18 | 열여덟 번째 장

Oi leitor :)
Prepare o coração, pois esse cap promete.
Sem mais delongas, tenha uma boa leitura!

#azuldameianoite

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- JEON JUNGKOOK -

Se passaram dois meses, e eu já estava à beira de um colapso sem o Jimin.

A sensação de vazio que eu sentia era esmagadora. Cada canto do quarto parecia gritar a presença dele. O perfume de baunilha, presente em cada canto do quarto, agora era uma tortura constante, um lembrete doloroso de que ele estava longe de mim, e por minha causa.

Eu me via constantemente revivendo os momentos que passamos juntos, como se pudesse reverter o tempo e corrigir os erros que cometi. Cada olhar para os lençóis e cortinas, até outros pequenos detalhes, me fazia lembrar dos dias em que tudo parecia perfeito, e agora, a culpa e a frustração me consumiam.

Levantei e fui para o banheiro, onde tomei um banho gelado, com o pensamento distante. Mantive pessoas de olho nele durante todo esse tempo, e o pior que toda essa falta que sinto dele, foi saber que ele brigou com alguém.

Eu já tinha toda a ficha do garoto com quem ele brigou e sabia que ele era da família dos donos da instituição, antes mesmo de o Jimin contar. Isso era péssimo para ele, e sua expressão ontem mostrava o quanto estava pilhado de raiva com toda essa situação. Eu precisava resolver isso o mais rápido possível.

Eu tinha uma reunião marcada com o diretor da Instituição de Artes, pai daquele merdinha que ele brigou. Só vou resolver isso de forma amigável por causa do Jimin, caso contrário, não existiria conversa alguma.

Me arrumei e desci as escadas de casa. Próximo à saída, encontrei a Lee, que perguntou sobre o Jimin, como fazia todos os dias, durante todo esse tempo.

Ela sentia falta dele aqui, e eu também. Sem ele, a casa era triste e cinzenta, pois ele era literalmente quem trazia cor. Nesse tempo todo, eu sequer pisei próximo à piscina, pois sabia que a lembrança dele dançando no salão seria intensa demais.

— O senhor quer que prepare a mesa do café da manhã?

— Não precisa, estou sem fome. Obrigado.

Saí da casa, onde um dos motoristas já estava com a Lamborghini pronta para eu sair. Meu carro já não tinha mais seu perfume de baunilha, e isso me frustrava. Eu queria seu perfume de novo no meu carro e na minha vida.

🫐

Assim que cheguei no instituto, estacionei em frente à entrada e passei pelos portões do local, repleto de seguranças. Esperei por poucos minutos em um corredor luxuoso até entrar na sala da diretoria.

— Jeon, já estava me perguntando quando você voltaria a visitar nossa escola. Aceita uma xícara de café?

— Não, obrigado.

Ele sinalizou um pequeno sofá, e me sentei. Ele se acomodou em uma poltrona ao lado.

— Não quero tomar seu tempo. Parece que seu filho é um grande encrenqueiro aqui dentro do instituto, e brigou justamente com o aluno que acertamos a aprovação dele.

Ele apoiou as costas no encosto da poltrona, e sua expressão amigável sumiu imediatamente.

— Eu não soube disso... Para ser sincero, minha relação com meu filho não é das melhores, então, mal nos vemos. Essa briga foi aqui dentro?

— Onde começou a perseguição, sim, mas a briga foi na rua. Você lembra muito bem quando te falei o quanto aquele garoto é importante para mim, e me deixa muito irritado o fato de nenhum dos seus funcionários ter notado ou intermediado antes mesmo de chegar a uma briga.

— Eu te peço desculpas por isso e me sinto realmente envergonhado pelos atos daquele fedelho. Te garanto que essa perseguição nunca mais vai voltar a acontecer. E fique tranquilo quanto ao meu filho, vou ensinar para aquele moleque as consequências dos atos dele.

— É bom ouvir isso. Eu não vou saber dialogar se essa merda voltar a acontecer.

Ele tentou manter a calma, mas o desconforto era evidente em seu rosto.

— Entendo perfeitamente sua frustração. Vou garantir que o problema seja resolvido de maneira justa.

— Ótimo. E espero que a partir de agora, seus funcionários estejam mais atentos. Não quero ter que lidar com mais problemas dessa natureza.

Ele concordou, visivelmente aliviado por encerrar a conversa. Levantei e fui em direção à porta, sem dar mais brechas para conversas desnecessárias.

Enquanto dirigia para a Sixx, acendi um cigarro.

A tensão e o nervosismo me dominavam, e eu precisava de alguma forma de controle. O computador de bordo indicou uma ligação da minha secretária. Ela não costumava me ligar, e geralmente, essas chamadas sempre vinham com más notícias.

— Diga, Hanni.

— Sr. Jeon, peço desculpas por ligar, mas tem dois oficiais de justiça aqui na Sixx esperando pelo senhor.

Era o que me faltava...

— Ok, diga a eles que chegarei em cinco minutos. Fique de olho neles e avise o Yoongi.

Fiz um caminho mais longo de propósito. Ainda era cedo, e eu estava começando a sentir fome, então decidi fazer um desvio e parar em uma cafeteria.

No local, entrei e pedi um café expresso. O ambiente estava tranquilo, e o aroma do café dissipava no ar. Quando finalmente o expresso ficou pronto, levei embora e continuei meu caminho.

