15 | 열다섯 번째 장

Amo ver você por aqui!
Apertem os cintos, peguem a pipoca,
E vamos para mais um capítulo.

#azuldameianoite

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- PARK JIMIN -

Sem abrir os olhos, escutei o som ritmado de aparelhos médicos. Eu tentava entender onde estava, e quando finalmente consegui abrir um pouco os olhos, ainda com certa dificuldade, confirmei que estava em um hospital, de novo.

Tentei levar a mão até o rosto, mas o acesso de soro no meu braço me impediu na metade do caminho.

Eu tentava lembrar o que tinha acontecido comigo, mas minha mente criou uma espécie de lapso no tempo, me fazendo não lembrar de simplesmente nada. A única coisa que recordei era de estar no refeitório da universidade, conversando com os meninos.

O quarto estava moderadamente escuro, com uma única luz amarelada acesa. Do meu lado esquerdo, havia uma janela, e vi por ela que ainda estava amanhecendo. Quando olhei para o outro lado, vi o Jungkook ali, sentado em uma poltrona, com a cabeça baixa entre os braços, apoiados no joelho.

Senti meu coração disparar como se estivesse vendo ele pela primeira vez.

— J-jung... Jungkook... — tentei chamar, mas minha voz saiu falhada, além de baixa, e ele sequer ouviu.

Tirei um dos medidores de pressão que estava no meu dedo e soltei no chão. Ele levantou a cabeça com o barulho, me olhou, e pulou da poltrona.

— Eu não acredito!

Ele avançou na minha direção e, mesmo com todos os aparelhos ligados a mim, me abraçou. Era um abraço tão forte e confortante que meu coração, que estava batendo acelerado, começou a acelerar ainda mais.

— Eu... eu q-quero ir embora daqui... — assim que sussurrei, comecei a chorar.

Ele me olhou nos olhos e fez carinho no meu rosto, tentando me confortar.

Segurei forte no braço dele, com medo que ele saísse de perto de mim. Tinha um acesso de oxigênio no meu nariz, e quando soltei uma das mãos, tentei arrancar do meu rosto, mas ele segurou minha mão e me impediu.

— Não faz isso, você precisa usar até melhorar.

— Eu não preciso! Não quero ficar sozinho aqui. — Continuei tentando tirar todos os acessos que estavam em mim, e ele continuou segurando meus braços.

— E não vai ficar. Fiquei com você todos esses dias e vou continuar o quanto for necessário.

Isso foi como um balde de água fria na minha cabeça. Parei de tentar fugir e o olhei assustado.

— Dias? Como assim?

Ele ficou me olhando, como se buscasse palavras para responder.

— O que aconteceu comigo? — insisti.

— Me perdoe por tudo...

Eu não entendia o que ele estava tentando dizer, até que ele finalmente falou, com uma dor nítida na voz.

— Tentaram te envenenar, e quem fez isso com você, fez para me atingir.

A realidade então se formou na minha mente. Bastaram essas palavras para lembrar o que aconteceu comigo no refeitório, e as lembranças vieram como uma bomba dolorosa.

Quando olhei para ele novamente, vi o quanto estava triste.

— Você não precisa pedir perdão, não foi sua culpa.

— Preciso, quantas vezes for necessário. Você sabe que eu tenho culpa. Sem minha presença na sua vida, isso nunca teria acontecido.

— E você acha que aceitei namorar com você às cegas? Eu sei o que você faz.

Ele segurou minha mão, e seu polegar passava por cima da aliança enquanto ele olhava pensativo para ela. Sem soltar minha mão, puxou uma cadeira e sentou, dando um beijo por cima da minha aliança.

— Eu não sei o que fazer sem você. — sussurrou.

Eu queria dizer que ele não precisava se preocupar, que ficaríamos bem, mas as palavras não saíam. Em vez disso, apertei sua mão e esperei que ele entendesse que eu estava ali com ele, tanto quanto ele estava comigo.

É louco pensar na forma que somos agora e como éramos no começo. Eu também sinto que não saberia o que fazer sem ele, e queria que essa possibilidade nunca existisse, mesmo com todos os riscos.

— Me promete que nunca vai me deixar? — falei.

Ele sorriu e me olhou fundo nos olhos, ainda fazendo carinho na minha mão.

— Eu prometo. Assim como prometo que sempre vou te proteger, agora, muito mais que antes. Mesmo que algum dia você não me queira, eu vou continuar te protegendo.

— Isso não vai acontecer.

Ficamos juntos até o dia começar a amanhecer.

O médico veio até o quarto, acompanhado de uma enfermeira, e Jungkook precisou sair. Eles tiraram meu sangue e fizeram outros exames adicionais, que eu precisaria esperar o resultado.

— Como você está se sentindo? Alguma dor? — perguntou.

— Não, nenhuma. Tô bem.

— Isso é ótimo. Dependendo do resultado dos seus exames, creio que consigo te dar alta hoje.

Ouvir aquilo foi como música para os ouvidos, afinal, eu mal esperava que fosse tão rápido.

— É sério?

— Sim, sua recuperação tem sido ótima e rápida, mesmo enquanto permanecia desacordado.

— Obrigado, doutor. — sorri, me sentindo feliz.

— Por nada, jovem, você merece. Vou levar seus exames e volto daqui duas horas.

