08 | 여덟 번째 장

Oi meu amor,
Seja bem-vindo de volta, eu estava com saudades.
Apertem os cintos e boa leitura!

#azuldameianoite

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- JEON JUNGKOOK -

Eu passei a noite acordado, de novo, mas, diferente do comum, não tomei remédio nem bebi; fiquei apenas revirando na cama, lembrando o que aconteceu.

Minha ficha ainda não tinha caído sobre o beijo, e eu só conseguia pensar no quanto queria voltar novamente para aquele momento. Eu queria beijar ele de novo, queria sentir de novo o gosto doce dos seus lábios.

Até imaginei que esse beijo me faria saciar a vontade e esquecer esses pensamentos, mas só me fez querer esse moleque ainda mais.

No banho, me peguei sorrindo de forma involuntária várias vezes, mesmo sabendo que as coisas não eram tão fáceis quanto pareciam, ainda mais se tratando de alguém como ele.

Ontem, após o Yoongi levar ele para a faculdade, me contou que Jimin queria que eu fosse assistir à peça. Por mais que eu tenha tentado disfarçar, gostei pra caralho de ouvir isso. No fim, mesmo com toda aquela discussão, fiquei aliviado por realmente ter ido e socorrido ele quando desmaiou.

Não consigo nem pensar na ideia de outra pessoa tocando nele, muito menos aquela garota. Está na cara que ela gosta dele, mas se depender de mim, esse sentimento vai acabar, por bem ou por mal.

Passei pela porta do quarto dele e vi que ainda estava fechada. Hoje ele não iria para a aula, por ter passado mal ontem. Eu também queria ficar aqui, mas precisava ir à Sixx para receber novamente o comprador de Dubai, além de outras coisas que precisava fazer.

Precisamos nos livrar o quanto antes das armas que sobraram do último carregamento, e esse empresário tinha o perfil ideal para a compra. Além disso, ele tem muito dinheiro, o que me permitia aplicar um preço bem maior.

— Bom dia, Sra. Lee, ele está no quarto? — perguntei quando a vi ao descer as escadas.

— Olá, Sr. Jeon, bom dia. Ele saiu cedo com o motorista para buscar alguns exames no hospital.

— Ok, vou para a Sixx e volto à tarde. Fique de olho nele.

Assim que saí, vi o Hoseok na entrada da casa, reunido com alguns dos nossos. A expressão deles mostrava que havia algum problema, e eu odeio problemas a essa hora do dia.

— O que está acontecendo?

— Aquele policial está na empresa e quer falar com você — Hoseok respondeu.

Eu sabia que ele estava falando do Seokjin, e isso não era nada bom.

— Estou indo para a Sixx. Peça para a secretária avisar que estou chegando em dez minutos.

— Ok.

Entrei no carro e dirigi rapidamente até a Sixx, preocupado com essa visita. A última coisa que precisava era a polícia se metendo nos meus negócios agora.

Hoseok também foi, mas com o carro dele. Enquanto dirigia, enviei duas mensagens para Jimin, mas ele sequer viu.

— Jimin, Jimin... quanto mais você foge de mim, mais eu quero te perseguir.

Eu já estava me sentindo maluco por ele, e depois do que aconteceu ontem, esse sentimento triplicou.

Eu queria ele de novo.

Cheguei na Sixx e subi até meu andar, onde o policial já estava me esperando, em um terno um pouco casual, apenas com a identidade da polícia pendurada no pescoço. Ele estava acompanhado de outros dois policiais uniformizados e enormes.

— Jeon Jungkook, faz muito tempo desde a última vez em que te vi.

— Eu preferia continuar sem te ver. O que está fazendo na minha empresa?

— Que mal educado da sua parte... Eu poderia te prender por desacato só com essa sua resposta, mas vou te dar mais uma chance de ter um papo civilizado. Vamos entrar na sua sala para conversarmos melhor.

— Você entra, os dois ogros do pântano aí, não — respondi.

Ele começou a rir de forma extremamente forçada.

— Essa foi boa, Jeon, e só vou concordar porque você foi bem engraçado.

Eu não dei risada alguma. Fui até minha sala e ele entrou depois de mim.

Por mais que eu quisesse, fazer algo contra ele só me traria problemas. Ele está me investigando há um tempo, e era claro que eu seria o principal suspeito se algo acontecesse.

Ele começou a andar pela minha sala, reparando em cada detalhe que havia nela.

— Fale logo o que quer, meu tempo custa dinheiro, e detesto perder dinheiro.

Ele entregou um papel e sentou na minha frente. Quando li, percebi que era a intimação de depoimento na delegacia, marcado para daqui alguns dias.

— E posso saber qual o motivo dessa intimação?

— A princípio, será apenas uma conversa sobre vários assuntos, mas caso tente fugir ou não compareça, não te garanto que ficará só nesse bate-papo.

— E isso seria algum tipo de ameaça?

— Não sei, parece? — Ele abriu as mãos, exalando ironia.

— Sim, parece.

— Uhh, que pena, a intimação continua do mesmo jeito.

Ele me encarava, e eu também encarava ele.

— Você sabe que vai só perder tempo com isso, Seokjin.

— Um mafioso querendo me dizer como devo trabalhar? Seu senso de humor é realmente afiado.

—Eu? Não. Você realmente vai perder tempo, afinal, nunca vai conseguir nada de mim.