Assim que cheguei na Sixx e no meu andar, com meu copo de expresso nas mãos, vi os dois oficiais na sala de espera. Mesmo com minha demora, eles realmente me esperaram.

— O que querem aqui? — perguntei, ainda na sala de espera.

— Bom dia para o senhor também. Viemos entregar a intimação para a sua audiência. — Um dos oficiais estendeu a mão com o envelope e eu o peguei.

— Ok. Se era só isso, podem ir embora.

Eles me encararam e um deles completou:

— Enquanto a audiência não ocorrer, você está proibido de sair do país. E se não comparecer à audiência, você será preso imediatamente. Com licença.

Eles deram as costas e foram para o elevador.

— Filhos da puta... Hanni, peça para o Yoon vir até minha sala.

— Ok.

Entrei e me sentei à mesa. Assim que abri o envelope lacrado, encontrei um bilhete acima de todos os autos do processo:

"Que bom que raciocinou e fez o melhor para o Jimin, vai ser ótimo prender apenas você."

Peguei o bilhete e o amassei com ódio. Nos autos, agora, apenas eu estava como réu, e era exatamente o que eu precisava para agir. O Seokjin ainda achava que poderia me prender; era até engraçado ver sua determinação pra algo tão impossível.

Era mais fácil eu fazer ele perder esse emprego.

— Me chamou, vossa majestade? — Yoon abriu a porta e entrou, indo direto para o sofá.

— Não vai roubar meu uísque hoje?

Ele encarou a garrafa e fez uma careta.

— Ainda está cedo, depois eu pego. O que os oficiais queriam?

Entreguei o envelope para ele e me sentei ao lado, apoiando os braços nas pernas e entrelaçando as mãos.

— Retiraram as acusações dele?

— Sim... Isso demorou mais do que imaginei.

— Agora é a hora de agir. Como foi ontem com o Jimin?

— Péssimo... Ele não quis falar a verdade.

— Bom, eu te disse que ele não falaria.

Mesmo tendo derrubado o poder do Won, seus homens ainda estavam ativos. Bastou uma investigação rápida para descobrir que ele estava casado, e ao que tudo indica, a viúva dele estava tentando retomar o controle, com os homens dele ao seu lado.

Hiun Sohee... Foi uma surpresa descobrir o nome dessa vadia, especialmente porque, no mesmo instante, lembrei quem ela era: a ex do Jimin. A mesma que roubou ele, ou melhor, a mesma que me roubou.

Eu odeio essas merdas de coincidências, assim como o fato de que o mundo pode ser tão pequeno. Já não bastava o Seokjin conhecer o Jimin, agora era essa parasita.

Meus homens, que estavam de olho nele, me avisaram quando viram que ela foi atrás dele na noite passada. Enquanto eles vigiavam o carro dela, eu peguei o meu e fui até lá, mas foi tudo muito rápido; quando cheguei, ele já tinha ido embora. Então, minha opção foi ir até o apartamento e esperar por ele.

Era claro que ele me receberia com hostilidade, e ele tinha toda razão por agir assim.

— Você acha que eles estão juntos? — Yoon perguntou.

— O Jimin e ela? Não, disso eu tenho certeza. Ela deve ter chantageado ele de alguma forma, o suficiente para que ele não me contasse. Assim que ele chegou no apartamento, estava chorando.

— Posso dar minha opinião?

— Mesmo que eu diga que não, você vai falar.

— Sim, vou. Minha opinião é que você não deve perder tempo. Imagine, na pior das hipóteses, se ela reconquista ele? Eles já namoraram, então, em algum momento, houve algum sentimento entre eles.

Só de pensar nessa possibilidade, o frio na barriga estremeceu todo o meu corpo.

— Você conseguiu me deixar pilhado, parabéns.

— Esse é o objetivo. Volte com ele logo, antes que você fique para escanteio.

— Aquele moleque é meu, não existe chances dela tentar algo com ele. Nem ela, e nem ninguém.

— Valente do jeito que ele é?! — ele riu. — Suas ordens não funcionam muito com ele. É mais fácil ele mandar em você.

— Eu faço funcionar de um jeito ou de outro.

— Essa eu quero ver.

— Temos que acabar com essa sanguessuga e seus capangas. Se fosse um homem, eu mataria batendo só por se atrever a chegar perto do que é meu, mas infelizmente essa vagabunda é uma mulher, então tem que ser uma forma rápida e cautelosa.

— Ok, vamos organizar o plano e te avisar.

— Façam o que quiserem com os capangas dela. Só não façam nada com ela; quero eu mesmo lidar com essa parasita. E quanto ao Jimin, vou atrás dele de novo, até ele me contar o que ela falou ou fez com ele no carro.

Ele voltou para a sala dele e eu fiquei na minha. Atrás de mim, o dia estava nublado. Virei a cadeira para trás e fiquei observando a vista fria e chuvosa de Seoul através da janela.

Eu não aguentava mais ficar sem ele e só conseguia pensar disso. Porra, como ele estava bonito ontem, mesmo com os olhos marejados e o olhar triste.  Seus olhos inchados de chorar me fizeram querer abraçar ele, e tive que fazer um esforço enorme para não fazer isso.

Conhecendo aquele garoto como eu conheço, sei que será bem difícil ter ele de volta, mas não é impossível, e eu não sou de desistir.

— Eu vou ter você de volta... — sussurrei, observando a fina garoa que começava a cair do céu.