Ele saiu, e eu fiquei olhando para o teto, entediado. Nem meu celular estava comigo, e não tinha nada pra fazer enquanto o tempo passava.

Nesse tempo, uma moça simpática trouxe uma bandeja com algumas comidas. Eu sorri, mas assim que ela saiu, olhei para cada coisa e odiei tudo. Como eu sou idiota e me importo com a opinião das pessoas, comi forçado, só para as enfermeiras não acharem que tenho frescura.

Eu tinha, mas não queria que achassem.

Depois de comer e ficar duas horas sem fazer literalmente nada, o médico voltou.

— Vamos lá: Sobre seu esôfago, realmente está se recuperando muito bem. Você ainda continuará com as medicações que vou prescrever, e evite atividades físicas muito intensas nesse início.

— Ok.

— Tem mais uma coisa... seus exames deram positivo para miastenia. Você já tinha conhecimento sobre isso?

Eu realmente tinha me esquecido disso, e preferia continuar sem me lembrar.

— Infelizmente, sim.

— Está fazendo algum tipo de tratamento?

— Uhum.

— Ok. Vou te passar alguns exames para você fazer e acompanhar se a doença está regredindo. Pegue também esse cartão, é de um grande amigo meu que é especialista em doenças autoimunes, e poderá te ajudar.

— Obrigado... O rapaz com a tatuagem no braço, está me esperando lá fora?

— Está sim, assim como todos os dias.

— Ele pode entrar pra me ajudar?

— Pode, mas antes, tem alguns policiais que querem conversar com você.

Isso não era nada bom. Se continuassem investigando, uma hora ou outra a polícia acabaria ligando o envenenamento ao Jungkook, e se isso acontecer, só vai trazer problemas para ele.

— Não dá pra dizer que estou dormindo?

Ele riu, mesmo que eu não estivesse brincando.

— Eles já sabem que você vai ter alta agora, mas fique tranquilo, querem apenas descobrir quem fez isso com você. O criminoso não pode sair impune de um crime como esse.

— Sim, verdade...

Ele saiu, e uns minutos depois, a porta abriu novamente. Quando o homem de terno entrou, notei que era o Jin, sozinho, e me senti um pouco aliviado por ser ele.

— Olá Jimin, fico feliz em te ver melhor.

— Obrigado, Jin.

Olhei para minhas mãos, sem jeito. Ele começou a andar pelo quarto, olhando para cada detalhe presente ali. Não sabia dizer se era apenas impressão minha, mas ele parecia diferente.

— Seu pai está melhor? Soube que ele fez uma cirurgia, ele se encontrou com meus pais e comentou.

— Está sim, foi uma cirurgia pequena, e ele já tá muito bem.

— Isso é ótimo. Seus pais têm muito orgulho de você e te enaltecem o tempo todo.

Achei que ele falaria sobre quem fez isso comigo, mas a vida consegue ser surpreendentemente ruim.

Ele ficou em silêncio por mais alguns segundos e me encarou.

— Por que você está se envolvendo com a máfia?

Assim que ele perguntou, meu corpo enrijeceu e minha boca ficou seca.

— D-do que você tá falando? — gaguejei.

Ele parou ao meu lado e cruzou os braços.

— Estou investigando Jeon Jungkook há meses, Jimin, e foi uma grande surpresa quando descobri que você estava envolvido com ele. Não só envolvido, como até mora na casa de um mafioso.

Merda... eu estava realmente na merda, e nesse momento, tudo o que eu queria era sair correndo. Nem minhas palavras saíam, e ele continuava falando.

— Eu até ia perguntar o que vocês eram um para o outro, mas ele com uma aliança e você aí com outra idêntica, nem preciso perguntar. Você tem noção com quem está se metendo?

— Sim, tenho.

— E por que continua insistindo nisso? Olhe ao seu redor, Park. Tentaram te matar por causa dele. Não é suficiente para você se afastar desse cara?

— Eu não sou nenhuma criança! Não preciso que você me diga o que devo fazer.

Ele respirou fundo, olhando para os lados, claramente indignado.

— A lavagem cerebral que ele fez em você foi pior do que eu imaginei. É claro que alguém com sua inocência e ainda com essa idade não vai perceber o óbvio.

Cada palavra dele me fazia sentir uma raiva crescente. Sempre foi assim, todos me tratando como se eu não fosse dono da minha própria vida.

— O que você quer? Tirar de mim motivos para prender ele? Isso não vai rolar, nunca!

— Eu estou aqui como alguém que te viu crescer, não só como policial. Nossas investigações chegaram a um estudante da mesma universidade onde você estuda. Ainda não sabemos o motivo, mas ele trocou seu suco e te envenenou. Ele deveria responder por isso, mas adivinha? Ele está morto! E quem você acha que pode ter feito isso?

— Eu quero que você saia desse quarto!

Ele respirou fundo, como se estivesse tentando se controlar.

— No fundo, você sabe que eu estou certo. Não posso insistir para que acredite em mim, mas se você cair para a realidade, não hesite em me ligar. As investigações continuam, e ele também terá que responder pelo que aconteceu com você.

— Por que está fazendo isso?

— Porque é meu trabalho. E, além disso, o lugar dele é na cadeia, não vivendo livre como se fosse alguém normal.