— Em todos os meus anos de carreira eu nunca falhei, não vai ser com você que vou falhar.

Levantei e fui até a porta, abrindo para ele sumir da minha frente. Ele levantou e se aproximou, e era nítido que não tinha medo algum de mim, e até isso me deixava louco de raiva.

— Admiro muito o seu conceito de achar que é intocável, Jeon.

— Mas, eu sou mesmo.

— Não, não é. Todos temos um ponto fraco, e com certeza você tem o seu.

Cheguei perto do seu rosto e respondi com um sorriso nada amigável.

— Boa sorte para descobrir.

Ele também deu um sorriso sínico.

— Obrigado, não tenha dúvidas que sou alguém de muita sorte. Tenha um excelente dia, Jeon.

Ele saiu da sala onde seus dois ogros de estimação esperavam do lado de fora, e logo saíram do andar.

— Hanni, chame o Hoseok na minha sala, agora — falei com minha secretária, e em poucos minutos, ele chegou.

— Com licença, JK.

Entreguei a intimação na mão do Hoseok e ele leu.

— Isso não é bom.

— Nada bom, e o desgraçado ainda me enfrentou... O que descobriram sobre ele?

Ele me mostrou a ficha do Seokjin pelo celular, e nela tinha tudo sobre a vida dele.

— Casado, rico, ativo em causas sociais, pai de pet... que vida chata do caralho...

Quando olhei a ficha mais atentamente, vi que ele veio de Jangheung, que é exatamente a mesma cidade em que o Jimin nasceu. Preferi pensar que isso era só uma coincidência comum para não criar paranóias, mesmo sendo uma cidade minúscula.

— Quer que eu faça algo com ele? Estou esperando isso há meses... — Hoseok perguntou, sedento por confusão.

— Não, ainda não. Eu vou fazer esse depoimento, e se tentarem me prender, nós resolvemos. Avise meu advogado, ele irá junto comigo.

— E depois?

— Se ele insistir nessa investigação, deixo ele nas suas mãos.

Ele deu um sorriso maligno, que pra qualquer pessoa que não conhece ele, pareceria facilmente um sorriso amigável e gentil.

— Vou adorar me divertir com ele. Vou pra minha sala, com licença, JK.

Ele saiu e eu virei para trás, onde fiquei olhando a vista. O céu tinha algumas nuvens bem brancas, que se destacavam na imensidão azul do céu diurno.
Eu estava nervoso com o assunto do policial, mas reparar o céu, de alguma forma, me acalmou.

E eu já sabia quem tinha feito isso comigo.

Mesmo com a polícia e todos os outros problemas na minha cola, eu só conseguia pensar naquele garoto.

— Porra, que beijo bom...

Meu coração acelerava toda vez que eu pensava nele, e estava louco para sentir tudo aquilo de novo.

Conferi meu celular, e continuava sem respostas dele. Por que será que eu já sabia que ele me evitaria?

O Yoongi veio até minha sala uns minutos depois. Entrou sem bater e já foi sentando no sofá, pegando a garrafa do meu uísque bourbon.

— Não quer? — ofereceu.

— Você está me oferecendo o meu uísque? Porra...

— Sim, nosso uísque, corrija sua fala aí — ele riu. — O que aquele policial queria?

Peguei a intimação na mesa e mostrei para ele, onde sentei do seu lado.

— Que filho da puta... você vai?

— Sim, não tenho escolha.

— Eu vou com você.

— Melhor não, ou quer arriscar que prendam nós dois?

— Tô fora, não nasci pra ficar na cadeia.

— Se ele encostar um dedo em mim, mato ele e a família dele inteira.

Ele deu um gole e bebeu todo o uísque, e encheu mais um pouco.

— Você é ruim.

— Eu sei, é minha maior qualidade.

— Toma cuidado com ele, esse cara está decidido a acabar com você.

— Ele se acha muito esperto, mas eu sou mais. Ainda teve coragem de vir com essa porra de valentia pra cima de mim. Preciso arrumar um jeito de dar uma lição nesse cara que ele nunca mais vai esquecer.

— É disso que eu gosto! Quando for sequestrar ele, me chama.

— Eu sei que gosta.

Ele deu risada, e logo após, mais um gole.

— E o Jimin, está melhor? A peça estava muito boa, foi uma pena ele ter desmaiado daquele jeito.

— Está... Nós nos beijamos ontem.

— Ainda bem que ele está melh... O que você disse? — ele praticamente avançou na minha direção quando entendeu.

— Doido, né?! Nem eu tô acreditando ainda.

Ele jogou o corpo para trás no sofá, e deu um longo suspiro.

— Eu sabia... eu nunca erro.

Eu até tentava disfarçar, mas sabia que dava pra perceber meu sorriso, por mais sútil que fosse.
Mesmo que eu estivesse envolvido, precisava ter cautela. Não tinha sentido envolver ele no estilo de vida que eu levo.

Não existem formas do vilão e do mocinho ficarem juntos.

— Eu sou um risco para ele, você sabe. Minha forma de viver, as coisas que faço, nada seria bom para alguém como ele.

— Mas isso é ele quem deve decidir, não você.

Minha mente não conseguia calar a boca, cogitando mil possibilidades de como agir.