Voltei a atenção para os documentos espalhados sobre a mesa. Cada detalhe, cada palavra nos autos do processo, me lembravam que a única razão de estar nessa situação era o desejo de proteger o Jimin. Agora, com seu nome fora de todas as acusações, nada me impediria de ter ele de volta.

Me levantei, caminhando pela sala sem motivo algum. A frustração ainda fervilhava dentro de mim, mas precisava manter a cabeça fria para resolver tudo.

Enquanto estava distraído pensando nele, um número desconhecido tocou no meu celular. Pensei em mil possibilidades de quem seria, e em todas elas, não dava para recusar, então atendi.

— Jeon? Sou eu, Taehyung... Esse número é do Jeon?

— Sou eu. Está tudo bem?

— Hmm, mais ou menos...

Meu corpo estremeceu com a resposta dele.

— O que aconteceu?

— Consegue me encontrar no café próximo a estação Ginseng? Queria conversar com você sobre o Jimin.

— Sim, consigo. Chego lá em dez minutos.

— Obrigado.

Desligamos e eu saí correndo da sala, onde só lembrei de pedir à Hanni para remarcar todos os meus compromissos de hoje.

🫐

Acelerei o carro para chegar mais rápido e cheguei ao café em menos de cinco minutos. Como Taehyung ainda não parecia ter chegado, sentei em uma mesa com visão para a porta de entrada. Eu estava aflito e não tinha uma boa impressão disso.

Meu corpo implorava por um cigarro.

Pela janela, vi Taehyung se aproximar, sozinho, enquanto corria para fugir da chuva. Assim que entrou, ele me viu e se sentou junto.

A atendente veio até nós, e pedimos apenas dois cafés simples.

— Desculpe te ligar e fazer vir até aqui. Eu nem deveria me meter nisso, e ele vai odiar se souber, mas eu precisava falar com você. Meu irmão também queria vir e fazer isso, mas não pôde, está estudando.

— Não precisa se desculpar. O que aconteceu?

Ele apoiou as costas na cadeira, sentou de forma mais confortável e, após um longo suspiro, respondeu.

— Não sei o que houve com vocês dois, afinal, ele não abre a boca, mas ele está mal todo esse tempo. O que eu quero dizer é que ele vai embora amanhã pra morar na França por um ano. Se ele está sofrendo aqui, vai sofrer ainda mais fugindo pra tentar te esquecer, ficando todo esse tempo longe de nós.

Meu coração começou a acelerar quando ouvi isso.

— Isso não pode estar acontecendo... Como assim?

— Um olheiro francês viu ele dançando e convidou para integrar a equipe dele durante um ano.

Eu olhava para o chão, desnorteado.

— O que aconteceu entre vocês dois? — ele perguntou.

Eu estava desnorteado com a notícia, que veio em meio a tantos problemas que já estavam me cercando.

— Eu terminei com ele porque estava prejudicando a vida dele.

Ele deu um gole na xícara de café e cruzou os braços, apoiando na mesa.

— E você acha que terminando fez bem? Me desculpe, e não me mate por isso, mas você errou, e errou feio. Eu preferia meu amigo de antes, que estava feliz com você, e não esse de agora que mal cuida da própria saúde, e agora vai fugir para outro país sem mais nem menos.

Ele estava completamente certo, e isso foi quase como um murro no meu estômago.

— Eu não vou permitir que ele vá embora. Onde ele está agora?

— Acho que está na aula no instituto.

— Ele não vai querer me ver. Tenho que pensar em uma forma de me aproximar dele antes dessa viagem, e tem que ser hoje.

Ele olhou para cima, pensando por alguns segundos antes de responder.

— Vamos te ajudar nisso. Te aviso assim que ele chegar em casa.

— Ok, obrigado. E obrigado por me contar isso.

Nos despedimos e ele foi embora. Confirmei com meus seguranças, e o garoto realmente estava no instituto. Eu estava indo para o carro quando meu celular começou a tocar no bolso. Era uma ligação do Yoon.

— Você não sabe digitar mensagem? Recebo um milhão de ligações suas por dia.

— Ligar é mais rápido, afinal você mal vê suas mensagens.

— Vejo quando dá. Vai, diga, o que quer?

— É bom que esteja vindo para a Sixx, pois seu meio-irmão está aqui, esperando por você.

Ele estava falando do Hyunjin, e isso era o que faltava para completar meu dia.

— Meio-irmão é o caralho. O que esse cara quer comigo?

— Aí é você quem vai ter que descobrir, não sou vidente. Vem logo para cá, caso contrário, eu mesmo acabo com esse malandro.

Minha cabeça estava cheia, e olhar para ele era tudo o que faltava para terminar de estragar meu dia. Eu não podia perder tempo com ele, mas estava curioso para saber o que o levou a ter coragem de pisar na minha empresa novamente.

Entrei no carro e dirigi até a Sixx, de novo.

🫐

Já eram quase 15h da tarde, e a hora estava passando rápido demais. Assim que cheguei na empresa, encontrei o Hyunjin e seus seguranças.

— Agora você só anda com esses dois palhaços?

Ele olhou para eles e voltou a me encarar, arqueando as sobrancelhas.

— Mais respeito com meus subordinados.

Dei risada, tentando controlar minha irritação.

— Não respeito nem você, por que eu respeitaria eles? Diga logo o que quer...

— Aqui fora não. Tudo bem não me respeitar, mas educação é o mínimo que eu espero de você.

— Porra, que cara insistente...

— Eu estou te ouvindo, sabia?!

Fechei a cara e entrei na minha sala, parando na porta e olhando para ele.