— Se quem fez isso comigo está morto, então qual a necessidade de uma investigação? Acabe com tudo e pronto.

— Não é assim que as coisas funcionam. Você ainda precisa nos dar um depoimento.

— Para mim, é. E não quero prestar depoimento algum, muito menos colaborar com essa investigação. Então, me esqueçam.

— Você está agindo assim para proteger aquele criminoso, Park!

— Esse assunto já acabou. — insisti, virando o rosto.

Ele me encarou, colocou as mãos no bolso e suspirou, mais uma vez.

— Ok, com licença, Jimin. Não se esqueça do que disse. — Ele saiu do quarto.

Quando ele foi embora, eu só consegui chorar. Era, talvez, a única coisa que um covarde como eu sabia fazer.

Ele sempre soube sobre nós, e agora, quase tenho certeza de que aquele encontro na lojinha de conveniência não foi uma coincidência. Ele deve ter planejado tudo desde o início. É por isso que ele me fez tantas perguntas naquele dia no apartamento dos meninos.

Sem tempo para processar o que acabou de acontecer, o médico voltou com uma enfermeira e me encontrou chorando.

— O que foi, jovem? Alguma dor?

— Não, não estou. — Enxuguei as lágrimas e tentei disfarçar.

Ele não insistiu no assunto, o que foi um alívio para mim.

— Ok, vamos tirar os aparelhos para a alta, tudo bem?

— Uhum.

Com a ajuda dos dois, eu sentei na cama e aos poucos foram retirando todos os acessos para soro e aparelhos cardíacos que estavam em mim.

— Vou chamar seu acompanhante para te ajudar a arrumar suas coisas para a alta. Não se esqueça de voltar daqui a uma semana para acompanharmos sua recuperação. E cuide da sua condição de miastenia.

— Ok, obrigado por tudo, doutor.

Ele saiu, e enquanto eu trocava a roupa do hospital, notei meu reflexo em um grande aparelho metálico no quarto. Era claro que eu tinha emagrecido um pouco, e isso fez minha autoestima despencar.

A porta abriu novamente, e eu tentei esconder o corpo com a camisa que havia tirado, pensando que era o médico, mas era o Jungkook. Só de ver ele, era como se borboletas voassem descontroladamente no meu estômago, como sempre que eu o via.

Eu não queria ficar sem ele, mesmo que ele cometa erros. Qualquer consequência parecia um mero detalhe comparado ao que eu sentia por ele.

— O que ele te falou? — foi a primeira coisa que ele perguntou ao entrar no quarto, se referindo ao Jin.

Seu olhar preocupado e melancólico parecia perfurar meu coração como uma flecha dolorosa. Eu sabia que não poderia mentir, nem sequer tentar.

— Disse que está te investigando há meses e que isso seria mais um crime na sua ficha. Também falou que eu preciso me afastar de você.

Ele olhou para baixo por alguns segundos, pensativo, antes de voltar a me encarar.

— E você vai fazer isso?

Abri os braços, o chamando para um abraço, e ele prontamente se aproximou e me envolveu. Seu corpo forte me abraçava com facilidade, e seu perfume preenchia o ar, me fazendo sentir que realmente não me importava com quem ele era.

— Para mim, essa possibilidade nem existe. — respondi.

Ele me olhou e deu um beijo na testa.

— Era tudo o que eu queria ouvir.

Eu estava tão apaixonado que meu cérebro simplesmente ignorava todos os perigos de estar ao lado dele.

— Vem, vamos para casa.

Eu já conseguia andar, embora com dificuldade, então saí me apoiando nele. Assim que entramos no carro, apoiei a cabeça no banco, fechei os olhos e fiquei assim o caminho todo.

🫐

Assim que ele parou o carro na frente da casa, um de seus seguranças se aproximou e levou minhas coisas para dentro. Jungkook desceu primeiro e veio até minha porta me ajudar.

— Não é legal o chefão carregar alguém, seu segurança poderia me ajudar.

— Não sou seu chefe, sou seu namorado.

— Na verdade, é sim, eu trabalho para você.

Ele riu, e era bom ver esse sorriso bonito dele.

— Trabalha porque quer. Por mim, você estaria na presidência junto comigo.

Ele me deu um selinho e mordiscou meus lábios.

— Ai, isso doeu.

— Um funcionário gostoso desses... assim que voltar ao trabalho, vá até minha sala para tomar uma advertência, por favor.

Subimos a escada rindo e entramos na casa. Assim que fechamos a porta, a Sra. Lee veio até nós e me deu um abraço apertado.

— Ai ai... — falei, rindo de dor, ao sentir seu abraço caloroso.

— Me desculpe, menino Park. Estou tão feliz em ver você aqui, de volta.

— Muito obrigado, estava com saudades da senhora, mesmo que eu nem tenha percebido todos esses dias passarem.

Ela sorriu e fez um último carinho na minha cabeça.

— Lee, peça para prepararem algo para ele comer. Estaremos no meu quarto.

— Ok, eu mesma farei, Sr. Jeon, agora mesmo.

— Obrigado.

Ele me ajudou a subir as escadas até os quartos. Achei que iria para o meu quarto, mas era óbvio que ele não deixaria, e me levou para o dele. Com sua ajuda, deitei na cama e comecei a olhar ao redor, pensativo.

Sentia como se tivesse estado ali ontem, mas na verdade haviam se passado dias.