— Porra, me dá um copo aí... — falei, e ele prontamente encheu o copo com uísque e gelo, e me entregou.

Depois de alguns minutos conversando, ele precisou sair para uns trabalhos.

O comprador de Dubai voltou, e fizemos uma nova reunião na minha sala, acompanhado de seu advogado e tradutor, apenas para assinarem os contratos.

— Sr. Jeon, eu e meu cliente verificamos todas as cláusulas do contrato, e estamos de acordo com a proposta apresentada.

— Ótimo. Vou pedir para prepararem os produtos. Vão enviar diretamente para Dubai?

— Sim, em um avião particular. Vou encaminhar as informações do voo para sua secretária.

— Ok.

A Hanni trouxe os contratos e assinamos, onde ficou faltando apenas a assinatura do Yoon, que seria feita depois.

Nos despedimos e finalizamos a reunião, que para o meu alívio, foi rápida. Em poucos minutos, a quantia milionária do contrato entrou na minha conta.

Ver aquela quantidade de dígitos era algo que me deixaria muito feliz e satisfeito, mas a única coisa que meu cérebro conseguia fazer era lembrar dele apoiando o rosto na minha mão com aqueles olhos brilhantes.

Ele não saía da minha cabeça.

Meus pensamentos foram interrompidos por uma ligação do Yoongi.

— O que você quer?

— O que acha de se divertir um pouco? Encontramos aquele comprador que passou a perna em nós dois à uns meses atrás.

Meu sorriso abriu assim que ouvi.

— Isso é música para meus ouvidos. Estou indo.

Dirigi por alguns minutos até chegar em um dos cativeiros. Ele estava amarrado, tentando se justificar.

— Soltem ele.

Eles soltaram e ele caiu de joelhos. Haviam vários dos meus homens ao redor, então era claro que ele não tentaria fugir.

— Onde está meu dinheiro?

Ele não respondeu.

— Me roubar foi a pior escolha que você fez na sua vida. Levanta!

Ele levantou exalando medo em sua expressão corporal, e minha maior diversão era me alimentar do medo das pessoas.

— O que acha de aproveitar a oportunidade pra tentar me bater? Pelo que vi nas suas últimas mensagens, era exatamente isso que você dizia para seus comparsas.

— E-eu não quero fazer isso com você...

— Se você me derrubar, eu te dou o controle total das minhas regiões e do meu dinheiro, e nenhum dos meus homens vai atrás de você.

— Seu desgraçado! — ele me xingou e avançou em mim, o que era uma piada praticamente pronta.

Era tão óbvio que ele não conseguiria fazer nada contra mim, e eu nem precisaria usar toda a força que tinha.

Ele tentou me acertar um soco, mas desviei e acertei em cheio outro soco no seu rosto. Meio desnorteado, ele voltou, mas apoiei uma das minhas mãos no chão, e em um giro, acertei um chute na cabeça dele, que caiu em seguida.

Eu comecei a rir, andando ao seu redor.

— Levanta, seu filho da puta! A gente só começou.

Após anos praticando luta, era meio óbvio que ele não conseguiria me derrubar. Depois de acertar ele algumas vezes, o vagabundo já estava caído no chão, sem forças e cheio de sangue no rosto, implorando por piedade.

Piedade não existia no meu vocabulário.

Grudei na gola da sua roupa, e após diversos socos, ele finalmente apagou.

Levantei, limpei as mãos e olhei para o Yoon, que estava sentado, assistindo enquanto fumava um charuto com um cheiro enjoativo de chocolate.

— Você só fica assistindo?

— Eu sou prático, já teria matado ele de primeira. Gosto de ver que você tem paciência de lutar antes de fazer isso.

— Mas assim você perde a parte divertida...

Ele sorriu, parecendo pensativo.

— Esse cara roubou um pouco mais que a quantia que o Jimin perdeu, e é gritante a diferença no seu comportamento.

— Eu nunca encostaria um dedo sequer naquele garoto, nem se eu quisesse.

— Eu sei que não, senhor apaixonado.

Dei um sorriso sem jeito enquanto arrumava meu cabelo, que ficou um pouco suado.

— Se livra dele aí, eu vou para casa.

Fui até o lado de fora do cativeiro e liguei para um dos meus seguranças, que confirmou que o Jimin estava em casa, ou seja, me evitando de propósito.

— Você não vai fugir de mim...

Eu tinha outros compromissos na Sixx, mas não me importei com nenhum deles. Voltei até o Yoon.

Peguei meu carro e fui embora para casa.

Assim que entrei, notei o silêncio, sem músicas, o que era estranho com o Jimin aqui.
Pelas câmeras no celular, vi que ele estava no salão da piscina, onde costumava dançar, então fui até lá.

Cheguei e vi ele deitado no chão, com os braços abertos, olhos fechados e apenas a música rolando. Ele estava com roupas de dança, e pelos fios do cabelo levemente molhados pelo suor, entendi que já estava dançando à um tempo.

Parei em pé ao lado dele, e mesmo assim, sequer notou minha presença.

— Por que não está respondendo minhas mensagens?

Ele assustou e se levantou rápido.

— Ahh, é que... bem, eu... eu ia responder.

— Ia? Por que está nervoso?

— Sim, eu ia. E não estou nervoso.

Conforme eu me aproximava dele, ele dava passos para trás.