— Você tem dois minutos para falar, entre logo.

Ele entrou e fechou a porta logo depois. Eu sentei atrás da minha mesa, e ele, de frente para mim.

— Vai, abre a boca, Hyunjin.

— Vamos lá. Eu queria o norte, e você sabia disso, por isso atacou e desarticulou eles antes de mim. Foi astuto e até esperto, mas você não imaginava que criaria um monstro.

— O que quer dizer?

— A viúva do Won... ela atacou um dos meus esconderijos e conseguiu se sobressair. Ela sabe que o poder meu e do meu pai é menor que o seu, e quer aumentar o poder e a influência dela para enfim te atacar. Talvez vingança por você ter envenenado a droga daquele velho. Precisava fazer aquilo?

Aqui, a tensão parecia pesar toneladas sobre meus ombros, afinal, não sabíamos desse ataque ao Chae.

— Com a ajuda dessa mulher, o Won tentou matar o Jimin, da mesma forma que matei ele. Apenas paguei com a mesma moeda...

— Hmm, é muito justo da sua parte, mas você falhou em investigar antes e mesmo assim não descobrir a existência dela, ainda mais atrelada a alguém tão sujo quanto o Won.

— E o ataque ao seu esconderijo, como sabe que foi ela quem ordenou?

— Ela mesma faz questão de se aparecer, não é preciso nem investigar. Algumas regiões pequenas parecem ter se aliado a ela. A garota é nova, mas é esperta demais, e soube aproveitar as diversas oportunidades que tão aparecendo.

Eu já estava com a cabeça cheia, e isso piorou ainda mais as coisas. Achei que ela estava apenas com os poucos homens do Won que restaram, mas para chegar a atacar um dos esconderijos do Hyunjin, é sinal que ela já está com uma quantidade considerável de capangas.

— E qual sua intenção em ter vindo aqui me contar isso? — questionei.

— Simples, quero que me ajude a derrubar ela.

Cerrei os olhos, encarando ele.

— E por que eu te ajudaria?

— JK, ela já está com um poder considerável, e nós dois queremos isso, então não tem porque não nos aliarmos unicamente por essa missão. Ela precisa cair, e tem que ser o mais rápido possível.

Ele tinha razão, pela primeira vez.

— Bem audacioso da sua parte me propor algo assim.

— Considere como um pedido do meu pai, afinal, foi ele quem me pediu para vir aqui.

Eu sabia que aceitar essa aliança significava lidar com meu passado, mas também sabia que recusar poderia significar a ascensão daquela mulher.

— Ok, eu aceito.

— Boa, Jungkook. Meus homens e eu já estamos monitorando os movimentos dela, mas precisamos de sua inteligência e recursos para um ataque eficaz.

— Vou disponibilizar meus melhores homens, então, não quero falhas.

— Nem eu — ele concordou. — Vou enviar os detalhes do nosso plano inicial assim que estiver de volta ao meu escritório.

— Ok.

Finalizamos a conversa, que levou bem mais do que os dois minutos. A decisão de unir forças com Hyunjin era arriscada, mas talvez necessária. Chae era a garantia que eu tinha de que isso não fosse um golpe do Hyunjin contra mim... Algo me dizia que não era, e minha intuição geralmente não falha.

Peguei meu celular e comecei a enviar mensagens para meus principais contatos, coordenando a próxima fase do plano. Estávamos em um jogo de poder e vingança, e eu estava pronto para vencer, assim como sempre venço.

Enquanto voltava a me perder nos meus pensamentos, meu celular começou a tocar, assim como aconteceu o dia todo. Eu já não aguentava mais ligações e estava pronto para recusar, mas dessa vez era uma chamada de um dos meus homens que estavam de olho no Jimin.

— Senhor? O garoto saiu da instituição de dança, entrou em uma lanchonete e desapareceu. Nós não conseguimos achar ele em lugar algum.

Eu saltei da cadeira quando ouvi.

— O que disse? — aumentei o tom.

— Ficamos esperando do lado de fora para não levantar suspeitas dele. Acreditamos que ele compraria algo para comer, mas não saiu mais. Entramos no lugar e conferimos tudo, e ele não está em lugar algum.

— Quero o endereço de onde estão, agora!

Levantei da mesa e desci rápido até a garagem. Ele pode só ter seguido seu dia e meus seguranças o perderam de vista, mas tudo que conseguia temer era que alguém tivesse sequestrado ele, já que é algo que já tentaram.

Eu vou destruir quem tocar nele.

Acelerei o carro o máximo que pude até o endereço da lanchonete. O medo e a raiva se misturavam dentro de mim, criando um turbilhão de emoções.

🫐

Chegando à lanchonete, estacionei o carro de qualquer jeito e saí. Meus homens estavam reunidos do lado de fora, visivelmente nervosos.

— Digam o que aconteceu, rápido! — ordenei, olhando em volta freneticamente.

Um deles começou a falar.

— Ele entrou, parecia tudo normal, e nós ficamos do lado de fora para não chamar atenção. Depois de um tempo, percebemos que ele não saía e decidimos entrar para verificar. Conferimos o lugar inteiro, mas ele simplesmente sumiu.

Eu olhei para eles, sentindo a frustração e o ódio crescendo.

— Vocês só tinham uma missão, e conseguiram falhar? — falei alto e irritado.

Todos ficaram quietos. Se fosse há alguns meses, eu faria cada um deles pagar caro por essa porra de desatenção, mas respirei fundo e tentei me acalmar.