Ele sentou ao meu lado, colocou uma coberta macia sobre mim e, com seus grandes olhos fixos nos meus, começou a fazer carinho no meu rosto.

— Por que você não me contou sobre sua doença?

O que? Como ele sabia disso?

Olhei assustado para ele, sem saber o que dizer. Minha mente estava correndo, tentando inventar desculpas, mas sabia que nenhuma delas seria convincente.

— Como descobriu?

— Não importa, o ponto é que eu estou remoendo isso há dias. Tentei de todas as formas entender suas razões para ter escondido algo assim, mas simplesmente não consigo. Já não bastava a culpa pelo que aconteceu com você.

Eu não tinha mais como esconder.

— Qual a necessidade de saber algo assim?

— Eu não acredito que você está dizendo isso, Park. — Seu olhar de indignação me atravessava.

Desviei o olhar, sem saber o que dizer. Achei que sentiria vergonha ao contar sobre a doença, mas agora, estava extremamente envergonhado por ter escondido.

— Se não confia em mim o suficiente para contar algo tão grave, por que aceitou namorar comigo?

— Eu confio, mas não queria que você tivesse pena de mim.

— Eu não estou com pena de você, quero cuidar de você, é tão difícil entender isso? Porra, Jimin, eu poderia estar te ajudando a superar e lidar com isso, e você simplesmente escondeu tudo e tem passado por essa merda sozinho?

— Vamos mudar de assunto...

— Não, não vamos. Quero o melhor médico desse país para cuidar de você, custe o que custar. E se você recusar, eu juro que te obrigo a fazer esse tratamento, nem que seja na base da ameaça.

— Eu já disse que estou bem.

— E eu já falei que você não tem escolha! Que moleque teimoso.

Eu virei para o outro lado e me enrolei entre as cobertas, cobrindo o rosto.

— Você não contou nem para os seus amigos, acha isso certo?

Bastou ele falar isso para eu virar enfurecido na direção dele.

— Você não contou para eles, né?!

— É óbvio que contei.

— Seu fofoqueiro! — reclamei, nervoso.

— Não foi fofoca, eu precisava saber se eles já sabiam disso.

— Por que você não pode simplesmente cuidar da sua vida? — aumentei a voz.

— É exatamente o que estou fazendo. — Ele aproximou a mão e deu uma apertadinha no meu queixo.

Ele me deixou sem graça e desarmou toda a minha raiva.

— Eu quero cuidar de você, ok? Sei que essa doença pode influenciar diretamente nos seus sonhos, e não quero que isso aconteça. Tenho certeza de que você também não quer.

Olhei para minhas mãos, envergonhado.

— Me desculpe...

— Não esconda mais nada de mim, por favor.

Algumas batidas na porta ecoaram pelo quarto, e era a Sra. Lee, com uma bandeja nas mãos, trazendo sopa e um copo de chá gelado.

— Coma bastante, vai te fazer bem.

— Obrigado, Sra. Lee. — agradeci.

Ela se despediu e saiu.

A sopa estava cheirosa e parecia apetitosa. Na primeira colherada, eu já tive a certeza de que realmente estava incrível, completamente diferente da comida do hospital, que só de lembrar fazia meu estômago embrulhar.

Enquanto comia, olhei para ele, que já estava me observando.

— Você não vai comer?

— Não, estou sem fome.

A sopa estava tão boa que acabei com ela em poucos minutos, assim como com o chá gelado, que estava refrescante. Ele tirou o suporte de cima de mim e voltou a sentar ao meu lado.

— Será que a Sra. Lee sabe sobre nós? — perguntei, curioso.

Ele deu uma risadinha boba.

— O que foi?

— Ela não é inocente, é óbvio que sabe.

— Merda... Ela deve achar que sou um interesseiro.

— Ela te adora.

— E você também. — brinquei.

— Não.

Eu esperava que ele fosse dizer qualquer outra coisa, mas esse "não" me fez olhar indignado nos olhos dele.

— O que disse?

— Adorar é pouco, garoto, eu amo você.

Ele me deixou sem jeito e sem palavras. Arrumou a cama e deitou ao meu lado. Assim que abriu um dos braços, me aproximei e deitei no peito dele.

— Obrigado por cuidar de mim durante todos esses dias.

— Vou te proteger para sempre. — ele beijou minha cabeça.

Eu conseguia ouvir seu coração acelerado e dormi ouvindo isso, como uma sinfonia boa de ninar.

Eu queria ele por toda a minha vida.

🫐

Três dias depois.

Acordei com o som de alguns pássaros cantando na árvore ao lado da varanda. Olhei para o outro lado e vi que ele já estava acordado, me observando. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me abraçou e me deu um selinho.

— Eu estava com tanta saudade de acordar assim com você.

— Bom dia, meu amor... — dei um longo bocejo, e ele praticamente avançou em cima de mim, com as mãos nos meus ombros.

— Do que você me chamou?

Eu ri e repeti:

— Meu amor.

Ele apoiou a cabeça no meu peito, afundando o rosto no meu pijama.

— Caralho, moleque, como eu te amo...

Ouvir aquilo me fez abrir um sorriso quase quilométrico.

— Eu também amo você.

Ele começou a beijar meu pescoço e rosto, até esquecer que meu corpo ainda não estava totalmente recuperado.