— Você me beija e depois foge de mim? Meio contraditório.

Ele ficou com as bochechas e o nariz vermelhos quando ouviu.

— E-eu não te beijei.

— Hmm, não?

— Não.

— Nem dá para mentir isso, garoto, você não estava nem bêbado. E convenhamos, alguém que não quer, não me daria um beijo tão gostoso como aquele.

Ele estava completamente corado, e tentava disfarçar olhando pra todos os lados, menos para os meus olhos.

— Não tem nada de gostoso. Isso foi uma loucura enorme, minha e sua. Eu não sei o que aconteceu comigo, mas isso não vai se repetir nunca mais.

Coloquei minha mão na nuca dele e cheguei com a boca bem perto do seu ouvido.

— Mas eu quero de novo, então vai precisar se repetir sim.

Ele começou a gaguejar tentando falar enquanto se afastava mais. Começou a recolher suas coisas que estavam espalhadas.

— Você só pode ser um louco pirado mesmo, é claro que não vamos beijar de novo, eu não quero fazer isso.

Enquanto ele recolhia o restante das coisas, falei.

— Ok, vou fingir que acredito. Hoje à noite nós vamos sair para jantar.

— O que? Não, hoje eu preciso trabalhar na boate.

— Depois de ter desmaiado ontem? Sem chance.

— Eu estou melhor, e já confirmei para o meu chefe que eu vou. E se tentar me impedir, eu fujo e vou de qualquer jeito.

Dei com os ombros acompanhado de uma risada.

— Ok, pode fugir.

— Posso?

— Claro que pode, eu vou te pegar de qualquer jeito.

— E o papo de ontem sobre respeitar caso eu escolhesse ir embora?

— Eu vou respeitar, mas isso não significa que não vou continuar atrás de você.

Ele cruzou os braços, arqueando uma das sobrancelhas, já incomodado.

— Então a dívida continua em pé, é isso?

— Não é o dinheiro que eu quero, Park.

— E-eu vou para o quarto...

Ele saiu com suas coisas nas mãos, completamente desastrado, caindo e pegando o que caía pelo caminho.

— O motorista vai te levar para a boate, então nem tente fugir.

Ele nem respondeu e foi para dentro de casa, mesmo que tenha ouvido.

Já beijei inúmeras pessoas e nunca agi assim com um único beijo. Não sei se é pelo fato dele ser o primeiro homem que sinto atração, mas eu não consigo lembrar de ninguém que conseguiu tirar tanto a minha paz quanto ele consegue.

Fiquei no escritório trabalhando enquanto o restante do dia passava, até a noite chegar.

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O combinado era que um dos motoristas o levaria, mas rapidamente mudei a ordem.

Escolhi uma roupa mais casual: uma camisa preta de manga longa, sutilmente agarrada ao corpo, e uma calça jeans escura. Peguei dois capacetes e fiquei na frente de casa esperando por ele.

Eu mal usava as motos, mas era a justificativa perfeita para ele ficar abraçado a mim. Assim que ele saiu e me viu, revirou os olhos cheios de raiva, descendo as escadas.

— Ouvi muito bem quando você falou que o motorista me levaria.

— Mudei de ideia — estiquei o braço, entregando o capacete.

— E por que vamos de moto?

— Meu carro está com problema.

Ele cerrou os olhos pequenos, desconfiado com a pior desculpa que já inventei.

— Uma Lamborghini com problema?

— Sim.

— Hmm, e os outros sete carros que tem na sua garagem?

— Estão todos com problema também, uma pena. Vamos — subi na moto e coloquei meu capacete.

Mesmo relutante, ele colocou o capacete e subiu na minha garupa, e seu perfume de baunilha me rodeou quase instantaneamente.

— Porra, que cheiro gostoso... — sussurrei.

— O que disse?

— Não importa.

Liguei a moto e, assim que passamos pelo portão, comecei a acelerar. Ele estava com as mãos em cima das suas pernas, sem segurar em mim. Se eu acelerasse de uma vez, ele cairia.

Levantei minha viseira e virei um pouco para trás.

— Se não quer cair e morrer, você precisa me segurar. Eu não mordo... a menos que você peça.

— Eu nunca pediria isso.

— Uhum, ok, agora me dá essa mão logo.

Peguei uma de suas mãos e envolvi na minha cintura, puxando seu corpo para mais perto. Ele me abraçou com a outra mão assim que voltei a acelerar. Sua mão segurava forte em mim, e, mesmo com o movimento da moto, eu sentia suas mãos pequenas circulando sutilmente no meu abdômen para sentir ele.

E era óbvio que eu deixei.

Peguei um trecho da via expressa e consegui acelerar ainda mais, costurando entre os carros. Ele me abraçava ainda mais forte, mas não reclamava de forma alguma. Mesmo com a velocidade, seu perfume continuava ao meu redor.

Chegamos em poucos minutos na boate. Ele desceu e tirou o capacete. Seu cabelo castanho estava bagunçado, mas algumas batidas com a mão já foram suficientes para arrumar.

— Você não vai vir beber, né? — perguntou.

— Não sei, por quê?

— Porque é melhor que não venha, você atrapalha meu trabalho e me distrai.

— É você quem se distrai sozinho enquanto fica me olhando de longe.

— Não fico, não!