— Já checaram todas as saídas? Câmeras de segurança?

— Sim, senhor. As câmeras de segurança estão sendo verificadas agora.

Olhei em volta, tentando pensar em qualquer possibilidade. Precisava manter a calma para poder encontrar ele.

— Ok, revirem essa área. Ele não pode estar muito longe. E se foi levado, quem quer que tenha feito isso, vai morrer.

Com a adrenalina correndo nas veias, coordenei as buscas. Não importava quanto tempo levasse, eu encontraria ele. Um dos meus seguranças saiu do restaurante com o celular nas mãos.

— Sr. Jeon, conseguimos as imagens com o gerente da lanchonete. Veja.

Ele me entregou o celular, e pelas imagens internas do local ficou claro que o Jimin percebeu a presença dos seguranças e fugiu pela saída dos funcionários aos fundos, se esgueirando entre as pessoas e obstáculos do lugar, assim como pelas árvores do lado de fora, com uma única mochila nas costas.

— É inacreditável que um garoto dessa idade engane mais de cinco homens completamente experientes... ou pelo menos, achei que eram.

— Pedimos imensas desculpas, senhor.

— Não quero desculpas, quero que achem ele! Sumam da minha frente agora, antes que eu acabe com cada um de vocês.

Todos saíram em segundos, e eu peguei meu carro e fui direto para o apartamento dos amigos dele. No caminho, eu só conseguia pensar se ele já tinha feito essa viagem e ido embora para a França. Se fez, eu iria hoje mesmo atrás dele, tanto lá quanto em qualquer lugar do mundo.

Por mais que tivesse essa chance, algo me dizia que eu precisava ouvir isso da boca dele, e essa sensação apertava meu estômago.

Chegando ao prédio onde moram, estacionei o carro e comecei a interfonar no apartamento deles.

— Quem é? — pela voz no interfone, deduzi que era o Namjoon.

Eu não podia falar que era eu, pois se o Jimin estivesse lá dentro, não aceitaria me receber, e pior, era capaz de fugir de novo. Como eu sabia que o Namjoon era escritor, foi o que pensei mais rápido para responder.

— Boa tarde. Entrega de livros.

— Opa, tô descendo. — respondeu animado e desligou o interfone.

Fiquei esperando uns minutos, até que o Namjoon abriu a porta de entrada do prédio e me viu.

— Jeon? B-boa tarde...

— O Jimin está aqui? — perguntei aflito, torcendo para que a resposta fosse sim.

— Não, ele me enviou uma mensagem dizendo que ia demorar um pouco mais na aula... Por quê? — ele me olhou confuso, parecendo realmente não saber onde ele estava.

— Ele sumiu. Tinha alguns seguranças meus cuidando dele, e parece que ele percebeu. Entrou em uma lanchonete e fugiu se esgueirando entre as pessoas. Considerando as coisas que aconteceram com ele, por minha causa, tenho medo que aconteça algo de novo.

— Isso realmente não é bom. Você tentou ligar para ele?

— Ele me bloqueou desde que terminamos.

Algumas pessoas estavam passando pela calçada, assim como entrando e saindo do prédio.

— Vem, entra, vamos tentar achar ele. Aqui tem muita gente.

Entrei e subimos as escadas até o terceiro andar, onde eles moravam.

Já no apartamento, enquanto o Namjoon falava comigo, o Taehyung tentava ligar para ele, e só dava como desligado. Tentamos várias vezes entrar em contato, mas tudo parecia caminhar em círculos, em um labirinto que só aumentava minha aflição.

Mostrei as imagens, e eles viram que era nítido que ele realmente estava fugindo, de alguém ou alguma coisa.

— Você gosta dele, ele gosta de você. Escuta o que te falei no café, não faz sentido vocês ficarem separados. Vê se acorda.

— Taehyung, cala a boca! — Namjoon falou alto com ele, nervoso.

— Mas eu só falei a verdade.

— Shhh. Ignora meu irmão, por favor, ele é meio louco, e...

— Ele está certo. Terminei achando que era o melhor para ele e só fiz mais mal ainda, para ele e para mim. A única coisa boa disso são as acusações, já que ele não está mais sendo intimado como réu.

— Acusações? Como assim? — Namjoon questionou.

— Ele não contou para vocês?

Eles negaram com a cabeça, me olhando confusos, então contei sobre as ameaças do Seokjin e como ele realmente colocou o Jimin nos inquéritos.

— Não acredito que ele fez essa merda... — Namjoon mirou um canto qualquer do chão, pensativo e decepcionado.

— Sim, fez, e só tirou porque terminei com o Jimin.

— Que louco... Se os pais do Park souberem disso, ficarão muito magoados com o Jin.

— Melhor não contar, não ainda, seria um problema a mais para resolver agora. O plano agora tem que ser achar o Jimin. Preciso consertar meu erro e ter ele de volta.

Eles já sabiam sobre a ex do Jimin ter procurado ele, mas não o que ela se tornou. Contei que ela é viúva do Won, quem ele era e o que ela tem feito, deixando-os ainda mais surpresos.

— Eu sempre avisei o Jimin sobre ela, desde o primeiro momento em que eles começaram a namorar, mas a garota era esperta e conseguia sempre reverter e fazer ele continuar com ela — Namjoon falou.

— Sim, ela é esperta, por isso chegou onde está agora. Inclusive, parece que ela já se relacionava com o Won há um tempo, ou seja, estava traindo o Jimin com ele. Isso piora com o fato de que o Won tinha mais de 50 anos. Ela sempre quis o dinheiro dele e expôs o Jimin ao perigo para ter isso.