— Ai, minha barriga, calma aí.

— Desculpe... — ele riu, aliviando a intensidade dos beijos. — Fale isso todos os dias, eu te imploro.

— Ok, meu amor. Mas estou com fome.

— Vamos descer para comer. Já estão preparando a mesa.

Nós levantamos, coloquei uma camisa larga e uma calça jeans, e descemos para a sala de jantar, onde duas funcionárias terminavam de preparar a mesa de café da manhã, que estava farta.

— Quanta coisa, não precisa de tudo isso.

— O Yoongi está vindo aqui, se não se importar.

— Claro que não, eu gosto dele.

Assim que puxei uma cadeira qualquer para sentar, ele me repreendeu.

— Ainda não se acostumou? Você senta do meu lado.

Dei com os ombros.

— É só um café.

— Não importa.

Ele se sentava apenas em uma ponta da mesa, como um grande vilão, e eu, como seu servo, ao seu lado. Seria cômico se eu não gostasse tanto, pois, na verdade, eu realmente gostava.

Droga, o que eu me tornei? Por isso dizem que o amor nos enlouquece.

Olhei na direção dele, que estava vestido com uma camisa social e um colete preto por cima, agarrado ao seu corpo. Eu amava como ele se vestia bem, e sempre ficava um porra de um gostoso com esses coletes.

Senti minha bochecha esquentar de vergonha só de pensar o quanto ele era lindo, e o melhor, que era meu, e eu, dele.

Ele colocou a mão no meu queixo e levantou até ele.

— Tá pensando em quê?

— Nada...

Ele abriu aquele sorriso lindo, com seus dois piercings se destacando na boca.

— E esse rosto todo vermelho, seria o quê então?

— Para, me deixa quieto... — dei risada, todo tímido.

Ele deu aquela risadinha, fechando os olhos e abrindo o sorriso, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. Esse Jungkook era completamente diferente do Jeon que conheci pela primeira vez, e isso só me fazia amar ele ainda mais.

— Como você está se sentindo hoje? A dor melhorou?

— Uhum... — respondi enquanto bebia o suco.

— Ótimo. Quero sair com você, onde quiser.

O dia estava lindo e caloroso do lado de fora, e era uma ideia perfeita para finalmente fazer algo depois de ficar todo aquele tempo no hospital.

— Posso escolher mesmo?

— Pode.

— Podemos aproveitar a tarde fazendo algo, e à noite, ir naquele parque de diversões que tem aqui em Seoul. Eu sempre quis ir desde que me mudei, mas mesmo nesses anos que moro aqui, nunca fui. Seria legal ir com você.

Ele sorriu e ficou me olhando, analisando a ideia.

— Nada a ver você em um parque de diversões, né? Esquece... Vamos em outro lugar.

— Não vamos em outro lugar, vamos para o parque.

— É sério? — olhei surpreso.

— Muito sério.

Estiquei os braços e abracei ele, animado. Ele envolveu minha cintura com seu braço forte e me abraçou também, beijando meu pescoço.

Nesse momento, o Yoongi chegou e se juntou a nós na mesa.

— Desculpe ao meu casal favorito, mas estou com fome e vou interromper vocês. — ele brincou e nos cumprimentou.

— Já interrompeu. — O Jungkook falou, e eu repreendi ele enquanto ria.

— Ele não tem educação, já estou acostumado. E estou muito feliz de ver que você está bem, Park.

— Muito obrigado.

Nós continuamos comendo enquanto conversamos, e estava tudo uma delícia. Era nítido que eles evitavam falar sobre algumas coisas por causa de mim, então, assim que terminei de comer, inventei uma desculpa qualquer e subi para o meu quarto, deixando eles na mesa conversando.

Aproveitei para mandar algumas mensagens para os meninos e saí na varanda do quarto, onde fiquei por alguns minutos olhando a vista da casa, digitando as mensagens.

Eu já estava melhor, e com esse calor, sabia que a água da piscina estaria ótima. O médico me pediu para evitar atividades intensas, mas não acho que nadar seja tão intenso assim.

Coloquei uma sunga, um shorts por cima, minha toalha, e desci de fininho. Na piscina, não perdi tempo, tirei o shorts e mergulhei.

Como eu imaginava, a água estava na temperatura perfeita, mas nem tudo eram flores. Ao mergulhar, percebi que meu fôlego não estava como antes, e sabia que teria que ter paciência pra melhorar.

Nadei de um lado para o outro até cansar e depois fiquei boiando, de olhos fechados. Se fosse no início do meu tratamento, isso talvez tivesse sido um motivo para desmaiar, mas agora meu corpo parecia mais resistente, devido ao tratamento.

Assim que abri os olhos, vi ele sentado na cadeira de descanso, me olhando.

Nadei até a beirada da piscina e parei com os braços apoiados para fora.

— Faz tempo que tá aí? Nem notei você chegando.

— Não, acabei de chegar.

Olhei para o sol, que estava brilhando forte.

— Vem nadar comigo, tá calor, e você só sabe trabalhar... — reclamei, fazendo bico.

Ele hesitou um pouco, mas acabou concordando. Foi até o quarto e voltou com roupas de banho. Enquanto ele se preparava para mergulhar, eu não conseguia parar de admirar seu corpo. Era tão lindo e forte... uma combinação perfeita.