Eu estava em cima da moto, apoiado um pouco pra trás e com as duas pernas no chão. Ele falava comigo enquanto olhava descaradamente para o meu corpo.

— Você nem sabe disfarçar, Park, igual está fazendo agora, falando comigo e me secando.

— Vá a merda, seu exibido! — Ele deu as costas e entrou irritado na boate, sem olhar pra trás.

Minha roupa estava com o perfume dele, e bastou isso pra me fazer sorrir, de novo.

Antes de ligar a moto, senti meu celular vibrando, e peguei para ver quem era. Fiquei uns minutos ali respondendo algumas mensagens que recebi do Hoseok sobre o policial, até que vi um Tesla preto encostar do meu lado, na frente da boate.

Eu conhecia esse carro...
A porta abriu e tive a confirmação de quem imaginei ser.

— Jungkook motoqueiro? Uau, preciso dizer o quanto você ficou sexy com essas roupas. Está tentando conquistar alguém?

Era o Hyunjin que desceu do carro já abrindo a merda da boca dele.

— O que está fazendo aqui?

Ele olhou para os lados, abrindo as mãos.

— Não entendi, não posso vir a uma boate?

Desci da moto e fiquei em pé.

— Não se faz de burro, você sabe do que estou falando.

Ele se aproximou de mim, em passos lentos, ficando claro que ele estava disposto a me provocar.

— Tá falando do barman? Se for, relaxa, só venho aqui porque a boate é boa e o dono é um puxa-saco de criminoso. Mas, preciso confessar que não é o único motivo.

Me aproximei ainda mais dele, o enfrentando.

— O que tá querendo dizer?

— Os drinks que o barman faz é uma delícia, me deixou muito curioso como um dançarino consegue ser tão bom em tudo.

Em segundos, grudei sua gola e empurrei ele com força até seu carro. Os seguranças dele se aproximaram imediatamente, mas pararam com um gesto dele.

— Qual foi, JK? As pessoas estão olhando...

— O que você tá querendo com ele, seu desgraçado?— apertei ainda mais contra o carro.

— Eu? Tudo profissional. Como já deve saber, estou abrindo uma casa noturna na minha região, e quero ele trabalhando comigo.

— Isso só pode ser uma piada... Ele não vai trabalhar para você.

— Alguém como ele precisa de dinheiro, não de um mafioso querendo mandar e desmandar na vida dele.

Dei risada tentando segurar minha vontade de quebrar a cara dele.

— Quero que você tente fazer essa oferta para ele, vamos ver até onde sua coragem vai.

Ele cerrou os olhos na minha direção.

— Em um salário eu pago toda a grana que ele te deve, e de brinde, ele ainda se livra de você. Que louco recusaria isso?

— Ótimo, tente a sorte.

— Então me solte.

Soltei ele com força, que começou a arrumar as roupas que amassaram.

— Meu pai vai odiar saber dessa sua atitude.

— Faço questão que você conte à ele, afinal, a única coisa que o Chae odeia é ter um filho tão peso-morto como você.

— Quem brinca muito com o fogo, uma hora acaba se queimando, JK.

— Quero que você e essas suas frases prontas do twitter se fodam.

Ele gargalhou.

— Vou curtir minha noite, passar bem.

O desgraçado realmente entrou na boate. Eu não ia entrar, e só voltaria para buscar o Jimin, mas agora que sei que ele está aqui, era impossível ir embora.

Peguei o celular e liguei para o Hoseok.

— Tá ocupado?

— Não estou. Aconteceu alguma coisa?

— Tá afim de beber?

— Sempre estou.

— Ótimo, venha até a boate em que o Jimin trabalha.

— Ok, estou indo.

Entrei e fiquei distante do balcão do bar. O Jimin estava distraído preparando os pedidos e não me viu na escuridão e multidão da boate, que estava lotada.

Mesmo que meus olhos estavam quase o tempo todo focados no Hyunjin e em qualquer movimento que ele fazia, algumas vezes eu olhava para o Jimin, nessa droga de uniforme agarrado.

Porra... como um cara consegue ser tão lindo?

Vinte minutos depois, o Hoseok chegou e se juntou à mim na mesa. Ele escolheu os drinks que queria e ficamos conversando enquanto bebemos. Contei sobre o Hyunjin e mostrei onde ele estava.

— Você acha que o Jimin aceitaria?

— Não. Bom, eu acho que não.

Ele deu um gole no copo e olhou ao redor.

— Se ele sabe sobre o barman, isso significa que ele está te monitorando. Vamos parar de perder tempo e matar ele logo.

— Não podemos, não enquanto o Chae estiver vivo. Mesmo que ele tenha me ensinado as piores coisas, o velho me criou quando ninguém mais fez, não posso fazer isso com ele.

— A sorte do Hyunjin é ser filho dele.

— Com certeza, caso contrário, ele já estaria debaixo da terra.

O Hoseok olhou para o Jimin e apontou.

— Parece que vamos ver a coragem dele agora.

Quando olhei, vi o Hyunjin se aproximando do balcão.
Eu queria levantar, mas ao mesmo tempo, queria ver até onde iria a coragem dele.

No fundo, minha única preocupação era ver se o Jimin seria capaz de aceitar essa proposta.

De longe vi ele apontando para algo no cardápio, e o Jimin começou a preparar uma bebida, em silêncio. Assim que entregou o copo, o Hyunjin se esgueirou no balcão, se aproximando dele pra falar.

