixx.
Nós fomos para o estacionamento, e ele me deixou na empresa. Lá, resolvi tudo rapidamente, contei para o Yoon como foi, e depois segui para casa.
🫐
A noite já estava caindo, mas o Jimin ainda não tinha chegado. As malas já estavam todas organizadas nos quartos, e mesmo que eu quisesse ele no meu quarto, mantive as coisas dele no outro, sabendo o quanto ele gostava por sua independência.
Isso era algo que contrasta completamente com o meu jeito de querer controlar tudo e ter as coisas do meu jeito.
Depois de vinte minutos que cheguei, a ausência dele já começava a me deixar impaciente. Quando peguei o celular para ligar, ouvi o carro dele entrando em casa, e um alívio tomou conta de mim.
Desci pra receber ele na porta, já que ele vinha carregando algumas mochilas.
Ele sorriu quando me viu, e se jogou nos meus braços. Eu o abracei apertado, sentindo o peso de toda a ansiedade desaparecer.
— Parece que alguém sentiu minha falta — ele provocou.
— Sempre. — Respondi, dando um beijo na sua testa. — Quer comer alguma coisa?
— Não, eu comi no apartamento.
Nós subimos e fomos para os quartos. Ele deixou tudo no quarto dele e veio comigo até o meu.
Assim que colocamos nossas roupas de dormir e nos deitamos na cama, ele me olhou para mim com curiosidade.
— E aí, como foi com a polícia? — perguntou, tentando disfarçar sua preocupação.
Eu pausei por um momento, pensando em como responder. Não queria entrar em muitos detalhes, mas precisava garantir que ele soubesse que estava tudo sob controle.
— Foi cansativo, mas resolvi. Não foi nada que eu não esperasse, então as coisas estão sob controle agora — Respondi, tentando manter a calma na voz.
Ele me olhou com um misto de alívio e preocupação.
— Fico feliz em ouvir isso.
Eu o abracei, o trazendo para mais perto.
— Agora, nossa preocupação vai ser o nosso casamento e como resolver essa situação com seus pais.
Fiquei passando a mão suavemente por seu cabelo enquanto ele repousava a cabeça em meu peito. A sensação de ter ele perto me tranquilizava, como se todas as preocupações se dissipassem com sua presença e seu perfume.
O calor do nosso contato e a batida calma do meu coração pareciam envolver ele em um abrigo seguro. O ambiente estava silencioso, exceto pelo som suave da nossa respiração.
Ele começou a murmurar algo em um tom baixo e sonolento, e eu só consegui entender a última parte.
— ... eu te amo.
Eu passei a mão pela sua nuca e o abracei com mais força, apenas sentindo a profundidade do momento.
Com o tempo, seu corpo foi se tornando mais relaxado. Ele começou a pegar no sono e seus olhos foram se fechando lentamente. O sorriso no rosto permanecia, uma expressão de paz e felicidade que me fazia sentir que, apesar de todas as dificuldades, tudo estaria bem.
Olhando para ele, admirando cada traço milimetricamente perfeito, também me senti sonolento.
Deitei a cabeça ao lado dele, sentindo o calor do seu corpo e o ritmo constante da sua respiração. O mundo lá fora se apagou, e tudo o que restava era aquele momento de serenidade, onde apenas o que sentimos um pelo outro importava.
— Eu também te amo, garoto.
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Eita, esse capítulo ficou gigante, hein? Hehehe.
Tentei ser mais concisa, mas queria descrever exatamente como as cenas surgiram na minha mente. Desculpem pelo tamanho.
Para quem gosta de capítulos longos, este foi um prato cheio.
Espero que estejam gostando da história. Pretendo que essa fic seja um pouco menor que Under the Starlight, mas ainda assim caprichada, e ainda tem coisas importantes por vir.
Deixe sua estrelinha para apoiar essa mera autora, e conto com sua presença no próximo capítulo.
Até lá! 💙
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