Ele mergulhou e, quando emergiu, nadou até mim. Eu estava parado na beirada, e ele me prendeu enquanto beijava meu pescoço, até chegar à minha boca.

Tentamos nadar um pouco, mas acabamos trocando carícias e beijos o tempo todo, mesmo que alguns funcionários estivessem circulando por perto.

— Por que não tem vergonha de mim? — perguntei, de repente.

Ele me olhou surpreso com a pergunta.

— E por que eu teria?

— Porque sou homem... — respondi, sem graça.

— Porra, lindo desse jeito, tenho é orgulho de te exibir, pena que você não deixa.

Sua mão se apoiava no meu pescoço enquanto me dava vários beijos, e a outra deslizava pelo meu corpo debaixo d'água.

Ele estava com o cabelo molhado e parecia ainda mais lindo do que o normal. Nossas bocas brincavam entre os beijos e mordidas, e era como se eu estivesse em um sonho... Eu não queria acordar desse sonho, pois sabia que a realidade era cheia de problemas.

O Jin não ia desistir, e eu sentia que não teríamos essa paz por muito tempo.

E eu odiava essa sensação.

O celular dele, que estava em cima da cadeira, começou a tocar. Ele saiu da piscina e se afastou para atender. Isso só me lembrou que ainda não tinha tocado no assunto sobre o que o Jin disse, sobre a morte do garoto que trocou os sucos.

Pela expressão no rosto dele ao voltar, não era o momento certo para tocar nesse assunto.

— Desculpe, mas vou precisar sair. Eu volto antes da hora de irmos para o parque.

Eu saí da água e me sentei na beirada da piscina.

— Tudo bem.

Ele se abaixou, me deu um beijo e foi para dentro de casa. Eu continuei ali, sentado, olhando para o movimento da água, pensativo sobre esse assunto.

Me sequei, coloquei minhas roupas de dança e voltei até a área da piscina, onde tentei dançar um pouco no salão. Meu corpo ainda não estava perfeito, mas eu já conseguia fazer alguns passos mais simples.

Minhas aulas na escola de artes começariam em menos de um mês. Eu precisava estar totalmente recuperado até lá; caso contrário, não conseguiria mostrar o meu melhor. Não podia arriscar perder essa oportunidade.

Depois de uma hora dançando, já me sentia exausto.

Aproveitei o momento de descanso para ligar para os meninos. Tentei ligar para o Namu, mas ele não atendeu. Então, liguei por chamada de vídeo para o Taehyung, que atendeu.

— E aí Tae.

— Espera aí — ele apoiou o celular na escrivaninha, virado para ele, e continuou jogando. — E aí, hyung, como você está?

— Melhor, já até nadei e agora tô dançando um pouco.

— Isso é ótimo, continue assim.

— Valeu. Cadê o Namu?

— Dormindo no sofá. Parece que ficou até tarde escrevendo.

— Entendi... Tae, o Jin está investigando o Jungkook.

— Infelizmente, já sabemos disso...

— Ele foi até o hospital tentar me convencer a me afastar do Jungkook. O Jin disse que o cara da universidade que trocou meu suco está morto. Você sabe se é verdade?

Ele parou de olhar para o jogo e me encarou. Eu conhecia esse olhar como ninguém.

— O que foi?

— Nada não. — Ele desviou o olhar para a tela à sua frente.

— Taehyung, fala logo!

Ele estava hesitando, mas era óbvio que queria falar alguma coisa.

— Eu falo se você prometer não contar nada para o Jeon.

— Eu prometo. Agora abre a porra dessa boca logo.

— Tá, calma... Assim que o doutor falou que você foi envenenado, ele saiu feito louco e sumiu. Voltou só à noite, com sangue na camisa. Meu irmão não quis perguntar, mas eu não deixei a oportunidade passar e perguntei se ele tinha ido atrás de quem fez aquilo com você, e ele concordou.

Então era verdade...

— Não acredito que ele fez isso.

— Assim, não sou de defender ninguém, mas concordo com o que ele fez. Olho por olho, dente por dente. O cara tentou te matar, ele só se vingou. Tá na cara que ele vai te proteger, louco foi aquele paspalho de mexer com você.

— A questão é que isso é mais um crime que o Jin vai colocar para cima dele, afinal, a polícia já sabe que o moleque morreu. Ele não devia ter feito isso.

— Converse sobre isso com ele, mas não me meta no meio, nem diga sobre essa nossa ligação.

— Vou fazer isso.

Conversamos mais um pouco e desligamos.

🫐

Continuei ensaiando até o pôr do sol, em um ritmo menos intenso, e, ao fim, fui para o quarto. Ele ainda não tinha chegado, então aproveitei para tomar um banho demorado.

No quarto, comecei a procurar uma calça jeans específica que eu queria usar e revirei todas as minhas roupas.

Entre a bagunça que fiz na cama, meu celular começou a tocar. Procurei o aparelho entre as roupas, e, quando achei, vi que era uma ligação do meu pai. A única coisa que eu conseguia imaginar era que o Jin tinha contado sobre meu namoro.

Mesmo com esse pensamento, eu precisava atender.

— Oi, pai.

— Boa noite, meu filho. Gostaria de agradecer a enorme ajuda que você e seu amigo nos deram. A plantação está ficando cada dia mais linda, como nunca foi antes.