— Ele realmente teve coragem... — Naquele momento, tudo que eu queria era matar ele ali mesmo.

— Ele já percebeu que o Jimin é alguém importante para você, então vai usar isso pra tentar te atingir. Temos que ficar atentos.

Olhei de novo na direção do balcão, e vi que o Jimin desconversou e logo saiu de perto dele, voltando a atender outros clientes.
Eu me senti estranhamente aliviado por isso, já que ele nem sabia que eu estava aqui, e fez isso de livre e espontânea vontade.

Apoiei as mãos no rosto, e o braço na mesa, enquanto respirava profundamente. Minha mente não parava um segundo sequer, e eu estava ficando louco.

— Todas as vezes em que levei ele para a universidade ou curso, ele sempre perguntava algo de você, cada dia era uma dúvida ou desculpa diferente.

Olhei para ele, surpreso.

— Sério?

— Sim.

Olhei na direção do garoto novamente. As luzes de led azul da boate iluminavam seu rosto, de certa forma, deixando ele ainda mais atraente. O brilho azul acentuava seus traços, destacando seus olhos pequenos e seus lábios carnudos.

Cada gesto dele, desde o jeito que segurava a coqueteleira, até o sorriso simpático que fazia para atender, tudo me deixava ainda mais maluco.

Eu nunca conheci alguém que me deixasse assim.

— Você gosta dele, certo? — perguntou.

Era claro que ele já desconfiava do que estava rolando. Acendi um cigarro e me apoiei no encosto da poltrona.

— Está tão óbvio assim?

— Te conheço o suficiente para perceber.

Dei outro gole e olhei na direção do Jimin, pensativo.

— Esses dias vi ele elogiando uma McLaren Artura que viu em um video no celular, encomende uma para ele.

— Ok, farei isso.

— Tudo que você ouvir ele falar que quer, compre, não importa o preço.

Ele sorriu e concordou.

Ficamos ali mais um pouco, e ele foi embora. O Hyunjin parece ter percebido nossa presença, então não se aproximou mais do balcão, e também foi embora um pouco depois.

Eu também saí, mas fiquei próximo da moto, esperando o Jimin sair.

— Você não se atrasa nunca? — ele falou enquanto se aproximava da moto.

— Não tem como me atrasar se eu estava lá dentro.

Ele me olhou sem entender.

— Você estava na boate?

— Sim.

— E por que não falou comigo? E nem deixou eu te ver?

— Porque você pediu para não te atrapalhar.

Ele deu com os ombros, fazendo bico.

— Mas não precisava se esconder...

— Eu queria ver o que o Hyunjin ia fazer.

Ele me mirou, surpreso por eu ter visto, e desviou o olhar.

— O que ele te falou após pedir a bebida?

— Não quero que você faça nada contra alguém por minha causa, então pare de fazer essas perguntas.

— Não foi isso que eu te perguntei, Park.

Ele suspirou incomodado, e depois de insistir, ele contou.

— Ele disse "quero que você trabalhe comigo".

Eu estava com tanta raiva do Hyunjin que era óbvio que eu não deixaria isso passar.

— O que você respondeu?

— Que pergunta besta... É óbvio que falei que não queria, se liga.

— Ótimo.

— Ótimo? — ele riu — quem você acha que é?

— Se quer se livrar de mim, faça do jeito certo, e não se atrelando à aquele cara.

— Eu não sou burro, muito menos inocente.

— Eu sei que não é. Só é marrento e mal educado.

Ele me imitou afinando a voz, e eu acabei rindo da petulância dele.

Enquanto colocava as luvas pra pilotar, ele pareceu olhar minhas mãos.

— Por que sua mão está machucada assim?

Olhei na direção dela e terminei de colocar a luva.

— Matei um desgraçado que me roubou.

Ele arregalou os olhos, assustado.

— O que você disse?

— Machuquei enquanto treinava taekwondo — menti.

— Hmm, ok...

Ele não precisava saber disso.

Liguei a moto e saímos. Eu estava pilotando na velocidade normal da via, e mesmo assim suas mãos pequenas seguravam no meu abdômen.

— Não vai correr? — perguntou baixinho.

Olhei um pouco para trás e apoiei minha mão na sua coxa.

— Quer?

— Uhum... — ele respondeu desviando o olhar, sem jeito.

Tirei minha mão de sua perna e coloquei em cima da mão dele, que estava me segurando no abdômen.

— Segure forte.

Abaixamos um pouco o corpo e voltei a acelerar, e em segundos chegamos à 200km/h. Pelo retrovisor eu podia ver o quanto ele estava gostando, e mesmo que estivesse de capacete, sua viseira estava erguida, então eu conseguia ver seu sorriso através dos seus olhos, que sorria junto.

Caralho... Até isso fazia meu coração pular do peito.

Apoiei minha mão novamente na sua perna, e continuei pilotando assim, onde só diminuí a velocidade próximo de casa.

Assim que parei na entrada de casa, ele desceu e tirou o capacete, sorrindo em êxtase.

— Isso foi bom demais. Eu queria saber pilotar moto pra fazer isso.

Porra, que lindo...

— Eu te ensino.

Ele continuou sorrindo, ainda animado, e quando notou nossos olhos grudados um no outro, disfarçou olhando para suas mãos, que estavam entrelaçando entre si.