— Que filha da puta! Ela merece pagar pelo que fez.

— E vai, não tenham dúvidas disso.

Mesmo com o tempo que passamos conversando, Jimin não voltou, e minha tensão só aumentava. Eu não podia ficar mais ali, parado esperando as notícias caírem do céu.

Saí do apartamento e fui direto para meu esconderijo, onde havia poucos homens. A maioria estava espalhada por toda Seoul, procurando por ele, enquanto outros se organizavam contra a Sohee.

O Yoongi também estava lá. Peguei um cigarro dele e acendi, enquanto contava sobre o ataque da Sohee ao esconderijo do Chae, assim como sobre a proposta do Hyunjin para formar uma aliança e derrubar ela.

— E você concordou? — questionou.

— Sim, não tinha muito o que fazer. Ela está se tornando uma ameaça maior a cada dia

Yoongi concordou, pensativo.

— Já mobilizei todos os contatos e temos homens em campo procurando pelo Jimin. O tempo é essencial, e precisamos encontrar ele logo, antes de qualquer ataque. — reforcei.

— Vou ajudar com o que puder — Yoongi disse, decidido.

— Obrigado. O Hoseok está na rua, ajudando nas buscas, então deixe ele informado sobre tudo — conclui.

Ele saiu para ajudar na organização do ataque, e eu fiquei no esconderijo.

Depois de duas horas andando de um lado para o outro, eu estava muito mais impaciente e nervoso do que antes. Ele ainda não tinha voltado para o apartamento, e conseguir as imagens e organizar seu caminho estava sendo nosso maior obstáculo.

Eu já estava surtando sem notícias dele, e o cinzeiro enchia de bitucas de cigarro gradativamente. Conferi as mensagens que enviei para ele, e todas continuavam sem resposta, afinal, eu continuava bloqueado.

— Porra, onde você se meteu, Jimin...

Apoiei a cabeça nas mãos, enquanto me sentia completamente perdido. Era só pra ser uma pessoa qualquer, e uma dívida qualquer que eu cobraria e esqueceria da existência, mas ele revirou minha vida do avesso.

Eu sentia que minha vida dependia completamente dele.

Meu coração estava acelerado, com a ansiedade me consumindo. Não era só a preocupação por não saber onde ele estava, era o medo de que algo pior pudesse ter acontecido. Cada minuto que passava sem notícias parecia uma eternidade.

A sensação de impotência era esmagadora. Eu, que sempre tive controle de tudo ao meu redor, agora estava perdido, sem ter o controle de nada.

Olhei para o celular mais uma vez, na esperança de uma resposta, uma ligação, qualquer coisa que indicasse que ele estava bem. Mas a tela continuava vazia. Fechei os olhos, tentando controlar a respiração e me concentrar. Precisava de uma dica, qualquer uma, algo que me ajudasse a encontrar ele.

🫐

Os relógios marcavam pouco mais de 22h da noite, e só nesse horário conseguimos finalmente revisar as imagens das câmeras de segurança e traçar sua rota. A forma como ele andava não fazia sentido; parecia que ele estava realmente fugindo de alguém o tempo todo.

Poderia ser apenas uma impressão, mas pelas imagens, não parecia que ele estava fugindo dos meus seguranças, já que, nesse ponto, eles não tinham mais notícias dele.

O fim do seu percurso foi em um prédio de salas comerciais, o que parecia completamente aleatório. Assim que Hoseok me enviou o endereço, peguei meu carro e fui até lá, dirigindo rápido, mesmo sob a chuva intensa que caía.

Ao chegar, todos já estavam reunidos na frente do prédio. Não havia porteiros ou pessoas na entrada; todo o atendimento era automatizado.

— Precisamos invadir.

Na porta de entrada, havia um sistema de reconhecimento facial para abertura. Olhei para todos os lados e dei um soco na tela, que quebrou na hora e liberou a porta de entrada.

— Achem a sala de segurança e desativem os alarmes antes que disparem. A polícia aqui só vai nos atrapalhar.

Alguns dos homens saíram, enquanto outros permaneceram ali.

— Vocês, vasculhem todo o prédio. Não há imagens dele saindo daqui, então vocês têm que encontrar ele! Tenham cuidado e não façam nada a ele, apenas o deixem encurralado e me chamem. Se houver alguém com ele, tenham cautela e matem quem for necessário.

— Ok, senhor.

Todos se espalharam, e Hoseok ficou ao meu lado enquanto começamos a procurar nas escadas. O prédio era alto, com mais de treze andares, então precisávamos verificar andar por andar, mesmo na escuridão, iluminada apenas pelas nossas lanternas.

Continuei subindo as escadas, cada passo pesado e arrastado pelo cansaço e pela tensão. O prédio estava deserto, e o silêncio era quase opressivo, quebrado apenas pelo som constante das gotas de chuva encharcou minhas roupas.

Em um dos andares, o Hoseok se uniu para ajudar outros homens, ao meu pedido, e continuei subindo sozinho.

Em cada andar, abri as portas das salas comerciais, uma a uma, armado e com cuidado para não fazer barulho. Meu coração batia forte, ansioso para encontrar alguma pista que indicasse a presença dele.

— Por que você veio até aqui, garoto? — eu questionava, sozinho, como se realmente fosse ter a resposta.