— Ahh... — sorri, sem entender nada. — Do que o senhor está falando, pai?

— Dos rapazes aqui, que estão nos ajudando... espera aí.

Enquanto eu ainda tentava raciocinar, escutei minha mãe ao fundo, gritando com ele.

— Sua mãe está me chamando, algumas ovelhas fugiram. Nessa escuridão, era só o que faltava — ele riu. — Vou te mandar as fotos de como tudo está ficando. Tchau, meu filho. Mande um abraço nosso para seu amigo.

Ele desligou e começou a enviar várias fotos e vídeos da fazenda. Eu me sentei na cama, sem reação, olhando tudo. Havia várias pessoas trabalhando lá, e tudo parecia estar passando por reformas, até a casa.

Não era preciso muito esforço para adivinhar quem fez isso.

Sentei e fiquei olhando para as fotos por vários minutos, emocionado. Desde que me conheço por gente, eles tentam reformar a fazenda, e nunca conseguiram, por falta de dinheiro. Ver isso é a realização de um sonho. Deles e meu.

Mas não era justo.

Minha porta estava aberta, e quando escutei algumas batidinhas nela, vi que era o Jungkook. Assim que olhei na sua direção, ele notou que eu estava chorando e sentou ao meu lado.

— O que aconteceu?

Enxuguei as lágrimas e entreguei o celular a ele, que viu as fotos.

— Por que não me contou que faria isso?

Ele fez carinho no meu rosto e, logo depois, deu um beijo no meu pescoço.

— Você ia ficar sabendo de qualquer forma.

— Não falou porque sabia que eu não deixaria. Você sabe que isso não tá certo.

— E por que não?

— Não é sua obrigação.

— Não é mesmo, fiz porque seus pais merecem. E é meio que um agradecimento por terem colocado você no mundo.

Eu estava sem jeito e tinha medo de parecer que eu estava me aproveitando dele.

— Obrigado. Não sei como te agradecer.

— Não precisa agradecer, ter você já está ótimo.

Comecei a entrelaçar minhas mãos. Ele era alguém tão bom pra mim que mal consigo enxergar aquele vilão frio que conheci no início. Se bem que, mesmo me perseguindo, ele nunca foi ruim pra mim.

Será que ele já foi assim com alguém? Ele sabe exatamente como me agradar, com certeza já namorou muita gente.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Já perguntou.

Revirei os olhos e ele riu.

— Vai, diga.

Inflei o peito e tomei coragem para perguntar.

— Você já namorou com alguém?

— Não. — Sua resposta foi rápida e confiante, dando a certeza de que era verdade.

— Hmm, que bom.

— Por que?

— Não consigo nem imaginar você sendo bom e carinhoso assim com alguém antes de mim.

Ele voltou a rir.

— Qual a graça, idiota...

— Você foi meu primeiro em muitas coisas, não precisa ter ciúmes.

— Hmm, tipo?

— Vejamos. A primeira pessoa que peço em namoro, a primeira pessoa que me apaixonei, o primeiro cara que beijei e transei, o prim...

— Espera aí... — cortei ele. — o que você disse?

Ele me olhou confuso.

— O primeiro cara que você beijou e transou? Impossível, eu duvido.

— E por que seria impossível?

— Olha o jeito que você faz, é impossível... você sabe muita coisa.

Ele deu com os ombros.

— Só segui meu instinto de querer foder você, não tem segredo. É só socar nessa bunda gostosa sem te machucar.

Até engasguei com a sinceridade dele.

— Que safado...

— Você gosta. — Ele riu. — Agora, chega de conversa e vamos para o parque, antes que eu desista e te leve para um jantar de negócios.

Dei um pulo da cama.

— Nem pensar, tudo menos isso. Vamos.

Terminei de me arrumar e saímos. Ele estava com roupas casuais, o que era raro. Eu amava qualquer estilo, mas assim ele parecia mais comigo. Me fazia até esquecer que temos muitos anos de diferença de idade.

Entramos no carro dele e fomos em direção ao parque de diversões. Eu estava animado.

🫐

Quando chegamos, a primeira coisa que me chamou a atenção foram as luzes neon coloridas que piscavam de todos os lados. O lugar estava cheio de vida e energia. As risadas e gritos de emoção das pessoas nos brinquedos se misturavam com a música alta que vinha dos alto-falantes espalhados pelo parque.

Mesmo sendo noite, o parque estava movimentado.

Havia uma roda-gigante enorme iluminada por dezenas de lâmpadas que mudavam de cor a cada segundo, refletindo no lago artificial que ficava logo ao lado. No meio do parque, uma montanha-russa cortava o céu noturno com seus trilhos sinuosos e os gritos que ecoavam ao longe.

— Eu quero ir na montanha-russa, vem.

Puxei ele e fomos para a fila. Sentamos nos primeiros assentos, e a montanha-russa era rápida, com curvas íngremes que rendiam muitas risadas.

Fiz ele ir em todos os brinquedos que eu queria. Minha recuperação ainda era recente, então ele até tentou me impedir de ir em alguns deles, mas eu não tinha acordo.

Quando cansamos, a fome e a sede se fizeram presentes.

As barracas de comida exalavam aromas irresistíveis de pipoca, algodão-doce e comidas típicas coreanas.

— O que quer comer? — perguntou.