Desci da moto e entreguei os capacetes para um dos funcionários, que a levou até a garagem.

— Está com fome?

Achei que ele falaria que não, como sempre, mas surpreendentemente, não fez isso.

— Uhum, um pouco.

— O que quer comer?

Ele pensou por uns segundos antes de responder.

— Pizza! Já é tarde, então pode ser delivery.

— Sempre tão simples e modesto... Já falei que você precisa ser ambicioso, em tudo.

— Idaí? Eu gosto de coisas simples, não tô nem aí para o que você acha.

Dei risada com a explosão dele em segundos.

— Vou fazer para gente.

Ele me olhou surpreso.

— E alguém como você sabe cozinhar? Achei que estava acostumado a só te servirem.

— Já dormi na rua e aprendi a me virar como podia, então é claro que sei cozinhar. Não nasci com funcionários me servindo.

Minha resposta foi como um soco no estômago dele, que engoliu à seco e ficou sem graça.
Até com o sentimento de culpa estampado no seu rosto, ele conseguia ser absurdamente atraente.

— Foi mal...

— Vem, vamos.

Nós entramos e ele foi até o quarto tomar banho, enquanto fui para a cozinha.

Separei os ingredientes e comecei a preparar a massa da pizza. Já era tarde, mais de 2h da manhã, então a casa estava completamente silenciosa.

Até imaginei que ele não voltaria, mas para minha surpresa, voltou.
Ele parou do meu lado e olhou curioso para a massa.

— Quer ajuda?

— Pegue o queijo na geladeira.

Ele pegou e colocou no balcão.

— O que você está fazendo? Quero que rale ele. Ou você acha que ele se rala sozinho?

— Você só pediu para pegar, abre a boca então, droga.

Ele pegou o pedaço de queijo irritado e começou a ralar com raiva, enquanto eu ria sem ele notar.

Ele estava com uma camisa larga, uma calça de dormir e meias. Por que mesmo com a roupa mais fodida de simples, ele conseguia ficar tão bonito?

Devo ser um doente obcecado...

Deixei a massa no formato e comecei a rechear. Molho, queijo, pepperoni e orég...

— Não coloque orégano, eu não suporto! — falou segurando minhas mãos.

— Como alguém da sua idade tem coragem de não gostar de algo tão comum?

— Não sei — ele riu — só não coloque.

— Ok, adolescente.

— Posso pegar um energético? Já tô ficando com sono.

— Não precisa pedir, eu já te disse isso.

Ele pegou uma lata na geladeira, abriu e sentou em um dos bancos.
Após colocar a pizza no forno, peguei uma garrafa de soju na geladeira e sentei de frente para ele.

— Não vai beber? — perguntei.

— Tô sem vontade.

— Medo de me beijar de novo? Ontem você nem precisou beber pra fazer isso.

— Cala a boca... — virou o rosto em outra direção, envergonhado.

Eu simplesmente não conseguia evitar olhar para seu rosto. Bastava isso pra sentir meu coração acelerar feito um idiota. Na minha idade era até estranho me sentir assim por alguém, ainda mais nas circunstâncias que envolvem nós dois, mas ele me tirou completamente do meu eixo.

— Por que tá me olhando? — seu tom não era agressivo na pergunta, mas sim, curioso.

Dei um gole na garrafa e respondi.

— Porque você é lindo pra caralho, Park... é meio impossível não te olhar.

Ele engasgou com o energético que estava tomando e começou a tossir sem parar.

— Para com isso — disse entre às tosses.

— Parar com o quê? É a verdade.

Ele disfarçou olhando para a lata que estava na sua mão.

— Eu já te disse que não tem chances disso acontecer de novo.

— Por que sou um vilão tirano? Ou por ser um homem?

— Os dois.

Ele mal me olhava pra responder, e desviava o olhar à todo custo.

— Olha para mim pra falar comigo.

Mesmo relutante, ele olhou.

— Seus olhos nem sabem disfarçar, assim como você.

— Você está dificultando tudo, Jungkook.

Porra... Meu nome soava tão bonito na boca dele que eu me sentia fascinado à cada vez que ouvia.

— À partir de hoje, você está proibido de me chamar de Jeon, só quero ouvir isso de você agora.

— E se eu não quiser?

— Eu te obrigo.

Ele olhava minha boca e meus olhos, como se não fosse algo que eu facilmente notaria.

— J-já volto, vou ao banheiro...

E fugiu, como de costume.

Eu já estava cansado de beber, então apenas joguei o restante da garrafa fora e fiquei esperando. O cheiro bom da pizza já se espalhava pela cozinha, e após conferir pelo vidro do forno, vi que ela estava assando de forma perfeita, mostrando que acertei na massa.

Seria uma vergonha se eu errasse na frente dele.

Quando voltou do banheiro, o alarme do forno apitou, indicando que estava pronta. Ele já queria comer aqui, mas era óbvio que eu ia levar ele para outro lugar da casa.

— Vamos assistir um filme — falei.

— E desde quando você assiste televisão?

— Mas não é televisão, é cinema...

Descemos até o subsolo, onde fica a sala de cinema. Mesmo que tenha sido quase uma ordem minha, ele parecia animado para assistir. Ele também trouxe mais algumas latas de energético, enquanto eu levei a pizza.