Subi até o décimo andar, verificando cuidadosamente cada sala e corredor. A escuridão e o cheiro de umidade tornavam o ambiente ainda mais sombrio. Cada vez que abria uma porta, sentia uma pontada de esperança, apenas para ser frustrado pela visão de salas vazias.

No décimo primeiro andar, a sensação de desespero já dominava todo meu corpo. Continuei a busca, passando por mais andares, sentindo a frustração crescer a cada minuto. A esperança de encontrar meu garoto antes que algo ruim acontecesse se misturava com a preocupação crescente de que ele pudesse já estar em perigo.

O tempo parecia se arrastar, e a noite estava se tornando interminável.

Enquanto continuava com as buscas, no penúltimo andar, sem esperar, vi uma mochila no chão das escadas. Não parecia a mochila dele, mesmo assim, isso foi como um estalo na minha cabeça. Subi correndo para o último jogo de escadas e tive acesso ao terraço.

Assim que abri a porta de emergência, finalmente vi ele, e em segundos processei o que estava acontecendo. Ele estava sentado na beira do prédio, na chuva, olhando para baixo. Minha única reação foi correr e agarrar ele.

Quando segurei e o puxei para trás, ele começou a lutar comigo, chorando.

— Me solta, seu desgraçado!

— O que você está tentando fazer? Tá maluco, porra? — gritei, desesperado.

— Me solta, eu te odeio! Você foi a pior coisa que me aconteceu! — ele gritou, chorando e me dando socos no peito, enquanto eu apenas segurava ele.

Ele cheirava álcool puro, e eu tinha certeza que ele bebeu muito. Entre os vários socos, ele foi perdendo as forças na medida que seu choro piorava, até ele deslizar e sentar no chão.

— Jimin...

— Eu tô cansado de tudo! — falou, enquanto lágrimas caíam intensamente dos seus olhos.

Minha respiração travou, e meu corpo acompanhava, tremendo completamente.

Ele afundou o rosto no meu peito e, enquanto segurava minha roupa com força, chorava de uma forma que eu nunca vi. Eu abracei ele ainda mais, envolvendo seu corpo quase completamente, e ficamos assim embaixo da chuva.

A dor de ver ele naquele estado era insuportável. Meu coração parecia que ia explodir a cada soluço que ele dava, a cada lágrima que escorria dos seus olhos. A ideia de que ele pensou em acabar com tudo, que a dor dele era tão profunda a ponto de ele querer desaparecer... era um pensamento que me esmagava por dentro.

Eu queria dizer tantas coisas, mas as palavras não vinham. Queria pedir desculpas, prometer que tudo ia melhorar, mas tudo o que consegui fazer foi segurar ele com mais força, na esperança de que meu abraço pudesse, de alguma forma, passar um pouco de conforto.

Mesmo que eu fosse o causador da sua dor.

A chuva caía sem parar, e o mundo ao nosso redor parecia desmoronar junto com a gente. Eu sentia o desespero dele, e aquilo me rasgava por dentro.
Ele precisava de mim, e eu precisava dele. A ideia de ficar sem ele de novo era simplesmente insuportável.

Quanto mais ele chorava, mais eu o abraçava, e também chorava junto. E de novo, tentando fazer bem para ele, eu só fiz mal. Apoiei minhas mãos no seu rosto e virei na minha direção. Seus olhos estavam muito inchados, e sua pele, pálida e molhada.

— Me promete que nunca mais vai fazer isso.

Seus olhos tinham lágrimas empoçadas, e ele só me olhava, completamente bêbado e arrasado.

— Me promete, Jimin! — gritei.

Ele me deu mais um soco, já sem forças, enquanto continuava chorando e afundando o rosto na minha roupa.

Sermão nenhum vai adiantar com ele nesse estado.

— Eu tô aqui... — murmurei, minha voz quebrada pela emoção. — Eu tô aqui com você. Não vou te deixar nunca mais.

A chuva ficava cada vez mais forte, então eu levantei e peguei ele no colo. Ele me abraçou e apoiou a cabeça no meu ombro. Não podíamos usar os elevadores, que estavam desligados, então desci de escada os treze andares segurando ele, e o levei para o carro.

Cada degrau que eu descia parecia mais pesado que o anterior, não pelo peso do corpo dele, mas pelo peso da minha culpa. Minha mente estava um turbilhão de pensamentos, mas o mais forte era a necessidade de proteger ele.

Enquanto descia, encontrei um dos meus seguranças nos últimos andares.

— Eu achei ele, avise a todos e dispensem as buscas.

— Ok, senhor.

Quando finalmente chegamos ao carro, eu coloquei ele no banco do passageiro, ajustando o cinto de segurança enquanto ele ainda soluçava. Sentei no banco do motorista, e por um momento só fiquei lá, com as mãos no volante, tentando encontrar forças para seguir adiante.

Olhei para ele de novo, com o rosto molhado de chuva e lágrimas, e me senti esmagado por uma culpa que parecia um oceano.

— Eu prometo que vou estar aqui pra você, nunca mais vou te deixar — falei, com voz quase um sussurro.

Ele não respondeu, mas seu olhar, mesmo perdido e dolorido, meu mirou com esperança. Ou talvez fosse apenas o meu desejo de acreditar que havia alguma esperança entre nós.

Eu queria ele de volta para mim.

Liguei o carro e dirigi em silêncio pelas ruas escuras e molhadas, com o som da chuva batendo no vidro e os soluços dele ecoando na minha mente. Eu não sabia como, mas de alguma forma, eu ia encontrar uma maneira de fazer tudo ficar bem. Eu tinha que encontrar.