Senti um cheiro bom vindo de uma barraca de corndog e decidi escolher um. Estava exatamente do jeito que eu gostava, com muito queijo e a fritura no ponto certo. Ele também pegou um, mas com um recheio diferente.

— Posso provar o seu? — perguntei, sem tirar os olhos do corndog dele.

Ele me ofereceu e deu uma mordida, e eu ofereci o meu logo depois.

Comemos enquanto caminhávamos pelo parque. A cada passo, nos deparamos com alguma atração diferente: carrosséis, casas mal-assombradas, jogos de tiro ao alvo com prêmios pendurados que pareciam impossíveis de ganhar, e aproveitamos a maior parte deles.

A atmosfera era contagiante.

Entre as atrações, vi uma barraca de tiro ao alvo, onde um dos prêmios era um urso enorme. Meus olhos brilharam ao ver o prêmio. Eu grudei no braço do Jungkook e o puxei.

— Olha, eu quero tentar.

Paramos na barraca, e o homem me entregou o rifle de mentira.

— São seis tiros, e você precisa acertar todos para ganhar o prêmio principal. Errou, perdeu. — o moço explicou.

— Ok.

Me posicionei e, no primeiro tiro, errei. Perdi a pelúcia, mas ainda poderia conseguir os prêmios menores.

De seis tiros, acertei apenas um e ganhei um mísero broche. Minha expressão mostrava claramente a frustração e a vontade de jogar o broche no rio.

— Vou tentar para você.

Ele entregou as fichas, e o moço da barraca passou o rifle para ele. Eu fiquei ansioso ao seu lado, mas já imaginava que seria fácil para alguém que usa armas de verdade. Ele acertou todos os tiros e ganhou a pelúcia para mim na primeira tentativa.

O homem entregou o urso para ele, e ele me entregou.

— Muito obrigado! — agradeci animado, abraçando e pulando nele ao mesmo tempo.

— Falta um beijo de agradecimento.

Olhei ao redor e dei um beijo rápido, mas ele segurou minha cintura e me deu um selinho mais demorado.

— Ei, estamos no meio de todo mundo.

— Não tô nem aí.

Ele começou a beijar meu pescoço, me fazendo cócegas, e eu caí na risada.

Nosso dia foi simplesmente incrível, e eu nunca imaginei viver algo assim com alguém. Era realmente como um sonho.

Passeamos mais um pouco pelo parque, comemos alguns doces e, em seguida, fomos para o estacionamento. Entramos no carro e eu tive que deixar a pelúcia enorme comigo, entre minhas pernas, já que não havia banco traseiro no carro dele.

Antes dele ligar o carro, eu virei e levei minha mão até o cabelo dele.

— Obrigado por me trazer aqui, mesmo que isso não combine com você. — ri sem jeito.

Ele pegou minha mão, beijou e me olhou, ainda com a boca próxima dela.

— Obrigado por me ensinar o que é ser feliz de verdade.

Assim que ouvi isso, o mesmo exército de borboletas começou a voar loucamente pela minha barriga. Abracei ele, que retribuiu, seguido de vários beijos.

Desde que voltei do hospital, nós não transamos. Ele era tão cuidadoso que queria ter certeza de que eu estava bem. Já eu, queria mesmo que eu ainda estivesse mal.

No caminho, olhando pela janela, comecei a me sentir sonolento. Fiz tanta coisa hoje que já era de imaginar que eu me sentiria assim.

Nós entramos e fomos para o quarto dele.

— Está com fome?

— Não, já comi demais hoje. Você... bem, você acha que eu tô feio?

— O que? Nunca. Por que está perguntando isso?

— Eu emagreci depois que fiquei no hospital, então tô me sentindo feio. Como não fizemos nada desde que voltei, achei que talvez você também estivesse me achando feio.

Ele começou a rir.

— Garoto, você é tão lindo que mal consigo acreditar que você existe. Não fizemos nada ainda porque você está se recuperando, e quando eu te pegar, quero te comer por horas. Você precisa estar bem.

Senti meu rosto pegar fogo com o que ele disse.

— Então... — bocejei — bem, então vamos fazer isso hoje, eu já tô bem.

— Você está com sono. Amanhã posso pensar no caso. Ah, e amanhã também vamos sair, e dessa vez, sou eu quem vai escolher o lugar.

— Tá, mas, me dá uma dica?

— Não.

— Uma só, por favor.

— É algo que imagino que você vá gostar. Pronto.

— Isso não é uma dica.

Ele deu com os ombros e riu.

— Amanhã você vai descobrir, pare de ser curioso.

— Sou mesmo, e até amanhã vou morrer de curiosidade.

— Não vai, você é forte.

Mesmo com minha insistência, ele não falou, e só me restou sofrer com minha ansiedade.

Deitamos na cama e ficamos trocando carinhos e beijos, e assim como ele disse, eu estava realmente com sono. Bastou alguns cafunés dele no meu cabelo para eu acabar pegando no sono.

Algo me dizia que amanhã seria um dia inesquecível.

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O próximo capítulo promete,
Então se preparem!
Esse foi levinho para dar uma massageada nas porradas que virão kkkk
Estou ansiosa para te ver no próximo capítulo,
E não se esqueça de votar e comentar para incentivar essa probi autora iniciante.

Até lá! 💙

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