A sala era grande, com vários assentos, e sentamos nos assentos do meio, que eram reclináveis.

— Escolhe você — entreguei o controle.

— Posso mesmo? Não vale reclamar depois.

— Pode.

Ele pegou e começou a rodar vários filmes, até achar algo que queria.

As luzes se apagaram e o filme começou.
Para minha mais absoluta surpresa, ele escolheu uma animação do Studio Ghibli, e eu mal sabia que ele gostava.

O filme começou, e enquanto pegava as fatias de pizza, assistia completamente atento, sentado com as pernas cruzadas. Eu até tentava assistir também, mas com a presença dele, era algo quase impossível.

— Odeio assumir, mas a pizza está muito boa...

— Obrigado.

Ele voltou a se concentrar na tela, enquanto o perfume dele estava acabando com minha sanidade.

Sua boca era tão perfeita que, mesmo de perfil, parecia extremamente desenhada. Tudo que eu queria era beijar ele de novo.

— Tá assistindo? — perguntou.

— Que?

— Você não tá assistindo...

— É claro que estou — eu não estava, não com alguém como ele por perto.

— Se não estiver, eu vou para o quarto.

— Ok, agricultor.

Ele me olhou irritado, quase me matando com os olhos.

— Não começa a me provocar!

Comecei a rir dele, que voltou a olhar nervoso para o telão.

Eu estava em um nível que nem ligava mais para o fato dele ser um homem, e queria esse moleque pra mim à qualquer custo.

🫐

Ao fim do filme, ele finalmente me olhou enquanto esticava os braços. Notou que eu já estava olhando para ele, e disfarçou.

— Obrigado pelo filme e pela pizza... vou para o quarto, boa noit... — ele já estava se levantando para sair, então sem pensar muito, levantei rápido e segurei ele pela cintura, onde beijei sua boca.

Ele até tentou me empurrar umas três vezes, mas também queria, então cedeu em questão de segundos. Seu gosto era tão bom quanto seu perfume, e com nossos corpos colados assim, o beijo ficava cada vez mais gostoso e intenso.

Alguns passos para trás foram suficientes para alcançar a parede. Me apoiei no seu corpo, pressionando ele contra ela.

Enquanto beijava seus lábios, minha mão subiu quase automaticamente por dentro da sua camisa. Ela deslizava pelas suas costas, sentindo cada curva de definição, além da sus pele, que era tão macia quanto veludo.

Nossos corpos estavam completamente colados, cheio de calor entre nós. Mesmo através das roupas, pude sentir ele excitado. Eu também estava, e entre o beijo, nossos quadris iam um contra o outro cada vez mais.

Eu nunca imaginei gostar de algo assim, mas quanto mais sentia ele, mais eu queria continuar.

Eu queria devorar esse garoto.

Da sua boca, fui para seu pescoço, onde minha língua começou a circular por cada trecho, sentindo o gosto da sua pele. Ele se contorcia, ofegante, e até o som da sua respiração estava me deixando maluco.

— P-para... com isso...

Ele pedia para parar, mas ao mesmo tempo, apertava minha pele e puxava meu corpo na sua direção cada vez mais.

— Eu não quero parar... — sussurrei no seu ouvido.

Segurei firme no seu cabelo macio, e com uma leve puxada, voltei a beijar aqueles lábios gostosos, que pareciam ter gosto doce, tão doce que eu estava viciado.

Eu queria ele para mim.

— E-espera! — ele me empurrou e me segurou distante dele, com os braços esticados.

— O que foi?

— O que foi? Que pergunta sem noção! Eu falei que não era pra gente fazer isso de novo.

— Então por que é que parece que você queria tanto quanto eu?

Ele puxou a camisa para baixo, como se isso fosse esconder o volume na calca, que também senti encostado em mim.

— Eu vou para o quarto, não quero mais ficar aqui. Não me siga, caso contrário, vou começar a gritar e ligar para a polícia.

Ele saiu irritado e bateu a porta, me deixando completamente sem fôlego e de pau duro.

— Que caralho de moleque!

Sentei em uma das poltronas de novo, tentando me recuperar. Meu corpo estava fervendo, e nem o ar condicionado estava refrescando.

Após alguns minutos tentando processar o que ele fez, desliguei o telão, as luzes e subi para o meu quarto. A porta do seu quarto já estava fechada, e lá dentro dava pra ouvir música.

Eram quase 5h da manhã, e depois de um beijo como esse, que acabou com toda minha sanidade mental, era impossível conseguir dormir.

O mundo ao meu redor estava acabando, e eu obcecado em um universitário bem mais novo que eu, e que ainda por cima, me odeia.

Com a quantidade de álcool que bebi durante o dia, tomar remédio não funcionaria, então fiquei apenas deitado, olhando para o lustre do quarto.

Peguei meu celular, e quase involuntariamente, coloquei a playlist que ele criou no voo. Até no estilo musical nós somos completamente diferentes, mas mesmo assim, fiquei ouvindo.

O céu começou a clarear, e foi nesse momento que meu corpo cedeu e eu acabei dormindo.

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Eita eita sioras e siores,
Queria ganhar uns beijos assim também, hehe
Comentem e votem muito, pra ajudar a história a se tornar mais conhecida.
Te espero no próximo capítulo.

Até lá! 💙

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