Dirigi até minha casa e deixei o carro em frente à entrada. Desci primeiro, e os seguranças vieram para ajudar.

— Eu levo ele.

Abri a porta e peguei ele. Quando entrei em casa, a Lee se aproximou, preocupada.

— Peça para fazerem algo para ele comer, por favor.

— Ok, Sr. Jeon.

Subimos as escadas e levei ele para o meu quarto.

Assim que coloquei ele na cama, ele deitou, apoiando a cabeça no travesseiro. Peguei ele de novo e, com cuidado, comecei a tirar sua roupa.

— O que você pensa que está fazendo? Me solte!

— Eu vou te dar um banho. Você está muito bêbado e ainda tomou chuva. Não vou fazer nada com você.

Mesmo com ele reclamando, levei ele para o chuveiro, e só de cueca, liguei a água.

— T-tá gelada! — reclamou, gaguejando com o frio.

— Tem que ser gelada, para você se sentir melhor.

— Eu tô com frio...

Bastou ele fazer aquela mesma expressão que eu amava para me convencer. Enquanto mudava a temperatura, ele me abraçou e me puxou para debaixo da água, com roupa e tudo.

— Eu senti tanto a sua falta... — ele falou entre as lágrimas, que voltavam a cair dos seus olhos.

Eu abracei ele de volta, envolvendo seu corpo com o meu.

— Eu também senti, meu amor.

Ele me olhou, e era como se eu pudesse ver minha vida toda refletida naqueles olhos pequenos.

O momento era ao mesmo tempo doloroso e cheio de esperança. Ele estava ali, nos meus braços, vivo, e isso era o que importava. Eu precisava encontrar uma maneira de fazer ele se sentir seguro, de mostrar que ele não estava sozinho.

Terminei o banho e o levei de volta para o quarto, secando ele com a toalha de forma gentil. Ele estava exausto, mas parecia um pouco mais calmo. Coloquei uma roupa limpa nele e deitei ao seu lado, puxando seu corpo para perto de mim.

— Eu te amo tanto, garoto...

Ele me abraçava forte, se aconchegando no meu corpo. Por mais que eu quisesse questionar o que levou ele a fazer isso, esse não era o momento.

Além de toda aquela angústia de quase perder ele envenenado, agora, ver ele naquele prédio foi uma das piores sensações que eu já senti. Saber que eu podia ter perdido ele se demorasse um minuto a mais fazia meu peito bater de uma forma que até machucava.

Depois de uns minutos, a Lee trouxe uma sopa de algas e saiu. Ele continuava me abraçando e, mesmo em meio aos soluços, parecia ter dormido. Nem deu tempo de comer, e eu achei melhor não acordar ele.

Fui até a varanda e acendi um cigarro. A ansiedade e o medo estavam me atacando, então fumei um cigarro atrás do outro. Com o medo dele fazer outra loucura, eu não bebi, que em alguma outra situação de stress, seria o que eu faria.

Meu celular vibrou no bolso, e vi que era uma ligação do Yoongi.

— JK, isso é sério? — perguntou ele, sobre o que aconteceu.

— Sim... Eu quase perdi ele, de novo.

— Ele precisa de você. Para com essa merda de ideia de término.

Virei para trás e olhei na direção dele, dentro do quarto.

— Eu não vou mais fazer isso. Quero ele de volta desde o momento em que terminamos.

— Isso aí. E não venha trabalhar amanhã. Eu e o Hoseok cuidamos de tudo.

— Obrigado, Yoon. De verdade.

— Vai ficar tudo bem, JK. Só cuide dele.

Desliguei o telefone e voltei para o quarto. Me sentei ao lado dele, observando seu rosto adormecido. Cada respiração que ele dava era um alívio, mas o medo ainda estava ali, dominando meu corpo.

Enviei uma mensagem para os amigos dele, avisando que o encontrei e que ele estava comigo, deixando para contar o que aconteceu em outro momento. Só de sentir o perfume dele, senti toda a ansiedade do meu quarto desaparecer gradativamente.

Eu só conseguia pensar que, se ele tivesse conseguido fazer o que queria, eu também morreria.

Foram anos e anos sem ter empatia ou sentimentos por ninguém, para acabar conhecendo por engano aquele que se tornou a razão de toda a minha vida.

— Nunca mais vamos nos separar — sussurrei, enquanto fazia carinho no seu cabelo.

Ele se mexeu levemente, ainda adormecido, e eu me deitei ao seu lado, puxando ele para mais perto. O calor do corpo dele contra o meu era um lembrete constante de que ele estava vivo, de que ele estava aqui. A dor no meu peito começou a se dissolver, substituída pela determinação de fazer tudo certo dessa vez.

A madrugada passou devagar, com os sons suaves da sua respiração acalmando meu coração. Depois de horas, apenas o olhando dormir, também consegui dormir.
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Que dor!
Nosso Ji não merecia passar por nada disso... ninguém merece :(

Como será que vai ser no dia seguinte, quando essa bebedeira passar? Sabemos o quanto o Ji é orgulhoso, quero só ver.

E se você estiver passando por momentos difíceis, lembre-se que pedir ajuda é um sinal de força e coragem. Cuide-se e não hesite em buscar apoio quando precisar. Você é maior que qualquer problema! 🫂

Senta o dedo na estrelinha aqui em baixo, e conto com você no próximo capítulo.

Até lá! 💙

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